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MANUAL DE BIODIGESTO

NDICE

1- INTRODUO....................................................................................................................3 2- HISTRICO DO BIODIGESTOR ..........................................................................................4 3- MANEJO DO SOLO - USO DE BIOFERTILIZANTE ..............................................................6 4- ENERGIA RENOVVEL- O BIOGS ...................................................................................9 5 - SADE ANIMAL ..............................................................................................................13 6- FUNCIONAMENTO DO BIODIGESTOR ............................................................................14

1- IntroduoA busca pelo aumento de produtividade agropecuria leva anlise dos diversos elementos da cadeia de criao para identificar pontos com potencial de melhoria. Tradicionalmente, o esterco animal tem dado pouco ou nenhum retorno para o produtor. Alis, nos casos de criao concentrada, esse resduo um problema grave, freqentemente atuando como vetor de doenas e contaminando a gua e o solo. Entretanto, com o tratamento adequado, o esterco animal pode trazer importantes benefcios para o produtor. A tecnologia de digesto anaerbia, ou biodigesto, permite o aproveitamento integral do esterco animal. Com manejo e instalaes adequadas, possvel integrar a biodigesto no processo produtivo da criao animal, proporcionando ao produtor trs importantes benefcios: 1.Produo de biofertilizante; 2.Produo de biogs; 3.Melhoria da sade animal.

O QUE O BIODIGESTOR No biodigestor, o esterco de animais e restos de vegetais so transformados em biofertilizante, valioso adubo orgnico, e em gs metano que pode substituir as fontes de energia necessrias na roa. O biodigestor o local onde ocorre a fermentao da biomassa; isto pode ser um tanque, uma caixa, ou uma vala revestida e coberta por um material impermevel. O importante que, com exceo dos tubos de entrada e sada, o biodigestor totalmente vedado, criando um ambiente anaerbio (sem a presena de oxignio) onde os microorganismos degradam o material orgnico, transformando-o em biogs e biofertilizante. A transformao da matria orgnica em gs possvel pela sua fermentao anaerbia (sem a presena do ar) Este processo pode ser dividido em trs estgios com trs distintos grupos de microrganismos. O primeiro estgio envolve bactrias fermentativas, compreendendo microrganismos anaerbios e facultativos. Neste estgio, materiais orgnicos complexos (carboidratos, protenas e lipdios) so hidrolizados e fermentados em cidos graxos, lcool, dixido de carbono, hidrognio, amnia e sulfetos. As bactrias acetognicas participam do segundo estgio, consumindo os produtos primrios e produzindo hidrognio, dixido de carbono e cido actico. Dois grupos distintos de

bactrias metanognicas participam do terceiro estgio, o primeiro grupo reduz o dixido de carbono a metano e o segundo descarboxiliza o cido actico produzindo metano e dixido de carbono. Apesar de parecer complexo, este processo de fermentao ocorre naturalmente e continuamente dentro do biodigestor, desde que o sistema for manejado corretamente.

ESBOO DE SISTEMA DE BIODIGESTO

1 Curral

2

Caixa ou Tonel de Entrada

6

Biogs

Esterco 3 4 5 Biodigestor

Biofertilizante

7 Caixa deSada

O sistema de biodigesto composto por: 1. Curral ou depsito de esterco 2. Caixa ou tonel de entrada, onde o dejeto misturado com gua antes de descer para o biodigestor 3. Tubulao de entrada, permitindo a entrada da mistura ao interior do biodigestor 4. Biodigestor revestido e coberto por manta plstica 5. Tubulao de sada de biofertilizante, levando o material lquido j fermentado caixa de sada 6. Tubulao de sada de biogs, canalizando-o para fogo, motor, etc. 7. Caixa de sada, onde armazenado o biofertilizante at ser aplicado nos cultivos

2- Histrico do BiodigestorCom a crise do petrleo na dcada de 70, foi trazida para o Brasil a tecnologia dos biodigestores. Os principais modelos implantados, o Chins e o Indiano, eram quase que exclusivamente orientados para produo do combustvel alternativo biogs. Na regio nordeste, foram implantados vrios programas de difuso dos biodigestores e a expectativa era muito grande, mas os resultados no foram satisfatrios.

Modelo de biodigestor Chins

Modelo de biodigestor Indiano

Na Paraba, por exemplo, na dcada de 80, a EMATER Empresa de Assistncia Tcnica e Extenso Rural, conseguiu atravs de convnio com o Ministrio das Minas e Energia, a implantao de cerca de 200 biodigestores em propriedades rurais daquele estado, segundo avaliao recente do "NERG - Ncleo de Energia da UFPB" deste universo de biodigestores implantados apenas 4,6% esto em funcionamento e 96.9% dos proprietrios no desejam reativar os seus biodigestores.

