MÁQUINAS DE RITMO

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<p>MQUINAS DE RITMO /////////////////////////////////////</p> <p>PEOMAS, de</p> <p>RENATO MUSSUMO, </p> <p>\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\</p> <p>suprasSUMO DO SUCO </p> <p>DA LARANJA ESPRIMIDA</p> <p>EM CONTRIBUIO ABSOLUTAMENTE DECISIVA </p> <p>PARA O NECESSRIO,</p> <p>LENTO E GRADUAL</p> <p>DESMONTE CIVILIZACIONAL</p> <p>2014</p> <p>\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\</p> <p>PARTE AURAL- DIANOIA - </p> <p>TEM QUE LER EM VOZ ALTA (SE NO LER EM VOZ ALTA NO VALE)</p> <p>A morte &amp; seus mortinhos</p> <p>\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\</p> <p>1.</p> <p>Os mortos voltaram de Osasco, de van,</p> <p>onde no encontraram</p> <p>aquilo de que se precisa</p> <p>(desodorante, tabasco, fitas adesiva</p> <p>e do Djavan)</p> <p>2.</p> <p>o cncer</p> <p>come quieto,</p> <p>por de dentro</p> <p>uma parte sua</p> <p>que se alheia,</p> <p>esquece como se morre</p> <p>massa em-</p> <p>barrigada que</p> <p>se alastra</p> <p>se c arranca</p> <p>o naco</p> <p>do neoplasma</p> <p>desembestado</p> <p>ele volta, puto, rindo,</p> <p>te toma tecido, sistema,</p> <p>organismo, </p> <p>tudo que te tem</p> <p>(eeu ser mortal, hein?</p> <p>entimema ousilogismo?)</p> <p>2.</p> <p>e morre sempre um mundo</p> <p>quando morre algum,</p> <p>alis</p> <p>(morrem os pases todos,</p> <p>celebridades, a cor lils, cachorros, baleias, refres, os doze grandes, programas de auditrio, cotoveladas;</p> <p>tudo que o caso,</p> <p>a diferena entre tangerina e laranja, suspensrios, meles, dios destilados, a Polnia)</p> <p>alm das</p> <p>colnias, ecossistemas,</p> <p>das usinas dentro da gente,</p> <p>(mundo persistente pra</p> <p>tanto bicho)</p> <p>tem ainda</p> <p>os morfemas</p> <p>de cada um,</p> <p>toda qualia que no se quina</p> <p>direito,</p> <p>o nicho,</p> <p>mortalha</p> <p>individuada</p> <p>de tudo quanto h</p> <p>praquele espcime</p> <p>se apresentar</p> <p>o filme que sai </p> <p>daqueles poros, circuns-</p> <p>-crito naquele domo,</p> <p>trilha em estreo</p> <p>dentre</p> <p>dois ouvidos </p> <p>encerrrada,</p> <p>de timbre, partitura</p> <p>e andamento </p> <p>dodos</p> <p>mesmo que mal </p> <p>fingido, mal produzido,</p> <p>distrado, trreo,</p> <p> todo implodido, num instante,</p> <p>mortos todos figurantes</p> <p>3.</p> <p>ento</p> <p>tambm se morre</p> <p>em quem se ama,</p> <p>quando eles se vo</p> <p>uma verso nossa,</p> <p>um jeito da gente se dar,</p> <p>avatar,</p> <p>voz que j </p> <p>se sabia</p> <p>como conjurar,</p> <p>que tambm engolida</p> <p>pelas dobras frias</p> <p>indo,</p> <p>voltando</p> <p>em queda</p> <p>continuada</p> <p>(pedras de sono, todas as mais feras</p> <p>cadeias de carbono enganchadas)</p> <p>4.