livro - o peregrino - jonh bunyan

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O Peregrino - A Viagem do Cristo da Cidade da Destruio para a Jerusalm Celestial um livro escrito pelo pastor batista John Bunyan e publicado na Inglaterra em 1678. O livro uma alegoria da vida crist. Bunyan relata, no prefcio e no posfcio, que escreveu O Peregrino como uma forma de alerta aos perigos e vicissitudes enfrentados na vida religiosa por aqueles que seguem os ensinamentos bblicos e buscam um caminho de perfeio para alcanar a coroa da Vida Eterna, citada no livro do Apocalipse na Bblia. O Peregrino tenciona levar o leitor a refletir sobre como deve ser vigilante na vida terrena, simbolizada pela jornada de Cristo. Desde sua publicao, o livro jamais deixou de ser impresso. Depois da Bblia, este o livro mais conhecido no meio cristo no somente de fala inglesa, mas de diversas lnguas, inclusive na China, onde o governo comunista chegou a produzir 200 mil cpias que foram distribudas em trs dias1 . O terceiro lugar, como o livro mais publicado do mundo, pertence ao famoso O Pequeno Principe (titulo brasileiro), ou O Principezinho (titulo portugues), escrito pelo autor frances Antoine de Saint-Exupery. O jovem peregrino chamado simplesmente Cristo, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista, pelo qual se pode alcanar a Cidade Celestial. Na narrativa, todas as personagens e lugares que o peregrino depara levam nomes de esteretipos (como: Hipocrisia, Boa-Vontade, Sr. Intrprete, gigante Desespero, A Cidade da Destruio, O Castelo das Dvidas, etc.) consoante os seus estilos, caractersticas e personalidades. No nterim, surgem-lhe vrias adversidades, nas quais ele padece sofrimentos, chegando a perder-se, ser torturado e quase afogar-se. Apesar de tudo, o protagonista mantm-se sempre sbrio, encontrando auxlio no companheiro de viagem Fiel, um concidado seu. Mais adiante na trama, Fiel executado pelos infiis da Feira das Vaidades que se opem busca dos dois peregrinos. Contudo, Cristo acha um outro companheiro, chamado Esperanoso, que mais tarde lhe salvar a vida, e eles seguem a dura jornada at chegarem ao destino almejado. A obra uma alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bblicos de forma simblica, nos moldes das parbolas bblicas.

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  • 1. O Peregrino John Bunyan Um dos autores mais influentes do Sculo 17, John Bunyan (1628 - 1688) foi um fenmeno cultural singular cuja apario na historia das idias crists possui um carter surpreendente se levarmos em conta quem Bunyan era e sua historia de vida, o contexto histrico em que vivia e o ambiente cultural e teolgico ao qual pertencia. Apesar de todas estas foras adversas e contra qualquer expectativa, Bunyan produziu uma obra literria, no s de grande repercusso e influncia no mundo protestante como tambm de reconhecido valor literrio. Sua obra - prima, O Peregrino, s perde para a Bblia em numero de exemplares vendidos e influncia nos crculos cristos mais conservadores. Todas as obras alegricas de Bunyan, incluindo esta, j foram livros muitos populares nos pases de lngua inglesa, notadamente na Esccia e nos Estados Unidos. Os tempos mudaram, os gostos mudaram, as idias mudaram, e os livros de Bunyan caram no esquecimento. Vale a pena, entretanto, ler estas antigas alegorias no s pela sua beleza literria, reconhecida pelos crticos desde o movimento romntico, mas tambm pela natureza edificante das idias aqui presentes. Bunyan emociona e motiva, provoca a reflexo e eleva o esprito humano contemplao dos mistrios da f crist.

