luta quilombola pela terra - .em 1798, salvador foi palco da conjuração baiana, ... condições

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Luta quilombolapela terraCONQUISTAS E MARCOS HISTRICOS NO BRASIL

ANTES DODESCOBRIMENTOA histria do Brasil no comeou em 1500. Antes da chegada dos colonizadores, o pas j era habitado por milhes de indgenas que ocupavam quase todo o territrio que atualmente corresponde ao Brasil. Aps sculos de povoamento, com o incio do processo exploratrio de colonizao houveram muitos conflitos de disputa pelo territrio e contra a escravido, em que milhares de povos indgenas foram desmembrados. Com a chegada dos primeiros navios negreiros, mulheres e homens que aqui desembarcaram para executar o projeto de explorao europeia, reconheceram nos povos indgenas um plo de resistncia opresso e violncia colonizadora.

Permeando a histria de construo da sociedade brasileira, essa relao de solidariedade entre diferentes resistncias continuou ao longo dos anos e configurou oposio ao processo de dominao.

1530 PRIMEIRO NAVIO NEGREIRO CHEGA NO BRASIL

As primeiras pessoas escravizadas chegaram ao Brasil com a expedio de Martim Afonso de Souza em 1530, vindas da Guin. A partir da dcada de 1550, o comrcio negreiro intensificou-se, sendo oficializado em 1568 pelo governador-geral Salvador Correa de S.

16001695 SURGIMENTO DOS PRIMEIROS QUILOMBOSE PALMARES

Desde 1597, segundo uma carta do Padre Pero Lopes, provincial dos jesutas em Pernambuco, h referncias resistncia da populao negra. J em 1600, um grupo de mais ou menos 45 fugitivos refugia-se na Serra da Barriga (AL), onde abrigam-se nas florestas de Palmeiras, com terreno acidentado, o que tornava o acesso mais difcil. Entre o grupo estava Aqualtune, princesa africana, filha do rei do Congo, capturada aps a Batalha de Mbwila e comprada como escrava reprodutora na regio de Porto Calvo. Sua ascendncia foi reconhecida e ento ela assumiu o governo do territrio onde se estabeleceu a primeira aldeia do que seria o Quilombo de Palmares, que chegou a contar com nove aldeias: Macaco, Andalaquituche, Subupira, Dambrabanga, Zumbi, Tabocas, Arotirene, Aqualtune e Amaro. Ali, Aqualtunedeu a luz a dois filhos, Ganga Zumba e Ganga Zona, ambos guerreiros que tambm entraram para a histria, e uma filha, Sabina, que mais tarde foi me do lder Zumbi.

Ao longo de quase um sculo, o Quilombo dos Palmares enfrentou numerosas expedies militares enviadas pelo governo para domin-lo. Aps vrias tentativas de acordo, o governo recorreu ao bandeirante Domingos Jorge Velho, oferecendo-lhe armas, terras e dinheiro pelo resgate dos escravos que haviam fugido. A partir de ento teve incio o conflito que ficou conhecido como Guerra de Palmares, em que as foras do governo saram vitoriosas, com a destruio completa do Quilombo em 1695. Zumbi foi morto e degolado pelos bandeirantes, que enviaram a sua cabea at Recife como smbolo da vitria contra os quilombolas.

1536 CAPITANIAS HEREDITRIAS E INCIO DA LEI DAS SESMARIAS NO BRASIL

Dom Joo II estabeleceu o sistema de capitanias hereditrias, em que foram institudos 14 distritos, partilhados em 15 lotes e repartidos entre 12 donatrios, indivduos que receberam as terras como doao do governo portugus e em contrapartida tornaram-se pessoas de confiana da realeza portuguesa. A partir da instituio das capitanias foi inserido o sistema de sesmarias, que havia sido criado pelo rei portugus Dom Fernando I, em 1375, e integrava um conjunto de medidas adotadas pelo governante com o intuito de combater a crise de abastecimento por qual passava o reino, condicionando o direito terra a seu efetivo cultivo.A lei vigorou no Brasil at 1822.

1740 CONSELHO ULTRAMARINO DEFINE QUILOMBO

A definio de quilombo se encontra descrita em carta do rei de Portugal, de 2 de dezembro de 1740, onde os quilombos aparecem citados como toda habitao de negros fugidos que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que no tenham ranchos levantados nem se achem piles neles.

quilombo

LEI PRA

INGLS VER

17981838 REVOLTAS POPULARES: ALFAIATES, CABANOS, MALS E BALAIOS

Em 1798, Salvador foi palco da Conjurao Baiana, tambm conhecida como Revolta dos Alfaiates, movimento que contou com a participao de sapateiros, alfaiates, bordadores, pessoas escravizadas e forras com o objetivo de derrubar o governo colonial, proclamar a independncia e implantar uma Repblica democrtica, e avanavam na defesa do abolicionismo. No dia 25 de agosto todos os envolvidos na conspirao foram presos e em 8 de novembro de 1799 os soldados Lus Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas de Amorim Torres, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino dos Santos Lira e o mestre alfaiate Joo de Deus do Nascimento foram enforcados. Todos eles eram pardos, negros e filhos ou netos de escravos. Os rebeldes pertencentes elite, como Cipriano Barata, foram inocentados.