</p> <p>e falta nenhuma dessas</p> <p> preenchida,</p> <p>(no de verdade, nunca)</p> <p>te seguem como tua nuca,</p> <p>os teus mortos, bafejando</p> <p>quente (no cangote, mesmo,</p> <p>s vezes), gritando, soltos</p> <p>teus avatares antigos, dodos,</p> <p>acumulados feito</p> <p>nota de rodap </p> <p>em livro que ningum </p> <p>vai ler de novo</p> <p>no so sutis,</p> <p>nem dormem,</p> <p>so muitos, andam por a</p> <p>em bondes, dividem txis,</p> <p>se atiram ao oceano,</p> <p>enchem estdios,</p> <p>s pra melhor te acompanhar</p> <p>por todo canto, pra melhor</p> <p>te encher o saco</p> <p>dizem, sempre,</p> <p>as mesmas coisas:</p> <p>"seu mundo feito</p> <p>dos seus mortos, viu"</p> <p>"os limites do seu mundo</p> <p>so os limites dos seus mortos, hein"</p> <p>etc</p> <p>e, de fato,</p> <p>querendo ou no,</p> <p>sempre eles, os fela,</p> <p>acenando do fundo, aos montes, tortos,</p> <p>em qualquer foto, espelho, tela,</p> <p>vitrine de rua, gua empoada;</p> <p>mesmo esguelho,</p> <p>domingo, p de cachimbo,</p> <p>os mortos organizam uma gincana,</p> <p>enchem uma bacia</p> <p>que j quase entorna,</p> <p>(a expresso sacana,vazia,</p> <p>ttrica)</p> <p>p em gua morna, cai a tardinha,</p> <p>o mundo caminha pra morte trmica</p> <p>Cultura </p> <p>//////////////////////////////////////////////</p> <p>este o ritmo da noite</p> <p>(soa solene e tudo, </p> <p>mas na verdade Corona, </p> <p>banda eletrnica</p> <p>com cantora </p> <p>brasileira</p> <p>dos anos</p> <p>noventa)</p> <p>a gente mquina </p> <p>de diferena</p> <p>e repetio</p> <p>(umas coisas funcionam,</p> <p>outras no)</p> <p>desde criana </p> <p>que me levam</p> <p>pros cantos de carro,</p> <p>e estes tinham rdios</p> <p>que reproduziam, em sua maioria</p> <p>o que se despejava,</p> <p>de continers</p> <p>das grandes naes industriais</p> <p>eu uma criana incomumemente alegre</p> <p>(sorrindo em todas as fotos</p> <p>at os sete)</p> <p>cabea de cera, de massinha</p> <p>dctil, plasmvel ainda</p> <p>sendo impressa com qualquer merda</p> <p>que desse na telha </p> <p>d'algum cheirado californiano, </p> <p>aceito com jab por outr'alma </p> <p>(to pouco escrupulosa quanto)</p> <p>derramada</p> <p>numa cascata tcnica </p> <p>do tamanho, pelo menos, </p> <p>de alguns continentes</p> <p>tem quem diga </p> <p>que tudo que a gente </p> <p>vai ser na vida</p> <p>se deriva, na real, </p> <p>das modificaes que fizemos </p> <p>at os dez, onze anos </p> <p>tumba familiar </p> <p>sempre rebentando</p> <p>dos mesmos fantasmas, </p> <p>toda primavera</p> <p>todo o resto recombinando,</p> <p> vera, </p> <p>umas mesmas faltas </p> <p>(e preenchimentos)</p> <p>j furadas na folha</p> <p> este o ritmo da noite, </p> <p>ento, aprende-se, </p> <p>seus cantos, bolhas;</p> <p>foda-se, sigamos</p> <p>a gente mquina </p> <p>de diferena</p> <p>e repetio</p> <p>(umas coisas funcionam,</p> <p>outras tambm)</p> <p>vinte um anos depois,</p> <p>eu nem tinha bebido muito,</p> <p>a msica da festa tarra muito ruim, </p> <p>indiezinho lixo que no se dana</p> <p>nem fora,</p> <p>eu no aguardo que algum mude, </p> <p>vejo