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Manual Pratico de Processo administrativo disciplinar

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Controladoria-Geral da UnioCorregedoria-Geral da UnioEsplanada dos Ministrios, Bloco A, 2 Andar. Braslia-DFCEP: 70054-900gabcrg@cgu.gov.br

JORGE HAGE SOBRINHOMinistro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da Unio

CARLOS HIGINO RIBEIRO DE ALENCARSecretrio-Executivo da Controladoria-Geral da Unio

WALDIR JOO FERREIRA DA SILVA JNIORCorregedor-Geral da Unio

VALDIR AGAPITO TEIXEIRASecretrio Federal de Controle Interno

JOS EDUARDO ROMOOuvidor-Geral da Unio

SRGIO NOGUEIRA SEABRASecretrio de Transparncia e Preveno da Corrupo

COORDENAO-GERAL DOS TRABALHOSRegis Xavier Holanda

EQUIPE TCNICA

Edilson Francisco da SilvaEdson Leonardo Dalescio S Telesrika Lemancia Santos LboMrcia Elizabeth Santos de OliveiraRegis Xavier HolandaSabrina Pitacci Simes

SumrioA Instaurao1O Inqurito19A Instruo19A Instalao e o Incio dos Trabalhos19A Notificao do Acusado20A Oitiva de Testemunha34As Diligncias56O Interrogatrio do Acusado82A Indiciao94A Defesa Escrita103O Relatrio114O Julgamento123A Reviso130O Rito Sumrio137A Acumulao Ilcita137O Abandono e a Inassiduidade147

Captulo IA Instaurao

Disposies Gerais

Art.143.A autoridade que tiver cincia de irregularidade no servio pblico obrigada a promover a sua apurao imediata, mediante sindicncia ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.1 (Revogado pela Lei n 11.204, de 2005)2 (Revogado pela Lei n 11.204, de 2005) 3o A apurao de que trata o caput, por solicitao da autoridade a que se refere, poder ser promovida por autoridade de rgo ou entidade diverso daquele em que tenha ocorrido a irregularidade, mediante competncia especfica para tal finalidade, delegada em carter permanente ou temporrio pelo Presidente da Repblica, pelos presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribunais Federais e pelo Procurador-Geral da Repblica, no mbito do respectivo Poder, rgo ou entidade, preservadas as competncias para o julgamento que se seguir apurao. (Includo pela Lei n 9.527, de 1997)

Art.144.As denncias sobre irregularidades sero objeto de apurao, desde que contenham a identificao e o endereo do denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade. Pargrafonico.Quando o fato narrado no configurar evidente infrao disciplinar ou ilcito penal, a denncia ser arquivada, por falta de objeto.

A obrigatoriedade da apurao disciplinar comporta que se realize, anteriormente deflagrao do processo disciplinar propriamente dito, a coleta de elementos que possam firmar um juzo mnimo acerca da ocorrncia concreta de um ilcito disciplinar (materialidade) e se possvel, os indcios de autoria do cometimento do suposto ato ilcito.Isto posto, dizer que, a menos que se tenha elementos plausveis demonstrando a existncia de materialidade e autoria, no deve a autoridade recorrer imediatamente ao processo disciplinar formal, ou seja, aquele com rito previsto na Lei n 8.112/90. Antes, preciso avaliar a pertinncia da notcia do ilcito funcional, verificar se existem indicativos mnimos de razoabilidade. No existindo, far-se- necessrio proceder a uma investigao que seja capaz de fornecer os indcios elementares, a partir dos quais ser possvel a instaurao de processo disciplinar.A autoridade competente, ao tomar conhecimento da ocorrncia de uma irregularidade no servio pblico deve efetuar uma investigao prvia, mediante a coleta de elementos acerca da suposta irregularidade, que o possibilitem a realizar o juzo de ponderao quanto necessidade e adequao de se determinar a instaurao de processo disciplinar. A partir da pode, ento, se verificados fortes indcios acerca da ocorrncia de ilcito disciplinar, instaurar um processo disciplinar; ou decidir-se pelo seu arquivamento, no caso de se verificar a inexistncia de elementos a justificar tal instaurao, devendo-se, nesse ltimo caso, motivar o ato.Se em decorrncia do juzo de admissibilidade a autoridade verificar a ocorrncia da prescrio disciplinar, pode, motivadamente, deixar de deflagrar o procedimento disciplinar, antes da sua instaurao, devendo ponderar a utilidade e a importncia de se decidir pela instaurao em cada caso[footnoteRef:1]. [1: Enunciado CGU/CCC n 4, de 04/05/2011: A Administrao Pblica pode, motivadamente, deixar de deflagrar procedimento disciplinar, caso verifique a ocorrncia de prescrio antes da sua instaurao, devendo ponderar a utilidade e a importncia de se decidir pela instaurao em cada caso.]

Art. 145. Da sindicncia poder resultar: I - arquivamento do processo; II - aplicao de penalidade de advertncia ou suspenso de at 30 (trinta) dias; III - instaurao de processo disciplinar. Pargrafo nico. O prazo para concluso da sindicncia no exceder 30 (trinta) dias, podendo ser prorrogado por igual perodo, a critrio da autoridade superior.

