Livro - Oramento Pblico

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  • Oramento PblicoDisciplina na modalidade a distncia

    orcamento_publico_TAP.indb 1 31/03/10 15:57

  • CrditosUnisul Universidade do Sul de Santa CatarinaUnisulVirtual Educao Superior a Distncia

    Reitor UnisulAilton Nazareno Soares

    Vice-Reitor Sebastio Salsio Heerdt

    Chefe de Gabinete da ReitoriaWillian Mximo

    Pr-Reitora AcadmicaMiriam de Ftima Bora Rosa

    Pr-Reitor de AdministraoFabian Martins de Castro

    Pr-Reitor de EnsinoMauri Luiz Heerdt

    Campus Universitrio de Tubaro Diretora: Milene Pacheco Kindermann

    Campus Universitrio daGrande Florianpolis Diretor: Hrcules Nunes de Arajo

    Campus Universitrio UnisulVirtualDiretora: Jucimara RoeslerDiretora Adjunta: Patrcia Alberton

    Equipe UnisulVirtual

    Gerncia Acadmica Mrcia Luz de Oliveira (Gerente) Fernanda Farias

    Gerncia Administrativa Renato Andr Luz (Gerente)Marcelo Fraiberg MachadoNaiara Jeremias da RochaValmir Vencio Incio

    Gerncia de Ensino, Pesquisa e ExtensoMoacir Heerdt (Gerente)Clarissa Carneiro MussiLetcia Cristina Barbosa (Auxiliar)

    Gerncia FinanceiraFabiano Ceretta (Gerente)Alex Fabiano WehrleSheyla Fabiana Batista Guerrer

    Gerncia de LogsticaJeferson Cassiano Almeidada Costa (Gerente)Abrao do Nascimento GermanoCarlos Eduardo Damiani da SilvaFylippy Margino dos SantosGeanluca Uliana Guilherme LentzPablo Darela da SilveiraRubens Amorim

    Gerncia de Produo e LogsticaArthur Emmanuel F. Silveira (Gerente)Francini Ferreira Dias

    Gerncia Servio de Ateno Integral ao AcadmicoJames Marcel Silva Ribeiro (Gerente)Adriana da CostaAndiara Clara FerreiraAndr Luiz PortesBruno Ataide MartinsEmanuel Karl Feihrmann GalafassiGisele Terezinha Cardoso FerreiraHoldrin Milet BrandoJenniffer CamargoJonatas Collao de Souza

    Juliana Cardoso da SilvaMaria Isabel AragonMaurcio dos Santos AugustoMaycon de Sousa CandidoMicheli Maria Lino de MedeirosNidia de Jesus MoraesPriscilla Geovana PaganiRychard de Oliveira PiresSabrina Mari Kawano GonalvesTaize MullerTatiane Crestani TrentinVanessa Trindade

    Avaliao Institucional Dnia Falco de Bittencourt (Coord.)Rafael Bavaresco Bongiolo

    Biblioteca Soraya Arruda Waltrick (Coord.)Paula Sanhudo da SilvaRenan CascaesRodrigo Martins da Silva

    Capacitao e Assessoria ao DocenteAngelita Maral Flores (Coord.)Adriana SilveiraCaroline Batista Cludia Behr ValenteElaine SurianPatrcia Meneghel Simone Perroni da Silva Zigunovas

    Coordenao dos CursosAdriana RammeAdriano Srgio da Cunha Alosio Jos Rodrigues Ana Luisa Mlbert Ana Paula Reusing Pacheco Bernardino Jos da SilvaCarmen Maria Cipriani Pandini Charles Cesconetto Diva Marlia Flemming Eduardo Aquino Hbler Eliza Bianchini Dallanhol LocksFabiana Lange Patrcio (Auxiliar) Itamar Pedro BevilaquaJairo Afonso Henkes Janete Elza Felisbino Jorge Alexandre Nogared CardosoJos Carlos Noronha de OliveiraJucimara Roesler Karla Leonora Dahse Nunes Luiz Guilherme Buchmann Figueiredo Luiz Otvio Botelho Lento Marciel Evangelista CatneoMaria Cristina Schweitzer VeitMaria da Graa Poyer Maria de Ftima Martins (Auxiliar) Mauro Faccioni FilhoMoacir Fogaa Nazareno MarcineiroNlio Herzmann Onei Tadeu Dutra Raulino Jac Brning Roberto IunskovskiRose Clr Estivalete BecheRodrigo Nunes LunardelliTania Regina GoularteWaltemann (auxiliar)

    Criao e Reconhecimento de CursosDiane Dal Mago Vanderlei Brasil

    Desenho Educacional Carolina Hoeller da Silva Boeing (Coord.)

    Design Instrucional Ana Cludia TaCarmen Maria Cipriani Pandini Cristina Klipp de OliveiraDaniela Erani Monteiro WillFlvia Lumi Matuzawa Lucsia PereiraLuiz Henrique Milani QueriquelliMrcia LochMarina Cabeda Egger MoellwaldMichele CorreaNagila Cristina HinckelSilvana Souza da Cruz Viviane Bastos

    Acessibilidade Vanessa de Andrade Manoel

    Avaliao da AprendizagemMrcia Loch (Coord.) Elosa Machado SeemannGabriella Arajo Souza EstevesLis Air FogolariSimone Soares Haas Carminatti

    Ncleo Web AulaClio Alves Tibes Jnior

    Design Visual Pedro Paulo Alves Teixeira (Coord.) Adriana Ferreira dos Santos Alex Sandro XavierAlice Demaria Silva Anne Cristyne PereiraDiogo Rafael da SilvaEdison Rodrigo ValimFrederico Trilha Higor Ghisi LucianoJordana SchulkaNelson RosaPatrcia Fragnani de MoraesVilson Martins Filho

    Multimdia Srgio Giron (Coord.)Clio Alves Tibes JniorCristiano Neri Gonalves RibeiroDandara Lemos ReynaldoFernando Gustav Soares Lima Srgio Freitas Flores

    PortalRafael Pessi Luiz Felipe Buchmann Figueiredo

    Disciplinas a Distncia Enzo de Oliveira Moreira (Coord.)Franciele Arruda Rampelotti (auxiliar)Luiz Fernando Meneghel

    Gesto DocumentalLamuni Souza (Coord.)Clair Maria CardosoJanaina Stuart da CostaJosiane LealMarlia Locks FernandesRicardo Mello Platt

    Logstica de Encontros Presenciais Graciele Marins Lindenmayr (Coord.)

    Ana Paula de AndradeAracelli Araldi HackbarthCristilaine Santana MedeirosDaiana Cristina BortolottiEdesio Medeiros Martins FilhoFabiana PereiraFernando Oliveira SantosFernando SteimbachMarcelo Jair Ramos

    Formatura e Eventos Jackson Schuelter Wiggers

    Monitoria e SuporteRafael da Cunha Lara (Coord.)Andria Drewes Anderson da Silveira Anglica Cristina Gollo Bruno Augusto Zunino Claudia Noemi Nascimento Cristiano Dalazen Dbora Cristina Silveira Ednia Araujo Alberto Karla Fernanda Wisniewski Desengrini Maria Eugnia Ferreira Celeghin Maria Lina Moratelli Prado Mayara de Oliveira Bastos Patrcia de Souza Amorim Poliana Morgana Simo Priscila Machado

    Produo IndustrialFrancisco Asp (Coord.)Ana Paula Pereira Marcelo Bittencourt

    Relacionamento com o Mercado Walter Flix Cardoso Jnior

    Secretaria de Ensino a Distncia Karine Augusta Zanoni (Secretria de ensino) Andra Luci Mandira Andrei RodriguesBruno De Faria Vaz SampaioDaiany Elizabete da SilvaDjeime Sammer Bortolotti Douglas SilveiraGiane dos PassosLuana Borges Da SilvaLuana Tarsila Hellmann Marcelo Jos SoaresMiguel Rodrigues Da Silveira JuniorPatricia Nunes Martins Rafael BackRosngela Mara Siegel Silvana Henrique Silva Vanilda Liordina Heerdt Vilmar Isaurino Vidal

    Secretria Executiva Viviane Schalata MartinsTenille Nunes Catarina (Recepo)

    Tecnologia Osmar de Oliveira Braz Jnior (Coord.) Andr Luis Leal Cardoso JniorFelipe Jacson de FreitasJefferson Amorin OliveiraJos Olmpio Schmidt Marcelo Neri da Silva Phelipe Luiz Winter da SilvaRodrigo Battistotti Pimpo

    Campus UnisulVirtualAvenida dos Lagos, 41 | Cidade Universitria Pedra Branca | Palhoa SC | 88137-100 Fone/fax: (48) 3279-1242 e 3279-1271 | E-mail: cursovirtual@unisul.brSite: www.unisul.br/unisulvirtual

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  • Oramento Pblico

    Livro didtico

    Bernardino Jos da SilvaWanderlei Pereira das Neves

    Design instrucionalCarmen Maria Cipriani Pandini

    4 edio revista e atualizada

    PalhoaUnisulVirtual

    2010

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  • 352.4S58 Silva, Bernardino Jos da Oramento pblico : livro didtico / Bernardino Jos da Silva, Wanderlei Pereira das Neves ; design instrucional Carmen Maria Cipriani Pandini ; [assistente acadmico Michele Antunes Corra]. 4. ed. rev. e atual. Palhoa : UnisulVirtual, 2010. 232 p. : il. ; 28 cm.

    Inclui bibliografia. 1. Oramento. 2. Despesa pblica. I. Neves, Wanderlei Pereira das. II. Pandini, Carmen Maria Cipriani. III. Corra, Michele Antunes. IV. Ttulo.

    Edio Livro Didtico

    Professor ConteudistaBernardino Jos da Silva

    Wanderlei Pereira das Neves

    Design InstrucionalCarmen Maria Cipriani Pandini

    Assistente AcadmicoMichele Antunes Corra (4 ed. revista e atualizada)

    Projeto Grfico e CapaEquipe UnisulVirtual

    DiagramaoFernando Roberto Dias Zimmermann

    Reviso OrtogrficaAmaline Boulos Issa Mussi

    Ficha catalogrfica elaborada pela Biblioteca Universitria da Unisul

    Copyright UnisulVirtual 2010

    Nenhuma parte desta publicao pode ser reproduzida por qualquer meio sem a prvia autorizao desta instituio.

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  • Sumrio

    Apresentao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .7Palavras dos professores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9Plano de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

    Unidade 1 Relao entre planejamento e oramento pblico e privado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

    Unidade 2 Origem, evoluo e noes conceituais do oramento pblico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

    Unidade 3 Tipos de oramento pblico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49Unidade 4 Princpios do oramento pblico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61Unidade 5 Instrumentos de planejamento e programao . . . . . . . . . . . 75Unidade 6 Fundamentos e tcnicas do oramento . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107Unidade 7 A receita pblica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 119Unidade 8 A despesa pblica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 143Unidade 9 Execuo oramentria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157

    Unidade 10 O controle oramentrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 187

    Para concluir o estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 207 Referncias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 209Sobre os professores conteudistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 213Respostas e comentrios das atividades de autoavaliao . . . . . . . . . . . . . 215Anexos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 227Biblioteca Virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 231

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  • 7Apresentao

    Este livro didtico corresponde disciplina Oramento Pblico.O material foi elaborado visando a uma aprendizagem autnoma. Neste sentido, aborda contedos especialmente selecionados e adota uma linguagem que facilite seu estudo a distncia. Por falar em distncia, isso no significa que voc estar sozinho(a). No esquea que sua caminhada nesta disciplina tambm ser acompanhada constantemente pelo Sistema Tutorial da UnisulVirtual. Entre em contato sempre que sentir necessidade, seja por correio postal, fax, telefone, e-mail ou Espao UnisulVirtual de Aprendizagem. Nossa equipe ter o maior prazer em atend-lo(la), pois sua aprendizagem nosso principal objetivo.Bom estudo e sucesso!Equipe UnisulVirtual

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  • Palavras dos professores

    Ao elaborar este material pensei em voc e, por isso, tracei como objetivo principal, o propsito de nele introduzir uma linguagem simples e objetiva, de forma a proporcionar-lhe a ampliao de seus conhecimentos e perfeito domnio acerca do oramento pblico, ferramenta indispensvel a qualquer cidado que vislumbre o desempenho de atividade profissional ligada administrao pblica, assim como o exerccio dos direitos de cidado brasileiro.Ao longo das unidades, abordar-se-o assuntos pertinentes origem e evoluo conceitual, aos tipos ou modalidades, aos princpios e s tcnicas, aos instrumentos de planejamento aplicados administrao pblica, ao sistema e ao processo oramentrio, conceituao e classificao da receita e da despesa pblicas, execuo e ao processo de controle, todos voltados ao oramento pblico.Alm dos tpicos, especficos, ligados ao oramento pblico, conforme destacados no pargrafo anterior, voc ter tambm a oportunidade de se relacionar com temas ligados organizao da administrao pblica e aos aspectos diferenciadores do exerccio da funo pblica e da funo privada.Ao final de cada unidade, sero disponibilizados a voc alguns desafios para que possa exercitar seus conhecimentos, sendo que se torna oportuno lembr-lo(la) de que o importante que procure super-los antes do incio das unidades seguintes. Ainda: no deixe de participar de todas as atividades disponibilizadas no ambiente virtual de aprendizagem, atravs do qual voc poder dar sua contribuio para o alcance dos objetivos pretendidos.

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  • 10

    Bons estudos! E lembre-se: a dedicao e a pontualidade so fatores preponderantes para o alcance do sucesso almejado.

    Professor Bernardino Jos da SilvaProfessor Wanderlei Pereira das Neves

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  • Plano de estudo

    O plano de estudos visa a orientar voc no desenvolvimento da Disciplina. Ele possui elementos que o(a) ajudaro a conhecer o contexto da Disciplina e a organizar o seu tempo de estudos. O processo de ensino e aprendizagem na UnisulVirtual leva em conta instrumentos que se articulam e se complementam, portanto, a construo de competncias se d sobre a articulao de metodologias e por meio das diversas formas de ao/mediao.So elementos desse processo:

    o Livro didtico; o EVA (Espao UnisulVirtual de Aprendizagem); atividades de avaliao (complementares a distncia e presenciais).

    Carga Horria

    60 horas-aula - 4 crditos.

    Ementa

    Plano Plurianual do Governo. Lei de Diretrizes Oramentrias. Lei de Responsabilidade Fiscal. Lei do Oramento. Evoluo conceitual do oramento pblico. Princpios oramentrios. Tipos de oramento: oramento programa e oramento financeiro ou tradicional. Fundamentos e tcnicas do oramento. O sistema e o processo oramentrio. Controle dos oramentos.

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  • Universidade do Sul de Santa Catarina

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    Objetivos

    Compreender e formar concepo acerca da relao entre o planejamento e oramento adotado na esfera privada e aquele aplicado no seio da Administrao Pblica.

    Formar domnio em relao origem e evoluo conceitual e as funes ou finalidades do oramento pblico.

    Compreender e distinguir os tipos de oramento. Estudar e formar opinio acerca dos princpios do oramento pblico.

    Formar domnio e discorrer com segurana em relao aos Instrumentos de planejamento e programao do governo.

    Estudar e compreender os fundamentos e tcnicas do oramento.

    Formar concepo segura dos conceitos, tipos e da classificao da receita e da despesa pblicas.

    Estudar e entender o processo de execuo oramentria, os estgios da receita e da despesa pblicas, os instrumentos de alterao do oramento e suas respectivas peculiaridades.

    Conhecer e dominar mecanismos de controle do oramento.

    Contedo programtico/objetivos

    Veja, a seguir, as unidades que compem o Livro Didtico desta Disciplina e os seus respectivos objetivos. Estes se referem aos resultados que voc dever alcanar ao final de uma etapa de estudo. Os objetivos de cada unidade definem o conjunto de conhecimentos que voc dever obter para o desenvolvimento de habilidades e competncias necessrias sua formao. Unidades de estudo: 10A disciplina Oramento Pblico, seguindo as orientaes traadas no projeto pedaggico do Curso de Tecnologia da Administrao Pblica, foi dividida em 10 unidades, com vistas a proporcionar ao acadmico, relacionamento e entendimento gradual de seu contedo.

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  • Oramento Pblico

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    Unidade 1 Relao entre planejamento e oramento pblico e privado

    Visa disponibilizar os aspectos pertinentes relao entre o oramento adotado na esfera mercantil e o processo de planejamento oramentrio aplicado na administrao pblica.

    Unidade 2 Origem, evoluo e noes conceituais do oramento pblico

    Busca explorar os conhecimentos tericos e prticos, pertinentes origem e evoluo conceitual do oramento pblico, a viso dos diversos autores acerca do oramento pblico, alm das funes e/ou das finalidades do oramento pblico.

    Unidade 3 Tipos de oramento pblico

    Esta unidade contemplar noes gerais acerca dos tipos de oramento, includos o tradicional ou financeiro, o moderno e o oramento programa e o oramento pblico no Brasil.

    Unidade 4 Princpios do oramento pblico

    Juntos buscaremos, nesta unidade, a consolidao dos conhecimentos relativos aos princpios oramentrios.

    Unidade 5 Instrumentos de planejamento e programao

    Esta unidade aproximar o aluno dos aspectos ligados composio do sistema oramentrio, para distinguir os Instrumentos de Planejamento e Programao, as formas e procedimentos de cadastro de programas e aes e as etapas recomendadas para a elaborao do oramento.

    Unidade 6 Fundamentos e tcnicas do oramento

    Nesta etapa da disciplina, o aluno ter a possibilidade de aprender os fundamentos e as tcnicas do oramento, incluindo as caractersticas do novo modelo de administrao e a lgica da nova classificao.

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  • Universidade do Sul de Santa Catarina

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    Unidade 7 A receita pblica

    Trataremos nesta unidade, exclusivamente, da receita pblica, seu conceito, os aspectos legais, seus reflexos no patrimnio e sua classificao.

    Unidade 8 A despesa pblica

    Esta unidade contemplar os aspectos ligados despesa pblica, seu conceito, seus atributos, seus reflexos no patrimnio e sua classificao.

    Unidade 9 Execuo oramentria

    Proporcionar ao acadmico um estreito relacionamento com o processo de execuo do oramento, conhecimento dos estgios da receita e da despesa pblicas, alm dos instrumentos de alterao do oramento e suas regras peculiares.

    Unidade 10 O controle oramentrio

    Para fechar o ciclo de estudos da disciplina, esta unidade oferecer ao estudante a possibilidade de conhecer e aplicar os instrumentos de controle do oramento.

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  • Oramento Pblico

    15

    Agenda de atividades/ Cronograma

    Verifique com ateno o EVA, organize-se para acessar periodicamente o espao da Disciplina. O sucesso nos seus estudos depende da priorizao do tempo para a leitura, da realizao de anlises e snteses do contedo e da interao com os seus colegas e professor tutor.

    No perca os prazos das atividades. Registre no espao a seguir as datas com base no cronograma da disciplina disponibilizado no EVA.

    Use o quadro para agendar e programar as atividades relativas ao desenvolvimento da Disciplina.

    Atividades

    Demais atividades (registro pessoal)

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  • UNIDADE 1

    Relao entre planejamento e oramento pblico e privado

    Objetivos de aprendizagem

    Estudar os conceitos e definies de planejamento e oramento.

    Conhecer os tipos de Planejamento e/ou oramento aplicados esfera mercantil.

    Formar concepo acerca do planejamento oramentrio aplicado no seio da administrao pblica.

    Sees de estudo

    Seo 1 Conceituando planejamento e oramento

    Seo 2 O planejamento e/ou oramento na esfera privada

    Seo 3 O planejamento oramentrio da administrao pblica

    Seo 4 Relao entre os instrumentos pblicos e privados

    1

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  • 18

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Nas duas ltimas dcadas e, especialmente, nesta que contemplou a virada para o terceiro milnio, alguns termos ou ttulos foram utilizados de forma expressiva no seio da sociedade. Na esfera mercantil, muito se ouviu falar na lacuna de tempo, em globalizao da economia, economia de mercado, concorrncia, diversificao de produtos, domnio e manuteno no mercado, preservao do meio ambiente, profissionalizao, capital intelectual. Porm, ttulos aflorados em dcadas anteriores no saram de circulao, at porque no se pode falar em globalizao da economia, domnio e manuteno no mercado, diversificao de produtos, concorrncia, alm de outros, sem que sejam associados a um processo de planejamento e oramentao de empreendimentos.

    No segmento da administrao pblica, as ltimas dcadas tambm tm sido marcadas por chaves, os quais passaram a ecoar fortemente no sentido de fazer valer a mxima da correta e eficaz aplicao dos recursos pblicos e eliminao da corrupo.

    A Constituio Federal de 1988 deixou claramente definidos os princpios norteadores da administrao pblica e determinou a manuteno do sistema de controle interno de forma integrada entre os Poderes Legislativo, Executivo e Judicirio, com o objetivo de avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execuo dos programas e dos oramentos da Unio e dos demais entes da Federao.O constituinte consagrou, ainda, em definitivo, a associao entre o planejamento e o oramento, ao destacar Captulo exclusivo destinado ao tratamento dos oramentos, suas composies e as vedaes a eles impostas.Mais recentemente, a Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000, aumentou a importncia ao planejamento e ao oramento. Para tal, buscou introduzir mecanismos mais eficazes no controle da administrao pbica, instituindo, conforme se autodenomina, a responsabilidade na gesto fiscal, que pressupe ao planejada e transparente, para prevenir riscos e eliminar desvios capazes de afetar o equilbrio das contas pblicas.

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  • 19

    Oramento Pblico

    Unidade 1

    A propagada Lei introduziu os princpios da transparncia, da simplificao e da responsabilidade, alm de ampliar o campo daquele pertinente publicidade.

    Assim, antes de iniciar nossos estudos em relao ao oramento pblico, importante e necessrio que faamos uma reviso de como se configuram o planejamento e o oramento aplicados no contexto das sociedades mercantis, para correlacionarmos com aquele a ser observado pelo segmento pblico.

    Seo 1 Conceituando planejamento e oramento

    Vamos inicialmente verificar como nossos autores definem Planejamento e Oramento, para avaliarmos se h, ou no, relao entre eles.

    O que planejamento?

    Antes de iniciarmos a discusso sobre sua importncia na administrao pblica, vamos definir o que planejamento. Comecemos com a viso de Luft e Guimares (2003), que definem planejamento como o ato de planear ou planejar, isto , fazer o plano, projetar, direcionar e dar conjuntura.J, Maximiano (2002, p. 105) trata o planejamento como uma das funes do processo administrativo, define-o como uma ferramenta que as pessoas e organizaes usam para administrar suas relaes com o futuro e diz que ele constitui a aplicao especfica do processo decisrio.

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  • 20

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    O autor acrescenta, ainda, que as decises as quais procuram, de alguma forma, influenciar o futuro, ou que sero colocadas em prtica no futuro, so decises de planejamento, e que este, portanto, pode ser definido de vrias maneiras. Por exemplo, planejar :

    definir objetivos ou resultados a serem alcanados; definir meios para possibilitar a realizao de resultados; interferir na realidade, para passar de uma situao conhecida a uma situao desejada, dentro de um intervalo definido de tempo;

    tomar, no presente, decises que afetam o futuro, para reduzir sua incerteza.

    Ainda, para o mesmo autor, planejar um processo de tomar decises que tem como resultado a preparao de planos. Planejar um processo decisrio; os planos so os resultados.Segundo Ferreira (1996, p. 768), planejamento :

    1. Ato ou efeito de planejar. 2. Trabalho de preparao para qualquer empreendimento, segundo roteiro e mtodos determinados; planificao: o planejamento de um livro, de uma comemorao. 3. Elaborao, por etapas, com bases tcnicas (especialmente no campo scio-econmico), de planos e programas com objetivos definidos; planificao.

    Juridicamente, Guimares (2004, p.429) define o planejamento como estudo e fixao de diretrizes e metas que orientam a ao governamental.Podemos, assim, definir o planejamento como o processo atravs do qual se definem-se os objetivos e as metas a serem alcanados; se definem os meios para o desenvolvimento das aes necessrios ao alcance dos objetivos, de forma a reduzir incertezas futuras.Na sequncia, vamos ver o que oramento, para que possamos compreender como este se insere na administrao pblica e qual sua importncia numa gesto admistrativo-financeira eficaz.

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  • 21

    Oramento Pblico

    Unidade 1

    Ento, o que oramento?

    Fernandes et al. (2003, p. 595), no Dicionrio Brasileiro O GLOBO, definem oramento como ato ou efeito de orar; clculo de receita e despesa; clculo dos gastos a fazer com uma obra projetada.Traando os significados do termo oramento, Ferreira (1996, p.602) destaca:

    1. Ato ou efeito de orar; avaliao, clculo, cmputo. 2. Clculo da receita e da despesa . 3. Clculo dos gastos para realizao de uma obra. 4. Clculo da receita que se deve arrecadar num exerccio financeiro e das despesas que devem ser feitas pela administrao pblica, organizado obrigatoriamente pelo executivo e submetido aprovao das respectivas cmaras legislativas.

    Juridicamente falando, Guimares (2004, p. 414) define oramento como pea escrita, organizada pelo Governo, na qual faz previso de receita e fixa as despesas para determinado perodo financeiro. uma lei de carter sui generis. O autor acrescenta que a

    Constituio Federal aponta trs tipos de oramentos compreendidos na Lei Oramentria: Fiscal, referente aos Poderes da Unio, seus fundos, rgos e entidades da administrao direta e indireta, includas fundaes; de investimento, das empresas em que a Unio detenha a maioria do capital social com direito a voto; da Seguridade Social, que abrange todas as entidades e rgos a ela vinculados, fundos e fundaes institudos e mantidos pelo Poder Pblico.

    Baleeiro, citado por Pires (2002, p. 70), define que oramento o ato pelo qual o Poder Legislativo prev e autoriza ao Poder Executivo, por certo perodo e em pormenor, as despesas destinadas ao funcionamento dos servios pblicos e outros fins adotados pela poltica econmica ou geral do pas, assim como a arrecadao das receitas j criadas em lei.

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  • 22

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Traando sua definio em relao ao termo, Pirez (2002, p. 70) define que oramento um processo de planejamento contnuo e dinmico de que o Estado se utiliza para demonstrar seus planos e programas de trabalho, para determinado perodo. Ele abrange a manuteno das atividades do Estado, o planejamento e a execuo dos projetos estabelecidos nos planos e programas de Governo.

    Qual a relao entre oramento e planejamento?

    Visando tornar efetivamente clara a relao entre planejamento e oramento e vice-versa, destacamos um trecho dos ensinamentos de James Giacomoni sobre o processo oramentrio que, em sua obra Oramento Pblico, estabelece:

    O processo oramentrio no pode ser visto como auto-suficiente, j que a primeira etapa do ciclo que se renova anualmente Elaborao da proposta oramentria , em grande parte, resultado de definies constantes de uma programao de mdio prazo que, por sua vez, detalha planos de longo prazo. Por isso, como acontece com o sistema, o processo oramentrio tem maior substncia quando integrado ao processo de planejamento. (GIACOMINI, 2005, p. 195)

    Se tomarmos por base o conceito traado por Maximiano (2002, p. 105), anteriormente transcrito (p. 19), vamos observar que essa relao entre planejamento e oramento visvel, quando o autor define que planejar definir objetivos ou resultados a serem alcanados e os meios para possibilitar a realizao e/ou o alcance dos resultados. Isso significa que destacar simplesmente os objetivos e as metas a serem alcanados no completa o processo; h, portanto, a necessidade de se estabelecerem os meios pelos quais sero viabilizadas as aes que iro permitir o fechamento do ciclo oramentrio: a elaborao da proposta, a discusso e a aprovao do plano, a sua execuo e os meios de controle e avaliao.

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    Oramento Pblico

    Unidade 1

    Seo 2 O planejamento e/ou oramento na esfera privada

    Falando sobre o planejamento nas organizaes, Guimares (2002, p. 110) enfatiza que os planos, de acordo com a sua abrangncia sobre a prpria organizao, podem ser classificados em trs nveis principais: estratgicos, funcionais e operacionais.Schermerhorn Jr (1996, p. 94), ao falar do planejamento como uma das funes da administrao, diz que ele definido formalmente como processo de estabelecer objetivos e decidir como realiz-los, e que os objetivos so os resultados especficos de metas que se deseja alcanar.Um plano, segundo Schermerhor Jr. (1996, p. 94) uma declarao do que necessrio ser feito para realizar determinados objetivos. Os planos identificam os recursos necessrios, as tarefas a serem cumpridas, as aes a serem tomadas e os cronogramas a serem seguidos.

    O que planejamento estratgico?

    Segundo este ltimo autor, planejamento ou plano estratgico abrange toda a organizao, definindo sua relao com seu ambiente. Os planos estratgicos estabelecem a misso, os produtos e servios a serem oferecidos, os clientes e mercados a serem atendidos, entre outros objetivos.Ainda segundo o mesmo autor, o planejamento ou plano estratgico possui caractersticas de planos permanentes, ou de longa durao, isto , de longo prazo.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Falando em planejamento estratgico, Schermerhor (2002, p. 97) diz que este se destina s necessidades de longo prazo e estabelece diretrizes e aes completas, das quais os objetivos so determinados a toda a organizao, sendo necessrio decidir que aes devem ser tomadas e que recursos sero necessrios para realiz-las. O autor considera o planejamento estratgico como uma forma especial do processo de planejamento e que o mesmo envolve alguns passos. Veja-os na sequncia.

    1. Identifica a misso e os objetivos da organizao. Pergunta: Em que tipos de negcio estamos? Onde queremos estar no futuro?

    2. Avalia o desempenho atual vis--vis, a misso e os objetivos. Pergunta: Estamos indo bem atualmente?

    3. Cria planos estratgicos para alcanar propsitos e objetivos. Pergunta: Como podemos chegar ao lugar que realmente queremos?

    4. Implementa planos estratgicos. Pergunta: Ser que foi feito tudo o que era preciso?

    5. Avalia resultados e renova o processo de planejamento estratgico, se necessrio. Pergunta: As coisas esto funcionando como planejado, e o que pode ser feito para melhorar?

    Chiavenato (1997, p. 601) diz que a Teoria Neoclssica marca a mais forte nfase no planejamento estratgico, e refora que, escolhidos e fixados os objetivos globais da empresa, o prximo passo saber como alcan-los: estabelecendo a estratgia empresarial e escolhendo as tticas que melhor implementem a estratgia adotada.Falando em termos empresariais, Chiavenato (1997. p. 602) diz que a estratgia consiste na mobilizao de todos os recursos da empresa no mbito global visando a atingir objetivos de longo prazo.

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    Oramento Pblico

    Unidade 1

    E o planejamento ttico, o que o caracteriza?

    Maximiano (2002, p. 110) define este tipo de planejamento como planos funcionais, de carter singular, e que so tambm chamados de planos administrativos, pois traduzem os planos estratgicos em aes especializadas: marketing, operaes, recursos humanos e finanas.Ao se referir traduo dos planos estratgicos em aes especializadas, o autor deixa claro o estabelecimento de um desmembramento dos programas e aes do planejamento de longo prazo em etapas realizveis num menor espao de tempo, alm do estabelecimento de roteiros para execuo.No plano ttico, Schermerhorn (2002. p. 97) fala em Procedimentos e regras, os define como planos permanentes e defende que estes so orientaes contnuas de aes destinadas a abranger situaes recorrentes.O autor divide os planos permanentes em polticas, procedimentos e Regras Polticas. um Plano Permanente que comunica diretrizes amplas para tomar decises e realizar aes, e os Procedimentos e Regras so Planos Permanentes que descrevem as aes que devem ser tomadas em situaes especficas.Para Chiavenato (1997. p. 602), a ttica um esquema especfico de emprego de recursos dentro de uma estratgia geral; e so as tticas simultneas e integradas entre si que compem a estratgia portanto, diferentemente da estratgia, as tticas so objetivos situados em mdio e curto prazo.

    O que o planejamento operacional?

    Referindo-se ao planejamento operacional, Maximiano (2002, p. 111) assevera que este define atividades e recursos que possibilitam a realizao de objetivos estratgicos ou funcionais.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Ao citar como exemplo desse tipo de planejamento o oramentrio, o autor nos mostra que o planejamento operacional , sem dvida, o instrumento que proporcionar a execuo dos programas e aes traadas no planejamento estratgico e minimizadas e disciplinadas no planejamento ttico ou funcional, conforme ele mesmo define. Na viso de Schermerhor (2002, p. 97), os planos ou planejamentos operacionais so mais limitados em seu intuito: definem o que precisa ser feito para implementar planos estratgicos e alcanar os objetivos deles decorrentes. Reportando-se ao planejamento operacional, Chiavenato (1997, p. 614) enfatiza que este corresponde a desdobramento dos planos tticos, por isso mais detalhado, refere-se ao curto prazo e tem como alcance as operaes e/ou as atividades individualizadas.

    Seo 3 O planejamento oramentrio da administrao pblica

    Para esta seo introdutria de nossos estudos, no h necessidade de entrarmos em detalhes mais especficos de composio e regras de elaborao dos Instrumentos de Planejamento oramentrio aplicados administrao pblica. Basta-nos, neste momento em que nos interessa avaliar o relacionamento entre os elementos do gnero, aplicados s esferas pblica e privada, que destaquemos os enunciados do Artigo 165 de nossa Constituio, deixando os detalhamentos para as sees seguintes.Diz o Artigo 165, da Constituio Federal de 1988, que leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecero:

    I o plano plurianual; II as diretrizes oramentrias; III os oramentos anuais.

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    Oramento Pblico

    Unidade 1

    O 1. do mesmo Artigo diz que a lei que instituir o plano plurianual estabelecer, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administrao pblica federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de durao continuada.Em relao ao prazo de vigncia do plano plurianual, o Inciso I do 2. do Artigo 35 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias ADCT , estabelece que o projeto do plano plurianual, para vigncia at o final do primeiro exerccio financeiro do mandato presidencial subseqente, ser encaminhado at quatro meses antes do encerramento do primeiro exerccio financeiro e devolvido para sano at o encerramento da sesso legislativa. Portanto, sua durao de 4 anos.O Constituinte, ao se referir s diretrizes oramentrias, estabeleceu no 2. do Artigo 165 de nossa Carta Magna que a lei de diretrizes oramentrias compreender as metas e prioridades da administrao pblica federal, incluindo as despesas de capital para o exerccio financeiro subseqente, orientar a elaborao da lei oramentria anual, dispor sobre as alteraes na legislao tributria e estabelecer a poltica de aplicao das agncias financeiras oficiais de fomento. Quanto vigncia, de acordo com o Inciso II do Artigo 35, tambm do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias, o projeto de lei de diretrizes oramentrias ser encaminhado at oito meses e meio antes do encerramento do exerccio financeiro e devolvido para sano at o encerramento do primeiro perodo da sesso legislativa. Sua vigncia, portanto, abrange os seis meses seguintes sua edio, perodo este em que estar orientado elaborao da lei do oramento e se prolongar at o final do exerccio seguinte sua edio. Neste perodo, estar ocorrendo a execuo do oramento aprovado sob sua orientao.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    O 5. do Artigo em destaque estabelece que a lei oramentria anual compreender:

    I oramento fiscal referente aos Poderes da Unio, seus fundos, rgos e entidades da administrao direta e indireta, inclusive fundaes institudas e mantidas pelo Poder Pblico:

    II o oramento de investimento das empresas em que a Unio, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;

    III o oramento da seguridade social, abrangendo todas as entidade e rgos a ela vinculados, da administrao direta ou indireta, bem como os fundos e fundaes institudas e mantidas pelo Poder Pblico.