chegar uma bicha ferssima </p> <p>espalhafatosa reclamando (fantasiada de imperador galctico,</p> <p>ou coisa que o valha), meio rude</p> <p>do que eu espero que seja a mesma situao, sendo</p> <p>guiada por algum que v graa,</p> <p>vai at o computador, no cho,</p> <p>e ao que vai se agachando, </p> <p>morre a anterior, eu ouo</p> <p>mude j essa atrocidade</p> <p>antes que eu te aoite, v</p> <p>(*)</p> <p>cacete, adoro essa msica</p> <p>jesus humilha satans, </p> <p>j foi-se, j</p> <p> esse o ritmo da noite</p> <p>Boi</p> <p>feito por cima de um poema comprido do Octavio Paz</p> <p>\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\</p> <p>a noite vai baixando suas pestanas</p> <p>em So Paulo,</p> <p>desce ruas, prdios,</p> <p>pernas de relgios, persianas</p> <p>caminha como um rio, uma rvore</p> <p>(eu hoje tou facinha, viu), me fala</p> <p>como se fosse um rio, rvore,</p> <p>desses deuses marrons e tmidos</p> <p>(linhas como pintos moles,</p> <p>cocs, a prosa tardia do</p> <p>Henry James , aquela tia,</p> <p>trgida como uma tarde,</p> <p>e absolutamente clara,</p> <p>espacializada, espada</p> <p>sem lmina, quente,</p> <p>s corte,</p> <p>tempo no qual </p> <p>no passa nada,</p> <p>exceto </p> <p>seu transcorrer ditoso, </p> <p>prprio, mugido</p> <p>imenso, auto-envolvido,</p> <p>proceloso arco dodo</p> <p>na sua curta viagem</p> <p>at a morte, </p> <p>o sentido do passado</p> <p>esterco repisado</p> <p>at virar estrada,</p> <p>(Yama em seu touro</p> <p>que caga e anda),</p> <p>bunda de javali</p> <p>respingada de lama;</p> <p>uma caamba,</p> <p>barro com vidro</p> <p>quebrado, grama,</p> <p>os caralhos quietos,</p> <p>curvados, guardados em pijama,</p> <p>assim como suas contrapartes</p> <p>negativas</p> <p>(que j os contm em potncia</p> <p>expressiva, sendo,</p> <p>portanto, formas superiores)</p> <p>tambm silenciosas, folhas dobradas,</p> <p>maiores e menores,</p> <p>os silncios respectivos</p> <p>do juiz, do criador de empregos, do ncora,</p> <p>assim como das verses fmeas</p> <p>do mesmo chiaroscuro escroto, </p> <p>de todos homens de terno,</p> <p>seus apndices rotos, engastados,</p> <p>(pra quem tambm chegam as noites, sempre),</p> <p>sociedade civil desativada,</p> <p>cemitrio vivo de toda</p> <p>figura retrica engessada</p> <p>posta em braso, maiscula,</p> <p>leo ou gesso, mrmore, escrotismo etnocntrico,</p> <p>camisa com numero, logo da Lacoste et caterva</p> <p>fins e comeos esticados </p> <p>na barbrie cromada</p> <p>to bem ps-produzida </p> <p>dos seus sonhos</p> <p>medocres, cancrescentes </p> <p>(batcaverna e casa da barbie, mesmo;</p> <p>quase sempre;</p> <p>os avs do imprio tramando</p> <p>tudo sculos atrs, num transatlntico, bbados)</p> <p>do outro lado</p> <p>o fumo que sai das boas intenes</p> <p>de todas gentes, pndegos, </p> <p>bem fraseadas, chiques, </p> <p>aparato crtico fumoso </p> <p>dependurado em cima</p> <p>como cumulus nimbus,</p> <p>as slabas