Livro dos 60 anos do Senai

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SENAI Gois anos60Deire Assis e Dehovan LimaDa Carpintaria Automao Industrial A Escola SENAI d, alm da educao, a organizao, o mtodo, ensina o amor ptria, a tica, enfim possibilita a oportunidade de o homem se tornar cidado, ter uma profisso. Porque qualquer um de ns, mesmo no tendo estudo, mas tendo uma profisso, pode construir. Eu sou prova disso. Foi de l da Escola SENAI que eu trouxe isso, o comeo de tudo, a base. Todo o sucesso de minha carreira, profissional e empresarial, devo ao SENAI, ao que aprendi no incio de minha vida na Escola Roberto Mange. uma relao de gratido e o amor eterno at hoje minha empresa mantm vnculo com o SENAI.Saulo Vitoy, empresrio, proprietrio da Metalrgica Central, de Goinia, fabricante de peas e componentes para usina de lcool, ex-aluno do SENAI da turma de 1958.H 60 anos Gois era o penltimo Estado brasileiro em termos de PIB e desenvolvimento. Hoje, Gois disputa o 8 lugar em PIB e o 7 em desenvolvimento. A indstria fortalece cada vez mais nossa economia ao agregar valor ao setor primrio. A FIEG e o SENAI tiveram um papel fundamental nesta extraordinria transformao.Marconi Perillo, Governador de GoisSENAI Gois anos60Da Carpintaria Automao Industrial Deire Assis e Dehovan LimaSENAI Gois anos60Automao IndustrialDa Carpintaria Deire Assis e Dehovan Lima 2012 - SENAI - Departamento Regional de GoisDa carpintaria automao industrialA reproduo desta obra, em sua totalidade ou em partes, somente ser permitida mediante autorizao do SENAI de Gois.A865dASSIS, Deire; LIMA, Dehovan. Da carpintaria automao industrial/SENAI-DR/Gois. Goinia, 2012. (SENAI Gois 60 anos).204p.: il.1. Educao. 2. Trabalho. 3. Inovao tecnolgica. 4. Servios.5. SENAI em Gois. 6. Trajetria. 7. Indstria brasileira. 8. Depoimentos. 9. Diretores do SENAI em Gois. 10. Momentos Histricos.I. Autor. II. Ttulo CDD 650SENAI - Departamento Regional de GoisAvenida Araguaia, n 1.544, Edifcio Albano Franco - Casa da Indstria - Vila NovaGoinia-GO - CEP: 74645-070Telefone/fax: (62) 3219-1300E-mail: senaigo@sistemafieg.org.brhttp: www.senaigo.com.brFICHA CATALOGRFICAMisso do SENAIPromover a educao profissional e tecnolgica, a inovao e a transferncia de tecnologias industriais, contribuindo para elevar a competitividade da indstria brasileira.Conselho RegionalPresidentePedro Alves de OliveiraRepresentantes da IndstriaFrancisco Gonzaga PontesJos Rodrigues Peixoto NetoAblio Pereira Soares JniorPedro de Sousa Cunha JniorRepresentantes do Ministrio do Trabalho e EmpregoHeberson AlcntaraValdivino Vieira da SilvaRepresentantes do Ministrio da EducaoPaulo Csar PereiraJos Srgio Sarmento GarciaRepresentante dos TrabalhadoresCarlos Albino de Rezende JniorLuiz Roberto DiasSecretrioJvier GodinhoAdministrao RegionalDiretoria RegionalPaulo VargasDiretoria de Educao e Tecnologia SESI eSENAIManoel Pereira da CostaGerncia de Educao Profissionaltalo de Lima MachadoGerncia de Tecnologia e InovaoCristiane dos Reis Brando NevesGerncia de Planejamento e DesenvolvimentoMaristela NunesCoordenao de ProjetosWalmir Pereira TellesAssessoria de Relaes com o Mercado SESI e SENAIBruno GodinhoGesto Compartilhada do Sistema FIEG(FIEG / SESI / SENAI / IEL / ICQ Brasil)Assessoria de Comunicao e MarketingGeraldo F. de Farias NetoAssessoria JurdicaTelma da C. Alves MahfuzComisso de LicitaoMarco Aurlio de Rezende CruzGerncia ContbilMrcio Antnio RezendeGerncia FinanceiraSnia RezendeGerncia de Materiais e PatrimnioLuiz Carlos RibeiroGerncia de Recursos Humanos e ConhecimentoLzaro Anacleto de SouzaGerncia de ServiosLuiz Carlos CardosoGerncia de Tecnologia da InformaoDario Queija de SiqueiraAuditoria InternaHrcules Pereira MarraServio Nacional de Aprendizagem IndustrialDepartamento Regional de Gois| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 7Comprovadamente, h seis dcadas, o SENAI est diretamente inserido no contexto do desenvolvimento socioeconmico de Gois e do Brasil. Ele vem de um tempo quando se ensinava nas escolas que Gois era um Estado essencial-mente agrcola.Quando o SENAI se iniciou entre ns, em 9 de maro de 1952, na cidade de Anpolis, com apenas trs ofcios mecnico serralheiro, carpin-teiro e pedreiro para atender algumas das poucas centenas de pequenas indstrias ento existentes no Estado, era uma simples extenso da Delegacia Regional do SENAI de So Paulo.Mesmo assim, naquele ano, a instituio se constituiu na semente da Federao das Indstrias do Estado de Gois, que desde ento trabalha e luta por nossa industrializao, transformada no Sistema com cinco casas: FIEG, SESI, SENAI, IEL e ICQ Brasil. Segundo o IBGE, de 2003 a 2007, o PIB in-dustrial goiano cresceu 77%, enquanto o brasileiro no mesmo perodo no ultrapassou 55%, uma dife-rena que pouco se alterou at 2011, pois o progres-so do segmento industrial de Gois esteve sempre frente da mdia nacional.1,3 milho de trabalhadoresAo completar 60 anos, o SENAI Gois ofere-ce aproximadamente 450 cursos de educao pro-fissional, nos nveis bsico, tcnico e tecnolgico, presente, crescendo e se aprimorando em todos os polos industriais do territrio estadual, onde funcio-nam mais de 15 mil empresas.Muitas vezes at como indutor, se antecipan-do s suas necessidades, atende demandas de nos-so parque industrial, carente de mo de obra para expanso em vrios setores. Assim, o SENAI Gois j preparou cerca de CredIbIlIdAde, mArCA regIstrAdA do seNAIPedro Alves de Oliveira, presidente da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) e do Conselho Regional do SENAI GoisA mesma credibilidade verificada em dimenso nacional proporcionou ao Regional de Gois receber, em 2011, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida de Goinia, totalmente edificada, equipada e doada pela Central Geral do Dzimo PR-VIDA.Na foto esquerda, o Porto Seco Centro-Oeste, em Anpolis, cidade-bero do SENAI em Gois: marco entre o Estado essencialmente agrcola de outrora e o desenvolvimento de indstria dinmica, fortemente inserida no mercado global| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |81,3 milho de trabalhadores, nmero equivalente populao atual de Goinia, no cumprimento da misso institucional de promover a educao pro-fissional e tecnolgica, a inovao e a transferncia de tecnologias essenciais elevao da competitivi-dade da indstria brasileira. Na definio do professor Roberto Boclin, um dos maiores nomes da Associao Brasileira de Educao, no seu clssico Conversando sobre Educao, o SENAI um ente sagrado pela sua misso transcendental de formador da classe ope-rria, nos tempos da qualidade que vivemos. Para ele, o SENAI foi construdo com a fundamen-tao holstica de uma convico superior, com a dedicao sublime de bandeirantes do ensino profissional, cujos nomes tornaram-se legendas e exemplos para os que percorrem as oficinas e sa-las de aula, aquecidas do afeto de uma instituio sagrada pela dimenso social dos seus resultados. O renomado mestre considera ainda que pensar nessa instituio com a viso estreita de um encargo social desconhecer o desafio da forma-o de trabalhadores qualificados e da tcnica de alto nvel, capazes de possibilitar as condies de competitividade e qualidade de que a indstria contempornea necessita, alm da funo social do SENAI servindo de passarela entre os anseios de uma populao menos favorecida socialmente e o mundo do trabalho e da valorizao profissional. Durante a inaugurao da indstria Hyun-dai, em Anpolis, dia 23 de abril de 2007, o ento presidente Lula, dirigindo-se ao jovem Johnny Rodrigues Corra, ex-aluno do SENAI como ele e primeiro funcionrio contratado pela montado-ra, se disse orgulhoso de ter se formado torneiro mecnico pela instituio. No vim preparado para falar, mas o entusiasmo desse menino de 21 anos, formado pelo SENAI, me inspirou. Fiz meu primeiro discurso aos 27 anos, Johnny fez o seu hoje. Isso significa que ele tem seis anos na minha frente de possibilidade de vir a ser presidente da Repblica.O ano era 2007. Ex-aluno do SENAI e campeo olmpico em mecnica diesel, Johnny Corra (c) participa da inaugurao da Hyundai, em Anpolis, como primeiro contratado da indstria, ao lado do ento presidente Lula, igualmente ex-aluno da instituio, e de Carlos Alberto Oliveira Andrade, do Grupo CaoaNo vim preparado para falar, mas o entusiasmo desse menino de 21 anos, formado pelo SENAI, me inspirou. Fiz meu primeirodiscurso aos 27 anos, Johnny fez o seu hoje. Ele tem seis anos na minha frente de possibilidade de vir a ser presidente da Repblica.Luiz Incio Lula da Silva| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 9Democratizar a capacitaoViso semelhante do professor Roberto Boclin demonstrou a presidente Dilma Rousseff ao criar, em 2011, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Tcnico e Emprego (Pronatec), confian-do boa parte de sua realizao ao SENAI, com o compromisso de dobrar o nmero de vagas na edu-cao profissional, passando a 4 milhes de novas matrculas por ano at 2014. So objetivos principais do Pronatec expan-dir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de Educao Profissional e Tecnolgica (EPT) para a populao, por meio de uma srie de sub-programas, projetos e aes de assistncia tcnica e financeira que, juntos, oferecero 8 milhes de va-gas a brasileiros de diferentes perfis, nos prximos quatro anos, no intuito de proporcionar mais com-petitividade indstria, desenvolvimento ao Pas e qualidade de vida ao trabalhador. A mesma credibilidade verificada em dimen-so nacional proporcionou ao Regional de Gois receber, em outubro de 2011, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida de Goinia, total-mente edificada, equipada e doada pela Central Geral do Dzimo PR-VIDA. A instituio o es-colheu por reconhecer seus mritos em termos de cursos e programas de formao iniciada e cont-nua, educao profissional e tcnica de nvel mdio e realizao de outros eventos nessa rea, destina-dos a jovens e adultos, em atendimento s deman-das regionais. Tambm a Prefeitura de Aparecida de Goinia manifestou o mesmo entendimento, oferecendo a rea para sua construo. Em pronta resposta, a nova unidade do SENAI Gois j apresentou, em janeiro, as pri-meiras turmas de concluintes de cinco cursos, com 116 alunos, para um total de 2.700 vagas que oferecer em 2012. essa credibilidade que orgulha todos os di-rigentes, corpo docente e discente e colaboradores do SENAI Gois e consequentemente de todo o Sistema FIEG , multiplicando nossas responsabi-lidades e o compromisso de produzir cada vez mais e melhor.Governador Marconi Perillo, Paulo Afonso Ferreira, diretor secretrio da CNI, Pedro Alves, presidente da FIEG, e o instrutor Ivan Barros inauguram a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida de Goinia: credibilidade da educao profissional| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |10Trajetria como a dos 60 anos do SENAI em Gois 70 de Brasil no se resume a um marco histrico a ser festejado. Vale, sim, a come-morao, mas no s isso. Afinal, no se trata de uma histria linear, com comeo e fim. diga-mos assim, de forma figurada , um guarda-chuva que abriga vrias histrias, protagonizadas por di-ferentes personagens. Dos meninos de Anpolis e cidades vizinhas interessados em aprender um dos poucos ofcios oferecidos no incio da dcada de 50 disseminados por geraes que os tempos permitiram , a empresrios, colaboradores da in-dstria e empreendedores de diferentes reas, hoje integrantes de diversificada carteira de clientes dis-tribudos por todo o Estado. motivo de orgulho fazer parte e, assim, poder falar do SENAI, entusiasmo que contagia quem convive com a instituio, seus colaborado-res de ontem e de hoje, nossos antecessores, que so igualmente atores de belas histrias. Afinal, participaram muito mais do que de um trabalho; cumpriram uma misso, marcada, nessas seis d-cadas em Gois, por importante contribuio ao desenvolvimento socioeconmico de nossa gente. Isso est evidenciado nos nmeros da srie hist-rica da produo referente a apenas um de seus servios a educao profissional , com 1.321.106 matrculas nos 60 anos ou, em recorte menor, 123.511 matrculas realizadas em 2011, contra 32 me-nores aprendizes mantidos na forma de internato no distante 1952.Alm da misso institucionalUma atuao que ultrapassa as entrelinhas do que apregoa a misso institucional do SENAI, de Promover a educao profissional e tecnol-gica, a inovao e a transferncia de tecnolo-gias industriais, contribuindo para elevar a competitividade da indstria brasileira. Testemunha de boa parte dessa histria, PArCeIro dA INdstrIA e do trAbAlhAdor, desde 1952Acompanhar a evoluo da indstria, de forma sintonizada com seus processos, ampliando e diversificando os servios prestados, com verdadeira obsesso pela qualidade e eficincia das aes e rapidez nas respostas. Isso palavra de ordem no SENAI.Paulo Vargas, diretor regional do SENAI Gois| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 11acompanhamos inmeros exemplos de uma ao que, paralelamente aos diversos servios indutores do crescimento do setor produtivo, deve ser con-siderada forjadora de homens bons. a educao profissional para o trabalho e para a vida. As histrias so contadas ao longo deste livro comemorativo do 60 aniversrio do SENAI Gois, com o sabor permita-nos o leitor do jornalismo literrio de Deire Assis, em coautoria com Dehovan Lima. Histrias de vida, de gente que acreditou nos valores da instituio e, em mui-tos casos, transferiu de pai para filho, desde 1952, o aprendizado que assegurou o