Matrix e a filosofia

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  • 1. Prof. Vtor

2. A diferena entre percepo e realidade. Distinonascida em Parmnides. Voc j teve um sonho que parecia verdadeiro? E sevoc no conseguisse acordar desse sonho? Como vocsaberia a diferena entre o mundo dos sonhos e omundo real? (Morpheus) O que o mundo? A pergunta que nos impulsionasegundo Trinity o que a Matrix? (Questoessencial aos pr-socrticos). Sensao de estranhamento e inadequao no mundo. 3. Se sonhssemos todas as noites a mesma coisa, ela afetar-nos-ia tantocomo os objetos que vemos todos os dias. E, se um artista estivesse segurode sonhar todas as noites, durante doze horas, que um rei, creio que seriaquase to feliz como um rei que sonhasse todas as noites, durante dozehoras, que era um artista. Se sonhssemos todas as noites que somosperseguidos por inimigos, e agitados por esses fantasmas penosos, e sepassssemos todos os dias em diversas ocupaes, como quando se faz umaviagem, sofrer-se-ia quase tanto como se isso fosse verdadeiro, e apreender-se-ia o dormir como se apreende o despertar quando se teme entrar emsemelhantes desgraas realmente. E, com efeito, isto faria pouco mais oumenos o mesmo mal que a realidade.Mas, porque os sonhos so todos diferentes, e porque mesmo um sediversifica, o que se v neles afeta bem menos que o que se v acordado, porcausa da continuidade, que no contudo to contnua e igual que nomude tambm, mas menos bruscamente, a no ser raramente, comoquando se viaja; e ento diz-se: Parece-me que sonho; pois a vida umsonho um pouco menos inconstante.Blaise Pascal, in "Pensamentos" 4. Eu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tavaQuanto mais eu corria mais pra perto eu chegavaQuando o calcanhar chegava, o dedo do p j tinha idoEscondendo eu me achava e me achava escondidoS sei que quando penso que sei j no sei quem souJ enjoei de me achar no lugar que aonde eu vou eu toEu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tavaQuanto mais eu corria mais pra perto eu chegavaT pensando em tirar frias de mim, mas eu tambm quero irS vou se minha sombra no for, se ela for eu fico aquiUm dia desses sonhando eu pensei no vou me acordarVou me deixar dormindo e levanto pra comemorarEu pensei correr de mim, mas aonde eu ia eu tavaQuanto mais eu corria mais pra perto eu chegavaO espelho me disse s tem um jeito pro assuntoNo adianta querer morrer porque se morrer vai juntoJuraildes da Cruz 5. Quem, porm, pode duvidar que a alma vive, recorda, entende, quer,pensa, sabe e julga? Pois, mesmo se duvida, vive; se duvida lembra-sedo motivo de sua dvida; se duvida, entende que duvida; se duvida,quer estar certo; se duvida, pensa; se duvida, sabe que no sabe; seduvida, julga que no deve consentir temerariamente. Ainda queduvide de outras coisas no deve duvidar que duvida. Visto que se noexistisse, seria impossvel duvidar de alguma coisa. {Agostinho. A Trindade. X, 10, 14.} Pois, se me engano, existo. Quem no existe no pode enganar-se; porisso, se me engano, existo. Logo, quando certo que existo, se meengano? Embora me engane, sou eu que me engano e, portanto, no queconheo que existo, no me engano. Segue-se tambm que, no queconheo que me conheo, no me engano.Como conheo que existo, assim conheo que conheo. {A Cidade de Deus. XI, XXVI.