arrastadas</p> <p>dum mesmo senhor tsico </p> <p>durando dcadas, preenchendo </p> <p>pra sempre</p> <p>auditrios mofados </p> <p>do interior de vastos gigantes</p> <p>subdesenvolvidos (mofados nas juntas, com infeco urinria)</p> <p>c nem me venha</p> <p>com coisa nenhuma,</p> <p>nem diz nada, </p> <p>tudo bem, calma, </p> <p>eu sei, nem cheirar cheira, tampouco,</p> <p>s gera um acmulo gorduroso,</p> <p>quando muito,</p> <p>na grelha da ventilao, com os anos,</p> <p>mas as cidades se compem,</p> <p>de fato, dos monumentos todos,</p> <p>atos de fala </p> <p>mal enrijecidos</p> <p>em jeito de corpo,</p> <p>memria depositada</p> <p>em rua e escada, praa</p> <p>o musgo da vida alheia, traa</p> <p>que no se investiga;</p> <p>as reverberaes</p> <p>de atos nossos</p> <p>cumpridos nos outros, atravs dos outros,</p> <p>por meio dos corpos dos outros,</p> <p>redes extensas de aes</p> <p>em teias de linhas entrameadas</p> <p>irradiadas a partir de tantos centros,</p> <p>dendritos que se puxam sem</p> <p>que se entenda quem puxou quem, </p> <p>ou por qu, direito; s vezes </p> <p>(boa parte do tempo) </p> <p>vizinhanas inteiras acendem, </p> <p>cristalizam por tempo demais,</p> <p>a morte,</p> <p>po de todo mundo,</p> <p>se reparte, sim,</p> <p>mas tem quem </p> <p>morra bem mais </p> <p>que outros, </p> <p>e tem quem puxe mais cordas </p> <p>da mquina-moinho</p> <p>do mundo,</p> <p>com mais fora, no mnimo,</p> <p>digamos (estou</p> <p>dedando, olha s,</p> <p>tenho at listas, se</p> <p>quiserem, .ppts)</p> <p>mas tudo se comunica,</p> <p>nos dois (ou trs)</p> <p>sentidos, de quem</p> <p>fala oi, de vasos</p> <p>interligados, na frase</p> <p>ouvem-se</p> <p>as fontes debaixo da terra, por exemplo)</p> <p>razes abraam terra</p> <p>desesperadamente, sempre,</p> <p>os ps quietos, presos</p> <p>de todos escravos energticos </p> <p>em suas cadeias infindas </p> <p>de produo, e ainda</p> <p>a gua contnua </p> <p>de pronome </p> <p>que s'entrelaa</p> <p>at que some</p> <p>persistindo s </p> <p>a cadeia extensa,</p> <p>organismo de organismo, </p> <p>teia densa, inteira</p> <p>que a coisa toda, </p> <p>o meio, tempo, </p> <p>o quarto lado</p> <p>onde se assenta tudo,</p> <p>manancial que</p> <p>dissolve rosto, </p> <p>lineamento, encurva pedra, </p> <p>relgio, continente</p> <p>faz seu caimento</p> <p>mono nas costas</p> <p>qu'insiste at s restarem</p> <p>as bordas lisas, redondas,</p> <p>d'ua massa mamfera,</p> <p>de ossos moles, quebradios, </p> <p>nariz afundado na cara</p> <p>cheia d'gua, gordura,</p> <p>poros, </p> <p>ventos, braos,</p> <p>gnglios, colnias </p> <p>de seres l dentro, </p> <p>fantasma, espelho &amp; alapo,</p> <p>(pelo menos);</p> <p>culpa nenhuma, no</p> <p>(nasceu,</p> <p>em teus meios to</p> <p>teus fins, viu,</p> <p> teu,</p> <p>levanta essa bunda,</p> <p>escova os marfins)</p> <p>o meu boi morreu,</p> <p>que ser de mim</p> <p>vamo buscar outro, maninha,</p> <p>l no Piau</p> <p>Rebote</p> <p>////////////////////////////////</p> <p>isso,</p> <p>aparato que atua</p> <p>reiterando a si mesmo</p> <p>(e ainda assim, ainda assim</p> <p>fora de toda fora,</p> <p> a dentro)</p> <p>fort da, jogo</p> <p>de desaparecimento, </p> <p>repetio e controle, </p> <p>(da morte?