marÇo 1957

Download MARÇO 1957

Post on 09-Dec-2016

214 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • MARO DE

    1957

    ANO I N(r~I. 3

  • COMPANHIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL

    - NOVACAP -

    (Criada pela Lei n.O 2.8'74, de 19 de setembro de 1956) Sede - Braslia

    Escritrio no Rio - Av. Almirante Barroso, n. 0 54, 18.0 andar

    Presidente Diretores:

    Membros:

    Membros:

    DIRETORIA

    Dr. IsRAEL PINHEIRO DA SILVA

    Dr. BERNARDO SAYO DE CARVALHO ARAJO Dr. ERNESTO SILVA Dr. !RIS MEINBERG

    CONSELHO DE ADMINISTRAO

    Dr. ADROALDO DE JUNQUEIRA AIRES Dr. ALEXANDRE BARBOSA LIMA SoBRINHO General BAYARD LUCAS DE LIMA Dr. EPLOGO DE CAMPOS General ERNESTO DORNELLES

    CONSELHO FISCAL

    Dr. HERBERT MOSES Dr. Lurz MENDES RIBEIRO GoNALVES Major MAURO BORGES TEIXEIRA Dr. VICENTE ASSUNO (suplente)

    Revista BRASLIA - Tda correspondncia para esta publicao deve ser remetida ao Servio de Divulgao da NOVACAP, Av. Almirante Barroso,

    n.o 54, 18.o andar - RIO DE JANEIRO

  • Em nossa capa : dentro da rea da nova Capital , entre os dois braos do grande lago a fo~mar -se com o represamento do rio P a -ran-:>a, o traado urbanstico de Braslia pre-conizado pelo " projeto Lcio Costa".

    Dos vinte e seis t rabalhos presente ~ ao Concurso para o Plano Pilto da No-va Capital do Brasil - a lguns de grand~ mrito e por ist:> tambm premiados - foi aqule projeto julgado o melhor e a esta hora j se en-contra em fase Ini-cia l de execuo.

    Damos, no texto do presente nmero de "Braslia", porme-

    nor_lzado noticirio do Concurso em que in-cluimos I Vol

    1 o P ano, com seu respectivo clesen-

    m v mento, elaborado pelo ohtentor do pri-eiro prmio.

    NOTAS _ Em processo do Ministrio da Via-ao e Obras Pblicas, o Sr. Presiden-te da Repblica exarou, em data de 7 do corrente, despacho autorizando o dispndio da importncia de ... . . Cr$ 1.500.000,00 com a instalao de ~~~a. ;Agncia Postal-Telegrfica em

    lasrha. Nessa :lesoesa se inclui a construo de linha -telegrfica ligan-~0 a referida agncia com a sede do

    stado de Gois.

    0 Estiveram em Brasilia os tcnicos ~r?anistas estrangeiros William Hol-. 0 ld, Andr Sive e Stamo Papadaki, ~t~grantes, a convite do govrno bra-~rlerro, da Comisso Julgadora do con-Urso para o Plano Pilto da Nova

    C_apital. Em entrevista a "O Globo" ~Ir William Holford fz referncias ~ v 0 esplendor do lugar, com seus acli-

    es e declives, perfeitamente adequa-do a receber um trabalho grandio-10 ,como o do arquiteto Lcio Cos-"ab, - trabalho que classificou de

    0 ra-prima".

