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MANUAL DE VALORAO ECONMICA DE RECURSOS AMBIENTAIS RONALDO SERA DA MOTTA

SumrioIntroduo Por Que Valorar? A Valorao Econmica na Gesto Ambiental A Determinao de Prioridades, Aes e Procedimentos para a Gesto Ambiental Determinando Prioridades com o Critrio Econmico Medindo os Custos de Oportunidade da Proteo Ambiental Parte I Mtodos de Valorao Ambiental O Valor Econmico dos Recursos Ambientais Mtodos de Funo de Produo Mtodo da Produtividade Marginal Mtodos de Mercado de Bens Substitutos Vieses Estimativos dos Mtodos de Funo de Produo Mtodos de Funo de Demanda Mtodos de Mercados de Bens Complementares Mtodo de Preos Hednicos Vieses Estimativos do Mtodo de Preos Hednicos Mtodo do Custo de Viagem (MCV) Vieses Estimativos do Mtodo do Custo de Viagem Mtodo da Valorao Contingente (MVC) Formalizao do Mtodo Referendo Vieses Estimativos do Mtodo de Valorao Contingente Roteiro para Escolha do Mtodo mais Apropriado para Valorao de Recursos Ambientais Apndice Tcnico Parte II Estudos de Caso Estudo de Caso 1 Conservao da Biodiversidade no Qunia Estudo de Caso 2 Projeto do Reservatrio de Nam Pong na Tailndia

IntroduoPor Que Valorar? Determinar o valor econmico de um recurso ambiental estimar o valor monetrio deste em relao aos outros bens e servios disponveis na economia. Qualquer que seja a forma de gesto a ser desenvolvida por governos, organizaes nogovernamentais, empresas ou mesmo famlias, o gestor ter que equacionar o problema de alocar um oramento financeiro limitado perante numerosas opes de gastos que visam diferentes opes de investimentos ou de consumo. Este problema de ordenar opes excludentes, diante de um oramento limitado, percebido at mesmo no cotidiano das famlias quando os indivduos esto a decidir como gastar sua renda pessoal. Se a soma dos gastos de todas as opes no exceder o total de oramento financeiro disponvel, ento todas as opes podero ser implementadas. Entretanto, na realidade, observa-se geralmente o caso inverso: no qual o total de gastos previstos maior que o oramento disponvel. Desta forma, o gestor ser obrigado a escolher um conjunto de opes em detrimento de outro. Ou seja, haver a necessidade de ordenar as opes que devem ser preferveis a outras. Uma anlise de custo-benefcio ser sempre o expediente mais bvio a ser adotado em situaes como esta. Assim, o gestor procurar comparar, em cada opo, o custo de realizla versus o resultante benefcio e decidir por aquela que acredita ter a relao custo-benefcio menor. A estimao destes custos e benefcios nem sempre trivial, pois requer primeiro, a capacidade de identific-los e, segundo, a definio, a priori, de critrios que tornem as estimativas destes comparveis entre si e no tempo. Se estes custos e benefcios refletem os gastos a preos de mercado dos bens e servios comprados ou vendidos, o processo de identificao e estimao mais simples e objetivo. Custo e benefcio sero, respectivamente, o somatrio dos valores monetrios dos gastos e receitas. De forma simplificada, este o processo que norteia a tomada de deciso das empresas que procuram maximizar o seu lucro para continuarem a expandir seus negcios. Abstraindo, a princpio, as condies de pobreza absoluta, no caso das famlias (isto , dos consumidores) os gastos expressos em valores monetrios esto associados aos benefcios esperados deste consumo, dado o nvel de renda disponvel. A satisfao dos consumidores, entretanto, deriva-se de todas as formas de consumo. Isto , o bem-estar das pessoas medido tanto pelo consumo de bens e servios, como pelo consumo de amenidades de origem recreacional, poltica, cultural e ambiental. Esta interao, entre a disposio a pagar dos consumidores pelos benefcios do consumo e a disposio a ofertar das empresas, que define os preos e as quantidades transacionados no mercado.