</p> <p>da morte)</p> <p>o isso, a parte no-viva, toda ela,</p> <p>voltada pra frente, pra fora</p> <p>agora</p> <p>"vai"</p> <p>eu disse (acho que pra lua, </p> <p>mesmo), isso</p> <p>num aparato que atua</p> <p>reiterando a si mesmo </p> <p>pseudomonarchia daemonorum</p> <p>\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\\</p> <p> *presto </p> <p>nessa</p> <p>giganto-</p> <p>maquia </p> <p>corporativa</p> <p>da qual </p> <p>somos </p> <p>todos sindoque</p> <p>no tem</p> <p>anarquia,</p> <p>preza</p> <p>de cannabis sativa</p> <p>que salve, sempre,</p> <p>a f no que</p> <p>se d de ver, </p> <p>agigantado,</p> <p>mal feito o teatro</p> <p> de sombra</p> <p>com mo alheias, em vultos,</p> <p>bichos, feias </p> <p>agregaes</p> <p>pentagonais, </p> <p>mema-lombra</p> <p>mal compartilhada, </p> <p>demonhos so comerciais, bisso,</p> <p>os que agem atravs dos sonhos,</p> <p>diz Giordano Bruno</p> <p>c me falou, uma vez, rino</p> <p>to l em cada nicho,</p> <p>telha </p> <p>(teto, pano </p> <p>pra se costurar misria, esticar em surdo, </p> <p>credirio mudo),</p> <p>concreto que preenche a grelha</p> <p>de carrinho de supermercado</p> <p>cada vo preenchido por espuma branca-</p> <p>cinzenta</p> <p>que cai sobre si mesma, endurece,</p> <p>esfria,</p> <p>punho j'erguido</p> <p>previsto na summa</p> <p> gestual pr-comentada, por sua vez </p> <p>contida numa</p> <p>gosma rosa, mecanicamente</p> <p>recuperada, gelatinosa e frita,</p> <p>pantomima (que-tudo-imita) geral </p> <p>passada pelo rolo-compressor,</p> <p>arquibigorna carimbada</p> <p>ACME no pobre pulha</p> <p>coiote-coi que se narra,</p> <p>a marra tantriteando</p> <p>toda rima j feita, certa,</p> <p>assim como toda quebra</p> <p>de linha ou expectativa,</p> <p>jeans pr-rasgado,</p> <p>pblico cativo, trao,</p> <p>gatilho travado dum</p> <p>efeito de superfcie</p> <p>num demogrfico dos vrios</p> <p>nada que ameace </p> <p>os boneco esturricado de gesso</p> <p>que to que gritam </p> <p>que so</p> <p>o fim e o comeo</p> <p>tem tanto tempo</p> <p>o volume no talo, o santinho,</p> <p>que a gente </p> <p>chega vai acredita,</p> <p>grita um coro que no tem outra forma eficiente</p> <p>de tcnica de crena coletiva, ao que parece,</p> <p>prum lugar to grande, vasto, </p> <p>amplamente peitado</p> <p>alm</p> <p>desses bales a mesmo,</p> <p>que mal se arrastam, presena</p> <p>esvaziada, sim-e-no, tios</p> <p>quebrando de sono, silncio,</p> <p>ningum senta no trono,</p> <p>mas ningum caga nele, </p> <p>tambm?</p> <p>Cis juram?