[Luiz Costa] as Faces Do Jaguar

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<ul><li><p>Universidade Federal do Rio de Janeiro </p><p>Museu Nacional Programa de Ps-Graduao em Antropologia Social </p><p>Luiz Antonio Costa </p><p>As Faces do Jaguar. Parentesco, Histria e Mitologia Entre os Kanamari da Amaznia Ocidental </p><p>Rio de Janeiro 2007 </p></li><li><p>Luiz Antonio Costa </p><p>As Faces do Jaguar. Parentesco, Histria e Mitologia Entre os Kanamari da Amaznia Ocidental </p><p>Tese de Doutorado apresentada ao </p><p>Programa de Ps-Graduao em Antropologia Social do </p><p>Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro </p><p>Rio de Janeiro 2007 </p></li><li><p>As Faces do Jaguar. Parentesco, Histria e Mitologia entre os Kanamari da Amaznia </p><p>Ocidental </p><p> Luiz Antonio Costa </p><p>Tese submetida ao corpo docente do Programa de Ps-Graduao em Antropologia Social </p><p>do Museu Nacional (PPGAS/MN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), </p><p>como parte dos requisitos necessrios obteno do grau de Doutor. </p><p>Aprovada por: </p><p> - orientador Prof. Dr. Carlos Fausto </p><p>Profa. Dra. Aparecida Vilaa </p><p>Profa. Dra. Dominique Gallois </p><p>Prof. Dr. Eduardo Viveiros de Castro </p><p>Profa. Dra. Elsje Lagrou </p><p>Rio de Janeiro </p><p>2007 </p></li><li><p> Costa, Luiz Antonio. As Faces do Jaguar. Parentesco, histria e mitologia entre os Kanamari da Amaznia ocidental/Luiz Antonio Costa.Rio de Janeiro: UFRJ/MN/PPGAS, 2007. 439 p. 9 mapas Tese Universidade Federal do Rio de Janeiro, MN/PPGAS </p><p>1. Povos Indgenas do Brasil Parentesco, Histria, Mitologia 2. Kanamari-Katukina 3. Tese (Doutorado UFRJ/MN/PPGAS). I. Ttulo. </p></li><li><p>Para Poroya, </p><p>que previu a minha chegada em sonho. </p><p>Han paiko. Itanti inowa ankira nuk tyo. </p></li><li><p>No: the body has acquired life, it is the body that will acquire, with life, sensations and the </p><p>affections coming by sensation. Desire, then, will belong to the body, as the objects of </p><p>desire are to be enjoyed by the body. And fear, too, will belong to the body alone; for it is </p><p>the bodys doom to fail of its joys and to perish. </p><p>Plotinus, Eneads </p></li><li><p>Resumo </p><p>A tese uma etnografia dos Kanamari, um povo falante de uma lngua Katukina que habita </p><p>tradicionalmente os afluentes do mdio curso do Rio Juru. Ela detm-se, sobretudo, em </p><p>uma investigao da relao entre o contnuo e o descontnuo no parentesco, na histria e </p><p>na mitologia. A primeira parte trata do processo histrico que levou alguns Kanamari que </p><p>viviam na margem esquerda do Juru a migrarem para a bacia do Rio Itaqua. Busca-se </p><p>descrever os efeitos desta migrao e do impacto da chegada da populao branca ao Juru </p><p>na segunda metade do sculo IX, enfatizando as maneiras como a sociedade Kanamari se </p><p>adaptou e inovou em relao a tais mudanas. A segunda parte analisa os mitos que </p><p>fornecem as precondies para a histria, mostrando que o mundo era contido numa </p><p>forma-Jaguar onipresente que fora ativamente atenuada pela ao humana, assim criando o </p><p>mundo atual. A ltima parte focaliza a noo de pessoa, desde a concepo do feto at a </p><p>morte, incluindo os ritos morturios que permitem aos vivos lidarem com a perda, </p><p>enquanto fragmentam o falecido em uma parte vegetal-estvel e uma outra Jaguar-</p><p>predatria. </p></li><li><p>Abstract </p><p> The thesis is an ethnography of the Kanamari, a Katukinan-speaking people of western Amaznia, who have traditionally inhabited the tributaries of the middle Juru </p><p>river. Its primary concern is to investigate the relationship between continuous and the </p><p>discontinuous in kinship, history and myth. The first part discusses the historical processes </p><p>through which some of the Kanamari who lived in the tributaries of the left bank of the </p><p>Juru migrated into the Itaqua river. It traces the effects of this move, itself framed by the </p><p>arrival of the whites to the Juru