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  • LGICAS INSTITUCIONAIS NA EVOLUO DA

    CONTABILIDADE PBLICA EM PORTUGAL

    Susana Silva Doutoranda em Contabilidade da Universidade do Minho

    Lcia Lima Rodrigues - Universidade do Minho

    Marta Guerreiro Instituto Politcnico de Viana do Castelo

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    ndice

    Concluses

    Quarta fase: Perodo do SNC-AP no sculo XXI

    Terceira Fase : Publicao do POCP no sculo XX

    Segunda fase: O Mtodo unigrfico em Portugal no incio do sculo XIX

    Primeira Fase: A Digrafia em Portugal no Sculo XVIII

    Introduo

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    IntroduoS

    culo

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    III, X

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    as

    Desde a dcada de 90 do sculo XX, temos assistido a um processo de mudana na

    administrao pblica

    Objetivo principal assegurar uma gesto eficiente dos

    recursos pblicos

    o International Public Sector Accounting Standards Board

    (IPSASB)Conjunto de normas para o setor

    pblico

    Portugal: Sistema de Normalizao Contabilstico

    Pblico (SNC-AP) adaptado s IPSAS

    SNC-APD.L. 192/2015

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    Introduo

    Anlise da evoluo da contabilidade

    pblica desde o sc. XVIII, at atualidade

    Anlise da evoluo da contabilidade

    pblica desde o sc. XVIII, at atualidade

    Lgicas institucionais

    Lgicas institucionais

    Analisam-se as principais mudanas que se verificaram na contabilidade pblica em

    Portugal, desde o sculo XVIII at atualidade, tentando

    identificar as lgicas institucionais que estiveram

    presentes, quer na adoo das partidas dobradas, quer na

    adoo e evoluo dos normativos contabilsticos

    Analisam-se as principais mudanas que se verificaram na contabilidade pblica em

    Portugal, desde o sculo XVIII at atualidade, tentando

    identificar as lgicas institucionais que estiveram

    presentes, quer na adoo das partidas dobradas, quer na

    adoo e evoluo dos normativos contabilsticos

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    PRIMEIRA FASE: A DIGRAFIA EM PORTUGAL NO SCULO XVIII

    At Sc. XVIII

    At ao sculo XVIII, predominou na contabilidade pblica a Casados Contos, com algumas mudanas ao longo dos sculosrelacionada com a prpria evoluo poltico-econmica nacional

    1755

    Aquando do terramoto de 1755, os Contos foram destrudos noincndio que ocorreu, incluindo os livros de escrita

    1761

    O Marqus de Pombal aproveitou esta destruio para extinguiros Contos do Reino e Casa e criar o Errio Rgio, mediante aCarta de Lei de 22 de Dezembro de 1761

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    PRIMEIRA FASE: A DIGRAFIA EM PORTUGAL NO SCULO XVIII

    A criao Errio Rgio reflete a lgica de centralizao e de regulamentao(absolutista) que se vivia na poca, surgindo para controlar todas as rendas dacoroa e as despesas que se faziam .

    Portugal viveu um perodo de colonizao adotando polticas mercantilistas, ideais iluministas e uma conceo absoluta do poder do Estado.

    O sistema administrativo colonial adotado pelo governo portugus, e os controloscontabilsticos postos em prtica pretendiam ser os meios de integrao eharmonizao do imprio Portugus disperso por todo o mundo

    Modelos como o mercantilismo, o iluminismo e o absolutismo prevaleceram em Portugal e tambm na Europa.

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    PRIMEIRA FASE: A DIGRAFIA EM PORTUGAL NO SCULO XVIII

    Errio RgioMtodo de registo

    digrfico

    1755 criada a junta de comrcio que

    financiou a aula de comrcio de Lisboa

    Criada em 1759

    O mtodo de partidas dobradas foi ensinado na Aula de Comrcio de Lisboa, sendo que os temas abordados eram idnticos ao que nessa

    data se usava em outras partes da Europa, nomeadamente em Frana

    Importante quer para o tecido econmico quer educacional

    A Carta de Lei 22 de Dezembro de 1761 constitui umareferncia importante, na medida em que fixou como mtodo daescrita contabilstica um mtodo inovador - o mtodo digrfico.