2. John Bunyan _____________________ - 2 - Captulo 1 Comea o sonho do autor Cristo, convencido do pecado, foge ira vindoura e Evangelista o dirige a Cristo. Caminhando pelo deserto deste mundo, parei num stio onde havia uma caverna; ali deitei- me para descansar. Em breve adormeci e tive um sonho. Vi um homem coberto de andrajos, de p, e com as costas voltadas para a sua habitao, tendo sobre os ombros uma pesada carga e nas mos um livro (Isaas 64:6; Lucas 14:33; Salmo 38:4; Habacuque 2:2). Olhei para ele com ateno e vi que abria o livro e o lia; e, proporo que o ia lendo, chorava e estremecia, at que, no podendo conter-se por mais tempo, soltou um doloroso gemido e exclamou: Que hei de fazer? (Atos 2:37 e 16:30; Habacuque 1:2-3). Neste estado voltou para sua casa, diligenciando reprimir-se o mais possvel, a fim de que sua mulher e seus filhos no percebessem sua aflio. Como, porm, o seu mal recrudecesse, no pde por mais tempo dissimul-lo, e, abrindo-se com os seus, disse por esta forma: Querida esposa, filhos do corao, no posso resistir por mais tempo ao peso deste fardo que me esmaga. Sei com certeza que a cidade em que habitamos vai ser consumida pelo fogo do cu, e todos pereceremos em to horrvel catstrofe se no encontrarmos um meio de escapar. O meu temor aumenta com a idia de que no encontre esse meio. Ao ouvir estas palavras, grande foi o susto que se apoderou daquela famlia, no porque julgasse que o vaticnio viesse a realizar-se, mas por se persuadir de que o seu chefe no tinha em pleno vigor as suas faculdades mentais. E, como a noite se avizinhava, fizeram todos com que ele fosse para a cama, na esperana de que o sono e o repouso lhe sossegariam o crebro. As plpebras, no entanto, no se lhe cerraram durante toda a noite, que passou em lgrimas e suspiros. Pela manh, quando lhe perguntaram se estava melhor, respondeu negativamente, e que a molstia cada vez mais o afligia. Continuou a lastimar-se, e a famlia, em lugar de se compadecer de tanto sofrimento, tratava-o com aspereza. Esperava, sem dvida, alcanar por este modo o que a doura no pudera conseguir at ali: algumas vezes zombavam dele; outras repreendiam-no;e quase sempre o desprezavam. S lhe restava o recurso de se fechar no seu quarto para orar e chorar a sua desgraa, ou o de sair para o campo, procurando na orao e na leitura lenitivo a to indescritvel dor. 3. O Peregrino _____________________ - 3 - Certo dia, em que ele andava passeando pelos campos, notei que se achava muito abatido de esprito, lendo, como de costume, e ouvindo-o exclamar novamente: Que hei de fazer para ser salvo? O seu olhar desvairado volvia-se para um e outro lado, como em busca de um caminho para fugir; mas, no o encontrando de pronto, permanecia imvel, sem saber para onde se dirigir. Vi, ento, aproximar-se dele um homem chamado Evangelista (Atos 16:30-31; J 33:23) que lhe dirigiu a palavra, travando-se entre ambos o seguinte dilogo: Evangelista Por que choras? Cristo (Assim se chamava ele). Porque este livro me diz que eu estou condenado morte, e que depois de morrer, serei julgado (Hebreus 9:27), e eu no quero morrer (J 16:21-22), nem estou preparado para comparecer em juzo! (Ezeq. 22:14). Evangelista E por que no queres morrer, se a tua vida cheia de tantos males? Cristo Porque temo que este pesado fardo que tenho sobre os ombros, me faa enterrar ainda mais do que o sepulcro, e eu venha a cair em Tofete (Isaas 30:33). E, se no estou disposto a ir para este tremendo crcere, muito menos para comparecer em juzo ou para esse suplcio. Eis a razo do meu pranto. Evangelista Ento, por que esperas, agora que chegaste a esse estado? Cristo Nem sei para onde me dirigir. Evangelista Toma e l. (E apresentou-lhe um pergaminho no qual estavam escritas estas palavras: Fugi da ira vindoura). (Mateus 3:7). Cristo (Depois de ter lido). E para onde hei de fugir? Evangelista (Indicando-lhe um campo muito vasto). Vs aquela porta estreita? (Mateus 7:13-14). Cristo No vejo. Evangelista No avistas alm brilhar uma luz? (Salmo 119:105; II Pedro 1:19). Cristo Parece-me avist-la. Evangelista Pois no a percas de vista; vai direito a ela, e encontrars uma porta; bate, e l te diro o que hs de fazer. 