sometime in the latter half of the nineteenth century, with </p><p>an emphasis on the ways that Kamamari social organization adapted and innovated in </p><p>relation to these. The second part analyses the myths that supply the preconditions for the </p><p>discussion of Kanamari history, showing how the world used to be contained in an </p><p>omnipresent Jaguar form that was actively attenuated as humanity created the present </p><p>world from and through it. The final part shifts its focus to a study of the concepts of the </p><p>person, beginning with conception and following her development until death and the </p><p>mortuary rituals that permit the living to cope with it while fragmenting the deceased into a </p><p>stable vegetable form and a predatory, ominous Jaguar. </p></li><li><p>Agradecimentos </p><p> Minhas atividades como aluno de doutorado no Museu Nacional/UFRJ foram </p><p>possveis devido bolsa do Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento (CNPq). O </p><p>trabalho de campo entre os Kanamari do rio Itaqua foi financiado pelo Centro de </p><p>Trabalho Indigenista (CTI), pelo Ncleo de Transformaes Indgenas (Nuti), pelo </p><p>Programa de Ps-Graduao em Antropologia Social (PPGAS), pelo CNPq e pela Wenner-</p><p>Gren Foundation for Anthropological Research grant. Agradeo a estas instituies pelo </p><p>seu apoio. </p><p> Esta tese foi originalmente escrita em ingls e traduzida para o portugus por uma </p><p>verdadeira junta. Agradeo a Flvio Gordon, Pedro Cesarino, Arbel Griner, Carolina Pucu </p><p>Arajo, Luiza Leite e Joana Miller pela traduo. </p><p> A tese foi orientada pelo prof. Carlos Fausto a quem eu tenho a sorte de considerar </p><p>um amigo. Sua ajuda e pacincia, no apenas durante a escrita desta tese mas desde que eu </p><p>ingressei no Museu Nacional, foram inesgotveis. Agradeo a ele especialmente por sua </p><p>leitura cuidadosa dos primeiros e confusos rascunhos desta tese. um privilgio ser seu </p><p>aluno. </p><p> O Museu Nacional um timo lugar para se aprender antropologia e o apoio de </p><p>todo o corpo docente foi fundamental. Gostaria de agradecer a Bruna Franchetto, Mrcio </p><p>Goldman, Lygia Sigaud, Federico Neiburg, Otvio Velho e Antnio Carlos de Souza Lima </p><p>por sua ajuda em vrios momentos. Gostaria de agradecer especialmente a Aparecida </p><p>Vilaa e a Eduardo Viveiros de Castro pelos seus comentrios ao meu exame de </p><p>qualificao para esta tese e por tudo o que eu aprendei com eles nos vrios cursos que </p><p>assisti. Foi uma palestra dada pelo Eduardo em Oxford, em 1997 (eu acho), que me fez, </p><p>pela primeira vez, querer estudar no Museu Nacional. Agradeo tambm a Tnia L. </p><p>Ferreira, Carla Regina e Cristina pelo tempo e pacincia que me dispensaram. </p><p> Foi durante o perodo que passei na Universidade de Oxford, sendo orientado por </p><p>Peter Rivire, que vim a considerar pela primeira vez a possibilidade de estudar a </p><p>antropologia das terras-baixas da Amrica do Sul e agradeo a ele pelo incentivo. Boa parte </p><p>de minha trajetria acadmica desde ento esteve relacionada compreenso do que ele </p><p>escreveu sobre a regio. </p><p> O trabalho de campo no Vale do Javari teria sido muito mais difcil e menos </p><p>divertido se no fosse a parceria com o CTI, que permanece at hoje. Gilberto Azanha foi </p><p>o primeiro a me falar sobre os Kanamari e Maria Auxiliadora Leo me levou ao Vale do </p></li><li><p>Javari. Ambos demonstraram um interesse em meu trabalho desde ento. Maria Elisa </p><p>Ladeira e Gilberto Azanha muito me incentivaram e eu agradeo a eles por confiarem em </p><p>mim para ajudar a organizar o Primeiro Mdulo Avanado da Escola Kanamari, realizado </p><p>em Letcia, Colmbia, entre maio e junho de 2006. O pessoal do CTI em Tabatinga foi </p><p>extraordinrio. Agradeo a Conrado Otvio e a Beatriz Matos pela a assistncia que me </p><p>prestaram e, principalmente, pelos bons momentos que passamos juntos. Gostaria de </p><p>agradecer especialmente a Hilton Nascimento (Kiko) pelos muitos