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    Ao longo do sc. XIX assistiu-se a uma mudana

    gradual das lgicas institucionais em atuao

    Contribuiu para este facto a diluio do poder da

    Monarquia resultante das invases francesas, em

    1807, e da fuga do Prncipe Regente na poca para o

    Brasil

    Progressivamente, os ideais liberais e a valorizao dos

    direitos individuais refletiram-se numa lgica de desregulamentao que se

    foi afirmando dentro do Estado

    Em 1820 comeou a revoluo liberal, que se refletiu na constituio

    Portuguesa de 1822, que enunciava o apoio aos

    direitos individuais e liberais

    Este movimento liberal que prevalecia em Portugal na poca estava alinhado com parte da Europa, tendo-se

    acentuado com as revolues de 1830 e 1848

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    No incio do sculo XIX, em 1832, assistiu-se extino do Errio Rgio, pelo Decreto n

    22 de 16 de Maio de 1832, que o substituiu por um tribunal do

    Tesouro Pblico.

    Retrocedeu-se s partidas simples como mtodo de

    registo

    Assistimos desinstitucionalizao das

    prticas contabilsticas existentes.

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    O declnio e o retrocesso dos processos de registo, verifica-se no prembulo doDecreto-Lei n 22 de 16 de maio de 1832 no qual Mouzinho da Silveira refere:

    Quanto organizao da fazenda no podia continuar o velho e monstruosoErrio;(.) Em contabilidade tudo imperativo, pois que as relaes so de tal mododependentes uma das outras que a menor interrupo destri a prprianatureza dessa relaes ()

    No h outra contabilidade administrativa, porque cada Conselho umafamlia composta por cidado que se governa de per si em tudo o que relativo aos seus bens e administrao deles, conformando-se semprecom as Leis da Nao, que so o vnculo poltico de todas as povoaes, cujoexecutor na provncia o Perfeito .

    salienta-se a lgica liberal em que se

    evidenciam os direitos

    individuais e considera-se

    ultrapassado o Errio, assente

    numa lgica corporativa.

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    - perda de prestgio daAula do Comrcio,extinta em 1844,contribuiu na segundametade do sculo XIXpara a

    - desvalorizao daspartidas dobradas emcomparao com oprotagonismo que asmesmas evidenciavamna segunda metade dosculo anterior.

    No incio do sculo XX,no perodo compreendidoentre 1907 e 1936,foram publicadasalgumas medidaslegislativas tendentes criao de sistemas decontabilidade pblica erelativas ao controlodos dinheiros pblicos.

    - A reforma daContabilidade Pblica de1907, instituda pela Lei de20 de maro,

    - inclua um conjunto dedisposies que alteravam alegislao em vigor at data,- oramento inclua, semexceo, todas as receitase despesas ordinrias eextraordinrias do Estado,abrangendo as entidadespblicas que tinhamadministrao especial.

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    Em 5 de outubro de 1910 proclamada a Repblica ePortugal vive uma poca de instabilidade social e poltica.

    Neste perodo de instabilidade que a lgica liberal foienfraquecendo, ganhando novamente importncia a lgicacorporativista.

    O corporativismo considerado como um modo deregulamentao baseado numa ideologia sobre comoorganizar uma economia fazendo das corporaesprofissionais e comerciais as bases da sociedade

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    Aps a revoluo de 28 de maio de1926, Estado Novo, criado em 1933,ficou marcado por uma conceopresidencialista, autoritria,corporativista, anti-liberal e anti-parlamentar do Estado

    Neste sentido, o Estado Novoencerrou o perodo doliberalismo em Portugal,abrangendo-se nele no s aPrimeira Repblica, comotambm o Constitucionalismomonrquico.

    Portugal no foifavoravelmente aceite pelacomunidade internacional,devido s caractersticas doregime de ditadura impostopor Salazar.

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    - Regime caracterizado pelo nacionalismoexacerbado;- Poltica econmica protecionista;- Objetivo a reduo das importaes, oaumento da produo do pas e oinvestimento na construo de obraspblicas de modo a garantir a autonomiado pas.

    - Em 1928, foi instituda uma reformaoramental, aprovada pelo Decreto n 15465,de 14 de maio;- Adotado o modelo de Oramento Geral doEstado que compreende vrios mapasdestinados no s expresso das receitas edespesas do Estado, mas tambm apreciao da situao financeira dasautarquias locais e colnias

  • ORDEM DOS CONTABILISTAS CERTIFICADOS

    SEGUNDA FASE: O MTODO UNIGRFICO EM PORTUGAL NO INCIO DO SCULO XIX

    Nesta poca houve uma reorganizao profunda do Estado quesuportava a centralizao do poder que Salazar pretendia.

    A reorganizao passou pela contabilidade pblica, incluindoregras sobre a cobrana de receitas e despesas, pelo perodooramental, definio de mapas para elaborao do oramentode estado.

    Prevaleceu na contabilidade uma lgica meramente oramental,de controlo das contas pbli