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MATRIA MDICA HOMEOPTICA EXPLICADAde GILBERT CHARETTE

Reviso e adaptao ao portugus pela Prof.a

ANNA KOSSAK-ROMANACH

ELCID

MATRIA MEDICA HOMEOPTICA EXPLICADAde GILBERT CHARETTE

Anna KOSSAK-ROMANACH Professora Titular em Clnica Homeoptica pela Universidade do Rio de Janeiro

ELCID Rua Vitria, 169 - CEP 15860-000 - IBIR - SP Tel.: (017) 551-1819

EDITORA

PREFCIO DO REVISOR E TRADUTOR

Composio: TEXTO & ARTE Impresso e acabamento: P.K.R. Grfica e Editora Uda.

Reservados todos os direitos. proibida a duplicao ou reproduo deste volume, ou de partes do mesmo, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrnico, mecnico, gravao, fotocpia, ou outros), sem permisso expressa da Editora.

FICHA CATALOGRFICA Preparada pela Biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo

MATRIA mdica homeoptica explicada de Gilbert M377 Kossak-Romanach. - Ibir : Elcid -2." edio - 1998.

Charette / reviso e adaptao ao portugus por Anna

Traduo de: La matire mdicale homeopathi-que explique. 1952. l.HOMEOPATIA 2.MEDICAMENTOS/farmacodinmica I.Charette, Gilbert II.Kossak-Romanach, Anna. WB93 0 CDD 615.532

O estudo da Matria Mdica Homeoptica constitui grande dificuldade aos profissionais desejosos em adotar a lei da semelhana como opo teraputica. Tal dificuldade se deve complexidade das patogenesias, ao grande nmero de medicamentos experimentados e s naturais limitaes da memria. Ainda que repertrios de sintomas e computadores tenham trazido grande ajuda, a deciso final para a prescrio do simillimum continua sendo responsabilidade da competncia profissional mdica. Acima dos numerosos artifcios propostos para a memorizao dos quadros farmacodinmicos, domina a necessidade de individualizao de cada medicamento, sua anlise e sntese. O conhecimento das peculiari dades de cada droga permite a elaborao de um perfil dinmico, coerente e especfico que, se incapaz de propiciar o diagnstico medicamentoso imediato, orienta e situa o mdico em textos mais completos, capaci-tando-o a decises rpidas. O texto de Charette consegue conciliar simplicidade e linguagem mdica, sem resvalar ao terreno leigo. Livre de excessivas citaes o comparaes, consegue transmitir a indispensvel identidade de cada medicamento. Algumas afirmaes, ao modo de comentrios ou reflexes, fruto da vivncia clnica pessoal, se referem a procedimentos fitoterpicos; no comprometem a mensagem do conjunto e, at certo ponto, contribuem para a memorizao das drogas; o mdico instrudo na metodologia hahne-manniana saber discerni-las. A obra de Charette se destina ao principiante da Homeopatia, como introduo Matria Mdica Homeoptica, em cuja base podero ser gradativamente acrescentados, no decurso dos anos, novos conhecimentos. Por si s no far um homeopata mas, por outro lado, no poder pretender ser homeopata o mdico que ignorar os perfis farmacodinmicos elementares nela contidos. Se fossem levados em conta os escalonamentos propostos das matrias mdicas, segundo graus de complexidade crescente, o presente compndio de Charette ocuparia o grau menor da escala, ao modo de uma cartilha, ou ponto de partida para a compreenso de relatrios farmacodinmicos mais complexos. A argcia na escolha dos sintomas e sinais caractersticos em conotao com mecanismos fisiopatolgicos confere obra um excepcional valor didtico. So Paulo, novembro de 1990 Anna Kossak-Romanach

ACONITUM NAPELLUSDoses txicas de Aconitum provocam congesto arterial sbita e acentuada dos centros nervosos. Congesto semelhante pode ser causada por golpe de frio que, ao provocar contrao das arterolas superficiais, rechassa o sangue em direo s vsceras e aos centros nervosos. Desta correlao advm a indicao mais importante de Aconitum obviamente, em doses reduzidas , nos distrbios devidos ao sbita e inesperada do frio, em especial do vento frio e seco, qualquer que seja a sede e a natureza das afeces resultantes. A congesto dos centros nervosos provoca excitao, donde: agitao mental, com insnia por hiperideao, angstia e medo; grande medo da morte; agitao fsica: o doente se vira e se remexe na cama sem cessar; parestesias diversas, em geral sob forma de sensaes de amortecimento e de formigamento; nevralgias acompanhadas pelas manifestaes anteriores; as dores so agudas, dilacerantes e insuportveis, levando o doente ao estado de agitao e angstia; instalam-se sob forma de nevralgias faciais, em geral esquerdas, de nevralgias dentrias ou, ainda, nevralgias vinculadas a otites. A congesto eletiva dos centros nervosos ao nvel do bulbo justifica a dominncia de sintomas cardiovasculares e respiratrios. SINTOMAS CARDIOVASCULARES A circulao se acelera, como se o corao tivesse sofrido um aoite. O doente apresenta face vermelha e vultuosa, muitas vezes com uma bochecha mais vermelha que outra (Chamomilla); ao sentar, tende sncope e empalidece; quando deitado, sua face permanece vermelha, com batimentos visveis das artrias temporais e das cartidas. O pulso se torna cheio, rpido e duro, a pele, seca e ardente donde a indicao na febre dita estnica. O estado de eretismo cardaco se manifesta por batimentos violentos e por dores que, partindo de diferentes pontos da regio precordial, se irradiam ao brao esquerdo. Quando a angstia prpria de Aconitum se juntar a estas dores, compreender-se- o motivo da sua indicao na angina do peito, sobretudo quando esta sobrevier de modo sbito aps

