manual de analise de água funasa

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MANUAL DE BOLSO

Manual Prtico de Anlise de gua

Braslia, 2009

Copyright 2004 Fundao Nacional de Sade (Funasa) Ministrio da Sade Editor Assessoria de Comunicao e Educao em Sade Ncleo de Editorao e Mdias de Rede/Ascom/Presi/Funasa/MS Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 2 andar - Ala Norte 70.070-040 - Braslia/DF Distribuio e Informao Departamento de Engenharia de Sade Pblica (Densp) Setor de Autarquias Sul, Quadra 4, Bl. N, 6 Andar Ala Sul Telefone: 0XX61 3314-6262 - 3314-6380 70.070-040 - Braslia/DF Tiragem 2.000 exemplares

Brasil. Fundao Nacional de Sade. Manual prtico de anlise de gua. 3 ed. rev. - Braslia: Fundao Nacional de Sade, 2009. 144 p. 1. Saneamento. I. Ttulo.

permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. Impresso no Brasil Printed in Brazil

ApresentaoEste manual, elaborado de forma e linguagem simples, tem como objetivo auxiliar pessoas que trabalham nos laboratrios de controle da qualidade da gua de estaes de tratamento de pequeno e mdio portes, no desenvolvimento de suas atividades dirias. A idia surgiu da necessidade de se ter no laboratrio um instrumento de consulta que pudesse acompanhar os passos do tcnico a todo instante e em qualquer lugar. Nele esto descritos os procedimentos mais comuns que so realizados rotineiramente no laboratrio de uma Estao de Tratamento de gua (ETA). Para qualquer procedimento aqui abordado que necessite de um conhecimento mais profundo, deve-se consultar os grandes compndios que tratam do assunto, como por exemplo, o Standard Methods for the Examination of Waterand Wastewater, publicao da AWWA, APHA e WPCF. A primeira parte do manual aborda os exames bacteriolgicos envolvendo a pesquisa de coliformes totais e termotolerantes, inclusive Escherichia coli e a contagem padro de bactrias heterotrficas, desde a preparao do material a ser utilizado, passando pela realizao dos ensaios at a emisso de resultados. Na segunda parte esto descritas as tcnicas das anlises fsico-qumicas e testes de rotina de uma ETA e, finalmente, a preparao de todos os reagentes utilizados. Foram includos, tambm, alguns procedimentos de biossegurana em laboratrio, a Portaria MS n 518/2004 que trata das Normas e Padres de Potabilidade da gua para

consumo humano no Brasil e uma relao de equipamentos e materiais de laboratrio. Acredita-se que os parmetros aqui descritos so suficientes para monitorar e controlar a qualidade da gua distribuda para consumo humano em diversas localidades do pas. O exame da gua, principalmente daquela destinada ao consumo humano, de fundamental importncia. Por ele pode-se ter certeza de que a gua distribuda de confiana, se est isenta de microorganismos ou substncias qumicas que podem ser prejudiciais sade das pessoas. Distribuir gua sem antes examin-la um tiro no escuro, muitas vezes de consequncias irremediveis.

SumrioApresentao Exame bacteriolgico da gua .................................. 7 - Introduo .......................................................... 8 - Bactrias do grupo coliforme .............................. 8 - Material utilizado em bacteriologia ..................... 10 - Preparo do material de vidro ............................... 11 - Preparao dos meios de cultura......................... 12 - Coleta de amostras de gua para exames bacteriolgicos ................................................... 15 - Procedimentos para o exame .............................. 18 - Coliformes totais TM ...................................... 18 - Coliformes termotolerantes TM ...................... 23 - Contagem padro de bactrias.......................... 24 - Coliformes totais MF ...................................... 26 - Coliformes termotolerantes MF ...................... 29 - Coliformes totais e E. Coli substrato cromognico .................................................... 33 - Esterilizao ..................................................... 34 Anlises fsico-qumicas da gua .............................. 37 - Titulomtricas - Alcalinidade total ............................................. 38 - Gs carbnico livre .......................................... 41 - Cloretos ........................................................... 43 - Dureza total ..................................................... 46 - pH ................................................................... 49 - Colorimtricas - Cloro residual livre ........................................... 50

- Cor ................................................................... 52 - Alumnio .......................................................... 53 - Turbidez ........................................................... 58 - Temperatura ...................................................... 61 - Fluoretos ........................................................... 62 - Coleta e preservao de amostras para anlises fsico-qumicas ...................................... 67 - Ensaio de coagulao Jar test ......................... 68 - Determinao do teor de cloro ativo em uma soluo de cloro (hipoclorito de sdio e hipoclorito de clcio .......................................... 75 Preparao dos reagentes utilizados nas anlises constantes ............................................. 76 - Regras gerais para corrigir as solues tituladas............................................................ 92 - Limpeza de material de vidro no laboratrio .... 94 - Relao de materiais de laboratrio de anse de gua ..................................................... 95 - Biossegurana em laboratrio ............................. 100 Portaria MS n 518/2004 Norma da Qualidade da gua para Consumo Humano ............................. 103 Apndice .................................................................. 133 Bibliografia ............................................................... 139