    Conforme se intitula, a lei oramentria anual ter vigncia no decorrer do exerccio para o qual foi editada e sancionada.

    Seo 4 Relao entre os instrumentos pblicos e privados

    No temos, pois, necessidade de buscar novos conceitos, tampouco novas regras para dizer da relao entre os Instrumentos de Planejamento e oramento aplicados nos seguimentos das sociedades mercantis e aqueles a que esto sujeitos os agentes da administrao pblica.Tanto planejamento quanto oramento, apesar de utilizarem certas linguagens que os diferenciam nos respectivos segmentos, seja na administrao pblica ou privada, contemplam finalidades semelhantes. Enquanto, no setor privado, planejamento e oramento so elaborados com o propsito de direcionar os negcios visando lucros futuros j, no contexto do setor pblico, tais instrumentos, alm de direcionarem as atividades dos rgos e entidades, contemplam as diretrizes, os objetivos e as metas julgadas indispensveis ao desenvolvimento do processo econmico e atendimento das necessidades coletivas.

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    Oramento Pblico

    Unidade 1

    O nvel estratgico do planejamento: o que contempla?

    Neste nvel, o planejamento estratgico do setor privado contempla os objetivos e metas de longo prazo perodos superiores a dois anos , e abrange todo o segmento estrutural das organizaes.No segmento pblico, o Plano Plurianual, exercendo as funes de planejamento estratgico, contempla os objetivos e metas da administrao pblica, portanto para os entes da Federao, Unio, Estados e Municpios, em um perodo de 4 anos. importante destacar que, na administrao pblica, quando se fala em planejamento e oramento, por decorrncia do princpio da unidade oramentria, cada Poder e rgo elabora a sua proposta de planejamento oramentrio, o que ir compor uma nica proposta do Poder Executivo de acordo com os preceitos constitucionais.

    Quais as aes no nvel ttico?

    No nvel ttico, focando a administrao pblica, a Lei de Diretrizes Oramentrias, conforme se intitula, traa as diretrizes orientativas da elaborao e execuo dos oramentos e destaca o Plano Plurianual, os objetivos e metas para o perodo de um ano.Tendo como alvo o setor privado, o planejamento ttico ou funcional, como denominam alguns autores, tem a finalidade de estabelecer os procedimentos e aes a serem observados pelos diversos segmentos da organizao e fragmentar os objetivos e metas para perodos reduzidos de, no mximo, um ano. Isto o que alguns autores chamam de departamentalizao do planejamento.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Nvel operacional o que a Lei Oramentria Anual contempla?

    No nvel operacional, a lei Oramentria Anual contempla, em conformidade com as diretrizes e regras traadas na Lei de Diretrizes Oramentrias e foco, em primeiro plano, no setor pblico, os programas e aes destacados para execuo no exerccio financeiro de sua edio, visando atender as diretrizes e alcanar os objetivos traados no Plano Plurianual.Direcionando nossas aes para o setor privado, o planejamento operacional ir contemplar o oramento financeiro, material, recursos humanos e apoio logstico, para o desenvolvimento das etapas anuais dos objetivos e metas alocadas no planejamento estratgico.Observa-se, portanto, que mesmo estando sujeitos aos ditames das leis, o planejamento oramentrio ou o planejamento e o oramento, aplicados no limiar da administrao pblica, mantm relao direta com os instrumentos de mesma natureza aplicados pela sociedade lucrativa.

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  • 31

    Oramento Pblico

    Unidade 1

    Sntese

    Nesta unidade, voc teve oportunidade de estudar os conceitos e definies de planejamento e oramento, conheceu em detalhes os tipos de planejamento e/ou oramento aplicados esfera mercantil, e se apropriou de conhecimento acerca do planejamento oramentrio aplicado no seio da administrao pblica.

    Atividades de autoavaliao

    1) Definir os meios para possibilitar a realizao de resultados uma das maneiras de definir o processo de planejamento destacado por Maximiano (2002, p. 105). A expresso definir os meios significa:

    a. ( ) traar as metas para alcanar os resultados.

    b. ( ) definir os objetivos esperados.

    c. ( ) estabelecer as diretrizes para execuo do plano.

    d. ( ) orar os recursos financeiros, materiais, humanos necessrios.

    e. ( ) Nenhuma das alternativas acima.

    2) A definio jurdica de oramento traada por Guimares (2004, p. 414), quando destaca que a Constituio Federal aponta trs tipos de oramento, o fiscal, de investimento e da seguridade social, refere-se :

    a. ( ) Lei de Diretrizes Oramentrias.

    b. ( ) Lei do Plano Plurianual.

    c. ( ) Lei Oramentria Anual.

    d. ( ) Lei de Responsabilidade Fiscal.

    e. ( ) Todas as alternativas esto corretas.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    3) De acordo com os conceitos e definies disponibilizados nesta Unidade, o Planejamento Estratgico, ao ser elaborado, deve:

    a. ( ) contemplar objetivos e metas para um segmento especfico da empresa.

    b. ( ) definir os objetivos e metas para realizao a curto prazo.

    c. ( ) traduzir aes especializadas, como marketing, recursos humanos, etc.

    d. ( ) conter os objetivos globais da organizao.

    e. ( ) Todas as alternativas esto corretas.

    4) Na relao entre as leis do oramento e os processos de planejamento e oramento da esfera privada, a Lei de Diretrizes Oramentrias, configura-se como:

    a. ( ) planejamento estratgico.

    b. ( ) planejamento operacional.

    c. ( ) planejamento ttico.

    d. ( ) planejamento estratgico, ttico e operacional.

    e. ( ) No h qualquer correlao entre eles.

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    Oramento Pblico

    Unidade 1

    Saiba mais

    Para aprofundar seus conhecimentos no tema focado nesta unidade, sugerimos a voc a leitura dos livros abaixo relacionados, pois neles os autores trabalham mais profundamente as questes pertinentes ao planejamento e ao oramento, aplicando uma linguagem de fcil entendimento.CHIAVENATO, Idalberto. Teoria geral da administrao. 5. ed. So Paulo: Campus, 1997.MAXIMIANO, Antonio Csar Amauri. Teoria geral da administrao. 3. ed. So Paulo: Atlas, 2002.SCHERMERHORN, Jr John R. Administrao. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

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  • UNIDADE 2

    Origem, evoluo e noes conceituais do oramento pblico

    Objetivos de aprendizagem

    Formar concepo acerca da origem do oramento pblico.

    Estudar e compreender os aspectos ligados evoluo conceitual do oramento pblico.

    Adquirir domnio relativo viso dos diversos autores sobre oramento pblico.

    Conhecer as funes do oramento pblico.

    Sees de estudo

    Seo 1 Origem e evoluo conceitual do oramento pblico

    Seo 2 Oramento pblico: algumas concepes

    Seo 3 As funes do oramento pblico

    2

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  • 36

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Voc sabia que o oramento pblico originou-se por volta dos anos 1200, quando todos os bens pertenciam ao rei?Tem conhecimento de que, at pouco tempo, o oramento tinha por objetivo, exclusivamente, a previso de receitas e fixao de despesas, sem qualquer funo de controle?Sabe que o oramento pblico exerce funes relevantes em relao ao contexto econmico do pas?Se no sabe responder por completo a estas indagaes, no se desespere, pois, estudando com dedicao o contedo desta unidade, voc responder a elas com tranquilidade.

    SEO 1 Origem e evoluo conceitual do oramento pblico

    Origem do oramento pblico

    Qual a origem do oramento pblico? Voc sabe? Vamos conhec-la? O oramento pblico originou-se na Inglaterra, com a chamada Carta Magna de So Joo Sem Terra, em 1215. Naquele perodo arrecadavam-se impostos apenas para satisfazer as necessidades da famlia real. Todos os bens pertenciam ao rei, e este podia cobrar imposto de acordo com a sua convenincia.Com o advento da Carta Magna de So Joo Sem Terra, houve uma diminuio do poder do rei, que no mais poderia cobrar imposto sem a autorizao do conselho formado pela reunio da nobreza, o qual, posteriormente, transformou-se em Parlamento. Com essa transformao, deu-se incio mudana no conceito de arrecadao de impostos. Essa nova conceituao dos procedimentos de cobrana de impostos pode ser equiparada, em nossos tempos, com o princpio da legalidade, por meio do qual no se pode exigir ou cobrar tributos sem estabelecimento em lei.

    Redigida em latim brbaro, a Magna Carta Libertatum seu Concordiam inter regem Johannen at barones pro concessione libertatum ecclesiae et regni angliae (Carta magna das liberdades, ou Concrdia entre o Rei Joo e os Bares para a outorga das liberdades da Igreja e do rei ingls) foi a declarao solene que o rei Joo da Inglaterra, dito Joo Sem-Terra, assinou, em 15 de junho de 1215, perante o alto clero e os bares do reino. Fonte: Comparato, Fbio Konder. A Afirmao Histrica dos Direitos Humanos. So Paulo, Ed. Saraiva, 1999. (Fonte: Wikipdia)

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  • 37

    Oramento Pblico

    Unidade 2

    Mas o que aconteceu depois?

    Mais adiante, em 1628, instituiu-se uma espcie de postulado do direito, que os dirigentes da poca denominaram de Petition of Rights. Tal postulado estabeleceu a necessidade de autorizao para que o imposto fosse institudo, pois, antes da aprovao da lei, deveria haver a aprovao pelo parlamento, introduzindo, assim, o princpio da anterioridade na cobrana de impostos, hoje tambm amplamente tratado pelos doutrinadores da esfera tributria. Somente em 1689, quase um sculo depois, o rei definitivamente aceitou os postulados do direito (intitulados, naquele tempo, Bill of Rights) e a Lei dos Meios, atravs dos quais o parlamento passou a ter o poder de criar e autorizar a cobrana de tributos, alm de autorizar a despesa do governo. Pode-se dizer que essa condio de criar e autorizar a arrecadao de tributos e conceder autorizao para os gastos do governo permeia o afloramento do que se denomina oramento.Com o afloramento da economia moderna, o oramento passou a ser encarado como instrumento de planejamento econmico e indispensvel ao desenvolvimento do Estado. Conhecida como a Lei dos Meios, a Lei Oramentria se configura como o mais importante instrumento de direcionamento da poltica de desenvolvimento do Estado, pois assegura amplitude de abrangncia, haja vista a obedincia ao Princpio da Universalidade, em matria de recursos que contempla, e ao Princpio da Unidade, em relao aos nveis institucionais que o integram.

    Assim, possvel conceituar o oramento pblico como um plano de trabalho, expresso em termos financeiros, contendo os meios de financiamentos das despesas do governo, aprovado por lei para um determinado perodo de tempo.

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  • 38

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Nessa seo, voc teve a oportunidade de ver como surgiu o oramento pblico, uma breve contextualizao histrica e conheceu a definio de oramento. Na seo seguinte, voc vai estudar o oramento pblico na viso de diversos autores. Vamos l?

    SEO 2 Oramento pblico: algumas concepes

    Oramento pblico segundo Musgrave

    Por considerar que, embora as operaes de finanas pblicas envolvam fluxos monetrios de receitas e despesas, seus problemas bsicos no dizem respeito a tpicos financeiros, e sim moeda e sua liquidez pelos mercados de capitais, Musgrave (1976), ao estabelecer seu conceito de oramento pblico, leva em conta a necessidade de exao na alocao de recursos, de distribuio de renda e riqueza e de estabilidade econmica; parte, portanto, de uma investigao dos princpios da Economia Pblica. Na perspectiva estabelecida por Musgrave (1976), o plano oramentrio deve ser determinado com base no estabelecimento de regras e princpios que proporcionem uma gesto eficiente da economia pblica. Parte-se, desta forma, do ideal, desconsiderando-se as imperfeies do mundo real. Trata-se da teoria normativa, ou tima, do setor pblico.

    Do que depende uma boa poltica oramentria?

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  • 39

    Oramento Pblico

    Unidade 2

    Para que se consiga implantar um plano de oramento que atenda os objetivos e as necessidades a que ele se prope, necessrio o estabelecimento de uma poltica oramentria composta por trs objetivos bsicos:

    a) assegurar ajustamentos na alocao de recursos;b) conseguir ajustamento na distribuio de renda e

    riqueza;c) garantir a estabilizao econmica.

    Oramento pblico na viso de Guilherme Moojen

    Moojen (1959) destaca que o oramento algo mais que uma simples previso de receita e estimativa de despesa. ou deve ser , ao mesmo tempo, um relatrio, uma estimativa e uma proposta.Voc concorda? Vamos ver o que isso significa?

    ou deve ser um documento por cujo intermdio o chefe executivo, como autoridade responsvel pela conduta dos negcios do governo, se apresenta autoridade a quem compete criar fontes de renda e conceder crditos e faz perante ela uma exposio completa sobre a maneira pela qual ele e seus subordinados administraram os negcios pblicos no ltimo exerccio.

    ou deve ser um documento em que se expe a situao do tesouro pblico no momento. Na base dessas informaes que ele traa o seu programa de trabalho para o exerccio seguinte e, ainda, como deve ser financiado esse programa.

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  • 40

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para Jesse Burkhead o que oramento pblico?

    Burkhead (1971) diz que o oramento pblico utilizado como instrumento para dirigir a economia de uma nao. O grau de sua influncia varia de pas para pas, de acordo com a importncia do setor pblico no contexto geral da atividade econmica pblica e privada. Depende tambm das alteraes que possam ser introduzidas na amplitude ou na composio do oramento, a fim de influenciar a quantidade e a natureza da atividade econmica.A caracterstica econmica do oramento como instrumento de controle tambm o produto da filosofia poltica de uma nao e, em particular, das atitudes que predominam relativamente ao papel e a responsabilidade do governo.

    O oramento reflete e molda, ao mesmo tempo, a atividade econmica de uma nao.

    , portanto, muito mais do que um simples plano de administrao do setor governamental. Os tipos de atividades governamentais constantes do oramento iro refletir as necessidades nacionais mais importantes e que exigem ao por parte do Estado.

    Oramento pblico segundo Flvio da Cruz (1988)

    O autor estabelece que oramento pblico o meio de prever as intenes da programao econmica e financeira que o Poder Executivo deseja adotar no exerccio financeiro seguinte. Segundo Cruz (1988) para o oramento ser legtimo dever ser submetido concordncia do Poder Legislativo, que representa o interesse da populao e possui finalidades diversas.

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  • 41

    Oramento Pblico

    Unidade 2

    Oramento pblico na tica de Aliomar Baleeiro (1975)

    Oramento o ato pelo qual o Poder Legislativo prev, e autoriza o Poder Executivo, por certo perodo e em pormenor, as despesas destinadas ao funcionamento dos servios pblicos e outros fins adotados pela poltica econmica ou geral do Pas, assim como a arrecadao das receitas criadas por lei.

    Seo 3 As funes do oramento pblico

    Funo de controle poltico

    Nos tempos atuais, o oramento pblico reconhecido como um instrumento que apresenta mltiplas funes. A mais clssica delas aflorou junto com a formao dos Estados Nacionais, decorrente do processo de unificao dos reinos, ocorrido no final do sculo XIV, em Portugal, e no sculo XV, na Frana, Espanha e Inglaterra. Nessa poca, teve por funo limitar o poder dos governantes, visto que imps antecedncia para a criao ou aumento de tributos.

    Funo de planejamento

    Outras funes, mais contemporneas, surgiram ao longo dos anos, tais como, as funes administrativa, gerencial, contbil e financeira. No Brasil, a funo mais recentemente incorporada foi a de planejamento, que est associada tcnica de oramento por programas.Nessa funo, o oramento deve espelhar as polticas pblicas, proporcionando sua anlise pela finalidade dos gastos.

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  • 42

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Funo de controle fiscal

    Neste incio do 2 milnio, a transparncia e a responsabilidade na gesto fiscal ganharam papel

    de destaque na esfera da administrao pblica, especialmente aps o advento da Lei Complementar 101, de 05 de maio de 2000, a conhecida e propagada Lei de Responsabilidade Fiscal. funo de planejamento foi concedida maior

    importncia porque, do ponto de vista macroeconmico, aspectos fiscais associados s finanas pblicas acabaram por

    atribuir ao oramento a funo de instrumento de controle na gesto fiscal.

    Oramento pblico e as funes de Estado

    de conhecimento geral que os governos costumam participar de muitas formas na economia dos pases, especialmente na conduo da poltica monetria, na administrao de empresas estatais, na regulamentao dos mercados privados, sendo a atividade oramentria o meio capaz de propiciar essa participao e influenciar no curso das atividades econmicas do Pas. Constituindo-se parte integrante na conduo das atividades econmicas, o governo executa as funes econmicas que o Estado precisa exercer. Assim, em relao ao oramento, podemos dividir essas funes econmicas do Estado em: funo alocativa, distributiva e estabilizadora.

    Funo Alocativa

    Por meio da funo alocativa, o governo dirige a utilizao dos recursos totais da economia, incluindo a oferta de bens pblicos. Por meio dela, o governo poder criar incentivos para melhor desenvolver determinados setores econmicos em relao a outros.

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  • 43

    Oramento Pblico

    Unidade 2

    Para ratificar esse entendimento, imagine que o governo tenha interesse em desenvolver o setor de energia numa determinada regio e, que, na anlise das necessidades, constatou que, para dita regio, a forma mais racional de energia a gerada por usinas hidreltricas.

    Por decorrncia dessa necessidade regional e do interesse do governo, de se esperar que o oramento governamental apresente cifras substanciais alocadas em projetos de construo de usinas e linhas de transmisso ou, at mesmo, registre despesas oriundas de incentivos fiscais a serem concedidos a empresas construtoras de complexos hidreltricos e distribuio de energia.Oportuno e necessrio se faz assentar que o Estado, na condio de indutor do processo econmico, deve estabelecer critrios e prioridades bem definidos para a alocao dos recursos, pois certo que, ao optar pelo desenvolvimento de um setor, acabar abrindo mo de outras escolhas possveis, principalmente quando os recursos financeiros forem inferiores s possibilidades de gasto.

    Funo Distributiva

    Tambm conhecida como funo redistributiva, por meio dela o governo deve combater os desequilbrios regionais e sociais, promovendo o desenvolvimento das regies e classes menos favorecidas, visando ao crescimento equilibrado do pas.

    Veja, por exemplo: se o governo desejasse combater as desigualdades verificadas numa dada regio, na qual parte a populao analfabeta, obviamente seria de se esperar que o oramento governamental contemplasse aquela regio, estado ou municpio, com aes vinculadas a algum programa de reduo do analfabetismo. Para financiamento dessas aes, deveriam ser destacados recursos captados de classes econmico-sociais ou de regies mais abastadas, por meio da poltica tributria. Outros importantes segmentos a serem contemplados com a observncia dessa funo oramentria constituem as reas de saneamento bsico e moradia.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Essa prerrogativa constitucional de direcionar o oramento para a soluo de problemas regionais, assegura ao oramento governamental a expresso da funo distributiva, que e deve ser exercida pelo governo, com o propsito de promover a reduo das desigualdades sociais.

    Funo Estabilizadora

    Sendo o oramento um plano de aes, no qual o governo detalha seus programas, metas e objetivos, alm de estimar as receitas e fixar as despesas que viabilizaro o desenvolvimento das aes e o alcance dos objetivos, claro est que ao governo concedida a prerrogativa de estabelecer as prioridades na busca do desenvolvimento econmico e do bem-estar da sociedade.Nesse contexto, o oramento governamental assume a funo estabilizadora, isto , aquela relacionada s escolhas oramentrias na busca do pleno emprego dos recursos econmicos, da estabilidade dos preos, do equilbrio da balana de pagamentos e das taxas de cmbio, ou seja, de aes que, de forma global, visam ao crescimento econmico em bases sustentveis.H que se destacar que, no Brasil, nas duas ltimas dcadas, a funo estabilizadora, ou a poltica de estabilizao, vem sendo concentrada no combate inflao e na estabilizao do nvel geral de preos.

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  • 45

    Oramento Pblico

    Unidade 2

    Sntese

    Nesta unidade voc teve a oportunidade de observar que o oramento pblico data do incio dos anos de 1200, com a Carta Magna de So Joo Sem Terra, e que os impostos, naqueles tempos, destinavam-se, quase que exclusivamente, a satisfao da famlia real.Observou, tambm, que o oramento pblico transformou-se conceitualmente, assimilando os sintomas de cada poca, adquirindo a viso de cada um dos pensadores do perodo, inclusive dos tempos atuais, evoluindo de uma pea meramente formal para instrumento de planejamento e controle de gesto.Teve ainda, a oportunidade de conhecer e estudar as funes do oramento pblico e relacion-lo s aes ou funes de governo, o qual promove a alocao de recursos com vistas ao atendimento das necessidades regionais, buscando a distribuio equitativa desses recursos para assegurar o equilbrio do sistema econmico.

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  • 46

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Atividades de autoavaliao

    1) Em rpidas palavras, trace um comentrio acerca da evoluo conceitual do oramento pblico.

    2) Voc considera que existe ligao entre os objetivos bsicos da poltica oramentria proposta por Musgrave e as funes do oramento pblico relacionadas s funes do governo?

    SIM ( ) ou no ( ). Comente sua resposta.

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  • 47

    Oramento Pblico

    Unidade 2

    3) Com o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar n. 101/000, ao oramento pblico, foi estabelecida uma nova dimenso de importncia em relao administrao pblica brasileira. Nessa dimenso, vamos encontrar, alm do planejamento, a transparncia e a responsabilidade na gesto fiscal. Comente de que forma voc definiria essa transparncia e essa responsabilidade na Gesto Fiscal.

    4) Voc considera existir relao entre as trs funes econmicas do governo? Em caso positivo, destaque de que forma ela ocorre.

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  • 48

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Saiba mais

    Voc sabe que a busca do aprendizado contnuo e o domnio da rea estudada de fundamental importncia a qualquer cidado, especialmente quando se fala do mundo da administrao pblica e por ele se pretende trilhar. Assim, se pretender aprofundar seus conhecimentos acerca da origem e evoluo e tambm das funes do oramento pblico, recomendamos acesso aos seguintes livros:GIACONOMI. James. Oramento pblico. 13. ed. So Paulo: Atlas, 2005.ARAJO, Inaldo e ARRUDA, Daniel. Contabilidade pblica. Da Teoria Prtica. So Paulo: Saraiva, 2004.

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  • UNIDADE 3

    Tipos de oramento pblico

    Objetivos de aprendizagem

    Adquirir domnio em relao aos tipos de oramento pblico.

    Conhecer o oramento financeiro ou tradicional.

    Estudar e compreender os aspectos ligados ao oramento moderno.

    Agregar conhecimentos acerca das caractersticas do oramento programa.

    Formar concepo relativa aos aspectos e elementos formadores do oramento pblico no Brasil.

    Sees de estudo

    Seo 1 Oramento tradicional ou financeiro

    Seo 2 Oramento programa

    Seo 3 Oramento pblico no Brasil

    3

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Voc conhece as caractersticas do oramento financeiro ou tradicional? Tem conhecimento dos aspectos norteadores do oramento moderno? Conhece os elementos, as leis e normas que regulam o oramento pblico no Brasil?Voc certamente no tem condies de responder a todas essas indagaes; mas no se preocupe, pois nesta unidade vamos dialogar e trocar informaes acerca desses assuntos e, ao final, voc responder com preciso a cada uma dessas perguntas.Vamos l!

    SEO 1 Oramento tradicional ou financeiro

    Utilizado na fase embrionria do oramento pblico tambm conhecido como oramento clssico , configurou-se como instrumento utilizado pelo Estado para demonstrar as previses de receitas e autorizaes de despesas. Apresentava algumas caractersticas peculiares da poca,

    quais sejam:a) classificava as despesas por unidade oramentria e

    objeto de gasto;b) tinha por fim a busca do equilbrio entre receitas e os

    gastos pblicos;c) preocupava-se basicamente com as questes tributrias,

    deixando de lado os aspectos econmicos e sociais.Conforme se observa pelas caractersticas deste oramento, nesse perodo no havia qualquer preocupao com aspectos ligados s funes do oramento e em relao s funes do Estado, isto , no existia qualquer fundamentao relacionada ao planejamento, controle e fiscalizao.Surge a preocupao com a economia e a necessidade de se dispensar maior ateno aos elementos direcionadores do processo de desenvolvimento econmico.

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  • 51

    Oramento Pblico

    Unidade 3

    O oramento pblico comea a adquirir uma forma de plano de ao por meio do qual o Estado busca incrementar as intervenes na economia. O oramento assume, portanto, a condio de instrumento auxiliador do Executivo, voltando-se para as funes de planejamento, execuo e controle. Muda-se o enfoque principal, que passa a ser direcionado para o controle econmico, observando-se, na aplicao do oramento, o carter da maior produo com menor custo.

    Observa-se, portanto, que, alm de prever as receitas e autorizar as despesas, o oramento pblico passa a adquirir a configurao de elemento condutor dos meios necessrios consecuo das aes e servios pblicos e auxiliador do processo de desenvolvimento econmico do Pas.

    O oramento moderno tinha como principal funo servir como instrumento de administrao, configurando-se um plano que expressa, em termos monetrios para um perodo de tempo definido, o programa de operaes do governo e os meios de financiamento desse programa.

    SEO 2 Oramento programa

    um sistema pelo qual se presta particular ateno s coisas que um governo realiza mais do que s coisas que adquire: estradas, escolas, terras distribudas, casos tramitados e resolvidos, permisses expedidas, estudos elaborados ou qualquer das inmeras coisas que podem ser apontadas.Este oramento traz como objetivo a demonstrao dos propsitos, objetivos e metas, para os quais a administrao solicita os recursos necessrios, identificando os custos provveis dos programas propostos para alcanar os objetivos. As caractersticas bsicas do oramento programa so:

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  • 52

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    recursos oramentrios necessrios para atingir objetivos e metas;

    instrumento de planejamento que permite acompanhar, avaliar e controlar a execuo dos programas governamentais;

    fixao de metas para as receitas e despesas com o fim de atender s necessidades econmicas e sociais da populao;

    identificao dos meios ou insumos (pessoal, material, equipamentos, servios, etc.) necessrios para obteno dos resultados;

    principal critrio de classificao: funcional-programtica (ou por programa).

    SEO 3 Oramento pblico no Brasil

    Podemos dividir os fatos pertinentes ao oramento pblico no Brasil, em quatro estgios distintos, destacando-se:

    a) o perodo embrionrio, compreendendo a origem e as transformaes do processo oramentrio, no perodo compreendido entre 1800 e 1960;

    b) a padronizao instituda pela Lei n. 4.320/64;c) o grande Sistema Oramentrio institudo pela

    Constituio Federal de 1988;d) o instrumento de acompanhamento, controle e avaliao

    da Gesto Fiscal, ratificado pela Lei de Responsabilidade Fiscal;

    e) a sistematizao e padronizao dos procedimentos institudos pelas Secretarias do Tesouro Nacional e do Oramento Federal, aps o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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  • 53

    Oramento Pblico

    Unidade 3

    Perodo embrionrio do oramento pblico no Brasil

    No Brasil a histria do oramento pblico iniciou-se com a vinda de D. Joo VI, que promoveu a abertura dos portos e, em 1808, criou o Errio Pblico (Tesouro), atravs do Alvar de junho do mesmo ano.Com a Constituio Imperial de 1824, surgiram as primeiras exigncias no sentido da elaborao de oramentos formais, com a Carta Magna assim estabelecendo em seu Artigo 172:

    Art. 172. O ministro de estado da fazenda, havendo recebido dos outros ministros os oramentos relativos s despesas das suas reparties, apresentar na cmara de deputados, anualmente, logo que esta estiver reunida, um balano geral da receita e despesa do tesouro nacional do ano antecedente, e igualmente o oramento geral de todas as despesas pblicas do ano futuro e da importncia de todas as contribuies e rendas pblicas.

    A citada Constituio assim distribua a competncia dos poderes imperiais em matria tributria e oramentria:

    a) ao Executivo, competia a elaborao da proposta oramentria, regra que permanece nos tempos atuais, conforme preceitua a Constituio Federal de 1988;

    b) Assemblia Geral (Cmara dos Deputados e o Senado), a aprovao da lei oramentria;

    c) Cmara dos Deputados, a iniciativa das leis dos impostos (tributos).

    Posteriormente, em agosto de 1834, atravs da edio de emenda Constituio Imperial, foi regulado o funcionamento das Assembleias Legislativas Provincianas.Com a Constituio de 1891, surge a Proclamao da Repblica e, com isto, promoveu-se uma srie de alteraes na distribuio das competncias. Como primeiro marco dessa nova fase, em 1922, o Congresso Nacional aprovou o Cdigo de Contabilidade da Unio (Decreto n. 15.873, de 18 de novembro de 1922), sendo que tal Diploma Legal atribua Contadoria Central

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    da Repblica a competncia para a preparao das propostas oramentrias da receita e da despesa da Repblica.Mais adiante, por decorrncia das Revolues de 1930 e 1934, ocorreu o rompimento com o passado, fazendo emergir a modernizao do aparelho do Estado, que passou a ter maior autonomia, concentrando maior poder na esfera federal.

    Promulgada a Constituio de 1934, o oramento mereceu maior destaque, sendo classificado em seo prpria da Carta Constitucional. A competncia para sua elaborao foi atribuda ao Presidente da Repblica.

    As crises polticas daquela poca submeteram o Pas a um forte regime autoritrio, dando origem ao Estado Novo, gerador da Constituio de 1937. Nesse instrumento, as questes relacionadas proposta oramentria ganharam captulo especial e integrado por seis captulos especficos.J, em 1946 veio a redemocratizao do Pas, e o oramento voltou a ser elaborado de forma mista, isto , o Executivo elaborava o projeto de lei do oramento e o encaminhava para discusso e votao nas casas legislativas, e nestas j se consagravam os princpios bsicos da unidade, universalidade, exclusividade e especializao, sendo tambm destacado o papel do Tribunal de Contas.

    Padronizao do oramento pblico

    A dcada de 1964 foi contemplada pelas caractersticas marcadamente autoritrias, destacando-se o equilbrio entre os Poderes Executivo e Legislativo, principalmente na questo das competncias. Em 17 de maro daquele ano, o Congresso Nacional

    aprovou a Lei n. 4.320, marcando a figura do consenso na padronizao do oramento pblico, sendo, a partir da,

    adotado o oramento padro para as trs esferas de Governo.

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  • 55

    Oramento Pblico

    Unidade 3

    O legislador, ao editar a Lei n. 4.320, de 17 de maro de 1964, destacou os captulos de I a VIII, as matrias pertinentes s disposies gerais em relao ao oramento, a elaborao da proposta oramentria, a elaborao da lei do oramento, definiu o exerccio financeiro, estabeleceu os instrumentos modificadores do oramento, os critrios a serem observados na execuo do oramento, definiu o que so os fundos especiais e tambm as regras de controle da execuo oramentria.A dita Lei, em seu Artigo 23, j contemplava a edio de previses plurienais, definindo que as receitas e despesas de capital sero objeto de um Quadro de Recursos e de Aplicao de Capital, aprovado por decreto do Poder Executivo, abrangendo, no mnimo, um trinio.

    O sistema oramentrio institudo pela Constituio de 1988

    Com o advento da Constituio Federal de 1988, alavancou-se a concepo que associa o planejamento e o oramento na condio de elos de um grande sistema de previso, fixao, execuo e controle.O Oramento Pblico passou a ser elaborado no mais por apenas uma lei, conforme previa a Lei n. 4.320/64, mas atravs de um conjunto de leis, contemplando o plano plurianual, que abrangem as despesas de capital, aquelas que delas decorrerem e as destinadas aos programas de durao continuada e que devem ser estabelecidas de forma a atender as necessidades regionais. Surge a obrigatoriedade da edio de lei que contemple as diretrizes oramentrias, tendo a funo de orientar a elaborao e a execuo dos oramentos anuais e, finalmente, a lei do oramento, que passa a ser o instrumento autorizador da arrecadao das receitas e execuo das despesas necessrias ao desenvolvimento das aes e servios pblicos, incluindo os investimentos no sistema econmico.

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  • 56

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Instrumento de acompanhamento, controle e avaliao da gesto fiscal

    Apesar de a Constituio Federal de 1988 ter institudo a grande revoluo em relao ao Oramento Pblico, o que se observava aps a sua edio que, mesmo com os novos instrumentos formadores do processo oramentrio, tais peas no asseguravam garantia de controle na execuo dos gastos e muito menos serviam de ferramentas capazes de oferecer instrumentos para avaliao das aes do gestor pblico em relao ao efetivo cumprimento das metas e objetivos traados nas leis do oramento.

    Foi, ento, por decorrncia desse descontrole e amparada na Constituio, que surgiu a Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelecendo normas gerais de finanas pblicas voltadas para a responsabilidade na gesto fiscal, alm de estabelecem outras providncias.

    A Lei Complementar n. 101, de 05 de maio de 2000, Lei de Responsabilidade Fiscal, no 1, do Artigo 1, define que responsabilidade na gesto fiscal pressupe ao planejada e transparente, na qual se previnem riscos e se corrigem desvios capazes de afetarem o equilbrio das contas pblicas. Ainda conforme veremos nas unidades sequenciais de nossa disciplina, introduziu uma srie de dispositivos e regras a serem contemplados na edio da Lei de Diretrizes Oramentrias, dando a esta uma condio especial, o que fez com que alguns estudiosos da matria passassem a denomin-la SUPER LEI do Oramento Pblico.Nunca demais destacar que a Lei de Responsabilidade Fiscal obriga todos os entes da Federao a Unio, os Estados, o Distrito Federal e os Municpios , trazendo tambm uma nova concepo em relao aos elementos formadores da administrao pblica no Brasil, incluindo regras especficas para o acompanhamento das metas de arrecadao, limitao de gastos e do endividamento do Setor Pblico do Pas.

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  • 57

    Oramento Pblico

    Unidade 3

    Sistematizao e padronizao dos procedimentos

    Mais recentemente, aps o advento da Constituio Federal de 1988 e, em especial, como da Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000, conhecida Lei de Responsabilidade Fiscal, a Secretaria do Tesouro Nacional foi elevada condio de rgo sistmico em matria de oramento e finanas do Governo Federal, ficando com a incumbncia de sistematizar e padronizar os procedimentos tanto na esfera do Oramento Pblico como em termos de Contabilidade Pblica.Assim, em conjunto com a Secretaria do Oramento Federal, vem editando uma srie de atos e normas voltadas consolidao e aplicao de metodologia uniforme dos mtodos e processos de elaborao e execuo do Oramento Pblico, os quais devem ser rigorosamente observados pelos Estado, Distrito Federal e Municpios.Atravs da Portaria Conjunta n. STN/SOF 3, de 14 de outubro de 2008, foram aprovados os Manuais da Receita e da Despesa Nacionais, aplicados Unio, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municpios, elaborados, por sua vez a partir da elaborao e execuo da lei oramentria anual pertinente ao exerccio de 2009.Alm destes, podemos citar o Manual Tcnico do Oramento Federal, constantemente atualizado, que voc encontra na pgina da Secretaria do Oramento federal. . Portanto, em qualquer canto do Pas, h de se utilizar a mesma linguagem em relao ao Oramento Pblico, seja na elaborao, na classificao das receitas e despesas e na prpria execuo.- Leia, a seguir a sntese da unidade, realize as atividades de autoavaliao e busque aprofundar seus conhecimentos no Saiba mais.

