manejo de abelhas nativas sem ferr£o na amaz´nia central

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  • MANEJO DE ABELHAS NATIVAS SEM FERRO NA AMAZNIA CENTRAL

    Experincias nas Reservas de Desenvolvimento Sustentvel Aman e Mamirau

  • MANEJO DE ABELHAS NATIVAS SEM FERRO NA AMAZNIA CENTRAL

    Experincias nas Reservas de Desenvolvimento Sustentvel Aman e Mamirau

  • Governo do Brasil

    Presidente da RepblicaDilma Vana Russeff

    Ministro da Cincia, Tecnologia e InovaoCelso Pansera

    Instituto de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau

    Diretor GeralHelder Lima de Queiroz

    Diretora AdministrativaSelma Santos de Freitas

    Diretor Tcnico-Cientfico Joo Valsecchi do Amaral

    Diretora de Manejo e DesenvolvimentoIsabel Soares de Sousa

  • Jacson Rodrigues da SilvaCarlos Alexandre Demeterco

    Paula de Carvalho Machado AraujoAngela May Steward

    Fernanda Maria de Freitas Viana

    TEF, AMIDSM 2015

    MANEJO DE ABELHAS NATIVAS SEM FERRO NA AMAZNIA CENTRAL

    Experincias nas Reservas de Desenvolvimento Sustentvel Aman e Mamirau

  • MANEJO DE ABELHAS NATIVAS SEM FERRO NA AMAZNIA CENTRALExperincias nas Reservas de Desenvolvimento Sustentvel Aman e Mamirau

    Ficha Tcnica

    Elaborao: Jacson Rodrigues da Silva, Carlos Alexandre Demeterco,

    Paula de Carvalho Machado Araujo, Angela May Steward e Fernanda Maria de Freitas Viana

    Edio: Amanda Lelis

    Reviso: Emmi Gadelha Esashika Ramires

    Projeto Grfico: W5 Criao e Design

    Ilustrao: Jos Augusto Celestino de Oliveira

    Ficha catalogrfica: Graciete Rolim (Bibliotecria CRB-2/1100)

    Manejo de abelhas nativas sem ferro na Amaznia Central: experincias nas Reservas de Desenvolvimento Sustentvel Aman e Mamirau / Jacson Rodrigues da Silva; Carlos Alexandre Demeterco; Paula de Carvalho Machado Araujo; Angela May Steward; Fernanda Maria de Freitas Viana (Autores); Jos Augusto Celestino de Oliveira (Ilustrador). Tef, AM: IDSM, 2015.

    24 p., il., color.

    ISBN: 978-85-88758-50-6

    1. Abelhas sem ferro - Manejo. 2. Abelhas nativas Amaznia central. 3. Reserva de Desenvolvimento Sustentvel Aman Amazonas. 4. Reserva de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau Amazonas. I. Instituto de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau IDSM.

    CDD 638.12

  • A agricultura, a pesca, a caa e o extrativismo so prticas muito comuns dos moradores das Reservas de Desenvolvimento Sustentvel

    Mamirau e Aman, no Amazonas. No momento de escolherem uma rea para fazer a roa, na maioria das vezes, os agricultores deixavam

    de observar a presena de ninhos de abelhas (as abelheiras) nas rvores que eram derrubadas para o plantio, e no havia retirada e nem

    aproveitamento dos ninhos. Desta forma, muitos ninhos de abelhas foram destrudos, sem que fosse realizado o manejo adequado.

    Para incentivar o aproveitamento dos ninhos, a partir das experincias trocadas entre profissionais do Instituto de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau e produtores envolvidos na criao de

    abelhas nativas sem ferro na Amaznia Central, compartilhamos as informaes desta cartilha.

    Os objetivos so incentivar o manejo e o aproveitamento dos ninhos de abelhas nativas sem ferro; e fortalecer as prticas dessa atividade que

    se apresenta como mais um elemento de diversificao da produo rural e que contribui para a conservao dos ambientes agrcola e

    natural. Visa ainda apoiar os agentes envolvidos no manejo de abelhas nativas sem ferro e outros grupos que possam se interessar pela

    atividade, por meio de procedimentos simples e prticos.

    A elaborao desta cartilha fruto de um trabalho que, desde 2009, envolve a estratgia de manejo de um recurso natural, por meio de

    oficinas, assessoria tcnica contnua e experimentaes. Todo o manejo das abelhas realizado com famlias moradoras das reas das Reservas

    de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau e Aman e seu entorno.

    Boa leItura!

    Apresentao

  • 8 Manejo De Abelhas Nativas Sem Ferro Na Amaznia Central

    > A polinizao

    O plen um "p" amarelo alaranjado que podemos observar na maioria das flores. a partir dele que muitas plantas con-seguem se reproduzir e produzir frutos. Muitos animais como os insetos, aves e morcegos, se alimentam do nctar ou co-letam plen, realizando visitas diariamen-te a muitas flores. Essas visitas promovem a polinizao, que a forma de reprodu-o de diversas espcies de plantas. As abelhas tambm realizam visitas de flor em flor, sendo um trabalho realizado com bastante eficincia por esses insetos.

