manejo de macro e micronutrientes para alta produtividade da soja

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  • INFORMAES AGRONMICAS N 90 JUNHO/2000 1

    ENCARTE TCNICO

    1 Departamento de Solos e Nutrio de Plantas, ESALQ/USP. Caixa Postal 09

    - CEP 13418-900 Piracicaba-SP. E-mail: gcvitti@carpa.ciagri.usp.br

    Godofredo Cesar Vitti1

    William Trevisan1

    MANEJO DE MACRO E MICRONUTRIENTESPARA ALTA PRODUTIVIDADE DA SOJA

    1. INTRODUO

    A rea estimada de soja a sercolhida na presente safrateve aumento de 2,70% emrelao safra anterior, passando de13.011.341 para 13.362.014 ha, tendo aproduo total revelado aumento de 2,43%,ou seja, de 30.904.233 para 31.654.981 tde gros, enquanto o rendimento mdioapresenta queda de 0,25%, ou seja, de2.375 kg ha-1 obtido na safra 1998/99 paraum valor esperado de 2.369 kg ha-1 na sa-fra 1999/00 (IBGE, 2000).

    A cultura da soja representa a maiorrea cultivada, superando as tradicionaisculturas de milho e cana-de-acar, respec-tivamente com 8.781.515 e 4.251.919 ha, bem como o maior con-sumo de fertilizantes, ou seja, 3.819.000 contra 2.712.000 (mi-lho) e 2.398.000 t (cana-de-acar). O custo de 1 t de fertilizanteequivale a aproximadamente 20,7 sc de 60 kg de soja.

    Analisando a produtividade mdia do Brasil, ou seja, apro-ximadamente 40 sc/ha, observa-se que a mesma ainda est muitoaqum do potencial de produo atingido pela pesquisa e por bonsprodutores. Dentre os fatores de produtividade, o manejo qumicodo solo associado a fatores climticos ainda o que mais limita aprodutividade dessa cultura.

    2. CONCEITO DE ADUBAO

    Em termos prticos, a adubao pode ser definida pela se-guinte expresso matemtica:

    Adubao = (planta - solo) x f

    Ou seja, necessrio dimensionar trs fatores bsicos:

    a) Nutrio da planta, quanto a: Elementos exigidos, Quantidades necessrias, poca e local para o fornecimento dos nutrientes.

    b) Avaliao da fertilidade do solo,utilizando-se principalmente dadiagnose visual, diagnose foliar, histri-co e anlise do solo;

    c) Uso eficiente do fertilizante (f), oqual funo do sistema de plantio (diretoou convencional), prticas conservacio-nistas, fontes de aplicao e parcelamentodos nutrientes e condies edafoclimticas.

    Em funo do conhecimento dessesfatores estabelecido o manejo qumico dosolo, iniciando-se por prticas corretivasseguidas de prticas de manuteno, como:

    correo do solo; condicionamento do subsolo; adubao corretiva de P

    2O

    5 e de K

    2O;

    adubao de manuteno de P2O

    5, K

    2O e S;

    fornecimento de micronutrientes; prticas que permitam a mxima eficincia da fixao

    simbitica do N2 atmosfrico.

    3. NUTRIO DA SOJA

    Alm dos macronutrientes orgnicos (C, H, O) fornecidospela atmosfera (O

    2, CO

    2 e H

    2O), a soja necessita de nutrientes

    fornecidos pelo solo: P, K, Ca, Mg, S, B, Cl, Cu, Fe, Mn, Mo, Coe Zn e, no caso do N, parte pelo solo e parte pela atmosfera. Dessalista de nutrientes minerais, comprovadamente a soja necessita dofornecimento dos seguintes nutrientes:

    N (fixao simbitica, manejo da matria orgnica), P, K, Ca, Mg, S, B, Cu, Mn, Zn, Mo e Co (fertilizao

    mineral).Em termos quantitativos, as quantidades de nutrientes ab-

    sorvida e exportada nos gros pela cultura da soja, em cada tone-lada de gros produzida, esto expressas na Tabela 1.

    Analisando os dados dessa Tabela observa-se que o N e o Kso os nutrientes mais extrados pela soja, sendo que, no caso doN, parte fornecida pelo solo (25 a 35%) e parte pela fixaosimbitica do N

    2 atmosfrico (65 a 85%) (BORKERT et al., 1994).

    Embora dentre os trs macronutrientes primrios o P seja o menosextrado, normalmente o nutriente utilizado em maior quantida-de, seja pelo baixo teor no solo, seja pela sua dinmica nos solostropicais (fixao).

    ... o N e o K so os nutrientes maisextrados pela soja, sendo que, no

    caso do N, parte fornecida pelo solo(25 a 35%) e parte pela

    fixao simbitica do N2 atmosfrico(65 a 85%). Embora dentre os trsmacronutrientes primrios o P seja o

    menos extrado, normalmente onutriente utilizado em maior

    quantidade, seja pelo baixo teor nosolo, seja pela sua dinmica nos

    solos tropicais (fixao).

  • 2 INFORMAES AGRONMICAS N 90 JUNHO/2000

    Quanto poca e modo de aplicao dos nutrientes, pode-se fornec-los atravs das seguintes prticas:

    a) Pr-plantio Ca e Mg: calagem Ca e S: gessagem P e K: fosfatagem e potassagem

    b) Sulco de plantio P

    2O

    5 e K

    2O: formulao

    B, Cu, Mn, Zn, Mo (opcional) e Co (opcional): formu-lao

    c) Cobertura K: em solos muito arenosos, 30 dias aps a emergn-

    cia Mn: via foliar no estdio V4 ou nos estdios V4 e R1

    d) Semente Mo e Co: na prtica da inoculao das sementes.