anos de amizade e apoio </p><p>no Itu, em Tabatinga, em Letcia e em Atalaia do Norte. Kiko tambm me ajudou a </p><p>identificar certas espcies de animais e de plantas e a averiguar seus nomes em ingls. </p><p> Gostaria de agradecer tambm Administrao Regional da Fundao Nacional do </p><p>ndio (Funai) em Atalaia do Norte, particularmente a Gilmar Jia e Herdoto. As pessoas </p><p>da Frente de Proteo Etno-Ambiental do Vale do Javari (FPEVJ) desempenharam um </p><p>papel importante no incio do meu trabalho de campo, tais como Mrcio e, </p><p>particularmente, Idinilda, uma pessoa muito querida que ajudou no apenas a mim, mas </p><p>tambm a maioria dos pesquisadores que foram ao campo passando por de Tabatinga. </p><p>Agradeo tambm o apoio do Conselho Indgena do Vale do Javari (Civaja). Agradeo a </p><p>Jorge Marubo, Clvis Rufino Reis, Edlson Kanamari (Kihpi), Adelson Kanamari (Kora) e </p><p>Andr Mayoruna. </p><p> H muitas pessoas para agradecer em Atalaia do Norte. Tirim e Nery me ajudaram </p><p>em diversas ocasies e o Sr. Nonato foi extremamente atencioso no primeiro perodo do </p><p>trabalho de campo. Agradeo tambm a Gaua e Mara por sua ajuda no campo. O Sr. </p><p>Dino, a Sra. Maria, sua filha Marquinha e seu marido Moacyr me fizeram sentir-me em casa </p><p>em mais de uma ocasio. Almrio Alves Wadik (Kel) e sua mulher Francisca se tornaram </p><p>meus amigos desde a primeira vez que fui Atalaia do Norte. Espero que eles saibam o </p><p>quanto estimo nossa amizade. </p><p> No acho que eu teria sido capaz de permanecer no campo se no fosse a </p><p>assistncia incondicional e o cuidado do chefe de posto da aldeia Kanamari em Massap, </p><p>Micherlngelo Neves, e da sua mulher Raimunda Corra. Eles me acolheram no posto da </p><p>Funai durante boa parte do meu trabalho de campo, me alimentaram, me levaram para </p><p>todas as aldeias, me levaram de e para Atalaia do Norte e me ajudaram a enviar </p><p>encomendas para os Kanamari. Ainda mais importante do que isso o fato deles prestarem </p><p>assistncia aos Kanamari de uma forma que, no meu entender, excelente, fazendo muito </p><p>mais do que requerido de sua funo. Seu conhecimento dos Kanamari tambm me </p><p>ajudou enormemente. </p></li><li><p> Guilherme Gitahy de Figueiredo fez cpias e me enviou os manuscritos no </p><p>publicados do Padre Constant Tastevin que estavam disponveis na Diocese de Tef e eu </p><p>lhe devo esse favor. Agradeo ainda aos padres do Sminaire des Missions at Chevilly-la-</p><p>Rue por me permitirem consultar os manuscritos in situ. Jean-Pierre Chaumeil e Bonnie </p><p>Chaumeil fizeram os contatos necessrios para permitir o acesso aos manuscritos e eu </p><p>tambm agradeo a eles pela hospitalidade em Paris. Philippe Erikson teve tempo para </p><p>encontrar-se comigo em Paris e conversar sobre alguns dos meus dados, e fez isso </p><p>novamente durante um Carnaval memorvel em Tabatinga. Agradeo a ele por seu </p><p>interesse. </p><p> No perodo que passei no Museu Nacional tive a oportunidade de conversar sobre </p><p>os Kanamari com muitas pessoas. Gostaria de agradecer a Flvio Gordon, Paulo Maia, </p><p>Pedro Cesarino e Anne-Marie Colpron, tanto pelas discusses nos encontros do Ncleo de </p><p>Transformaes Indgenas como em reunies informais. Marcela Coelho de Souza, Csar </p><p>Gordon e Cristiane Lasmar sempre ouviram com interesse o que eu tinha a dizer e me </p><p>ensinaram muito. Tnia Stolze Lima, Oiara Bonilla e Elizabeth Pissolato fizeram </p><p>importantes comentrios a um texto que eu apresentei e agradeo a elas por isso. Jeremy </p><p>Deturche, que est realizando trabalho de campo entre os Katukina do rio Bi, manteve um </p><p>dilogo contnuo comigo e compartilhou alguns de seus dados. Elena Welper conversou </p><p>comigo sobre os Kanamari em inmeras ocasies, no Rio de Janeiro e em Tabatinga </p><p>(mesmo que tenha sido difcil nos encontrarmos). Mas o mais importante que ela uma </p><p>das melhores e mais compreensivas amigas que eu tenho. Agradeo tambm a Fernando </p><p>Rabossi pelos muitos