ingresso no mundo do trabalho, conduziu negcios prprios, geradores de emprego e renda. Em seis dcadas, o mundo muito mudou, os processos produtivos sofreram verdadeira revo-luo, a competitividade se acentuou. Profisses foram extintas, muitas outras surgiram. A inovao tecnolgica impera. Como propala aquela propa-ganda de xampu, quanta diferena! Na vanguarda, o SENAI, que um dia formou profissionais como latoeiro funileiro (*), aquilatador (**), carpinteiro, marceneiro e pedreiro, hoje prepa-ra o tcnico em manuteno de aeronaves, em a-car e lcool, em manuteno automotiva e indus-trial, em mecatrnica, em minerao, alimentos, mecnica de usinagem, telecomunicaes, logsti-ca, o operador de mquinas pesadas. Em seus di-versos cursos, ensina informtica, ingls, contedos de cidadania e meio ambiente, higiene industrial, segurana do trabalho, empreendedorismo, legis-lao trabalhista, etc. So as chamadas competn-cias transversais, capazes de proporcionar, alm da formao tcnica especfica, uma preparao mais geral, humanista, cientfica e tecnolgica. Ensino superiorEm outro patamar, foi caminho natural a in-curso do SENAI no ensino superior, para oferecer ao mundo do trabalho profissionais com formao focada nas reais necessidades da indstria os tec-nlogos em anlise e desenvolvimento de sistemas, rede de computadores, processos qumicos, fr-maco-qumico industrial e automao industrial. Igualmente, as diversas especializaes lato sensu completam o atendimento ao setor produtivo.Acompanhar a evoluo da indstria, de for-ma sintonizada com seus processos, ampliando e Latoeiro funileiro, profisso ensinada no passado pelo SENAI. Em seis dcadas, os processos produtivos sofreram verdadeira revoluo, profisses foram extintas, muitas outras surgiram| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |12diversificando os servios prestados, com verdadei-ra obsesso pela qualidade e eficincia das aes e rapidez nas respostas. Isso palavra de ordem na instituio do Sistema FIEG e marcou mesmo sua atuao, sobretudo na segunda metade de sua trajetria histrica. Desde ento, o SENAI inten-sificou a abertura para o mercado, a aproximao com as empresas, seja de micro, pequeno, mdio e grande porte, articulando parcerias, ouvindo a opinio de seus clientes-alvo as empresas, que investem, assumem riscos e geram riquezas; as li-deranas representativas, os sindicatos patronais e laborais , em busca de subsdios capazes de orien-tar a criao e/ou extino de cursos e outras aes, ampliao, reforma e modernizao de oficinas, laboratrios e demais ambientes de ensino.Destaque parte, foi e decisiva a participa-o do Departamento Nacional do SENAI, inva-riavelmente receptivo aos pleitos do Regional de Gois para ampliao e modernizao da infraes-trutura colocada disposio das indstrias. Tam-bm fundamental o papel do Conselho Regio-nal, rgo de carter normativo, cujos integrantes no medem esforos no sentido de colaborar com a administrao, ao oferecer subsdios atuao global da instituio, dando sugestes, orientaes e opinies valorosas. Afinal, so eles conhecedores da realidade socioeconmica de Gois, na condi-o de empresrios, profissionais liberais, diretores de instituies, que representam a iniciativa priva-da e rgos de governo.E em meio ao acelerado desenvolvimento da indstria goiana, cuja taxa de crescimento sem-pre supera a mdia nacional e hoje assegura parti-cipao de 26% no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que o SENAI atua para cumprir seu papel dentro do projeto da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) que igualmente co-memora, em 2012, seis dcadas de existncia , de apoiar e estimular o desenvolvimento do segmento produtivo goiano. Para tanto, o SENAI se expande e se aperfeioa para suprir as demandas de um par-que industrial cada vez mais diversificado e descen-tralizado, presente em diferentes pontos do Estado da indstria automotiva em Anpolis e Catalo atividade mineradora no Norte, passando pelo segmento sucroalcooleiro em diversos municpios, pela indstria de alimentos e farmoqumica. Especificamente na ltima dcada, ocorre-ram ampliao e diversificao significativas dos atendimentos do SENAI Gois s demandas onde o processo industrial se verifica, a partir de uma rede que cobre os principais polos de desenvolvimento do Estado Regio Metropolitana de Goinia, Centro Goiano (Eixo BR-153), Sudoeste, Sudeste, Sul, Norte, Entorno do Distrito Federal. Alm da multiplicao das unidades fixas, boa parte delas integradas com o SESI, a expanso potencializa-da com aes flexveis em espaos ou instalaes de clientes e parceiros e por meio de unidades m-veis. A Educao a Distncia (EaD) amplia e facili-ta o acesso qualificao profissional. Os Arranjos Produtivos Locais (APLs), confiados ao SENAI pelo Ministrio da Integrao Nacional, mudam a cara de muitas cidades, sobretudo no Entorno de Braslia, ao consolidar vocaes empreendedoras.As parcerias com empresas e rgos pblicos em mbito municipal, estadual e federal, estratgia de comprovada eficincia, esticam o raio de atu-ao e so responsveis, mesmo, pela ampliao da rede de ensino. No por acaso, comeou assim nossa histria em Minau, Catalo, Itumbiara, Rio Verde, Mineiros, Quirinpolis, Niquelndia, Barro Alto, Luzinia, Formosa, Jaragu, Trindade, rea de usinagem, alvo de constantes investimentos do SENAI visando modernizao| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 13Goiansia, Trindade, Santa Helena, Aparecida de Goinia. So as parcerias, afinal, decisivas dentro da engenharia feita pelo SENAI para potenciali-zar os recursos alm da contribuio compulsria, agregar recursos humanos do quadro de colabora-dores das empresas em reas nas quais a instituio no dispe de gente especializada, bem como at mesmo utilizar instalaes dos clientes. E, assim, vamos fincando bandeiras de azul e verde cores das marcas das instituies do Siste-ma FIEG em um bom pedao do mapa do Es-tado de Gois. Em 2011, ltimo resultado quantifi-cado, o SENAI marcou presena em 117 dos 246 municpios goianos.So esses e outros nmeros expressivos, que credenciam a instituio a reiterar o compromisso com o futuro, de continuar seu trabalho, aberta ao entendimento, negociao, enfim, tornando-se indispensvel para a indstria goiana e para quem deseja aprender uma profisso e nela fazer sucesso. Que venham os prximos 60 anos. (*) Latoeiro funileiro Indivduo que trabalha em lata ou lato; funileiro; vendedor de artigos de folha-de-flandres. (**) Aquilatador Aquele que aquilata, determina o qui-late ou o nmero de quilates de: aquilatar o ouro.Automao industrial, manuteno de aeronaves, acar e lcool: o SENAI est sempre na vanguarda dos processos produtivos, qualificando a mo de obra do futuro| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |14Ao enxergar aquele homem esguio, vindo cor-rendo em minha direo, na estreita viela de Anpolis, lembrei-me do dia em que nos falamos por telefone:- Seu Eurpedes, me diga o endereo de sua casa para que eu possa ir at a para conversarmos sobre o SENAI.- No... No precisa de endereo no. L do SENAI voc avista minha casa. um pulo! Fica do outro lado da avenida. Precisa ver que beleza! Uma bno!Eu vi. Vi Seu Eurpedes falar do SENAI como quem fala do pai amado de quem ele falou muito tambm quando me concedeu entrevista para este trabalho ; vi o professor Hlio Santana relatar as lembranas do tempo de aluno e a alegria que sentia quando o macaco usado na oficina mecnica ia ficando desbotado: era sinal de que ele ganhara experincia e conhecimento; vi Seu Jair perder o flego diante de tantas histrias para contar afinal, a instituio mudou sua vida e a de sua famlia inteira; vi o professor Edson passar, uma aps outra, as centenas de fotos reunidas por ele es-ses anos todos a fotografia e o SENAI so duas de suas paixes.Ao ser convidada por Paulo Vargas para reali-zar este trabalho, nem de longe poderia imaginar o que encontraria pela frente. Mas bastaram poucos passos nessa estrada sexagenria para entender seu pedido. Deveria ser, este, um registro diferente, em que a histria do SENAI pudesse ser contada alm dos nmeros. Por isso, um livro.No se trata, portanto, de um relatrio de ati-vidades, de um balano da indstria. Longe disso! Este trabalho se prope a contar parte da histria construda pelo SENAI de Gois em 60 anos de existncia, a partir do relato de gente que viveu e vive esta instituio forjadora de homens bons, como bem define o diretor regional, Paulo Vargas. Afinal, ao SENAI cabe formar homens para o tra-balho. Mas alm disso: cabe a formao de homens para o exerccio da cidadania.Deire Assis, jornalistaPor que um lIvro? direita, seu Eurpedes, na antiga oficina da Travessa Alarco: O SENAI o melhor parceiro que um trabahador pode ter. | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 15| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |16E foi o que encontrei pelo caminho. Surpre-endi-me ao conhecer um SENAI que muito mais que um Servio Nacional de Aprendizagem Industrial. O SENAI garantiu que mais de 1,3 mi-lho de pessoas aprendessem uma profisso nes-ses 60 anos de histria em Gois. Mas foi alm. Plantou nessas pessoas o sentimento de que suas trajetrias de vida podem ser alteradas para me-lhor e por elas prprias, pela fora de seu trabalho. A elas cabe seu futuro.Ao concluir a tarefa que me foi proposta, sin-to-me honrada por ter me aproximado desse uni-verso. Senti vontade de tambm ter estudado no SENAI, de ter frequentado suas escolas, oficinas e seus laboratrios. E olha: h mesmo muito o que celebrar nesses 60 anos. Uma instituio que for-ma homens como Seu Eurpedes merece muitos parabns nesta data.- O SENAI o melhor parceiro que um traba-lhador pode ter. mesmo, Seu Eurpedes.E como pode, o senhor, nos pregar essa pea, Seu Eurpedes? Ir sem ver um pedacinho dessa histria assim, perenizada? Mas v l: perene mesmo o que o senhor aprendeu e ensinou que-les que tiveram a honra de conviver contigo ou, ao menos, o privilgio de estar em sua companhia. V com Deus, Seu Eurpedes (*).(*) Eurpedes Alarco faleceu no dia 12 de fevereiro de 2012, sem ver pronto este trabalho que relata parte de sua his-tria, contada um pouco antes por ele mesmo.Jovens aprendem ofcio de marcenaria, um dos primeiros oferecidos pela antiga Escola SENAI GO 1, no incio da dcada de 50Eurpedes Alarco, aluno da segunda turma do SENAI em Gois: morte silencia memria de muitas histrias da instituio. | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 17umA hIstrIA de muItos PersoNAgeNsNo tenho a idade do SENAI, como alguns personagens deste livro, mas gozo do privilgio de ter acompanhado e, assim, poder ajudar a resgatar quase metade dessa histria sexagenria, como muitos outros tambm o fizeram, boa parte no anonimato, porm cada um com sua parcela de contribuio. Gente como Pedro Brasil, Welington Vieira, Jos Eduardo de Andrade Neto, Antnio Pinheiro, Snia Rezende, Geuza Ldia, Jos Gonzaga Ribeiro, Walmir Telles, Maria de Ftima Teles, Mrcio Rezende, Ciro Lisita, Onion Carrijo, Orlando Dias Costa, Antnio Pereira, Sandra Maria Moreira de Souza, Lzaro Bernardes, Paulo Galeno Paranhos, Oltair Rosa Guimares, Ferdinando Beghelli, Nathan Incio de Freitas, Edson Rodrigues, Ireny Utino Taniguchi, Javier Godinho, Jacir Silva, Paulo Mamede, Antnio Duarte Teodoro, Tegenes Azevedo, Carlos Henrique Pereira. Muitos continuam a escrever a histria da instituio, outros buscaram projetos diferentes.Uma histria de sucesso, como o leitor com-provar, de aprendizado, de realizaes pessoais, de profissionais a empreendedores. frente dos caminhos seguros percorridos, pessoas admirveis, como Paulo Vargas, Jeov de Paula Rezende, Aqui-no Porto, Venerando de Freitas Borges, Paulo Afon-so Ferreira, Pedro Alves de Oliveira, Joo Francisco da Silva Mendes, Manoel Pereira da Costa.Sou do tempo em que o SENAI era s SENAI da poca da engrenagem e da chamin que por tantos anos caracterizaram sua identidade , sempre eficiente, todavia hoje com atuao mais abrangente, flexvel, customizada. No havia o Sis-tema FIEG, essa estrutura magnfica, simbiose do atendimento prestado indstria e ao trabalhador, integrada pela prpria FIEG, pelo SENAI, SESI, IEL e ICQ Brasil.Nas ltimas trs dcadas, o mundo assistiu ao surgimento de grandes invenes entre as maio-res delas, a internet, os computadores PC/laptop, o telefone celular, o e-mail. A indstria brasileira, nesse perodo, experimentou acelerado crescimen-to e avano tecnolgico, em que o setor produtivo de Gois contribuiu quantitativa e qualitativamen-te, com a consolidao de uma indstria moderna e competitiva. Nesse contexto, o SENAI Gois sempre buscou atuar na vanguarda, com especial ateno s inovaes tecnolgicas, ao expandir velozmente sua rede de ensino no Estado, puxada Dehovan Lima, jornalista, editor de publicaes no Sistema FIEGLogotipo antigo do SENAI, caracterizado pela engrenagem e a chamin, e o atual: evoluo| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |18pela interiorizao das atividades econmicas.Quando ingressei no SENAI, em 1984, a ins-tituio tinha atuao limitada praticamente ao eixo Goinia-Anpolis, Regio Sudoeste; Gurupi e Araguana (no hoje Estado do Tocantins), com poucas unidades fixas, e atendia a outras regies do territrio goiano por meio de unidades mveis. Para falar em Araguana, usvamos comunicao via rdio, meio mais barato sempre lembrado pelo saudoso Professor Mariano, ento diretor do CFP da cidade tocantinense.Embora em papel coadjuvante, ajudei a inau-gurar boa parte das escolas do SENAI espalhadas no Estado ou, pelo menos, a fixar placas para serem