Manual lavagem das mãos

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Manual lavagem das mos - ANVISA

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<ul><li> 1. HIGIENIZAO DAS MOS EM SERVIOS DE SADE Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria </li></ul><p> 2. 1 HIGIENIZAO DAS MOS EM SERVIOS DE SADE Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria 3. 2 Copyright 2007. Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria permitida a reproduo total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte. Diretor-Presidente Dirceu Raposo de Mello Diretores Jos Agenor lvares da Silva Cludio Maierovitch P. Henriques Maria Ceclia Martins Brito Redao Carolina Palhares Lima Cntia Faial Parenti Fabiana Cristina de Sousa Fernando Casseb Flosi Heiko Thereza Santana Magda Machado de Miranda Mariana Verotti Suzie Marie Gomes Coordenao Editorial Flvia Freitas de Paula Lopes Leandro Queiroz Santi Projeto Grfico e Capa Paula Simes Fotografia tcnicas de higienizao das mos Almir Wanzeller Luiz Henrique Pinto Raimundo Walter Sampaio Brasil. Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Higienizao das mos em servios de sade/ Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Braslia : Anvisa, 2007. 52 p. ISBN 978-85-88233-26-3 1. Vigilncia Sanitria. 2. Sade Pblica. I. Ttulo. 4. 3 Reviso tcnica (Anvisa) Adjane Balbino de Amorim Aline Fernandes das Chagas Christiane Santiago Maia Cludia Cristina Santiago Gomes Regina Maria Goncalves Barcellos Smia de Castro Hatem Reviso tcnica Edmundo Machado Ferraz -Colgio Brasileiro de Cirurgies (CBC) Mirtes Loeschner Leichsenring Hospital das Clnicas - Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Plnio Trabasso - Associao Brasileira dos Profissionais em Controle de Infeco e Epide- miologia Hospitalar (ABIH) Valeska de Andrade Stempliuk Organizao Pan-Americana de Sade (Opas/OMS) Colaboradores Centro Brasiliense de Nefrologia - Braslia- DF Hospital do Corao do Brasil - Braslia- DF Hospital Santa Luzia Braslia- DF Andressa Honorato de Amorim (Anvisa) Cssia Regina de Paula Paz (DRAC/SAS/MS) Melissa de Carvalho Amaral 5. SUMRIO Apresentao 6 Introduo 8 Higienizao das mos 10 O que higienizao das mos? 11 Por que fazer? 11 Para que higienizar as mos? 12 Quem deve higienizar as mos? 12 Como fazer?Quando fazer? 12 Insumos necessrios 18 Equipamentos necessrios 22 Tcnicas 26 Higienizao simples das mos 28 Higienizao anti-sptica das mos 36 Frico anti-sptica das mos 37 Anti-sepsia cirrgica das mos 40 Outros aspectos da higienizao das mos 47 Consideraes finais 49 Glossrio 50 6. APRESENTAO Atualmente, programas que enfocam a segurana no cuidado do paciente nos servios de sade tratam como prioridade o tema higienizao das mos, a exemplo da Aliana Mundial para Segurana do Paciente, iniciativa da Organizao Mundial de Sade (OMS), firmada com vrios pases, desde 2004. Embora a higienizao das mos seja a medida mais importante e reconhe- cida h muitos anos na preveno e controle das infeces nos servios de sade, coloc-la em prtica consiste em uma tarefa complexa e difcil. Estudos sobre o tema avaliam que a adeso dos profissionais prtica da higienizao das mos de forma constante e na rotina diria ainda insuficiente. Dessa forma, necessria uma espe- cial ateno de gestores pblicos, administradores dos servios de sade e educadores para o incentivo e a sensibilizao do 7. profissional de sade questo. Todos devem estar conscientes da importncia da higienizao das mos na assistncia sade para a segurana e qualidade da aten- o prestada. No sentido de contribuir com o aumento da adeso dos profissionais s boas prticas de higienizao das mos, a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvisa/MS) publica as orientaes sobre Higienizao das Mos em Servios de Sade, que oferece informaes atualizadas sobre esse procedimento. Espera-se com esta publicao proporcionar aos profissionais e gestores dos servios de sade conhecimento tcnico para embasar as aes relacionadas s prticas de hi- gienizao das mos, visando preveno e reduo das infeces e promovendo a segurana de pacientes, profissionais e demais usurios dos servios de sade. Cludio Maierovitch Diretor da Anvisa 8. 8 INTRODUO 9. 9 Em 1846, Ignaz Semmelweis, mdico hngaro, reportou a reduo no nmero de mortes maternas por infeco puerperal aps a implantao da prtica de higieni- zao das mos em um hospital em Viena. Desde ento, esse procedimento tem sido recomendado como medida primria no controle da disseminao de agentes infecciosos. A legislao brasileira, por meio da Portaria n. 2.616, de 12 de maio de 1998, e da RDC n. 50, de 21 de fevereiro 2002, estabelece, respectivamente, as aes mnimas a serem desenvolvidas com vistas reduo da incidncia das infeces relacionadas assistncia sade e as normas e projetos fsicos de estabelecimentos assistenciais de sade. Esses instrumentos normativos reforam o papel da higienizao das mos como ao mais importante na preveno e controle das infeces em servios de sade. Entretanto, apesar das diversas evidncias cientficas e das disposies legais, nota-se que grande parte dos profissionais de sade ainda no segue a recomendao de Semmelweis em suas prticas dirias. A Organizao Mundial de Sade (OMS), por meio da Aliana Mundial para a Se- gurana do Paciente, tambm tem dedicado esforos na elaborao de diretrizes e estratgias de implantao de medidas visando adeso prtica de higienizao das mos. 10. 