Marxismo&Ciências Humanas-2011

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UFPR/SCHLA

MARXISMO & CINCIAS HUMANAS: LEITURAS SOBRE O CAPITALISMO NUM CONTEXTO DE CRISEEnsaios em comemorao aos 15 anos de Crtica Marxista

Org. Srgio Braga, Pedro Leo da Costa Neto, Marcos Vincius Pansardi e Adriano Codato.

1 Edio Curitiba-PR

Coletnea de textos apresentados no evento realizado em Curitiba em Homenagem aos 15 anos da revista CRTICA MARXISTA.

Capa

Gustav Diazgustaveaux@gmail.com

DiagramaoMarti Pansardi martiguerreiro@yahoo.com.br

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARAN SISTEMA DE BIBLIOTECAS BIBLIOTECA CENTRAL COORDENAO DE PROCESSOS TCNICOS Ficha catalogrfica Universidade Federal do Paran. Setor de Cincias Humanas, U58 Letras e Artes. Marxismo & Cincias Humanas : leituras sobre o Capitalismo num contexto de crise: ensaios em comemorao aos 15 anos de Crtica Marxista / Org. Srgio Braga... [et al.]. -- Curitiba, 2011. 161p. Vrios autores Coletnea de textos apresentados no evento realizado em Curitiba em homenagem aos 15 anos da revista Crtica Marxista. Inclui referncias e notas ISBN - 978-85-99229-08-8 1.Capitalismo. 2. Cincias Sociais Coletnea. 3. Marxismo Discursos, ensaios, conferncias. 4. 15 anos de Crtica Marxista. I. Braga, Srgio. II. Ttulo. CDD 22.ed. 335.4 Samira Elias Simes CRB-9/ 755

SCHLA/UFPR,2011

Sumrio

Pg.Apresentao (Os organizadores) _______________________________ Caio Navarro de Toledo: Desafios e problemas de uma publicao marxista no Brasil: Crtica Marxista faz 15 anos._________________ Armando Boito & Luiz Eduardo Motta: Karl Marx no Brasil.________ Joo Quartim de Moraes: O marxismo e os impasses do capitalismo contemporneo. ___________________________________________ Isabel Loureiro: A recepo de Rosa Luxemburgo no Brasil._______ Robespierre de Oliveira: A teoria crtica como teoria da mudana social: o marxismo de Marcuse. ______________________________ Anita Helena Schlesener: Gramsci e a cultura de seu tempo: observaes sobre arte e literatura.____________________________ Marcos Vincius Pansardi: Gramsci e as Relaes Internacionais: hegemonia, dependncia e imperialismo. ______________________ Francisco Paulo Cipolla: A evoluo da teoria da crise em Marx. ____ Claus Germer: As tendncias de longo prazo da economia capitalista e a transio para o socialismo. ______________________________ Srgio Braga: Nicos Poulantzas, as elites e a sociologia poltica norte-americana. __________________________________________ Adriano Codato: Poltica, cincia e ideologia: sobre o "teoricismo" de Nicos Poulantzas. ______________________________________ Pedro Leo da Costa Neto: Notas introdutrias sobre o desenvolvimento do marxismo no Leste Europeu.______________ Ligia Regina Klein: A luta pelas leis fabris do sculo XIX e a definio das idades do trabalho: um estudo sobre a constituio das noes de infncia e adolescncia. ________________________ 5 7 17 27 43 59 71 85 101 117 139 165 175 185

MARXISMO & CINCIAS HUMANAS: LEITURAS SOBRE O CAPITALISMO NUM CONTEXTO DE CRISE

Apresentao(Os organizadores) Os textos que constam desta publicao resultaram de trabalhos que foram apresentados no evento Marxismo e Cincias Humanas: leituras sobre o capitalismo num contexto de crise, realizado em Curitiba em novembro de 2009 e destinado a comemorar os 15 anos de lanamento da revista CRTICA MARXISTA. Mais do que uma efemride, o evento destinava-se a debater com um pblico mais amplo do que aquele estritamente universitrio algumas questes tericas importantes abordadas por esta revista e podemos dizer pelo marxismo de uma maneira geral ao longo de sua existncia. Alm disso, buscava-se ao mesmo tempo ilustrar a vocao interdisciplinar e pluridimensional desta perspectiva de anlise, que desde suas origens transitou por diversas disciplinas tais como a filosofia, a economia, a sociologia poltica, e mesmo a crtica literria e cultural, dentre outras formas de produo terica no campo das cincias humanas. Tudo isso explica algumas das caractersticas dos artigos contidos na presente coletnea: a) em primeiro lugar, seu tom didtico e no-academicista, na medida em que resultaram de debates e intervenes dos quais tomaram parte no apenas pesquisadores universitrios, mas tambm uma audincia externa aos muros acadmicos e interessada em tomar contato com algumas das contribuies gerais da problemtica terica marxista; b) em segundo lugar, sua natureza interdisciplinar, abrangendo desde testemunhos e tentativas de auto-anlise dos editores da revista sobre a trajetria da publicao ao longo dos anos, at ensaios nos campos da histria do pensamento poltico, filosofia, economia, teoria poltica, relaes internacionais e sociologia da educao; c) por fim, sua perspectiva crtica j que praticamente todos os artigos reunidos nesta publicao trazem embutidos dentro de si uma dimenso normativa que busca refletir sobre