    Braslia teve tambm, neste ms,

    tp_ortunidade de receber a visita do "~ Paulo Bittencourt, diretor do

    arreio da Manh". Em Goinia, falando Rdio

    ~1hanguera, o ilustre jornalista ex-cern~u_ sua boa impresso quanto 's e ondroes da regio de Braslia e, em t l1trevista a "O Popular' ', acrescen-'t ou haver percorrido tdas as obras, 0 endo ?Portunidade de verificar quf' s serv1os da futura metrpole esto

    Publicao mensal

    da

    COMPANHIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL

    Redao, AV. ALMIRANTE BARROSO, 54 - 18.0 Andar

    RIO DE JANEIRO

    NUM. 3 MARO DE 1957 ANO I

    "A FUNDAO DE BRASLIA A FUNDAO DO EQUILBRIO DA NAO BRASILEIRA ... "

    [Mensagem do Presidente Juscelino Rubitsclwk aos participantes da Primeira Semana Nacional

    Mudancista]

    "Ao fala r-vos, estudantes congregados pelos Centros XI de Agsto e XI de Maio, dirijo-me tambm a tda a mo-cidade do Brasil - e o fao com a cons-cincia de que estou ctnnprlndo o de-ver de convocar-vos, d~ prevenir-vos, de procurar a vossa adeso para . esta mar-cha rumo ao oeste, na conqmsta do in terlor da nossa ptria, conquista que nes-te: momento principia e deixa de ser ima-gem oratria , frase de efeito, promessa v, para. constituir-se, 1~a realidade, em algo de concreto, de palpavel: a continua -o de uma viagem que se iniciou com a chegada da frota tle Cabral. Bahia, q';le prosseguiu com Mem de Sa para o Rto de Janeiro, que se alargou ilnponente na caminhada das Bandeiras e que agora, para alta e imerecida honra de minha vida retomo com o pensamento na in-tegro do Brasil em s i mes~o p ara posse do povo brasileiro do seu propno e Imen-so territrio .

    No, no poderia deixa r de fala~-vos, iovens ele todos os quadrantes da patria , em ir avante nas ':"esoluc;es para a fun-dao da nova capital elo Brasil, em obe-dincia a um dispositivo constitucional! sem me dirigir a vs, atentos ao que vai resultar de um ato poltico ele tamanha envergadura.

    Interessados par ticularmente estais vs, por tratar-se elo advento ele uma nova era que ir 3-brir-se ao implantar--se no corao do Brasil uma cidade que centralizar a irradiao da nossa vtda poltica. Vs contemplareis de mais per-to vivereis de maneira mais prof.unda, a 'soberba ~popia da ocupao do nosso pais. Sereis mais diretamente beneficia -elos, pelo transformar de um Brasil en-tranhado na sua prpria terra, do que os homens de minha gerao, aos qua is no cabet privilgio outro, e assim mes-mo se assistidos pela proteo divina, que o de avistar de lon~e. de divisar distn-cia o novo Brasil, o Brasil enfim retiflca -do o Brasil instalado no seu interior, o 'Brasil colocado onde sempre dever estar.

    Dirijo-me agora particularmente a vs, estudantes de So Paulo. Perdoai-me a imodstia, mas no h que oculta r a rea -lldacle : o papel histrico que o meu go-vrno est representando com o pros-seguimento ela viagem ela nacionalidade at Brasilia, o que se est fazendo, o oue tenha a honra ele influir para que seja executado nesta hora, continuar o feito das vossas bandeiras, retomando o caminho hericamente percorrido pelos vossos desbravadores, estender o Brasil, com o poder da tcnica do mundo de hoje, at onde o conduziu o vosso Anhan-gera.

    Sou um homem das Minas Gerais . E profundamente comovido, com o pensa-mento no passado, como que a ouvir os passos dos plantadores de cidades nas Al -terosas, ergo-me para anunciar convosco que recomeou a Era elas Bandeiras.

    Quero proclamar convosco que j no podemos estar parados nas proximidades do mar, agarrados s pra ias, espremidos na rea lltornea; que j no podemos permanecer reunid-Js em alguns ncleos densos de poptao, quando a maior par-t~ de nosso pais est vazia, inaproveitada, intrafegvel, com as suas riquezas a jazer !:;tentes.

    J nos cansamos todos de criticas es-treis, de palavrrio sentencioso, m as inexpressivo, de crculos restritos por nos-sas prprias mos traados, dentro dos quais nos debatemos prisioneiros.