} 6. O mito da caverna O mito de Narciso O mgico de Oz Alice no Pas das Maravilhas Maniquesmo Catarismo Ascetismo cristo Messianismo Hindusmo (Lilla) 7. "A Matrix, est em todo lugar. nossa volta. Mesmoagora, nesta sala. Voc pode v-la quando olha pelajanela, ou quando liga sua televiso. Voc a sentequando vai para o trabalho, quando vai a igreja,quando paga seus impostos. o mundo colocadodiante dos seus olhos para que no veja a verdade". Ningum nasce na Matrix. H um campo ondehumanos so CULTIVADOS (repetio/regras/ritosradicais/tradicionalismo/crena pela crena/doxa), emcontraponto com a FERTILIDADE do conhecimento esua criatividade, seu caminho em busca do NOVO. 8. Etimologia: Do grego, moldador, no caso, de sonhos. o deus dos sonhos. Filho de Hipnos (hipnose) O elo condutor dos sonhos realidade. O guia de Neo, a Sabedoria na qual Neo se baseia. A voz que desperta Neo - o deus interior de Scrates, epelo qual Scrates morto ao negar os outros deuses(projees da Matrix). Mestre de Neo, e como todo bom mestre, apenassugere o caminho e deixa que o aluno percorra(maiutica socrtica). 9. Neo = novo. Doador de um novo mundo. A transformao da Matrix(Salvao-cura-esclarecimento). NEO anagrama de ONE (Escolhido). Desejo intenso de saber O QUE A MATRIX! Por que meus olhos doem? Porque voc nunca os usou. (incio dajornada fora da caverna). Primeiros vcios de NEO Medo e dvida. Neo percebe aos poucos que o CORPO NO VIVE SEM A MENTE, e,portanto, passa a valorizar o aspecto mental como primrio. No se considera o escolhido, mas age como um ao salvar a vida deMorpheus (renncia/humildade/abrir mo da prpria vida em nomede um propsito maior). Quando d-se conta que o escolhido, age sem esforo e domina aprpria Matrix. No final do filme, resolve permanecer na Matrix paramostrar aos seus habitantes um mundo onde tudo possvel. 10. Trinity referncia Trindade, em especfico aTerceira Pessoa, que estabelece o elo entre o homem eo LOGOS (Sabedoria/Cristo). Seu amor por NEO o traz de volta vida. Acompanha NEO em todas as etapas representa omisto ideal de fora e delicadeza (yin e yang). O nmero trs resolve o impasse do nmero dois,segundo os pitagricos, e transforma dualismo emHARMONIA E UNIDADE. 11. Cypher significa cifra, zero. O zero e o um formam o cdigobinrio da Matrix. Zero e Um (Cypher e Neo) constituem a MatrixDUALISTA e os diferentes desejos do homem: por um lado seduzido pela Matrix, por outro, algo o impele a buscar sair de l. Cypher e os Sencientes representam, juntos, a contradio prpriado Mal, por um lado ingnuo, covarde e omisso, por outro, agressivoe manipulador. Cypher Judas.Se Morfeu est certo, no conseguirei tirar essecabo. Se s o Filho de Deus, desa dessa cruz e salva-te a ti mesmo.Nem NEO, nem CRISTO, e nem SCRATES, no entanto, acreditamque esto no mundo para a auto-salvao, mas para a salvao dahumanidade. A motivao dos Sencientes tem uma boa justificativa, o que defineo carter do mal como uma iluso de bem, falso bem, ou, beminventado em suma, o bom e velho ORGULHO. Ns somos acura. Os humanos so os vermes. Dizem os Sencientes. 12. Apesar do filme ter grandes referncias Alegoria da Caverna dePlato, h uma grande diferena da Matrix para o que Platochamaria de Mundo Sensvel. Este mundo, para Plato, no oMundo das Ideias, ou seja, a Suprema Realidade, no entanto, hnele diversos smbolos que apontam para a realidade, sendo umacpia do Mundo Real. H portanto uma analogia entre o mundofsico e o Mundo das Ideias. Em Plato, o Mundo Sensvel nodeve ser destrudo, mas deve revelar gradativamente suacaracterstica de smbolo para que a Verdade venha tona. A crena de que este mundo precisa ser completamente negado prpria do maniquesmo, que cr que o mal reside na matria.Assim, neste aspecto, a Matrix se assemelha mais ao mundo naviso dos maniquestas do que ao mundo sensvel de Plato.