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  • 22março/abril 2006 nº 158

    > Reportagem

  • > Revista Brasileira de Contabilidade

    23 março/abril 2006 nº 158

    A gestão da Tecnologia da Informação nas organizações de serviços contábeis

    Maria Lúcia Melo de Souza Deitos*

    * Contadora, com registro ativo no CRCPR sob número 30.838, especialista em Contabilidade Gerencial, mestre em Tecnologia, doutoranda em Educação pela UNICAMP, profes- sora do Colegiado de Ciências Contábeis da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), pesquisadora do Grupo de Pesquisas em Contabilidade e Competitividade Empresarial.

    Este trabalho tem como foco central o estudo da utilização da tecnologia da informação nas organizações de serviços contábeis. Partindo do pressuposto de que o atual contexto vem se caracterizando pela acelerada evolução da tecnologia e pela variedade de inovações tecnológicas disponibilizadas, especialmente na área da Tecnologia da Informação (TI), e entendendo que o uso de TI na atividade contábil é irreversível, buscamos, neste trabalho, compreender a importância do uso da TI na atividade contábil, bem como, refletir sobre os principais recursos de TI utilizados na área contábil. Também buscamos, por intermédio de uma pesquisa de campo, de natureza exploratória, com organizações de serviços contábeis, conhecer o uso que estas estão fazendo dos recursos de TI. Os resultados obtidos mostram que muito ainda precisa ser feito para que todo o potencial da TI seja explorado e indicam que a compreensão do impacto que os avanços da TI causam na atividade contábil, assim como a busca de conhecimentos que permitam saber avaliar a contribuição que as inovações tecnológicas disponíveis, e possíveis de serem acessadas, podem oferecer, tornar-se um requisito necessário na atuação dos profissionais da contabilidade.

    [ ]

  • 24março/abril 2006 nº 158

    > A gestão da Tecnologia da Informação nas organizações de serviços contábeis

    > A Tecnologia da Informação e a Atividade Contábil. Em 1991, Thompson iniciou assim um artigo publicado pela Revista Brasileira de Contabilidade,

    Compare estas duas cenas. Um atarefado emprega-

    do, com a gravata afrouxada, maneja uma pesada

    máquina. Faz lançamentos contábeis em uma

    ficha, atrás da qual há uma folha com carbono.

    Depois transcreve essas informações no Diário, por

    meio de gelatina. Ou, então, um operador faz os

    mesmos lançamentos em um microcomputador,

    com velocidade cinco vezes maior, deixando para

    o programa a elaboração de relatórios, que depois

    serão emitidos pela impressora. É a diferença entre

    usar ou não a informática como ferramenta no dia-

    a-dia do profissional da contabilidade. (Thompson,

    1991, p. 22).

    Na atualidade podemos acrescentar a estas, uma tercei-

    ra cena para comparação. Um cliente, em sua residência,

    acessa o site de uma loja, escolhe o produto desejado e

    efetua a compra. O sistema da loja, ao receber o pedido

    de compra, desencadeia o processo de identificação do

    local onde está armazenado o produto e expede, eletro-

    nicamente, a ordem de fornecimento. No momento em

    que o produto é expedido e o documento fiscal de saída é

    emitido, o sistema atualiza o banco de dados da empresa

    gerando os registros em todos os setores envolvidos na

    transação, inclusive a contabilidade.

    Estas três cenas ilustram bem o impacto que a evo-

    lução tecnológica vem gerando na contabilidade. Os

    processos de execução do trabalho contábil foram, ra-

    dicalmente, alterados nas últimas décadas, assim como

    as possibilidades de geração de informação contábil.

    A introdução da informática no início da década de

    1980 já havia alterado, consideravelmente, os proces-

    sos de trabalho, facilitando o registro das operações e

    a emissão de relatórios, porém, foi a partir do final da

    década de 1980 que uma verdadeira revolução começou

    a acontecer. Esta revolução decorre da ligação entre a

    informática e as comunicações, e alteram o papel da

    informática dentro das empresas e, por conseqüência,

    afetam diretamente a atividade contábil.