descerradas ou, ainda, a redigir o texto de algumas, orgulhosamente. A primeira delas em Minau, Norte goiano, em 1988, quando a instituio as-sumiu o ento Centro de Formao Profissional instalado e equipado pela SAMA. No mesmo ano, nasceram o CFP Catalo e um ncleo de costura em Trindade, seguindo-se, em 1989, a abertura de outro ncleo de costura, em Jaragu. Na dcada de 90, foi a vez de Itumbiara e de Rio Verde. De l para c, o SENAI potencializou a expanso, chegando, juntamente com o SESI e em parceria com a iniciativa privada e o poder pblico, a Niquelndia, Barro Alto, Luzinia, Formosa, Quirinpolis, Mineiros, Aparecida de Goinia, Senador Canedo. Boa parte da histria est contada, desde 1983, no antigo Informativo SENAI, que circu-lou ininterruptamente at 2003, quando foi subs-titudo pela revista Futuro Profissional, ambas publicaes editadas com participao da jorna-lista Andelaide Pereira.Em 2004, surgiu a chamada integrao, nome dado ao compartilhamento das atividades do Sistema FIEG. Inicialmente, em meio a apre-enso natural que toda mudana provoca, pens-vamos mesmo que seria uma pedra no caminho, como misturar gua e leo. Mas a aposta deu certo e, o que melhor, fruto do esforo, do des-prendimento dos colaboradores de cada uma das cinco instituies, as quais se fortaleceram e hoje so referncias para a sociedade em suas respecti-vas reas de atuao.Em resumo, esta a histria ou, ao menos, recorte dela.o Luneta, no incio da dcada de 70, Senai informativo (1983-2003) e Futuro Profissional, a partir de 2004: registro da histria da instituio. direita, em 1988, o ento secretrio da Educao, Jnathas Silva (de terno), visita o CFP talo Bologna, acompanhado do diretor regional do SENAI, Paulo Vargas, e assessores| sumrIo |Educao e Trabalho, o pacto e o desafio 21O SENAI chega ao corao do Brasi 27 Anpolis sedia a primeira escola 28 Modelo paulista inspira Dom Emanuel 35 Os primeiros ofcios, aprendidos em rodzio 44 Jabuticabeiras como sombra 48 Internato acolhia meninos pobres 50 Pe no SENAI que vira gente 51 Psiclogo, padre, pai, me e professor. Tudo ao mesmo tempo 53 Mudar sempre, desafio da escola 54 Famlia Braz: pai, filho e neto, todos profissionais do SENAI 56 Dos aprendizes aos tecnlogos 59 SENAI Roberto Mange de Ary Azevedo a Francisco Carlos 64 Anpolis, antes e depois do SENAI 70 Dom Emanuel, um arcebispo pela Educao 76 Roberto Mange, o suo que revolucionou a educao profissional 77 Nos passos do av, Roberto Mange 79Somando conhecimento 83 SENAI Gois vai aonde a indstria est 84 Descentralizao rumo ao interior 86 Por dentro da rede SENAI Gois 88A caminhada: ontem, hoje, amanh 139. Antigas oficinas, modernos laboratrios 141. Integrao SESI e SENAI, modelo arrojado e exemplar 146O SENAI por quem fez SENAI 149 Pisei esse cho antes mesmo dele se tornar uma escola 150 Tenho uma identidade nova: sou o Hlio Santana do SENAI 153 O SENAI preencheu minha juventude com hbitos saudveis 156 Do SENAI, sa mais preparado para os desafios da vida 157 No SENAI, aprendi a desenhar e fabricar peas, mas tambm a planejar e executar sonhos 158 O SENAI me deu viso mais ampla da sociedade 159 Johnny, antes e depois do SENAI 161 Kaic quer chegar l, tambm 163Nas mos deles 165 De Ary Azevedo a Paulo Vargas, os diretores do SENAI Gois 166Pioneiros e visionrios 179 Presidentes da FIEG, frente dos destinos do SENAI 180 Ferreira Pacheco e os primeiros passos pela industrializao 180 O legado de Aquino Porto 181 Paulo Afonso Ferreira, empreendedorismo e modernizao 182 Pedro Alves de Oliveira, foco na expanso da rede de ensino 183Comemoraes unem passado e presente 185 Anpolis em festa, 60 anos depois 186 Bons exemplos 187 Formao profissional: alicerce do desenvolvimento socioeconmico 188 FIEG, 60 anos 192 Atuao reconhecida pela sociedade 194 Homenagens na Assembleia e na Cmara de Anpolis 196Crditos 201Fontes de informao 203Agradecimentos 204| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 21SENAI, 60 anos em Gois. Caminha no pre-sente com o olhar no futuro e respeito ao passado. Qualificar, habilitar, aperfeioar, especia-lizar, graduar e capacitar so aes que indicam a trajetria da educao profissional da instituio do Sistema FIEG em sua maturidade. Qualificar para o mundo do trabalho, habilitar para as novas tecnologias, aperfeioar para novas funes, espe-cializar em conhecimentos mais aprofundados, graduar tecnologicamente para exerccio profissio-nal de excelncia. Enfim, capacitar pessoas, formar cidados aptos para o enfrentamento do mundo do trabalho. Isso fazer histria.Nesses 60 anos, o SENAI comprometeu-se com a reduo das desigualdades sociais, articulou a qualificao com a educao bsica do SESI, apostou na formao e valorizao de quem faz educao profissional e galgou os trs patamares desse processo: o bsico aprendizagem industrial preparando o jovem para o ingresso no seu primei-ro emprego; o tcnico habilitao profissional em vrios segmentos demandados para o mundo do trabalho, como respostas oriundas do crescimento clere do Estado de Gois; e a graduao tecnol-gica, que atende ao crescimento do parque indus-trial goiano com as tecnologias oriundas da nova territorialidade das indstrias, que se voltam para o Centro do Pas. A articulao firme e forte do SENAI com o SESI, necessria diante do quadro crtico da educao brasileira, levou a uma parceria volta-da para a formao de tcnicos nas diversas reas carentes de mo de obra qualificada. Nessa pers-pectiva, houve o redimensionamento de concei-tos, tais como currculo, trabalho, competncia, ensino e aprendizagem. Avanou-se muito no atendimento aos princpios da flexibilidade das aes, na interdisciplinaridade de contedos, na contextualizao e no pluralismo de ideias e de concepes pedaggicas. A utopia esta l no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcanarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu no deixe de caminhar.Galiano, 2008.eduCAo e trAbAlho, o PACto e o desAfIoProfessor Manoel Pereira da Costa, diretor de Educao e Tecnologia do SENAI Gois| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |22Teoria e prtica foram associadas na apren-dizagem do aluno, diante da perspectiva de que o SENAI, conjuntamente com o SESI, precisa preparar os estudantes para executar trabalhos que ainda no existem, usar tecnologias ainda no inventadas, resolver problemas igualmente no identificados. Essa conscincia atende ao princpio constitucional da educao para a vida, para o ple-no exerccio da cidadania e para a qualificao para o trabalho. Na construo de competncia do tra-balhador do sculo 21, os requisitos do mundo do trabalho, pactuados com o mundo da educao, le-vam a educao profissional na formao de jovens para o saber ser (afetivo), saber fazer (psicomotor) e o saber agir (fazer pensando) e os saberes (cogniti-vo) conduzem ao conhecimento cientfico, tcnico e tecnolgico.Nessa caminhada, rumos possveis se abrem na busca de formar, de no apenas informar, de transpor a formao de contedos memorizados, de repensar a prtica pedaggica, de orientar-se para estratgias do dialgico e da mediao, de fo-car a aprendizagem e de levar o educando ao saber do pensar unindo teoria e prtica.Como se v, a histria do SENAI, em que pesem suas linhas de coerncia e harmonia, est longe de fechar-se nos limites de propostas tmidas e repetitivas. Nascido como um desafio, parece carregar a sina de suas origens, devendo sempre mudar para ir adiante; reconhecendo heranas em sua trajetria institucional para iniciar percursos e construir histrias de constante vir-a-ser. por isso que, em lugar de um ponto final, devemos procurar o presente, que onde esta histria, como todas as outras, deve comear... Como nos diz Guimares Rosa, (...) o real no est na sada e nem na chega-da, ele se dispe pra gente no meio da travessia.Articulao entre educao bsica e educao profissional une expertises do SENAI e do SESI para formar tcnicos em diversas reas carentes de mo de obraUm sistema em incessante evoluo Criado em 1942, por iniciativa do empresariado do setor industrial, o Senai o maior complexo de educao profissional e tecnolgica da amrica Latina, qualificando mais de 2,3 milhes de trabalhadores brasileiros a cada ano. Tambm apoia empresas em 28 reas industriais, por meio da formao de recursos humanos e da prestao de servios tcnicos e tecnolgicos, como consultoria e assistncia ao setor produtivo, laboratoriais, pesquisa aplicada e informao tecnolgica.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 23| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |24suCesso tem frmulAServe para toda competio: qualidade valorizada, seleo dos melhores, prtica obsessiva e persistncia. Quem aplicar essa receita ter os mesmos resultadosClaudio de Moura CastroDurante sculos, a Inglaterra dominou os mares e, dessa forma, muito mais do que os mares. Para isso tinha os melhores navios. E, para t-los, precisava de excelentes carpinteiros navais, capa-zes de dominar as tcnicas e criar, em madeira, estruturas extraordinariamente rgidas. Com a evoluo das chapas de ferro, os navios passaram a ter couraa metlica. Impossvel manter a superio-ridade sem caldeireiros e mecnicos competentes. Por isso, a Inglaterra investiu em mecnicos e cal-deireiros de primeira linha, continuando a dominar os mares. Uma potncia mundial no se viabiliza sem a potncia dos seus operrios.A Revoluo Industrial tardia da Alemanha foi alavancada pela criao do mais respeitado sis-tema de formao tcnica e vocacional do mundo. No por outra razo que enchemos a boca para falar da engenharia alem. Uns antes, outros de-pois, todos os pases industrializados montaram sistemas slidos e amplos de formao profissio-nal, fosse para construir locomotivas, avies ou naves espaciais.Assim como temos a Olimpada para com-parar os atletas de diferentes pases, existe a Olimpada do Conhecimento (World Skills In-ternational). Esta iniciativa das naes altamente industrializadas permite cotejar diversos sistemas de formao profissional. Os representantes de cada pas competem nos ofcios centenrios, como tornearia e marcenaria, mas tambm em desenho de websites ou robtica.Em 1982, um pas novato nesses misteres se atreveu a participar dessa Olimpada: o Brasil, por meio do SENAI. E l viu qual era o seu lugar, pois no ganhou uma s medalha. Mas em 1985 con-seguiu chegar ao 13 lugar. Em 2001 saltou para o sexto. Alis, permanece sendo o nico pas do Ter-ceiro Mundo a participar, entra ano e sai ano.Em 2007, tirou o segundo lugar. Em 2009, tirou o terceiro, competindo com 539 alunos, de sete Estados, em 44 ocupaes. isso mesmo, os graduados do SENAI, incluindo alunos de Alago-as, Gois e Rio Grande do Norte, conseguiram colocar o Brasil como o segundo e o terceiro me-| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 25lhores do mundo em formao profissional! No pouca porcaria para quem, faz meio sculo, im-portava banha de porco, pentes, palitos, sapatos e manteiga! E que, praticamente, no tinha centros de formao profissional.Deve haver um segredo para esse resultado que mais parece milagre, quando consideramos que o Brasil, no Programa Internacional de Ava-liao de Alunos (Pisa), comeou em ltimo lu-gar e, em anos subsequentes, continua entre os piores. Mas nem h milagres, nem tapeto. Trata--se de uma frmula simples, composta de quatro ingredientes.Em primeiro lugar, necessrio ter um siste-ma de formao profissional com a competncia e organizao necessrias para preparar milhes de alunos. Esse sistema precisa dispor de instrutores competentes e capazes de ensinar em padres de Primeiro Mundo. Para isso, precisam saber fazer e saber ensinar. Diplomas no interessam (quem sabe nossa educao acadmica teria alguma lio a tirar da?).Em segundo lugar, cumpre selecionar os me-lhores candidatos para a Olimpada. O princpio simples (mas a logstica diabolicamente comple-xa). Cada escola do SENAI faz um concurso, para escolher os vencedores em cada profisso. Esse time participa ento de uma competio no seu Estado. Por fim, os times estaduais participam de uma Olimpada nacional. Dali se pescam os que vo representar o Brasil. a meritocracia em ao.O processo no para a, em terceiro lugar, os vencedores mergulham em rduo perodo de pre-parao, por mais de um ano. Ficam inteiramente dedicados s tarefas de aperfeioar seus conheci-mentos da profisso. Para isso, so acompanhados pelos mais destacados instrutores do SENAI, em regime de tutoria individual.Em quarto, preciso insistir, dar tempo ao tempo. Para passar do ltimo lugar, em 1983, para o segundo, em 2007, transcorreram 22 anos. Portan-to, a persistncia essencial.Essa qudrupla frmula garantiu o avano progressivo do Brasil nesse certame no qual apenas cachorro grande entra e s os muito grandes con-seguem as melhores posies. Para comear, nada feito sem um timo sistema de centros de forma-o profissional. Os parmetros de qualidade so determinados pelas prticas industriais consagra-das, e no por elucubraes de professores. H que aceitar a ideia de peneirar sistematicamente, na busca dos melhores candidatos. a crena na me-ritocracia, muito contestada no ensino acadmico. Finalmente, preciso muito esforo, muito mes-mo. Para passar na frente de Alemanha e Sua, s suando a camisa. E acima de ludo, preciso no esquecer, no foi o ato heroico, mas a continuidade que trouxe a vitria.A frmula serve para toda competio: qua-lidade valorizada, seleo dos melhores, prtica obsessiva e persistncia. Quem aplicar essa receita ter os mesmos resultados.Assim como temos a Olimpada para comparar os atletas de diferentes pases, existe a Olimpada do Conhecimento (World Skills International). Esta iniciativa das naes altamenteindustrializadas permite cotejar diversos sistemas de formao profissional.Claudio de Moura Castro economista claudiodemouracastro@positivo.com.brArtigo publicado na revista Veja de 24 de fevereiro de 2010 http://veja.abril.com.brEx-aluno da Escola SENAI Itumbiara, Rafael Borges (ltimo, em p, direita) festeja com a delegao brasileira o 3 lugar no WorldSkills, no Canad, em 2009| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 27o sEnai ChEga ao Corao Do Brasil| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |28O filme em preto e branco. A tomada area mostra uma cidade horizontal, compacta, no corao do Brasil. Manh ensolarada, cerrado a perder de vista na margem direita do Ribeiro das Antas. domingo. espera da comitiva que viajara em dois avies que partiram de So Paulo (SP) e do Rio de Janeiro (RJ) rumo a Anpolis (GO), li-derada pelo visionrio engenheiro e educador suo Roberto Mange, h uma comunidade em festa. A escola recm-construda na confluncia do principal eixo virio da cidade tem seus belos e imponentes arcos da fachada adornados para o grande dia. Adolescentes uniformizados esto po-sicionados para a execuo do Hino Nacional. Est tudo pronto. O sonho de Dom Emanuel Gomes de Oliveira se tornara realidade e tem nome: Escola SENAI GO 1. 