anos de conversa sobre antropologia e pelo seu irredutvel bom </p><p>humor. </p><p> Meus amigos no exterior Afonso, Vasco, Joo Lima, Ernst, Macedo, Carl, </p><p>Rosrio, Andr, Fred, Mick e Tom e os que esto aqui Cristian e Tano foram sempre </p><p>incrivelmente importantes. Agradeo ainda a Andr Renaud por me ajudar com os mapas. </p><p> Joana Miller minha amiga h muitos anos, mas se tornou muito mais do que isso. </p><p>Foi uma sorte estarmos escrevendo as nossas teses ao mesmo tempo e seria muito difcil </p><p>para mim completar a tese sem ela. </p><p> Fausto, Bebel e Miguel, meus pais e irmo, esto sempre por perto, mesmo que </p><p>estejamos vivendo to longe uns dos outros. Sem a sua ajuda, encorajamento e, sobretudo, </p><p>pacincia, eu poderia nunca ter estudado antropologia. Estar prximo minha av, Myriam </p><p>Lino Costa, foi o melhor que aconteceu na minha mudana da Europa de volta ao Brasil, </p></li><li><p>assim como o carinho da minha famlia, particularmente de Tt Lino Costa, Ana Maria </p><p>Jansen de Melo, Zeca Jansen de Melo e Paula Salles. </p><p> Viver com os Kanamari uma experincia maravilhosa. Todos eles me ajudaram </p><p>em algum momento e mesmo aqueles que pareciam suspeitar dos motivos do meu trabalho </p><p>me trataram com dignidade e at mesmo com afeto. Ao tentar citar os nomes daqueles que </p><p>me ajudaram mais, percebi o quo injusto eu teria que ser. Mas na medida em que o meu </p><p>trabalho dependeu das conversas que tive, durante muitos meses, com alguns deles, </p><p>agradeo a Dyumi, Joo Pidah, Kodoh, Dyan, Inore, Wahpaka, Meran Meran, Dyanim, </p><p>Hanani, Marinawa, Paiko Nui, Wadyo, Tyomi, Apan e Iun. </p><p> Foi Poroya, no entanto, que estava esperando por mim naquela tarde de abril de </p><p>2002. Estava escurecendo e mal podamos nos ver, mas na manh seguinte ele viu meu </p><p>rosto mal-humorado e sonolento e sorriu, como se j soubesse de tudo. Com o tempo, ele </p><p>se fez meu av. Certa vez, lhe contei que eu cheguei aos Kanamari por acaso, que eu quase </p><p>fui viver com os seus vizinhos Marubo. Ele me explicou que eu estava enganado, pois h </p><p>muito tempo atrs ele previu minha chegada em um sonho e estava esperando por mim </p><p>para que eu aprendesse as histrias dos Kanamari e as ensinasse aos brancos, de modo que </p><p>ns tambm pudssemos saber um pouco sobre eles. Essa tese, que dedicada a ele, </p><p>carrega com isso uma grande responsabilidade. </p></li><li><p>Esta tese, em verso PDF, no tem os mapas nem os diagramas.</p></li><li><p>Sumrio </p><p>Inroduo 1 </p><p>Parte I. Corpos Histricos 1. Mudanas de Escala 39 O Modelo de Endogamia do Subgrupo 40 </p><p>O Primeiro Branco 59 </p><p>O Fechamento do Juru: a Emergncia das Configuraes Multi-dyapa 64 </p><p>O Hori 78 </p><p>A Luta de Couro de Anta 87 </p><p>Comentrios Finais 90 </p><p> 2. O Tempo da Borracha 98 Aprendendo a Trabalhar Para os Brancos 99 </p><p>No Itaqua 113 </p><p>O Juru em Fluxo 116 </p><p>Tornando-se Insano: o Itaqua em Fluxo 132 </p><p>A Chegada de Sab 141 </p><p> 3. O Tempo da Funai 149 O Itaqua Hoje 151 </p><p>A Questo dos Subgrupos 166 </p><p>Fazendo Chefes 182 </p><p>Chefes no Itaqua 194 </p><p> Parte II. Corpos Mticos </p><p> 4. A Morte do Jaguar e a Queda do Cu Antigo 209 Em um Modo Jaguar 210 </p><p>Fragmentando o Jaguar 224 </p><p>A Questo da Anta 236 </p></li><li><p>A Loucura de Piyoyom 249 </p><p> 5. O Tempo de Tamakori 254 Tamakori e Kirak 255 </p><p>Extraindo e Separando o Mundo 263 </p><p>Em Manaus 275 </p><p>A Origem da Histria e da Morte 287 </p><p> Parte III. Corpos Vivos </p><p> 6. O Corpo/Dono 306 Fazendo um Corpo a Partir da Alma 306 </p><p>Deitar-se 320 </p><p>Crianas Ambguas 329 </p><p>A Caa e Seus Perigos 341 </p><p>Consideraes Finais: de Volta Replicao 357 </p><p> 7. Fazendo Jaguares 360 O Xam e o Dyohko 360 </p><p>Matando, Curando, Transformando 375 </p><p>A Dissoluo do Corpo 384 </p><p>Devir-Kohana, Devir-Jaguar 394 </p><p> Eplogo 415 </p><p>Bibliografia 418 </p><p>Anexo A: Terminologia de Parentesco Kanamari 43...</p></li></ul>