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DEPARTAMENTO DE FSICA

MAGNETISMO DE TINTAS RUPESTRES

Romeu Motta Carvalho 1,

Paulo Costa Ribeiro 2.

1 Aluno de Graduao do curso de Desenho Industrial da PUC-Rio. 2 Professor titular do Departamento de Fsica da PUC-Rio

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SUMRIO

1. INTRODUO ..................................................................................................................3

2. OBJETIVOS ......................................................................................................................3

3. METODOLOGIA...............................................................................................................3

4. CONCLUSES..................................................................................................................4

AGRADECIMENTOS...........................................................................................................5

REFERNCIAS.....................................................................................................................5

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1. INTRODUO

H, atualmente, vrios meios de se conseguir uma datao precisa e confivel dessas obras, porm, todas elas apresentam certo grau de avaria ao material que, como patrimnio histrico e passvel de trazer informaes relevantes da nossa histria, deveria ser mantido intacto, evitando maiores danos que os causados pelo prprio tempo e, em alguns casos, por depredadores inconseqentes.

Uma das formas utilizadas para a datao de obras rupestres faz uso do magnetismo, atravs da magnetizao remanente em suas tintas. este caminho que procuramos seguir. 2. OBJETIVOS

Nossa pesquisa objetiva um mtodo prtico e seguro de obtermos dataes de pinturas rupestres, in loco, de maneira que possam ser preservadas as caractersticas originais do material analisado. 3. METODOLOGIA

No mtodo atualmente em uso, retira-se um fragmento da pintura, o qual encaminhado a um laboratrio, para ser analisado por um aparelho de alta sensibilidade ao campo magntico, o SQUID. Tal mtodo, embora eficiente em sua anlise, mostra-se imprprio, em se tratando de obras de suma importncia histrica, pois danifica o material.

Tendo como principal meta a preservao arqueolgica, utilizamos em nossos testes o Fluxgate. Por ser um aparelho porttil, podendo ser levado para a medio do campo magntico no local original da pea, no h a necessidade de retirada de qualquer fragmento, garantindo assim a integridade da mesma. Nossos primeiros testes comprovaram que a magnetizao gravada coerente com o campo magntico contemporneo ao momento de confeco da amostra, a qual foi realizada em local distante do local de anlise, com campo diferente deste.

Aps a confirmao desta remanncia, decidimos utilizar o mesmo material usado pelos autores destas obras rupestres, ou seja, terra e fragmentos de pedras. Confeccionamos mostras de pinturas: a primeira, com terras e fragmentos de pedras puros; a segunda, utilizando gua como liga (como muitas dessas pinturas foram feitas, haja vista as tintas indgenas); e a terceira, utilizando clara de ovo como liga, como alguns pintores renascentistas, que fabricavam suas prprias tintas.

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4. CONCLUSES A intensidade do campo magntico averiguado foi crescente, da primeira para a terceira, pois, com a melhora das ligas, mais matria foi fixada. Porm, mesmo com esse aumento de intensidade, a intensidade absoluta mostrou-se baixa demais nos primeiros testes, pois, aparentemente, o campo no foi fixado. O campo mostrava-se orientado segundo o campo local, e no no sentido do campo no momento de sua confeco. Porm, acreditando nos mtodos aplicados, continuamos as experincias. Deixamos de fazer as amostras sobre base de papel (Papel Paran) e passamos a utilizar uma base cermica (um azulejo). Os resultados apresentados foram similares aos j obtidos com a base de papel: a orientao do campo magntico orientou-se segundo o campo local. Em uma nova tentativa, mudamos pela segunda vez a base para a confeco das amostras. Passamos a utilizar uma base plstica. Esta possui, em seu centro, um rebaixo onde se depositam os materiais a serem analisados. Com essa nova base, o campo magntico averiguado na anlise da amostra mostrou-se condizente com o campo aferido quando da confeco da amostra, e no mais com o campo magntico do meio onde era feita a anlise. Aps as seguidas provas e contraprovas, os resultados se mantiveram, dentro de uma variao padro. Ao ser girada a amostra, o campo magntico averiguado seguiu a orientao da mesma, comprovando a remanncia magntica.

Esses resultados comprovam a possibilidade de determinao da poca em que foram

feitas as pinturas rupestres a partir de anlises magnticas, uma vez que, como comprovado, as obras mantm a orientao do campo magntico existente na sua confeco. Como o campo magntico terrestre possui um perodo de inverso polar de 200 mil anos, torna-se possvel datar as pinturas atravs desse mtodo.

Comprovou-se a possibilidade de datao atravs desse mtodo, com o fluxgate, pois

o campo fica gravado. Porm, nosso objetivo a no retirada de fragmentos, portanto, no poderamos usar a base plstica.

Aps a comprovao da possibilidade, comeamos a utilizar pedras como base, como

nas matrias originais de nossas anlises. Novamente os resultados com a liga de ovo se mostraram mais animadores.

Anlises das pinturas feitas com liga de ovo sobre pedra e expostas ao tempo Ainda no comprovamos a utilizao de alguma liga nas pinturas rupestres, mas a

durabilidade dessas pinturas expostas ao ar livre nos levam a acreditar no uso de algum tipo

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de liga, pois somente com os fragmentos de pedra e p de terra, as pinturas seriam facilmente apagadas pelas chuvas. Para averiguar essa suspeita, fizemos testes em pedras, com e sem liga, e as deixamos expostas ao tempo. Aps algumas semanas, as pinturas sem liga estavam quase totalmente apagadas, ao passo que as que pinturas que continham liga de ovo mantiveram grande parte de seus pigmentos, garantindo a legibilidade. AGRADECIMENTOS Agradeo a Fernando Cardoso, a quem substitu nesse maravilhoso projeto, que, sendo muito amigo e gentil, passou-me todo seu conhecimento no assunto, colocando-me a par de toda a pesquisa. Agradeo a Hlio Ricardo Carvalho, tcnico em fsica da PUC-Rio, sem o qual muitas das indagaes por mim feitas estariam sem respostas. Agradeo a Paulo Costa Ribeiro, por acreditar em mim e confiar-me uma pesquisa de tamanha importncia tanto para o meio fsico, quanto para os meios histrico e artstico. Agradeo a Andr Prous por nos fornecer o material necessrio para as anlises e por estar sempre disposto a nos prestar esclarecimentos acerca da pesquisa. Agradeo tambm Tnia Andrade, por nos apresentar Andr Prous.

REFERNCIAS RIBEIRO, P.C.; CARVALHO, H.R.; CARDOSO, F.; PROUS, A.; BARROS, H. L.;

ACOSTA-AVALOS, D. Arqueomagnetismo aplicado ao estudo das pinturas rupestres da

Serra do Cip MG: resultados preliminares P. 57 71. 2007.