9 de maro de 1952. Quatro anos antes, em 1948, tivera incio a construo da primeira unidade do Servio Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) no Estado de Gois. Anpolis, municpio poca com pouco mais de 30 mil habi-tantes e um parque industrial com quase nenhuma projeo, dedicado s monoculturas, foi eleito para abrigar a escola graas ao empenho do ento arce-bispo metropolitano de Gois, Dom Emanuel Go-mes de Oliveira. O bispo, que recebera o ttulo de Arcebispo da Instruo, era conhecido por plantar escolas por onde passava. (1) E coube justamente instituio que representava, a Mitra Arquidiocesa-na Santana de Gois, a doao de mais da metade da rea do terreno onde a unidade foi erguida. Do total de 21,7 mil metros quadrados da rea ocupada pela nova escola, 12,2 mil metros quadrados foram doados pela instituio religiosa (veja quadro nas pginas 38 e 39). O restan-te foi adquirido pela ento 6 Delegacia Regional do SENAI de So Paulo qual era subordinado o territrio de Gois , comandada poca pelo engenheiro Roberto Mange, educador que deu nome primeira unidade da instituio instalada no Estado. Texto produzido por um dos ex-direto-9 de maro de 1952. Chega o grande dia. Jornais, como a Gazeta, de So Paulo, noticiam a instalao da Escola SENAI GO 1, que vive expectativa de receber comitivas de So Paulo e do Rio para a inaugurao oficial ( direita)ANPolIs sedIA A PrImeIrA esColA | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 29| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |30res da escola, Mrio de Oliveira, em novembro de 1967 ele dirigiu a unidade de 1966 a 1976 con-firma o plantio da semente pelas mos de Dom Emanuel. Desencorajado pelas autoridades do Distrito Salesiano de Gois, quando pleiteara a construo de mais um ginsio em Anpolis, o idealista Dom Emanuel teve a feliz ideia de expor seu problema a um apaixonado pelo ensino industrial, o saudoso professor Roberto Mange (...), diz o documento. E Roberto Mange o ouviu. Porque no h dvida de que Dom Emanuel Gomes de Oliveira teve participao decisiva na escolha de Anpolis para abrigar a primeira escola do SENAI no Estado. To-dos aqueles que se debruaram sobre a histria da instituio so unnimes em atribuir a ele a iniciati-va de buscar, na figura de Roberto Mange, o apoio de que precisava para trazer para Gois uma escola que pudesse ensinar um ofcio aos meninos pobres de Anpolis e municpios vizinhos. Instalada no incio da dcada de 50, a Escola SENAI GO 1 tinha originalmente fachada com imponentes arcos, encobertos por reforma nos anos 80, layout mantido at hoje pela atual Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto MangeNOTA - (1) MENEZES, Irm urea Cordeiro. Dom Emanuel Gomes de Oliveira Arcebispo da Instruo. Goinia: Agepel. 2001).| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 31| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |32Mecnico serralheiro e carpinteiro, dois dos primeiros ofcios oferecidos pelo SENAI para atender pequenas indstrias ento existentes em Gois na dcada de 50| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 33| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |34A chegada do SENAI a Anpolis, cuja importncia repercutiu em jornais da poca, atribuda ao entusiasmo de Dom Emanuel Gomes com a educao profissionalizante, cujas atividades o religioso acompanhava em escolas da instituio em So Paulo, onde os salesianos mantinham convnio para formao de jovens| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 35Dom Emanuel Gomes de Oliveira: Preito de Venerao e Reconhecimento da Arquidiocese de Goiaz pelo seu trabalhoNo livro Dom Emanuel Gomes de Oli-veira Arcebispo da Instruo (Agepel, 2001), em que a Irm urea Cordeiro de Menezes traa a vida e a obra de Dom Emanuel, h o relato de passagens que asseguram ser a chegada do SE-NAI em Gois fruto do entusiasmo deste religio-so com a educao profissionalizante. De acordo com a autora, quando vivia em So Paulo, o arce-bispo seguia de perto as atividades desenvolvidas na Escola do SENAI que funcionava no bairro do Bom Retiro, na capital paulista. O mesmo ocorria em Campinas (SP), onde os salesianos mantinham convnio com a instituio para a educao de jo-vens de So Paulo. Durante o dia, as unidades fun-cionavam como escolas catlicas. noite, se trans-formavam num celeiro de futuros trabalhadores, com oficinas do SENAI funcionando a topo vapor.Encantado com esse modelo de escola e cer-to de que Anpolis tinha tudo para se transformar num importante polo industrial no Estado, o ar-cebispo procurou o ento diretor da 6 Delegacia Regional do SENAI em So Paulo, engenheiro Roberto Mange de quem, segundo a autora, Dom Emanuel era amicssimo para propor-lhe a construo de uma unidade em Gois. Segundo afirma, Roberto Mange teria dito, no pronuncia-mento que fez durante a solenidade de abertura da nova escola: Esse discurso congratulatrio deve ser dirigido ao senhor arcebispo e no a mim, por-que foi ele que me procurou, tratando do assunto, e foi ele quem deu andamento a tudo, quando eu nem sabia da existncia dessa promissora cidade de Anpolis, diz a autora. (2) Dom Emanuel, que so-nhava com as escolas profissionalizantes, viu assim realizado mais um dos seus sonhos, completa.Notcias publicadas por jornais da poca suge-modelo paulista inspira dom emanuelNOTA - (2) Nossa pesquisa no identificou a fonte de onde a autora retirou trecho do discurso de Roberto Mange.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |36rem a importncia do acontecimento que marcou a inaugurao oficial da Escola SENAI GO 1, na manh do dia 9 de maro de 1952. O evento reu-niu, num s lugar, autoridades municipais, estadu-ais e federais, integrantes da Igreja e representantes do setor produtivo, sobretudo de Gois, So Paulo e do Rio de Janeiro. O jornal O Anpolis, de 13 de maro de 1952, informava a vinda cidade, para a solenidade, de uma caravana de So Paulo composta por 30 pessoas. Outras dezenas de au-toridades do Rio de Janeiro, segundo a publicao, tambm prestigiaram a festa preparada para aber-tura oficial da escola. frente do novo centro de formao profissional, famlias inteiras, de Anpo-lis e cidades vizinhas, compareceram ao evento.As cenas descritas na abertura desse trabalho integram um filme cuidadosamente guardado nos arquivos da antiga Escola SENAI GO 1 hoje Fa-culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange. o registro histrico daquela manh de maro, que mudaria os rumos da educao profissional no Estado de Gois. Entre as cenas, a chegada das autoridades, os discursos dos ilustres visitantes, a re-cepo preparada pelos alunos j matriculados no centro de formao, a visita s instalaes da esco-la. Nos semblantes de pais e mes daqueles jovens, sentimentos de gratido e esperana. Anpolis es-tava mesmo em festa.Os arquivos que integram o acervo histrico da unidade do conta de que estavam presentes quela solenidade, alm do engenheiro Roberto Mange, vrias outras autoridades da poca, como o ento vice-governador de Gois, Jonas Ferreira Duarte que representou no evento o ento gover-nador Pedro Ludovico Teixeira e o secretrio de Estado da Educao na poca, Jos Trindade da Fonseca e Silva; ento prefeitos de Goinia e An-polis, Venerando Freitas Borges e Scrates Mar-docheu Diniz, respectivamente; senadores Dario Cardoso e Domingos Velasco; deputados federais Euvaldo Lodi, ento presidente da Confederao Nacional da Indstria (CNI), Benedito Vaz, Joo Abreu, Plnio Caio e Uriel Alvim; ento diretor do Departamento Nacional do SENAI, Joaquim Fa-ria Ges Filho; religioso Jos Bellotti, que represen-tou o arcebispo de Gois, Dom Emanuel Gomes de Oliveira.Ainda segundo notcia publicada pelo jornal O Anpolis, fizeram uso da palavra, naquela manh, primeiramente, o ento diretor da 6 De-legacia Regional do SENAI de So Paulo, Roberto Mange, que teria falado sobre sua relao de ami-zade com o arcebispo de Gois, Dom Emanuel, e do apoio dos governos locais e da Igreja para con-cretizao daquele projeto, a construo da Escola SENAI GO 1.Integrantes do Lyons de Anpolis e So Paulo reunidos prestigiam a inaugurao da Escola SENAI GO 1| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 37Exatamente s 10h30, sob prolongada salva de palmas, usou da palavra o dr. Ro-berto Mange. O ilustrado professor e diretor do Departamento Regional da 6 Regio do SENAI iniciou a sua bela orao relem-brando a primeira visita que fizera a Gois e a emoo de que se achava possudo, pois era a ltima unidade da federao que lhe faltava conhecer. E maior foi a sua emoo quando, ao desembarcar em Goinia, estava a esper-lo S. Excia. Revma. Dom Emanuel Gomes de Oliveira, o querido Arcebispo de Gois. Isso em 1947. Em seguida (...) relatou os entendimentos que, com o apoio de Dom Emanuel, teve com o Governo do Estado e a Prefeitura de Anpolis. E adiantou que, em nenhum outro lugar do Brasil, o SENAI conseguiu dos poderes pblicos o que obteve em Gois (...). (3)Em seu discurso, o ento deputado federal, presidente da CNI e do Conselho Nacional do SENAI, Euvaldo Lodi, teria abordado a importn-cia de Anpolis no cenrio local e as realizaes da instituio nos seus primeiros dez anos de funda-o. Seria aquela unidade do SENAI, segundo ele, a 110 escola instalada no Pas.Momento histrico: Euvaldo Lodi, ento deputado federal e presidente da CNI, discursa em Anpolis ao entregar a 110 escola instalada pelo SENAI no Pas em seus primeiros dez anos de criao. Atrs dele, Roberto Mange e talo BolognaNOTA - (3) Trecho de notcia publicada no jornal O Anpolis, de 13 de maro de 1952. Arquivo Fatec SENAI Roberto Mange.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |38O terreno onde foi construda a Escola SENAI GO 11 Proprietrio anterior: odorico Silva Leorea: 3.588,91 m2Modalidade: aquisio2 Proprietrio anterior: Cia. Fabril e Comercial Ltda.rea: 5.888,18 m2Modalidade: aquisio3 Proprietrio anterior: Mitra arquidiocesana Santana de Goisrea: 12.280,74 m2Modalidade: doaorea total da FatEC sEnai roBErto mangE: 21.757,83 m2| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 39| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |40Vista area de Anpolis no incio da dcada de 50: em uma cidade pouco urbanizada, com cerca de 30 mil habitantes, nasce o SENAI em Gois| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 41| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |42| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 43Anpolis em duas pocas: imagens areas mostram acelerada urbananizao da cidade e a modificao na fachada da unidade pioneira do SENAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |44Joo Ferreira Filho, 14 anos; Harolo de Alcn-tara, 13 anos; Carlos Jos Pereira da Costa, 14 anos; Barbuse Pires Leal, 14 anos; Vilcio Ribeiro Furtado, 16 anos; Deusdeth Dias da Silva, 16 anos; Joaquim Jos de S, 13 anos; e Deusdeth Ribeiro Arajo, 14 anos. Esses oito jovens foram os primei-ros alunos matriculados na ento Escola SENAI GO 1, ainda em 1951. Regra geral nas escolas do SENAI pelo Brasil afora, a abertura dos portes para os jovens aprendizes ocorre sempre antes das cerimnias que marcam as inauguraes oficiais das unidades. Foi assim tambm em Anpolis. Em meados de 1951, portanto quase um ano antes daquela manh de maro de 1952, um grupo de meninos de Anpolis e de cidades vizinhas j co-meava a aprender uma profisso.A matrcula do aluno Joo Ferreira Filho, por exemplo, est registrada com data de 1 de junho de 1951. O menino, segundo sua ficha de inscrio no SENAI, natural de Luz (MG), morava em An-polis e matriculou-se no curso CP Curso Prepa-ratrio. Nessa modalidade, os futuros artfices pas-savam por todas as prticas de ensino disponveis para, s ento, escolher que profisso seguir.Quando iniciou suas atividades, a ento Esco-la SENAI GO 1 oferecia cursos de mecnico serra-lheiro, carpinteiro e pedreiro. A passagem por essas modalidades ocorria em forma de rodzio. E, alm de aprender a tcnica dessas profisses, os alunos tinham tambm aulas de portugus, matemtica e cincias. No primeiro semestre de funcionamento, foi bastante reduzido o nmero de alunos matricu-lados, sobretudo pela dificuldade que as famlias enfrentavam para enviar seus jovens