    4. AVALIAO DA FERTILIDADE DO SOLO

    As trs tcnicas normalmente utilizadas na avaliao dafertilidade de um solo so: diagnose visual, diagnose foliar e an-lise qumica do solo.

    4.1. Diagnose visual

    A tcnica da diagnose visual baseia-se no princpio de quetodas as plantas necessitam dos mesmos nutrientes, e se houverdeficincias no solo elas apresentaro sintomas semelhantes (alte-raes morfolgicas oriundas de alteraes fisiolgicas). Os sinto-mas de deficincia ou de toxidez so caractersticos para cada ele-mento, levando-se em considerao sua funo e mobilidade naplanta. Assim, os elementos mveis (macronutrientes primriosN, P, K e o macronutriente secundrio Mg) provocam inicialmen-te sintomas nas partes mais velhas da planta, enquanto os parcial-mente mveis e imveis (macronutrientes secundrios Ca e S emicronutrientes) inicialmente provocam sintomas nas partes no-vas da planta. Para a caracterizao do sintoma de deficincia oude toxidez de um elemento o mesmo deve ocorrer de modo gene-ralizado e apresentar gradiente e simetria na planta, para se di-ferenciar de outras anomalias, como, por exemplo, as ocasionadaspor pragas, doenas, clima, etc., embora a fitotoxidez causada prin-cipalmente por herbicidas ps-emergentes como, por exemplo,Cobra, Volt, Shogum e Chart, tem provocado sintomas semelhan-tes aos da deficincia de boro, isto , folhas mais novas coriceas eenrugadas. Assim, quando do uso dessa tcnica, importante co-nhecer o histrico da cultura em relao ao manejo do mato.

    4.2. Diagnose foliar

    A principal vantagem da tcnica da diagnose foliar em re-lao da diagnose visual que esta permite diagnosticar o pro-blema antes que se manifeste o sintoma, isto , permite identificara fome oculta do elemento. Para avaliao do estado nutricionalpela tcnica da diagnose foliar, AMBROSANO et al. (1996) reco-mendam que seja coletada a 3 folha com pecolo de 30 plantas noincio do florescimento, enquanto a EMBRAPA (1996) recomen-da que sejam coletadas folhas recm-maduras com pecolo, cor-respondente s 3 e 4 folhas trifolioladas a partir da haste princi-pal, no perodo entre o incio da florao e o pleno florescimento.Na Tabela 2 so apresentados os teores de nutrientes consideradosadequados por esses autores, e tambm os encontrados porORLANDO MARTINS e pela Fundao MS em soja com produ-tividade de cerca de 60 sacas/ha.

    Analisando os dados da Tabela 2 e comparando-se os da-dos da pesquisa com os obtidos em solos com alta produtividade,

    Parte da planta

    Tabela 1. Exigncias nutricionais para a produo de 1 t de gros desoja (EMBRAPA, 1993).

    Macronutrientes (kg)

    N P K Ca Mg S

    Gros 51 5,0 17,0 3,0 2,0 5,4

    Restos culturais1

    31 2,5 7,5 9,2 4,7 10

    Micronutrientes (g)

    B Cu Fe Mn Mo Zn Cl

    Gros 2,0 10 70 30 5 40 237

    Restos culturais - - - - 2 - 231 Folhas, pecolos e caules que so restitudos ao solo.

    Tabela 2. Faixa adequada de nutrientes para soja, segundo a pesquisa, e teores encontrados em culturas com produtividade de 60 sc/ha.

    ORLANDO CARLOS MARTINS1 FUNDAO MS

    2

    64,5 sc ha-1 > 60 sc ha-1

    - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - g kg-1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -- -

    N 40-54 40,1-55,0 45,0 43,0P 2,5-5,0 2,6-5,0 2,4 3,4K 17-25 17,1-25,0 18,4 21,3Ca 4-20 3,6-20,0 7,9 9,4Mg 3-10 2,6-10,0 3,4 3,2S 2,1-4,0 2,1-4,0 2,3 2,4

    - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - mg kg-1 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -B 21-55 21-51 44 64

    Cu 10-30 10-40 10 8Fe 50-350 51-350 128 155Mn 20-100 21-100 62 71Mo 1,0-5,0 1,0-5,0 - -Zn 20-50 21-50 45 51

    1 Informao pessoal.

    2 Informao pessoal de Dirceu Luiz Broch.

    Nutrientes AMBROSANO et al. (1996) EMBRAPA (1996)

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    observa-se que o elemento cobre (Cu) o que apresenta maisdiscordncia, ou seja, os valores normalmente encontrados em la-vouras com alta produtividade so menores que aqueles encontra-dos pela pesquisa, com mdia ao redor de 10 mg kg-1. Esses valo-res tambm esto de acordo com os encontrados por VITTI &LUZ (2000), observados campo na safra 1999/00 em uma sriede cultivares no Tringulo Mineiro, conforme dados apresentadosna Tabela 3.

    4.3. Anlise de solo

    Os dados de interpretao de anlise de solo utilizados porvrias instituies de pesquisa em diversas regies do pas estodescritos a seguir.