Tendo em vista que o objetivo principal dos investimentos pblicos a proviso de bens e servios que aumentem o bem-estar das pessoas, as decises governamentais, de alocao de um oramento limitado e insuficiente para atender esta proviso, podem ser auxiliadas por uma anlise social de custo-benefcio. A anlise social de custo-benefcio visa atribuir um valor social a todos os efeitos de um determinado projeto, investimento ou poltica. Os efeitos negativos so encarados como custos e os positivos so tratados como benefcios. Como se pretende comparar custos e benefcios, surge a necessidade de express-los em uma medida comum, ou seja, em um mesmo numerrio ou unidade de conta. Por isso, estes custos e benefcios so expressos em termos monetrios. Todavia, existem algumas dificuldades neste processo de agregao de todos os efeitos em um nico indicador. Deve-se destacar que alguns bens e servios pblicos no so transacionados em mercado e, portanto, no tm preos definidos. Muitos dos recursos ambientais, que sero de nosso interesse imediato neste Manual, so exemplos clssicos. Mesmo aqueles custos (benefcios) que podem ser expressos com base em gastos na compra (venda) de bens e servios nos seus respectivos mercados podem exigir ajustes nos seus respectivos preos de mercado. Isto porque tais gastos podem resultar em variaes de consumo das famlias e do lucro das empresas devido a alteraes de preo ou quantidades decorrentes destes gastos. Alm disto, o consumo de geraes futuras tambm deve ser considerado e, assim, h que se incorporar questes distributivas intertemporais. importante evidenciar que as variaes de bem-estar das famlias, quando o consumo destas afetado por decises dos investimentos pblicos, devem ser parte da anlise social de custo-benefcio. Neste sentido, a determinao dos custos e benefcios sociais, pela sua contribuio ao bem-estar das pessoas, a base da teoria microeconmica do bem-estar e dela derivam os mtodos de valorao monetria dos recursos ambientais. Estes mtodos propem justamente essa forma de anlise de custo-benefcio, em que os valores sociais dos bens e servios so considerados de forma a refletir variaes de bem-estar e no somente seus respectivos valores de mercado. Embora estes mtodos derivem do mesmo arcabouo terico, no caso deste Manual estaremos concentrados nos mtodos de anlise social de custo-benefcio que permitem a valorao econmica dos recursos ambientais, com maior nfase naqueles associados diversidade biolgica. Entretanto, conforme ser visto nos captulos seguintes, existem limitaes tericas e barreiras metodolgicas quando da adoo de tais mtodos. Reconhecer estas restries aumentar a contribuio destes para a tomada de deciso dos gastos e investimentos pblicos. Portanto, cabe aqui uma mensagem de alerta: a anlise de custo-benefcio apenas um indicador adicional para a tomada de deciso. O gestor pblico no deve e no capaz de atuar indiferentemente nas preferncias polticas. Quando bem aplicada, a anlise social de custo-benefcio oferece indicadores que ajudem a conduo do processo poltico a fim de que as decises sejam tomadas com mais objetividade. Em alguns nveis de deciso, geralmente os que envolvem questes socialmente complexas e indefinidas, a anlise torna-se to custosa e/ou imprecisa que deveria, assim, ser evitada. Em outras instncias, entretanto, quando o prprio processo poltico impe uma avaliao

econmica para sustentar sua capacidade de ordenao de prioridades, os indicadores econmicos tornam-se de grande valia. A identificao destas instncias e a capacidade de elaborar avaliaes econmicas mais precisas e objetivas resultaro certamente no aperfeioamento da gesto pblica. Poder contribuir para que os gestores ambientais desenvolvam esta capacitao na rea ambiental o principal objetivo deste Manual. A Valorao Econmica na Gesto Ambiental Conforme tem sido amplamente debatido, a proteo do meio ambiente basicamente uma questo de eqidade inter e intratemporal. Quando os custos da degradao ecolgica no so pagos por aqueles que a geram, estes custos so externalidades para o sistema econmico. Ou seja, custos que afetam terceiros sem a devida compensao. Atividades econmicas so, desse modo, planejadas sem levar em conta essas externalidades ambientais e, conseqentemente, os padres de consumo das pessoas so forjados sem nenhuma internalizao dos custos ambientais. O resultado um padro de apropriao do capital natural onde os benefcios so providos para alguns usurios de recursos ambientais sem que estes compensem os custos incorridos por usurios excludos. Alm disso, as geraes futuras sero deixadas com um estoque de capital natural resultante das decises das geraes atuais, arcando os custos que estas decises podem implicar. Embora o uso de recursos ambientais no tenha seu preo reconhecido no mercado, seu valor econmico existe na medida que seu uso altera o nvel de produo e consumo (bem-estar) da sociedade. Diante da presena destas externalidades ambientais, ns temos uma situao oportuna para a interveno governamental. Essa interveno pode incluir instrumentos distintos, tais como: a determinao dos direitos de propriedade, o uso de normas ou padres, os instrumentos econmicos, as compensaes monetrias por danos e outros. Apesar da interveno governamental ser legtima, ela no trivial. No caso da conservao da diversidade biolgica, a interveno ainda mais complexa visto que nosso conhecimento terico e gerencial ainda so insuficientes. Existe um consenso quanto s dificuldades da gesto ambiental. Os atuais problemas podem, contudo, ser classificados em trs categorias principais: (i) baixas provises oramentrias face aos altos custos de gerenciamento; (ii) polticas econmicas indutoras de perdas ambientais; e (iii) questes de eqidade que dificultam o cumprimento da lei. Assim, possvel afirmar que ns temos uma clara situao que requer a introduo do critrio econmico na gesto ambiental. Esta noo do papel do critrio econmico est longe de ser inovadora e est cada vez mais difundida em outros pases. A Determinao de Prioridades, Aes e Procedimentos para a Gesto Ambiental As restries oramentrias impem sociedade a necessidade de responder duas perguntas fundamentais relativas proteo ambiental: (i) quais