4. John Bunyan _____________________ - 4 - Captulo 2 Vendo-se abandonado por Obstinado e Flexvel, prossegue Cristo a sua viagem. O Pntano da Desconfiana. Cristo deitou a correr na direo que lhe havia sido indicada; mas a mulher e os filhos, ao verem-no fugir, seguiram atrs dele, suplicando que voltasse para casa. Cristo no lhes deu ouvidos, e, continuando a carreira com mais velocidade, gritava em altas vozes: Vida, vida, vida eterna! (Lucas 14:26). E, sem olhar para trs (Gn. 19:17; II Corntios 4:18), continuou at ao meio da plancie. Acudiram tambm os seus vizinhos (Jeremias 20:10). Uns zombavam dele, outros ameaavam-no, e outros ainda gritavam-lhe que voltasse. Entre estes ltimos havia dois que estavam resolvidos a ir agarr-lo e traz-lo fora para casa. Chamavam-se Obstinado e Flexvel. Apesar da considervel distncia a que se achava o fugitivo, os dois vizinhos, redobrando esforos, conseguiram alcan-lo. Que pretendeis de mim? Perguntou-lhes Cristo. Queremos que voltes conosco. impossvel, respondeu Cristo. A cidade em que habitais, e onde eu tambm nasci, a cidade da Destruio. Se l morrerdes, sereis enterrados num lugar mais fundo do que o sepulcro, onde arde fogo e enxofre. Eia, pois, vizinhos, tomai bom nimo e vinde comigo. Obstinado Que dizes? Havemos de deixar os nossos amigos e as nossas comodidades? Cristo Certamente, amigo: porque tudo isso nada , em comparao com a mais diminuta parte do que eu procuro gozar (Romanos 8:18). Se me acompanhardes, gozareis de tudo isto juntamente comigo, porque no lugar para onde me dirijo h muito, e para todos (Lucas 15:17). Vinde, e tereis a prova. Obstinado Mas que coisas so essas que procuras, em troca das quais abandonas tudo o que h no mundo? Cristo Procuro uma herana incorruptvel, que no pode contaminar-se nem murchar (I Pedro 1:4), reservada com segurana no cu (Hebreus 11:16), para ser dada, no devido tempo, aos que a buscam diligentemente. Assim o declara o meu livro; lede, se quereis, e convencer-vos da verdade. Obstinado Ora, deixa-te l dessa questo de livro; queres voltar para a tua casa, ou no? Cristo Isso nunca; porque j pus a mo no arado. (Luc 9:62). 5. O Peregrino _____________________ - 5 - Obstinado Nesse caso, vizinho Flexvel, deixemo-lo partir, e vamos ns para casa. H muita gente a quem falta o juzo, em cuja cabea, encasquetando-se algo, bastante para que se julgue mais atilado do que os sete sbios da Grcia reunidos. Flexvel Nada de injrias. Se o que ele diz verdade, no pode haver dvida de que as coisas que busca alcanar so incomparavelmente superiores s que possumos. Diz-me o corao que ele est muitssimo certo no que afirma, e eu me sinto inclinado a acompanh- lo. Obstinado Ento, enlouqueceste tambm? Ora, toma o meu conselho, e vem para casa comigo. Sabes l onde esse doido seria capaz de te levar? Anda da. Cristo Deixa-o falar, amigo Flexvel; acompanha-me e ters no s a prova do que j te disse, mas ainda muito mais. Se duvidas da minha palavra, l este livro; daquele que seu Autor (Hebreus 9:17-21). Flexvel Amigo Obstinado, a minha resoluo est tomada; vou acompanhar este homem e unir a minha sorte sua. Mas sabes tu (dirigindo-se a Cristo) qual o caminho que conduz ao lugar que buscamos? Cristo Quem me indicou o caminho foi um homem chamado Evangelista. Segundo o que me disse ele, havemos de encontrar uma porta estreita, l, mais adiante, e a nos diro o caminho que havemos de seguir. Flexvel Ento, marchemos! E ambos se puseram a caminho. Obstinado voltou sozinho para a cidade, censurando os erros e as fantasias dos dois vizinhos. Estes continuaram a caminhar pela plancie afora e conversavam nestes termos: Cristo Amigo Flexvel, ainda no tive ocasio de me informar da tua sade. No imaginas quanta satisfao me causa a tua companhia. Se o pobre Obstinado sentisse, como eu, o poder e os terrores do invisvel, e a grandeza das coisas que nos esperam, por certo no se teria apartado de ns to levianamente. Flexvel Agora que estamos ss, explica-me o que so essas coisas de que me falas, como havemos de as gozar e para onde que nos dirigimos. Cristo Tenho mais facilidade em compreend-las com o entendimento do que em express-las por palavras. Todavia, se tens grande desejo de saber o que penso a respeito delas, ler-te-ei o meu livro. Flexvel E tens certeza de que as palavras do livro so verdadeiras? 6. John Bunyan _____________________ - 6 - Cristo Tenho sim; porque o seu Autor Aquele que no pode mentir (Tito 1:2). Flexvel Ento, l-mo. Cristo Entraremos na posse dum