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  • Estudos Geogrficos, Rio Claro, 2(1): 53 -73 , junho - 2004 (ISSN 1678698X) - www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm

    A LEITURA DA NOVA PROPOSTA DO RELEVO BRASILEIRO ATRAVS DA CONSTRUO DE

    MAQUETE: O ALUNO DO ENSINO FUNDAMENTAL E SUAS DIFICULDADES1

    Simone Pereira de Almeida2 Andra Aparecida Zacharias3

    Resumo O artigo a seguir resultado de um projeto integrado ao Eixo Pedaggico Ensino-Aprendizagem da Geografia atravs da Construo de Maquetes, desenvolvido no Colgio Dom Incio, cidade de Guaxup/MG, durante o ano de 2003. Explicita, a construo de maquete - como fonte diversificada no ensino-aprendizagem - da nova proposta do relevo brasileiro, discutindo detalhadamente os processos tcnico-metodolgicos envolvidos, bem como as eventuais limitaes e generalizaes apresentadas pelo aluno do ensino fundamental. Palavras-Chave: Cartografia, Maquetes, Formas de Relevo, Curvas de Nvel

    Abstract The reading of the new proposal of the Brazilian relief through the construction of models: the student of the fundamental teaching and their difficulties The article to proceed is resulted of a project integrated to the Axis Pedagogic Teaching-learning of the Geography through the Construction of Models, developed at the Colgio Dom Incio, city of Guaxup/MG, during the year of 2003. Explicit, the model construction - as source diversified in the teaching-learning - of the new proposal of the Brazilian relief, discussing the involved technician-methodological processes in full detail, as well as the eventual limitations and generalizations presented by the student of the fundamental teaching. Key Words: Cartography, Models, Land Forms, Level Curves

    1 Pesquisa realizada sob concesso de Bolsa do PIC Programa de Iniciao Cientfica da FAFIG Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras de Guaxup. 2 Graduada em Licenciatura Plena em Geografia na FAFIG Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras de Guaxup e aluna integrante do Programa de Iniciao Cientfica/2003. simonepalmeida@ig.com.br 3 Orientadora do projeto. Professora da UNESP/Ourinhos/SP e Doutoranda do Curso de Ps-Graduao em Geografia pela rea de Concentrao Organizao do Espao UNESP Rio Claro/SP. andrea@ourinhos.unesp.br

  • Estudos Geogrficos, Rio Claro, 2(1): 53-73 , junho - 2004 (ISSN 1678698X) - www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm

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    INTRODUO

    A produo acadmica em torno da concepo da Geografia passou por diferentes momentos, ao longo da evoluo da histria do pensamento geogrfico, gerando reflexes distintas acerca dos seus objetos e mtodos. De certa forma, essas reflexes influenciaram e ainda influenciam toda a sua cincia, sobretudo s formas de Ensino-Aprendizagem na Geografia.

    Em meio a essas transformaes tericas e metodolgicas encontra-se a Cartografia como a cincia responsvel pela linguagem e interpretao dos mapas, cartas, plantas, grficos croquis, desenhos, maquetes, esboos ou qualquer traado no papel que tenha um carter cartogrfico.

    Associada disciplina de Geografia, seu objetivo no ensino, de acordo com os Parmetros Curriculares Nacionais PCNs, utilizar a linguagem grfica para obter informaes da espacialidade dos fenmenos geogrficos, durante os 1o e 2o ciclos, compreendidos pelas 5a e 6a sries do ensino fundamental.

    Desde ento notvel que houve um avano considervel na definio da importncia do papel da Cartografia para o ensino de Geografia. Como tambm sua prpria considerao apenas como uma tcnica - o que ela efetivamente no deixa de ser mas como a cincia que possui linguagem prpria e com implicaes metodolgicas na abordagem geogrfica, teve avano considervel.

    Na realidade este fato s vem confirmar a idia de Miranda (2001) acerca da mudana do olhar da Geografia sobre a Cartografia na escola. Esse avano se deve primeiro, ao conhecimento em educao cartogrfica tomar corpo no Brasil nas ltimas dcadas. E, segundo, quando Oliveira (1978) apud Miranda (op.cit.), precursor no pas, enfatiza que a Geografia escolar ensinava pelo mapa, uma srie de estudos igualmente importantes sobre o desenvolvimento de noes espaciais, habilidades e conceitos cartogrficos, para as crianas.

    O resultado o nmero crescente tanto de professores que buscam o "como ensinar" o mapa, quanto de pesquisadores que procuram respostas s inmeras questes que so colocadas por este conhecimento em tramite recente no s no Brasil, destaca Miranda (op.cit.).

    Apesar dos avanos crescentes da Cartografia, os estudos realizados at o momento, mesmo com contribuies valiosas, ainda no respondem a todas as necessidades de uma educao cartogrfica sistemtica e eficiente. Questes relativas representao da terceira dimenso no plano, por exemplo, so as que menos encontram respostas no conhecimento atual dessa rea. Este fato explica-se pela quantidade de trabalhos, voltados ao ensino-aprendizagem do mapa, que privilegiam apenas o componente planimtrico da cartografia.