Art. 146. Sempre que o ilcito praticado pelo servidor ensejar a imposio de penalidade de suspenso por mais de 30 (trinta) dias, de demisso, cassao de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituio de cargo em comisso, ser obrigatria a instaurao de processo disciplinar.

A sindicncia acusatria ou punitiva traduz-se em um procedimento instaurado com o fim de apurar irregularidades de menor gravidade no servio pblico, com carter eminentemente punitivo, respeitados o contraditrio, a ampla defesa e o devido processo legal. Nesse sentido, a sindicncia acusatria segue as mesmas fases dispostas na Lei n 8.112/90 para o processo administrativo disciplinar, uma vez que a citada norma no dispe de forma explcita sobre os procedimentos especficos da sindicncia e o princpio constitucional da legalidade prescreve aos agentes pblicos a atuao na forma e nos limites da lei para atingir os fins previstos.Assim, prescrevendo a norma que para a imposio das penalidades de suspenso por mais de 30 (trinta) dias, de demisso, cassao de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituio de cargo em comisso, far-se- necessria a instaurao de processo administrativo disciplinar, deve-se ponderar a necessidade e a utilidade, bem assim a eficcia de se instaurar um procedimento de sindicncia, haja vista que em decorrncia dos trabalhos apuratrios pode-se verificar ser inadequado o procedimento utilizado diante da pena a ser eventualmente proposta, se verificando que a situao se apresenta mais grave do que a inicialmente ponderada pela autoridade quando da deflagrao do apuratrio. Ocorre que, na prtica, dificilmente a autoridade instauradora poder, com clareza suficiente, estabelecer esse juzo de prospeco e concluir, com dose suficiente de certeza, que a penalidade no ultrapassaria, segundo essa anlise preliminar, a advertncia ou a suspenso por at 30 dias.A dificuldade decorre do fato de que somente com a instruo probatria e com os trabalhos de apurao conduzidos pela comisso que o objeto de apurao vai sendo esclarecido, a materialidade e a autoria vo sendo delimitadas, os possveis enquadramentos e tipificaes da conduta, assim como a eventual penalidade, vo sendo mensurados e visualizados.Assim sendo, a instaurao da sindicncia contraditria deve cingir-se s situaes em que se tem preliminar convico de que os fatos no so demasiadamente graves ao ponto de ensejar as penalidades para as quais a lei exige o processo administrativo disciplinar. Na dvida, ou sendo verificada eventual gravidade para os fatos, recomendvel a instaurao, de plano, do processo administrativo disciplinar.O processo de sindicncia acusatria, assim como o processo administrativo disciplinar, se inicia com a publicao da portaria de instaurao pela autoridade responsvel.Do Processo DisciplinarArt. 148. O processo disciplinar o instrumento destinado a apurar responsabilidade de servidor por infrao praticada no exerccio de suas atribuies, ou que tenha relao com as atribuies do cargo em que se encontre investido.

A responsabilizao do servidor pblico decorre da Lei n 8.112/90, que lhe impe obedincia s regras de conduta necessrias ao regular andamento do servio pblico. Nesse sentido, o cometimento de infraes funcionais, por ao ou omisso, praticadas no exerccio do cargo ou funo, gera a responsabilidade administrativa, ficando o servidor faltoso sujeito imposio de sanes disciplinares.Ao tomar conhecimento de falta praticada pelo servidor cabe Administrao Pblica apurar o fato, aplicando a penalidade porventura cabvel. Na instncia administrativa a apurao da infrao disciplinar ocorrer por meio de sindicncia contraditria ou de processo administrativo disciplinar (PAD).O PAD no tem por finalidade apenas apurar a culpabilidade do servidor acusado pelo cometimento de falta disciplinar, mas, tambm, oferecer-lhe oportunidade de provar a sua inocncia, corolrio do direito de ampla defesa, com a utilizao dos meios e recursos a ela inerentes (artigo 5, inciso LV, Constituio Federal). Cabe destacar que a apurao de responsabilidade disciplinar deve estar voltada para a suposta prtica de ato ilcito no exerccio das atribuies do cargo do servidor pblico, salvo hipteses previstas em legislao especfica. Tambm passvel de apurao o ilcito ocorrido em funo do cargo ocupado pelo servidor que possua relao indireta com o respectivo exerccio.Os atos praticados na esfera da vida privada do servidor pblico em princpio no so apurados no mbito da Lei n 8.112/90 e s possuem reflexos disciplinares quando o comportamento relaciona-se com as atribuies do cargo. Excetue-se, dessa regra, a previso legal especfica de irregularidade administrativa nsita ao comportamento privado ou social do servidor, a exemplo da prevista no Estatuto da Atividade Policial Federal (Lei no 4.878/65).Art.149.O processo disciplinar ser conduzido por comisso composta de trs servidores estveis designados pela autoridade competente, observado o disposto no 3 do art. 143, que indicar, dentre eles, o seu presidente, que dever ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nvel, ou ter nvel de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.(Redao dada pela Lei n 9.527, de 1997)1A