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  • Unio dos Escoteiros do Brasil Diretoria de Mtodos Educativos Equipe Nacional de Gesto de Adultos

    Mdulo de Aperfeioamento de Topografia e Orientao

  • UNIDADE DIDTICA 1: ESPACIALIDADE

    O CAMINHO DE CASA

    Como fazemos para chegar nossa casa? Como sabemos o ponto do nibus onde

    devemos descer, em que rua entrar direita, em que porta entrar? Se cairmos de

    paraquedas, de olhos vendados, num certo lugar, como saberemos, ao tirar a venda, que

    estamos na Praa Sete de Setembro, em Belo Horizonte?

    As respostas so vrias: o 2 ponto depois da Praa Tiradentes, em frente

    padaria do Joaquim, O paraquedas ficou enganchado no Pirulito e eu estou

    dependurado de frente para o Edifcio Jlia Nunes Guerra... Todos esses elementos so

    pontos de referncia. Com base neles, podemos saber onde estamos, para onde vamos,

    se estamos no caminho certo.

    Fazendo estas coisas, estamos, inconscientemente, praticando orientao e

    navegao. Orientar-se determinar com preciso onde se est e, a partir da, para onde

    se quer ir e qual o melhor caminho. Navegar deslocar-se orientadamente, ou seja,

    caminhar sabendo com preciso onde se est e se o deslocamento se mantm na direo

    desejada.

    Termos ligados navegao esto muito presentes na linguagem cotidiana. Uma

    pessoa desnorteada est desarvorada, sem saber o que fazer, sem objetivos (est sem o

    norte). Um desorientado tambm no sabe para onde ir, quais as suas prioridades, o que

    pode ou no fazer (est sem o oriente). Orientar algum indicar-lhe aes a executar,

    rumos a tomar, atitudes a assumir, dar-lhe referenciais. Como podemos ver, estes termos

    referem-se ao norte, para onde uma extremidade da bssola aponta e que tomado

    como direo-base; e ao oriente, de onde surge o sol e que nos serve tambm como

    direo de referncia ou ponto cardeal. Na antiga China, a direo-base era o sul

    (simplesmente a outra ponta da agulha magntica), mas a hegemonia das naes

    ocidentais do Hemisfrio Norte se imps s convenes cartogrficas e navegao. E o

    oriente tomado como referncia, mais do que o ocidente, por ser a direo por onde o

  • sol aparece, tornando as coisas visveis para permitir saber onde se est e aonde se quer

    chegar.

    Situar-nos no espao uma competncia que, por milnios, esteve relacionada

    muito de perto nossa prpria capacidade de sobreviver. Perceber posies relativas

    (direita, esquerda, perto, longe, acima, abaixo, frente, atrs), alm de aplicar

    capacidade neural relativa ao nosso equilbrio, possibilitando-nos ficar de p, andar,

    correr, saltar, mudar de direo, era necessrio na identificao de ameaas e no

    direcionamento do golpe sobre a caa. Alm disso, sem orientao, como poderia nosso

    ancestral retornar sua habitao ou evitar colocar-se no meio do campo inimigo?

    A espacialidade, alm desses requisitos de sobrevivncia, identificando a posio

    do sol, das estrelas e dos objetos da superfcie da Terra, est presente na prtica da

    escrita (orientao da escrita/leitura, uso da superfcie de gravao), nos trabalhos de

    engenharia, e at na hierarquizao social (o lugar da maior autoridade, a precedncia

    nos eventos) e na identificao fisionmica, que, no fim das contas, a percepo de

    padres de distribuio dos elementos visveis no espao do rosto do indivduo. Segundo

    Howard Gardner, a espacialidade ocupa reas especficas do crebro e tem formas

    prprias de levantar, processar e solucionar problemas, constituindo uma inteligncia no

    mesmo patamar da lingstica, musical, cinestsica, lgico-matemtica, naturalista,

    intrapessoal ou interpessoal.

    Baden-Powell, em sua vida militar, deslocando-se em territrios semi-selvagens

    (ou mesmo selvagens) do Imprio Britnico, pde constatar que saber orientar-se, avaliar

    distncias e mapear uma rea podia fazer a diferena entre contar a histria ou virar

    refeio de abutre: para ir de uma localidade outra, para chegar a poos dgua, para

    evitar um local ocupado por foras hostis, para de algum lugar no veldt chegar a

    habitaes humanas... Por isso, fez questo de que a qualificao em topografia,

    orientao e navegao fizesse parte do treinamento dos Scouts do Exrcito, dos

    membros da South African Constabulary e pensando no futuro dos jovens como

    gestores do Imprio do Movimento Escoteiro, como bem se v no Escotismo para

    rapazes.

  • Percebendo, assim, a importncia da espacialidade, vamos estabelecer maior

    intimidade com problemas que a envolvam e seu processamento, comeando pelas

    formas de representao do espao.