    Dos trabalhos que consideram a terceira dimenso no plano Almeida (1994) destaca que, a maioria, falta uma melhor definio sobre como usar os modelos tridimensionais no ensino-aprendizagem da representao plana do relevo, abordados pela cartografia atravs das curvas de nvel ou pelas cores hipsomtricas.

    De forma a agravar ainda mais a situao, segue a autora (op.cit) esse ltimo tipo de mapa mtrico usado quase de forma exclusiva nas publicaes didticas (livros, Atlas, murais), que raramente fazem alguma referncia sobre as curvas de nvel. O que facilmente comprovado observando algumas das colees de livros didticos mais conhecidos e adotado nas escolas.

  • Estudos Geogrficos, Rio Claro, 2(1): 53-73 , junho - 2004 (ISSN 1678698X) - www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm

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    Neste contexto a maquete deve ento ser um procedimento didtico bidimensional para o tridimensional, do concreto ao abstrato - e no o contrrio para que ensino seja adequado ao modo como a criana aprende4.

    Portanto sua elaborao como representao reduzida do territrio brasileiro e, fonte diversificada no ensino-aprendizagem para uma anlise integrada da paisagem, visa transformar o mtodo de ensino, ou seja, ensinar para aprender de maneira prtica e descontrada alguns conceitos da disciplina geogrfica.

    Mas este ensinar para aprender sobre o territrio brasileiro, mesmo que de forma descontrada, atrai para si duas questes importantes: os procedimentos tcnicos metodolgicos para sua elaborao e; a questo da tridimensionalidade brasileira, representada pelas curvas de nvel e, sobretudo, pelas suas formas de relevo.

    No que diz respeito aos procedimentos tcnicos metodolgicos Simielli et. al. (1992) que, pela primeira vez, publica suas experincias sobre a confeco da Maquete do Brasil sob o ttulo Do Plano ao Tridimensional: a maquete como recurso didtico. Tendo sua atividade alcanado bons resultados e, frente possibilidade de seu uso como recurso didtico, esta metodologia foi apresentada no 8o Encontro Nacional de Gegrafos, da AGB, ocorrido em julho daquele ano, em Salvador (BA) e, reapresentada no I Encontro de Professores de Geografia de 1o , 2o e 3o graus do Estado de So Paulo, em agosto de 1990, no departamento de Geografia e Faculdade de Educao USP/SP. Desde ento, diversos trabalhos so publicados utilizando tal proposta metodolgica, como um meio didtico do ensino, para explicar as diferentes paisagens geogrficas do territrio brasileiro.

    A partir deste ensinar que entra o segundo ponto - a tridimensionalidade do plano - representada pelas diferentes formas de relevo, que habitualmente acompanham os livros didticos do ensino fundamental e mdio, destacando as trs propostas de mapeamento do relevo brasileiro realizadas pelos professores Aroldo de Azevedo (1949), Aziz Ab`Saber (1970) e, Jurandyr Luciano Sanches Ross (1995).

    Retratando agora especificamente do 2o ciclo - 6a srie do ensino fundamental - onde um dos papis estratgicos da disciplina de Geografia, nos PCNs e livros didticos, fornecer contedos sobre as diferentes paisagens fsicas brasileiras, pode-se dizer que de todas propostas, na ltima que o professor encontra sua maior dificuldade para transmitir conhecimentos ou o ensino-aprendizagem.

    Diferente de seus antecessores Ross (1995) utiliza fotografias areas, obtidas durante o Projeto Radambrasil5, para reclassificar o relevo brasileiro, resumido por ele em 28 diferentes compartimentos geomorfolgicos, subdivididos em 6 reas de plancies, 11 reas de planaltos e 11 reas de depresses.

    justamente esta reclassificao a grande dificuldade do professor em sala de aula, em decorrncia do fato que nas sries iniciais do ensino fundamental (5 a e 6a sries), como sugerem os PCNs, os alunos ainda apresentam-se com um nvel de abstrao em desenvolvimento, incipiente para compreender a representao de elementos tridimensionais em superfcies planas e, possivelmente os 28 diferentes compartimentos geomorfolgicos da nova classificao do relevo brasileiro, segundo proposta do professor Jurandyr Luciano Ross/FFCH/USP/SP.

    4 ALMEIDA, R.D. Uma proposta metodolgica para a compreenso de mapas geogrficos . Tese de Doutorado. Faculdade de Educao. USP. So Paulo. 1994. 5 O Projeto RadamBrasil constitui-se no mais completo e minucioso levantamento j realizado, quanto geologia , geomorfologia e recursos naturais (solos, vegetao, hidrografia, minrios,etc) do territrio brasileiro.

  • Estudos Geogrficos, Rio Claro, 2(1): 53-73 , junho - 2004 (ISSN 1678698X) - www.rc.unesp.br/igce/grad/geografia/revista.htm

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    OBJETIVO Diante do exposto este artigo tem como objetivo divulgar os procedimentos tcnico-

    metodolgicos e as dificuldades encontradas pelos alunos da 6a srie do ensino fundamental, durante a execuo e co