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  • MANEJO DE PASTAGEM

    Anibal de Moraes 1

    Claudete Reisdorfer lang2

    1 Professor Dr. - UFPR anibalm@agrarias.ufpr.br 2 Professora Dra - UFPR langc@terra.com

    Podemos conceituar manejo de pastagem como arte e a cincia de

    utilizao do recurso forrageiro na propriedade, com vistas produo animal.

    No deixa de ser uma arte, pois envolve a sensibilidade do tcnico em

    apreciar a resposta da pastagem, e cada vez mais se torna cincia medida que

    novos conhecimentos vo sendo adicionados no entendimento do complexo solo-

    planta-animal.

    J bastante conhecido o fato de que a velocidade de recuperao ou

    rebrote de uma planta forrageira pastejada ou cortada mecanicamente, em

    condies ambientais favorveis, est associada a alguns atributos ligados

    planta, definidos pelas caractersticas morfolgicas e fisiolgicas das forrageiras

    como:

    ndice de rea Foliar (IAF) Relao entre a rea de folhas e a rea de solo

    em 1 m2 de superfcie;

    Quantidade de glicdios de reserva presentes na planta aps a desfolhao;

    Localizao de tecidos meristemticos responsveis pela formao de novas

    folhas e afilhos;

    Caractersticas morfolgicas das espcies, como hbito de crescimento e

    arquitetura foliar.

  • 2. Princpios de fisiologia vegetal aplicada ao manejo das forrageiras 2.1. INTRODUO

    Os processos fisiolgicos estabelecem a capacidade para a captura da

    energia solar e a sntese de produtos necessrios para sustentar o

    desenvolvimento da estrutura das plantas. A maior ou menor capacidade de

    captura da radiao est prioritariamente relacionada rea foliar presente na

    pastagem, que por sua vez representa o componente principal no consumo dos

    animais em pastejo, favorecido pelo processo de seleo da dieta. Este

    representa o grande dilema no manejo das pastagens, onde por um lado se tem

    uma demanda dos animais para satisfao de suas necessidades nutricionais

    bsicas e por outro lado existe a demanda das plantas por uma permanente

    cobertura foliar. O impacto principal do pastejo no crescimento da pastagem a

    reduo da capacidade fotossinttica associado ao decrscimo da rea foliar. A

    capacidade de uma rpida reposio de folhas conferida pelos processos

    fisiolgicos e pela disponibilidade de meristemas.

    2.2 ANLISE DO CRESCIMENTO DE PLANTAS FORRAGEIRAS

    Assim como qualquer organismo vivo, a planta forrageira apresenta

    comportamento sigmide em termos de crescimento, como pode ser observado na

    Figura 1:

  • A

    B0

    TEMPO

    C

    Figura 1 - Crescimento de uma dada planta forrageira ao longo do

    tempo

    Observando a Figura 1, podemos verificar as distintas fases pelas quais

    atravessa o crescimento da planta forrageira.

    A fase OB caracteriza-se pelo ritmo lento de crescimento pois, a planta

    perdeu grande parte de seu aparato fotossinttico e, portanto, necessitar da

    mobilizao de suas reservas para o novo crescimento, processo esse mais ou

    menos demorado, em funo da intensidade da desfolhao.

    Se o corte ou pastejo ocorrer de forma menos intensa, mais rapidamente a

    planta ir recuperar-se pois, o processo fotossinttico no foi totalmente

    interrompido, observando-se portanto, rpida formao de folhas novas.

    Um outro aspecto que parece colaborar na intensificao do ritmo da

    rebrota refere-se fotossntese compensatria, presente em plantas desfolhadas,

    cujas taxas fotossintticas so geralmente superiores quelas das plantas intactas

    ( RICHARDS, 1993).

    Segundo BRISKE & RICHARDS (1995), esse fenmeno parece refletir um

    rejuvenescimento das folhas ou inibio na queda normal da capacidade

    fotossinttica das folhas devido ao avano na maturidade, o que permite s

  • plantas desfolhadas fixar mais carbono quando comparadas s plantas intactas

    (Figura 2)

    0

    20

    20

    40

    40

    60

    60

    80

    80

    100

    100

    120

    140

    Foto

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    2

    12

    3

    4

    Dias Aps o rebrote

    1.2.3.4.

    Sem desfolhaDesfolhado com 18 diasDesfolhado com 30 diasDesfolhado com 68 dias

    Figura 2 - Fotossntese compensatria em folhas de trs idades diferentes, comparadas com folhas de plantas intactas, de mesma idade cronolgica (Hodgkinson, 1974, citado por BRISKE & RICHARDS (1995))

    Quanto fase BC, ou fase linear de crescimento, a mesma apresenta ritmo

    acelerado pois, as primeiras folhas j expandiram-se e, portanto, a planta

    encontra-se em balano positivo de carbono, o que ir traduzir-se em acmulo de

    matria seca.

    A partir do ponto C, o ritmo de crescimento reduz-se, principalmente devido

    ao sombreamento sofrido pelas folhas mais velhas, inferiores no estrato vegetal e

    que, portanto, passaro a depender dos fotossintetizados adquiridos pelas folhas

    mais jovens.