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MARXISMO & CINCIAS HUMANAS: LEITURAS SOBRE O CAPITALISMO NUM CONTEXTO DE CRISE

horizontes histricos situados para alm dos sistemas sociais capitalistas realmente existentes no mundo contemporneo. Tendo em vista esses fatores, a expectativa dos organizadores a de que a presente coletnea cumpra de maneira satisfatria os objetivos no apenas de prestar uma homenagem ao esforo militante dos editores de CRTICA MARXISTA por terem mantido regularmente uma publicao do gnero ao longo de todos estes anos e em condies muitas vezes adversas, mas tambm o de ilustrar para um pblico no estritamente especializado o vigor de um tipo especfico de leitura terico-poltica da realidade social moderna cujas potencialidades e desdobramentos tericos e empricos esto longe de terem se esgotado.

Srgio Braga Pedro Leo da Costa Neto Marcus Vincius Pansardi Adriano Codato

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Desafios e problemas de uma publicao marxista no Brasil: Crtica Marxista faz 15 anos 1F

Caio Navarro de Toledo (Unicamp)2 ORIGENS: BREVE HISTRICO Dezessete anos atrs alguns professores e pesquisadores, na sua maioria da Unicamp, reuniram-se para discutir a possibilidade de criao de uma revista marxista. Nessa conjuntura histrica, a celebrao do fim do socialismo e a hegemonia da doutrina neoliberal tornavam este projeto um enorme desafio intelectual e poltico. Duas formulaes amplamente difundidas pela mdia em todo o mundo sintetizavam o contexto ideolgico do perodo: 1) o triunfo da democracia liberal teria decretado o fim da histria e das ideologias (Francis Fukuyama) e 2) no existiria mais alternativa ao capitalismo [tal como a expresso inglesa There is no alternative (Tina) buscava exemplificar]. Os tempos, pois, se configuravam difceis para os socialistas e marxistas. Desde 1992, diversos encontros se sucederam visando definir o projeto editorial da publicao (seus objetivos, contedo, periodicidade etc.) bem como a busca de uma editora comercial que aceitasse publicar uma revista... de esquerda e marxista. Fao uma breve uma digresso de natureza sociolgica: o que explicava a presena majoritria de acadmicos da Unicamp na discusso desse projeto editorial? Como explicar a presena de apenas um professor da USP nestes encontros?O texto que se segue orientou a interveno do autor na abertura do Congresso Marxismo e Cincias Humanas. Como foi esclarecido no incio da sesso, as formulaes aqui desenvolvidas so da estrita responsabilidade do autor; ou seja, no expressam elas, necessariamente, o pensamento do conjunto do comit editorial da revista Crtica Marxista.1 2

Caio Navarro de Toledo professor colaborador do IFCH/Unicamp.

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Descartando a hiptese do sectarismo por parte dos docentes da Unicamp, a razo parece ser simples: nos anos 1980 e 1990 a teoria marxista deixou de ser uma referncia relevante para a reflexo e a pesquisa dos professores da USP, ao contrrio do que tinha ocorrido nos anos 1960 e 1970. Embora nestes anos a teoria marxista nunca tivesse sido dominante no interior dos Departamentos de Filosofia, Cincias Sociais e Histria da USP, era inegvel que seus docentes no eram indiferentes ao marxismo. O contexto poltico e ideolgico dos dois perodos governo Jango e a resistncia ditadura certamente foi decisivo para explicar o interesse pela teoria marxista. Como tambm observou Roberto Schwartz, embora a direita tenha sido politicamente vitoriosa em 1964, durante a ditadura, a hegemonia no plano cultural e no debate das idias no deixava ser de esquerda. Assim, se a obra de Marx no era regularmente ministrada nas disciplinas de graduao da USP, no era, porm, ignorada por seus docentes. Ignoradas eram, sim, as obras de Engels, Lnin, Rosa bem como as de outros clssicos do marxismo. Sabe-se que a obra decisiva de Marx, O capital, foi objeto de um famoso grupo de estudos na USP; segundo alguns, este Seminrio teve duas edies. Na primeira, de fins dos anos 1950 at incio dos anos 1960, estavam professores que alcanariam notoriedade nas dcadas seguintes: FHC, Jos Arthur Giannotti, Paul Singer, Fernando Novais, Octavio Ianni, Francisco Weffort e outros; na sua 2. edio segundo um artigo de E. Sader , estavam presentes jovens assistentes e pesquisadores; entre eles, Joo Quartim, Roberto Schwartz, Ruy Fausto, Emlia Viotti, Srgio Ferro, Michel Lwy, Emir Sader, Lourdes Sola e outros. Se, de fato, ocorreram as duas edies do grupo sobre O Capital, verifica-se que a 1. edio teve um carter eminentemente acadmico (em uma palavra, a obra de Marx interessava basicamente pelo seu carter metodolgico), enquanto a segunda edio estava mais interessada pela dimenso poltica do marxismo. Isto se evidenciaria pelo ttulo da revista criada em fins dos anos 1960: Teoria e Prtica, editada por Rui Fausto, Roberto Schwartz, M. Lwy e S. Ferro. Nos anos 1980 e 1990, contudo, a teoria marxista deixaria de estar presente nas cogitaes dos filsofos e cientistas sociais da USP

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