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  • 58

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Sntese

    Voc viu nesta unidade que o oramento tradicional ou financeiro se preocupava apenas com a previso das receitas e autorizao das despesas, e no com planejamento e controle das aes do Governo.Pde observar que, j com o oramento moderno, passa-se a ter maior preocupao com as questes econmicas e de economia do setor pblico, dando-se nfase aos aspectos da maior produo com menores custos, isto , uma relativa viso para o controle da gesto pblica.O oramento programa e o oramento moderno praticamente se complementam, haja vista seus objetivos principais serem muito semelhantes, trazendo a figura do planejamento estratgico, ttico e operacional calados em princpios slidos e imutveis, alm de estabelecer maior nfase s questes do acompanhamento, controle e avaliao da gesto dos administradores pblicos.Teve, ainda, a oportunidade de estudar e conhecer as fases que levaram consolidao do Sistema Oramentrio, hoje institudo no Pas com a promulgao da Constituio Federal de 1988, que definiu a composio desse sistema atravs das leis que instituem o Plano Plurianual, as Diretrizes Oramentrias e o Oramento Anual.Por fim, tomou conhecimento de que a Lei de Responsabilidade Fiscal a Norma Legal que assegurou, definitivamente, ao oramento a condio de instrumento e controle da gesto fiscal, e que a sistematizao e a padronizao dos procedimentos que vm sendo implementados pelas normas e regulamentos editados pela Secretaria do Tesouro Nacional em conjunto com a Secretaria do Oramento Feral consolidaram, em todo o Territrio Nacional, os processos, mtodos e tcnicas do Oramento Pblico.

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  • 59

    Oramento Pblico

    Unidade 3

    Atividades de autoavaliao

    1) Com auxlio do material produzido nesta unidade, como voc define o oramento tradicional ou financeiro?

    2) Uma das prerrogativas do oramento moderno consistia na economicidade dos gastos pblicos, configurando-se pela viso da maior produo com menor custo. Voc considera que este aspecto tambm se faz presente nas novas regras impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal?

    SIM ( ) ou NO ( ). Comente sua resposta.

    orcamento_publico_TAP.indb 59 31/03/10 15:57

  • 60

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    3) Em administrao e no mundo dos negcios, temos o planejamento estratgico, o planejamento ttico e o planejamento operacional. J vimos que o oramento pblico no Brasil composto pelas Leis do Plano Plurianual, das Diretrizes Oramentrias e do Oramento Anual. Que relao podemos estabelecer entre essas leis e aqueles planejamentos?

    Saiba mais

    A voc, que pretende ir alm e ampliar seus conhecimentos em relao ao assunto abordado nesta unidade, julgamos da maior importncia o acesso s obras a seguir relacionadas, nas quais os autores apresentam excelente contedo, utilizando uma linguagem simples e acessvel.CRUZ, Flvio da; VICCARI Jr. Adauto; GLOCK, Jos Osvaldo; HERZMANN, Nlio; TREMEL, Rosngela. Lei de Responsabilidade Fiscal Comentada. 4. ed. So Paulo: Atlas, 2004.GIACOMONI, James. Oramento pblico. 13. ed. So Paulo: Atlas. 2005.TOLEDO Jr. Flvio C. de; ROSSI, Srgio Ciqueira. Lei de Responsabilidade Fiscal. Comentada artigo por artigo. 2. ed. So Paulo: NDJ, 2004.

    orcamento_publico_TAP.indb 60 31/03/10 15:57

  • UNIDADE 4

    Princpios do oramento pblico

    Objetivos de aprendizagem

    Formar concepo e discorrer com preciso acerca dos princpios do oramento pblico.

    Estudar e conhecer os princpios bsicos do oramento.

    Conhecer os princpios modernos do oramento pblico.

    Sees de estudo

    Seo 1 O que um princpio oramentrio?

    Seo 2 Princpios bsicos do oramento pblico

    Seo 3 Princpios modernos do oramento pblico

    4

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  • 62

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Voc sabia que, assim como a administrao pblica, a licitao, as finanas e o oramento tambm possuem suas regras ptreas, ou seja, aquelas que, para serem aprovadas, excludas ou transformadas, necessitam de quorum especial e que estas se denominam princpios? Voc tem conhecimento da formao do sistema oramentrio? Sabe quais as tcnicas utilizadas na elaborao do oramento?Fique tranquilo(a), pois vamos, ao longo desta unidade, auxili-lo(a) a responder a essas indagaes com segurana.

    SEO 1 O que um princpio oramentrio?

    Qual o Conceito?

    Para iniciar seu estudo, importante entender, primeiramente, o que princpio. Concorda? Ento vamos l!

    Princpios so regras ptreas de um determinado ordenamento, constitucional, poltico, administrativo, etc., que, para serem modificadas, necessitam de quorum ou condio especial para aprovao e/ou homologao.

    importante termos em mente que, ao editar uma lei, o Estado est, de certa forma, intervindo na vida das pessoas e, de forma geral, numa determinada coletividade, podendo essa interveno ser de nvel regional ou geral, neste ltimo caso, abrange toda a coletividade. Tal interveno d-se no momento em que se preveem as receitas que sero ou devem ser arrecadadas por meio dos tributos e quando se fixam as despesas a serem executadas, frente a prestao de servios e execuo de obras.

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  • 63

    Oramento Pblico

    Unidade 4

    Esse poder intervencionista assegura ao oramento pblico a consolidao do seu principal objetivo ou finalidade, que consiste na sua condio de instrumento por meio do qual so desenvolvidos os programas de governo; e de elemento de suma importncia para a gesto econmica e financeira do Estado. O oramento pblico faculta o desenvolvimento econmico social, visando a atender os anseios da sociedade, e, assim, fazer valer o interesse coletivo.Entretanto, para que o oramento pblico seja realmente a expresso fiel do programa de governo e contemple efetivamente as aspiraes da coletividade, necessria e indispensvel se faz a observncia de alguns princpios basilares, os quais passamos a destacar.

    SEO 2 Princpios bsicos do oramento pblico

    Passamos a destacar os princpios bsicos do oramento pblico, sendo importante lembrar que eles tm por finalidade refletir os mandamentos constitucionais e legais do oramento pblico. Vamos a eles?

    Princpio da unidade

    Este Princpio encontra-se esculpido no Artigo 2 da Lei n. 4.320, de 17 de maro de 1964, e estabelece que a lei deve reunir em um nico oramento todas as receitas e todas as despesas do Estado.

    Princpio da universalidade

    O Princpio da Universalidade se encontra definido nos Artigos 2, 3 e 4 do mesmo Diploma Legal e consiste na determinao de que no oramento devem estar previstas todas as receitas e todas as despesas de todos os Entes da Federao.

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  • 64

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Princpio do oramento bruto

    Definido pelo Artigo 6 da Lei n. 4.320/64, determina que as receitas e as despesas devem constar do oramento pelo seus valores brutos, isto , sem qualquer modalidade ou tipo de deduo.O legislador, quando assim imps no texto legal, associou este princpio diretamente s regras da competncia tributria de cada ente da Federao, e, assim, os tributos que um ente da Federao tenha que repartir com outro ente, por fora dos dispositivos constitucionais, devem figurar nas previses de receitas do oramento do ente que detm a competncia tributria para sua arrecadao e pelo seu valor integral (100%). Evidentemente que, por constituir uma obrigao constitucional, a transferncia a outros entes dever tambm ser consignada despesa oramentria, titulada pelas transferncias constitucionais.

    Princpio da anualidade ou periodicidade

    Tambm definido pela Lei n. 4.320/64, em seu Artigo 2, foi tambm ratificado pelo Inciso III do Artigo 165 da Constituio Federal de 1988. Contempla que o oramento deve ser elaborado e autorizado para um perodo de tempo, ou seja, um ano.

    Princpio da no afetao da receita

    Este princpio advm do texto constitucional, especialmente do Artigo 167, que estabelece as vedaes em matria oramentria, com os Incisos IV e XI, do mesmo artigo, assim definindo:

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  • 65

    Oramento Pblico

    Unidade 4

    Art. 167. So Vedados: [...] IV a vinculao de receita de impostos a rgo, fundo ou despesa, ressalvadas a repartio do produto da arrecadao dos impostos a que referem os arts. 158 e 159, a destinao de recursos para as aes e servios de sade, para manuteno e desenvolvimento de ensino e para realizao de atividades da administrao tributria, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, 2, 212 e 37, XXII, e a antecipao de receita, prevista no art. 165, 8, bem como o disposto no 4 deste artigo. [...] XI a utilizao dos recursos provenientes das contribuies sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realizao de despesas distintas do pagamento de benefcios do regime geral de previdncia social de que trata o art. 201.

    Assim, observadas as regras constitucionais, podemos assegurar que o princpio da no afetao da receita consiste na impossibilidade de, na elaborao da proposta oramentria, as receitas de impostos serem vinculadas a determinados rgos, fundos ou despesas, excetuando-se apenas e to somente os casos nela previstos.

    Princpio da especificao

    Tambm tratado por alguns autores como princpio da discriminao e/ou especializao, este, na forma do disposto no Artigo 2, 1, Inciso III e nos Artigos 5 e 8, 15 e 20 da Lei n. 4.320/64, determina que as receitas e as despesas devem constar no oramento de maneira discriminada, de tal forma que se possa saber, pormenorizadamente, a origem dos recursos e sua destinao.

    Princpio da exclusividade

    Excludos os investimentos das empresas estatais controladas e dependentes do oramento da seguridade social, previstos nos Incisos II e III do 5 do Artigo 165 da Constituio Federal de 1988, e no Artigo 5 da Lei n. 4.320/64, este princpio estabelece que a Lei Oramentria no conter dispositivo estranho previso de receita e fixao da despesa.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Princpio do equilbrio

    Este princpio visa a consagrar o disposto no 1 do Artigo 7 da Lei n. 4.320/64, que assim define:

    1 Em casos de dficit, a Lei de Oramento indicar as fontes de recursos que o Poder Executivo fica autorizado a utilizar para atender sua cobertura.

    Estando autorizado o Poder Executivo nos casos em que o valor total das receitas possveis de serem arrecadadas for inferior ao montante das despesas a serem executadas , a indicar as fontes de recursos necessrios eliminao desse dficit para o fechamento da Lei Oramentria Anual (LOA), fica, evidentemente, claro que o princpio do equilbrio assegura, exatamente, que o somatrio das despesas a serem executadas seja igual ao valor total das receitas previstas.

    Princpio da clareza

    O oramento pblico deve observar que ter como finalidade o cumprimento de mltiplas funes, tais como, a funo autorizativa para que o governo desenvolva suas atividades e realize as aes necessrias satisfao do bem comum. Servir, tambm, como instrumento de acompanhamento e controle da execuo daquelas aes, de modo a assegurar a eficincia, eficcia, efetividade e economicidade na aplicao do errio pblico; alm disso, deve ser executado com transparncia, isto ,

    viabilizando o amplo conhecimento da sociedade.Assim, para que o oramento possa cumprir essa diversidade de funes que lhe so inerentes, deve ser

    elaborado em linguagem clara e compreensvel a todos aqueles que, por fora de ofcio ou interesse, precisem

    manipul-lo.

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    Oramento Pblico

    Unidade 4

    Princpio da exatido

    Este princpio visa a assegurar que a proposta oramentria seja elaborada o mais prximo possvel da realidade, isto , as receitas devem ser previstas em bases slidas de arrecadao, de forma que as despesas possam ser fixadas em nveis reais para a consecuo dos objetivos sociais da unidade.Deve observar o princpio da economicidade na administrao pblica, sem a incluso de valores compensatrios da no observao desse princpio, ou para compensar possveis cortes no oramento.

    SEO 3 Princpios modernos do oramento pblico

    Na seo anterior, voc viu princpios bsicos do oramento pblico. Vamos, agora, analisar os princpios modernos do oramento pblico.

    Princpio da limitao do poder de tributar

    Este contempla a observncia das regras estabelecidas nos Artigos 157 a 165, da Constituio Federal de 1988, que estabelecem as limitaes do Estado em instituir, aumentar e cobrar tributos.

    Princpio da transao e remanejamento de recursos

    Contempla, exatamente, as excees asseguradas pelo texto constitucional ao princpio da exclusividade, dando margem ao administrador pblico, nos casos especiais previstos no Inciso IV do Artigo 167, a estabelecer certa vinculao da receita de tributos a determinados fundos especiais e oferec-los, em garantia ou contragarantia, Unio e ao pagamento de dbitos para com esta.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Princpio da publicidade

    Conforme destacado no princpio da clareza, o oramento pblico constitui pea de relevante importncia e significao, no apenas para a administrao pblica mas tambm para a sociedade em geral, pelo interesse que desperta. Nesse pice, deve merecer ampla publicidade, o que se materializa com a publicao das leis oramentrias nos dirios oficiais. Porm, o ideal seria que, alm da publicao das leis, resumos comentados da proposta oramentria e seus anexos, fossem amplamente difundidos, com a finalidade de proporcionar que o maior nmero possvel de pessoas se inteirem das realizaes almejadas pelas administraes pblicas.

    Princpio da programao

    Conforme j vimos, ao longo dos tempos o oramento pblico se apresenta em processo de constante evoluo, especificamente em decorrncia da crescente demanda de encargos da administrao

    pblica e de seus recursos cada vez mais escassos.Por decorrncia dessa transformao constante, o oramento pblico, que at ento era utilizado como instrumento de autorizao e controle parlamentar sobre as aes do Poder

    Executivo, ou at ento tinha esta funo, passa condio de instrumento auxiliar da administrao, notadamente como tcnica e/ou elo entre as funes planejamento e gerncia. Para tanto, vem sofrendo mudanas profundas em sua linguagem, com o objetivo de veicular a programao de trabalho do governo, assim como os meios necessrios para atingir os objetivos e metas perseguidas.

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    Oramento Pblico

    Unidade 4

    O Manual da Despesa Nacional, cuja 1 Edio foi aprovada pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 14 de outubro de 2008, destaca que, alm dos j citados, o Oramento Pblico contempla tambm o Princpio da Legalidade. Voc concorda que o fundamento deste Princpio deve possuir a mesma fundamentao do Princpio da Legalidade aplicado Administrao Pblica?

    Utilize o espao abaixo para deixar registrada sua opinio.

    - Leia, a seguir a sntese da unidade, realize as atividades de autoavaliao e busque aprofundar seus conhecimentos no Saiba mais.

    Sntese

    Nesta unidade, voc estudou (e pde ampliar seus conhecimentos) os elementos norteadores da elaborao da proposta, da edio da lei oramentria e execuo do oramento pblico.Viu que estes elementos so denominados princpios, e que constituem as regras ptreas em matria oramentria, as quais para serem modificadas, necessitam de quorum privilegiado e especial na hierarquia das leis, isto , de lei complementar. Seus postulados, so, destacados a seguir.

    Princpio da unidade Oramento nico para o exerccio financeiro.

    Princpio da universalidade Oramento deve contemplar todas as receitas e despesas e para todos os poderes e rgos dos entes da federao.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Princpio do oramento bruto Receitas e despesas devem figurar no oramento sem qualquer deduo.

    Princpio da anualidade Oramento para o ano civil. Princpio da no afetao da receita Receitas no podem ficar vinculadas a determinada despesa, exceto previso de lei.

    Princpio da especificao Tambm conhecido como princpio da discriminao ou especializao, define que as despesas devem ser detalhadas, pelo menos, em nvel de elemento para facilitar compreenso.

    Princpio da exclusividade Lei oramentria tratar exclusivamente de matria de natureza oramentria.

    Princpio do equilbrio Montante das despesas fixadas igual ao somatrio das receitas previstas.

    Princpio da clareza Oramento deve ser elaborado em linguagem clara e compreensvel para facilitar o manuseio pelas pessoas interessadas.

    Princpio da exatido Proposta oramentria o mais prxima possvel da realidade.

    Princpios da limitao ao poder de tributar Limitaes constitucionais de instituir e cobrar tributos.

    Princpio da transao e remanejamento de recursos Admite a vinculao da receita nos casos previstos na Constituio.

    Princpio da publicidade Alm da publicao de lei, o ideal seria a incluso de notas explicativas.

    Princpio da programao Oramento como instrumento auxiliar da administrao, devendo conter os objetivos e metas perseguidos e os meios para alcan-los.

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    Oramento Pblico

    Unidade 4

    Atividades de autoavaliao

    1) Com auxlio do contedo estudado nesta unidade, trace sua prpria definio sobre princpios.

    2) Que relao podemos estabelecer entre o postulado do princpio da programao e o estgio da fixao ou autorizao da despesa na Lei Oramentria Anual?

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    3) As previses de receitas e despesas devem referir-se, sempre, a um perodo limitado no tempo. Podemos afirmar que esse o enunciado definido pelo Princpio da:

    a) universalidade.

    b) unidade.

    c) especificao.

    d) exclusividade.

    e) anualidade.

    4) As despesas devem ser classificadas com um nvel de detalhamento tal, que facilite a anlise por parte das pessoas interessadas. Esse enunciado refere-se ao Princpio da:

    a) universalidade.

    b) unidade.

    c) especificao.

    d) exclusividade.

    e) anualidade.

    5) O Oramento deve conter todas as receitas e despesas referentes aos Poderes do ente da federao, rgos, fundos e entidades da administrao direta e indireta, inclusive as fundaes institudas e mantidas pelo poder pblico. Podemos estabelecer que esse enunciado definido pelo princpio da:

    a) universalidade.

    b) unidade.

    c) especificao.

    d) exclusividade.

    e) anualidade.

    6) Por Princpio do Equilbrio entendemos que:

    a) todas as receitas e despesas devem estar prevista no oramento.

    b) todas as receitas e despesas devem ser detalhadas, para que as pessoas possam entender o oramento.

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    Oramento Pblico

    Unidade 4

    c) todas as receitas e despesas sejam previstas para um determinado perodo de tempo e que esse perodo seja igual ao ano civil.

    d) as receitas previstas no oramento fiscal sejam iguais s receitas previstas no oramento da seguridade social.

    e) o montante da despesa fixada deve ser igual ao montante de receita prevista.

    Saiba mais

    Sabemos todos que a busca do conhecimento deve ser uma constante, para que possamos, tambm, formar concepo clara das coisas ou assuntos que nos so importantes ou indispensveis.Com certeza voc tambm compartilha desta idia, e no ficar limitado(a) somente ao contedo disponibilizado nesta unidade, e pretender ir alm. Visando a auxili-lo(a), recomendamos acesso aos livros, a seguir, relacionados:ARAJO, Inaldo e ARRUDA, Daniel. Contabilidade pblica. Da teoria prtica. So Paulo: Saraiva. 2004.GIACOMONI, James. Oramento pblico. 13. ed. So Paulo: Atlas. 2005.KOHAMA. Hlio. Contabilidade pblica. Teoria e prtica. 10. ed. So Paulo: Atlas. 2006.

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  • UNIDADE 5

    Instrumentos de planejamento e programao

    Objetivos de aprendizagem

    Estudar e conhecer os instrumentos de planejamento governamental.

    Formar concepo clara acerca dos instrumentos de programao do oramento.

    Conhecer os critrios a serem seguidos para o cadastramento de programas e aes.

    Aprofundar conhecimentos em relao s etapas de elaborao do oramento pblico.

    Sees de estudo

    Seo 1 Instrumentos de planejamento governamental

    Seo 2 Instrumento de programao do oramento pblico

    Seo 3 Cadastramento de programas e aes

    Seo 4 Principais etapas na elaborao do oramento

    5

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Conforme voc j sabe, o planejamento oramentrio de uma organizao mercantil no pea to simples de ser elaborada. Seja em nvel estratgico, ttico ou operacional, alguns critrios e regras precisam ser observados para que o oramento adquira consistncia e seja efetivamente utilizado como instrumento direcionador das aes, de forma a alcanar os objetivos traados pela organizao.Na administrao pblica, onde a ao do agente est condicionada s autorizaes de leis, o planejamento oramentrio no poder ser diferente, deve observar uma srie de conceitos e regras constitucionais, complementares e ordinrias, para que o oramento adquira a condio de lei e sua execuo proporcione o desenvolvimento das aes do governo e o alcance dos anseios da sociedade, isto , para que se configure como instrumento direcionador das aes do governo na busca da estabilidade econmica, do pleno emprego e da superao das desigualdades sociais. Dito isso, de se indagar:

    Voc sabe o que o Planejamento Governamental e quais so seus instrumentos?

    Sabe quais so os Instrumentos de programao do oramento?

    Sabe quais os critrios e procedimentos a serem seguidos para o cadastramento de programas e aes?

    Tem conhecimento do que deve ser levado em conta e das etapas que devem ser observadas para a elaborao do oramento?

    Voc deve estar se respondendo que no. Mas no h problema, pois, estudando ordenadamente o contedo que lhe oferecido, ter, ao final desta unidade, condies seguras para discorrer sobre tais assuntos.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    SEO 1 Instrumentos de planejamento governamental

    Voc j teve a oportunidade de estudar, alm de outros assuntos, a evoluo conceitual do oramento, os tipos de oramento e os princpios oramentrios. Assim, precisamos, agora, saber quais so os instrumentos que do alicerce ao oramento. Se acompanharmos os autores destacados neste livro e realizarmos visita legislao reguladora, inmeras vezes destacadas nas unidades anteriores (entre as quais cita-se a Lei n. 4.320/64, a Constituio Federal de 1988 e a propagada Lei de Responsabilidade Fiscal Lei Complementar n. 101/2000), ter a oportunidade de verificar que no oramento pblico no Brasil, mesmo que atualmente se d maior nfase ao aspecto gerencial, adotam-se os princpios fundamentais do oramento-programa, tratando-se, portanto, o oramento pblico como um instrumento de planejamento e programao das despesas.Esse instrumento de planejamento e programao das despesas, seguindo a orientao na legislao anteriormente destacada, composto por trs leis distintas, mas harmnicas entre si, formando o trip regulador da elaborao e execuo do oramento.

    O que o Plano Plurianual PPA?

    O texto constitucional, em seu Artigo 165, define que a lei que instituir o PPA estabelecer de forma clara, por regies, as diretrizes, objetivos e metas da Administrao Pblica para as despesas de capital e outras delas decorrentes, bem assim como aquelas relativas aos programas de durao continuada (mais de um exerccio financeiro).

    Diretrizes so as orientaes ou princpios que nortearo a captao, gesto e gastos de recursos durante o perodo, com vistas a alcanar os objetivos de Governo no perodo do Plano.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Objetivos contemplam a discriminao dos resultados que se pretende alcanar com a execuo das aes governamentais, as quais permitiro a superao das dificuldades diagnosticadas.

    Metas consistem na traduo quantitativa dos objetivos.

    Voc sabia...

    que, de acordo com os Artigos 165, 166 e 167, da Constituio Federal de 1988, nenhum investimento cuja execuo ultrapasse o exerccio financeiro poder ser iniciado sem a prvia incluso no Plano Plurianual PPA?

    Qual o prazo de encaminhamento e vigncia do PPA?

    Voc, que quer conhecer os aspectos pertinentes ao oramento pblico, no pode deixar de fazer uma leitura de nossa Carta Constitucional, pois nela voc encontrar uma srie de

    dispositivos que devem ser observados na sua elaborao e execuo.Entre esses dispositivos vamos encontrar, no Inciso I

    2 do Artigo 35 dos Atos das Disposies Constitucionais Transitrias da Constituio Federal de 1988, o prazo para encaminhamento e vigncia da lei que instituir o Plano Plurianual. Tal dispositivo define que o Projeto de Lei do Plano Plurianual, para vigncia at o final do primeiro exerccio financeiro do mandato presidencial subsequente, ser encaminhado at quatro meses antes do encerramento do exerccio financeiro e devolvido para sano at o encerramento da Seo Legislativa.Portanto a vigncia da lei que instituir o Plano Plurianual ser de 4 (quatro) anos, ou seja, do segundo ano do mandato do atual Chefe do Poder Executivo at o trmino do primeiro exerccio financeiro do mandato subsequente.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Qual a funo da Lei de Diretrizes Oramentrias?

    Conforme voc ver, a Lei de Diretrizes Oramentrias LDO que comanda a elaborao e a execuo dos oramentos anuais, isto , da Lei Oramentria Anual, tendo, sempre, como base os programas e aes includos no Plano Plurianual PPA.

    Do Plano Plurianual

    A Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO) extrai, para si, as metas e prioridades da administrao pblica para o exerccio seguinte e, alm disso, dispor sobre as alteraes na legislao tributria e outras congneres.Comparada com o planejamento ttico da iniciativa privada, a LDO, com o advento da Lei de Responsabilidade Fiscal, ganhou papel de destaque em relao ao oramento pblico, haja vista serem inmeras as regras nela a serem inseridas, o que fez com que os oramentalistas passassem a denomin-la SUPER LEI.Como Base Legal, de acordo com o Art. 4 da Lei de Responsabilidade Fiscal, a elaborao da Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO) dever atender o disposto no 2 do art. 165 da Constituio Federal de 1988, e contemplar:

    I as metas e prioridades da administrao pblica, incluindo as despesas de capital para o exerccio financeiro subsequente; II orientar a elaborao da Lei Oramentria Anual; III dispor sobre as alteraes na legislao tributria; IV estabelecer a poltica de aplicao das agncias oficiais de fomento.

    De acordo com Inciso I do Art. 4 e 1 do art. 25 da LRF, a Lei de Diretrizes Oramentrias dispor tambm sobre:

    equilbrio entre receita e despesas; critrios e forma de limitao de empenho (art. 9);

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    normas relativas ao controle de custos; normas relativas avaliao dos resultados dos programas financiados com recursos dos oramentos.;

    condies e exigncias, alm daquelas j previstas na LRF, para transferncia de recursos a entidades pblicas e privadas;

    de acordo com o Art. 26 da LRF, a LDO estabelecer as condies em relao destinao de recursos para, direta ou indiretamente, cobrir necessidades de pessoas fsicas ou dficits de pessoas jurdicas;

    na forma do 3 do Art. 9 da LRF, a LDO estabelecer os critrios para o Poder Executivo limitar os valores financeiros dos Poderes e rgos, quando estes no procederem, por ato prprio e nos montantes necessrios, limitao de empenho e movimentao financeira (suspenso pela ADIN n. 2.238DF);

    definir, na forma do Art. 8 da LRF, a programao financeira e o cronograma de execuo mensal de desembolso, a ser estabelecida no prazo de 30 dias aps a publicao dos oramentos;

    de acordo com o Art. 14 da LRF, a Lei de Diretrizes Oramentria definir os limites da concesso ou ampliao de incentivo ou benefcio de natureza tributria da qual decorra renncia de receita;

    definir, de acordo com o disposto no 3 do Art. 16 da LRF, as despesas consideradas de carter irrelevante;

    por determinao do Art. 45 da LRF, disciplinar a incluso de novos projetos na LOA, a continuidade de projetos em andamento e a conservao e manuteno do patrimnio pblico;

    de acordo com o Inciso I do Art. 62 da LRF, a LDO dispor tambm quanto autorizao, no caso dos Municpios, para que estes possam contribuir para o custeio de despesas de competncia de outros entes da Federao.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Por determinao elencada no Inciso III do Art. 5 da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei de Diretrizes Oramentrias definir:

    o montante da reserva de contingncia, com base na Receita Corrente Lquida;

    a forma de utilizao da reserva de contingncia; combinado com o 5 do Art. 20 da LRF, a LDO

    definir os limites para a entrega dos recursos financeiros correspondentes despesa total com pessoal por Poder e rgo, obedecidos os percentuais mximos estabelecidos pela LRF;

    alinhado com o Inciso I do Art. 59 da LRF, a LDO definir, ainda, as metas de resultados a serem alcanados na execuo oramentria. Observado o disposto no 3 do Art. 5o e no Inciso V do Art. 22 da Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei de Diretrizes Oramentrias dever prever:a) a variao do ndice de preos, sendo que a atualizao

    monetria do principal da dvida mobiliria refinanciada, a ser includa no projeto de LOA, no poder superar a variao deste ndice, ou de outro ndice previsto em legislao especfica;

    b) as situaes em que ser permitida a contratao de hora extra, quando o ente estiver acima dos limites de gastos com pessoal.

    Conforme determinado nos 1 e 2 do Art. 4 da Lei de Responsabilidade Fiscal, integrar a Lei de Diretrizes Oramentrias o Anexo de Metas Fiscais e, de acordo com o 3 do mesmo Artigo, a LDO conter o Anexo de Riscos Fiscais.Finalizados as etapas de elaborao e contemplao na Lei de Diretrizes Oramentrias, observado o disposto no 4 do Art. 4 da LRF, a mensagem da LDO da Unio apresentar, em anexo especfico, os objetivos das polticas monetria, creditcia e cambial, bem como os parmetros e as projees para seus principais agregados e variveis, e, ainda, as metas de inflao, para o exerccio subsequente.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Qual o prazo de elaborao e vigncia da LDO

    Como no caso do PPA, a regra relativa elaborao e vigncia da LDO Inciso II 2 Artigo 35 dos Atos das Disposies Constitucionais Transitrias de nossa Constituio estabelece que o projeto de lei da LDO dever ser encaminhado at oito meses e meio (15 de abril) antes do encerramento do exerccio financeiro, e ser devolvido para sano at o encerramento do primeiro perodo da sesso Legislativa, ou seja, 17 de julho.

    O que a Lei Oramentria Anual?

    Vamos agora ver o que, de acordo com a Constituio e com a Lei de Responsabilidade Fiscal, dever integrar o Projeto de Lei que instituir o oramento anual, ou seja, da Lei Oramentria Anual LOA.Esta, se comparada com os instrumentos da esfera privada, considerada o Planejamento Operacional, pois atravs dela que se executa o Oramento Pblico e se colocam em prtica os programas e aes do governo. Assim, de acordo com o 3 do Artigo 165, da Constituio Federal de 1988, a Lei Oramentria Anual compreender:

    I o oramento fiscal referente aos Poderes da Unio, seus fundos, rgos e entidades da administrao direta e indireta, inclusive fundaes institudas e mantidas pelo Poder Pblico (previso de receitas e fixao de despesas); II o oramento de investimentos das empresas em que a Unio, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto (sociedades controladas de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal); III o oramento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e rgos a ela vinculados, da administrao direta ou indireta, bem como os fundos e fundaes institudas e mantidas pelo Poder Pblico.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    O 6 do mesmo Artigo 165 da Constituio define que o projeto de lei oramentria ser acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrentes de isenes, anistias, remisses, subsdios e benefcios de natureza financeira, tributria e creditcia. importante voc saber que, de acordo com o 8 do Artigo em comento, assegurando guarida ao Princpio da Exclusividade, a Lei Oramentria Anual no poder tratar de matria estranha previso da receita e fixao das despesas, excetuando-se dessa vedao as autorizaes para a abertura de crditos suplementares e para as contrataes de operaes de crditos, mesmo que por antecipao de receitas.ATENO: Vamos agora ver o que foi estabelecido de inovao Lei Oramentria Anual pela Lei de Responsabilidade Fiscal. No citado Diploma Legal, a matria pertinente Lei Oramentria Anual est regulada na Seo III, Artigo 5, que assim define:

    Art. 5. O projeto de lei oramentria anual, elaborado de forma compatvel com o plano plurianual, com a lei de diretrizes oramentrias e com as normas desta Lei Complementar: I conter, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programao dos oramentos com os objetivos e metas constantes do documento de que trata o 1 do art. 4.; (Art. 4., 1 Integrar o projeto de lei de diretrizes oramentrias Anexo de Metas Fiscais, em que sero estabelecidas metas anuais, em valores correntes constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primrio e montante da dvida pblica, para o exerccio a que se referirem e para os dois seguintes.) II ser acompanhado do documento a que se refere o 6. do art. 165 da Constituio, bem como das medidas de compensao a renncias de receita e ao aumento de despesas obrigatrias de carter continuado; III conter reserva de contingncia, cuja forma de utilizao e montante, definido com base na receita corrente lquida, sero estabelecidos na lei de diretrizes oramentrias, destinada ao: a) (VETADO) b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Complementarmente, os pargrafos, do 1 ao 6, definem que:

    1. Todas as despesas relativas dvida pblica, mobiliria ou contratual, e as receitas que as atendero, constaro da lei oramentria anual. 2. O refinanciamento da dvida pblica constar separadamente na lei oramentria e nas de crdito adicional. 3. A atualizao monetria do principal da dvida mobiliria refinanciada no poder superar a variao do ndice de preos previsto na lei de diretrizes oramentrias, ou em legislao especfica. 4. vedado consignar na lei oramentria crdito com finalidade imprecisa ou com dotao ilimitada. 5. A lei oramentria no consignar dotao para investimentos com durao superior a um exerccio financeiro que no esteja previsto no plano plurianual ou em lei que autorize a sua incluso, conforme disposto no 1. 167 da Constituio. 6. Integraro as despesas da Unio, e sero includas na lei oramentria, as do Banco Central do Brasil relativas a pessoal e encargos sociais, custeio administrativo, inclusive os destinados a benefcios e assistncia aos servidores, e a investimentos.

    Qual o prazo de elaborao e vigncia da LOA?

    Seguindo a mesma tica das Leis do PPA e da LDO, o prazo de encaminhamento e vigncia da Lei Oramentria Anual tambm se encontra definido no Ato das Disposies Constitucionais Transitrias de nossa Constituio, mais especificamente no Inciso III 2 Art. 35, que determina que o Projeto da LOA seja encaminhado at quatro meses antes do encerramento do exerccio legislativo e devolvido para sano at o encerramento da Sesso Legislativa.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    SEO 2 - Instrumentos de programao do oramento pblico

    Verificada a composio de cada um dos instrumentos de planejamento, isto , do PPA, da LDO e da LOA, resta-nos saber qual o elemento formador da clula instrumentadora e organizativa da programao oramentria. Voc teve a oportunidade de estudar que, entre as classificaes a serem observadas na elaborao do oramento, encontramos a Classificao Funcional, que determina que os gastos pblicos sejam classificados por Funo, Subfuno, Programa, Projeto e Atividade. A Funo e a Subfuno tm, pois, a finalidade de identificar os gastos pblicos em relao s operaes do governo, ou seja, visam ao atendimento, ao princpio da Universalidade, que determina que, apesar de o Oramento ser nico, cada poder e rgo elabora as suas propostas, as quais posteriormente, sero as nicas propostas oramentrias a serem encaminhadas pelo Poder Executivo. Exemplo: Funo Sade Subfuno, Ensino Bsico, etc. Resta-nos, portanto, saber qual ou quais os elementos substanciais de programao dos gastos no Oramento.GIACOMONI (2005, p. 103) cita que conforme trecho destacado da mensagem que acompanhou o projeto de lei do Plano Plurianual da Unio para o perodo de 2004-2007 , o Governo Federal atribui elevada importncia ao programa como elemento bsico da organizao e da execuo do plano, tendo o autor destacado o seguinte tpico da mensagem:

    A implementao do PPA 2004-2007 ter como elemento organizativo central o programa, entendido como um conjunto articulado de aes (projetos, atividades e operaes especiais) e uma composio de entidades e pessoas envolvidas em sua realizao.

    importante observar que a citao do Prof. Giacomoni deve ser tambm considerada quando se fala no Plano Plurianual da Unio para o quadrinio 2008/2011.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Portanto esse conjunto articulado de aes, denominado programa, composto por quatro categorias distintas que, de acordo com a Portaria n. 42, de 14 de abril de 1999, Ministrio do Estado do Oramento e Gesto, em seu Artigo 2, esto assim definidas:

    Programa: o instrumento de organizao da ao governamental visando concretizao dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no plano plurianual;

    Projeto: um instrumento de programao para alcanar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de operaes limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expanso ou o aperfeioamento da ao do governo;

    Atividade: um instrumento de programao para alcanar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de operaes que se realizam de modo contnuo e permanente, das quais resulta um produto necessrio manuteno da ao do governo;

    Operaes especiais: as despesas que no contribuem para a manuteno das aes de governo, das quais no resulta um produto, e que no geram contraprestao direta sob a forma de bens ou servios.