    Alm disso, podemos observar que essas folhas sombreadas apresentam

    senescncia acelerada, contribuindo menos para a produo de matria seca

    total.

    Diversos outros aspectos como metabolismo de fixao de CO2, ndice de

    rea foliar, reservas e rea foliar remanescente merecem ateno neste ponto da

    discusso devido influncia que apresentam no crescimento das plantas.

  • 2.3 Metabolismo de fixao do CO2

    O metabolismo de fixao do CO2 varia quando consideramos

    separadamente plantas tropicais e subtropicais.

    Conforme SALISBURY (1992), as plantas, durante sua evoluo,

    desenvolveram variaes no metabolismo fotossinttico, sendo possvel distingui-

    las em trs grupos principais: C3, C4 e CAM (metabolismo cido das

    crassulceas).

    No primeiro grupo, das plantas C3, encontram-se as plantas que fixam e

    reduzem o CO2 a carboidratos unicamente atravs do ciclo de Calvin, isto ,

    quando a molcula de CO2 fixada no mesfilo foliar atravs da combinao com

    uma molcula de Ribulose-difosfato (RUDP) , atravs da enzima Ribulose-

    difosfato carboxilase, para produzir duas molculas do cido 3-fosfoglicrico

    (PGA). Da, a denominao C3, pois o primeiro produto estvel desse processo

    uma molcula de trs carbonos.

    Quanto s espcies C4, as mesmas apresentam em suas folhas dois tipos

    de clulas clorofiladas: as do mesfilo e as da bainha vascular, sendo que as

    ltimas circundam os tecidos vasculares. Essa anatomia recebe o nome de Kranz

    e est intimamente relacionada ao processo fotossinttico nas espcies C4

    (SALISBURY, 1992).

    Em muitas gramneas tropicais, a primeira reao para fixao do CO2

    catalizada pela enzima fosfoenol-piruvato carboxilase (PEP-carboxilase), que

    apresenta elevada afinidade pelo CO2 (CORSI & NASCIMENTO JR, 1986).

    Nessas plantas, o primeiro produto estvel da fotossntese o cido oxaloactico

    (AOA), composto orgnico formado de quatro carbonos, surgindo, a partir da, a

    denominao C4.

    Mas o metabolismo C4 no alternativo ao ciclo de Calvin, visto que dele

    no resulta reduo do CO2 a carboidratos, pois esse processo ocorre

    exclusivamente nas clulas da bainha vascular, atravs do ciclo de Calvin.

  • Conforme MACHADO (1988), o fluxo do cido de quatro carbonos, com

    liberao de CO2 funciona como mecanismo de concentrao de CO2 nas clulas

    da bainha vascular. Essa concentrao atinge nveis prximos saturao da

    ribulose-difosfato carboxilase (RubisCO).

    Sabe-se que essa enzima apresenta grande afinidade por O2,

    desenvolvendo, quando em presena de O2, a funo de Ribulose-difosfato

    oxigenase, processo esse relacionado inibio da fotossntese na presena de

    O2 e ao fenmeno de fotorrespirao em plantas C3 (YEOH et al., 1980).

    Portanto, o aumento j citado na concentrao de CO2, ocorrido nas

    plantas do tipo C4 impede a ocorrncia da fotorrespirao nessas plantas, tendo

    como resultado, maior taxa de fotossntese que nas plantas C3 (MACHADO,

    1988).

    Zelich (1979), citado por MACHADO (1988), considera que as perdas

    decorrentes da fotorrespirao, observadas nas plantas do tipo C3, acarretam

    diminuio entre 20 e 70% da fotossntese.

  • No Quadro 1 encontram-se enumeradas alguns aspectos diferenciais entre

    espcies dos tipos C3 e C4.

    QUADRO 1. Algumas caractersticas de plantas C3 e C4.

    Mecanismo fotossinttico PARMETROS C3 C4

    Taxa mxima de fotossntese

    (mg CO2/dm2 de folha)

    15 a 39 40 a 80

    Temperatura do dia

    Variao tima para fixao de CO2

    15 a 30 C 35 a 45 C

    Taxa de crescimento mxima

    (g MS/m2.dia)

    34 a 39 51 a 54

    Produo de MS

    (t/ha.ano)

    45 85

    Taxa de transpirao

    (g H2O/g MS produzida)

    490 - 950 250 350

    Inibio da fotossntese pelo

    O2 (2% O2 versus 21% O2)

    35 a 40 % < 5%

    Eficincia no uso do N

    Kg MS/kg N

    34 74

    FONTE: adaptado de MAGALHES (1985)

    De maneira geral, as plantas C4 apresentam-se mais eficientes que

    aquelas do grupo C3 quando submetidas a condies ambientais limitantes como,

    por exemplo, dficit hdrico ou temperaturas elevadas. Isso decorre da alta

    afinidade da enzima PEP-carboxilase pelo CO2, onde as clulas tm capacidade

    de assimilar o CO2 com bastante eficincia , ao mesmo tempo que restringem a

  • perda de gua atravs da transpirao , fechando seus estmatos (MAGALHES,

    1985).

    Como exemplo de espcies de plantas do grup

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