para a educa-o profissional no centro de formao.Em 1952, a Escola SENAI GO 1 passou a ofe-recer 50 vagas no internato que entrou em funcio-namento nas dependncias da unidade. Com isso, avolumaram-se as inscries para os cursos ofere-cidos pela unidade. Ali, passaram a buscar forma-o meninos oriundos de cidades como Formosa, Catalo, Araguari, Goinia, Ipameri, So Miguel, Inhumas, Uberaba, Piracanjuba, Campo Formo-so, Capoeiro, Martinpolis, Gois, Niquelndia, Estrela do Sul, Petrolina e tantas outras. Chegavam s vezes de ps no cho, sem nada. Ali encontra-vam a possibilidade de um novo e promissor futuro.os primeiros ofcios, aprendidos em rodzioJoo Ferreira Filho, da primeira turma de alunos do SENAI, de 1951 (como mostra ficha de matrcula na pgina seguinte, ao alto), quase um ano antes da inaugurao oficial da unidadeAlvar de licena expedido pela Prefeitura de Anpolis para construo da unidade do SENAI, incluindo trs pavilhes escola, oficina e internato na Vila SantAna| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 45Jovens em aula prtica do curso de pedreiro do SENAI em 1958. Na poca, os futuros artfices passavam por todas as reas de ensino disponveis para, s ento, escolher que profisso seguir| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |46No final dos anos 60, antigas oficinas de mecnica de automveis (ao lado), eletricidade (abaixo), ferramentaria e marcenaria do Centro de Formao Profissional SENAI Roberto Mange| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 47| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |48Foi no quintal da casa da av, Joaquina Alarco, sob a sombra de duas ou trs jabuticabeiras, que o sonho de Seu Eurpedes se tornou realidade. Estava tudo certo. No tinha como dar errado. O SENAI o tinha ensinado uma profisso. O pai era empregado de uma marcenaria, reconhecido pelo trabalho de boa qualidade. Era hora de abrirem o prprio negcio.Eurpedes Monteiro Alarco, um homem de f desconcertante. Mais velho de seis irmos, filho de Joaquim e Bernardina, nasceu em Anpolis e viveu a vida inteira na mesma rua, a Travessa Alar-co, margem esquerda do Ribeiro das Antas, at sua morte, em fevereiro de 2012, pouco depois de contar boa parte sua vida para compor a histria dos 60 anos do SENAI Gois. Da porta de casa, avistava a fachada da escola, o que lhe enchia de orgulho. Para chegar at l, um pulo.E Seu Eurpedes chegou l. Tinha 14 anos, na poca. Sou da segunda turma. Filho e neto de carpinteiro, recebeu do pai, um ano antes, uma caixa de engraxates para ajudar nas despesas da casa. Mas sabia que podia mais e correu atrs de seu sonho. Eu disse em casa que queria estudar no SENAI e me matriculei. Terminei o curso de marceneiro em 1953 com apenas trs faltas.Com o diploma nas mos, o ento jovem Eu-rpedes convenceu o pai a deixar a firma onde tra-balhava para montarem a prpria oficina. E foi ali, no quintal da casa da av, sob a sombra das jabuti-cabeiras, que nasceu a Alarco Instalaes Comer-ciais Ltda. Quando chovia, tnhamos que correr com tudo para dentro de casa para no molhar.Com seis meses de trabalho, conseguiram construir um pequeno barraco de madeira. A no precisava mais sair correndo da chuva. Com-praram as primeiras mquinas. Em 1957, com Bra-slia em obras, a oficina comeou a contratar mo de obra para dar conta de tantas encomendas. Ex--alunos do SENAI, como Seu Eurpedes, tinham prioridade.Pelas mos dele e de seu pai nasceu a maioria das instalaes de mveis, armrios e balces de madeira das primeiras agncias bancrias insta-ladas em Braslia, Goinia e Anpolis na dcada de 1950. ramos procurados por tudo quanto era gente. Pela qualidade e pela pontualidade no servi-o. Honrvamos sempre nossos contratos e nunca recebemos uma reclamao sequer. Aprendi a tra-balhar assim com o meu pai e o SENAI.Jabuticabeiras como sombraAntiga oficina de marcenaria do CFP Roberto Mange, a escola de seu Eurpedes, onde ele foi aluno e instrutor| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 49Mesmo depois de muito tempo no mercado, Seu Eurpedes continuou contando com a ajuda de sua ex-escola. Foi sempre l que busquei solu-es para os problemas que enfrentvamos. Era a meus antigos mestres que eu recorria. Do alto dos seus 72 anos, o marceneiro lembrava-se de cada um deles, citando seus nomes, com olhar distante, como a lembrar de um passado saudoso.Seu Ary de Azevedo, que era diretor quando eu estudava l; Rui Rezende, o secretrio; Ananias, professor de matemtica; Seu Acari, professor de desenho, Joo Conceio, nosso professor de cin-cias; nosso querido professor Joca, de quem tenho muita saudade e meus mestres da marcenaria, os professores Domingos e Adalcides. Lembro de cada um deles em minhas oraes.O marceneiro da Travessa Alarco falava do SENAI como quem fala da prpria famlia. Devo muita gratido escola. O SENAI foi como uma bno de Deus na minha vida e de tantos outros jovens no s na minha poca, mas at hoje. Se me tornei o profissional e o pai de famlia que sou, devo muito a meus estudos no SENAI.E quanta coisa Seu Eurpedes aprendeu. Conscincia ambiental, hoje uma prtica difun-dida, o acompanha desde que foi buscar sua for-mao, na adolescncia. Todos os mveis de casa, desde o altar todo em madeira que fez para So Francisco, o santo da sua devoo, aos lustres de madeira espalhados pelo imvel, so fruto de re-aproveitamento. Lembro-me at hoje das lies dos nossos professores do SENAI, para que nada fosse desperdiado. Ensinamentos que pratiquei a minha vida inteira. Nos altares das igrejas, nas lojas comerciais, por toda parte, em Anpolis, tem um pouco do ofcio do marceneiro. Na velha oficina, Seu Eurpedes trabalhava ao lado do irmo caula, Ivan de Castro Alarco, de 56 anos, tambm ex-aluno do SENAI em An-polis. Ali esto desempenadeiras, desengrossadei-ras, serras circulares, aparadeiras, tupias e toda sorte de maquinrio necessrio ao seu ofcio. No fundo do barraco, a antiga bancada onde o pai Joaquim trabalhava continua no mesmo lugar. Ela nos deu o sustento de cada dia. Quando ele morreu, ns o velamos ali. No h um dia que no me lembro do meu pai, que tinha muito orgulho da formao que tive no SENAI.O marceneiro nunca deixou de frequentar a sua escola. Fez muitos amigos l. Sempre que po-dia, dava uma passadinha para rev-los. E chegou a ser instrutor em curso de marcenaria, no perodo no-turno. O homem precisa aprender sempre. Nunca pode achar que j sabe tudo. Eu estou aprendendo at hoje. E aprendo muito com o SENAI, o melhor parceiro que um trabalhador pode ter.Na memria desse homem simples de 72 anos, uma lembrana dos seus 14 anos, quando aluno da primeira escola do SENAI em Gois o faz sorrir. Quer ver como eu ainda me lembro do refro do hino da escola? Estudantes e cantoresDo SENAI, do SENAIAprendei ofciosSejais sempre alegresDim, dim, domDim, dim, dom.Eurpedes Alarco, filho e neto de marceneiro: exemplo| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |50Lembro-me de segurar suas mozinhas pe-quenas e atravessar com ele pela pinguela sobre o Ribeiro das Antas para chegar at a es-cola. A lembrana faz parte do ba de memrias do bancrio aposentado Ruy Sebastio Resende, de 79 anos. Mineiro de Estrela do Sul (MG), ele mudou-se ainda rapaz para Anpolis. To logo viu a notcia de que comeava a funcionar na cidade uma escola do SENAI, participou da primeira se-leo para contratao de funcionrios. Foi aprova-do e passou a trabalhar como secretrio da Escola SENAI GO 1, brao direito do primeiro diretor da unidade, Ary de Azevedo.Permaneceu na funo por cinco anos, at ser aprovado em um concurso do antigo Banespa. Era ele o responsvel por boa parte das atividades administrativas e operacionais da escola. Orgulha--se de dizer que fez grande amizade com o ento diretor Ary de Azevedo. Ele era muito criterioso e gostava de tudo certinho. Nada podia sair dos eixos, recorda.Pouco tempo depois de comear as atividades na escola, Ruy Resende viu chegar ao centro de formao um menino pobre, negro, muito jovem e sem famlia. Vivia em Inhumas e no tinha con-dies de manter-se em Anpolis durante o tempo que durasse o curso de mecnica. Sem vagas no internato, na poca, Ruy abriu a porta da prpria casa para abrigar o menino, Joo Ferreira de Sou-za. Ele ficou morando comigo at surgir uma vaga no internato. Se tornou como um filho para mim, conta o ex-secretrio. Formado em mecnica na escola SENAI de Anpolis, Joo Ferreira proprie-trio de uma grande oficina de automveis em So Paulo (SP).Ruy Resende diz que guarda muitas boas lembranas do tempo em que trabalhou no SE-NAI. Sempre me senti em casa l e at hoje tenho grandes amigos que fiz na escola ainda na poca da minha juventude. Gosta de se lembrar da rotina diria que tinha quando secretrio da escola, colo-cando tudo em ordem, como determinava o diretor. Era ele quem comandava as chaves da casa, orga-nizava os adolescentes na sala de aula e comandava o internato. Tambm atendia pais aflitos de cidades vizinhas e de municpios distantes tambm, pro-cura de uma vaga para seus filhos. Nossa alegria, no final, era saber que muitos daqueles meninos pobres j saam da escola contratados, diz.Internato acolhia meninos pobresRuy Sebastio Resende, hoje bancrio aposentado, participou da primeira seleo para contratao de funcionrios do SENAI Anpolis, onde foi secretrio. No ba de memrias, histrias dos meninos que viviam no internato| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 51Da casa do bispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira , que depois se transformou em museu de Anpolis, o ainda jovem professor de Desenho Tcnico da ento Escola SENAI GO 1, Acari dos Santos Dias, hoje com 80 anos, o escu-tava dizendo: At que enfim estou vendo a minha escola. L do alto de sua casa ele avistava a escola e dizia: Pe no SENAI que vira gente. E era mes-mo essa a esperana de tantas famlias que confia-vam seus filhos aos cuidados dos mestres da recm--inaugurada escola de ensino profissionalizante.Os meninos chegavam de tudo quanto era canto. O internato vivia lotado, com 50, 55 adoles-centes. Eles viviam aquilo ali, lembra Seu Acari. Vinham aprender uma profisso, mudar o destino de suas vidas e de suas famlias. O professor apo-sentado faz parte dessa histria. L nas lembranas de Seu Eurpedes Alarco, o marceneiro que mon-tou sua oficina sob as jabuticabeiras no quintal da casa da av, est a gratido pelos ensinamentos do ex-professor de Desenho Tcnico, Acari dos Santos.Ele nasceu em Corumbaba, mas formou--se na Escola Tcnica Federal do Rio de Janeiro. Mudou-se para Anpolis com 24 anos. A Escola SENAI GO 1 funcionava h dois anos quando foi admitido, via concurso, para lecionar na unidade. L permaneceu por 14 anos, quando abraou ou-tros projetos, tambm na educao. Foi professor de Ensino Mdio e aposentou-se como professor da Universidade Estadual de Gois (UEG), onde atuou por 25 anos. O SENAI abriu-me as portas quando eu era s um jovem professor, recorda.Segundo Seu Acari, Anpolis iniciava sua caminhada rumo industrializao e carecia de mo de obra especializada. E esse era o papel do SENAI: formar mo de obra capaz de atender a Acari dos Santos Dias e as lembranas dos tempos de professor de Desenho Tcnico do SENAI: Os meninos faziam seus estgios nas empresas e j eram contratadosPe no seNAI que vira gente| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |52uma demanda crescente da indstria. Os meni-nos faziam seus estgios nas empresas e j eram contratados, conta. Na sala de aula, professor Acari ensinava aos alunos de todas as reas espe-cializadas da escola como projetar seus trabalhos. Primeiro eles desenhavam. Depois, seguiam para as oficinas para colocar em prtica o que ti-nham projetado.Alm de professor de Desenho Tcnico, cou-be a Acari tomar conta do internato por cerca de um ano. Tinha hora para tudo. Era a chamada hora SENAI. Nem um minuto a mais, nenhum minuto a menos, brinca. Aos sbados, no entanto, recorda-se, a ordem dava lugar alegria. Professo-res, alunos e funcionrios se reuniam no campinho dentro da escola para uma partida de futebol depois das 13 horas, quando se encerrava o expediente.Ainda sobre a hora SENAI, Seu Acari se lembra de uma passagem curiosa. Aprovado em 1 lugar no concurso para professor, em 1955, pode escolher onde queria trabalhar. Optou pelo Departamento Regional de So Paulo. Um dia, marcou audincia com o ento diretor da unidade, engenheiro Roberto Mange, s 13 horas. Cheguei s 13h02 e ele no me atendeu porque eu estava atrasado. No dia seguinte, cheguei 15 minutos mais cedo e ele se atrasou. Humildemente, sentou-se minha frente e se desculpou, lembra. Desde en-to, ele sempre mandava me chamar: O professor l de Gois, dizia Roberto Mange.Nas lembranas de Seu Acari esto os anos todos que passou no SENAI e, sobretudo, a ami-zade que desenvolveu com o primeiro diretor da unidade, Ary de Azevedo. Era um cidado nte-gro, extraordinrio. Impunha respeito por onde passasse. Era admirado por todos. Naquela poca, conta, o diretor morava na prpria escola, numa casa construda nos fundos do centro de formao.Em 2002, Seu Acari se aposentou, guardando consigo os bons momentos de uma vida inteira de-dicada educao. Minha vocao sempre foi o magistrio. E foi no SENAI que ela se manifestou.A criaoCriado pelo decreto-lei 4.048, do ento presidente Getlio Vargas, o Senai surgiu para atender a uma necessidade premente: a formao de profissionais qualificados para a incipiente indstria de base. J na ocasio, estava claro que sem educao profissional no haveria desenvolvimento industrial para o Pas.Seu