    De acordo com o Manual da Despesa Nacional, aprovado pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008,

    O programa o mdulo comum integrador entre o plano e o oramento. O plano termina no programa e o oramento comea no programa, o que confere a esses instrumentos uma integrao desde a origem. O programa, como mdulo integrador, e as aes, como instrumentos de realizao do programa.

    Os programas funcionam como unidade e/ou instrumentos de integrao entre o planejamento e o oramento. Dessa forma, todos os eventos do ciclo de gesto do governo esto ligados a programas, o que garante maior eficincia dos controles e eficcia na gesto pblica.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Sendo o principal instrumento de planejamento e programao da despesa pblica, o programa, de acordo com suas finalidades, divide-se em quatro modalidades, a saber:

    Programas finalsticos: destinam-se a atender diretamente s demandas e necessidades da sociedade;

    Programas de gesto de polticas pblicas: abrangem as aes de governo relacionadas formulao, coordenao, superviso e avaliao de polticas pblicas;

    Programas de servios ao Estado: tm por finalidade a produo de bens e servios por instituio criada para esse fim, tendo o prprio Estado como beneficirio. Exemplo: o Servio Federal de Processamento de Dados (Serpro) e a Escola Nacional de Administrao Pblica (Enap);

    Programas de apoio administrativo: renem as aes de apoio administrativo para suporte implementao dos demais programas, compreendendo principalmente custos de pessoal no passveis de alocao direta aos programas finalsticos ou de gesto de polticas pblicas.

    Resumidamente, os programas e as aes devem ser representados por meio dos seguintes elementos:

    1. dados do programa: ttulo; objetivo; pblico-alvo; indicador de medio (unidade de medida da ao); ndice de referncia e meta para o ano a que corresponde o oramento; e dados financeiros que contemplam os recursos oramentrios da Unio, Estados e Municpios, distribudos entre as diversas regies ou concentrados em dotao nacional, estadual e/ou municipal;

    2. dados dos projetos do programa: ttulo; produto e sua unidade de medida; ms e ano de incio e trmino do projeto; previso da meta total do projeto, realizada no exerccio de elaborao do PPA e na previso dos gastos totais do projeto previstos para o perodo do plano;

    3. dados das atividades ou operaes especiais do programa: ttulo; produto (unidade de medida); meta fsica (regionalizada ou centralizada); e previso de gastos para o perodo do plano distribudos regionalmente e/ou centralizadamente.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Veja, no quadro a seguir, um exemplo de como estaria configurado, no Plano Plurianual, um programa de governo com suas respectivas aes.

    Plano Plurianual 2004 - 2007

    Anexo II Programa de Governo Valor em R$ 1,00

    Programa 1304 Conservao, Uso Racional e Qualidade da gua

    Objetivo Melhorar a eficincia do uso dos recursos hdricos: a conservao e a qualidade da gua

    Pblico-alvo Usurios de recursos hdricos e populaes das bacias hidrogrficas

    Indicador (unidade de medida)

    Referncias

    2007

    Consolidao dos Valores do Programa

    Data ndice Regionalizao TotaisEsfera

    Cat. EconmicaTotais

    Consumo Mdio Anual de gua do Setor

    (vazo em litros)

    0,8 0,6 Nacional

    Sudeste

    40.834.523

    800.000

    Fiscal Seguridade

    Despesa Corrente

    Despesa Capital

    Total

    41.634.523

    33.518.823

    8.116.200

    41.634.523

    AES DOS ORAMENTOS FISCAL/SEGURIDADE

    Projeto

    Ao TtuloProduto (unidade)

    Incio Trmino

    RegionalizaoTotal

    Estimado

    Realizado

    At 2002

    Previsto

    em 2003

    Perodo

    2004-20073995 Estudo para a Gesto Sustentvel do

    Sistema Aquifero guaraniEstudo Realizado (% de execuo fsica)

    01/2004

    12/2010

    Nacional RS

    Meta

    3.867.000

    100

    0

    0

    0

    0

    556.350

    15

    3042 Projeto de Gerenciamento

    Integrado das Atividades em Terra na Bacia do Rio

    So Francisco (Parceria GEF)

    Projeto apoiado

    (unidade)

    01/2004

    12/2010

    Sudeste RS

    Meta

    800.000

    4

    0

    0

    0

    0

    800.000

    2

    Atividade

    Ao Ttulo Produto (unidade) RegionalizaoPerodo 2004-2007

    MetaR$

    2396 Avaliao de Recursos Hdricos Superficial Relatrio elaborado (un) Nacional 30 1.800.000

    4937 Fomento a Projetos de Difuso e Pesquisa

    Cientfica e Tecnolgica para o Uso

    Sustentado e a Conservao de Recursos

    Hdricos.

    Projeto apoiado (un)

    Nacional

    14 7.350.000

    2957 Fomento a Projetos de Recuperao e Conservao de Bacias Hidrogrfica.

    Projeto apoiado (un)

    Nacional

    119 19.200.000

    4939 Fomento a Projetos Demonstrativos de Uso Racional da gua.

    Projeto apoiado (un)

    Nacional

    23 5.900.000

    FONTE: Plano Plurianual da Unio 2004:2007: exemplo selecionado GIACOMONI. James. Oramento Pblico. 13 Ed. So Paulo: Atlas, 2005

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Veja no Anexo deste Livro Didtico, a composio detalhada do Programa 1061 Brasil Escolarizado, integrante do PPA da Unio, relativo ao quadrinio 2008/2011. Observe atentamente as caractersticas numricas e a denominao do Programa, dos Projetos, das Atividades e das Operaes Especiais.

    SEO 3 Cadastramento de programas e aes

    Quando elaboramos um planejamento estratgico, ttico ou operacional, em qualquer organizao mercantil, alguns critrios e procedimentos devem ser observados, como, por exemplo, o departamento a que pertence, a sua finalidade, o perodo de sua realizao, o montante de recursos a ser aplicado, etc.Na Administrao Pblica essa mxima no diferente e, para comprovao, basta repetir a premissa bsica que rege as funes do administrador pblico, consagrando que ao mesmo s permitido fazer o que estiver nos mandamentos da lei e com a viso essencialmente voltada para o suprimento das necessidades de natureza coletiva, isto , da sociedade, que exige, alm de um profundo conhecimento da lei, que o administrador pblico seja um verdadeiro estrategista.Veja a seguir um modelo de cadastro de programa para elaborao de um PPA.

    PPA para o perodo de 2008/2011

    Identificao

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Tipo de programa

    ( ) Finalstico (resulta em bens ou servios ofertados diretamente sociedade).(x) Servio ao ente (resulta em bens ou em servios ofertados diretamente ao ente).( ) Gesto de polticas pblicas (aes de gesto de Governo).( ) Apoio administrativo (despesas de natureza tipicamente administrativa).

    Estrutura do programa

    Identificao do problema ou demanda social

    Falta de estrutura de carreira. Nmero reduzido de servidores com qualificao para o desempenho da funo. Indicaes polticas para os cargos em comisso das reas tcnicas responsveis pela execuo e controle da gesto fiscal.

    Ausncia de planejamento no desempenho das tarefas. Carncia de sistemas gerenciais de informaes e de equipamentos de informtica.

    Objetivo do programa

    Modernizar a gesto fiscal mediante o aporte de capital e o aprimoramento do quadro de pessoal das reas tcnicas responsveis pelo controle interno governamental, fornecendo maior segurana para os ordenadores de despesa.

    Indicadores de mensurao

    Reduo dos desvios de recursos. Reduo de diligncias e glosas do Tribunal de Contas. Reduo do custo das atividades.

    orcamento_publico_TAP.indb 90 31/03/10 15:58

  • 91

    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Pblico alvo

    Administrao pblica direta e indireta.

    Abrangncia do programa (quando for o caso)

    Tem abrangncia no mbito do ente (Unio/Estado/Municpio), no conjunto de seus rgos e entidades.

    2008 2009 2010 2011

    Unidade administrativa responsvel

    Diretoria de normatizao e controle de processos.

    Responsvel pelo programa

    Jos Metdico Milimtrico.

    Prazo de execuo

    ( ) Contnua Incio: 01/2008

    ( x ) Temporria Incio: 05/2009

    Trmino: 12/2010

    Local e Data

    Exercilpolis, 20/09/2007

    Responsvel pela Informao

    Nome Flamncio da Gvea Quintino

    Matrcula 3434

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  • 92

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Veja nas pginas seguintes, um modelo de cadastro de aes que iro compor os programas.

    Cadastro de Ao

    Identificao

    Classificao Econmica (segundo a Portaria n. 163/2001)

    2008 2009 2010 2011

    Tipo de ao

    ( x ) Projeto ( ) Atividade ( ) Operaes especiais

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  • 93

    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Estrutura da ao

    Objetivo/ Produto

    Reequipamento e modernizao dos processos de controle da gesto fiscal, mediante implementao de redes de microcomputador.

    Unidade de medida

    Servidor atendido.

    Unidade responsvel pela ao

    Diretoria administrativa e financeira.

    Responsvel pela ao

    Jos das Medalhas.

    Prazo de execuo

    ( ) Contnua Incio: ___/___

    ( x ) Temporria Incio: 05/2009

    Trmino: 12/2010

    Programao fsico-financeira da ao

    PPA para o perodo de 2008/2011

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  • 94

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Regio a ser beneficiada (quando for o caso)

    Todas.

    Entidades envolvidas (quando houver a participao de outras entidades)

    2008 2009 2010 2011

    2008 2009 2010 2011

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    2008

    2008

    a 2

    011

    2008

    a 2

    011

    2009

    2010

    2011

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    SEO 4 Principais etapas na elaborao do oramento

    Considerando ser a pea oramentria o documento que define todo o processo de gesto dos recursos pblicos, devem ser contemplados, na fase de elaborao do oramento, todos os elementos que facilitem a anlise, sob os aspectos da eficincia e da eficcia dos projetos. importante que a programao financeira, que se realiza no mbito de cada setor da Administrao Pblica e que deve refletir a expresso financeira das metas fsicas, seja processada respondendo s seguintes indagaes:

    O que? definindo o que deve ser realizado por indicao do Plano Plurianual e com a priorizao estabelecida na Lei de Diretrizes Oramentrias;

    Para que? indicando os objetivos que sero perseguidos com a ao;

    Quanto? estabelecendo a dimenso fsica da ao, ou seja, as metas e volumes de trabalho necessrios para realizar a ao;

    Quando? correspondendo ao cronograma de execuo, realizao da despesa;

    Como? definindo metodologias para a realizao das aes, com respeito combinao dos recursos necessrios viabilizao das aes;

    Quem? referindo-se a quem ser o responsvel pela execuo, cuja resposta ser dada no nvel setorial. A responsabilidade pela execuo dos projetos e/ou das atividades ser da unidade gestora do recurso.

    importante destacar que o roteiro e as etapas aqui sugeridas no so estanques; podem variar de acordo com as peculiaridades de cada ente da Federao, haja vista que as necessidades de uma determinada regio no serem, necessariamente, aquelas teis outra.Como proposta de roteiro a ser observado, como fase preliminar, faz-se necessrio identificar a partir da anlise do contedo

    orcamento_publico_TAP.indb 96 31/03/10 15:58

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    da Constituio, da organizao institucional da administrao pblica, da programao setorial, da programao oramentria e da proposta de Governo , a relao de aes que deveriam estar sendo implementadas, as que esto em desenvolvimento e as que, estratgica e politicamente, se pretende efetivar.Feita a avaliao preliminar, o resultado conjugado daquelas aes, adicionadas e confrontadas com o elenco de programas e de demandas da sociedade, detectadas por meio do processo de trabalho desenvolvido pela rea de planejamento, ser a elaborao da estrutura de Programas e suas aes que, aps a crtica, reformulao e validao pelos Secretrios e Diretores setoriais, passar a compor o Plano Plurianual e a proposta de Lei Oramentria Anual.

    Etapa para elaborao do Plano Plurianual

    Recomenda-se, portanto, a observao das seguintes etapas bsicas na elaborao da proposta do PPA, podendo a ordem sequencial ser adaptada de acordo com as necessidades regional e local.

    a) estimativas das receitas para os exerccios financeiros correspondentes aos 4 anos seguintes, indicando as respectivas fontes de recursos;

    b) especificao dos objetivos e atribuies dos rgos e entidades governamentais, com base nas suas legislaes constitutivas;

    c) identificao dos bens e servios finais (produtos) a serem ofertados sociedade por esses rgos/entidades;

    d) verificao da participao percentual desses rgos/entidades na atual estrutura funcional programtica;

    e) estabelecimento das novas cotas oramentrias por rgos/entidades, conforme legislao/definio do Chefe do Poder Executivo (observar percentuais legais destinados a cada um dos Poderes, conforme constituio);

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    f) distribuio do cadastro de programas/aes para rgos, entidades e/ou unidades oramentrias (ver modelo de cadastro sequencial);

    g) recadastramento (inventrio) das aes em curso, ou seja, levantamento dos projetos, atividades e operaes em andamento, aprovados pela Lei Oramentria vigente poca da elaborao do PPA;

    h) alocao das aes em andamento aos novos programas previstos para o PPA;

    i) identificao dos Programas de Governo para o perodo de abrangncia do PPA, devendo, nos termos da legislao atual, definir os atuais que sero mantidos e os novos a serem implementados;

    j) anlise cruzada: de cima para baixo anlise dos programas propostos pela unidades administrativas em face do perfil de sua atuao (caractersticas organizacionais); de baixo para cima a partir de uma realidade de projetos e atividades, a fim de verificar o cumprimento do Programa pela execuo das aes; anlise horizontal com objetivo de observar a existncia de complementaridade, superposio ou redundncia de programas/aes entre as diversas reas da administrao;

    k) cadastramento final dos programas/ aes, base para a elaborao da proposta oramentria;

    l) consolidao, confirmao e validao dos Programas e Aes;

    m) elaborao do projeto de lei do Plano Plurianual PPA;n) elaborao da Exposio de Motivos do Secretrio de

    Planejamento ao Chefe do Poder Executivo;o) encaminhamento ao Poder Legislativo da Mensagem e

    Projeto de Lei do PPA, a ser promovido pelo Chefe do Poder Executivo.

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Veja o exemplo da composio do Plano Plurianual da Unio 2007, destacado na Seo 2 desta Unidade.

    Se voc quiser ir alm, acesse o site , e em seguida, no Link Legislao Estadual Lei n. 14.359, de 21 de janeiro de 2008, que contempla o Plano Plurianual do Estado de Santa Catarina para o quadrinio 2008/2011. Reviso do PPA, aprovada pela Lei n. 14.647, de 09 de janeiro de 2009.

    Etapas para elaborao da Lei de Diretrizes Oramentrias

    A Lei de Diretrizes Oramentrias, conforme j foi visto na Seo 1, corresponde ao Planejamento Ttico na esfera privada; a mesma correspondncia ocorre na Administrao Pblica, haja vista ser ela que, conforme ditames da Constituio e da Lei de Responsabilidade Fiscal, conter as orientaes para elaborao e execuo dos oramentos anuais. Dito isso, pode-se afirmar que as etapas para a elaborao da Lei de Diretrizes Oramentrias so exatamente aquelas necessrias sua construo, ou seja, para a elaborao do regramento que nela deve figurar.V adiante: acesse o site , no Link legislao Estadual e, em seguida, na Lei n. 14.831, de 11 de agosto de 2009. Verifique a composio da LDO que regulou a elaborao e regula a execuo do Oramento do Estado de Santa Catarina, para o exerccio de 2009.

    Etapas para elaborao da Lei Oramentria Anual

    Lei Oramentria Anual constitui o instrumento utilizado para assegurar garantia a todo o conjunto de aes e objetivos planejados no Plano Plurianual, e sua elaborao observa as normas contidas na Lei de Diretrizes Oramentrias.Assim, para elaborao da Lei Oramentria Anual, recomenda-se a observao das seguintes etapas:

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    1 Etapa distribuio de orientaes aos diversos setores responsveis pelo sistema oramentrio, quanto aos prazos, conceitos, legislao vigente e metodologia de elaborao da LOA;

    2 Etapa previso das receitas a serem arrecadadas no exerccio do oramento e para os dois exerccios seguintes, segundo as normas para a previso da receita, ditadas pela Lei Complementar n. 101/2000 LRF;

    3 Etapa verificao dos percentuais de participao de cada rgo/entidade da Administrao Pblica no oramento geral do ente da federao;

    4 Etapa at 30 dias antes do prazo para encaminhamento do projeto de lei oramentria (31/08/xx), as estimativas de receitas devero ser remetidas aos demais Poderes, ao Ministrio Pblico e ao Tribunal de Contas, para que eles elaborem suas propostas oramentrias;

    5 Etapa distribuio das quotas de receitas a cada um dos rgos e entidades do Poder Executivo para elaborao das respectivas propostas oramentrias;

    6 Etapa consolidao das propostas dos rgos da administrao direta e das entidades da administrao indireta;

    7 Etapa ajustes em relao previso das receitas, com vista ao equilbrio oramentrio;

    8 Etapa elaborao da mensagem e encaminhamento da proposta da LOA ao Poder Legislativo;

    9 Etapa a comisso mista de oramento, composta por Deputados e Senadores (Unio), deve analisar, discutir e elaborar a redao da LOA para a aprovao final;

    10 Etapa o Congresso Nacional discute em sesso e vota a redao final da LOA;

    11 Etapa o Presidente da Repblica recebe a LOA, sanciona a Lei, com ou sem vetos e publica;

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    12 Etapa em at 30 dias da publicao da LOA, o Poder Executivo deve elaborar a programao anual de desembolso mensal, de que trata o Art. 8 da Lei de Responsabilidade Fiscal;

    13 Etapa em at 30 dias da publicao da LOA, o Poder Executivo deve desdobrar as receitas previstas para o exerccio em metas bimestrais de arrecadao, nos termos do Art. 13 da LRF;

    14 Etapa os rgos e entidades passam a executar as despesas autorizadas na LOA.

    QUER CONHECER UMA LEI ORAMENTRIA? Acesse o site , no Link legislao e, na sequncia, na Lei n. 15.032, de 30 de dezembro de 2009, que estima a receita e fixa a despesa do Estado de Santa Catarina para o exerccio corrente.

    Quadro de Detalhamento da Despesa QDD

    Finalmente, depois de aprovada a Lei Oramentria Anual, o rgo central de gerenciamento financeiro e oramentrio dever elaborar o Quadro de Detalhamento de Despesa QDD , que dever ser aprovado por Decreto, consistindo num instrumento de detalhamento operacional da funcional programtica, indicando a composio do oramento de um exerccio detalhado por fonte de recursos e natureza da despesa.No mesmo site da Procuradoria Geral do Estado de Santa Catarina, , voc poder visualizar o QDD Quadro de Detalhamento da Despesa, aprovado pelo Decreto n. 2.940, de 30 de dezembro de 2009.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

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    Oramento Pblico

    Unidade 5

    Sntese

    Voc teve a oportunidade de estudar, nesta unidade, que, no Brasil, o Oramento Pblico composto por trs leis: a que contempla o Plano Plurianual PPA , a que indica as Diretrizes Oramentrias LDO e a Lei Oramentria Anual LOA.Viu que tais leis so disciplinadas pela Lei n.4.320/64, pela Constituio Federal de 1988 e pela Lei Complementar n. 101/2000 Lei de Responsabilidade Fiscal e legislao complementar. No PPA, em que se configura o Planejamento Estratgico, so estabelecidos os objetivos, diretrizes e metas da Administrao Pblica para um perodo de quatro anos. A LDO, na condio de Planejamento Ttico, alm de orientar a elaborao e execuo do oramento, destaca as metas e prioridades para o exerccio seguinte sua elaborao e traa regras relativas ao equilbrio entre receita e despesa, os critrios para limitao de empenho (reduo de gastos), as normas relativas ao controle de custos; alm de conter os Anexos de Metas e Riscos Fiscais, disciplinar as condies para a renncia de receita, a gerao de despesas de carter contnuo, etc.O Planejamento Operacional contemplado pela Lei Oramentria Anual, e nela estaro previstas as receitas a arrecadar e a autorizao das despesas a serem executadas.Voc pde estudar tambm que os Instrumentos de Programao so: o programa, o projeto, as atividades e as operaes especiais. Os programas so os instrumentos de organizao das aes do governo e se destacam em quatro modalidades: finalsticos, de gesto de polticas pblicas, de servios ao Estado e de apoio administrativo.Voc tomou conhecimento de algumas etapas a serem seguidas na elaborao do PPA e da LOA. Tambm, que, para a elaborao da LDO, indispensvel serem observadas as regras definidas no 2. do Artigo 165 da Constituio Federal de 1988 e no Artigo 4. da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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  • 104

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Atividades de autoavaliao

    1) De acordo com os preceitos de nossa Carta Constitucional e a filosofia norteadora do Planejamento Governamental no Brasil, o Plano Plurianual a pea central do Oramento Pblico. Seguindo essa orientao, qual a relao entre o ciclo oramentrio e o exerccio financeiro?

    2) O Plano Plurianual tem como elementos organizativos:

    a. ( ) as operaes especiais.

    b. ( ) as receitas e as despesas.

    c. ( ) o projeto.

    d. ( ) o programa.

    e. ( ) as atividades.

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  • 105

    Oramento Pblico

    Unidade 5

    3) Tendo por base as modalidades dos programas, como voc classificaria o programa Fome zero, do Governo Federal.

    a. ( ) finalstico.

    b. ( ) gesto de polticas pblicas.

    c. ( ) apoio administrativo.

    d. ( ) um projeto.

    e. ( ) uma atividade.

    4) A anlise cruzada dos programas uma das etapas recomendadas na elaborao:

    a. ( ) da Lei de Diretrizes Oramentrias.

    b. ( ) da Lei Oramentria Anual.

    c. ( ) das Diretrizes Bsicas.

    d. ( ) do Plano Plurianual.

    e. ( ) todas as alternativas esto corretas.

    5) De acordo com as inovaes introduzidas no oramento pblico pela Lei de Responsabilidade Fiscal, para a destinao de recursos pblicos, visando a cobrir necessidades de pessoa fsica ou dficits de pessoas jurdicas, necessrio:

    a. ( ) estar regrado em convnio firmado entre as partes.

    b. ( ) estar regrado em lei especfica.

    c. ( ) estar regrado no Plano Plurianual.

    d. ( ) deve estar regrado na Lei Oramentria Anual.

    e. ( ) deve estar regrado na Lei de Diretrizes Oramentrias.

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  • 106

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Saiba mais

    Caro(a) aluno(a), voc sabe o quanto importante o domnio de um assunto ou tema. Sabe tambm que, face ao reduzido nmero de aulas, disponibilizamos um contedo capaz de dar a voc uma noo geral acerca do tema trabalhado e que cabe ao aluno o aprofundamento dos estudos e ampliao do conhecimento.Assim, se voc tem interesse em obter um maior domnio acerca do contedo tratado nesta Unidade, recomendo, alm da legislao nela citada, acesso s obras a seguir destacadas.GIACOMONI, James. Oramento pblico. 13. ed. So Paulo: Atlas, 2005.PIRES, Joo Batista Fortes de Souza. Contabilidade pblica. 7. ed. Franco e Fortes, 2004.

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  • UNIDADE 6

    Fundamentos e tcnicas do oramento

    Objetivos de aprendizagem

    Aprimorar conhecimentos em relao aos fundamentos e tcnicas do oramento pblico.

    Conhecer a lgica da nova classificao oramentria.

    Formar concepo acerca do novo modelo de administrao.

    Sees de estudo

    Seo 1 Aspectos a considerar na elaborao do oramento

    Seo 2 As caractersticas do novo modelo de administrao

    Seo 3 Lgica de classificao

    6

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  • 108

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Voc j viu, na unidade anterior, que o oramento, assim como outros segmentos da administrao pblica, possui princpios que, para serem aprovados, excludos ou transformados, necessitam de quorum especial de julgamento. Sabe tambm que, na elaborao do oramento empresarial, uma srie de fatores devem ser observados para a eficincia do processo de planejamento.

    Pois bem, alm dos princpios, outros aspectos, caractersticas e tcnicas tambm precisam ser observadas na elaborao do oramento, haja vista, sem eles, corre-se o risco de se desobedecer aos ditames legais, e o oramento tornar-se pea incua e ineficaz. Se voc no tem conhecimento dessas tcnicas, no se preocupe, pois o contedo a ser estudado o(a) tornar apto(a) a dialogar com segurana sobre os mesmos.

    SEO 1 Aspectos a considerar na elaborao do oramento

    Vimos na unidade anterior que o oramento pblico, por fora da Lei de Responsabilidade Fiscal, adquiriu a condio de instrumento de acompanhamento e controle da gesto fiscal.Assim, nesta unidade, dando seqncia ao assunto objeto de nossa disciplina, voc vai estudar s tcnicas a serem observadas para a elaborao do oramento pblico e trocar idias a respeito.

    Ento, conforme anteriormente destacado, a Lei de Responsabilidade Fiscal veio introduzir novas regras e metodologias a serem observadas na elaborao e execuo do oramento, instituindo maior responsabilidade ao agente pblico. Portanto, para a elaborao das leis do oramento, importante que se considerem os seguintes aspectos:

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  • 109

    Oramento Pblico

    Unidade 6

    a) pressupostos para a responsabilidade na gesto fiscal, conforme determinado pelo Artigo 1 da Lei de Responsabilidade Fiscal, isto , ao planejada e transparente;

    b) desgnios representativos de uma administrao gerencial pautada na cobrana de resultados (avaliao com a sociedade, das aes efetivamente oferecidas aos cidados, por meio das chamadas audincias pblicas) e na realidade problematizada, isto , fazer com que o planejamento governamental seja centrado na soluo de problemas, traduzindo o esforo de sua modernizao;

    c) em decorrncia desses pressupostos devem ser observados os princpios da simplificao, descentralizao e responsabilidade.

    Com esses aspectos a serem considerados, observa-se que o Oramento Pblico deixa de ser uma mera pea na qual se estabelecem a previso das receitas e as autorizaes para a realizao de despesas e, passa a se configurar um instrumento de planejamento de aes, as quais devem ser discutidas e aprovadas pelos diversos segmentos da sociedade.

    Como instrumento de planejamento das aes governamentais, deve ser elaborado com o propsito de se estabelecer uma administrao gerencial voltada para a soluo de problemas localizados no seio da sociedade, e que, mediante ele, possa-se aferir os resultados e a qualidade da gesto na soluo das aes oferecidas aos cidados.

    Para que tais desgnios e pressupostos sejam alcanados, torna-se indispensvel que, na elaborao e execuo desse instrumento, alm dos princpios destacados na Unidade 4, observem-se aqueles pertinentes simplificao, descentralizao e responsabilidade.A simplificao, juntamente com a transparncia, associa-se ao princpio da clareza, estabelecendo que o Oramento Pblico deve possuir uma linguagem simples e de fcil entendimento e que, para ser transparente, no basta apenas a publicao das leis, mas, tambm, a adoo de notas tcnicas explicativas e a divulgao de instrumentos orientativos, quanto ao seu contedo e formas de execuo e controle.

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  • 110

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    A descentralizao tem como objeto o propsito de levar as aes o mais prximo possvel dos problemas a serem enfrentados, de forma a buscar uma maior racionalidade na aplicao dos recursos. Pelo Princpio da Responsabilidade, exige-se o controle permanente das aes dos agentes da administrao pblica.

    Seo 2 As caractersticas do novo modelo de administrao

    Em decorrncia dos pressupostos e princpios anteriormente mencionados e introduzidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a nova metodologia deve proporcionar a configurao das seguintes caractersticas ao planejamento governamental:

    a) ter uma viso estratgica no estabelecimento de objetivos;

    b) identificao dos problemas a enfrentar e/ou das oportunidades a aproveitar, objetivando ratificar a viso estratgica;

    c) concepo dos programas a serem implementados, com vistas ao alcance dos objetivos, que implicar a soluo dos problemas ou aproveitamento das oportunidades;

    d) especificao das diferentes aes do programa, identificao dos respectivos produtos, o que dar origem, quando couber, aos projetos e atividades;

    e) atribuio de indicadores de avaliao aos objetivos e aos projetos e metas.

    SEO 3 Lgica de classificao

    Com a nova metodologia de planejamento governamental, introduzida pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o Governo Federal vem estabelecendo mecanismos visando consolidao de procedimentos, no apenas na elaborao dos oramentos, mas tambm nos registros contbeis, de forma a obter maior

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  • 111

    Oramento Pblico

    Unidade 6

    controle sobre as operaes, especialmente a dvida pblica, interna e/ou externa. Para tanto, vem, por meio de seus rgos reguladores, editando normas que contemplam a uniformizao da classificao oramentria, patrimonial e contbil.Especialmente em relao ao oramento, devem ser obedecidas as classificaes institucional e funcional por programas, segundo as regras introduzidas e disciplinadas pelas Portarias n. 42, de 14 de abril de 1999, do Ministrio do Oramento e Gesto, Portaria Interministerial n. 163/2001, Portaria Conjunta n. 2, de 08 de agosto de 2007, que aprovou a 4 edio do Manual de Procedimentos da Receita Pblica, e a Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008, que aprovou os Manuais de Receita Nacional e de Despesa Nacional. A classificao institucional, funcional e programtica deve ser assim entendida:

    a) a institucional introduzida para a correta apropriao das despesas, segundo a finalidade de cada um dos rgos e entidades do ente estatal, com desdobramento por unidades oramentrias e, quando julgado conveniente, tambm por unidades administrativas;

    b) a funcional visa a explicitar as reas em que as despesas sero alocadas, ou seja, subdivide o oramento em funes e subfunes padronizadas para as trs esferas de governo, conforme definido pela Portaria n. 42, de 14 de abril de 1999;

    c) a programtica (tambm conhecida por Programa) apesar de o oramento ser nico para cada esfera de governo, seus entes devem montar, isoladamente, uma estrutura prpria, ou seja, os seus programas e aes adequados soluo dos seus problemas. Dessa forma, essa classificao tem a preocupao de identificar os objetivos do gasto pblico, para efetivao das despesas;

    d) a econmica vem estabelecida pela Portaria Interministerial n. 163/2001 e define que os gastos pblicos devem ser classificados segundo suas categorias econmicas, grupo de despesa, modalidade de aplicao, elemento de despesa e, quando necessrio, para fins de controle, desdobrando-se tambm por Subelemento de despesa;

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  • 112

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    e) por fontes de recursos obedece aos ditames do Manual de Procedimentos da Receita Pblica, aprovado pela Portaria Conjunta n. 2, de 08 de agosto de 2007, da Secretaria do Tesouro Nacional, que define a vinculao dos recursos pblicos a uma despesa, desde a sua previso at o efetivo pagamento das despesas decorrentes da ao governamental;

    importante observar que a vinculao dos recursos pblicos, foi ratificada pelas Secretarias do Tesouro Nacional e do Oramento Federal, atravs da Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008, que contempla captulo especfico acerca da Destinao dos Recursos Pblicos.

    f) segundo a regio a ser beneficiada com a ao governamental demonstra no Plano Plurianual, de forma regionalizada, as aes e metas a serem executadas pelo ente governamental, obedecendo aos ditames do 1 do Artigo 165 da Constituio Federal.

    Conforme visualizamos na estrutura da classificao (de acordo com a legislao, deve ser observada na elaborao do oramento), a classificao INSTITUCIONAL aplicada para que se direcione a apropriao da despesa finalidade de cada poder e rgo, desmembrando-se aquela conforme a estrutura funcional destes.

    Como exemplo: o Gabinete do Governador e a Secretaria de Estado da Administrao.

    4100 GABINETE DO GOVERNADOR DO ESTADO (rgo)4101 Gabinete do Governador do Estado (unidade oramentria)4102 Procuradoria Geral do Estado4103 Diretoria Estadual da Defesa Civil 4104 Secretaria Extraordinria para o Desenvolvimento do Oeste4124 Centrais Eltricas de Santa Catarina S/A CELESC

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  • 113

    Oramento Pblico

    Unidade 6

    4700 SECRETARIA DE ESTADO DA ADMINISTRAO (rgo)4701 Gabinete do Secretrio (unidade oramentria)4721 Imprensa Oficial do Estado de Santa Catarina IOESC4722 Instituto de Previdncia do Estado de Santa Catarina IPESC4791 Fundo Rotativo de Material

    A classificao FUNCIONAL vem ratificar o propsito da anterior, pois determina que na alocao das despesas sejam explicitadas as reas de aplicao, subdividindo o oramento em Funes e Subfunes. Acrescenta que estas devem ser padronizadas nas trs esferas de governo, ficando assim:

    FUNOMaior nvel de agregao das diversas reas de despesa que competem ao setor pblico.SUBFUNORepresenta uma partio da funo, visando a agregar determinado subconjunto de despesa do setor pblico.PROGRAMA o instrumento de organizao da ao.

    PROJETO/ATIVIDADE

    Projeto: ao planejada e programada para realizao em tempo certo e em etapa nica.Atividade: ao cujo desenvolvimento se caracteriza pela natureza contnua e prolongada.Observe como fica a classificao da despesa por Funo e Subfuno, de acordo com a Portaria n. 42/99, do Ministrio de Estado do Oramento e Gesto. Tomaremos como exemplo a funo Administrao.

    04 Administrao 121 Planejamento e Oramento122 Administrao Geral123 Administrao Financeira124 Controle Externo

    Como Programa associado subfuno Administrao Geral, poderamos ter Aperfeioamento do Sistema de Administrao Patrimonial do Estado, cdigo 0135, na condio de Projeto/Atividade Reaparelhamento do Setor Pblico, cdigo 4235.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Sntese

    Nesta unidade voc teve a oportunidade de observar que, na elaborao do oramento, alm dos princpios da simplificao, descentralizao e responsabilidade, deve ser observada uma conjuntura voltada avaliao da responsabilidade da gesto fiscal, isto , deve-se viabilizar sua execuo por meio de aes planejadas e transparentes na busca de solues aos problemas demandados pela sociedade, permitindo o desenvolvimento de uma administrao gerencial voltada para a cobrana de resultados.Pde verificar que, entre as suas caractersticas, o oramento deve ser idealizado com uma viso estratgica voltada ao alcance de objetivos, isto , deve ser composto por programas que especifiquem as diferentes aes e os produtos delas decorrentes, alm de instrumentos que viabilizem a aplicao de solues aos problemas previamente identificados no seio da sociedade.A lgica da classificao deve ser assim entendida:

    A classificao institucional assegura que a classificao das despesas dever observar a finalidade de cada rgo;

    A classificao funcional define que as despesas devem ser alocadas segundo as funes e subfunes de cada rgo ou ente da Federao;

    A classificao programtica visa identificao dos objetivos dos gastos pblicos e, por isso define que, mesmo sendo nico, o oramento deve obedecer estrutura, aos programas e s aes de cada ente da Federao;

    A classificao econmica tem por finalidade classificar os gastos pblicos segundo as categorias econmicas, grupos de natureza de despesa, modalidade de aplicao dos recursos, elementos de despesas, podendo haver desdobramentos destes ltimos;

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  • 115

    Oramento Pblico

    Unidade 6

    A classificao por fonte de recursos observa o disposto no Manual de Procedimentos da Receita Pblica, aprovado pela Portaria n. 2, de 08 de agosto de 2007, ratificado pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008, das Secretarias do Tesouro Nacional e do Oramento Federal, que aprovou os Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional, que destacou capitulo especfico acerca da Destinao dos Recursos Pblicos. Tal Destinao vincula os recursos a uma determinada despesa, desde o momento da previso da receita e fixao da despesa at o efetivo pagamento dos encargos decorrentes dos programas e aes do governo;

    A classificao, segundo a regio a ser beneficiada com a ao governamental, que visa ao cumprimento das regras ditadas pelo 1 do Artigo 165 da Constituio Federal, e determina que as aes e metas devem ser estabelecidas no Plano Plurianual PPA , de forma regionalizadas.