Em retrospectiva, fica claro que uma combinao de fatores tcnicos, humanos e econmicos foram responsveis pelo abandono das iniciativas de divulgao da tecnologia de biodigesto. Um dos motivos que dificultou a difuso dos biodigestores foi o fato de no tempo no ter sido dada maior nfase ao aproveitamento do biofertilizante, cujo valor na produtividade agropecuria est se mostrando hoje to importante quanto o do biogs. Outro ponto foi quanto a adaptabilidade dos modelos implantados. No modelo Indiano - que foi o mais difundido - a campnula do biodigestor, quase na sua totalidade confeccionados em ao, aumentam muito o custo e oxidam com bastante facilidade, exigindo manutenes constantes. J no modelo chins os maiores problemas so de estanqueidade. Devido s caractersticas do nosso solo e clima, ocorrem constantes rachaduras em sua cpula, com conseqente perda de gs. Faltaram, ainda, um esforo sistemtico de capacitao dos usurios e uma estrutura de apoio aos produtores, qual eles poderiam recorrer para obter assistncia tcnica. Finalmente, a preocupao e legislao ambiental que hoje existem eram pouco presentes na poca, e no se dedicava a mesma ateno poluio de recursos hdricos e nem se tinha noo da dimenso dos efeitos das aes do homem sobre o clima global.Nova Abordagem Atualmente, o modelo de biodigestor mais difundido no Brasil aquele feito de manta de PVC, de baixo custo e fcil instalao comparado com os modelos antigos, e com a vantagem de poder ser usado tanto para pequenos produtores como para grandes projetos agro-industriais. O setor privado, contando com o apoio de universidades e entidades de pesquisa, tem sido a principal fora no desenvolvimento do mercado, tanto na oferta quanto na demanda desses novos sistemas de biodigesto. Alm das melhorias tcnicas nos sistemas, a tecnologia de biodigesto hoje desperta o interesse de produtores porque est se considerando o aproveitamento integral do esterco animal, no s para biogs como para biofertilizante. Alm disso, grande importncia dada ao tratamento adequado de dejetos, para evitar a poluio dos recursos hdricos e a emisso de gases de efeito-estufa.

No caso da caprinocultura e outras criaes no nordeste, verifica-se que a biodigesto poder contribuir para reduzir doenas nos rebanhos causadas pelo tratamento inadequado dos dejetos, melhorar o acesso a energia limpa e renovvel, preservar a vegetao local substituindo a lenha pelo biogs, e melhorar a qualidade do solo, incluindo a sua capacidade de reter gua, com a aplicao do biofertilizante.

3- Manejo do Solo - Uso de BiofertilizanteMinerais mais absorvidos pelas plantas Vamos ver aqui os fertilizantes mais usados, o que a planta mais se alimenta, o seu prato preferido: N, P, K. O N (nitrognio) responsvel pelo crescimento do vegetal e pela sua cor verde. encontrado no esterco animal, no composto, nas farinhas de chifres e sangue, biofertilizantes e leguminosas. As formas qumicas mais usadas so o sulfato e o cloreto de amnia que, alm de destruir a camada de oznio por evaporao, deixa na terra resduos que agem como biocidas poluidoras e deixa na planta resduos muitas vezes hormonais. O P (fsforo) garante a boa florao e frutificao, e pode ser obtido atravs de rochas fosfticas, escrias e farinha de osso. No so substncias hidrossolveis, pois somente se solubilizam atravs da atividade bacteriana e da exudao de cidos eliminados pelas razes das plantas. Sendo assim, ficam na terra fornecendo nutrientes por muitos anos e por um preo bem baixo. O K (potssio) d melhor qualidade s plantas e aos frutos, e aumenta a resistncia s doenas. O Potssio pode ser obtido basicamente de cinza vegetal. Na verdade, os solos tropicais so, em geral ricos em potssio, bastante que se desenvolva uma boa atividade bacteriana para que o K seja liberado. O usado na adubao qumica o cloreto de potssio que deixa como residual o cloro, veneno violentssimo.

Adubao Qumica e sua ao no solo Em 1842, um qumico alemo verificou que as plantas continham 25 elementos qumicos, dando origem teoria da alimentao mineral das plantas. Hoje sabe que dos 25 elementos, apenas 13 so realmente necessrios , os quais formam os dois grande grupos de alimentos minerais indispensveis para as plantas, o dos macronutrientes e dos micronutrientes. Os macronutrientes so consumidos em grandes volumes pelas plantas. o grupo formado pelos elementos: Nitrognio, Fsforo, Clcio, Magnsio e Enxofre. Os micronutrientes so aqueles que a planta consome em doses menores: Boro, Cloro, Ferro. Mangans, Molibdnio, Zinco e, no caso das leguminosas, o cobalto. A propaganda ilude o agricultor e a agricultora propagado um falso discurso de estmulo aos agricultores e consumidores, que os fertilizantes qumicos aumentam a produo e podem alimentar mais gente. A verdade que embora os vegetais sejam maiores e dem mais rpido, so sem gosto, mais pobres em vitaminas e sais minerais, impregnados de resduos qumicos venenosos. O fato de usar adubao qumica no matou a fome do mundo e poluiu bastante o planeta, alm de ser uma agricultura cara, po

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