Acari acompanhou desde o comeo os passos do SENAI: Anpolis iniciava sua caminhada rumo industrializao e carecia de mo de obra especializada| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 53De Reinildo, ele passou a ser conhecido como Reinildo do SENAI, tamanha a dedicao instituio do professor Reinildo Gusmo Lopes, hoje com 54 anos. No final da dcada de 1980, ao concluir os cursos de Filosofia e Pedagogia na Pon-tifcia Universidade Catlica de Belo Horizonte (MG), o professor retornou a Anpolis, sua cidade natal. Era janeiro de 1981 e ele procurava emprego. Conheceu, na poca, o ento diretor do SENAI, Joo Francisco da Silva Mendes. No ano seguinte, ingressaria na instituio. Foram, ao todo, 17 anos de uma histria de amor juventude e ao que ela pode produzir.Nos primeiros anos como funcionrio do SENAI, Reinildo exercia a funo de orientador educacional. Em 1983, assumiu o cargo em pero-do integral, passando a dedicar-se exclusivamente escola. O SENAI passou a ser a minha primeira casa. A segunda era onde eu morava, brinca. Eu me sentia feliz demais com aquele trabalho. s ve-zes era angustiante. A gente tinha que ser meio psi-clogo, padre, pai, me e professor ao mesmo tem-po. Mas era muito gratificante ver aqueles meninos crescendo, aprendendo uma profisso, mudando o rumo de suas vidas, lembra.Os adolescentes das periferias pobres de An-polis e cidades vizinhas chegavam a p ou de bici-cleta, em sua maioria. Aquela era uma escola cen-tral, mas que atendia prioritariamente meninos dos bairros mais distantes. Ali, eles encontravam ensino de qualidade a custo zero. S compravam mesmo o macaco para trabalhar nas oficinas da escola, afirma. Saiam dali com uma profisso. E se no tinham concludo o ensino fundamental, tambm o faziam no SENAI.O esforo de Reinildo, muitas vezes, ultrapas-sava os muros da instituio. Alguns meninos, por dificuldades mltiplas, pensavam em desistir da escola. Fugiam, mesmo, literalmente. Muitos pais sequer sabiam que eles no estavam frequentando as aulas. Eu pegava o carro do SENAI e ia de casa em casa atrs deles e arrebanhava-os de volta. Re-virava todos os bairros pobres de Anpolis e cidades vizinhas atrs dos garotos. Muitos precisavam tra-balhar, ajudar no sustento de casa, o que compro-metia a permanncia na escola.Completamente envolvido com as atividades desenvolvidas na unidade do SENAI, o professor Reinildo preparava eventos, ensaiava peas teatrais, organizava tudo. Eu ficava at de madrugada na escola. No ia embora at deixar tudo pronto. E en-to fazamos apresentaes belas nas datas come-morativas da escola e da cidade, lembra.Sua ligao com o SENAI perdurou at 1998, quando precisou dedicar-se exclusivamente s au-las na Universidade Estadual de Gois (UEG). Foi uma das principais e mais marcantes experincias de vida que tive. No SENAI sentia meu trabalho valorizado e me sentia tambm feliz por ajudar a transformar a vida de tantos jovens e famlias po-bres da regio, diz. Eu sempre compartilhei da viso do SENAI, de transformar homens em cida-dos de direito. E desse modo, a escola mudou, para melhor, o destino de muita gente, inclusive o meu.Psiclogo, padre, pai, me e professor. tudo ao mesmo tempoReinildo Gusmo Lopes, orientador educacional do SENAI Anpolis durante 17 anos: Eu sempre compartilhei da viso do SENAI, de transformar homens em cidadosde direito. E desse modo, a escola mudou, para melhor, o destino de muita gente, inclusive o meu.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |54L se vo duas dcadas de vida junto ao SENAI. Ivan de Oliveira Barros filho de Formosa, mas viveu quase toda a vida em Anpolis, bero da escola fundada por Roberto Mange. Nasceu naquele mesmo ano, 1952. Aos 60 anos, o agora coordenador de Projetos da Faculdade de Tecnolo-gia Roberto Mange enumera as vrias das funes que j ocupou nesse tempo: foi instrutor, diretor de unidade, acompanhou a instalao de ncleos do SENAI em cidades do interior do Estado e inte-grou equipes tcnicas do Departamento Nacional. Minha realizao profissional seria improvvel, no fosse a presena dessa instituio na minha vida. Caminho para a fase final da minha carreira e tenho o orgulho de ser ainda til ao SENAI, diz.Ivan do tempo em que a Escola Roberto Mange era tambm o internato para onde iam me-ninos pobres do interior de Gois. Lembro-me de-les chegando a p e de uma infinidade de bicicletas estacionadas aqui no ptio. Tambm me lembro da garotada correndo de animais, at de cobra, quan-do se aproximavam das cercanias da escola ou a elas se dirigiam, recorda.Era 14 de abril de 1991 quando comeou suas atividades na unidade de Anpolis. Graduado em Cincias da Computao, dedicou seus saberes por onde passou e em todos os projetos que abra-ou no SENAI desde ento. A integridade moral e os exemplos de amor por aquilo que fazem trans-mitem aos que tm a oportunidade de conhecer o esprito senaiano alicerces para uma vida profissio-nal profcua e tranquila, cita Ivan.Ele, que acompanhou de perto as ltimas duas dcadas da histria escrita pelo SENAI de Anpolis, conhece bem o caminho percorrido desde aquele maro de 1952. Grandes mudanas ocorreram nesses 60 anos, desde quando ramos Centro de Formao Profissional at nos tornar-mos Faculdade de Tecnologia. O SENAI em An-polis sempre procurou estar atento s mudanas do seu tempo, acompanhando a evoluo do parque industrial da cidade. Prova disso, cita Ivan, que grandes empresas instaladas no Distrito Agroindustrial de Anpolis (Daia) tm entre seus colaboradores profissionais formados na Fatec Roberto Mange. Todos so exemplos concretos das mudanas ocorridas nesta escola, complementa.E aps tantos anos vendo essa escola crescer e se transformar, Ivan sabe dos desafios que ela tem pela frente. A transformao da Fatec em Instituto de Tecnologia trar grande desafio ao corpo do-cente, coordenadores, diretores, gerentes. Tenho certeza que, mais uma vez, a confiana deposita-da nesta equipe ser correspondida com aes de grande valor para o desenvolvimento da indstria goiana, acentua.mudar sempre, desafio da escolaIvan de Oliveira Barros: A transformao da Fatec em Instituto de Tecnologia trar grande desafio ao corpo docente, cordenadores, diretores, gerentes.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 55Dos CFPs aos Institutos de Tecnologiaa rede de ensino do Senai em Gois, que no incio era constituda dos antigos CFPs (Centros de Formao Profissional), ganha agora os institutos Senai de Tecnologia (iST), abrangendo as reas de alimentos, automao e qumica industrial, alm do instituto Senai de inovao, com foco em logstica. no mbito do Programa Senai de apoio Competitividade da indstria Brasileira, lanado dia 31 de maio de 2012, essas unidades sero aliadas das empresas no desenvolvimento integrado de produtos e processos, pesquisa aplicada, soluo de problemas complexos e antecipao de tendncias tecnolgicas. os institutos tambm formaro profissionais para gerar conhecimento e desenvolver tecnologias que atendam s demandas das indstrias.Com muita histria, a Fatec Roberto Mange vive expectativa de nova mudana: se transformar em Instituto SENAI de Tecnologia| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |56Sou inquieto, determinado. No paro. Na vida, fiz uma competio comigo mesmo: fazer sempre melhor. Jair Braz de Oliveira um homem inquieto, sim. E pe determinado nisso! Neto de marceneiro, filho de um motorista e de uma dona de casa, venceu a infncia pobre em Formosa e a falta de perspectiva que batia sua porta. Aos 13, aprendeu uma profisso. Aos 40, prestou vestibular e no parou mais. O que Deus traz pra gente, no foge. No foge e agarra-se, ensina Jair, hoje com 74 anos.Era o pai de Jair Jos Braz , que entregava a madeira utilizada na obra que ergueu a Escola SENAI GO 1. Fazia as viagens diariamente de For-mosa a Anpolis. Um dia, na porta do prdio em construo, escutou do ento diretor, Ary de Aze-vedo: Aqui ser uma escola para se ensinar profis-so. Seu Jos lembrou logo do filho adolescente. Eu tinha feito at a 4 srie nessa poca e meu pai sabia que eu no gostava de estudar, admite, hoje.Era do que o menino precisava. Jair mudou--se para o internato da escola. Passava a semana em Anpolis e ia para a casa aos sbados e domingos. Ingressou primeiro no curso de marcenaria, se-guindo vocao do av marceneiro, mas no meio do caminho operou um torno pela primeira vez, descobrindo que tinha jeito mesmo era para a me-cnica. Eu era um matuto, um roceiro. Foi no SE-NAI que eu descobri o mundo dos estudos.Antes mesmo de se formar em mecnica, es-famlia braz: pai, filho e neto, todos profissionais do seNAIJair Braz, Edmo e Joo Victor: de pai para filho, desde 1951, histria de superao e forte relao com o SENAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 57tava empregado. Irmos Carpaneda era uma ofi-cina mecnica de fundio. Foi meu primeiro em-prego depois que peguei meu diploma no SENAI. Virei at capa no jornal l de Formosa, lembra. O pai faleceria dois anos mais tarde. Fiquei de conta da famlia. Mas as coisas no saram exatamente como planejara. Perdeu aquele emprego e, para manter tudo em ordem, passou a furar cisternas na cidade onde morava.At que um dia algum chegou pra mim e disse: Voc tem profisso! Logo veio a lembrana da infncia difcil e do empenho do pai para que es-tudasse no SENAI. Foi o suficiente para que fosse em busca de um emprego onde ele pudesse fazer o que aprendeu. Fui trabalhar na oficina do Joo Trancone. Assumi o torno e nunca mais deixei a profisso, conta.Mais tarde, recorda-se, voltou a encontrar o professor Ary de Azevedo na porta de sua antiga escola. Ele lembrou-se do ex-aluno e o chamou para ajudar na fabricao do material necessrio abertura da segunda escola do SENAI em Gois, o ento Centro de Formao Profissional talo Bo-logna, em Goinia hoje Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna. Passei a instrutor da escola. Junto com os alunos, fizemos toda a parte de metal para a obra do talo Bologna.Mas Jair precisava passar pela seleo oficial da escola. O SENAI, ento, realizou um concurso para contratar 18 professores. Passei em primeiro lugar em todas as reas, mas fui reprovado em ma-temtica. Ganhei seis meses para fazer as provas novamente. Estudei igual um condenado, mas pas-sei, sorri. Mas foi somente aps os 30 anos, aten-dendo a exigncia do SENAI, que Jair voltou para a escola. Fiz o curso de madureza em seis meses e entreguei meu diploma de segundo grau hoje, ensino mdio. Aos 39, prestou vestibular para Eco-nomia, aos 43 se formou. Aos 44, ingressou no cur-so de Pedagogia. Aps concluir, fez ps-graduao em Administrao.O SENAI percebia o empenho de Jair com os Jair Braz, na oficina de tornearia do SENAI no comeo da dcada de 50, e a ficha de matrcula no curso preparatrio, inicialmente em marcenaria| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |58estudos e com a prpria instituio. Assim, ele foi assumindo diversas funes. De instrutor em An-polis, passou a diretor da escola de Goinia. Diri-giu o centro de formao por uma dcada, entre 1981 e 1991, quando saiu para construir, montar e abrir as portas da escola do municpio de Itumbia-ra, no Sul do Estado.Morando na escolaComo era comum naquela poca, Jair ficou morando com a famlia numa casa nos fundos do prdio onde funcionava o Centro de Formao Profissional talo Bologna. Foi l que Edmo Braz de Oliveira, 36 anos, cresceu e foi l que, assim como o pai, tambm aprendeu uma profisso. No era fcil ser filho do dira diretor , mas eu me esforava, brinca. Edmo tinha 13 anos, assim como o pai, quando ingressou no curso de mec-nica da instituio.Aps trabalhar em uma torneadora em Goi-nia, atuou em outras reas. Ingressou no curso de Engenharia Mecnica e em 2004, quando j mo-ravam em Anpolis, convidou o pai para monta-rem o prprio negcio. Compraram as mquinas. Nascia a Torneadora J3. uma homenagem ao meu pai. Era o nome que ele usava na poca que fazia o transporte de madeira de Formosa para Anpolis, explica Jair.Paralelamente ao trabalho na empresa, o ex--aluno Jair continuou dando sua parcela de con-tribuio aos futuros profissionais. Nunca deixou de dar aulas no SENAI. No tenha dvida de que 90% dos profissionais da rea de usinagem na regio de Anpolis tiveram aulas com meu pai e aprenderam com ele a profisso, afirma Edmo. Ele tem uma didtica diferente para ensinar. Quem comea o curso, sempre termina.E quem acaba de comear o curso no SENAI o neto de Jair. Joo Victor Gomes Braz, 14 anos, segue os caminhos do pai e do av. Era meu desejo e tambm tem a influncia dos dois. Sei o que o SENAI representa para eles e sei que passar pela formao profissional vai me ajudar, tambm, assim como os ajudou, diz o adolescente, que cursa eletromecnica enquanto termina o ensino mdio numa unidade do SESI de Anpolis. Meu av tem uma histria de superao que eu admiro muito. E sei que muito disso ele deve ao SENAI, completa. Eu devo tudo ao SENAI. Quando que eu pensava em chegar a diretor de uma escola? Eu era um menino da roa. O SENAI me preparou para o trabalho, para a vida, diz Jair, com a simplicidade de quem se lembra de, no dia 9 de maro de 1952, ao lado dos pais Jos Braz e Gensia, ter sido cum-primentado com um aperto de mo por Roberto Mange, durante a inaugurao da pioneira escola da instituio em Gois.Aluno, instrutor e diretor no SENAI, Jair Braz se lembra com orgulho de ter cumprimentado Roberto Mange na inaugurao da escola pioneira| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 59Os arcos da fachada so os mesmos, mas a antiga Escola SENAI GO 1, no. A