Manual de Reconhecimento e Controle Das Principais Pragas Do Anturio No Estado Do Ceara

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ISSN 1677-1915 Fevereiro, 2008Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria Embrapa Agroindstria Tropical Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

Documentos 114Manual de Reconhecimento e Controle das Principais Pragas do Antrio no Estado do CearJorge Anderson Guimares Ana Ceclia Ribeiro de Castro Antnio Lindemberg M. Mesquita Raimundo Braga Sobrinho Francisco Roberto de Azevedo

Embrapa Agroindstria Tropical Fortaleza, CE 2008

Exemplares desta publicao podem ser adquiridos na: Embrapa Agroindstria Tropical Rua Dra. Sara Mesquita 2270, Pici CEP 60511-110 Fortaleza, CE Caixa Postal 3761 Fone: (85) 3391-7100 Fax: (85) 3391-7109 Home page: www.cnpat.embrapa.br E-mail: negocios@cnpat.embrapa.br Comit de Publicaes da Embrapa Agroindstria Tropical Presidente: Francisco Marto Pinto Viana Secretrio-Executivo: Marco Aurlio da Rocha Melo Membros: Janice Ribeiro Lima, Andria Hansen Oster, Antonio Teixeira Cavalcanti Jnior, Jos Jaime Vasconcelos Cavalcanti, Afrnio Arley Teles Montenegro, Ebenzer de Oliveira Silva Supervisor editorial: Marco Aurlio da Rocha Melo Revisora de texto: Ana Ftima Costa Pinto Normalizao bibliogrfica: Ana Ftima Costa Pinto Foto da capa: Francisco das Chagas Oliveira Freire Editorao eletrnica: Arilo Nobre de Oliveira 1a edio 1a impresso (2008): 500 exemplares Todos os direitos reservados A reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610). Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Embrapa Agroindstria Tropical Manual de reconhecimento e controle das principais pragas do antrio no Estado do Cear / Jorge Anderson Guimares... [et al.] Fortaleza : Embrapa Agroindstria Tropical, 2008. 21 p. (Embrapa Agroindstria Tropical. Documentos, 114). ISSN 1677-1915 1. Planta ornamental. 2. Manejo fitossanitrio. I. Guimares, Jorge Anderson. II. Castro, Ana Ceclia Ribeiro de. III. Mesquita, Antnio Lindemberg Martins. IV. Braga Sobrinho, Raimundo. V. Srie CDD 632.9 Embrapa 2008

Autores

Jorge Anderson Guimares Bilogo, D. Sc. em Entomologia, pesquisador da Embrapa Agroindstria Tropical, Fortaleza, CE, jorge@cnpat.embrapa.br Ana Ceclia Ribeiro de Castro Biloga, D. Sc. em Botnica, pesquisadora da Embrapa Agroindstria Tropical, Fortaleza, CE, ceclia@cnpat.embrapa.br Antonio Lindemberg Martins Mesquita Engenheiro Agrnomo, Ph. D. em Entomologia, pesquisador da Embrapa Agroindstria Tropical, Fortaleza, CE, mesquita@cnpat.embrapa.br Raimundo Braga Sobrinho Engenheiro Agrnomo, Ph. D. em Entomologia, pesquisador da Embrapa Agroindstria Tropical, Fortaleza, CE, braga@cnpat.embrapa.br Francisco Roberto de Azevedo Engenheiro Agrnomo, D. Sc. em Entomologia, professor da Universidade Federal do Cear, Campus do Cariri, Crato, CE razevedo@ufc.br

Apresentao

A floricultura no Estado do Ceara uma atividade em plena expanso. Atualmente, vrias espcies de flores e plantas ornamentais so cultivadas e exportadas, entre elas, destaca-se o antrio, pelo grande potencial para confeco de arranjos florais e para paisagismo. O antrio susceptvel a problemas fitossanitrios, e muito pouco se conhece a respeito dos insetos-praga associados a essa cultura no Estado do Cear. A identificao das pragas e seus danos fator primordial para o sucesso do manejo de pragas. Este documento contm informaes pragmticas e importantes para auxiliar, principalmente, os pequenos produtores, no fcil reconhecimento dessas pragas, bem como, orientaes sobre mecanismos de controle alternativo eficientes, que buscam minimizar as perdas relativas ao ataque de pragas e profissionalizar a atividade. Lucas Antonio de Sousa Leite Chefe-Geral Embrapa Agroindstria Tropical

Sumrio

Introduo .............................................................