    Atividades de autoavaliao

    1) Voc estudou na Seo 1 os aspectos que devem ser observados na elaborao do oramento pblico. Assim, com base no contedo estudado e na Lei Complementar n. 101/2000 LRF , trace um pequeno comentrio acerca de como voc considera ser possvel a materializao da ao planejada e transparente.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    2) Por desgnios representativos de uma administrao gerencial pautada na cobrana de resultados, entendemos que:

    a. ( ) o oramento deve conter instrumentos que permitam a avaliao de desempenho.

    b. ( ) o oramento deve buscar problemas centrados no seio da sociedade.

    c. ( ) preciso direcionar o oramento para o desenvolvimento descentralizado das aes, visando obter maior resolutividade.

    d. ( ) deve-se utilizar linguagem simples e de fcil entendimento de forma a permitir a avaliao segura das aes e a responsabilidade dos agentes.

    e. ( ) todas as alternativas esto corretas.

    3) A caracterstica de possuir uma viso estratgica implica considerar que, na elaborao do oramento, deve-se:

    a. ( ) adotar uma viso voltada ao estabelecimentos de objetivos claros.

    b. ( ) ter os objetivos centrados em problemas previamente identificados.

    c. ( ) aproveitar situaes que se apresentem como favorveis soluo desses problemas.

    d. ( ) ter programas que contenham instrumentos capazes de proporcionar o alcance dos objetivos propostos.

    e. ( ) todas as alternativas esto corretas.

    4) De acordo com a Lgica de classificao a ser utilizada, vamos encontrar a classificao institucional e a funcional programtica. A classificao funcional tem por caractersticas:

    a. ( ) objetiva a identificao das reas nas quais sero autorizadas as despesas.

    b. ( ) contempla o maior nvel de agregao das despesas.

    c. ( ) deve ser considerada apenas na esfera da pblica federal.

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    Oramento Pblico

    Unidade 6

    d. ( ) a funo no poder ser desdobrada em nveis.

    e. ( ) somente as alternativas a e b esto corretas.

    Saiba mais

    Voc sabe o quanto importante aprimorarmos nossos conhecimentos para discorrermos com segurana e preciso acerca de determinados assuntos, e isso mostra que no devemos ficar limitados somente ao contedo disponibilizado por apenas um autor, devendo, sim, ir alm e desvendar novas opinies e horizontes no sentido de aprofundarmos nossa bagagem de informao. Sabendo que voc participa desse entendimento, recomendamos acesso ao seguintes livros:GIACOMONI, James. Oramento pblico. 3. ed. So Paulo: Atlas, 2005.Portaria Interministerial n. 163, de 04 de maio de 2001. Consolidao das pblicas, Natureza de Receita e Despesa. Braslia, 2001.Portaria Interministerial n. 688, de 14 de maio de 2005. Altera o Anexo II da Portaria Interministerial n. 163/2001. Brasilia, 2005.Portaria Conjunta n. 2, de 08 de agosto de 2008. Aprova a 4 edio do Manual de Procedimentos da Receita Pblica. Brasilia, 2008.Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008. Aprova a 1 edio dos Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional. Brasilia, 2008.

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  • orcamento_publico_TAP.indb 118 31/03/10 15:58

  • UNIDADE 7

    A receita pblica

    Objetivos de aprendizagem

    Estudar o que efetivamente considerado receita pblica e discorrer com preciso a respeito.

    Conhecer as caractersticas, seu relacionamento e interferncia em relao ao oramento e ao patrimnio.

    Obter maior domnio em relao classificao da receita pblica.

    Sees de estudo

    Seo 1 Denominando receita pblica

    Seo 2 Relao: receita pblica e oramento

    Seo 3 Formas de classificao da receita pblica

    7

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  • 120

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    No dia a dia de nossa vida privada nos deparamos com situaes em que precisamos parar e refletir sobre nossas receitas e sobre a capacidade que elas tm de suportar nossos dispndios. Para que no nos percamos, temos de conhecer as caractersticas dessas receitas, seu tipo, sua origem, sua periodicidade de ingresso, etc.Nas organizaes mercantis, quando se tem em mente o processo de planejamento e at mesmo a apurao do resultado econmico, precisamos qualificar e classificar corretamente as receitas, inclusive porque, se no o fizermos, correremos o risco de, num dado momento, a empresa alcanar elevada quantia de recursos em seu caixa, porm amargando prejuzos constantes. Assim, a organizao precisa saber se os recursos disponveis so, ou no, oriundos das operaes de seu objeto operacional, ou se so receitas originrias do desfazimento de um investimento anteriormente realizado, ou do seu prprio imobilizado.Na esfera pblica, essa necessidade no se apresenta de forma diferente e, para que se possa planejar corretamente e dotar o oramento pblico de elementos capazes de fazer valer a sua real importncia, tambm necessitamos conhecer, com preciso, os tipos de ingressos, as suas naturezas e suas caractersticas em relao ao todo oramentrio.Lendo isto, voc, com certeza, ficou preocupado(a), pois no deve ter conhecimento sobre ingressos pblicos, suas caractersticas e formas de obteno. Mas no se preocupe: finalizados os estudos desta unidade, voc estar craque e discorrer sobre o assunto com naturalidade e com a segurana de que necessita.

    Seo 1 Denominando receita pblica

    Vamos conhecer como nossos pensadores definem a receita pblica, destacando, primeiramente o conceito traado pelo Manual de Procedimentos da Receita Pblica, editado e aprovado pela Secretaria do Tesouro Nacional e Ministrio da Fazenda, pela Portaria conjunta n 2 de 08, de agosto de 2007, que diz:

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  • 121

    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Receitas pblicas so todos os ingressos de carter no devolutivo auferidos pelo poder pblico, em qualquer esfera governamental, para alocao e cobertura das despesas pblicas. Dessa forma, todo o ingresso oramentrio constitui uma receita pblica, pois tem como finalidade atender s despesas pblicas.

    Segundo Lima e Castro (2003, p.54), o Regulamento Geral de Contabilidade Pblica conceitua como receita da Unio todos os crditos de qualquer natureza que o governo tenha direito de arrecadar em virtude de leis gerais e especiais, de contratos e quaisquer ttulos que derivem direitos a favor do Estado. O autor, considerando a definio do Regulamento Geral de Contabilidade Pblica, acrescenta que a receita pblica seria, pois, o recebimento efetuado pela instituio pertencente ao Estado, com a finalidade de ser aplicado em gastos operativos e de administrao.Piscitelli, Timb e Rosa (2004, p. 148) destacam: Receita pblica, em sentido amplo, caracteriza-se como um ingresso de recursos ao patrimnio pblico, mais especificamente como uma entrada de recursos financeiros que se reflete no aumento das disponibilidades.Vamos agora observar o que diz Pires (2002, p. 128) sobre a receita pblica. Estabelecendo seu conceito, o autor assim destaca:

    O Estado necessita de recursos para cumprir suas funes bsicas e implementar os seus programas sociais. Esses recursos so arrecadados da sociedade por meio de tributos e de contribuies; por meio de cobranas relativas explorao do patrimnio pblico, a servios prestados e dvida ativa; por meio da alienao de bens do patrimnio pblico e, at mesmo, do endividamento. Esse conjunto de recursos que ingressam nos cofres do tesouro que se denomina receita pblica. Para J. Teixeira Machado Jr., receita um conjunto de ingressos financeiros com fonte e fatos geradores prprios e permanentes, oriundos da ao de atributos inerentes instituio, e que, integrando o patrimnio, na qualidade de elemento novo, produz-lhe acrscimos, sem contudo gerar obrigaes, reservas ou reivindicaes de terceiros.

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  • 122

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Considera-se, ainda, como receita pblica, todo recurso obtido pelo Estado para atender s despesas pblicas. A receita pblica provm dos servios prestados, direta ou indiretamente, pelo Governo coletividade, em troca de cobrana dos tributos e por mutao patrimonial, decorrente da alienao de bens, da amortizao dos emprstimos concedidos, etc.

    Levando-se em conta os ensinamentos traados pelos autores e normas destacadas, podemos conceituar a receita pblica como todo e qualquer ingresso de recursos ao Patrimnio Pblico, seja na concepo de elemento novo, isto , que lhe provoque aumento, ou por simples mutao patrimonial decorrente da gerao de dvida ou troca de elementos patrimoniais.

    Seo 2 Relao: receita pblica e oramento

    Qual a relao entre receita pblica e oramento?

    Alguns poderiam dizer que redundncia indagar qual a relao da receita pblica com o oramento ou, at mesmo, que j

    estaramos trabalhando a sua classificao. Entretanto, j que estamos falando exclusivamente em oramento pblico, vamos, separadamente, avaliar os tipos de receita do ponto de vista deste instrumento de planejamento.Tal separao se torna altamente salutar para que se possa entender corretamente a diferena entre o que efetivamente so recursos pblicos e recursos de natureza transitria.Assim, pode-se estabelecer a relao da receita pblica, destacando-se aquelas que podem e devem ser previstas no

    oramento, ou seja, aquelas que ao serem arrecadadas pertencem efetivamente ao Estado e aquelas que no podem ser previstas no oramento por possurem carter transitrio e, portanto, no prprias do Estado, que apenas as administra.

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  • 123

    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Dessa forma, no difcil perceber que, a receita pblica do ponto de vista do oramento pblico se divide em oramentria e extra-oramentria. Vamos conhecer cada uma delas?

    a) Receita oramentria

    Na viso de Lima e Castro (2003, p. 55), so oramentrias as receitas que podem ser previstas no oramento e constituem fonte para o pagamento das despesas autorizadas. Como exemplo dessa receita, podemos citar as tributrias, as de prestao de servios, as oriundas de alienao de bens, alm de outras que veremos na seo pertinente classificao da receita.

    b) Receita extraoramentria

    Seguindo com os ensinamentos de Lima e de Castro (2003, p. 56), so extra-oramentrias as receitas que no podem ser previstas no orament o ou que tm carter transitrio. Por corresponderem a fatos de natureza meramente financeira, originrios da prpria gesto das entidades, isto torna o Estado como mero e/ou simples depositrio de valores sujeitos devoluo futura e oportuna aos interessados. Incluindo-se as restituies por deciso administrativa ou sentena judicial.

    Como exemplo de receita extra-oramentria podemos destacar os valores depositados a ttulo de cauo, finanas, depsitos judiciais, etc.

    Observadas as definies de receitas oramentria e extraoramentria, fica consideravelmente fcil identificar que os recursos prprios do Estado esto assegurados pelas receitas oramentrias, e os recursos para os quais o Estado apenas figura como agente de administrao contemplam as receitas extraoramentrias.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Seo 3 Formas de classificao da receita pblica

    Na seo anterior voc teve contato com os aspectos pertinentes receita pblica e ao oramento. Nesta seo vamos estudar as formas de classificao da receita e as caractersticas de cada uma delas. Para tanto, vamos nos orientar, basicamente, nas instrues constantes do Manual de Procedimentos da Receita Pblica, 4 edio, aprovada pela Portaria Conjunta n. 2, de 08 de agosto de 2007, da Secretaria do Tesouro Nacional, que traz como fundamentao, entre outras, a Lei n. 4.320, de 17 de maro de 1964.Em conformidade com o manual, vamos estudar a classificao da receita pblica sob os aspectos da afetao patrimonial e a classificao econmica, regulada pela Lei n. 4.320/64, tambm estudaremos a classificao por destinao de recurso e iremos aprofundar nossos estudos, observando a classificao da receita quanto coercitividade e quanto sua regularidade na arrecadao.

    Quanto afetao patrimonial

    Configurando-se especificamente como uma classificao contbil da receita pblica, sua observncia em relao ao oramento tambm se faz necessria para que se tenha noo clara acerca de seus reflexos no patrimnio pblico. Nessa relao de afetao ao patrimnio pblico, vamos encontrar as receitas efetivas e as no efetivas ou por mutao patrimonial.

    Mas, o que so receitas efetivas?

    So consideradas efetivas aquelas provenientes da entrada de numerrios sem as correspondentes sadas de outros elementos do ativo ou outras entradas no passivo, isto , aquelas que ingressam na condio de elemento novo, provocando aumento no saldo patrimonial.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Constituem-se receitas efetivas as receitas correntes, tributrias, patrimoniais, industriais, agropecurias, de prestao de servios, de contribuio, aquelas provenientes de transferncias correntes e outras receitas correntes.

    E o que so receitas no efetivas ou por mutao patrimonial?

    Correspondem quelas cujos recebimentos decorrem da excluso de valores (ttulos e bens) do ativo ou da incluso de valores no passivo. Nestas podem ser exemplificadas as receitas de capital, ou seja, aquelas oriundas da alienao de bens, operaes de crditos, amortizaes de emprstimos concedidos e tambm as provenientes das transferncias de capital.

    Classificao econmica

    Como se classifica essa receita?

    Quando na seo 1, tratamos da relao entre a receita pblica e o oramento, vimos que aquela relao divide as receitas pblicas em oramentrias e extraoramentrias. O Manual da Receita Nacional, aprovado em sua primeira Edio pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 14 de outubro de 2008, da Secretarias do Tesouro Nacional e do Oramento Federal, contempla a classificao da receita oramentria em duas categorias econmicas, conforme anteriormente estabelecida pela Lei n. 4.320/64, com as inseres produzidas pela Portaria Interministerial STN/SOF n. 338, de 26 de abril de 2006, dividindo-as em Receitas Correntes e Receitas de Capital.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Receitas correntes

    Voc sabia que todas as receitas correntes, exceto aquela oriunda da Dvida Ativa, so tambm consideradas efetivas e/ou primrias? Est em dvida? No se preocupe, ao final desta seo, e observando atentamente as receitas que nela se classificam, voc ver que em nenhuma delas, haver qualquer ingresso de valores correspondentes no passivo e nem a excluso de quaisquer bens do ativo. Portanto so receitas correntes:

    a) Receitas tributrias

    Configuram-se pelos ingressos de recursos provenientes da arrecadao de impostos, taxas e contribuies de melhoria. A receita tributria tambm conhecida como uma receita privativa de quem tem o poder de tributar.A definio de tributo, dos qual so espcies os impostos, as taxas e as contribuies de melhorias, voc vai encontrar no Artigo 3 do Cdigo Tributrio Nacional, Lei n. 5.172, de 20 de outubro de 1966.

    b) Receitas de contribuies

    importante observar que no se pode confundir receitas de contribuies com contribuies de melhorias. Estas ltimas constituem uma das espcies de tributos, conforme definido pelo Cdigo Tributrio Nacional e pela Constituio.As receitas de contribuies contemplam os ingressos provenientes de contribuies sociais, de interveno no domnio econmico e de interesse das categorias profissionais ou econmicas, como instrumentos de interveno nas respectivas reas. O Manual de Procedimentos da Receita Pblica as define como Receitas de Contribuies:

    Contribuies sociais destinadas ao custeio da seguridade social, compreendendo a previdncia social, a sade e a assistncia social;

    Contribuies de interveno no domnio econmico aquelas derivadas da contraprestao atuao estatal exercida em favor de determinado grupo ou coletividade;

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Contribuies de interesse das categorias profissionais ou econmicas aquelas destinadas ao fornecimento de recursos aos rgos representativos de categorias profissionais legalmente regulamentadas ou a rgos de defesa de interesse dos empregadores ou empregados.

    c) Receita patrimonial

    Esta contempla os ingressos de recursos provenientes de rendimentos sobre investimentos do ativo permanente, de aplicaes de disponibilidades em opes de mercado e outros rendimentos oriundos de renda de ativos permanentes. Exemplificando, podemos citar as receitas de aluguel, os rendimentos de aplicaes financeiras, etc.

    Voc no poder confundir receita patrimonial com aquelas oriundas da alienao de bens do ativo permanente, pois estas se classificam como receitas de capital, conforme voc ver na sequncia de nossos estudos.

    d) Receita agropecuria

    Tem-se como receita agropecuria o ingresso de recursos provenientes da atividade ou da explorao agropecuria de origem vegetal ou animal. Como exemplo, citamos as receitas oriundas da explorao da agricultura (cultivo do solo), da pecuria (criao, recriao ou engorda de gado e animais de pequeno porte) e do beneficiamento e/ou da transformao de produtos agropecurios em instalaes do prprio estabelecimento.

    e) Receita industrial

    Configura-se receita industrial o ingresso de recurso proveniente da atividade industrial de extrao mineral, de transformao, de construo e outras, provenientes da mesma atividade. So exemplos de receitas industriais as das indstrias de transformao mecnica, qumica, produtos farmacuticos, alimentos, bebidas, editoriais e grficas e receitas de construo.

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    f) Receita de servios

    Pode-se classificar neste grupo de receita aquela proveniente de ingressos de recursos originrios da prestao de servios de transporte, sade, comunicao, porturio, armazenagem, de inspeo e fiscalizao, judicirio, processamento de dados, vendas de mercadorias e produtos inerentes atividade da entidade e outros servios.

    g) Receita de transferncias correntes

    Define-se como receita de transferncias correntes o ingresso de recursos provenientes de outros entes ou entidades pblicas ou privadas, isto , de pessoas jurdicas de direito pblico ou privado, destinados a atender despesas classificveis em despesas correntes.Partindo dessa definio, pode-se afirmar que as receitas de transferncias correntes somente podem ser aplicadas em despesas de mesma natureza, isto , em despesas correntes.

    Outras receitas correntesEstas contemplam os ingressos de recursos provenientes de outras origens no classificveis nas subcategorias econmicas anteriores.

    h) Receita Corrente Intraoramentria

    Denominao criada pela Portaria n. 338, de 26 de abril de 2006, contempla os ingressos de recursos provenientes de operaes entre rgos pertinentes ao mesmo oramento, ou seja, operaes que demandem pagamento de um rgo a outro do mesmo ente da Federao em decorrncia do fornecimento de bens de consumo e/ou prestao de servios.Consagram, portanto, a Modalidade de Aplicao 91 Aplicao Direta Decorrente de Operaes entre rgos, Fundos e Entidades Integrantes dos Oramentos Fiscais e da Seguridade Social, sendo que tal distino visa evitar a dupla contagem das receitas e despesas no momento da consolidao das contas pblicas. Para identificao da natureza da Receita Corrente Intraoramentria substitu-se no 1 nvel (categoria econmica) o dgito inicial da classificao 1 pelo dgito 7.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Receita de capital

    O que receita de capital?

    Trata-se das receitas originrias da obteno de recursos mediante a constituio de dvidas, amortizao de emprstimos e financiamentos concedidos e/ou alienao de componentes do ativo permanente, constituindo-se em meio para atingir a finalidade fundamental do rgo ou entidade, ou mesmo atividades no operacionais, visando ao estmulo s atividades operacionais do ente.Lima e Castro (2003, p. 59) definem que as receitas de capital, tambm denominadas secundrias ou receitas por mutao patrimonial, so as resultantes da realizao de recursos financeiros oriundos de constituio de dvidas, da converso, em espcie, de bens e direitos, dos recursos recebidos de outras pessoas de direito pblico ou privado, destinadas a atender despesas classificveis como de capital, incluindo o supervit do oramento corrente.As receitas de capital, de acordo com a Lei n. 4.320/64, so classificadas nos nveis a seguir destacados.

    a) Operaes de crdito

    Constituem-se em ingressos de recursos provenientes da colocao de ttulos pblicos ou da contratao de emprstimos e financiamentos obtidos das entidades estatais ou privadas. Tais operaes podem ser ainda divididas em internas (realizadas dentro do pas) e externas (as realizadas com instituies sediadas fora do pas).

    b) Alienao de bens

    Correspondem aos ingressos de recursos provenientes das operaes de alienao de bens e direitos, isto , dos componentes do ativo permanente.

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    c) Amortizao de emprstimos concedidos

    Tais receitas se constituem em ingressos de recursos originrios da amortizao, isto , do recebimento de parcelas de emprstimos e financiamentos concedidos mediante ttulos ou contratos.

    d) Transferncias de capital

    o ingresso de recursos oriundos de outros entes ou entidades da Federao, transferidos mediante condies preestabelecidas, ou no, desde que seu objetivo seja a aplicao em despesas de capital.Assim como as receitas de transferncias correntes devem ser aplicadas, exclusivamente, em despesas correntes, as receitas de transferncias de capital somente podero ser aplicadas pelo ente ou entidade recebedora em despesas de capital.

    Outras receitas de capitalIncluem-se nesta subcategoria os ingressos de recursos provenientes de outras origens no classificveis nas subcategorias econmicas anteriores.

    e) Receita de Capital Intra-Oramentria

    Assim como nas Receitas Correntes Intraoramentrias, esta denominao foi criada pela Portaria n. 338, de 26 de abril de 2006, contempla os ingressos de recursos provenientes de operaes entre rgos pertinentes ao mesmo oramento, ou seja, operaes que demandem pagamento de um rgo ao outros do mesmo ente da Federao em decorrncia de constituio de dvida, amortizao de emprstimos e/ou financiamentos concedidos ou alienao de componentes do Ativo Permanente.Consagra, portanto, a Modalidade de Aplicao 91 Aplicao Direta Decorrente de Operaes entre rgos, Fundos e Entidades Integrantes dos Oramentos Fiscais e da Seguridade Social, sendo que tal distino visa evitar a dupla contagem das receitas e despesas no momento da consolidao das contas pblicas. Para identificao da natureza da Receita Corrente Intraoramentria substitu-se, no 1 nvel (categoria econmica), o dgito inicial da classificao 1 pelo dgito 8.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Codificao da natureza da receita. O que isto significa?

    Para uma melhor organizao e correta classificao da receita na elaborao do Oramento Pblico, o Manual de Procedimentos da Receita Pblica (aprovado pela Portaria Conjunta n. 2, de 08 de agosto de 2007, e alterado pela Portaria Conjunta STN/SOF n 3, de 16 de outubro de 2008 ) aprova a 1 edio dos Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional, definindo que a codificao oramentria da natureza da receita composta em seis nveis, a saber:

    1 Nvel Categoria Econmica 2 Nvel Origens 3 Nvel Espcie 4 Nvel Rubrica 5 Nvel Alnea 6 Nvel Subalnea

    Detalhamento do cdigo da natureza da receita

    Por se constituir em rgo sistmico responsvel pela homogeneizao dos procedimentos relativos administrao financeira e oramentria, a Secretaria do Tesouro Nacional estabeleceu que, para atender necessidades internas, a Unio, os Estados, Distrito Federal e Municpios podero detalhar as classificaes oramentrias da natureza da receita, a partir do nvel ainda no detalhado no Manual e que os nveis j detalhados caber, exclusivamente, Unio.O Manual de Procedimentos da Receita Pblica, aprovado pela Portaria Conjunta n2, de 8 de agosto de 2007, alterado pela Portaria Conjunta STN/SOF n 3, de 16 de outubro de 2008, aprova a 1 edio dos Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional, que traz os seguintes exemplos de detalhamento do cdigo de natureza da receita oramentria:

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Exemplo 1: 1.1.1.1.2.04.00 Pessoas Fsicas:Recebimento de uma Receita de Pessoa Fsica, ou seja, um contribuinte.

    1 = Receita Corrente (Categoria Econmica)1 = Receita Tributria (Origem)

    1 = Receita de Imposto (Espcie)2 = Imposto Sobre o Patrimnio e a Renda (Rubrica)

    04 = Imposto S/a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (Alnea)10 = Pessoas Fsicas (Subalnea) Nvel Exclusivo da STN

    xx = NVEL DE DETALHAMENTO OPTATIVO

    Se tomssemos, por exemplo, uma Taxa de Servios de Transportes Martimos de passageiros, 1.1.2.1.40.00, o detalhamento ficaria assim:

    1 = Receita Corrente (Categoria Econmica)1 = Receita Tributria (Origem)

    2 = Taxas (Espcie)1 = Taxa pelo Exerccio do Poder de Polcia (Rubrica)

    40 = Taxas Ser. De Transp. Martimo de Psag. (Alnea) Nvel Exclusivo da STN10 = NVEL DE DETALHAMENTO OPTATIVO (Subalnea)

    xx = NVEL DE DETALHAMENTO OPTATIVO

    Observe, portanto, que o nvel de Detalhamento Optativo que pode ser complementado pela prpria Unio, pelos Estados, Distrito Federal e Municpios, de acordo com as necessidades locais de cada um.

    Classificao por fonte de recursos

    O que a classificao por fonte de recurso e como se d?

    Para fins de elaborao e execuo da Lei Oramentria Anual, a Secretaria do Tesouro Nacional, atravs da Portaria Conjunta n. 3, de 14 de outubro de 2008, tambm classificou a receita pblica por fonte de recursos, estabelecendo a vinculao da destinao da receita a uma despesa especfica ou a qualquer que seja a sua aplicao, desde a previso at o efetivo pagamento do gasto.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    a) Codificao para controle das destinaes de recursos

    O cdigo composto no mnimo por 4 dgitos, podendo utilizar-se a partir do 5o dgito para atender peculiaridades internas:

    1o dgito: IDUSO IDENTIFICADOR DE USO 2o dgito: GRUPO DE DESTINAO DE RECURSOS

    3o e 4o dgitos: ESPECIFICAO DAS DESTINAES DE RECURSOS

    5o a n dgitos: DETALHAMENTO DAS DESTINAES DE RECURSOS

    b) Identificador de uso (IDUSO)

    Configura-se o cdigo utilizado para indicar se os recursos compem contrapartida nacional de emprstimos, de doaes ou de outras aplicaes. Indica, portanto, se os recursos esto vinculados contrapartida de uma das operaes indicadas.

    c) Grupo de destinao de recursos

    De acordo com o Manual de Procedimentos da Receita Pblica, este grupo divide os recursos em originrios do Tesouro, ou de outras fontes, e d indicao sobre o exerccio no qual foram arrecadados, se corrente ou anterior.Recursos do tesouro so aqueles geridos de forma centralizada pelo Poder Executivo do ente, o qual detm a responsabilidade e controle sobre as disponibilidades financeiras. Essa gesto centralizada se d, normalmente, atravs do rgo Central de Programao Financeira, que administra o fluxo de caixa, fazendo liberaes aos rgos e entidades, de acordo com a programao financeira, com base nas disponibilidades e nos objetivos estratgicos do governo.Recursos de outras fontes so aqueles arrecadados e controlados de forma descentralizada, cuja disponibilidade est sob a responsabilidade dos rgos e entidades recebedoras, mesmo

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    nos casos em que dependem de autorizao do rgo Central de Programao Financeira para deles dispor. Tais recursos tm origem no esforo prprio das entidades, isto , do desenvolvimento de seu prprio objeto.Por determinao do Artigo 8 da Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar n. 101/2000, essa classificao contempla tambm a segregao dos recursos arrecadados no exerccio corrente daqueles de exerccios anteriores, visando a assegurar que os recursos, independentemente do exerccio em que foram arrecadados, sejam aplicados no objeto para o qual foram reservados.Inclui-se, ainda, nessa tabela, um cdigo especial destinado aos recursos condicionados, que so aqueles includos na previso da receita oramentria, mas que dependem da aprovao de alteraes na legislao para integralizao dos recursos.

    Recursos que dependam da alterao na legislao tributria para serem arrecadados. O remanejamento para as destinaes adequadas e definitivas somente realizado aps efetivamente confirmadas tais proposies.

    d) Especificao de destinaes de recursos

    Seguindo as orientaes traadas no Manual de Procedimentos da Receita Pblica, 4 edio, aprovada pela Portaria Conjunta n. 2, de 08 de agosto de 2008, da Secretaria do Tesouro Nacional, vamos verificar que o cdigo que individualiza cada destinao traz, em si, a parte substantiva da classificao, complementado-a pela informao do IDUSO e Grupo Fonte, com as destinaes sendo segregadas em dois grupos: destinaes primrias e no primrias.

    destinaes primrias: so aquelas no financeiras, tambm chamadas de destinaes-boas, j que, em grande parte, so receitas efetivas.

    destinaes no primrias: tambm chamadas financeiras, so representadas de forma geral por operaes de crdito, amortizaes de emprstimos e alienao de ativos.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    A tabela de especificaes das fontes de recursos deve ser criada em funo das particularidades de cada ente da federao e adaptada de acordo com as necessidades informativas ou de inovaes na legislao. Para homogeneizao dos procedimentos e da prpria codificao, de acordo com as regras traadas no Manual em destaque, na elaborao das especificaes das fontes, deve-se observar o seguinte, com relao Tabela da sequncia de codificao (pgina 135):

    os cdigos podem ser utilizados tanto para destinao primria quanto para no primria, devendo-se atentar, no momento da criao, para a classificao no agrupamento adequado.

    os cdigos no podem se repetir nas destinaes primrias e no primrias;

    utilizar ttulo que indique com clareza sua finalidade. na composio do cdigo da destinao de recursos, dever ser observada a compatibilidade entre a especificao e o respectivo grupo.

    e) Detalhamento das destinaes de recursos

    Constituindo-se em maior nvel de particularizao da destinao de recursos, nele a destinao detalhada por obrigao e, para padronizao do detalhamento a ser utilizado em cada destinao de recursos, recomenda-se a utilizao dos seguintes indicadores:

    a) destinao pode ser detalhada por convnios ou obrigao;

    b) destinao detalhada por convnio;c) destinao detalhada por obrigao;d) destinao detalhada por cadastro;e) destinao no pode ser detalhada.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Sempre que no se estiver utilizando a destinao detalhada, devero ser preenchidos com zeros os seis ltimos dgitos, referentes ao detalhamento, exceto na elaborao da proposta oramentria, onde so utilizados apenas quatro dgitos para indicar a destinao de recursos. Veja exemplo da sequncia da codificao da destinao por fonte de recursos nas tabelas que seguem, definido conforme Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 14/10/2008.

    Tabela 1

    IDUSO

    Recursos no destinados contrapartidaContrapartida Banco Interamericano para Reconstruo e o Desenvolvimento - BIRDContrapartida Banco Interamericano de Desenvolvimento - BIDContrapartida de emprstimos com enfoque setorial amploContrapartida de outros emprstimosContrapartida de doaes

    Tabela 2

    DESTINAES

    Recursos do Tesouro Exerccio CorrenteRecursos de Outras Destinaes Exerccio CorrenteRecursos do Tesouro Exerccios AnterioresRecursos de Outras Destinaes Exerccios AnterioresRecursos Condicionados

    Tabela 3

    I PRIMRIAS

    ESPECIFICAES DAS DESTINAES DE RECURSOS

    0X

    Recursos OrdinriosA ser especificado pelo Ente

    II NO-PRIMRIAS

    ESPECIFICAES DAS DESTINAES DE RECURSOS

    X A ser especificado pelo Ente

    Tabela 4

    DETALHAMENTO

    ESPEFICIAES DAS DESTINAES DE RECURSOS

    XXXXX A ser especificado pelo Ente

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    Tendo por base a Tabela de Fontes de Recursos da Unio, aprovada pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008, das Secretarias do Tesouro Nacional e de Oramento Federal, vamos tomar como exemplo a seguinte indicao de Fonte de Recursos:

    Cdigo de Destinao de Recursos 0102 contempla:

    a) Indicador de Uso 0 Recursos no vinculados a Contrapartida;

    b) Grupo de Destinao de Recurso 1 Recursos do Tesouro Exerccio corrente;

    c) Destinao Primria 00 Recursos Ordinrios 02 Recursos de Transferncia do Imposto Territorial Rural.

    Os nveis correspondentes a Tabela 3 sero especificados de acordo com as peculiaridades de cada ente da Federao.

    NOTA 1: Veja a integra da Tabela de Fontes de Recursos da Unio, acessando o site www.planejamento.gov.br, o Link Portaria e, em seguida, busque a Portaria indicada.

    NOTA 2: importante observar que a Secretaria do Tesouro Nacional rgo sistmico e, portanto, a tabela de fontes de recursos destacada no exemplo anterior dever ser observada pelos demais entes da Federao, ficando a cargo destes apenas os nveis de detalhamentos indicados nas Tabela 3.

    Classificao da receita pblica quanto regularidade

    Conforme voc sabe, em nossa vida privada, temos receitas de caractersticas permanentes ou fixas, como os nossos vencimentos, e outras que se apresentam como espordicas ou extras, tais como, as gratificaes, os vencimentos extraordinrios, etc.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Na esfera da administrao pblica as receitas pblicas tambm se classificam quanto regularidade no recebimento, dividindo tais ingressos em ordinrios e extraordinrios ou espordicos.

    O que so receitas ordinrias?

    So aquelas que servem de fonte perene de recursos pela regularidade de sua arrecadao. Podemos citar, como exemplo, as receitas oriundas dos tributos regularmente constitudos, tais como, o ICMS, IPI, o Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, etc.

    O que so receitas extraordinrias ou espordicas?

    Estas representam os ingressos de recursos de carter acidental e de natureza transitria. Temos, como exemplo, os impostos de guerra, doaes, etc.

    Classificao da receita pblica quanto coercitividade

    Constitui-se numa classificao de interesse ou ordem dos tributaristas, isto , consagra um enfoque jurdico receita pblica e a divide em originria e derivada.

    a) Receita originria

    Consagra as receitas originrias da explorao do patrimnio e/ou do objeto social da pessoa jurdica de direito pblico, como em qualquer empresa privada. Exemplificando, citamos as receitas de prestao de servios hospitalares, as industriais, etc.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    b) Receita derivada

    Estas resultam do poder que tem o Estado, como mandatrio da coletividade, para exigir dos cidados prestaes pecunirias necessrias ao custeio das necessidades pblicas pelo cumprimento de suas funes. Como exemplo destas receitas, temos aquelas de natureza tributria, imposto, taxas e as contribuies de melhoria.- Leia, a seguir a sntese da unidade, realize as atividades de autoavaliao e consulte o Saiba mais para aprofundar seus conhecimentos.