    Na segunda metade da década de 80, a informática

    começa a superar sua função original de agilizar ta-

    refas operacionais para transformar-se em recurso

    na busca de vantagens competitivas. A computa-

    ção e a telefonia começam a se fundir, abrindo a

    estrada para a tecnologia da informação tal qual

    a conhecemos hoje. Essa evolução prepararia o

    solo para a integração de sistemas que elevaram

    os computadores a um papel estratégico dentro

    das empresas. (EXAME, 2002, p. 94)

    A então nascente tecnologia da informação evoluiu

    rapidamente e na atualidade vemos que os novos

    recursos tecnológicos e as mudanças de hábitos que

    eles provocam, nas empresas e na sociedade, oferecem

    à contabilidade a oportunidade da velocidade e da

    interatividade, possibilitando um grau de flexibilidade

    e precisão da informação, em tempo real, até poucos

    anos impensável para o sistema de informações (Catelli

    e Santos, 2001, p. 26).

    Ao mesmo tempo em que trazem novas oportunida-

    des, as novas tecnologias também trazem novos desa-

    fios, decorrentes das novas formas de realizar negócios

    surgidas no mercado. Paiva se pergunta,

    Como controlar, eficientemente, os efeitos sobre o

    patrimônio das organizações diante de operações

    realizadas por intermédio de comércio eletrônico

    (internet), home-banking, código de barras, ven-

    da direta ao consumidor (por meio de máquinas

    automatizadas), venda por TV interativa, produção

    flexível, integração vertical com fornecedores,

    alianças com concorrentes, e tantas outras estra-

    tégias competitivas? (2002, p. 80)

    Essas são algumas situações que já estão postas, e para

    as quais os profissionais de contabilidade têm empreen-

    dido esforços para encontrar soluções adequadas. São

    soluções que passarão pelo desenvolvimento de novas

    teorias e de novas técnicas para controlar as operações

    e demonstrar seus resultados.

    Porém, uma outra situação de natureza mais cultu-

    ral apresenta-se hoje como um paradoxo nas práticas

    contábeis. Este paradoxo é assim abordado por Riccio

    e Peters,

    ...uma transação introduzida em qualquer momento

    e localidade pode gerar um lançamento contábil e a

    atualização instantânea dos saldos das contas. Atua-

    lização instantânea ou tempo real, em Contabilidade

    significa que os ‘resultados’ da empresa podem ser

  • > Revista Brasileira de Contabilidade

    25 março/abril 2006 nº 158

    ‘computados’ e monitorados a cada instante.

    Tanto, e aí reside o paradoxo, a atualidade de todo

    esse aparato tecnológico não cria o efeito desejado.

    Desde as mais pequenas e flexíveis empresas, até os

    gigantes da Fortune 500, os efeitos são os mesmos:

    os dados (já dentro dos computadores), têm que

    ser acumulados até o último dia do mês.

    Os relatórios são emitidos de uma vez, ao final

    do período, assumindo o conceito de período,

    segundo o qual se age como se todas as operações

    da empresa tivessem ocorrido em um único dia.

    (1997, p. 9)

    Segundo esses autores, apesar do sistema de infor-

    mação contábil ser tecnologicamente um sistema em

    tempo real, é utilizado à maneira antiga. Esta atitude

    decorreria de duas questões: a primeira tem a ver com

    os princípios atuais de Contabilidade e a segunda, com

    o fato de os sistemas de contabilidade serem concebidos

    e administrados como sistemas fechados.

    As duas questões dependem da atuação do profissional

    de contabilidade para serem redimensionadas, porém,

    na primeira, é necessária uma ação que envolva o con-

    junto da comunidade contábil; já na segunda é possível

    que o contador na sua organização desencadeie ações

    que possam tornar o sistema contábil mais aberto, isto

    é, mais interativo. É preciso adotar um posicionamento

    que trate a contabilidade como um sistema pertencente

    à empresa, no qual se aceite que o usuário defina quais

    são os modelos de dados monetários, quantitativos e

    internos que deseja receber. “Fazendo uma analogia,

    na Contabilidade o controle da informação contábil

    encontra-se hoje na mão do contador. No processo de

    mudança pode-se prever que parte estará nas mãos dos

    usuários.” (Riccio e Peters, 1997, p. 6)

    É necessário, também, adotar processos de trabalho

    que permitam ter a contabilidade em tempo real. So-

    mente assim pode-se usufruir todo o potencial dispo-

    nibilizado pela Tecnologia da Informação.

  • 26março/abril 2006 nº 158

    d) busque novas formas para melhorar os seus recur- sos de TI, seja por meio de novas aquisições ou de novos

    usos para os recursos já existentes;

    e) prote

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