primei-ra unidade de formao profissional do SENAI no Estado mudou. Ao longo das ltimas dcadas, transformou-se, modernizou-se, acompanhou o desenvolvimento da regio em que est inserida, olhou para o futuro.A primeira grande mudana ocorreu em 1980, quando uma ampla reforma expandiu o espao f-sico, substituiu equipamentos e permitiu a implan-tao de novos laboratrios. Da estrutura original foram mantidos os arcos atrs de uma nova fa-chada inspirados nas escolas paulistas, destaca o atual diretor da unidade, Francisco Carlos Costa.No dia 31 de julho de 1980, a escola, reforma-da e ampliada, foi reinaugurada, coincidindo com os festejos do 79 aniversrio de Anpolis. Antes, no dia 25 de julho, a unidade recebeu a visita do ento ministro-chefe do Gabinete Civil da Presidncia da Repblica, Golbery do Couto e Silva, homem forte do ltimo governo militar, do general Joo Baptista Figueiredo. Era o SENAI se preparando, assim, para as necessidades de uma indstria em transformao nas reas de mecnica, eletrni-ca, qumica industrial, segurana do trabalho e telecomunicaes.Foi na dcada de 1990 que a ento Escola SENAI Roberto Mange, mais uma vez atenta s necessidades da indstria, iniciou nova fase ao ofe-recer vagas em cursos tcnicos nas reas em que j dos aprendizes aos tecnlogosMinistro-chefe da Casa Civil no governo do general Joo Figueiredo, Golbery do Couto e Silva visita a Escola SENAI Roberto Mange, recm-reformada, em 1980, acompanhado do ento prefeito de Anpolis, Wolney Martins (fotos ao lado e abaixo)| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |60A reinaugurao da Escola SENAI Roberto Mange, em 1980, reuniu autoridades e empresrios. Da estrutura original, foram mantidos os arcos atrs de uma nova fachada inspirados nas escolas paulistas| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 61Engenheiro Falco Bauer, do instituto do mesmo nome, de So Paulo, que orientou a reforma da Escola SENAI Roberto Mange, discursa em sua reabertura, em 31 de julho de 1980, coincidindo com o 79 aniversrio de AnpolisEnto presidente da FIEG, Jos Aquino Porto, entre Waldyr ODwyer, Jefferson Bueno e Venerando Freitas Borges, fala na mesma solenidade| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |62atuava, at ento, com aprendizagem, qualificao e aperfeioamento.Em 2004, graas a portaria do Ministrio da Educao, a antiga escola se transforma em Fa-culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, mantendo, paralelamente, o conceito tradicional de formao. A unidade, ento, passa a formar tec-nlogos em Qumica Frmaco-Industrial, suporte importante dado expanso significativa do polo de indstrias farmacuticas instaladas no Distrito Agroindustrial de Anpolis (Daia). Faculdade com conceito A, atestado pelo Ministrio da Educao. E como o futuro logo ali, se prepara, agora, para mais um passo: transformar-se em Instituto de Educao Tecnolgica SENAI Roberto Mange.Com a atual estrutura, a Fatec de Anpolis atende, com seus cursos e servios, populao que vive e trabalha em 49 municpios goianos, entre eles Abadinia de Gois, guas Lindas de Gois, Alexnia, Cabeceiras, Campo Limpo, Cidade Ocidental, Corumb de Gois, Formo-sa, Gameleira de Gois, Goianpolis, Jaragu, Luzinia, Novo Gama, Ouro Verde, Pirenpolis, Santo Antnio do Descoberto e Valparaso. Em 2011, o nmero de alunos concluintes da faculda-de chegou a 5,9 mil.A rea construda, de mais de 13 mil metros quadrados, constitui hoje em ambiente ideal para a qualidade de ensino a que se prope oferecer a Fatec SENAI Roberto Mange: auditrio para 200 pessoas; 15 laboratrios automao industrial, informtica, microbiologia, eletroeletrnica, ele-trnica de potncia, metrologia, pneumtica, de alimentos, de qumica, entre outros ; marcenaria; oficinas de eletroeletrnica, de mecnica automo-tiva, de solda eltrica e demais espaos.Alunos em atividades na rea de eletroeletrnica na hoje Fatec SENAI Roberto Mange: nova estrutura| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 63Transformada em Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange em 2004, antiga escola passa a formar tecnlogos em Qumica Frmaco Industrial, suporte expanso do polo de indstrias da reaNo centro de usinagem, os velhos tornos mecnicos ainda esto l, como a testemunhar os avanos experimentados pela escola pioneira. Mas ao lado deles, equipamentos de ponta, tornos ele-trnicos controlados numericamente, nos quais os trabalhadores se preparam para a jornada l fora. O antigo galpo, ao fundo do terreno, que por anos serviu de moradia para centenas de meninos vindos de vrias cidades, distritos, povoados da re-gio de Anpolis para aprender uma profisso no SENAI, agora abriga um espao para ensino de eletroeletrnica. Mas tambm passar por ampla reformulao a partir da transformao da Fatec em Instituto de Tecnologia.A escola promoveu o desenvolvimento de Anpolis, no s em seu entorno, mas em toda sua extenso. interessante perceber como o SENAI mexeu com esta regio. Os bairros a sua volta, o comrcio, os prdios pblicos... tudo veio depois do SENAI, frisa o diretor Francisco Carlos Costa.E a Fatec SENAI Roberto Mange, claro, est em festa. Afinal, os 60 anos da instituio em Goi-s, comemorados em 2012, coincidem com os 60 anos de fundao da unidade, pontap de uma longa trajetria. | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |64seNAI roberto mANge:de ArY AZevedo A frANCIsCo CArlosDesde que foi fundada, em 9 de maro de 1952, a ento Escola SENAI GO 1, hoje Faculdade de Tec-nologia (Fatec) SENAI Roberto Mange, foi administrada por cinco diretores: Ary Azevedo, Mrio de Oliveira, Joo Francisco da Silva Mendes, Jos Fernandes Sobrinho e Francisco Carlos Costa. Este captulo dedica-se a contar um pouco da trajetria desses homens, demonstrando como os caminhos de suas vidas cruzaram com o do SENAI.Difcil algum falar sobre a histria do SENAI sem se lembrar daquele que primeiro dirigiu a Es-cola SENAI GO 1, em Anpolis. Homem austero e profissional de primeira grandeza, o professor Ary Azevedo, nascido em Guanabara (RJ), em 1911, atendeu pedido pessoal de Euvaldo Lodi, ento diretor nacional do SENAI, para acompanhar a fi-nalizao das obras da unidade pioneira de Gois, abrir suas portas para a comunidade e administr--la por quase duas dcadas, de 1948 a 1966. Nessa poca, sua relao com o mundo do trabalho na indstria remontava ao final da dcada de 1920. Tinha 17 anos quando foi admitido, em ja-neiro de 1928, como aprendiz na seo de tornearia da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil impor-tante companhia ferroviria brasileira em Bauru (SP). Nessa condio, passou tambm pela seo de ajustagem da companhia, chegando a ajudante, trs anos mais tarde. Enquanto aprendia o ofcio de mecnico, durante o dia, matriculou-se, noite, em cursos tcnicos, como o de contabilidade.Mais velho, lecionava as disciplinas de Hist-ria e Geografia para alunos adolescentes, quando foi chamado para trabalhar nos escritrios da Estra-da de Ferro de Trs Lagoas (MT). Estava l quando a companhia viabilizou a fundao do Centro de Formao Profissional na regio. Houve eleio para escolha do diretor do centro. Aprovado pela maioria, o professor Ary Azevedo assumiu, perma-necendo no cargo at 1945. Trs anos depois, ao participar de uma reunio em So Paulo, recebeu o convite do diretor do SENAI, Euvaldo Lodi, para assumir a primeira escola da instituio em Gois, na cidade de Anpolis.O professor Ary Azevedo lembrou, em mate-rial escrito de prprio punho por ele, em 2002, por ocasio dos 50 anos da instituio em Gois, que a Escola SENAI GO 1 abriu as portas seis meses an-Ary Azevedo 1948-1966| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 65tes da inaugurao oficial. Quarenta alunos, entre internos e semi-internos, j estavam matriculados e estudando quando ocorreu a grande e oficial festa de abertura da escola em Anpolis. Em 1951, dei-xou Trs Lagoas e mudou-se definitivamente para Gois mais especificamente para Anpolis , com a famlia. frente da escola, permaneceu at 1966. Sua vida era o SENAI, dissera o ex-aluno e empres-rio de Anpolis Eurpedes Monteiro Alarco, de 72 anos. Lembro-me como se fosse hoje de ser rece-bido pelo professor Ary Azevedo na primeira visita que fiz escola, conta o capito WaldyrODwyer, de 95, tambm empresrio em Anpolis. ramos amigos. Meu irmo j estudava no SENAI. O pro-fessor Ary ento me convidou para fazer o concur-so para professor, recorda-se o ex-funcionrio da ento Escola SENAI GO 1 Acari dos Santos Dias, de 80 anos.Enquanto diretor do SENAI Roberto Mange, chegou a acumular a funo de delegado regional, quando o Departamento Regional (DR) foi funda-do em Gois, em 1958. E aps quase 20 anos em Anpolis, o professor Ary Azevedo mudou-se para Goinia, em setembro de 1966, para dirigir a se-gunda unidade do SENAI construda no Estado, o ento Centro de Formao Profissional talo Bo-logna, inaugurada oficialmente em 24 de maro de 1968. Tambm no texto manuscrito pelo professor, Ary Azevedo lembra que a escola j nasceu tendo em suas oficinas um dos mais modernos equipa-mentos para impresso, uma impressora off-set de ponta para os padres da poca.A histria do SENAI no Estado confunde--se com a prpria histria desse carioca de nasci-mento, mas que adotou Gois como sua primeira casa. Aqui sua famlia cresceu e aqui Ary Azevedo pde dar sua enorme contribuio para o desen-volvimento da indstria goiana, no que se refere formao da mo de obra qualificada para esse fim. Aposentou-se em 1979, deixando para trs um legado jamais esquecido.Ary Azevedo acompanhou as obras de construo da Escola SENAI GO 1 desde 1948, bem antes de sua abertura oficial, em 1952, e permaneceu frente dela at 1966| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |66O ex-seminarista e professor de clarinete Mrio de Oliveira nasceu em Ipameri (GO), mas ainda na juventude mudou-se para Anpolis, onde casou-se. Em casa administrava os dez filhos e, na Escola Roberto Mange, onde foi diretor, era tido como um paizo, conta um deles, Mrio de Oli-veira Filho, de 56 anos, instrutor de Segurana do Trabalho e Transporte Rodovirio na hoje Faculda-de de Tecnologia SENAI Roberto Mange.Meu pai era muito ponderado e extremamen-te humano. Estava pronto para atender a qualquer um que chegasse perto dele, sem distino, conta o filho. Tambm era muito dedicado ao trabalho. Viajou, estudou, aperfeioou-se. Quando era dire-tor, chegou a ficar quatro meses em Turim, na It-lia, fazendo um curso de aperfeioamento, afirma.Naquela poca, lembra Mrio de Oliveira Fi-lho, os diretores moravam em uma casa que ficava no mesmo terreno da unidade. A escola era a casa dele, a nossa casa. Era assim que ele se sentia e ns tambm, descreve. Mrio de Oliveira Filho apren-deu a amar o SENAI pelas mos do pai.Como ex-aluno, o hoje instrutor passou pelos cursos de torneiro mecnico, mecnica industrial, tcnico de segurana do trabalho, entre outros. Ao se formar como tcnico em segurana do trabalho, foi convidado pela ento coordenadoria de cursos, em 1987, para iniciar os trabalhos como instrutor no ramo e tambm na rea de transporte rodovirio, em Anpolis.Assim como o pai, Mrio de Oliveira Filho sente orgulho da histria que construiu no SENAI. Esta uma instituio de fato, na prtica, que tem a formao profissional e humana como objetivo central. O SENAI assume valores e filosofia con-dizentes com instituies de ensino profissional de pases desenvolvidos. Uma instituio que se preo-cupa com a melhoria constante da formao e do bem-estar da coletividade, observa. Em 1976, Mrio de Oliveira aposentou-se como diretor da Escola SENAI Roberto Mange, em Anpolis.mrio de oliveira 1966-1976A ideia e a defesaFoi to entusistica e ardorosa a argumentao do emrito educador (Arcebispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira), perante as indstrias e ao Departamento Nacional do SENAI, que os dirigentes nacionais do rgo no s concordaram em aceitar a ideia, em princpio de realizao inexequvel, como tambm, contrariamente a todos os princpios econmico-financeiros, tomaram a deliberao de destinar fundos das reservas destinadas s regies deficitrias, j existentes, para concederem os recursos pertinentes concretizao das aspiraes dos dois idealistas, Roberto Mange e Dom Emanuel.Mrio de Oliveira, ento diretor da Escola SENAI GO 1, em relatrio de 1967, em que descreve com paixo o que foram os esforos dos principais idealizadores da construo da unidade pioneira.