    Sntese

    Nesta unidade, voc teve a oportunidade de estudar os conceitos de receita pblica e viu que receitas so os ingressos de recursos de carter no devolutivo auferidos pelo ente pblico para fazer face s despesas pblicas.Vimos, na segunda seo, que a receita pblica, na sua relao com o oramento, se divide em oramentrias, aquelas que podem e devem constar do oramento, e as extraoramentrias, que no necessitam constar do oramento, pois no se caracterizam como receitas prprias do Estado.Na Seo 3, voc pde acompanhar a classificao econmica da receita pblica e pde observar que ela se divide em receitas correntes e receitas de capital. Nas receitas correntes, encontramos os grupos das receitas tributrias, de contribuies, patrimonial, agropecuria, industrial, de servios, as transferncias correntes intraoramentrias e, no grupo das receitas de capital, esto includas as provenientes de operaes de crdito, de alienao de bens, de amortizaes de emprstimos concedidos, de transferncias de capital intra-oramentrio, alm de outras.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Trocamos ideias na seo 4 acerca da classificao da receita pblica por destinao de recursos, incluindo o Indicador de Uso IDUSO , o grupo Destinaes de recursos, suas especificaes e detalhamentos.Finalizando a unidade, voc teve, ainda, a oportunidade de conhecer as classificaes de receitas pblicas em relao coercitividade, que divide as receitas em receitas originrias de uma atividade do ente e as receitas derivadas de leis, e em relao regularidade do recebimento da receita, estabelecendo a diviso em receitas ordinrias, que so aquelas cuja arrecadao possui carter permanente, e aquelas de arrecadao de carter acidental e transitrio, tipo imposto de guerra, etc.

    Atividades de autoavaliao

    1) Tendo por base o contedo destacado nesta Unidade, elabore o seu prprio conceito de Receita Pblica.

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    Oramento Pblico

    Unidade 7

    2) Em relao ao oramento, a receita proveniente de uma cauo recebida de uma empresa privada como garantia para participar de licitao, classificada como:

    a. ( ) oramentria.

    b. ( ) extraoramentria.

    c. ( ) de capital.

    d. ( ) corrente.

    e. ( ) Todas as alternativas esto corretas.

    3) Sendo voc responsvel pela elaborao do oramento da Prefeitura, como classificaria a receita de locao de imvel, em relao classificao econmica?

    a. ( ) de capital.

    b. ( ) originria.

    c. ( ) corrente.

    d. ( ) derivada.

    e. ( ) ordinria.

    4) Tendo por base as receitas provenientes de seu vencimento, em relao classificao quanto regularidade, como voc classificaria a Receita de Impresso de Formulrios?

    a. ( ) espordica.

    b. ( ) ordinria.

    c. ( ) originria.

    d. ( ) derivada.

    e. ( ) Nenhuma das alternativas.

    5) Dentre as receitas abaixo, qual a que se classifica como uma Receita Por Mutao Patrimonial?

    a. ( ) emprstimos obtidos.

    b. ( ) tributria.

    c. ( ) aluguel.

    d. ( ) contribuio de Melhoria.

    e. ( ) arrendamento de terreno.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    6) Se tivermos que identificar no oramento que um determinado recurso corresponde contrapartida de uma doao, que tipo de elemento deveremos utilizar para essa indicao?

    a. ( ) a indicao da destinao.

    b. ( ) a natureza da receita.

    c. ( ) o identificador de uso.

    d. ( ) a indicao do grupo de destinaes de recursos.

    e. ( ) Todas as alternativas esto corretas.

    Saiba mais

    Voc viu quantos aspectos importantes temos para estudar a respeito das receitas pblicas? Sabia que h muito mais? Tenha voc a certeza de que muito importante ampliarmos nossos conhecimentos acerca deste assunto.Para tanto, recomendamos a voc acesso aos livros a seguir relacionados, nos quais os autores aplicam uma linguagem clara e objetiva, alm de apresentarem uma srie de exemplos, que iro lhe proporcionar amplo conhecimento sobre as Receitas Pblicas.GIACOMONI, James. Oramento pblico. 13. ed. So Paulo: Atlas, 2005. PISCITELLE, Roberto Bocaccio, TIMB, Maria Zulene Farias e ROSA, Maria Berenice. Contabilidade pblica. 8. ed. So Paulo:, Atlas, 2004.Acesse o site , no Link legislao e, na sequncia, a Portaria conjunta n 02, de 08 de agosto de 2007, que aprovou a 4 edio do Manual de Procedimentos das Receitas Pblicas e, Portaria n. 869, de 15.12.2005, que incluiu o Anexo I da 2 edio do mesmo Manual.Veja tambm a Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008, das Secretarias do Tesouro Nacional e do Oramento Federal, que aprovou os Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional.

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  • UNIDADE 8

    A despesa pblica

    Objetivos de aprendizagem

    Compreender o que Despesa Pblica.

    Estudar a classificao e codificao da Despesa Pblica.

    Compreender o que Oramento Pblico.

    Sees de estudo

    Seo 1 O que Despesa Pblica?

    Seo 2 Como as Despesas so classificadas?

    Seo 3 Como classificada a Despesa segundo o oramento?

    Seo 4 Como a classificao de despesa segundo sua natureza?

    Seo 5 Como ocorre a classificao segundo as mutaes patrimoniais?

    Seo 6 O que classificao por destinao de recursos?

    8

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Nesta unidade, voc vai estudar como se classifica a Despesa Pblica e vai compreender que todo desembolso na administrao pblica, diferentemente da iniciativa privada, sinnimo de despesa. Mas importante voc perceber que essa despesa poder ser classificada de vrias formas, conforme a necessidade de controle que se tenha. Vamos explorar mais este tema nas sees seguintes.

    SEO 1 O que Despesa Pblica?

    O decreto n. 15.783, de 18/11/1922 aprovou o antigo Regulamento de Contabilidade Pblica da Unio:

    Despesa sinnimo de sada financeira, dependente, ou no, de autorizao oramentria, que tanto pode resultar em diminuio como em mera mutao (mudana, alterao, transformao) do patrimnio. Encarada restritivamente, despesa quer dizer apenas a sada que implica reduo do patrimnio.

    Quando se fala de Despesa Pblica, economizar representa restringir a ao do Estado, em sua amplitude ou medida que ela se desenvolve. Assumir novos encargos decorrentes da evoluo do Estado representa, no fundo, incrementar gastos.Em face da multiplicidade dos servios a cargo do Estado, h despesas de carter:

    a) imprescindvel: remunerao do pessoal efetivo;b) adivel: obra ou servio que admita protelao;c) redutvel: servio cuja intensidade possa ser diminuda

    sem dano para o agrupamento social;d) suprfluo: que excede s necessidades imediatas ou so

    dispensveis;

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    Oramento Pblico

    Unidade 8

    e) sunturio: realizaes de grandiosidade desnecessria ou descabida, na maioria das vezes guiadas pelo capricho ou pela vaidade do governante.

    Conforme colocamos acima, fica evidente que o Estado (na concepo ampla) deve gastar dentro dos limites do interesse pblico, em proporo s possibilidades financeiras e na medida da capacidade contributiva dos cidados.

    SEO 2 Como as Despesas so classificadas?

    Conforme voc teve oportunidade de estudar na Seo 3, da Unidade 6, na elaborao das leis do Oramento, PPA, LDO e LOA, os gastos ou Despesas Pblicas seguem as classificaes, Institucional, Funcional, Por Programa, Econmica (Natureza da Despesa), Por Fontes de Recursos e Segundo a Regio a ser Beneficiada com a Ao.Voc conheceu tambm, naquela Unidade, as caractersticas das classificaes Institucional, Funcional, cuja interpretao pode ser visualizada no quadro abaixo.Nas sees seguintes, voc vai estudar em detalhes cada uma delas.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Na prxima seo iremos trabalhar as caractersticas da classificao Econmica da Despesa (segundo o oramento e a natureza da despesa) e, tambm, por Fontes de Recursos.

    SEO 3 Como classificada a Despesa segundo o oramento?

    Semelhante receita, a despesa segundo o oramento se divide em oramentria e extraoramentria:

    a) despesa oramentria: compreende o rol dos gastos fixados na Lei Oramentria ou em leis especiais destinados execuo de obras e servios pblicos, bem como os desembolsos destinados a satisfazer os compromissos com a dvida pblica;

    b) despesa extraoramentria: aquela paga margem da Lei Oramentria e, portanto, independente de autorizao do Legislativo.

    A exemplo do que voc j viu na receita extraoramentria, a despesa extra oramentria tambm ser utilizada somente para fins de fechamento do balano financeiro, que, como j foi visto anteriormente, nada mais do que um fluxo de caixa. Sero computadas como despesas extraoramentrias, no balano financeiro, as movimentaes a dbito das contas do passivo financeiro e das contas do ativo financeiro, excetuadas, neste ltimo caso, as contas que iro demonstrar saldos de disponibilidades a serem transferidas (caixa, bancos e correspondentes).

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    Oramento Pblico

    Unidade 8

    SEO 4 Como a classificao de despesa segundo a sua natureza?

    A despesa oramentria, conforme determina a Portaria Interministerial n. 163, de 04 de maio de 2001, se compe de quatro modalidades: categoria econmica, grupo de natureza da despesa, modalidade de aplicao e elemento de despesa. A seguir, apresentamos uma explicao detalhada de cada uma delas.

    Acesse o site: , link Legislao, depois Contabilidade Governamental e, em seguida, Legislao e, por fim, Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008. Aprova a 1 edio dos Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional. No Manual da Despesa Nacional, voc vai poder visualizar todas as caractersticas da classificao da Despesa Pblica no Brasil.

    I Categoria econmica

    A despesa oramentria se divide em duas grandes categorias econmicas: despesas correntes e despesas de capital.

    a) Despesas correntes: classificam-se neste grupo todas as despesas que no contribuem, diretamente, para a formao ou a aquisio de um bem de capital, ou que no dizem respeito amortizao da dvida consolidada.

    b) Despesas de capital: so aquelas despesas que contribuem, diretamente, para a formao ou a aquisio de um bem de capital, bem como as despesas relacionadas amortizao da dvida consolidada.

    As despesas de capital correspondem aos gastos realizados pela Administrao Pblica, cujo propsito o de criar novos bens de capital, ou mesmo, de adquirir bens de capital j em uso, como o caso dos investimentos e inverses financeiras, respectivamente, e que constituiro, em ltima anlise, incorporaes ao patrimnio pblico de forma efetiva ou por mutao patrimonial.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    II Grupo de natureza da despesa

    Entende-se por grupos de natureza de despesa a agregao de elementos de despesa que apresentam as mesmas caractersticas quanto ao objeto de gasto. Segundo a Portaria Interministerial n. 163, de 04 de maio de 2001, a despesa dever ser agregada nos seguintes grupos de despesas:

    1. pessoal e encargos sociais;2. juros e encargos da dvida;3. outras despesas correntes;4. investimentos;5. inverses financeiras;6. amortizao da dvida;7. reserva do RPPS; 8. reserva de contingncia.

    1. Pessoal e Encargos Sociais

    Toda e qualquer despesa oramentria de carter remuneratrio decorrente do efetivo exerccio de cargo, emprego ou funo de confiana no setor pblico, pagamento dos proventos de aposentadorias, reformas, penses, das obrigaes trabalhistas de responsabilidade do empregador, incidentes sobre a folha de salrios, contribuio, contribuio a entidades fechadas de previdncia, outros benefcios assistenciais classificveis neste grupo de despesa.

    2. Juros e Encargos da Dvida

    Despesas oramentrias com o pagamento de juros, comisses e outros encargos de operaes de crdito internas e externas contratadas, bem como da dvida pblica mobiliria.

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    Oramento Pblico

    Unidade 8

    3. Outras Despesas Correntes

    Despesas oramentrias com a aquisio de material de consumo, pagamento de dirias, contribuies, subvenes, auxlio-alimentao, auxlio-transporte, alm de outras despesas da categoria econmica Despesas Correntes, no classificveis nos demais grupos de natureza da despesa.

    4. Investimentos

    Despesas oramentrias com o planejamento e a execuo de obras, inclusive com a aquisio de imveis considerados necessrios realizao destas ltimas, e com a aquisio e instalaes, equipamentos e material permanente.

    5. Inverses Financeiras

    Despesas oramentrias com a aquisio de imveis ou bens de capital j em utilizao: aquisio de ttulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer espcie, j constitudas, quando a operao no importe aumento do capital; e com a constituio ou aumento do capital das empresas.

    6. Amortizao da Dvida

    Despesas oramentrias com o pagamento e/ou refinanciamento do principal e da atualizao monetria ou cambial da dvida pblica interna e externa, contratual ou mobiliria.

    7. Reserva do Regime Prprio de Previdncia do Servidor

    Os ingressos previstos que ultrapassarem as despesas oramentrias fixadas num determinado exerccio constituem o supervit oramentrio inicial, destinado a garantir desembolsos futuros do Regime Prprio de Previdncia Social _ RPPS, do ente respectivo. Assim sendo, este supervit oramentrio

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    representar a frao de ingressos que sero recebidos sem a expectativa de execuo de despesa oramentria no exerccio e constituir a reserva oramentria para suportar dficit futuros, onde as receitas oramentrias previstas sero menores que as despesas oramentrias.

    8. Reserva de Contingncia

    De acordo com o Manual da Despesa Nacional, aprovado pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008, compreende o volume de recursos destinados ao atendimento de passivos contingentes e outros riscos, bem como eventos fiscais imprevistos. Essa reserva poder ser utilizada para abertura de crditos adicionais, desde que previsto na LDO. Os Passivos Contingentes so representados por demandas judiciais, dvidas em processo de reconhecimento e operaes de aval e garantias dadas pelo Poder Pblico. Os outros riscos a que se referem o 3 do artigo 4 da Lei Complementar n. 101/2000, so classificados em duas categorias: Riscos Fiscais Oramentrios e Riscos Fiscais de Dvida.

    Riscos Fiscais OramentriosEsto relacionados possibilidade das receitas e despesas projetadas na elaborao do projeto de lei oramentria anual no se confirmarem durante o exerccio financeiro, ou seja, receita menor que despesa.

    Riscos Fiscais da DvidaSo riscos decorrentes das flutuaes de variveis macroeconmicas, tais como taxa bsica de juros, variao cambial e inflao. Por exemplo: um aumento sobre a taxa de juros SELIC, estabelecido pelo Comit de Polticas Monetrias do Banco Central do Brasil, inevitavelmente elevar o nvel de endividamento do governo.

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    Oramento Pblico

    Unidade 8

    III Modalidade de aplicao

    Tem por finalidade indicar se os recursos so aplicados diretamente por rgos ou entidades no mbito da mesma esfera de Governo ou por outro ente da federao e suas respectivas entidades, e objetiva, principalmente, possibilitar a eliminao da dupla contagem dos recursos transferidos ou descentralizados. As modalidades de aplicao so as seguintes:

    20 transferncias Unio;30 transferncias a Estados e ao Distrito Federal;40 transferncias a Municpios;50 transferncias instituies privadas sem fins lucrativos;60 transferncias a instituies privadas com fins lucrativos;70 transferncias a instituies multigovernamentais;71 transferncias a Consrcios Pblicos;80 transferncias ao exterior;90 aplicaes diretas;91 aplicao direta decorrente de operao entre rgos, fundos e entidades integrantes dos Oramentos Fiscal e da Seguridade Social;99 a definir.

    IV Elemento de despesa

    Tem por finalidade identificar os objetos de gasto, tais como, vencimentos e vantagens fixas, juros, dirias, material de consumo, servios de terceiros prestados sob qualquer forma, subvenes sociais, obras e instalaes, equipamentos e material permanente, auxlios, amortizaes e outros de que a administrao pblica se serve para a consecuo de seus fins.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Podero ainda ser utilizados os desdobramentos do elemento, conforme a necessidade de controle de cada ente da federao.A figura a seguir ilustra a interpretao do cdigo da despesa, segundo dispe a Portaria Interministerial n. 163/2001:

    SEO 5 Como ocorre a classificao segundo as mutaes patrimoniais?

    Semelhante s receitas, as despesas podem ser efetivas ou por mutao patrimonial, segundo as mutaes que provocam no patrimnio do rgo ou entidade.

    a) Despesa efetiva a despesa oramentria que no tem reflexo no ativo permanente ou no passivo permanente. Dessa forma, contribui para reduzir o Saldo Patrimonial Total. Podemos citar, como exemplo de despesas efetivas, os pagamentos da despesa com pessoal, com servios de terceiros e outras que, ao serem contabilizadas, provoquem diminuio do patrimnio, ou seja, aquelas que reduzem o Saldo Patrimonial Total SPT.

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    Oramento Pblico

    Unidade 8

    b) Despesa por mutao patrimonial a despesa oramentria decorrente de um gasto que ir refletir num ingresso de um bem a ser contabilizado no ativo permanente ou numa diminuio do passivo permanente.

    A aquisio de um veculo ir implicar a diminuio de um ativo financeiro (bancos e correspondentes), mas, por outro lado, ir gerar um aumento no ativo permanente, decorrente da incorporao do veculo adquirido. No todo, o patrimnio no se altera, simplesmente tem sua composio modificada.

    SEO 6 O que classificao por destinao de recursos?

    A fonte de recurso indica a origem dos recursos que iro fazer face (destinao) s despesas a serem realizadas. Uma fonte de recurso (tambm denominada destinao) pode englobar vrias espcies de receitas. Os padres e critrios a serem utilizados na classificao por Fonte de Recursos esto previstos na Portaria Conjunta n. 2, da Secretaria do Tesouro Nacional, que aprovou a 4 edio do Manual de Procedimentos da Receita Pblica.

    Faa uma visita ao site da Secretaria do Tesouro Nacional e conhea, tambm, os Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional.

    Voc j teve a oportunidade de estudar as caractersticas da Classificao da Despesa por Destinao de Recursos, quando trabalhamos, na Seo 3, a classificao da Receita Pblica.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Assim, s para relembrar, vamos destacar que, de acordo com a 4 edio do Manual de Procedimentos da Receita Pblica, aprovada pela Portaria Conjunta n 2, de 08 de agosto de 2008, da Secretaria do Tesouro Nacional, alterada pela Portaria Conjunta STN/SOF n 3, de 16 de outubro de 2008, a codificao utilizada para o controle das destinaes de recursos composta, obrigatoriamente por um conjunto de, no mnimo, 6 dgitos, que apresenta o maior nvel de particularizao da Destinao de Recursos. Para elaborao da proposta oramentria, assim distribudos sequencialmente:

    1 dgito: identificador de uso IDUSO; 2 dgito: grupo de destinao de recursos; 3 e 4 dgitos: especificao das destinaes de recursos; 5 ou mais dgitos: detalhamento das destinaes de recursos (a ser especificado pelo ente da Federao).

    Interpretao do cdigo de destinao de recursos

    O Modelo de Especificao e Detalhamento para Destinao de Recursos encontra-se definida no Anexo III do Manual da Receita Nacional, aprovado pela Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008.Acesse o site , e veja os links Legislao e Contabilidade Governamental e, em seguida, Portaria Conjunta STN/SOF n. 3/08, e veja a exemplificao compatibilizada e no compatibilizada, no Anexo II do Manual da Receita Nacional.

    Vamos socializar? Com relao exemplificao compatibilizada e no compatibilizada, redija um breve comentrio e aps socialize com seus colegas no Espao Virtual de Aprendizagem (EVA) por meio da ferramenta Exposio.

    Voc est chegando ao final de mais uma unidade, e provavelmente est curioso(a) para ver se adquiriu muitos conhecimentos novos e tambm se compreendeu o que despesa pblica e como ela funciona na prtica.

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  • 155

    Oramento Pblico

    Unidade 8

    Fique tranquilo(a), pois, a seguir voc ter a oportunidade de realizar algumas atividades de autoavaliao. Em seguida, na ltima unidade, voc vai compreender o que Oramento Pblico e descobrir como ele feito.

    Sntese

    Nesta unidade, voc teve a oportunidade de compreender a forma como devem ser inseridas as despesas na Lei Oramentria Anual. A partir da leitura desta unidade, voc compreendeu como interpretar o Oramento do seu Estado/Municpio. Toda despesa oramentria est atribuda a um rgo ou entidade, que um centro de custos (classificao institucional). Para fins de anlise do gasto pblico, as despesas foram agrupadas em funes e subfunes do Estado (classificao funcional). As despesas podero ser analisadas, ainda, quanto ao grupo de natureza a que pertencem, segundo a forma como so aplicadas (modalidade de aplicao) e, mais detalhadamente, por elementos de despesas. Para que se mantenha o equilbrio oramentrio, toda despesa deve identificar a fonte de recursos que ser utilizada para o seu pagamento (classificao por fontes).Uma vez aprovada as estimativas de receitas e a fixao das despesas, encerra-se a fase de elaborao do oramento. Na prxima unidade, voc vai compreender a Execuo do Oramento.

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  • 156

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Atividades de autoavaliao

    Para cada enunciado, existe apenas UMA resposta correta:

    1) Segundo a classificao funcional, como denominamos o maior nvel de agregao das diversas reas de despesa que competem ao setor pblico?

    2) Como se denomina o conjunto de operaes que se realizam de modo contnuo e permanente, das quais resulta um produto necessrio manuteno da ao de governo?

    3) Segundo a portaria n. 42/99, quais as principais caractersticas dos projetos?

    4) Segundo a portaria 163/2001, como ser classificada a despesa relativa ao pagamento de horas extras?

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  • 157

    Oramento Pblico

    5) Qual a classificao econmica da despesa com dirias (viagem a servio)?

    6) Qual a classificao econmica da despesa relativa ao pagamento de combustveis e lubrificantes para veculos?

    7) Qual a classificao econmica da despesa relativa ao pagamento de juros e encargos da dvida fundada interna?

    8) Qual a classificao econmica da despesa relativa ao resgate da dvida fundada externa?

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  • 158

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    9) Qual a classificao econmica da despesa relativa aquisio de um edifcio de cinco andares, j construdo e em utilizao, onde, no exerccio seguinte, dever funcionar uma repartio pblica?

    10) A classificao institucional da despesa prev a possibilidade de desdobrarmos o oramento em rgos e unidades oramentrias. Explique o que unidade oramentria.

    Saiba mais

    Voc poder aprofundar esse tema, consultando os livros de Oramento Pblico e de Contabilidade Pblica constantes nas referncias bibliogrficas desta disciplina. Preste ateno ao contedo das obras, pois a legislao sofre mudanas permanentemente. Assim, tambm recomendvel uma visita aos sites e

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  • UNIDADE 9

    Execuo oramentria

    Objetivos de aprendizagem

    Compreender os estgios da Receita Pblica.

    Compreender as etapas para a realizao da despesa pblica.

    Estudar como se procede s adequaes oramentrias durante a execuo do oramento.

    Sees de estudo

    Seo 1 Quais os estgios da Receita?

    Seo 2 Quais os estgios da despesa pblica?

    Seo 3 O que so alteraes oramentrias?

    Seo 4 Quais os recursos hbeis para a abertura de crditos adicionais?

    Seo 5 Qual a vigncia dos crditos adicionais?

    9

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  • 160

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Na unidade anterior, voc estudou o que so Despesas Pblicas e como ela classificada. Nesta unidade, o desafio proposto a voc compreender o que Execuo Oramentria e como ela deve ser elaborada. Antes de voc iniciar a primeira seo, importante compreender que, uma vez aprovada a Lei Oramentria Anual, os rgos de administrao financeira e de contabilidade devem tomar as providncias para iniciar o processo de execuo do oramento. A Execuo Oramentria pressupe uma sequncia de passos a serem observados pelos gestores, aos quais denominamos estgios da receita e da despesa pblica. Ao executar o que foi planejado e inserido no oramento, podem ocorrer distores entre os valores estimados e a necessidade de gasto, tanto por estimativas abaixo da realidade quanto por estimativas superiores necessidade de gastos. Pode ocorrer, ainda, a necessidade de novos gastos no previstos no planejamento inicial, tanto pela demanda da sociedade por algum tipo de servio novo, quanto pela demanda por alguma obra pblica. Para realizar os ajustes entre o planejado e a realidade, utilizamos os crditos adicionais. Estes assuntos sero explorados na sequncia.

    SEO 1 Quais os estgios da Receita?

    At que se tornem disponveis para a utilizao pelos entes da federao, as receitas pblicas percorrero os seguintes estgios: previso, lanamento da receita, arrecadao e recolhimento. A seguir, explicaremos em detalhes o significado de cada uma dessas etapas.

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  • 161

    Oramento Pblico

    Unidade 9

    a) O que Previso?

    o estgio da receita que antecede a aprovao da Lei Oramentria Anual. Conforme determina o artigo 11 da Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000 (LRF),

    as previses de receita observaro as normas tcnicas e legais, consideraro os efeitos das alteraes na legislao, da variao do ndice de preos, do crescimento econmico ou de qualquer outro fator relevante e sero acompanhadas de demonstrativo de sua evoluo nos ltimos trs anos, da projeo para os dois seguintes quele a que se referirem, e da metodologia de clculo e premissas utilizadas.

    A reestimativa de receita por parte do Poder Legislativo somente ser admitida, se comprovado erro ou omisso de ordem tcnica ou legal. J o montante previsto para as receitas de operaes de crdito no poder ser superior ao montante das despesas de capital constantes do Projeto de Lei Oramentria.O total dos gastos dever ficar limitado, na Lei Oramentria Anual, ao montante das receitas previstas. Novas autorizaes de despesas, por intermdio de crditos adicionais, exceto os extraordinrios, devero indicar, obrigatoriamente, as fontes de recursos a serem utilizadas para a sua cobertura financeira.

    b) O que Lanamento da Receita?

    Conforme determina o art. 52 da Lei n 4.320/64, sero objeto de lanamento os impostos diretos e quaisquer outras rendas, com vencimento determinado em lei, regulamento ou contrato.O lanamento da receita ato da repartio competente, que verifica a procedncia do crdito fiscal e a pessoa que lhe devedora e inscreve o dbito desta.Segundo o Cdigo Tributrio Nacional, os lanamentos podem ser classificados conforme segue:

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Direto ou ofcio. So exemplos de impostos cujo lanamento se d nesta modalidade (IPTU). Todo o processo se d pelo poder pblico, contudo o contribuinte pode discordar dos valores lanados.

    Declarao ou misto. O principal exemplo de imposto sujeito ao lanamento por declarao ou misto o IRRF.

    Homologao ou autolanamento. Nessa modalidade, todo o trabalho de apurao do imposto a pagar do contribuinte, ficando sujeito fiscalizao posterior para homologao e/ou homologao automtica aps decorridos cinco anos.

    c) O que Arrecadao?

    A arrecadao de receitas pblicas pode ser realizada de forma direta, pela prpria administrao pblica, e indireta, por intermdio de agentes arrecadadores credenciados.

    Os agentes da arrecadao devem fornecer recibos das importncias que arrecadarem. Os recibos devem conter o nome da pessoa que paga, a soma arrecadada, a provenincia e a classificao, bem como a data e assinatura do agente arrecadador.De acordo com o art. 54 da lei n. 4.320/64, no ser admitida a compensao da obrigao de recolher rendas ou receitas com direito creditrio contra a Fazenda Pblica.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    d) O que recolhimento?

    ltimo estgio da receita pblica, o recolhimento a liberao dos valores arrecadados ao ente da federao, ou seja, os agentes arrecadadores disponibilizam os recursos na conta corrente (ou conta nica), tornando-os livres para a movimentao.

    Os entes da federao geralmente permitem que os agentes arrecadadores utilizem os recursos arrecadados por um perodo de tempo, geralmente de dois a quatro dias, dependendo do tipo de tributo arrecadado. Esse perodo de tempo, em que o agente arrecadador faz uso dos recursos pblicos antes de recolh-los conta movimento do ente da federao, denomina-se float. Alm do float, comum a remunerao ao agente arrecadador por documento autenticado.Nos termos do art. 56 da Lei n. 4.320/64, o recolhimento de todas as receitas ser feito em estrita observncia ao princpio de unidade de tesouraria (conta nica), vedada qualquer fragmentao para criao de caixas especiais.Acerca do tema, a CF/88 determina:

    Art. 164, 3. As disponibilidades da Unio sero depositadas no banco central; as dos Estados, do Distrito Federal, dos Municpios e dos rgos ou entidades do Poder Pblico e das empresas por ele controladas, em instituies financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.

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    SEO 2 Quais os estgios da despesa pblica?

    Assim como na receita pblica, a despesa pblica tambm conta com diversos estgios. So eles: fixao, licitao, empenho, liquidao e pagamento. A seguir apresentamos mais detalhes sobre cada um deles.

    a) O que fixao?

    a primeira etapa dos estgios da despesa oramentria. Caracteriza-se pela incluso, na Lei Oramentria, dos projetos, das atividades e das operaes especiais a serem executados durante o exerccio financeiro, segundo as classificaes institucional, funcional, econmica e por fonte de recursos.Resumindo, podemos dizer que a etapa da elaborao do oramento termina com a edio da Lei Oramentria Anual, que, em ltima anlise, constitui a fixao da despesa com base na estimativa da receita para o perodo de referncia.

    b) O que licitao?

    Segundo estgio da despesa pblica, a licitao o procedimento administrativo composto de fases sequenciais, coordenadas e interdependentes, que se destina a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administrao Pblica, garantindo o princpio constitucional da isonomia.Esse estgio da despesa deriva de mandamento constitucional, prescrito em seu art. 22 e 37, entre outros.

    Os dispositivos constitucionais anteriormente citados foram regulamentados pela Lei n. 8.666, de 21 de junho de 1993, (disponvel em , clicando em Legislao). Esta lei estabelece normas gerais sobre licitao e contratos administrativos pertinentes a obras, servios, inclusive de publicidade, compras, alienaes e locaes no mbito dos Poderes da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios.

    Igualdade de todos perante a lei, assegurada como princpio constitucional.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    Quem est sujeito s regras da Lei n. 8.666/93?

    Subordinam-se ao regime da Lei n. 8.666/93, alm dos rgos da administrao direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundaes pblicas, as empresas pblicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios (Art. 1, Pargrafo nico).

    Quais os princpios bsicos da licitao?

    A licitao ser processada e julgada em estrita conformidade com os princpios bsicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculao ao instrumento convocatrio, do julgamento objetivo e dos que lhes so correlatos (Art. 3).Alm dos princpios expressamente elencados na Lei n. 8.666/93, devem-se mencionar ainda os seguintes princpios: sigilo na apresentao da proposta; procedimento formal; adjudicao compulsria ao vencedor.

    Quais as modalidades de licitao?

    O artigo 22 da Lei 8.666/93 estabelece cinco modalidades de licitao: concorrncia, tomada de preos, convite, concurso, leilo (mais recentemente, tambm, o prego).

    O que a dispensa e inexigibilidade de licitao?

    A Lei n. 8.666/93, em seus artigos 24 e 25, disciplina os casos de dispensa e inexigibilidade de licitao. Alerte-se, no entanto, que a regra o procedimento licitatrio; a dispensa e a inexigibilidade so excees. Alm disso, deve-se ressaltar que a dispensa diferente da inexigibilidade. Mesmo podendo enquadrar uma contratao em uma das possibilidades de

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    dispensa, o administrador pblico poder preferir licitar, levando em conta, sempre, a relao custo-benefcio entre licitar ou dispensar. J, na inexigibilidade, no h a possibilidade de licitar, pela inviabilidade de competio.

    c) O que empenho?

    Conforme disposto no art. 58 da Lei n. 4.320/64, empenho da despesa o ato emanado da autoridade competente que cria para o Estado a obrigao de pagamento pendente, ou no, de implemento de condio. Para cada empenho deve ser extrado um documento denominado Nota de Empenho, que indicar o credor, a especificao e a importncia da despesa, bem como a deduo desta do saldo da dotao prpria. Com a licitao e a assinatura do contrato, temos o comprometimento do ente da federao com o fornecedor de bens e servios (empenho da despesa). Contudo o empenho somente ser vlido se for materializado na Nota de Empenho, que a garantia do fornecedor de que a despesa estava autorizada. O implemento de condio a que se refere o artigo 58 da Lei n. 4.320/64 diz respeito liquidao da despesa (terceiro estgio da despesa), conceituada na sequncia.

    As regras da Lei n. 4.320/64 relacionadas ao empenho da despesa esto inseridas em seus artigos de 58 a 61.

    Existem trs modalidades de empenho, que so as seguintes:1) Empenho ordinrio utilizado em despesas

    normais em que no haja caracterstica especial. Nesta modalidade, so conhecidos todos os dados necessrios sua emisso.

    Aquisio de um veculo, de mveis e utenslios e de outras, cujo pagamento se dar em parcela nica.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    2) Empenho Global aquele usado em despesas contratuais e em outras sujeitas a parcelamento. O valor total conhecido, contudo dever ser pago em parcelas.

    Existem casos em que temos de liberar mensalmente o valor relativo execuo de uma obra na instituio. Portanto emitido, neste caso, o empenho global no valor total da execuo do servio, e so liberados, mediante pequenas parcelas, os valores acordados no contrato da licitao, que pode preencher integralmente o exerccio financeiro, ou parte dele.

    3) Empenho por estimativa , na verdade, um empenho global. utilizado em casos onde no se conhece o valor total da despesa (temos apenas uma estimativa de quanto iremos gastar num determinado perodo de tempo). So exemplos os empenhos relativos s despesas com energia eltrica, gua, comunicao, vale transporte e outros. medida que vo sendo apresentadas as faturas (e conferidas), procede-se emisso de um subempenho.

    O empenho global reduz o valor da dotao oramentria. O subempenho reduz a dotao do empenho global e do empenho por estimativa.

    Classificado por vrios doutrinadores do assunto como sendo a etapa mais importante da despesa pblica, no devemos confundir o empenho com a Nota de Empenho. O empenho, como j foi dito, constitui um ato praticado por ordenador de despesa que age juridicamente em nome do Estado. A Nota de Empenho o documento representativo deste ato e deve ser extrado para cada empenho. Somente em alguns casos especiais, conforme o art. 60 da Lei n. 4.320/64, poder ser dispensada a emisso da Nota de Empenho.

    Ordenador de despesa a autoridade competente, investida legalmente de poderes para autorizar a realizao de despesas. Por exemplo: um ministro de Estado ou um diretor de uma autarquia.

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    d) O que liquidao?

    A liquidao da despesa, terceiro estgio, consiste em verificar o direito adquirido pelo credor, tendo por base os ttulos e os documentos comprobatrios do respectivo crdito.O processo de liquidao se efetua mediante as seguintes verificaes:

    a) do cumprimento das clusulas do contrato firmado aps o procedimento licitatrio;

    b) da correta apropriao da despesa empenhada;c) da assinatura, na Nota de Empenho, das autoridades

    legalmente investidas de poder (ordenadores de despesa);d) da anlise dos comprovantes de entrega do material/

    da prestao do servio, com o devido aceite pelo contratante.

    e) O que pagamento?

    O pagamento corresponde entrega dos valores para a extino do dbito. Na Lei Federal n. 4.320/64, o tema foi disciplinado da seguinte forma:

    Art. 62. O pagamento da despesa s ser efetuado quando ordenado aps sua regular liquidao.Art. 64. A ordem de pagamento o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga.Pargrafo nico. A ordem de pagamento s poder ser exarada em documentos processados pelos servios de contabilidade.Art. 65. O pagamento da despesa ser efetuado por tesouraria ou pagadoria regularmente institudas, por estabelecimentos bancrios credenciados e, em casos excepcionais, por meio de adiantamento.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    Em que pese a regra contida no art. 65, anteriormente transcrito, com exceo do regime de adiantamento, recomenda-se que seja utilizado o meio eletrnico como nica forma de pagamento na Administrao Pblica, por ser justamente aquele que possibilita um melhor mecanismo de controle. Utilizando o meio informatizado, todas as etapas da arrecadao e da realizao da despesa pblica acontecem sem a necessidade de manuseio dos recursos financeiros, mantendo-se todos os registros das transaes nos sistemas de execuo oramentria, financeira e contbil.Agora que voc j estudou os estgios da receita pblica e da despesa pblica, na prxima seo vamos estudar como se processam as alteraes oramentrias.