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Fungos gnats Bradysia sp. (Diptera: Sciaridae) ............ 10 Pulges Myzus ascalonicus Doncaster e Aphis fabae Scopoli (Hemiptera: Aphididae) ................................. 12 Cochonilhas (Hemiptera: Diaspididae)......................... 13 Tripes Scirtothrips sp. (Thysanoptera: Thripidae) ......... 15 Lagarta Phyciodes sp. (Lepidoptera: Nymphalidae) ....... 16 caros Tetranychus sp. (Acari: Tetranychidae)............ 18 Literatura Recomendada ........................................... 20

Manual de Reconhecimento e Controle das Principais Pragas do Antrio no Estado do CearJorge Anderson Guimares Ana Ceclia Ribeiro de Castro Antnio Lindemberg M. Mesquita Raimundo Braga Sobrinho Francisco Roberto de Azevedo

IntroduoO antrio, Anthurium andraeanum Lind., uma espcie originria da Colmbia, pertencente famlia Araceae. uma planta de cultivo fcil, altamente difundido nas regies quentes e midas. Possui notada preferncia por ambientes sombreados e temperaturas amenas. As inflorescncias do antrio so constitudas pelo conjunto da espata e espdice. A espata a folha modificada e colorida responsvel pela atrao de agentes polinizadores, enquanto que a espdice a estrutura em forma de espiga, composta por inmeras flores diminutas responsveis pela reproduo. As flores verdadeiras do antrio nada mais so do que pequenos losangos localizados na espdice. Em compensao, os antrios possuem espatas com uma grande variedade de cores, formas e tamanhos, por essa razo uma das plantas mais utilizadas em ornamentao. O antrio atacado por vrias espcies de artrpodes, que causam diferentes tipos de danos, em todas as partes da planta, resultando em perdas econmicas. Existem poucos trabalhos a respeito das pragas do antrio, sendo a maioria do conhecimento procedente de pases como a Holanda, Colmbia e os EUA, principalmente, o Hava. No Brasil, quase todo o conhecimento sobre as pragas de antrios oriundo de estudos realizados no Estado de So Paulo.

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Dessa forma, este documento tem como objetivo auxiliar na identificao das principais pragas, e no reconhecimento dos danos causados por elas ao antrio no Estado do Cear. Alm disso, sero apresentadas recomendaes de manejo baseadas no uso do controle cultural e de produtos naturais alternativos.

Fungos gnats Bradysia sp. (Diptera: Sciaridae)Descrio: tambm conhecida como fungus gnats, bradsia e moscados-fungos. Os adultos so moscas diminutas, com cerca de 3 mm de comprimento, antenas e pernas longas, sendo muito parecidos com pernilongos (Fig. 1A). As fmeas adultas depositam seus ovos no solo mido e sombreado, onde decorridos cerca de sete dias as larvas eclodem. As larvas so do tipo vermiforme e chegam a medir 6 mm de comprimento (Fig. 1B) antes de se empuparem no solo. As larvas de Bradysia sp. se alimentam normalmente dos fungos presentes no solo, ou seja, so insetos micetfagos ou comedores de fungos, da a denominao de fungus gnats. Danos: em vasos de plantas contendo substrato no tratado (solarizado, autoclavado etc.), pode ocorrer uma superpopulao de larvas, que passam a se alimentar das radicelas das mudas de antrio recm-transplantadas, fazendo com que a planta murche e morra (Fig. 1C). Dessa forma, as larvas prejudicam o enraizamento das mudas e, alm disso, os danos causados nas razes podem ser contaminados por fitopatgenos oportunistas. Controle qumico: no existe nenhum produto registrado no Ministrio da Agricultura e Abastecimento (MAPA) para controle de fungus gnats em antrio. Pesquisas realizadas na Colmbia e na Holanda constataram que os produtos mais eficientes para o controle do fungus gnats so: acefato, bifentrin, ciflurin, clorfenapir, clorpyrifos, deltametrina, diazinon, diflubenzuron, fenoxicarb. No entanto, mesmo sendo eficientes contra a praga, verificou-se que a maioria desses produtos causava fitotoxicidade nas plantas.