10 HIGIENIZAODASMOS 11. 11 O QUE HIGIENIZAO DAS MOS? a medida individual mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagao das infeces relacionadas assistncia sade. Recentemente, o termo lavagem das mos foi substitudo por higienizao das mos devido maior abrangncia deste procedimento. O termo engloba a higienizao simples, a higienizao anti- sptica, a frico anti-sptica e a anti-sepsia cirrgica das mos, que sero abordadas mais adiante. POR QUE FAZER? As mos constituem a principal via de transmisso de microrganismos durante a assistncia prestada aos pacientes, pois a pele um possvel reservatrio de diversos microrganismos, que podem se transferir de uma superfcie para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, atravs do contato com objetos e super- fcies contaminados. A pele das mos alberga, principalmente, duas populaes de microrganismos: os pertencentes microbiota residente e microbiota transitria. A microbiota residen- te constituda por microrganismos de baixa virulncia, como estafilococos, corine- bactrias e micrococos, pouco associados s infeces veiculadas pelas mos. mais difcil de ser removida pela higienizao das mos com gua e sabo, uma vez que coloniza as camadas mais internas da pele. A microbiota transitria coloniza a camada mais superficial da pele, o que permite sua remoo mecnica pela higienizao das mos com gua e sabo, sendo elimi- nada com mais facilidade quando se utiliza uma soluo anti-sptica. representada, tipicamente, pelas bactrias Gram-negativas, como enterobactrias (Ex: Escherichia coli), bactrias no fermentadoras (Ex: Pseudomonas aeruginosa), alm de fungos e vrus. Os patgenos hospitalares mais relevantes so: Staphylococcus aureus, Staphylococ- cus epidermidis, Enterococcus spp., Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella spp., Ente- robacter spp. e leveduras do gnero Candida. As infeces relacionadas assistncia sade geralmente so causadas por diversos microrganismos resistentes aos anti- microbianos, tais como S. aureus e S. epidermidis, resistentes a oxacilina/meticilina; Enterococcus spp., resistentes a vancomicina; Enterobacteriaceae, resistentes a cefa- losporinas de 3 gerao e Pseudomonas aeruginosa, resistentes a carbapenmicos. 12. 12 As taxas de infeces e resistncia microbiana aos antimicrobianos so maiores em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), devido a vrios fatores: maior volume de traba- lho, presena de pacientes graves, tempo de internao prolongado, maior quanti- dade de procedimentos invasivos e maior uso de antimicrobianos. PARA QUE HIGIENIZAR AS MOS? A higienizao das mos apresenta as seguintes finalidades: Remoo de sujidade, suor, oleosidade, plos, clulas descamativas e da microbiota da pele, interrompendo a transmisso de infeces veiculadas ao contato. Preveno e reduo das infeces causadas pelas transmisses cruzadas. QUEM DEVE HIGIENIZAR AS MOS? Devem higienizar as mos todos os profissionais que trabalham em servios de sa- de, que mantm contato direto ou indireto com os pacientes, que atuam na mani- pulao de medicamentos, alimentos e material estril ou contaminado. COMO FAZER? QUANDO FAZER? As mos dos profissionais que atuam em servios de sade podem ser higienizadas utilizando-se: gua e sabo, preparao alcolica e anti-sptico. A utilizao de um determinado produto depende das indicaes descritas abaixo: USO DE GUA E SABO Indicao Quando as mos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e outros fluidos corporais. Ao iniciar o turno de trabalho. Aps ir ao banheiro. Antes e depois das refeies. 13. 13 Antes de preparo de alimentos. Antes de preparo e manipulao de medicamentos. Nas situaes descritas a seguir para preparao alcolica. USO DE PREPARAO ALCOLICA Indicao Higienizar as mos com preparao alcolica quando estas no estiverem visivelmen- te sujas, em todas as situaes descritas a seguir: Antes de contato com o paciente Objetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos oriundos das mos do profissional de sade. Exemplos: exames fsicos (determinao do pulso, da presso arterial, da tempera- tura corporal); contato fsico direto (aplicao de massagem, realizao de higiene corporal); e gestos de cortesia e conforto. Aps contato com o paciente Objetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi- mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do prprio paciente. Antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivos invasivos Objetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos oriundos das mos do profissional de sade. Exemplos: contato com membranas mucosas (administrao de medicamentos pe- las vias oftlmica e nasal); com pele no intacta (realizao de curativos, aplicao de injees); e com dispositivos invasivos (cateteres intravasculares e urinrios, tubo endotraqueal). Antes de calar luvas para insero de dispositivos invasivos que no re- queiram preparo cirrgico Objetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos oriundos das mos do profissional de sade. Exemplo: insero de cateteres vasculares perifricos. 