  • UNIDADE DIDTICA 2: CONCEITOS

    SMBOLOS: MEDIADORES DO CONHECIMENTO

    Ns, humanos, somos capazes de gerar conhecimento e transmitir esse

    conhecimento por meio de linguagens, uma das quais a dos smbolos. Os smbolos so

    convencionados, podendo assemelhar-se mais ou menos ao que representado. As

    formas de representao podem ser principalmente:

    Objetais: por objetos; uma estatueta da pessoa ou do animal-totem, ou um

    objeto ritual, como o cetro real ou o clice eucarstico;

    Pictricas: por meio de figuras, como pinturas rupestres, histrias em

    quadrinhos, cones, plantas baixas ou croquis;

    Sonoras: meios e cdigos de sinalizao (como o Morse), ou leitmotifs

    (tema musical associado a um personagem), ou toques instrumentais

    (vozes de comando por corneta, ou toques indicativos de autoridade); ou

    Grficas: letras e nmeros.

    Nossa ateno ter como foco principal as representaes pictricas e grficas,

    valendo-nos particularmente dos mapas. Vejamos, ento, alguns conceitos bsicos.

    MAPA: a representao de uma srie de dados. Um mapa administrativo, por

    exemplo, consiste em uma tabela (planilha) quantificada pode-se citar um mapa de

    controle de estoques; ou ento um mapa de processo, no qual se apresentam as vrias

    etapas de um processo (este pode tambm ser representado pictoricamente por um

    fluxograma). No entanto, a ideia mais comum de mapa refere-se a ele como

    representao pictrica (por figuras) de uma rea geogrfica, de acordo com o aspecto

    que se queira destacar: diviso poltico-administrativa, densidade populacional, nichos

    ecolgicos, atividade econmica, minerais existentes no terreno, tipo de rocha, ruas e

    atraes tursticas (caso dos mapas urbanos e tursticos, que geralmente no mostram as

    variaes do terreno), rodovias e estradas vicinais (mapas rodovirios, que tambm

    geralmente no mostram as elevaes e vales)... Sendo que essa figura procurar

    reproduzir as propores entre as reas que retrata, num tamanho manusevel pelo seu

  • intrprete e valendo-se de smbolos convencionados para, isoladamente ou combinados,

    informar o que existe naquela poro da Terra. Por se tratar de uma projeo plana e em

    escala, sempre ser uma simplificao da realidade, com certo grau de inexatido. A

    linguagem pela qual os mapas geogrficos falam conosco a cartografia. Graas a

    sinais padronizados, transmitem-se consistentemente informaes sobre certa poro da

    Terra e os movimentos ou aes a serem feitas sobre ela (caso, por exemplo, das ordens

    de operaes militares, indicando na carta a localizao de foras amigas e inimigas,

    objetivos, eixos de progresso, rotas de apoio areo ou de evacuao, etc.).

    Mapa geomorfolgico

  • Mapa populacional

    CARTA TOPOGRFICA: tipo especial de mapa que d mais nfase ao aspecto

    morfolgico do terreno, ou seja, a forma como o terreno se apresenta, com os seus

    acidentes naturais e artificiais (elevaes, depresses, cursos dgua, edificaes,

    estradas, por meio de sinais convencionais), de forma mensurvel, mostrando as posies

    horizontais e verticais (indicadas pelas curvas de nvel).

    CARTA PLANIMTRICA: representa apenas a dimenso horizontal do terreno,

    omitindo os dados de relevo. O principal exemplo o mapa urbano, que indica as ruas e

    suas posies relativas, mas no se um vale ou uma elevao ngreme. Um mapa

    urbano, rodovirio ou turstico (planimtricos) usualmente omitir sinais convencionais

    cartogrficos, preferindo apresentar pictogramas (um pneu para indicar uma borracharia,

    um avio para indicar um aerdromo, uma chave de boca para indicar uma oficina) e

    ideogramas (a logomarca da rede de postos de combustvel ao lado do pictograma da

    bomba), no necessariamente proporcionais rea representada na carta. Mapas

    planimtricos podero, ou no, observar uma escala precisa, assim como reproduzir

    fielmente o traado das ruas/estradas, ou ser apresentados de maneira esquemtica

    simplificada (por exemplo, um mapa da rota rodoviria de So Paulo ao Rio de Janeiro

    pode ser apresentado em uma pgina como uma reta, tendo escritas as distncias e

    posicionados smbolos indicando as principais cidades margem da rodovia). Um smbolo

  • pode ser apresentado com tamanhos ou cores diferentes indicando o porte, capacidade

    ou importncia daquilo que est representado.

    Mapa planimtrico urbano

    CARTA FOTOGRFICA: reproduo de uma fotografia area que se completou com

    uma quadriculao arbitrria, insero de dados marginais, nomes de localidades,

    numerao de estradas, elevaes importantes, limites, escala e orientao aproximada.

    CARTA EM RELEVO OU COROGRFICA: reproduz as diferenas de nvel por meio de

    nuanas de cor e sombramento. Usualmente feitas em escalas menores (1:100.000 e

    menores), representam mais regies do que localidades; sua preciso costuma ser

    menor, retendo apenas as curvas de nvel mais significativas

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