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Controle alternativo: em razo da ausncia de inseticidas registrados para o controle dessa praga no antrio, a melhor alternativa a preveno. Recomenda-se o uso de substratos tratados, por meio de solarizao ou por autoclavagem. Manter os substratos no utilizados em locais secos e cobertos at o momento de sua utilizao. Nos viveiros de mudas, recomenda-se o uso de telas antiafdeos, a fim de evitar a entrada dos adultos. Instalar armadilhas adesivas de cor amarela sobre os vasos das mudas para captura dos adultos. Evitar irrigao em excesso, pois a umidade o fator primordial para o desenvolvimento das larvas. Alm disso, deve-se descartar substratos e vasos contaminados com larvas, e no acumular matria orgnica em decomposio, como esterco, hmus de minhoca etc., prximo dos viveiros. Controle biolgico: caros predadores de solo e nematides do gnero Steinernema so importantes inimigos naturais dessa praga.Foto: Jim Kalisch, University of Nebraska, Lincoln Foto: M. Blaise

BFoto: Jorge Anderson Guimares

AFig. 1. A. Adulto de Bradysia sp. B. Larvas de Bradysia sp.C. Muda de antrio com sintomas de murchamento causado pelo ataque das larvas de Bradysia sp s razes da planta.

C

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Pulges Myzus ascalonicus Doncaster e Aphis fabae Scopoli (Hemiptera: Aphididae)Descrio: so insetos pequenos, com cerca de 2 mm de comprimento; pteros; colorao varivel, podendo ser pretos, no caso de A. fabae e com colorao variando de marrom, cinza e verde no caso de M. ascalonicus (Fig. 2A). Possuem o aparelho bucal do tipo sugador, com o qual tantos os adultos como as ninfas sugam continuamente a seiva das folhas. Reproduzem por partenognese teltoca, ou seja, sem a presena de machos. Em altas populaes, surgem as formas aladas que se dispersam para outras plantas. Danos: a atividade alimentar desses insetos causa o enfraquecimento, m formao e o encarquilhamento das folhas e inflorescncias (Fig. 2B), inviabilizando-as para comercializao. Excretam o excesso da seiva sugada na forma de gotculas aucaradas que se acumulam na superfcie das folhas, proporcionando ambiente favorvel para o desenvolvimento de fungos causadores da fumagina, os quais reduzem a atividade fotossinttica e respiratria das plantas. Controle qumico: no existe nenhum produto registrado no MAPA para controle de pulges em antrio. Controle alternativo: o uso de produtos alternativos, como a calda de fumo, pode ser bastante eficiente para o controle dos pulges, em virtude do seu baixo custo e pouco impacto sobre os inimigos naturais. O princpio ativo da calda de fumo o sulfato de nicotina, que age no sistema nervoso dos insetos, atuando como insecticida. Para a produo caseira da calda de fumo, utiliza-se 15 a 20 cm de fumo de corda, 0,5 L de gua, 0,5 L de lcool e 100 g de sabo de barra. Deve-se cortar o fumo em pequenos pedaos e coloc-los em um recipiente contendo a gua e o lcool, deixando curtir por dois dias. Decorrido esse tempo, adicione o sabo em 10 litros de gua e junte mistura j curtida de fumo e lcool. Pode ser aplicado com pulverizador ou regador. Controle biolgico: vespas parasticas, principalmente bracondeos e

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predadores, como as joaninhas, dpteros sirfdeos e crisopdeos (bicholixeiro).Foto: INRA Foto: Jorge Anderson Guimares

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Fig. 2. A. Colnia de pulges, contendo adultos e ninfas. B. Espata do antrio com sintomas de encarquilhamento causado pelo ataque de pulges.