14. 14 Aps risco de exposio a fluidos corporais Objetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi- mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do paciente a outros profissionais ou pacientes. Ao mudar de um stio corporal contaminado para outro, limpo, durante o cuidado ao paciente Objetivo: proteo do paciente, evitando a transmisso de microrganismos de uma determinada rea para outras reas de seu corpo. Exemplo: troca de fraldas e subseqente manipulao de cateter intravascular. Ressalta-se que esta situao no deve ocorrer com freqncia na rotina profissional. Devem-se planejar os cuidados ao paciente iniciando a assistncia na seqncia: stio menos contaminado para o mais contaminado. Aps contato com objetos inanimados e superfcies imediatamente prximas ao paciente Objetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi- mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do paciente a outros profissionais ou pacientes. Exemplos: manipulao de respiradores, monitores cardacos, troca de roupas de cama, ajuste da velocidade de infuso de soluo endovenosa. Antes e aps remoo de luvas Objetivo: proteo do profissional e das superfcies e objetos imediatamente prxi- mos ao paciente, evitando a transmisso de microrganismos do paciente a outros profissionais ou pacientes. As luvas previnem a contaminao das mos dos profissionais de sade e ajudam a reduzir a transmisso de patgenos. Entretanto, elas podem ter microfuros ou perder sua integridade sem que o profissional perceba, possibilitando a contaminao das mos. Outros procedimentos Exemplos: manipulao de invlucros de material estril. 15. 15 IMPORTANTE Use luvas somente quando indicado. Utilize-as antes de entrar em contato com sangue, lquidos corporais, membrana mucosa, pele no intacta e outros materiais potencialmente infec- tantes. Troque de luvas sempre que entrar em contato com outro paciente. Troque tambm durante o contato com o paciente se for mudar de um stio corporal contaminado para outro, limpo, ou quando esta estiver danificada. Nunca toque desnecessariamente superfcies e materiais (tais como telefo- nes, maanetas, portas) quando estiver com luvas. Observe a tcnica correta de remoo de luvas para evitar a contaminao das mos. Lembre-se: o uso de luvas no substitui a higienizao das mos! USO DE ANTI-SPTICOS Estes produtos associam detergentes com anti-spticos e se destinam higienizao anti-sptica das mos e degermao da pele. Indicao: Higienizao anti-sptica das mos Nos casos de precauo de contato recomendados para pacientes portado- res de microrganismos multirresistentes. Nos casos de surtos. Degermao da pele No pr-operatrio, antes de qualquer procedimento cirrgico (indicado para toda equipe cirrgica). Antes da realizao de procedimentos invasivos. Exemplos: insero de ca- teter intravascular central, punes, drenagens de cavidades, instalao de dilise, pequenas suturas, endoscopias e outros. 16. 16 IMPORTANTE De acordo com os cdigos de tica dos profissionais de sade, quando estes co- locam em risco a sade dos pacientes, podem ser responsabilizados por imper- cia, negligncia ou imprudncia. GUA 17. 17 18. INSUMOSNECESSRIOS 19. GUA A gua utilizada em servios de sade deve ser livre de contaminantes qumicos e biolgicos, obedecendo aos dispositivos da Portaria n. 518/GM, de 25 de mar- o de 2004, que estabelece os procedimentos relativos ao controle e vigilncia da qualidade deste insumo. Os reservatrios devem ser limpos e desinfetados, com realizao de controle microbiolgico semestral. SABES Nos servios de sade, recomenda-se o uso de sabo lquido, tipo refil, devido ao menor risco de contaminao do produto. Este insumo est regulamentado pela resoluo ANVS n. 481, de 23 de setembro de 1999. Recomenda-se que o sabo seja agradvel ao uso, possua fragrncia leve e no resseque a pele. A adio de emolientes sua formulao pode evitar resseca- mentos e dermatites. A compra do sabo padronizado pela instituio deve ser realizada segundo os parmetros tcnicos definidos para o produto e com a aprovao da Comisso de Farmcia e Teraputica (CFT) e da Comisso de Controle de Infeco Hospita- lar (CCIH). Para confirmar a legalidade do produto, pode-se solicitar ao vendedor a comprovao de registro na Anvisa/MS. AGENTES ANTI-SPTICOS So substncias aplicadas pele para reduzir o nmero de agentes da microbio- ta transitria e residente. Entre os principais anti-spticos utilizados para a higienizao das mos, desta- cam-se: lcoois, Clorexidina, Compostos de iodo, Iodforos e Triclosan. 20. 20 Quadro 1: Espectro antimicrobiano e caractersticas de agentes anti-spticos utiliza- dos para higienizao das mos. +++ excelente ++ bom + regular - nenhuma atividade antimicrobiana ou insuficiente. Fonte: Adaptada...</p>