manuseio, embalagem e transporte de acervo

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  • Manuseio, embalagem e transporte de acervos

    Tpicos em Conservao Preventiva-10

    Alessandra Rosado

    Belo hoRizonte

    eSColA De BelAS ARteS UFMG2008

  • 2 Tpicos em Conservao Preventiva-10 Manuseio, embalagem e transporte de acervos

    Copyright lACiCoReBAUFMG, 2008

    PRoGRAMA De CooPeRAo tCniCA:

    inStitUto Do PAtRiMnio hiStRiCo e ARtStiCo nACionAl iPhAnDepartamento de Museus e Centros Culturais DeMU

    UniVeRSiDADe FeDeRAl De MinAS GeRAiS UFMGescola de Belas Artes eBACentro de Conservao e Restaurao de Bens Culturais Mveis CeCoRlaboratrio de Cincia da Conservao lACiCoRAv. Antnio Carlos, 6627 Pampulha CeP: 31270-901 Belo horizonte MG Brasil 2008 www.patrimoniocultural.orglacicor@eba.ufmg.br

    PAtRoCnio:

    Departamento de Museus e Centros Culturais DeMU/iPhAn

    PRoJeto:Conservao preventiva: avaliao e diagnstico de coleesluiz Antnio Cruz Souza, Wivian Diniz, Yacy-Ara Froner e Alessandra Rosado

    CooRDenAo eDitoRiAl:luiz Antnio Cruz Souza, Yacy-Ara Froner e Alessandra Rosado

    Reviso:Ronald Polito

    Projeto Grfico:ndia Perini Frizzera

    Ficha Catalogrfica:Maria holanda da Silva Vaz de Mello

    R788m Rosado, Alessandra, 1967 Manuseio, embalagem e transporte de acervos / Alessandra Rosado. Belo horizonte: lACiCoReBAUFMG, 2008. 30 p. : il. ; 30 cm. (tpicos em conservao preventiva ; 10)

    Projeto: Conservao preventiva: avaliao e diagnstico de colees

    Programa de Cooperao tcnica: instituto do Patrimnio histrico e Artstico nacional e Universidade Federal de Minas Gerais

    iSBn: 9788588587106

    1. objetos de museus embalagens 2. objetos de museus manuseio 3. objetos de museus transporte i. ttulo ii. titulo: Conservao preventiva: avaliao e diagnstico de colees iii. Srie.

    CDD: 702.88

  • 3Alessandra Rosado

    INTRODUO

    Um dos conceitos referentes aos sculos XX e XXi o de mobilidade.

    notvel a tendncia de disseminao cultural e artstica, como podemos

    observar nos inmeros eventos nacionais e internacionais (exposies,

    seminrios e festivais) que quase sempre ocorrem nas principais capitais

    do mundo.

    Seguindo essa tendncia, os acervos de museus, igrejas e colecionado-

    res no ficam expostos somente nas suas respectivas salas de origem.

    Atravs de acordos culturais entre os responsveis pela guarda de bens

    mveis e integrados, esses objetos viajam e so expostos em vrias

    regies do pas e do mundo, assumindo o papel de instrumentos do

    conhecimento e difusores de culturas diversas.

    o emprstimo de acervos museolgicos a outras instituies para

    exposies temporrias considerado uma das atividades importan-

    tes do museu. essas exposies fazem parte da misso educacional e

    cultural dessas instituies; alm disso, so um caminho efetivo para

    atrair a ateno do pblico e recursos financeiros para promover a

    sustentabilidade de muitos museus.

    A circulao de obras e objetos museolgicos , entretanto, uma pr-

    tica que necessita de planejamento, superviso adequada e de uma

    apropriada previso dos riscos plausveis de ocorrerem na execuo

    desses processos.

    A conservao preventiva das obras em trnsito deve ser implementada

    atravs de um conjunto de operaes interdisciplinares que consideram

    o ambiente climtico onde as obras esto acondicionadas ou expos-

    tas, o material constituinte da obra, a sua tcnica de construo, o seu

    estado de conservao, o manuseio correto e o tipo de embalagem e

    transporte empregado.

    esta apostila supre, de forma simplificada e exeqvel, diretrizes teis

    de conservao preventiva que do suporte ao controle das situaes

    Manuseio, embalagem e transporte de acervos

    Tpicos em Conservao Preventiva-10

  • 4 Tpicos em Conservao Preventiva-10 Manuseio, embalagem e transporte de acervos

    de risco que envolvem o translado de objetos museolgicos, com foco nos procedimentos de manuseio, embalagem e transporte.

    1. SITUAES DE RISCO DAS OBRAS EM TRNSITO

    Para especificar os riscos que envolvem as obras em trnsito necessrio

    considerar, primeiramente, os agentes de deteriorao a que as obras

    podem estar sujeitas nos seus ambientes de exposio ou reserva.

    MiChAlSKi (1990) identificou os principais agentes de deteriorao que

    podem acometer as colees dos museus ou galerias de exposio. So

    eles: degradao causada por danos fsicos (vibrao, choques, abraso

    etc.); ao de agentes biolgicos (fungos, cupins, microorganismos, ani-

    mais etc.); vandalismo e roubo; gua e umidade (infiltraes, enchentes

    etc.); fogo; sujidades (provenientes da poeira, poluio etc.); radiao

    (raio ultravioleta luz natural ou artificial); flutuaes inadequadas de

    umidade relativa e variaes incorretas de temperatura.