A independncia do Brasil no provocou mudanas na estrutura econmica nem modificou as pssimas condies em que vivia a maior parte da populao da regio Norte, formada por indgenas destribalizados ou aldeados, negros forros e pessoas escravizadas e mestios. Dispersos pelo interior e nos arredores de Belm, viviam marginalizados em condies miserveis, amontoados em cabanas beira dos rios e igaraps e nas inmeras ilhas do rio Amazonas. Essa populao, conhecida como cabanos, era usada como mo-de-obra pela economia da Provncia do Gro-Par. Em janeiro de 1835, dominaram Belm, executando o governador Lobo de Sousa e outras autoridades e a Revolta dos Cabanos, como ficou conhecida, resistiuat o ano seguinte migrando para cidades do interior.

No mesmo perodo, a cidade de Salvador foi palco de outra revolta popular que comeou com um grupo de cerca de 1500 pessoas negras islmicas que

1830 TRATADO DE COMRCIO ANGLO-BRASILEIRO PROBE O TRFICO NEGREIRO

Aps presso britnica aprovada, em 7 de novembro de 1831, a Lei Feij, que proibiu o trfico negreiro. Como a lei no funcionou na prtica, ficou conhecida como lei para ingls ver.

exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho (alfaiates, pequenos comerciantes, artesos e carpinteiros): a Revolta dos Mals. Entre 25 e 27 de janeiro de 1835, os muulmanos Manuel Calafate, Aprgio e Pai Incio lideraram uma conspirao com o objetivo de libertar seus companheiros islmicos. Conseguiram atacar o quartel que controlava a cidade mas, devido inferioridade numrica e de armamentos, acabaram massacrados pelas tropas da Guarda Nacional, pela polcia e por civis armados que estavam apavorados ante a possibilidade do sucesso da rebelio negra.

Trs anos mais tarde, em So Lus (MA), o vaqueiro Raimundo Gomes, conhecido como Cara Preta, passava pela Vila da Manga, levando uma boiada de seu patro para vender em outro local. Na ocasio, muitos dos homens que o acompanhavam foram recrutados e seu irmo aprisionado sob a acusao de assassinato. O recrutamento obrigatrio era uma das armas que o governo dispunha para controlar a populao, obrigados a qualquer momento a servir nas foras policiais ou militares. Raimundo invadiu a cadeia libertando no s seu irmo como os outros presos e, a partir da, teve incio a Revolta dos Mals. No desenrolar da revolta, os mals chegaram a tomar um dos quartis da cidade, mas foram cercados por foras imperiais e, apesar de resistirem alguns dias, a rebelio acabou com 7 mortos do lado das tropas imperiais e cerca de 70 do lado dos mals. Dos 281 rebeldes capturados e levados julgamento, os lderes foram condenados morte, enquanto outros receberam penas que variaram entre aoites, trabalhos forados ou foram mandados de volta para a frica.

Em 1839, a Revolta dos Balaios tomou a Vila de Caxias, a segunda cidade mais importante da Provncia do Maranho. Os rebeldes organizaram-se em um Conselho Militar, formaram uma Junta Provisria e uma delegao foi enviada capital maranhense para entregar ao presidente da provncia as propostas para a pacificao: anistia para os revoltosos, revogao da lei dos prefeitos, pagamento das foras rebeldes, expulso dos portugueses natos e diminuio de direitos aos naturalizados e instaurao de processo regular para os presos existentes nas cadeias. O movimento de revolta foi contido em 1841 e cerca de 12 mil sertanejos e pessoas escravizadas foram mortas nos combates.

1850 LEI DE TERRASENTRA EM VIGOR

A lei surgiu em um momento oportuno, quando o trfico negreiro passou a ser proibido em terras brasileiras. A atividade, que representava uma grande fonte de riqueza, teria de ser substituda por uma economia em que o potencial produtivo agrcola deveria ser mais bem explorado. Ao mesmo tempo, ela tambm responde ao projeto de incentivo imigrao que deveria ser financiado com a dinamizao da economia agrcola e regulariza o acesso a terra frente aos novos campesinos assalariados. As chamadas terras devolutas, que no tinham dono e no estavam sob os cuidados do Estado, poderiam ser obtidas somente por meio da compra junto ao governo. A Lei de Terras possibilitou a manuteno da concentrao de terras no Brasil, regulamentou a propriedade privada, principalmente na rea agrcola do pas, e tornou as terras um bem comercial, tirando delas o carter de status social derivado da simples posse.

18711885LEI DO VENTRE LIVREE DO SEXAGENRIO

O sistema escravista enfraqueceu-se ainda mais com a promulgao da Lei que garantiu a liberdade aos filhos de pessoas escravizadas. Mais de dez anos depois o movimento abolicionista avanaria com a promulgao da lei que libertava todas as pessoas escravizadas com mais de 60 anos de idade.

1888ABOLIO APROVADA SEM PREVER DIREITO TERRA

ltimo pas a abolir a escravido na Amrica,o Brasil aprova a extino desse sistema apsanos de presso internacional e de resistnciadas pessoas escravizadas. A vitria negracontra o regime de opresso no representoua completa superao da violncia histricasofrida, j que a abolio formal e inconclusada escravido perpetuou a dominao racial.

1931FORMAO DA FRENTENEGRA BRASILEIRA

Em 16 de set