    J nos cansamos todos de crticas sombrias sbre o nosso futuro, ele a l;>is-mos que eternamente nos ameaam tra-gar, de lamentaes, de gritos de agouro, ele imaginaes, temores - quando tudo reclama o nosso t rabalho, o nosso en-tusiasmo, o nosso nlmo, quando nos obrigamos a provar que somos um povo Cfigno de ter recebido o patrimnio imen-so desta nossa terra variada, rica de as-pectos, prodigiosa nas suas dissemelhan-as.

    Chegou a hora ele falar ao pas, de corao aberto, de dizer aos brasileiros que assumi o govrno, no para aparar pe-qu enos ngtos, m >ts para trabalhar sem esmorecimento, a Hm de que esta ptria obedea ao chamado de grande nao.

    Temos de levar o Brasil para a fren-te, e le ir para a frente . Temos de fazer com que o nosso povo ocupe as suas terras; so nossas as terras do Bra-sil, mas para que as utilizemos, ns e os que estiverem desejosos de vir respirar aqui, compartilhando da revoluo do nosso desenvolvimento intelectual e ma-terial.

    No podem m :!.ls a direo poltica, o govrno, as classes que comandam, dei -xar de acompanhar o ritmo de cresci -meu to desta n ao. No compreens-vel, nem h mais justificativa para o divrcio entre o ' ttrto expansionista do Brasil e a mentalidade burocrtica, roti-neira, estreita, que se mantm numa opo-sio continua a essa a rrancada que vai aumentando de potencialldade todos os clias, mas um pouco desordenada e con-tusa.

    No possvel que a expanso n a -cional se processe indirigida, sob as vis-tas indiferentes do govrno.

    A nao e o govrno tm de mar-

  • l

    2- Braslia

    bem encaminhados e que se sente ali o propsito de o govrno brasileiro realizar com rapidez a edificao da cidade.

    O clich que intercala esta NOTA

    mostra o lugar, junto rea de Bra-s lia, onde, em 1893, estve mais lon-gamente acampada a Misso Cruls -primeira expedio oficial, aps pro-mulgada a Constituio da ento jo-vem repblica brasileira, enviada a fazer estudos do Planalto Central que

    j naquela Carta era indicado para a localizaco do futuro Distrito Federal.

    Na -depresso do terreno, junto ao pequeno macio florestal, desliza o crrego "Acampamentv" que tem s-te nome em conseqncia do aludido fato histrico e uossivelmente dado pelos prprios componentes daquela Misso.

    No dia 17 do corrente teve lugar o primeiro casamento em Braslia, realizado entre o Sr. Jos Vitria da Silva, funcionrio da Novacap, e a senhorita Generina Maria dos Santos. O ato foi oficiado pelo padre Oswaldo Srgio Lobo, vigrio de Planaltina. Pa-raninfaram a cerimnia o Dr. Bern ar-do Sayo, diretor da Cia. Urbanizado-ra, e senhora, e o coronel reformado Antnio Muzzi Alves Pinto.

    ! Em visita ao stio da nova Ca-

    :Pital ali estve no ms passado o dr. .Jos Francisco Bias Fortes, Governa-dor do Estado de Minas Gerais, a convite especial o Presidente da CUNCB.

    A foto abaixo fixa um aspecto dessa visita, vendo-se ao centro o gv-vernador de Minas e exma. esp-sa, bem como as exmas. senhoras Israel Pinheiro e Bernardo Sayo.

    A FUNDAO DE BRASLIA ... char unidos, solidarios, porque o govr-no deve ser a exoresso da vontade do que constitui a nao. J provou o Brasil, e de forma evidente, o de que capaz. E o provon por si mesmo, com noo lt\cida e firmeza.

    As riaes, como acontece com os s-res humanos, so sempr e habitadas por fras positivas e negativas, por boas e ms