manual - história do brasil.pdf

Download Manual - História do Brasil.pdf

Post on 10-Aug-2015

60 views

Category:

Documents

4 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

Manual do Candidato

Histria do Brasil

Presidente Diretora de Administrao Geral, substituta

Thereza Maria Machado Quintella Lenimar de Oliveira Almeida Ferraz

A Fundao Alexandre de Gusmo (Funag), instituda em 1971, uma fundao pblica vinculada ao Ministrio das Relaes Exteriores e tem a finalidade de levar sociedade civil informaes sobre a realidade internacional e aspectos da pauta diplomtica brasileira. Com a misso de promover a sensibilizao da opinio pblica nacional para os temas de relaes internacionais e para a poltica externa brasileira, a Funag promove atividades de natureza cultural e acadmica que visam a divulgao e a ampliao do debate acerca das relaes internacionais contemporneas e dos desafios da insero do Brasil no contexto mundial. Fomentando a realizao de estudos e pesquisas, organizando foros de discusso e reflexo, promovendo exposies, mantendo um programa editorial voltado para a divulgao dos problemas atinentes s relaes internacionais e poltica externa brasileira, velando pela conservao e difuso do acervo histrico diplomtico do Brasil, a Funag coloca-se em contato direto com os diferentes setores da sociedade, atendendo ao compromisso com a democracia e com a transparncia que orienta a ao do Itamaraty. Ministrio das Relaes Exteriores Esplanada dos Ministrios, Bloco H Anexo II, Trreo 70170-900 Braslia DF Telefones: (0 xx 61) 411 6033/6034/6847 Fax: (0 xx61) 322 2931, 322 2188 Palcio Itamaraty Avenida Marechal Floriano, 196 Centro 20080-002 Rio de Janeiro RJ Telefax: (0 xx 21) 233 2318/2079

Informaes adicionais sobre a Funag e suas publicaes podem ser obtidas no stio eletrnico: www.funag.gov.br e-mail: publicacoes@funag.gov.br

IRBr Concurso de Admisso Carreira de Diplomata

Manual do Candidato

Histria do BrasilFlvio de Campos Miriam Dolhnikoff

2 edio

D664m Dolhnikoff, Miriam. Manual do candidato : Histria do Brasil / Miriam Dolhnikoff; Flvio de Campos. 2.ed. Braslia: Fundao Alexandre de Gusmo, 2001. 372 p. ; 29,7 cm. ISBN 85-87480-19-7 (broch.) IRBr Concurso de Admisso Carreira de Diplomata. 1. Instituto Rio Branco Concursos. 2. Servio pblico Brasil Concursos. 3. Brasil Histria. I. Campos, Flvio de. II. Fundao Alexandre de Gusmo. III. Ttulo. CDD: 354.81003

Copyright 2001 Fundao Alexandre de Gusmo Funag

Direitos de publicao reservados Fundao Alexandre de Gusmo (Funag) Ministrio das Relaes Exteriores Esplanada dos Ministrios, Bloco H Anexo II, Trreo 70170-900 Braslia DF Telefones: (0 XX 61) 411 6033/6034/6847/6028 Fax: (0 XX 61) 322 2931, 322 2188 www.funag.gov.br E-mail: plublicacoes@funag.gov.br Palcio Itamaraty Avenida Marechal Floriano, 196 Centro 20080-002 Rio de Janeiro RJ Telefax: (0 XX 21) 233 2318/2079

Impresso no Brasil 2001

Depsito Legal na Fundao Biblioteca Nacional conforme Decreto n 1.825, de 20.12.1907

Apresentao

A Fundao Alexandre de Gusmo (Funag) oferece aos candidatos ao Concurso de Admisso Carreira de Diplomata, do Instituto Rio Branco (IRBr), do Ministrio das Relaes Exteriores, a srie Manuais do Candidato, com nove volumes: Portugus, Questes Internacionais Contemporneas, Histria do Brasil, Histria Geral Contempornea, Geografia, Direito, Economia, Ingls e Francs1. Os Manuais do Candidato constituem marco de referncia conceitual, analtica e bibliogrfica das matrias indicadas. O Concurso de Admisso, por ser de mbito nacional, pode, em alguns centros de inscrio, encontrar candidatos com dificuldade de acesso a bibliografia credenciada ou a professores especializados. Dada a sua condio de guias, os manuais no devem ser encarados como apostilas que por si ss habilitem o candidato aprovao. A Funag convidou representantes do meio acadmico com reconhecido saber para elaborarem os Manuais do Candidato. As opinies expressas nos textos so de responsabilidade exclusiva de seus autores.

1

O IRBr considera importante ao Concurso de Admisso que os candidatos no descuidem do aperfeioamento no idioma francs, uma vez que (a) ser exigida proficincia de alto nvel em francs no processo de formao de diplomatas e (b) parte da bibliografia do Programa de Formao e Aperfeioamento Primeira Fase (PROFA I) constituda de textos em francs.