    SEO 3 O que so alteraes oramentrias?

    As alteraes oramentrias se processam por intermdio dos crditos adicionais. Entende-se por crditos adicionais as autorizaes de despesas no computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Oramento. As alteraes oramentrias podem-se dar para o reforo de uma dotao j existente (crditos suplementares), para a obteno de uma nova despesa que se tenha tornado necessria ao longo do exerccio financeiro, sem o carter de urgncia, mas que no tenha sido prevista na Lei Oramentria Anual (crditos especiais), ou para atender despesas extraordinrias, caracterizadas pela sua urgncia e imprevisibilidade (crditos extraordinrios). Na sequncia abordaremos detalhadamente cada um dos tipos de crdito adicional.Os crditos suplementares so aqueles destinados ao reforo de dotao oramentria, em conformidade com o que prescreve o artigo 40 da Lei Federal n 4.320/64.

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    A abertura dos crditos suplementares depende de autorizao legislativa, que pode ser efetuada na prpria Lei Oramentria Anual (CF/88, art. 165, 8) ou em lei especial da existncia de recursos disponveis para acorrer despesa, e ser precedida de exposio justificativa (artigo 43 da Lei n. 4.320/64).A abertura de crditos adicionais especiais, que visam a atender a despesas no previstas na LOA, depende de autorizao legislativa, por lei especial, ou seja, a autorizao no pode estar estampada na Lei Oramentria Anual como no caso dos crditos adicionais, bem como necessria a indicao dos recursos correspondentes para fazer face s despesas.A abertura de crditos extraordinrios somente ser permitida para atender a despesas imprevisveis e urgentes e no dependem de recursos hbeis para sua abertura, nem de autorizao prvia do Poder Legislativo.

    Cabe lembrar que tanto a Unio quanto os Estados, o Distrito Federal e os Municpios se encontram sujeitos s mesmas normas gerais em termos de matria oramentria, sejam as que emanam da Constituio da Repblica Federativa do Brasil, sejam as previstas na Lei n 4.320/64.

    luz do texto da Constituio da Repblica Federativa do Brasil (art. 167, 2), se o ato de autorizao dos crditos especiais e extraordinrios for promulgado nos ltimos quatro meses do exerccio financeiro, perodo que coincide com o trmite no Parlamento da proposta oramentria da Unio, e se saldos destes remanescerem sem utilizao ao trmino do exerccio, estes sero incorporados ao oramento do exerccio financeiro subsequente.

    Desta forma, no exerccio financeiro subsequente haver autorizao para executar os crditos que constam da Lei Oramentria Anual para aquele exerccio, mais os saldos dos crditos especiais e extraordinrios, autorizados no perodo antes referido, que tenham sido reabertos legalmente.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    Voc sabe como se d a incorporao dos saldos de crditos adicionais especiais ou extraordinrios no oramento do exerccio financeiro subsequente?

    Aproveite e anote a seguir a sua opinio.

    Justamente por serem crditos adicionais especiais e extraordinrios, eles no seguem o trmite normal do processo Oramentrio. Assim, a incorporao dos saldos no oramento do exerccio financeiro subsequente se dar por meio de Decreto Executivo, haja vista a preexistncia de autorizao legislativa e os fundamentos que provm do artigo 42 da Lei n 4.320/64.

    SEO 4 Quais os recursos hbeis para a abertura de crditos adicionais?

    Os recursos hbeis para a abertura de crditos suplementares e especiais so os seguintes:

    a) Supervit Financeiro apurado em balano patrimonial do exerccio anterior Consiste na diferena positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro (sobra de caixa no comprometida com passivos de curto prazo), conjugando-se, ainda, os saldos dos crditos adicionais (especiais e extraordinrios) transferidos e as operaes de crdito a eles vinculadas.

    Recomenda-se que a apurao do Supervit Financeiro seja realizada por fonte de recursos, pois os recursos financeiros de uma fonte no podero ser utilizados para o pagamento de despesas vinculadas a outras fontes de recursos.

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    A ttulo de exemplo, apresentamos na sequncia uma sntese do balano patrimonial, de onde provm o Supervit Financeiro.

    BALANO PATRIMONIAL

    Anexo 14 da Lei n 4.320/64

    Supervit Financeiro (ou Saldo Patrimonial Financeiro SPF) = AF (Ativo Financeiro) PF (Passivo Financeiro)

    SPF = 10.000,00 9.000,00 = 1.000,00

    b) Os provenientes de excesso de arrecadao Originam-se do saldo positivo das diferenas, acumuladas ms a ms, entre a arrecadao prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendncia do exerccio.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    A faculdade da abertura de crditos suplementares por conta do excesso de arrecadao, considerando-se, ainda, a tendncia do exerccio, tem de ser utilizada com base num nico critrio, que mostre, por mtodos estatsticos, projees de excesso ou de queda de arrecadao. A tendncia do exerccio, nos casos em que seja desvirtuada sua finalidade, tem contribudo, no mais das vezes, para superdimensionar Oramentos Pblicos, constituindo-se num artifcio para o gestor direcionar as aplicaes de recursos a projetos ou a atividades de seu exclusivo interesse.Sanches (1997, p.108-109) comenta os dispositivos legais relacionados aos crditos adicionais nos seguintes termos:

    Embora a norma se ache redigida de forma singela, no suficientemente clara, resultando numa srie de problemas para sua aplicao. O primeiro destes o da determinao do referencial a ser adotado para tal apurao: excesso na receita total da entidade ou excesso numa rubrica em particular? O segundo, o da definio do procedimento tcnico a utilizar para determinar a tendncia do exerccio? O terceiro, como tratar as operaes de crdito previstas e realizadas? A legislao sobre crditos adicionais no regula nenhuma dessas situaes.

    necessrio alertar para a depurao do excesso de arrecadao por fonte de recursos. Abrir crditos por conta do excesso de arrecadao global pode ensejar a autorizao para a realizao de despesas, sem que haja os recursos financeiros para o seu pagamento. Pode ter ocorrido queda em uma fonte de recursos e o excesso em outras. Se trabalharmos em termos globais, poderemos estar abrindo crdito oramentrio justamente para a fonte de recursos em que ocorreu uma menor arrecadao.

    As receitas previstas para o exerccio devero ser desdobradas em metas bimestrais de arrecadao (LRF, art. 13). Ocorrendo queda na arrecadao, dever ser procedida a limitao de empenho (LRF, art. 9), de forma a no comprometer o oramento alm das disponibilidades de caixa.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    c) Os resultantes de anulao parcial ou total de dotaes oramentrias ou de crditos adicionais Esse processo consiste na reduo do valor de uma dotao oramentria, j autorizada em lei, considerada pelo gestor como uma aplicao que pode ser reprogramada para outra (ou outras) despesa(s) julgada(s) mais importantes naquele momento.

    A Constituio da Repblica Federativa do Brasil proibiu alteraes oramentrias com a utilizao desses recursos sem prvia autorizao legislativa, nos seguintes termos:

    Art. 167 So vedados:[...]VI a transposio, o remanejamento ou a transferncia de recursos de uma categoria de programao para outra ou de um rgo para outro, sem prvia autorizao legislativa;

    Na opinio de Giacomoni (1997, p. 230), com o dispositivo, o Constituinte de 1988 buscou, apenas, garantir maior autonomia ao Poder Executivo, possibilitando-lhe suplementaes entre grupos de despesas e elementos dentro de uma mesma categoria de programao projeto e atividade. Para o mesmo autor, houve exagero em dar tratamento constitucional a esse assunto.Por seu turno, Machado Jr. e Reis (apud Giacomoni, 1997, p. 230) consideram incorreto tal procedimento, pois o crdito oramentrio anulado representa objetivos concretos expressos na lei e, consequentemente, de interesse da comunidade.E no se resume nisso. A autorizao legislativa exigida pelo Dispositivo Constitucional at determinado limite tem sido, com raras excees, a prpria Lei Oramentria Anual, que vai buscar respaldo na CF/88, art. 165, 8 e no artigo 7, inciso I da Lei n 4.320/64, o que no deixa de configurar uma incongruncia, porque autoriza um oramento e, ao mesmo tempo, a anulao de parte dele. No devemos confundir flexibilidade com ausncia ou deficincia de planejamento. Este tema merece uma discusso mais profunda, pois o que vem ocorrendo, na prtica, o descuido do Poder Legislativo das suas funes principais, quais sejam a de autorizar a cobrana de tributos e a de fiscalizar os gastos pblicos.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    O legislativo surgiu para impor limites ao rei quanto obteno de tributos e para disciplinar a aplicao dessas receitas. Esse papel tem sido relegado a um segundo plano, principalmente pelas Cmaras Municipais e pelas Assembleias Legislativas dos Estados, onde boa parte dos representantes do povo so totalmente analfabetos em relao ao tema.

    d) O produto de operaes de crdito autorizadas, possibilitando ao Poder Executivo realiz-las juridicamente Somente podero figurar nas estimativas de arrecadao das receitas de capital aquelas operaes de crdito j autorizadas segundo as disposies legais vigentes.

    As questes relacionadas ao endividamento pblico fazem parte das atribuies privativas do Senado Federal, em conformidade com os dispositivos constitucionais previstos em seu art. 52, incisos VI a IX.Atualmente, em atendimento ao disposto no art. 52, VI e IX da Constituio Federal de 1988, a Resoluo n. 40, de 20 de dezembro de 2001, do Senado Federal, alterada pela Resoluo n. 20, de 07 de novembro de 2003, fixam os limites globais para o montante da Dvida Pblica Consolidada e da Dvida Pblica Mobiliria dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios.As Operaes de Crditos encontram-se reguladas pela Resoluo n. 43, de 21 de dezembro de 2001, alterada pelas Resoluo n. 19, de 05 de novembro de 2003, e n. 67, de 07 de dezembro de 2005, tambm editadas pelo Senado Federal. Os limites fixados para os Estados, Distrito Federal e Municpios, bem como a proposta de limite para a Unio, em relao receita corrente liquida, so os seguintes:

    disponvel em , clicando em Legislao.

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    Limites de endividamento

    No controle do endividamento pblico, o Senado Federal editou tambm as Resolues n. 43/01, 19/03 e 67/05, estabelecendo limites em relao Receita Corrente Lquida, para a contratao de Operaes de Crdito no exerccio financeiro. J os limites globais da Dvida e do Endividamento e encontram-se regulados pelas Resolues 40/01 e 20/03, tambm do Senado Federal.Segundo Nascimento e Debus (2002, p. 68), as principais mudanas ocorridas no controle do endividamento pblico, com a substituio da Resoluo n. 78, pelas Portarias n 40 e 43/01, alteradas pelas Portarias 19 e 20/03 e 67/05, podem ser sintetizadas conforme quadro seguinte:

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    Controle do endividamento

    Cabe destacar que a Constituio da Repblica veda a realizao de operaes de crdito que excedam o montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas mediante crditos suplementares ou especiais com finalidade precisa, aprovadas pelo Poder Legislativo por maioria absoluta. O dispositivo constitucional visa a impedir que sejam financiadas despesas correntes por intermdio de operaes de crdito (regra de ouro).

    e) Reserva de contingncia Dever ser utilizada como fonte de recursos para abertura de crditos adicionais relativos a despesas destinadas a passivos contingentes e a outros riscos e eventos fiscais imprevistos, conforme mandamento da LRF.

    Essa fonte de recurso foi muito mal utilizada durante muitos anos. Como manobra oramentria, to logo a Lei Oramentria era aprovada, alguns gestores pblicos anulavam vrias dotaes nela autorizadas e suplementavam a reserva de contingncia. Posteriormente, redistribuam os valores em novos projetos e atividades, sem a discusso da prioridade pblica para tais gastos.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    At a edio da LRF, a reserva de contingncia no possua regras muito bem detalhadas. Doravante, a Lei Oramentria Anual dever conter reserva de contingncia, cuja forma de utilizao e o montante, em percentual da receita corrente lquida, sero estabelecidos na Lei de Diretrizes Oramentrias. Somente podero ser utilizadas para o atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.

    SEO 5 Qual a vigncia dos crditos adicionais?

    Os crditos suplementares, de forma idntica s dotaes originais, tero sua vigncia limitada ao exerccio em que forem abertos, independentemente do ms de sua abertura. Aos eventuais saldos de crditos suplementares sero dedicados os mesmos tratamentos contbeis dos crditos oramentrios, ou seja, os saldos restantes sero considerados economia de verba, ou, no dizer de Sanches (1997, p. 93), economia oramentria. Os crditos especiais e extraordinrios, quando abertos at o dia 31 de agosto, tero o mesmo tratamento dos crditos oramentrios e suplementares.Os crditos especiais so os destinados a despesas para as quais no haja dotao oramentria especfica. So aqueles que tm a finalidade de atender a uma despesa nova, no vislumbrada no processo de planejamento. Dependem de autorizao legislativa prvia, em lei especial. A forma de abertura destes dada atravs do Poder Executivo, por meio de decreto, devendo, portanto, os recursos disponveis ser indicados na lei especial e no decreto de abertura. obrigatrio, tambm, fixar os limites dos crditos no decreto de abertura. Quanto vigncia, estes vigero no exerccio, podendo estender-se at o trmino do exerccio subsequente, se o ato de autorizao for promulgado nos ltimos quatro meses do exerccio. Sua classificao oramentria deve se dar em nvel de projetos e de atividades, com a indicao dos objetos ou elementos da despesa, conforme Anexo 4 e 5 da Lei n. 4.320/64.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    Para Silva (1991, p. 64), os crditos especiais se destinam a atender despesas para as quais no haja dotao oramentria especfica, ou seja, sua ocorrncia indica a existncia de erros de planejamento. Segundo Kohama (1989, p. 193), os crditos especiais so autorizados para cobertura de despesas eventuais ou especiais, e por isso mesmo, no esto considerados na Lei do Oramento.So chamados de Crditos Extraordinrios aqueles destinados a atender despesas imprevisveis (no confundir com imprevistas) e de carter urgente, como as decorrentes de guerra, comoo interna ou calamidade pblica, independendo de autorizao legislativa prvia. At a CF/88, eram abertos mediante decreto do Poder Executivo e, posteriormente, remetidos ao Legislativo. Aps a promulgao da CF/88, a abertura dever ser realizada por Medida Provisria, nos termos do art. 169, 3, combinado com o art. 62. Os recursos disponveis independem de indicao, sendo obrigatria a fixao na Medida Provisria dos limites de abertura. Esses crditos tm vigncia de um exerccio social, podendo ser prorrogados por mais um exerccio, caso aprovados nos ltimos quatro meses do exerccio.Piscitelli et al. (2005, p. 45) destacam o seguinte em relao ao tema:

    [...] imprevisveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoo interna ou calamidade pblica, requerendo a adoo de medidas provisrias, com fora de lei, que devero ser imediatamente submetidas ao Congresso; tais medidas perdero a eficcia, desde a edio, se no forem convertidas em lei no prazo de trinta dias, a partir de sua publicao (art. 167, 3, e art. 62 e pargrafo nico CF).

    Sanches (1997, p. 70-71) julga

    [...] no existirem razes de ordem prtica, legal e doutrinria para mudar o procedimento tradicional de abertura do crdito extraordinrio, utilizado, segundo ele, sem problemas, por mais de um sculo. Acrescenta que o novo procedimento tem contribudo para atravancar a pauta de trabalhos do Congresso Nacional,

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    sem consequncias fticas, j que a vigncia imediata do crdito extraordinrio possibilita que os recursos sejam integralmente gastos antes de ser concluda at mesmo a apreciao de sua admissibilidade.

    J, para Giacomoni (2005, p. 228), o emprego de Medida Provisria para abertura do crdito extraordinrio no uma boa soluo, pois, ao ser apreciada, ela pode ensejar a apresentao de emendas e, at mesmo, a rejeio do crdito. Em sua opinio, a possibilidade de abertura de crdito extraordinrio deveria ficar restringida apenas em caso de guerra, de comoo interna ou de calamidade pblica, e sua abertura deveria continuar sendo feita por Decreto do Poder Executivo, com conhecimento imediato ao Poder Legislativo, conforme prev o artigo 44 da Lei n 4.320/64.

    Voc chegou ao final desta unidade. Parabns. Lembre que, quando tiver dvidas, basta acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem e conversar com o seu tutor.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    Sntese

    Nesta unidade, voc aprendeu como se processam a receita e a despesa pblica. Com o objetivo de assegurar o princpio constitucional da isonomia entre aqueles que pretendem fornecer para a Administrao Pblica, toda despesa deve ser precedida de licitao, que a regra. A dispensa e a inexigibilidade de licitao devem ser tratadas como excees regra.Alm de percorrer determinadas etapas ou estgios, nenhuma despesa poder ser realizada sem o prvio empenho (emisso da nota de Empenho). Esse empenho poder ser para pagamento nico e com valor conhecido (ordinrio); para pagamento parcelado, mas com montante conhecido (empenho global); ou para pagamento cujo valor no se tenha previamente definido (empenho por estimativa).Voc viu que podero ser realizados ajustes durante a execuo do oramento, mediante a abertura de crditos adicionais suplementares (reforo de dotao), especiais (obra ou servio no previsto) ou extraordinrio (despesas imprevisveis e urgentes).

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Atividades de autoavaliao

    Para cada enunciado, existe apenas UMA alternativa correta:

    1) Complete a planilha com as caractersticas principais dos crditos adicionais. (Segundo a CF/88, arts. 62, 165, 8, 167, inciso V e 2 e 3; e Lei Federal n 4.320/64, artigos 40 a 46.)

    Crditos adicionais e empenho da despesa

    2) Uma forte tempestade derrubou uma ponte no Municpio de Sombrio, deixando a populao sem acesso ao Hospital Regional de Ararangu, nico na regio. Sabe-se que o fato foi declarado como calamidade pblica e que o oramento do municpio de Sombrio no possui dotaes para a construo de uma nova ponte. Apenas com base nessas informaes, qual a alternativa para solucionar o problema da populao, com a urgncia que o caso requer?

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    3) O Estado dever empenhar as despesas relativas ao fornecimento de energia eltrica para o exerccio de 20X2. Qual o tipo de empenho a ser efetuado, a categoria econmica da despesa e o grupo de despesa a serem utilizados? Fundamente sua resposta.

    4) O Estado autorizou a compra de um veculo Vectra zero quilmetro para pagamento vista. Qual o tipo de empenho a ser adotado, a categoria econmica, o grupo de despesa e o elemento a ser utilizado para a contabilizao da despesa?

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    5) O Municpio de Palhoa alugou por intermdio da Imobiliria Ribeiro Ltda, em 01/03/X2, um edifcio para o funcionamento de uma Repartio Municipal pelo perodo de 12 meses, ao custo mensal de R$ 200,00. Qual o tipo e o valor do empenho a ser adotado, a categoria econmica, o grupo de despesa e o elemento a serem utilizados para a contabilizao da despesa?

    6) A Unio, por meio do Ministrio XYZ, deseja construir um edifcio no Municpio de Joinville, onde dever funcionar uma Repartio Federal. Conforme a anlise do Oramento do Ministrio para o ano em curso, verificou-se que as dotaes autorizadas so insuficientes para a realizao do projeto. Com base apenas nessas informaes, qual a alternativa para equacionar o problema de insuficincia oramentria.

    7) O Municpio de So Miguel do Oeste, por meio da Secretaria Municipal de Transportes e Obras, deseja asfaltar uma rodovia que faz ligao entre dois de seus principais bairros. A anlise do oramento do rgo para o exerccio corrente evidencia a inexistncia de dotao oramentria para essa obra (no houve previso oramentria). Com base apenas nessas informaes e segundo a legislao vigente, qual a recomendao que devemos propor ao secretrio de Obras?

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    8) O Estado contratou o Banco do Estado de Santa Catarina para proceder arrecadao de Tributos Estaduais, ao preo de R$ 1,00 por documento de arrecadao. Sabe-se que a mdia mensal de documentos arrecadados pela referida instituio bancria de 1.000 documentos. Qual o tipo e valor do empenho a ser efetuado para o exerccio de 20X1, a categoria econmica, o grupo de despesa e o elemento a serem utilizados para a contabilizao da despesa?

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    9) A Lei Oramentria Anual do Municpio de Palhoa foi aprovada com a seguinte dotao oramentria na Secretaria Municipal de Sade:

    Classificao Institucional/Funcional: 4501.101243121.133 Reestruturao do setor contbil; Classificao econmica: 4.4.90.52.00; Fonte de Recurso: 100 Recursos ordinrios Recursos do tesouro R$ 15.000,00.

    Por conta dessa dotao, durante o exerccio foram contratadas/realizadas as seguintes despesas:

    a) licitao de trs microcomputadores ao preo total de R$ 9.000,00. A Despesa j foi totalmente liquidada e paga;

    b) licitao de trs impressoras jato de tinta colorida, ao preo total de R$ 4.000,00, ainda no entregues.

    O secretrio Municipal de Sade deseja licitar e contratar a compra de mais dois computadores, no valor total de R$ 7.200,00.

    Sabe-se que a receita prevista do Municpio para a respectiva fonte de recursos era de R$ 240.000,00 anuais, com arrecadao mensal estimada em 8,333334%. At o ms de junho, foram arrecadados R$ R$ 118.000,00. Sabe-se que no h recursos oramentrios excedentes em outras dotaes. Sabe-se que o balano patrimonial do exerccio anterior apresentava a seguinte composio: ativo financeiro = R$ 350.000,00; passivo financeiro R$ 320.000,00; ativo permanente R$ 7.500.000,00; passivo permanente R$ 7.800.000,00.

    9.1 Apenas com base nesses dados, apresente ao Secretrio Municipal de Finanas a alternativa legal para a realizao da referida despesa.

    9.2 Diga se a classificao oramentria em questo se refere a um projeto ou a uma atividade, bem como se, na classificao funcional, a funo e a subfuno esto classificadas de forma tpica ou atpica.

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    Oramento Pblico

    Unidade 9

    10) Qual a vigncia dos crditos adicionais especiais e extraordinrios?

    Saiba mais

    Voc poder aprofundar esse tema consultando os livros de Oramento Pblico e de Contabilidade Pblica constantes da bibliografia desta disciplina. Preste ateno com o contedo das obras, pois a legislao sofre mudanas constantemente. Assim, tambm recomendvel uma visita aos sites , , e .

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  • orcamento_publico_TAP.indb 188 31/03/10 15:58

  • UNIDADE 10

    O controle oramentrio

    Objetivos de aprendizagem

    Conhecer e formar concepo acerca dos instrumentos de controle.

    Estudar e compreender os aspectos pertinentes gesto oramentria.

    Sees de estudo

    Seo 1 Quais os instrumentos de controle oramentrio?

    Seo 2 A Gesto Oramentria como instrumento de controle

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Para incio de estudo

    Desde o advento da Constituio Federal de 1988, tem-se observado que a sociedade como um todo vem exigindo dos agentes pblicos maior controle e clareza, isto , transparncia na administrao da coisa pblica. tambm dos idos da promulgao de nossa Carta Constitucional que o oramento pblico assumiu, definitivamente, a condio de instrumento de planejamento das aes do governo e, tambm, por que no dizer, de instrumento de aferio da eficincia e eficcia na aplicao dos recursos e desenvolvimento das aes de governo.O Plano Plurianual PPA, foi agraciado com indicadores de medio da efetividade no cumprimento das aes do governo, abrindo, assim, a possibilidade de segmentos da sociedade organizada promoverem o acompanhamento e a avaliao da gesto dos agentes pblicos, especialmente na quantificao dos resultados em relao ao montante dos recursos aplicados, isto , quando aplicou e quanto aplicou de recursos.A Lei Complementar n. 101 de 04 de maio de 2000, veio complementar e consolidar os mandamentos constitucionais de controle da coisa pblica ao estabelecer normas de finanas pblicas voltadas para a responsabilidade na gesto fiscal e, j no texto complementar de seu Artigo 1, o legislador deixou evidentemente claro o que efetivamente significa a expresso direcionadora da citada norma.Para tanto, o 1 do Artigo inicial destaca, com preciso, que responsabilidade na gesto fiscal pressupe a ao planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilbrio das contas pblica. O mesmo dispositivo, o legislador destaca que a manuteno desse equilbrio das contas pblicas deve se dar mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obedincia a limites e condies no que tange renncia de receita, gerao de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, da dvida consolidada e mobiliria, operaes de crdito, inclusive por antecipao de receita, concesso de garantia e inscrio de Restos a Pagar.

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    Oramento Pblico

    Unidade 10

    Na Lei de Responsabilidade Fiscal ficou consagrado o princpio da valorizao do planejamento oramentrio, haja vista a mesma operar mediante a proposio, na Lei de Diretrizes Oramentrias, de estratgias a serem observadas para o equilbrio oramentrio (entre receitas e despesas), redundando nas metas de resultado primrio e nominal.Portanto possvel perguntar: Voc conhece os mecanismos de controle do oramento? Sabe o que gesto e quais os seus instrumentos de ao?Ento, se voc no tem esse conhecimento, recomendamos-lhe que estude ordenadamente o contedo dessa unidade, que, ao final, alm de domnio, voc discorrer com segurana sobre o tema e/ou os assuntos nela tratados.

    SEO 1 Quais os instrumentos de controle oramentrio?

    Preliminarmente, vamos nos alicerar nas orientaes traadas por Francisco Fernandes, Celso Pedro Luft e F. Marques Guimares, na 56 edio do Dicionrio Brasileiro GLOBO, que assim definem o termo CONTROLE: Superintendncia; verificao administrativa; o fato de ter alguma coisa sob seu domnio e fiscalizao; aparelho que regula o mecanismo de certas mquinas.Se formos nos ater aos tipos de controle, poderamos citar uma srie deles, como por exemplo controle de qualidade, de preos, controle como instrumento de aferio da temperatura, do consumo, da frequncia, etc.Nas organizaes, sejam elas pblicas ou privadas, alm do controle da qualidade, desde h muito, j se falava nos controles internos e externos e, na atualidade, j se observa bastante nfase no controle da gesto das coisas.Se estamos falando em oramentos, aqueles que nos interessam so exatamente os pblicos, pois trata-se dos instrumentos de controle aplicados na esfera da administrao pblica.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    O que o controle interno?

    Peter e Machado (2003, p. 24) definem o controle interno como o conjunto de atividades, planos, mtodos e procedimentos interligados utilizado com vistas a assegurar que os objetivos dos rgos e entidades da administrao pblica sejam alcanados, de forma confivel e concreta, evidenciando eventuais desvios ao longo da gesto, at a consecuo dos objetivos fixados pelo Poder Pblico.Almeida (1996. p. 50), ao traar seu conceito de controle interno, assim define:

    O Controle Interno representa em uma organizao o conjunto de procedimentos, mtodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contbeis confiveis e ajudar a administrao na conduo ordenada dos negcios.

    O autor acrescenta que os dois primeiros objetivos representam controles contbeis, em que h a proteo dos ativos e a produo de dados contbeis confiveis, e o terceiro, ou ltimo, um controle de ordem administrativa.O autor vai mais longe e destaca exemplos de controle contbeis e de controles de ordem administrativa, que julgamos importante transcrever.So controles contbeis:

    sistemas de conferncia, aprovao e autorizao; segregao de funes (pessoas que tm acesso aos registros contbeis no podem custodiar ativos da empresa);

    controles fsicos sobre ativos; auditoria interna.

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    Oramento Pblico

    Unidade 10

    So exemplos de controles administrativos: anlises estatsticas de lucratividade por linha de produtos;

    controle de qualidade; treinamento de pessoal; estudos de tempos e movimentos; anlise das variaes entre os valores orados e os incorridos;

    controle dos compromissos assumidos, mas ainda no realizados economicamente.

    Revendo os dispositivos traados pela persistente Lei n. 4.320/64, vamos observar que o legislador daquela poca j se preocupava com os fundamentos do Controle Interno, pois est registrado que o Poder Executivo exera o controle sem prejuzo das atribuies de rgos especificamente criados para esse fim.Trazendo para os nossos tempos, vamos observar que a preocupao com o destino dos recursos pblicos algo que est permanentemente na pauta dos legisladores. Tal afirmao pode ser comprovada atravs de nossa Carta Constitucional de 1988, que, em de seu Artigo 74, determina que os Poderes Legislativo, Executivo e Judicirio mantero, de forma integrada, sistema de controle interno com a finalidade de:

    I avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plurianual, a execuo dos programas de governo e dos oramentos da Unio; II comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto eficcia e eficincia da gesto oramentria, financeira e patrimonial nos rgos e entidades da administrao federal, bem como da aplicao de recursos pblicos por entidades de direito privado; III exercer o controle das operaes de crdito, avais e garantias, bem como dos direitos e haveres da Unio; IV apoiar o controle externo no exerccio de sua misso institucional; 1. Os responsveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela daro cincia ao Tribunal de Contas da Unio, sob pena de responsabilidade solidria.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    2. Qualquer cidado, partido poltico, associao ou sindicato parte legtima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da Unio.

    Conforme voc pde observar nos conceitos e dispositivos anteriormente transcritos, o Controle Interno, como querem o constituinte e o legislador, no tem, pois, a pretenso de engessar a administrao pblica, e sim, dot-la de instrumentos mais eficazes no acompanhamento de suas aes.H que se compreender que a ideia central do controle interno a preveno e correo de erros ou desvios no mbito de cada poder ou entidade da administrao pblica, ou seja, deve ter carter preventivo, estar permanentemente voltado para a correo de eventuais desvios, em relao aos parmetros estabelecidos, e prevalecer como instrumento auxiliar de gesto e, finalmente, estar direcionado para o atendimento a todos os nveis hierrquicos da Administrao.Para que se possa fazer valer a mxima de que quanto maior for o grau de adequao dos controles internos, menor ser a vulnerabilidade desses controles, o Controle Interno dever estar alicerado em princpios claros, estabelecendo regras, diretrizes e sistemas que propiciem o atingimento de certos objetivos especficos, tais como:

    Relao custo/benefcio Reduo aos limites das probabilidades de falhas e desvios quanto ao atingimento dos objetivos e metas. Nesta relao, no se admite que o custo do controle supere os benefcios que se esperam proporcionar e, por isso, h necessidade de se estabelecerem definies de critrios, mensurao e padres de comparao;

    Qualificao adequada, treinamento e rodzio de funcionrios A competncia e a integridade do pessoal esto diretamente relacionadas eficcia dos controles internos, o que torna imprescindvel a adoo de uma poltica de recursos humanos que contemple:

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    Oramento Pblico

    Unidade 10

    I processo de seleo e treinamento de forma criteriosa e sistematizada, visando a melhor rendimento e menores custos; II rotatividade de funes, com vistas a eliminar ou reduzir a limites mnimos as possibilidade de erros e fraudes; e III obrigatoriedade de funcionrios gozarem frias regulamentares, tambm como forma de evitar a dissimulao de irregularidades.

    Delegao de poderes e determinaes de responsabilidades Sempre embasada em lei, a competncia delegada dever ser utilizada como instrumento de descentralizao administrativa e ter por objetivo assegurar maior rapidez e objetividade s decises. Para tanto, o ato de delegao dever indicar, claramente e com preciso, a autoridade delegante, o receptador da delegao e, obrigatoriamente, o seu objeto;

    Segregao de funes As atribuies de competncia devem ser feitas em estrita observncia a este princpio, dotando a estrutura do Controle Interno com a devida separao entre as funes de autorizao ou aprovao de operaes e a execuo, controle e contabilizao das mesmas;

    Instrues devidamente formalizadas Devem ser emitidas por autoridade competente e elaboradas com textos claros e objetivos, de forma a oferecer o grau de segurana necessrio ao desenvolvimento eficaz das aes e procedimentos;

    Controle sobre as transaes Os fatos contbeis, financeiros e operacionais necessitam ser permanentemente acompanhados para que sejam legitimamente elaborados, mantendo a devida relao com a finalidade do rgo ou entidade e autorizados por quem de direito;

    Aderncia s diretrizes e normas legais No rgo ou entidade, deve estar assegurada a existncia de sistemas estabelecidos com poder de determinao, visando a assegurar a observncia das diretrizes, planos, normas, leis e regulamentos.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Em relao ao oramento, o controle interno, seja ele exercido atravs de comisso, ou setor devidamente estruturado, com a denominao de auditoria interna, controladoria ou outro qualquer, ter como funo o controle das aes de operacionalizao do oramento, acompanhando de forma constante os atos e fatos administrativos, contbeis e financeiros, objetivando assegurar que a previso da receita e a fixao das despesas na proposta oramentria estejam o mais prximo possvel da realidade e que as aes sejam desenvolvidas com eficincia, efetividade e economicidade.O auditor de controle interno deve observar atentamente os mandamentos constitucionais, especialmente aqueles pertinentes responsabilidade solidria sobre os atos, o que torna indispensvel a manuteno de conduta tica e profissional com o grau de independncia que o cargo requer.

    O Controle externo Qual sua funo?

    Tendo, pois, a funo de fiscalizar o cumprimento das normas e a eficincia na operacionalizao das aes do governo, o controle externo deve ser exercido por rgos ou entidades no vinculados estrutura do ente fiscalizado.O Artigo 81 da Lei n. 4.320/64 determina que o controle externo dever ser exercido pelo Poder Legislativo e que ter por fim o controle da execuo oramentria, incluindo a verificao da probidade administrativa, a guarda de bens e o legal emprego do dinheiro pblico e o cumprimento da lei do oramento.O Artigo 82 do mesmo Diploma Legal, estabelece a periodicidade com que a fiscalizao efetuar o controle externo e, para tanto, define que o Poder Executivo, anualmente, prestar contas ao Poder Legislativo, no prazo estabelecido pela Constituio ou nas Leis Orgnicas Municipais.A Constituio Federal de 1988 consagrou as determinaes da Lei n. 4.320/64, quando estabeleceu, em seu Artigo 71, que o Controle Externo, exercido pelo Poder Legislativo, com o auxlio do Tribunal de Contas, abranger a fiscalizao contbil,

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    Oramento Pblico

    Unidade 10

    financeira, oramentria, operacional e patrimonial da Unio e das entidades da administrao direta e indireta.Avaliando as definies acerca do controle externo, ditadas pela Lei n. 4.320/64 e pela Constituio Federal, fica fcil identificarmos a funo preventiva do controle interno e a fiscalizao posterior do controle externo.

    Outra diferena marcante entre o controle interno, exercido no mbito da administrao pblica, e o controle externo, exercido pelo Poder Legislativo, com o apoio dos Tribunais de Contas da Unio, dos Estados e dos Municpios, reflete-se no fato de que o primeiro tem funo orientativa portanto, sem o poder de julgar; j o controle externo tem o poder de julgar as contas em relao aos aspectos da legalidade, da eficcia, efetividade e economicidade.

    No que tange s contas prestadas anualmente pelo Poder Executivo, o julgamento prerrogativa do Poder Legislativo; neste caso, os Tribunais de Contas, aps a devida avaliao dos instrumentos que as compem, emitem relatrio, recomendando ao Poder Legislativo a aprovao, ou no, das contas.