    A reproduo das plantas est diretamen-te ligada s visitas das abelhas s suas flo-res, quando acontece a polinizao. Dessa forma, elas se tornam alguns dos princi-pais agentes polinizadores, exercendo uma funo importante na gerao de frutos na floresta e nos stios, como, por exemplo: aa, cupua, castanhas, mara-cuj, jambo, coco, melancia, laranja, ara-

    , camu-camu e vrias outras plantas da agricultura. Isto demonstra que a preser-vao das abelhas traz muitos benefcios para a natureza e para o homem tambm.

    Os servios das abelhas para o ambiente

    Introduo

    1 Diversidade, funo e importncia das Abelhas Nativas Sem Ferro

    As abelhas

    No mundo todo existem cerca de 20 mil espcies de abelhas, sendo que 400 destas espcies so abelhas sem ferro, tambm chamadas de Meliponneos. Somente na Amaznia brasileira so conhecidas aproximadamente 130 espcies de abelhas sem ferro. Um estudo realizado pelo Instituto Mamirau, nas Reservas de Desenvolvimento Sustentvel Aman e Mamirau, identificou 33 espcies de abelhas nativas sem ferro. Algumas delas so conhecidas pela populao local como: jandara-preta, jandara-amarela, uru-boca-de-renda, uru-preta, uru-amarela, uru-boi e diversos outros nomes.

  • 9Instituto de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau

    2 Diviso social das Abelhas na colmeia

    As abelhas nativas sem ferro so insetos que vivem em colnias, nas quais se dividem por funes:

    > Operrias: responsveis pela coleta de plen, nctar e gua; tambm so responsveis pela construo e reparos do ninho, entre outras funes. So todas fmeas, mas no se reproduzem, e fazem quase todas as atividades da colmeia. So elas tambm que produzem o mel.

    > Zanges: so os machos, que s esto presentes nos ninhos em algumas pocas do ano, e em poucos indiv-

    duos. Tm a funo reprodutiva de fecundar a rainha e, aps esse ato, os zanges morrem e os outros so expulsos da colmeia.

    > Rainha: a nica abelha que ir gerar

    novos indivduos, sendo responsvel, portanto, pela manuteno reprodutiva da colmeia, produzindo ovos constan-temente. Diferencia-se tambm visi-velmente porque apresenta o abdmen maior que o das operrias.

    3 Como diferenciar as Abelhas Sem Ferro das Abelhas-Caba

    > As abelhas sem ferro so assim conhecidas por possurem ferro no desenvolvido, ou seja, ferro muito pequeno, incapaz de ferroar. Existem muitas espcies de abelhas sem ferro, e cada uma delas constri a entrada de seus ninhos de maneira diferente, sendo comum construrem as entradas de seus ninhos em forma de canudos. Essa uma das caractersticas que podemos observar nas diferentes abelhas sem ferro.

    > As abelhas com ferro so conhecidas, em outros lugares do Brasil, como abelha europeia ou abelha africana (Apis mellifera). Na regio em que nos encontramos, no Mdio Solimes, so conhecidas como abelhas caba.

    A sua principal diferena a presena de ferro, alm do comportamento agressivo, caracterizado pela defesa da colmeia por meio de ferroadas. As entradas dos ninhos dessas abelhas no so em forma de canudos. So apenas buraquinhos, onde, normalmente, elas ficam em grande nmero.

  • 10 Manejo De Abelhas Nativas Sem Ferro Na Amaznia Central

    4 Os tipos de manejo observados

    Nas reas que hoje so as Reservas Mamirau e Aman, a populao ribeirinha, para realizar a extrao do mel das abelheiras, derrubava a rvore e retirava o mel diretamente do tronco ou do galho das rvores, sem transferir as abelhas, e por isso as colnias acabavam sendo perdidas. Essa prtica ficou conhecida como extrao oportunista o que ocorria, na maioria das vezes, quando encontravam colmeias no processo de fazer roa. A partir de 2009, com a disseminao das prticas de manejo, essa realidade vem mudando gradativamente.

    De maneira geral, podemos observar dois tipos de manejo na regio:

    > Manejo tradicional: caracterizado como as prticas de extrativismo de mel, realizadas diretamente no tronco com o ninho das abelhas jandaras,

    quando encontrado na mata. As pessoas trazem o tronco ou galho da rvore com o ninho das abelhas, para mant-lo perto de suas casas, chamado de cortio e, a partir deste tronco, retiram o mel, aprendendo a conviver com as abelhas.

  • 11Instituto de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau

    > Manejo orientado: vem sendo definido a partir das prticas geradas por trocas de experincias e aprendizados nas ofi-cinas, cursos e assessoria tcnica cont-nua, realizado pela equipe do Programa de Manejo de Agroecossistemas, do

    Instituto Mamirau, que deram supor-te ao manejo. Tais aes possibilitaram que as pessoas criassem as abelhas em caixas-colmeias, facilitando a retirada do mel, do plen e a prtica de diviso das colmeias.

    Atualmente, o manejo das abelhas nativas sem ferro fortalecido por meio da troca de informaes entre os profissionais (tcnicos e pesquisadores) e criadores, que contribuem com seu conhecimento local. Na regio do Mdio Solimes, o Instituto de Desenvolvimento Sustentvel Mamirau tem feito o papel de assessorar iniciativas de manejo. Outro potencial desse manejo fortalecer a participao dos moradores, dando oportunidade ao envolvimento de toda a famlia.

    Com as informaes de manejo comparti-lhadas possvel observar uma mudana positiva nas percepes das famlias sobre as abelhas

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