SUMRIO

Unidade I Imprio 1. O processo de independncia .............................................................. 11 2. A construo do Estado nacional ........................................................ 28 3. A economia no imprio ....................................................................... 48 4. Sociedade e cultura ............................................................................. 61 5. Poltica externa .................................................................................... 76 6. Crise no regime monrquico ............................................................... 90 Unidade II Repblica Velha 1. O regime oligrquico ......................................................................... 107 2. Tenses sociais .................................................................................. 124 3. Economia .......................................................................................... 142 4. Sociedade e cultura ........................................................................... 157 5. Poltica externa .................................................................................. 169 6. Crise da Repblica Velha .................................................................. 178 Unidade III Segunda Repblica 1. O estado de compromisso ................................................................. 191 2. Democracia populista ........................................................................ 217 3. Economia e sociedade ....................................................................... 233 4. Poltica externa .................................................................................. 251 Unidade IV Transformaes Poltico-Sociais a partir dos anos 60 1. Ditadura militar ................................................................................. 265 2. Redemocratizao ............................................................................. 295 3. Economia .......................................................................................... 333

UNIDADE I IMPRIO

MANUAL DO CANDIDATO HISTRIA DO BRASIL

10

UNIDADE I IMPRIO

1. O PROCESSO DE INDEPENDNCIA A emancipao poltica brasileira, formalizada em 1822, insere-se no quadro mais amplo de desagregao do sistema colonial portugus, iniciado no sculo XVIII. De um lado, com a Revoluo Industrial, as transformaes econmicas e polticas no cenrio mundial tornaram anacrnico o sistema baseado no exclusivo metropolitano. De outro, a prpria colnia experimentava mudanas que traziam consigo a oposio entre os interesses dos colonos e da metrpole. A Revoluo Industrial, caracterizada pela constituio do sistema fabril mecanizado, foi impulsionada pela articulao entre a produo interna inglesa e as rotas do comrcio ultramarino. A criao de novos mercados consumidores realizou-se a partir da agressiva poltica externa britnica, ditada pelos interesses mercantis e manufatureiros. O sistema colonial, baseado na exclusividade de trocas mercantis entre colnia e metrpole, surgia ento como obstculo para a expanso do capitalismo industrial, que os ingleses procuraram transpor por meio do contrabando, guerras ou de acordos diplomticos que ampliavam o comrcio com as prprias metrpoles, submetendo-as a uma dependncia estrutural. Enquanto a Inglaterra era a vanguarda nas transformaes industriais, Portugal ressentia-se de uma manufatura medocre, incapaz de concorrer com a produo britnica. Como nova potncia hegemnica na Europa, a Inglaterra ditava as novas regras, impondo aos seus aliados acordos e tratados que a beneficiavam. Como potncia decadente, Portugal dependia da parceria inglesa para garantir a defesa de seu combalido imprio ultramarino. Dessa forma, as bases do sistema colonial foram sendo gradativamente solapadas. Para agravar o quadro, em 1776 os EUA declaravam sua independncia. Pela primeira vez uma colnia conquistava sua emancipao poltica, apontando para as demais a possibilidade concreta de ruptura do pacto colonial. No por acaso, quando no Brasil a elite mineira conspirou contra o governo metropolitano, em 1789, no movimento conhecido como Inconfidncia Mineira, seu principal modelo era a jovem repblica americana. Paralelamente, a colnia passava tambm por mudanas que colocavam em xeque o sistema colonial devido ao fortalecimento de interesses internos divergentes dos da metrpole. O desenvolvimento econmico e a descoberta de ouro no final do sculo XVII tornavam asfixiante a explorao metropolitana, com seus pesados tributos e determinaes monopolistas. Para os grandes proprietrios coloniais o sistema tornava-se, cada vez mais, um

11

MANUAL DO CANDIDATO HISTRIA DO BRASIL

obstculo para o acmulo de riquezas. De outro lado, a estrutura da sociedade colonial diversificava-se. A economia mais complexa e a crescente urbanizao propiciavam o surgimento de novos setores no comprometidos diretamente com as atividades voltadas para exportao. Artesos e pequenos comerciantes ressentiam-se da falta de perspectivas em uma sociedade baseada na explorao escravista da propriedade rural. O fim do pacto colonial tornava-se assim uma aspirao disseminada por diversos setores da colnia e esteve na origem das vrias revoltas ocorridas ao final do sculo XVIII: Inconfidncia Mineira (1789); Conjurao do Rio de Janeiro (1794); Conjurao Baiana (1798); Inconfidncia Pernambucana (1801). Entre esses movimentos, os de maior impacto foram, sem dvida, os ocorridos em Minas e Bahia. No primeiro, proprietrios de terras e de lavras de ouro insurgiram-se contra os limites que o sistema colonial impunha livre expanso de seus interesses. Em fins de 1788 e