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exposio ao frio. Aconitum representa, ainda, importante medicamento da aortite; reduz e chega mesmo a curar definitivamente, a hipertenso sem leso (jamais prescrever Aconitum em afeces acompanhadas de hipotenso); indicado na endo e na periacrdite inicial, bem como na dilatao do corao de atleta (Arnica, Rhus toxicodendron). VIAS RESPIRATRIAS A ao de Aconitum se evidencia nos diferentes nveis do aparelho respiratrio: FOSSAS NASAIS: coriza com repetidos espirros aps exposio ao vento frio e seco. LARINGE: anginas incipientes com tosse crupal em rudo de serra, sobrevindo antes da meia-noite, principalmente em criana pletrica que apanhou frio durante o dia (Belladona, Hepar sulfuris e Spongia); naquelas crianas em que o incio de um estado inflamatrio se acompanha por reteno urinaria, Aconitum ter indicao formal. PLEURA: pontada fugaz precedendo pleurisia. PULMES: bronquites e hemoptises decorrentes de processos con-gestivos, bem como congestes ativas idiopticas. Aconitum possui afinidade pelo pice pulmonar esquerdo (a maioria das afeces de Aconitum se localiza esquerda) e se mostra til nos estados inflamatrios brnquicos e pulmonares, assim como nas manifestaes violentas dos estados congestivos que se instalam de modo sbito em indivduos pletricos e robustos. VIAS DIGESTIVAS Os distrbios digestivos se devem, em geral, a golpe de frio ou ingesto de gua gelada, sendo representados por: Dores abdominais agudas, violentas, sob forma de elicas brutais que obrigam o doente a se fletir para frente, sem conseguir alvio, ao contrrio das elicas de Colocynthis. Evacuaes esverdeadas com aspecto de espinafre picado, com ca-tarro e, s vezes, contendo sangue. Estas evacuaes, reduzidas e freqentes, com tenesmo e necessidades urgentes, proporcionam alvio ao doente o que no acontece em Mercurius. Aos transtornos digestivos pode se acrescentar uma afeco hep-tica a ictercia grave , onde Aconitum, ao lado de Phosphorus, constitui a dupla medicamentosa mais importante. MANIFESTAES GENITAIS Pertencem a Aconitum alguns sintomas genitais femininos ligados a modificaes da circulao pelviana; constituem, ora distrbios crnicos, 8

com rubor da face, palpitaes, epistaxes pr-menstruais, dores violentas, agitao, ansiedade durante a menstruao e leucorria abundante ps-menstrual, ora distrbios agudos, com supresso das regras aps resfriamento ou emoo forte. Para os homeopatas, Aconitum importante medicamento do reumatismo articular agudo e tem indicao freqente nas manifestaes locais agudas da ditese reumatismal, nem sempre acompanhadas por crise febril: lumbago, esclerite, pleurodinia, citica, etc. MODALIDADES Os distrbios de Aconitum pioram noite, em torno da meia-noite e pelo calor; melhoram ao ar livre e pela transpirao. NOTA IMPORTANTE: Aconitum, repentino e violento, representa medicamento da fase de invaso, isto , do incio da maioria das afeces de aparecimento brusco, quando existem alteraes funcionais intensas, porm poucas ou nenhuma leso orgnica; quando as leses aparecem, cessa a indicao de Aconitum em favor de outros medicamentos, adaptados conforme o conjunto das manifestaes mais recentes.

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ACTAEA RACEMOSAA ao dominante de Actaea, sobre o sistema nervoso e rgos genitais femininos, justifica-a como medicamento preeminente dos desequilbrios genitais. As afeces reflexas de distrbios tero-ovarianos, passveis de cura pela Actaea, apresentam uma caracterstica capital: agravam durante a menstruao e na razo direta da abundncia do fluxo. So perodos eletivos de Actaea: a menstruao, a menopausa e a gravidez. Os sintomas importantes deste medicamento sero, portanto, de origem nervosa e genital. Para comodidade de estudo, convm classific-los em: cerebrais, medulares, espasmdicos e dolorosos. SINTOMAS CEREBRAIS Na esfera psquica os sintomas so variados e instveis; a doente apresenta fases de alegria e de exuberncia com loquacidade, s quais sucede, de modo brusco, um estado oposto de abatimento, desnimo e melancolia (Ignatia). Constam entre os sintomas singulares desta segunda 9

ase: medo de enlouquecer, com sensao como se a cabea estivesse nvolta por uma nuvem pesada e espessa que torna tudo confuso e escuro. ) medicamento convm na mania puerperal, no nervosismo da gravidez, im certa forma de melancolia caracterizada por insnia permanente e, de nodo geral, nos estados de inquietude e infelicidade de esprito, to ;omumente associados a transtornos uterinos. Estes sintomas mentais apresentam uma curiosa alternncia: eles se enuam ou desaparec