    SEO 2 A Gesto Oramentria como instrumento de controle

    Voc teve a oportunidade de estudar, no incio desta Unidade, que a Lei de Responsabilidade fiscal introduziu novos mecanismos de controle da gesto dos agentes pblicos, pois, atuando como instrumento complementar Constituio, em sua ementa, como no poderia deixar de ser, j define, com preciso, seu objetivo, ou seja, o estabelecimento de normas de finanas pblicas voltadas para a responsabilidade na gesto fiscal.O Capitulo IX da citada Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei Complementar n. 101/2000, trata da transparncia, do controle e da fiscalizao da Administrao Pblica.

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    Os mandamentos pertinentes Transparncia na Gesto Fiscal se encontram definidos no Artigo 48 da referida Lei:

    Art. 48 So instrumentos de transparncia da gesto fiscal, aos quais ser dada ampla divulgao, inclusive em meios eletrnicos de acesso pblico: os planos, oramentos e leis de diretrizes oramentrias; as prestaes de contas e o respectivo parecer prvio; o Relatrio Resumido da Execuo Oramentria e o Relatrio de Gesto Fiscal; e as verses simplificadas desses documentos. Pargrafo nico. A transparncia ser assegurada tambm mediante incentivo participao popular e a realizao de audincias pblicas, durante os processos de elaborao e de discusso dos planos, lei de diretrizes oramentrias e oramentos.

    A transparncia definida pela Lei de Responsabilidade Fiscal no se limita publicao dos atos, demonstrativos e relatrios, constitui-se, sim, em um dos instrumentos mais importantes e eficazes para a disciplina fiscal. Essa transparncia visa a consagrar o controle social do errio pblico por meio de intensa agenda de debate popular e de publicidade das contas pblicas.A intensa agenda de debate popular est assim comentada por Toledo Jr e Rossi (2003, p. 246):

    Realizao de audincias pblicas para discutir os instrumentos do ciclo oramentrio, isto , o plano plurianual, a lei de diretrizes oramentrias e o oramento-programa (pargrafo nico do artigo acima destacado);

    Realizao de audincias pblicas na Comisso de Oramento e Finanas da Edilidade para debater, em fevereiro, maio e setembro, o cumprimento das metas oramentrias e patrimoniais (art. 31, 4.);

    Para consulta e apreciao, as contas do Municpio permanecero disponibilizadas aos contribuintes (art. 49). Isso durante todo o ano; no somente pelos sessenta dias previstos na Constituio (art. 31, 3.);

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    Oramento Pblico

    Unidade 10

    O Ministrio da Fazenda, todo ms, divulgar relao dos Municpios que tenham superado os limites determinados dvida consolidada e mobiliria (art. 32, 4.);

    Aquela repartio federal efetuar o registro eletrnico do endividamento governamental, franqueado, via Internet, o acesso pblico s condies de cada um dos emprstimos contratados, bem como, a posio individualizada da dvida municipal (art. 32, 4.).

    No podemos esquecer que, alm disso, o Artigo 48, ora em comento, determina ampla divulgao, inclusive via internet, dos oramentos, balanos e pareceres dos Tribunais de Contas acerca das contas dos gestores pblicos.Com essa determinao, alm da divulgao nos meios tradicionais, como jornais, revistas e televiso, cada comuna dever manter uma pgina na rede mundial de comunicao (na Internet), e nela dispor as informaes sobre a elaborao, execuo e controle dos oramentos.

    importante voc saber que o ordenamento anterior Lei de Responsabilidade Fiscal j exigia um nmero considervel de publicaes de desempenho financeiro (balanos anuais, relatrios bimestrais de execuo oramentria, demonstrativos de aplicao no ensino, na educao e gastos com pessoal, de tributos arrecadados, de gastos com inativos, de compras, entre tantos outros), estes, porm, constituem-se peas de pouca percepo dos agentes de controle externo e da populao.

    Estando os indicadores de medio devidamente includos no Plano Plurianual, melhor que a divulgao na imprensa e na Internet dos nmeros frios da receita e da despesa demonstrar, claramente, se houve, de fato, eficincia na aplicao dos recursos pblicos, divulgando dados que permitam anlise fcil e rpida, por parte do cidado, acerca de dados como:

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    custo padro de um pronto-socorro X custo do pronto-socorro local;

    porcentagem mdia estadual de crianas entre 4 e 6 anos matriculadas nas pr-escolas X porcentagem no municpio e/ou estado em foco;

    nmero mdio estadual de crianas entre 7 e 14 anos fora do ensino fundamental X nmero de crianas de 7 a 14 anos fora do ensino fundamental no Municpio e/ou Estados analisado(s);

    subsdio mdio de prefeitos e vereadores de comunas semelhantes X subsdio do prefeito e vereadores locais;

    percentual mdio de atendimento ambiental (coleta de lixo e ligaes de gua e esgoto) em municpios de mesma base econmica X percentual do municpio analisado;

    leitos hospitalares/per capita em comunas semelhantes X leitos hospitalares/per capita no municpio ou estado analisado;

    participao mdia das reas sociais no oramento de comunas de semelhante vocao econmica X idntica participao no oramento municipal analisado;

    dficit financeiro mdio dos municpios do estado X dficit financeiro do municpio analisado;

    capacidade de investimento de municpios semelhantes X capacidade de investimento da comuna analisada;

    percentual mdio estadual de recuperao de dvida ativa X percentual do municpio em anlise;

    ndice mdio de mortalidade infantil do Estado X ndice de mortalidade do municpio analisado;

    preos dos produtos e servios pagos pelos estados e municpios X preos de mercado local e nacional.

    No cenrio da administrao pblica brasileira, o principal instrumento da gesto oramentria se encontra definido no 3. do Artigo 165 da Constituio Federal de 1988 e, atualmente, regulado na Seo III do Captulo IX da Lei Complementar n. 101/2000, e consiste no Relatrio Resumido da Execuo Oramentria.

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    Oramento Pblico

    Unidade 10

    O Artigo 52 da Lei de Responsabilidade Fiscal, em relao ao Relatrio Resumido da Execuo Oramentria, define que este abranger todos os Poderes e o Ministrio Pblico, e assenta que ele ser publicado at trinta dias aps o encerramento de cada bimestre e que ser composto de:

    I balano oramentrio, que especificar, por categoria econmica, as: a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a previso atualizada; b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dotao para o exerccio, a despesa liquidada e o saldo; II demonstrativos da execuo das: a) receitas, por categorias econmicas e fonte, especificando a previso inicial, a previso atualizada para o exerccio, a receita realizada no bimestre, a realizada no exerccio e a previso a realizar; b) despesas, por categoria econmica e grupo de natureza da despesa, discriminando dotao inicial, dotao para o exerccio, despesas empenhadas e liquidadas, no bimestre e no exerccio; c) despesas, por funo e subfuno. 1. Os valores referentes ao refinanciamento da dvida mobiliria constaro destacadamente nas receitas de operaes de crdito e nas despesas com amortizao da dvida. 2. O descumprimento do prazo previsto neste artigo sujeita o ente s sanes previstas no 2. do art. 51.

    O Artigo 53, do Diploma Legal em comento, destaca os elementos que devem acompanhar o Relatrio Resumido da Execuo Oramentria. So eles:

    I apurao da receita corrente lquida, na forma definida no inciso IV do art. 2., sua evoluo, assim como a previso de seu desempenho at o final do exerccio;

    Art. 2. IV receita corrente lquida: somatrio das receitas tributrias, de contribuio, patrimoniais, industriais, agropecurias, de servios, transferncias correntes e outras receitas tambm correntes, deduzidos: a) na Unio, os valores transferidos aos Estados e Municpios por determinao constitucional ou legal, as contribuies mencionadas na alnea a do inciso I e no inciso II do art. 195, e no art. 239 da Constituio.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Art. 195. A seguridade social ser financiada [...] e das seguintes contribuies: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre:

    a) a folha de salrios e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer ttulo, pessoa fsica que lhe preste servios, mesmo sem vnculo empregatcio; [...]

    II do trabalhador e dos demais segurados da previdncia social, no incidindo contribuio sobre aposentadoria e penso concedidas pelo regime geral de previdncia social de que trata o art. 201.

    Art. 239 a Arrecadao decorrente das contribuies para o Programa de Integrao Social, criado pela Lei Complementar n. 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formao do Patrimnio do Servidor Pblico, criado pela Lei n. 8, de 3 de dezembro de 1970, [...]

    b) nos Estados, as parcelas entregues aos Municpios por determinao constitucional;

    c) na Unio, nos Estados e nos Municpios, a contribuio dos servidores para o custeio do seu sistema de previdncia e assistncia social e as receitas provenientes da compensao financeira citada no 9. do art. 201 da Constituio (compensao financeira dos regimes de previdncias pblico e privado).

    1. Sero computados no clculo da receita corrente lquida os valores pagos e recebidos em decorrncia da Lei Complementar 87, de 13 de setembro de 1996, e do fundo previsto no art. 60 do Ato das Disposies Constitucionais Transitrias.

    (Receitas do FUNDEB).

    2. No sero considerados na receita corrente lquida do Distrito Federal e dos Estados do Amap e de Roraima os recursos recebidos da Unio para atendimento das despesas de que trata o inciso V do

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    1. do art. 19 (despesas com demisso de servidores, inclusive a incentivada, deciso judicial, inativos, etc.)

    3. A receita corrente lquida ser apurada somando-se as receitas arrecadadas no ms em referncia e nos onze anteriores, excludas as duplicidades.

    II receitas e despesas previdencirias a que se refere o inciso IV do art. 50

    (receitas e despesas previdencirias em demonstrativos separados Escriturao e Consolidao das Contas);

    III resultados nominal e primrio;

    IV despesas com juros, na forma do inciso II do at. 4.;

    V restos a Pagar, detalhando, por Poder e rgo referido no art. 20, os valores inscritos, os pagamentos realizados e o montante a pagar.

    1. O relatrio referente ao ltimo bimestre do exerccio ser acompanhado tambm de demonstrativos:

    I do atendimento do disposto no Inciso III do art. 167 da Constituio, conforme o 3. do art. 32; (receitas de operaes de crdito);

    II das projees atuariais dos regimes de previdncia social, geral e prprio dos servidores pblicos;

    III da variao patrimonial, evidenciando a alienao de ativos e a aplicao dos recursos dela decorrentes.

    2. Quando for o caso, sero apresentadas justificativas:

    I da limitao de empenho;

    II da frustrao de receitas, especificando as medidas de combate sonegao e evaso fiscal, adotadas e a adotar, e as aes de fiscalizao e cobrana.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Conforme voc pde observar sobre a receita corrente lquida, aps sua devida apurao, configura-se a base para aferio do cumprimento dos diversos limites de gastos, da dvida e do endividamento, como, os gastos com pessoal, com as cmaras de vereadores, com servios de terceiros.O Relatrio Resumido da Execuo Oramentria, obedecidas as determinaes transcritas, apresenta-se conforme modelo a seguir destacado.

    Veja modelo completo do Relatrio Resumido da Execuo Oramentria no site, , Link informaes, contbeis e, depois, clique em Relatrios da Lei de Responsabilidade Fiscal.

    Observando-se as regras traadas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, possvel assegurar que a Gesto no age separadamente dos Controles Interno e Externo; atua, sim, como uma ferramenta auxiliar na verificao do cumprimento das metas e objetivos traados no Plano Plurianual PPA , sem deixar de lado a verificao dos aspectos pertinentes legalidade na aplicao dos recursos. Atua, portanto, a Gesto com instrumento avaliador do volume de realizaes; do montante dos recursos aplicados; e, do grau de satisfao das necessidades da coletividade. Isto proporciona, inclusive, ao cidado a participao no processo de preparao do oramento e aferio de seus resultados.

    Veja a estrutura completa e as orientaes para elaborao do Relatrio Resumido da Execuo Oramentria, acessando o site, , link Contabilidade Governamental Legislao, e Portaria STN n. 462, de 05 de agosto de 2009, que aprovou a 2 Edio do Manual de Demonstrativos Fiscais.

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    Sntese

    No contedo desta unidade, foi disponibilizada ao aluno noo geral acerca dos instrumentos de controle do oramento pblico, incluindo o controle Interno, que tem por funo atuar preventivamente no processo de elaborao e execuo do oramento, agindo no estgio da operacionalizao do oramento, com o objetivo de eliminar riscos e corrigir desvios passveis de afetar o equilbrio das contas pblicas.O controle externo, que tem a funo fiscalizadora, age com o auxlio do controle interno, tendo, pois, a finalidade de exercer o controle da execuo oramentria, abordando aspectos como a verificao da probidade administrativa, a guarda de bens, o legal emprego dos recursos pblicos e o cumprimento da lei do oramento. A gesto oramentria, no deixando de lado os aspectos pertinentes correta aplicao dos recursos pblicos, observando o princpio da transparncia na gesto fiscal, volta-se para a verificao do cumprimento das metas e objetivos traados no planejamento oramentrio, isto , no PPA, para tanto, exige a adoo de ampla divulgao, inclusive nos meios eletrnicos (Internet) dos planos, das diretrizes e oramentos; da prestao de contas do governo, incluindo o parecer prvio dos Tribunais de Contas, alm dos relatrios resumidos da execuo oramentria e da gesto fiscal.Foi tambm dado a conhecer que o Relatrio Resumido da Execuo Oramentria se configura como indispensvel instrumento de controle na execuo do oramento, e que sua composio encontra-se plenamente regulada pelos Artigos 52 e 53 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Atividades de autoavaliao

    1) Tendo por base os ditames da Lei de Responsabilidade Fiscal, a transparncia como instrumento auxiliar do controle limita-se s publicaes de leis e demonstrativos.

    SIM ( ) NO ( )

    Comente sua resposta.

    2) No Relatrio Resumido da Execuo Oramentria, um dos demonstrativos deve destacar as despesas, por categoria econmica e por grupo de natureza de despesa; outro deve demonstrar a execuo da despesa, por funo e subfuno. Este ltimo demonstrativo est destacando as despesas segundo a classificao:

    a. ( ) institucional.

    b. ( ) por programas.

    c. ( ) por poder e rgo.

    d. ( ) funcional.

    e ( ) programtica.

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    Oramento Pblico

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    3) Um dos objetivos do Controle Interno consiste na avaliao da relao Custo X Benefcio. D um exemplo de situao em que voc poderia proceder como tal e comente-a.

    4) O Artigo 57 da Constituio Federal contempla a Repartio das Receitas Tributrias. As parcelas dos tributos arrecadados pela Unio e transferidos aos estados e municpios, por fora desse dispositivo, devem:

    a. ( ) constar de demonstrativo em separado no Relatrio Resumido da Execuo Oramentria.

    b. ( ) integrar os clculos da receita corrente lquida da Unio.

    c. ( ) integrar os clculos da receita corrente lquida dos entes recebedores.

    d. ( ) ser excludos do clculo da receita corrente lquida dos entes recebedores.

    e. ( ) Nenhuma das alternativas est correta.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Saiba mais

    Voc gostaria de ter acesso ao Relatrio Resumido da Execuo Oramentria, devidamente elaborado para melhor associar a prtica com as noes tericas aqui disponibilizadas? Ento, acesse o site e Link Legislao e depois a Portaria n. 633, de 30 de agosto de 2006, que aprova a 6 edio do Manual de Elaborao dos Anexos de Metas Fiscais e do Relatrio Resumido da Execuo Oramentria, alterados pelas Portarias n. 559, de 17 de janeiro e 575, de 30 de agosto de 2007 e pela Portaria n. 25, de 17 de janeiro de 2008.No site , acesse o link legislao e busque a Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000; mais especificamente no Artigos 54 e 55, voc encontrar a composio de outro importante instrumento de controle e fiscalizao, que consiste no Relatrio de Gesto Fiscal.Caro(a) aluno(a), conclumos a ltima unidade de nossa disciplina e voc sabe o quanto importante a busca constante do conhecimento. Ento, recomendamos-lhe acesso aos livros, a seguir relacionados, para que voc possa aprofundar e consolidar seus conhecimentos em relao ao tema ou assunto nela tratado.BRASIL, Constituio da Repblica Federativa do Brasil. Braslia, 1988.GIACOMONI, James. Oramento pblico. 13. ed. So Paulo: Atlas, 2005. TOLEDO Jr. Flvio E. de, e ROSSI, Srgio Ciqueira. Lei de Responsabilidade Fiscal. Comentada artigo por artigo. 2. ed. So Paulo: NDJ, 2002.

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  • Para concluir o estudo

    Nesta disciplina, voc teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a Administrao Pblica, bem como a sua estrutura e forma de atuao. Conforme voc estudou, o Poder Pblico tem a competncia para arrecadar recursos em montante suficiente para atender as necessidades pblicas, sociais ou meritrias.Para que o Poder Pblico possa cumprir essa misso, trs instrumentos se revestem de suma importncia no processo de gesto fiscal: o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Oramentrias e a Lei Oramentria Anual.Agora que voc j completou o estudo dessa disciplina e conhece os princpios oramentrios, os conceitos e as classificaes que envolvem a receita e a despesa pblica, voc est apto(a) a debater essas questes com os colegas de trabalho, com os representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, bem como a apresentar propostas para atender a demandas do seu bairro, cidade ou Estado. Na disciplina, Contabilidade Pblica, voc ir conhecer as principais regras que envolvem a aplicao de recursos pblicos bem como a forma de prestar contas sociedade da aplicao desses recursos.

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  • Referncias

    ANGLICO, Joo. Contabilidade pblica. 8. ed. So Paulo: Atlas, 1995.

    BALEEIRO, Aliomar. Cinco aulas de finanas e poltica fiscal. 2. ed. Ver. Aum. So Paulo: Jos Bushatsky, 1975.

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    BRASIL. Lei 4.320, de 17 de maro de 1964. So Paulo, Atlas, 1997.

    BRASIL. Manual tcnico do oramento. Braslia. Secretaria de Oramento Federal. 2001. Mmeo;

    BRASIL, Lei Complementar n. 101, de 04 de maio de 2000. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria n. 59, de 1 de maro de 2001. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria n. 163, de 04 de maio de 2001. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria n 10, de 22 de agosto de 2002. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria n 9, de 28 de abril de 2005. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria Interministral n 688, de 04 de outubro de 2005. Altera Anexo II da Portaria n 163/01. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria conjunta STN/SOF n 2 de 08 de agosto de 2007. Disponvel em:

    BRASIL, Portaria Conjunta STN/SOF n. 3, de 16 de outubro de 2008. Aprova os Manuais da Receita Nacional e da Despesa Nacional. Disponvel em:

    BRASIL, Resoluo n. 40, de 21 de dezembro de 2001. Dispe sobre os limites globais da dvida publica consolidada e da dvida pblica mobiliria dos Estados, do DF e dos Municpios.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    BRASIL, Resoluo n. 43, de 21 de dezembro de 2001. Dispe sobre as operaes de crditos interno e externo dos Estados, do DF e dos Municpios.

    BRASIL, Resoluo n. 19, de 05 de dezembro de 2003. Altera os arts 3, 7 e 24 da Resoluo n. 43, de 21 de dezembro de 2001.

    BRASIL, Resoluo n. 20, de 07 de dezembro de 2003. Amplia o prazo para pagamento dos limites de endividamento estabelecidos na Resoluo n. 40, de 21 de dezembro de 2001.

    BRASIL, Resoluo n. 67, de 07 de dezembro de 2005. Altera os arts. 16 e 21 da Resoluo n. 43, de 21 de dezembro de 2001.

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  • Sobre os professores conteudistas

    Bernardino Jos da Silva nasceu em Paulo Lopes, SC, em 01 de novembro de 1956. Formou-se em Cincias Contbeis pela Universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL, no final de 2001. Posteriormente, em 2003, tambm na UNISUL, realizou ps-graduao, especializando-se em Auditoria Empresarial, com estudos direcionados para o Controle Interno na aplicao de recursos de pronto-pagamento. Em 2007, na mesma UNISUL, iniciou seu mestrado em Administrao de Empresas. Atua na UNISUL, desde 2006, como Coordenador do Curso de Ps-Graduao, em nvel de Especializao em Gesto Governamental e Responsabilidade Fiscal. Desde 2004, atua na UNISUL como professor dos Cursos de Cincias Contbeis sistema presencial nas disciplinas de Contabilidade Pblica, Oramento Pblico, Auditoria Governamental, Gesto Pblica e Contabilidade Comercial II. Desde 2004, atua na mesma UNISUL como professor dos Cursos de Cincias Contbeis, Tecnologia em Administrao Pblica, Tecnologia em Gesto Financeira, Tecnologia em Gesto de Segurana Pblica e Especializao em Modernizao do Poder Judicirio e Especializao em Gesto Governamental e Responsabilidade Fiscal, atuando nas disciplinas de Contabilidade Pblica, Oramento Pblico, Contabilidade I, Anlise das Demonstraes Contbeis I e II, Economia do Setor Pblico, Controle Interno na Administrao Pblica, Gesto de Custo e Formao de Preos, Oramento Pblico e Sistemas de Controle, Oramento Pblico como Instrumento de Controle Interno, Contabilidade Pblica como Instrumento de Gesto.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    professor conteudista dos livros didticos das disciplinas de Contabilidade Pblica, Contabilidade Pblica como Instrumento de Controle Interno, Oramento Pblico, Oramento Pblico com Instrumento de Gesto, Economia do Setor Pblico, Controle Interno na Administrao Pblica, Oramento Pblico e Sistemas de Controle, Anlise das Demonstraes Contbeis I e II. Tem o artigo Ilegalidade no Uso das Contas de Compensao na Gesto dos Gastos Pblicos, em anlise para publicao no ENAPAG, Rio de Janeiro RJ. Atualmente, Coordenador do Ncleo de Controle Interno da Secretaria de Estado da Sade SC, funo que ocupa desde 1999. H mais de trinta anos no Servio Pblico Federal e est a disposio do Estado de Santa Catarina desde 1987. Ocupou diversas funes relevantes em ambas as esferas de governo: Chefe de Guarda e Suprimento do extinto INAMPS (1978/1979); Chefe do Servio de Material e Patrimnio do Hospital de Florianpolis (1981/1987); Chefe do Servio s de Compras e Patrimnio da Fundao Hospitalar de Santa Catarina (1987/1989); Superintende Adjunto de Administrao na mesma FHSC (1989/1990); Chefe do Servio de Administrao de Material e Patrimnio da Secretaria de Estado da Sade SC (1996/1997); Diretor Administrativo da mesma Secretaria (1999/2000). O currculo completo est disponvel para consulta, on-line, no banco de dados do CNPq, no endereo .

    Wanderlei Pereira das Neves bacharel em Cincias Contbeis, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC/1987), ps-graduado em Auditoria Governamental (UFSC/1989) e em Contabilidade Prtica Avanada a Distncia (ESAF-DF/2001), e Mestre em Administrao gesto estratgica das organizaes (UDESC/2000). Auditor Interno do Estado de Santa Catarina, atualmente ocupando o cargo em comisso de diretor de Contabilidade Geral do Estado de Santa Catarina. Atua h mais de 17 anos na administrao pblica, tendo ocupado diversas funes relevantes na Secretaria de

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    Oramento Pblico

    Estado da Fazenda do Estado de Santa Catarina, dentre elas as funes de diretor de Administrao Financeira (1997/1998), de diretor de Contabilidade Geral (1995/1997) e de chefe/gerente de Contabilidade Financeira (1989/1994). professor das disciplinas de Oramento Pblico, de Contabilidade Pblica, de Auditoria Pblica e de Lei de Responsabilidade Fiscal. J ministrou disciplinas nas seguintes entidades: Fundao de Ensino e Pesquisa Scio-Econmicas FEPESE Curso de Ps Graduao em Auditoria Pblica; Universidade do Oeste do Estado de Santa Catarina UNOESC Campus de So Miguel do Oeste Curso de Ps Graduao em Finanas Pblica Segundo a Lei de Responsabilidade Fiscal; Universidade Federal de Santa Catarina UFSC Curso de Cincias Contbeis; Universidade do Sul do Estado UNISUL Curso de Cincias Contbeis. Foi tutor do Curso de Contabilidade Prtica Avanada a Distncia, realizado pela Escola de Administrao Fazendria ESAF, do Ministrio da Fazenda. J ministrou diversos cursos e proferiu diversas palestras em simpsios e seminrios organizados por entidades pblicas e privadas, com destaque para os eventos realizados pelo Centro de Estudos Temticos de Administrao Pblica CETEM. scio fundador da Knabben & Damian Consultoria e Assessoria S/S.

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  • Respostas e comentrios das atividades de autoavaliaoUnidade 1

    1 - d

    2 - c

    3 - d

    4 - c

    Unidade 2

    1 - At o ano de 1200, os impostos eram cobrados apenas para satisfazer as necessidades do rei. O Oramento Pblico inicia-se no ano 1215, com a carta de So Joo Sem Terra, instrumento que limitou o poder de mando do rei e autorizao do Conselho da nobreza para cobrar impostos, consagrando o princpio da legalidade. Em 1628, o Conselho da Nobreza se transforma em Postulado do Direito, dando-se incio ao principio da anterioridade, isto , o imposto no podia ser cobrado antes da existncia de lei. Em 1689, as leis de cobrana dos impostos ganha a denominao de oramento, ou, leis dos Meios. Inicia-se o perodo da economia moderna e o oramento passa condio de plano oramentrio, introduzindo-se as funes alocativa, distributiva e estabilizadora na sua concepo. Nos idos de 1970, o plano adquiriu a denominao de oramento financeiro ou tradicional, passando para oramento moderno e, na atualidade, assume a condio de oramento-programa.

    2 - SIM. Musgrave j antecipava, naqueles tempos, a necessidade de se definirem com maior preciso as funes do oramento. Portanto as funes alocativa, distributiva e estabilizadora encontram-se plenamente associadas aos objetivos bsicos do oramento traados por Musgrave e associam-se, tambm, s funes de controle, planejamento e controle fiscal do governo.

    3 - A Transparncia no est limitada apenas publicao das leis e instrumentos: deve contemplar a divulgao dos nveis de cumprimento das metas, associada a elementos comparativos entre os segmentos pblicos e privados. Exemplo: o custo de construo de uma escola pblica, comparado com o custo de construo de uma escola com as mesmas caractersticas pelo setor privado.

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    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Responsabilidade na gesto fiscal consiste no desenvolvimento de aes planejadas com o objetivo de eliminar riscos e corrigir desvios capazes de afetar as contas pblicas. Exemplo: Promover a reduo de gastos quando as metas de arrecadao no forem alcanadas.

    4 - SIM, existe relao entre as trs funes econmicas do governo, isto , a funo do oramento. Atravs da Funo Alocativa, o governo deve dispor o oramento com o objetivo de ofertar bens e servios pblicos, para, promover o desenvolvimento ordenado da economia. Atravs da Funo Distributiva, o oramento dever ser disposto com o propsito de atender as necessidades regionais para eliminar as desigualdades sociais. Finalmente, por meio da Funo Estabilizadora, o oramento deve ser disposto com estabelecimento de prioridades na busca do pleno emprego dos recursos econmicos, a estabilidade dos preos e demais elementos direcionadores do processo econmico.

    Unidade 3

    1 - Conhecido como oramento clssico, tinha como objetivo principal demonstrar a previso das receitas e as autorizaes de despesas. Classificava as despesas por unidades oramentrias, contemplava a busca do equilbrio entre receita e despesas, mas a preocupao principal voltava-se para as questes tributrias.

    2 - SIM. A Lei de Responsabilidade Fiscal, ampliando os mandamentos constitucionais, introduziu novas regras ao oramento pblico, especialmente Lei de Diretrizes Oramentrias que, dentre seus preceitos, deve contemplar as normas relativas ao controle de custos, ratificando o Princpio da Economicidade na Administrao Pblica.

    3 - A relao ocorre de maneira direta, isto , a Lei do Plano Plurianual contempla os objetivos e metas da Administrao Pblica para um perodo de 4 anos, relacionando-se, assim, com o Planejamento Estratgico. A Lei de Diretrizes Oramentrias, alm das regras para elaborao e execuo dos oramentos anuais, contempla as parcelas dos objetivos e metas traadas no PPA, para execuo no curto prazo, correlacionando-se com o Planejamento Ttico. Finalmente, a Lei Oramentria Anual, configurando-se o instrumento que viabiliza a execuo do oramento, correlaciona-se com o Planejamento Operacional.

    Unidade 4

    1 - Princpios constituem-se a base sustentadora de qualquer cincia. Constitucionalmente falando, os Princpios so regras ptreas que necessitam de quorum especial para serem aprovadas e/ou modificadas.

    orcamento_publico_TAP.indb 220 31/03/10 15:58

  • 221

    Oramento Pblico

    2 - O Estgio da Fixao ou Autorizao da Despesa Pblica est diretamente relacionado e contempla, exatamente, o Princpio da Programao, haja vista configurar-se no ato de estabelecer a programao oramentria, ou seja, definem-se os programas e aes e se fixam-se as despesas necessrias execuo dos mesmos.

    3 - e 4 - c 5 - a 6 - e

    Unidade 5

    1 - No h uma relao direta entre o ciclo oramentrio e o exerccio financeiro. Este ltimo contempla o prazo de execuo do oramento e, de acordo com a Lei n. 4.320/64, corresponde ao ano civil. O ciclo oramentrio, por sua vez, contempla as etapas elaborao e discusso das propostas e aprovao do oramento pelo Poder Legislativo; e sano da lei pelo Chefe do Poder Executivo. De acordo com o Artigo 35 do ADCT de nossa Carta Constitucional, tais etapas devero ser realizadas no perodo de 4 meses, ou seja, de 31 de agosto a 31 de dezembro.

    2 - d

    3 - a

    4 - d

    5 - b

    Unidade 6

    1 - A ao planejada e transparente se materializar com a adoo de um planejamento alicerado em programas e aes concretas, essencialmente voltados soluo de problemas verificados no seio da sociedade com o objetivo de promover o desenvolvimento ordenado do processo econmico e a satisfao das necessidades de natureza coletiva. Ser transparente, se no se limitar a mostrar nmeros frios de arrecadao da receita e realizao das despesas, mas tambm os nveis de cumprimento das metas estabelecidas no Plano Plurianual e instrumentos de comparao entre as aes da Administrao Pblica e aquelas de mesma natureza realizadas pelo setor privado, para que se possa medir as questes relativas eficincia, eficcia, efetividade e economicidade nas aes do setor pblico.

    2 - a 3 - a 4 - e

    orcamento_publico_TAP.indb 221 31/03/10 15:58

  • 222

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    Unidade 7

    1 - Toda e qualquer renda prevista no oramento, ou crditos da fazenda pblica, arrecadados de fontes produtivas durante um exerccio financeiro.

    2 - b

    3 - c

    4 - b

    5 - a

    6 - c

    Unidade 8

    Para cada enunciado, existe apenas UMA alternativa correta:

    1 - Funo

    2 - Atividade

    3 - Conjunto de operaes limitadas no tempo; resulta um produto que concorre para expanso ou aperfeioamento de governo.

    4 - 3 Despesas correntes

    1 Pessoal e encargos

    90 Aplicaes diretas

    Outras despesas variveis Pessoal civil.

    5 - 3 Despesas correntes

    3 Outras receitas correntes

    90 Aplicaes diretas

    4 Dirias Civil (ou 15 Dirias militar, conforme o caso).

    6 - 3 Despesas correntes

    3 Outras receitas correntes

    90 Aplicaes diretas

    Material de consumo

    7 - 3 Despesas correntes

    2 Juros e encargos da dvida

    90 Aplicaes diretas

    Juros sobre a dvida por contrato.

    orcamento_publico_TAP.indb 222 31/03/10 15:58

  • 223

    Oramento Pblico

    8 - 4 Despesas de capital

    6 Amortizao da dvida

    90 Aplicaes diretas

    71 Principal da dvida contratual resgatado.

    9 - 4 Despesas de capital

    5 Inverses financeiras

    90 Aplicaes diretas

    Aquisio de imveis

    10 - Segmento da administrao a que o Oramento consigna dotaes especficas para a realizao de seus programas de trabalho e sobre os quais exerce poder de disposio (ver art. 14 da Lei Federal n 4.320/64).

    Unidade 9

    1

    2 - Propor a abertura de um crdito adicional extraordinrio.

    orcamento_publico_TAP.indb 223 31/03/10 15:58

  • 224

    Universidade do Sul de Santa Catarina

    3 - Empenho por estimativa. Despesa corrente, outras despesas correntes (3390.39). Fundamentao: um empenho por estimativa, pois no se sabe o valor exato que ser gasto com energia eltrica. So despesas correntes por se constiturem por manuteno, e no pela formao e aquisio de um bem de capital. Figuram no grupo outras despesas correntes por no serem despesas com pessoal ou juros e encargos da dvida.

    4 - Empenho ordinrio

    4 Despesa de capital

    4 Investimentos

    90 Aplicao direta

    52 Equipamentos e material permanente

    5 - Empenho global, no valor de R$ 2.000,00 (dez meses, em observncia ao Regime de Competncia, de que trata o inciso II do art. 50 da LRF).

    3 Despesas correntes

    3 Outras despesas correntes

    90 Aplicaes diretas

    39 Outros servios de terceiros pessoa jurdica

    6 - Verificar se h possibilidade (fonte de recursos) para a abertura de um crdito adicional suplementar.

    7 - Verificar se h previso no PPA e possibilidade de abertura de um crdito adicional especial.

    8 - Empenho por estimativa no valor de R$ 1.000,00

    3 Despesas correntes

    3 Outras despesas correntes

    90 Aplicao diretas

    Outros Servios de terceiros pessoa jurdica

    orcamento_publico_TAP.indb 224 31/03/10 15:58

  • 225

    Oramento Pblico

    9 - 9.1 Durante o exerccio no h tendncia de excesso de arrecadao. Arrecadao mensal: 240.000,00 X 8,333334% = 20.000,00.

    Arrecadao prevista para o semestre: 6 meses X 20.000,00 = 120.000,00.

    Arrecadao no semestre = 118.000.

    Menor arrecadao no semestre = 118.000,00 - 120.000,00 = (2.000,00).

    H um Supervit Financeiro do balano patrimonial do exerccio passado, em montante suficiente para atender s despesas, com isto pode-se abrir crdito adicional. SPF = AF PF SPF = 350.000,00 320.000,00 = 30.000,00.

    9.2 A classificao oramentria se refere a um projeto e est classificado de forma atpica.

    10 - No exerccio em que foi aberto, podendo ser prorrogado para o exerccio seguinte, se autorizado nos quatro ltimos meses do exerccio.

    Unidade 10

    1 - NO. De acordo com as regras traadas na Lei de Responsabilidade Fiscal, alm da publicao de leis e demonstrativos, visando atender ao Princpio da Transparncia como instrumento auxiliar do controle, devem ser includos nas publicaes, junto aos demonstrativos, notas explicativas e elementos capazes de viabilizar a avaliao da gesto na aplicao dos recursos pblicos, tais como as metas previstas e executadas, comparativos dos custos em relao queles verificados no segmento privado, etc.

    2 - d

    3 - Como exemplo para avaliar a relao custo X benefcio, poderamos citar a construo de um complexo escolar. Avaliariam-se os custos contratados pela Administrao Pblica e aqueles contratados pelo setor privado. Claro que as caractersticas devem ser as mesmas, para que se possa avaliar a economicidade da ao.

    4 - c

    orcamento_publico_TAP.indb 225 31/03/10 15:58

  • orcamento_publico_TAP.indb 226 31/03/10 15:58

  • Anexos

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    orcamento_publico_TAP.indb 227 31/03/10 15:58

  • 228

    Universidade do Sul de Santa Catarina

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    orcamento_publico_TAP.indb 231 31/03/10 15:58

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