Cochonilhas (Hemiptera: Diaspididae)Descrio: as fmeas adultas de diaspiddeos so ssseis, com o corpo recoberto com carapaa de colorao marrom-avermelhada (Fig. 3A), e aparelho bucal sugador desenvolvido. Os machos so alados, parecidos com mosquitos, possuem aparelho bucal atrofiado e no causam danos s plantas. Danos: as colnias alojam-se, principalmente, na parte inferior das folhas, onde sugam a seiva das plantas, causando debilitao da planta e o surgimento de pequenas manchas irregulares de colorao amarela na superfcie da folha (Fig. 3B). Alm disso, as cochonilhas excretam substncias aucaradas que servem de substrato para o desenvolvimento da fumagina. Plantas infestadas por cochonilhas, geralmente apresentam grande quantidade de formigas, que visitam as plantas para se alimentar das substncias aucaradas excretadas pelas cochonilhas (Fig. 3C) que, em troca, protegem-nas do ataque de inimigos naturais. Controle qumico: no existe nenhum produto registrado no MAPA para controle de cochonilhas em antrio. Controle alternativo: em razo da ausncia de inseticidas registrados para o controle dessas pragas, de suma importncia a eliminao

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das partes das plantas atacadas pelas cochonilhas, e a utilizao de produtos alternativos, como a calda de fumo (ver controle alternativo de pulges). Recomenda-se, tambm, a pulverizao da face inferior da folha do antrio com gua de sabo diretamente sobre a colnia. Utilize 500 g de sabo comum e cinco litros de gua. Aquea a gua e misture o sabo raspado ou ralado. Agite bem at dissolver o sabo, deixe esfriar e pulverize sobre as plantas. Controle biolgico: os principais inimigos naturais das cochonilhas so as vespas parasticas e os predadores, principalmente as joaninhas (Coccinelidae).Fotos: Jorge Anderson Guimares

A

B

C

Fig. 3. A. Carapaas de Diaspididae (fmeas) localizadas na face inferior da folha do antrio. B. Sintoma do ataque severo de diaspiddeos na folha do antrio. C. Associao simbitica entre cochonilhas e formigas na face inferior da folha do antrio.

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Tripes Scirtothrips sp. (Thysanoptera: Thripidae)Descrio: so insetos pequenos, com no mximo 13 mm de comprimento, colorao amarelada, antenas filiformes, e com dois pares de asas franjadas (Fig. 4A). Os tripes possuem o aparelho bucal do tipo raspador-sugador em forma de cone bucal, usado para raspar a superfcie foliar. As fmeas depositam os ovos no interior dos tecidos da planta (postura endoftica), e as ninfas ao eclodirem, alimentam-se desses tecidos. A fase de pupa ocorre no solo, e os adultos ao emergirem, atacam as partes areas da planta. Danos: o ataque das ninfas e dos adultos ocorre, principalmente, na face inferior da folha, onde raspam a superfcie foliar causando descoramento das folhas (Fig. 4B), e necrose dos tecidos (Fig. 4C). O ataque s espatas dos antrios leva ao aparecimento de estrias esbranquiadas, e em casos severos causa o seu bronzeamento (Fig. 4D). Controle qumico: no existe nenhum produto registrado no MAPA para controle de tripes em antrio. Controle alternativo: utilizar armadilhas adesivas de cor azul para a captura dos adultos. As armadilhas podem ser adquiridas em lojas especializadas, ou feitas de plstico ou com placas de madeira (cerca de 40 x 25 cm) pintadas de azul, e impregnadas com uma camada fina de leo mineral ou vegetal para adeso dos insetos. As armadilhas adesivas devem ser instaladas a uma altura de 1,5 m do nvel do solo, com distncia de 2 m entre elas. J...

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