</p> <p>o capital literal, alis, nem precisa</p> <p>de nada disso, </p> <p>no,</p> <p>seu imprio sendo</p> <p>procedimental,</p> <p>exatamente igual</p> <p> sua extenso)</p> <p>quase se esquece</p> <p>(neguinho)</p> <p>que ns somos aquilo que os mortos sabem </p> <p>- nume, estandarte, canto, esses bau -</p> <p>e que os mortos</p> <p>(essa parte eu garanto)</p> <p>sabem de tudo</p> <p>cha-blau</p> <p>MADAME PSICOSE </p> <p>para o AUGUSTO, entre outros</p> <p>////////////////////////////////////////////</p> <p>I</p> <p>at onde eu entendo</p> <p>do budismo e da metempsicose</p> <p>(dos quais eu no entendo</p> <p>nem o budismo</p> <p>e nem a </p> <p>metempsicose)</p> <p> que formas se repetem,</p> <p>e forma (com</p> <p>o que eu digo matria)</p> <p> tudo o que tem,</p> <p>(alm dos vazios </p> <p>aos quais correspondem;</p> <p>o quadro que, depois de visto,</p> <p>aparece fora dele,</p> <p>todos</p> <p>os teus entres)</p> <p>palavras so</p> <p>coisas pedaudas,</p> <p>tem algo como vida prpria</p> <p>e so o que elas so, </p> <p>sem nada dentro</p> <p>isto, </p> <p>vcuo e vento,</p> <p>como dois mais dois</p> <p> outra maneira</p> <p>de dizer </p> <p>a diferena</p> <p>entre trs e sete</p> <p>(o infinito pela metade, </p> <p>de p;</p> <p>um beque, uma rede -</p> <p>a ttrade)</p> <p>II</p> <p>se a gente </p> <p>mais falta</p> <p>que presena,</p> <p>mais o ar dentro do balo</p> <p>do que o seu contorno</p> <p>expressivo, </p> <p>ento os movimentos</p> <p>que a gente faz,</p> <p>e os que a gente leva consigo</p> <p> tudo furaco que assovia vento, </p> <p>faltas dirigidas, carregadas</p> <p>em peidos, </p> <p>ondas, </p> <p>(o mundo se despedaa em fatos!, grita um morto), </p> <p>o alcance do teu corpo, </p> <p>lombra,</p> <p>todo</p> <p>encaixe eventual de tu mesmo</p> <p>com os teus contextos,</p> <p>(quase sempre</p> <p>alheios,</p> <p>quando rolam)</p> <p>so tudo o que</p> <p>a gente consegue ser;</p> <p>o que d, ou anda dando,</p> <p>de significar</p> <p>(cabendo a, claro, pelo menos,</p> <p>mundos)</p> <p>e isto tudo pra dizer</p> <p>que voc j parece ter sido</p> <p>um cachorro</p> <p>(o que eu digo, claro,</p> <p>como um elogio,</p> <p>cachorros das melhores</p> <p>agremiaes possveis</p> <p>de matria)</p> <p>isso pela disposio</p> <p>a que seu corpo </p> <p>se apresenta</p> <p>(ou que das disposies</p> <p>s quais seu corpo se apresenta,</p> <p>este conjunto de efeitos,</p> <p>esquema</p> <p>tende a se afirmar mais que outros)</p> <p>a sucesso</p> <p> o que existe, </p> <p>e seus sons,</p> <p>os deuses</p> <p>que se lhes decorrem</p> <p>todos (sem exceo)</p> <p>tem gente </p> <p>que repete jabutis,</p> <p>mesas de mogno, bestirios medievais</p> <p>inteiros, cotovelos quando enrugados, </p> <p>cotovelos quando pontiagudos, comentarista de portal, </p> <p>algum dos menudos, </p> <p>itens vo se acumulando </p> <p>como avatares num pico </p> <p>de trs mil pginas e contando, </p> <p>sem soluo, dialtica </p> <p>(muda at a fonte, </p> <p>de arial pra helvetica;</p> <p>jibias que comem pythons)</p> <p>o romrio, nia, </p> <p>arthur bispo do rosrio...</p>