Exame bacteriolgico da guaColiformes totais Coliformes termotolerantes Bactrias heterotrficas

IntroduoA gua potvel no deve conter microorganismos patognicos e deve estar livre de bactrias indicadoras de contaminao fecal. Os indicadores de contaminao fecal tradicionalmente aceitos pertencem a um grupo de bactrias denominadas coliformes. O principal representante desse grupo de bactrias chama-se Escherichia coli. A Portaria n 518/2004 do Ministrio da Sade estabelece que sejam determinados, na gua, para aferio de sua potabilidade, a presena de coliformes totais e termotolerantes de preferncia Escherichia coli e a contagem de bactrias heterotrficas. A mesma portaria recomenda que a contagem padro de bactrias no deve exceder a 500 Unidades Formadoras de Colnias por 1 mililitro de amostra (500 UFC/ml), tal como no tolerar em nenhuma amostra de gua tratada a presena de coliformes termotolerantes e admitir a presena de coliformes totais em algumas situaes no sistema de distribuio.

Bactrias do grupo coliformeConceito: Denomina-se de bactrias do grupo coliforme bacilos gramnegativos, em forma de bastonetes, aerbios ou anaerbios facultativos que fermentam a lactose a 35-370C, produzindo cido, gs e aldedo em um prazo de 24-48 horas. So,8Fundao Nacional de Sade

tambm, oxidase-negativos e no formam esporos. A razo da escolha desse grupo de bactrias como indicador de contaminao da gua deve-se aos seguintes fatores: estopresentesnasfezesdeanimaisdesanguequente, inclusive os seres humanos; suapresenanaguapossuiumarelaodiretacomo grau de contaminao fecal; sofacilmentedetectveisequantificveisportcnicas simples e economicamente viveis, em qualquer tipo de gua; possuemmaiortempodevidanaguaqueasbactrias patognicas intestinais, por serem menos exigentes em termos nutricionais e incapazes de se multiplicarem no ambiente aqutico; somaisresistentesaodosagentesdesinfetantesdo que os germes patognicos. A Contagem Padro de Bactrias muito importante durante o processo de tratamento da gua, visto que permite avaliar a eficincia das vrias etapas do tratamento. importante, tambm, conhecer a densidade de bactrias, tendo em vista que um aumento considervel da populao bacteriana pode comprometer a deteco de organismos coliformes. Embora a maioria dessas bactrias no seja patognica, pode representar riscos sade, como tambm, deteriorar a qualidade da gua, provocando odores e sabores desagradveis. As tcnicas adotadas neste manual para quantificar os coliformes e hetertrofos na gua so as preconizadas no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, publicao da American Public Health Association (APHA), American Water Works Association (AWWA) e Water Environment Federation.Manual Prtico de Anlise de gua

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Algumas doenas veiculadas pela gua e seus agentesDoenas Origem bacteriana entes Febre tifide e paratifide Disenteria bacilar Clera Gastroenterites agudas e Diarrias Agentes patognicos Salmonella typhi Salmonella parathyphi A e B Shigella sp Vibrio cholerae Escherichia coli enterotxica Campylobacter Yersnia enterocoltica Salmonella sp Shigella sp Vrus da hepatite A e E Vrus da poliomielite Vrus Norwalk Rotavirus Enterovirus Adenovirus Entamoeba histolytica Girdia lmblia Cryptosporidium

Origem viral Hepatite A e E Poliomielite Gastroenterites agudas e crnicas

Origem parasitria Disenteria amebiana Gastroenterites Fonte: Opas, 1999

Material utilizado em bacteriologiaa) autoclave; b) estufa bacteriolgica; c) estufa de esterilizao e secagem; d) balana; e) destilador; f) banho-maria; g) contador de colnias; h) ala de platina com cabo;10Fundao Nacional de Sade

i) tubo de Durhan; j) tubo de ensaio; k) algodo em rama; l) meios de cultura; m) frascos de coleta; n) pipetas graduadas; o) pipetador; p) papel-alumnio; q) lamparina a lcool ou bico de Bunsen; r) placas de Petri; s) pina de ao inox; t) membranas filtrantes; u) porta-filtro de vidro ou ao inox; v) lmpada ultravioleta

Preparo do material de vidroTubos de ensaioa) colocar o tubo de Durhan na posio invertida dentro d