    Alm desses fatores, importante identificar os materiais e as tcnicas

    empregados na construo dos objetos, pois cada um deles reage de

    forma especfica frente a esses fatores de degradao e, portanto, exige

    um tratamento peculiar. Por isso, antes de a obra ser removida do seu

    local de exposio ou da reserva tcnica, uma avaliao prvia sobre

    o seu estado de conservao e causas de degradao tambm deve

    ser realizada.

    Para a avaliao prvia dos objetos, necessrio o cumprimento das

    seguintes regras e procedimentos bsicos:

    o manuseio de qualquer pea museolgica s deve ser efetuado por

    pessoal autorizado pela instituio e que tenha treinamento adequa-

    do para o exerccio desse procedimento;

    As peas muito grandes e pesadas devem ser examinadas preferen-

    cialmente no local onde esto expostas ou acondicionadas;

    o museu deve preparar um ambiente para o exame das obras. o local

    escolhido para esse fim deve ser bem iluminado, possuir uma mesa

    de estrutura forte com os ps bem nivelados ao cho, forrada com

    uma espuma fina de polietileno e coberta por um tecido-no tecido

    tnt. Apoios avulsos devem ser providenciados para as obras que

    sero postas sobre a mesa. estes apoios podem ser feitos, por exemplo,

    de rolos de sacos de areia envolvidos com plstico e encapados com

    tecido de algodo cru, ou ento de espumas de polietileno de vrias

    dimenses e tamanhos;

  • 5Alessandra Rosado

    As condies climticas do ambiente onde as obras so examinadas

    devem ser monitoradas mudanas bruscas de temperatura e umi-

    dade relativa (UR) podem provocar danos principalmente aos objetos

    feitos com material orgnico;

    o examinador deve retirar todos os acessrios pessoais (anel, pulseira,

    colar de corrente longa, relgio etc.), pois podem provocar danos

    acidentais aos objetos. imprescindvel o uso de jalecos de cor clara,

    com botes embutidos ou aventais. As mos devem ser bem lavadas

    e secas. o uso de luvas de procedimento, luvas brancas de algodo ou

    de luvas feitas com materiais mais resistentes e grossos apropriadas

    para obras feitas com materiais cortantes como chapas de metal ou

    para obras pesadas e com superfcies em estado bruto deve ser uma

    conduta rotineira no manejo das peas. entretanto, alguns materiais

    possuem superfcie muito escorregadia como as porcelanas e,

    nesse caso, devem ser manuseados sem luvas;

    o tcnico responsvel pelo exame deve ter em mos um conjunto de

    ferramentas bsicas: uma lupa (de mo ou de cabea), lanterna de

    bolso, espelho de dentista, uma pina e um pincel de cerdas macias.

    Ressalta-se que esses instrumentos devem ser utilizados com muito

    cuidado para evitar qualquer dano ao objeto sob exame;

    Materiais como produtos de limpeza, solventes, canetas esferogrficas

    ou tintas devem ser mantidos afastados do local onde as peas so

    examinadas, pois podem provocar danos acidentais como abrases

    e manchas;

    Cada objeto deve ser manuseado individualmente, usando ambas

    as mos. A manipulao de dois ou mais objetos ao mesmo tempo

    impede a correta ateno que deve ser empregada durante esses

    procedimentos e propicia a ocorrncia de danos;

    As peas devem ser fotografadas considerando as caractersticas

    peculiares dos objetos e do seu estado de conservao. importante

    tambm a feitura de diagramas e desenhos para todas as caracters-

    ticas descritas tanto as fotografias quanto os desenhos so muito

    convenientes na constatao de mudanas que podem ocorrer na

    superfcie dos objetos como, por exemplo, aparecimento de novos craquels, empenamentos, perdas da camada pictrica e de doura-mento;

    Todasasinformaesprocedentesdesseexamedimenses,tcnica

    e material de construo, estado de conservao devem ser descritas em um relatrio.

  • 6 Tpicos em Conservao Preventiva-10 Manuseio, embalagem e transporte de acervos

    essa avaliao permite constatar se a obra est em condies de ser transportada e uma ferramenta indispensvel na elaborao de es-tratgias prescritas pelos conservadores para o seu translado dentro dos moldes metodolgicos da conservao preventiva.

    todas as aes provenientes dos processos de emprstimo de colees a outras instituies esto, portanto, relacionadas a uma reflexo sobre os riscos que envolvem o translado das obras. essa reflexo tem o objetivo de garantir um bom estado de conservao desses objetos.

    A responsabilidade da manuteno da integridade do acervo em trn-sito cabe tanto instituio que realiza o emprstimo quanto insti-tuio que o recebe. As principais atividades tcnicas desempenhadas pelas instituies envolvidas nesses processos foram resumidamente listadas a seguir:

    Elaborar laudo tcnicodaobra (nmerode registro,autoria,data,

    tcnica de constr