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 67O professor Joo Francisco da Silva Mendes estava l, no ento Centro de Formao Profissio-nal Roberto Mange, quando ele completou a maio-ridade. Logo depois, em 1976, assumiria a direo da unidade, em sua primeira fase, que duraria at 1985, retornando, mais tarde, em 1997, permane-cendo at 2005. Aps cinco anos de sacerdcio, primeiro em Portugal e depois no Brasil, o professor enxergou no SENAI a mesma vocao da Igreja. Viu afinida-de entre a instituio religiosa e a instituio de en-sino, o que o fez buscar a segunda quando deixou a primeira. Ambas tm, segundo analisa, a misso de servir, de ajudar a juventude a caminhar.Joo Francisco deixou o sacerdcio no dia 10 de setembro de 1972. Dois dias depois, procurava o SENAI. Em 14 de setembro daquele ano assu-mia o cargo de orientador educacional da Escola Roberto Mange por intermdio do ento coorde-nador administrativo financeiro do Departamento Regional, Paulo Vargas. Recomeando, chegou a morar num dos quartos da escola. Em 1974/75, foi incumbido pelo ento diretor regional, Jeov de Paula Rezende, da misso de administrar o Centro de Formao Profissional Araguana, hoje Estado do Tocantins. Em 1976, ento, assume a direo do SENAI Roberto Mange. Foi sob sua gesto que a unidade cresceu, agigantou-se. Em 1980, comandou a am-pla reforma da unidade, realizada sob a orientao do Instituto Falco Bauer, de So Paulo. Lembra que, na obra, foram mantidos e preservados os ar-cos originais da construo a partir de ento atrs de uma nova fachada construda , uma marca das primeiras escolas do SENAI no Brasil, moderni-zando, por outro lado, as demais instalaes.Em 1985 abraa outra misso, a convite de Paulo Vargas, a de assumir a direo-tcnica do SENAI Gois-Tocantins, funo que ocupou at 1997, quando retorna direo da escola de Anpo-lis, que sob sua administrao, obtm certificao ISO 9000, conquista celebrada por ocasio dos 50 anos do SENAI em Gois, em 2002.A partir da segunda metade da dcada de 1970, coube ao SENAI de Anpolis intensificar os cursos tcnicos. At ento, a unidade se dedicava basicamente aos cursos de aprendizagem e aper-feioamento. Uma exigncia da prpria indstria, que se expandia, se diversificava, sobretudo aps a fundao do Distrito Agroindustrial de Anpolis (Daia), em 1977. Em 2004, no ano que antecedeu sua sada, a escola muda de status, tornando-se Fa-culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange.Aproveitando um programa de demisso vo-luntria da instituio e considerando que, naquela poca, j havia oferecido ao SENAI sua contri-buio como educador, Joo Francisco se desliga do Servio Nacional de Aprendizagem Industrial. Passou a atuar como consultor e prestando assis-tncia em algumas reas, quando solicitado. Mas no por muito tempo. Em 2009, mais uma vez atendendo ao chamado do amigo Paulo Vargas, assumiu a direo da Faculdade de Tecnologia SE-NAI de Desenvolvimento Gerencial (Fatesg), em Goinia, onde permanece. Como colaborador da instituio, visitou dez pases da Amrica Latina onde h rgos que tm o SENAI como modelo. Esteve tambm na Frana, Joo francisco da silva mendes 1 fase, 1976-1985 / 2 fase, 1997-2005| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |68O professor Jos Fernandes Sobrinho, de 67 anos, substituiu o professor Joo Francisco da Silva Mendes na direo do ento Centro de Formao Profissional Roberto Mange entre sua primeira e segunda gesto. Conta que em 1967, quando con-clua o ensino mdio, um professor do Colgio Estadual Jos Ludovico de Almeida, em Anpolis, que tambm dava aulas para os alunos do SENAI, sugeriu que ele fizesse a seleo para professor de matemtica na instituio. Naquela poca eu j lecionava a disciplina em cursos preparatrios para os exames de madureza espcie de curso para jovens e adultos , o que me incentivou a prestar o concurso, conta Jos Fernandes.At ento, alm das aulas de matemtica, tra-balhava numa ourivesaria que pertencia famlia. Mas a concorrncia com as indstrias de joias e bi-juterias era grande demais, o que me levou a buscar uma alternativa profissional. Tornei-me professor, relata. E, assim, o jovem Jos Fernandes se apro-xima do SENAI, instituio com quem manteria uma longa histria de afinidade, respeito e gratido.J na escola, fez carreira. Foi professor e co-ordenador-pedaggico; encarregado do setor de Treinamento e supervisor de Ensino no Departa-mento Regional; vice-diretor e diretor do Centro de Formao Profissional Roberto Mange. Para melhor desempenhar minhas funes, participei de muitas atividades. Era preciso conhecer a fundo a metodologia de ensino. Na qualidade de aluno, passei por cursos nas reas de mecnica e eletr-nica, por exemplo. Enquanto estive no SENAI, foram mais de 50 aes, incluindo seminrios e congressos, cita.Atuou como um facilitador dos convnios rea-lizados com demais instituies de ensino e com o setor produtivo de Anpolis, aproximando-se cada vez mais das indstrias que integravam o Daia, no sentido de atender s demandas apresentadas pelo setor. Dirigiu a escola Roberto Mange de 1 de novembro de 1985 a 30 de abril de 1997.Mora em Anpolis e trabalha atualmente como autnomo na elaborao de projetos de Engenharia. Possui licenciatura plena em Ma-temtica, Fsica e Desenho; ps-graduao em Matemtica; habilitao em Engenharia Civil e especializao em Engenharia de Segurana do Trabalho.Itlia e Alemanha, em misso tcnica, e no conti-nente africano em duas ocasies para auxiliar na implantao de escolas com papel similar ao do SENAI no Brasil.Ao conhecer, eu passei a amar o SENAI, seus valores, sua filosofia, sua vocao. Sou um educa-dor. E como educador, impossvel no admirar a linda histria dessa instituio, diz o professor Joo Francisco que, quase trs dcadas depois, continua dedicando a maior parte das horas do seu dia ao SENAI. Este servio foi criado pelos empresrios brasileiros tendo como base um conceito humanis-ta. Forma-se no s o trabalhador, mas o homem, sua conscincia, sua cidadania. Nesse esprito, eu at hoje me encanto com o SENAI. E saiba: se eu dei alguma coisa a ele, recebi muito mais.Jos fernandes sobrinho 1985-1997| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 69Os primeiros dias de 2012 foram de correria, mas tambm de muita satisfao na Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange. A unida-de precisava ficar bem bonita, no dia 9 de maro, pronta para celebrar os 60 anos do SENAI em Gois, que coincidem com os 60 anos da unidade pioneira da instituio no Estado. Sob a batuta do atual diretor, Francisco Carlos Costa, a Fatec Ro-berto Mange se preparou e encantou os visitantes, alunos, ex-alunos de outrora, empresrios e autori-dades, em meio a foguetrio, bolo de aniversrio e tapete vermelho.O professor Francisco nasceu em Leopoldo de Bulhes, mas h 50 anos Anpolis sua casa. E a primeira vez que teve a carteira assinada tinha 14 anos. Era menor aprendiz do SENAI e foi admitido na indstria txtil do municpio. Naquela poca, fiz todo o curso dentro da prpria empresa, lem-bra. At 1975 o rapaz, tido a qualificao profissio-nal no SENAI, permaneceu na mesma indstria.Passou, posteriormente, por vrias empresas. Foi auxiliar de pessoal e gerente de recrutamento de pessoal na Cebrasa, cervejaria administradora da Brahma, onde permaneceu por dez anos. De-pois, passou pela Onogs, onde atuou na mesma rea, e presidiu a Sociedade Goiana de Recursos Humanos. Quando estava na Cebrasa, Francisco era o responsvel, na empresa, pelos convnios fir-mados com o SENAI para o recrutamento de no-vos profissionais formados na escola.Em 1995, trabalhava no Grupo Coplaven, tambm em Anpolis, quando foi convidado pelo ento diretor da Escola SENAI Roberto Mange, Joo Francisco da Silva Mendes, para assumir na unidade a funo de agente de relaes com o mercado. Ele passaria, agora, para o outro lado dessa relao entre instituio de ensino e setor in-dustrial. De cliente do SENAI, passei para o outro lado do balco, exemplifica. Permaneceu nesta funo por dez anos e no deixaria mais o SENAI.Na unidade de Anpolis, aps assumir ou-tras funes, substituiu o professor Joo Francisco na direo geral, em 2006. Viu a Fatec SENAI Roberto Mange crescer e se expandir. um aprendizado todos os dias. Trabalhamos muito para atender s necessidades da indstria de hoje, formando profissionais com alto nvel de conheci-mento, afirma. Vivo essa realidade 24 horas do meu dia, acentua.Francisco Carlos Costa formado em Direi-to e cursa atualmente Pedagogia, encorajado, so-bretudo, pelo papel que exerce no SENAI. Possui ainda ps-graduao em Gesto em Educao e Gesto em Qualidade. Tem 57 anos.francisco Carlos Costa a partir de 2006| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |70O Ribeiro das Antas, s margens do qual nas-ceu o SENAI em Anpolis, serviu de guia para os antigos viajantes que aportaram na regio em busca do ouro. O curso dgua foi a referncia para o surgimento das primeiras propriedades ru-rais e, mais tarde, j na segunda metade do sculo 19, da Vila de Santana das Antas, uma homena-gem santa padroeira da futura cidade e ao velho riacho-guia. capela construda por um dos fundadores da antiga vila, Gomes de Sousa Ramos, juntaram--se outros moradores, atrados pela devoo Nossa Senhora de Santana. Consta de 1872 a redao de um documento pelo ento proco do lugar, o padre Francisco Incio da Luz, pedindo ao ento presiden-te da Provncia de Gois, Antero Ccero de Assis, a elevao do povoado a Freguesia de Santana. De acordo com registros histricos da poca, o docu-mento foi assinado pelo padre, por Gomes de Sousa Ramos e por 265 pessoas que j viviam no lugar. Em 1892, a Freguesia de Santana deu lugar vila. E na primeira dcada do sculo 20, em 1907, a Vila de Santana se torna a cidade de Anpolis.O posicionamento estratgico do novo aglo-merado urbano, para estudiosos, foi o que confe-riu a Anpolis a vocao que mais tarde se con-firmaria. Integrante do mais importante eixo de desenvolvimento na Regio Central do Brasil, o eixo Goinia-Braslia, e estando na confluncia de importantes vias de trfego rodovirio, Anpolis se tornou referncia para quem passava por aqui, indo e vindo de centros j desenvolvidos nos Estados de Minas Gerais e So Paulo, por exemplo.Com a extenso dos trilhos da estrada de ferro ANPolIs, ANtes e dePoIs do seNAIAntiga vista area de Anpolis, com destaque para a Rua General Joaquim Incio, uma das principais da cidade, cujo adensamento urbano se acelerou com a extenso dos trilhos da estrada de ferro (abaixo), em 1935. | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 71Celeiro de mecnicosO SENAI Roberto Mange foi um verdadeiro celeiro de mecnicos de motor a diesel. Ali se formaram os primeiros do Centro-Oeste.Waldyr ODwyer, empresrio, proprietrio da concessionria Anadiesel, de Anpolis, ao lembrar que buscou contribuir com a doao de novos equipamentos sempre que houvesse necessidade em funo da modernizao tecnolgica nos motores da Mercedes Benz.at Anpolis, em 1935, o adensamento da cidade se acelerou e as primeiras indstrias comearam a se instalar ali, sobretudo para dar conta das inme-ras demandas que surgiam com o crescimento do nmero de habitantes, construes e casas comer-ciais. Um processo que se acelerou ainda mais, na-turalmente, em decorrncia da construo da nova capital de Gois, Goinia, e, depois, Braslia. E foi mesmo a posio estratgica da cidade de An-polis a provocar o interesse da indstria. A Escola SENAI GO 1 nasce nesse contexto e d a quela nova indstria as condies necessrias s transfor-maes experimentadas.Quem conheceu de perto essa trajetria se emociona ao lembrar-se da Anpolis que existia antes da chegada do SENAI e no que a cidade se transformou a partir da dcada de 1950. Aquela escolazinha se tornou faculdade, formando tec-nlogos da mais alta qualidade para atender a um moderno polo industrial. At hoje, quando passo em frente quela velha fachada, que continua a mesma de quando a escola foi aberta, sinto um ar-repio de emoo os arcos da construo inicial foram mantidos, agora sob uma nova fachada im-plantada na reforma de 1980. Quem diz o em-presrio Waldyr ODwyer, de 95 anos, ex-capito do Exrcito.Com 50 anos vivendo em Anpolis, ele par-ticipou ativamente da vida do SENAI. De militar, passou a industrial. Construiu a primeira cmara frigorfica de Gois conta para transportar carne resfriada para outros Estados. Nessa poca, ainda vivia em Ipameri, mas estava quase diaria-mente em Anpolis, onde tambm tinha negcios, e lembra-se bem de quando a escola comeou a ser construda. Lembro-me tambm da chegada das primeiras mquinas, que vieram da regional de So Paulo.Aps algum tempo no ramo frigorfico, o empresrio fundou, em 1963, a Anadiesel, con-cessionria da Mercedes Benz em Anpolis, antes mesmo do surgimento do Distrito Agroindustrial de Anpolis (Daia), razo pela qual estreitou sua re-lao com os administradores do SENAI. Como sempre oferecemos servios aos nossos clientes, tnhamos interesse na formao de mecnicos. Comeava, ento, minha longa histria como par-ceiro do SENAI de Anpolis, diz.Foi o capito Waldyr como conheci-do quem doou ao ento Centro de Formao Profissional Roberto Mange o primeiro motor a diesel da unidade, bem como todo o maquinrio necessrio ao ensino da mecnica a diesel naquela unidade. Os alunos do SENAI faziam seu est-Fbrica de tecidos em Anpolis: posio estratgica da cidade, no centro do Pas, atrai indstrias e leva instalao do SENAI, no final da dcada de 40| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |72gio na Anadiesel. Os primeiros e melhores alunos tiveram emprego garantido na empresa, lembra.Assistir ofuncionamento do Distrito Agroin-dustrial de Gois em Anpolis, trazendo conside-rvel desenvolvimento para nossa cidade e para o Estado de Gois, foi um sonho realizado. E muito disso, devemos ao SENAI, reconhece. Sempre tive satisfao em ver que aquele trabalho, que no comeo era praticamente artesanal, se transfor-mou em um ensino com alto grau de tecnologia. O SENAI foi um propulsor da indstria, cresceu junto com ela, atendeu s suas necessidades, sem-pre. O desenvolvimento da indstria em Gois deve muito ao SENAI de Anpolis, afirma.Uma indstria que no representaria o que hoje, no fosse a instalao daquela unidade for-madora de mo de obra especializada, destaca ou-tro membro da comunidade, o comerciante Sultan Falluh, de 81 anos, 68 deles vivendo em Anpolis. Tinha 22 quando Roberto Mange esteve na cidade para inaugurar a escola do SENAI. Uma cidade, lembra, com poucas ruas asfaltadas e baixa cober-tura de saneamento. A notcia de que Anpolis ganharia uma escola daquele porte foi um aconte-cimento importantssimo para o desenvolvimento urbano da cidade, destaca.A famlia Falluh deixou o Rio de Janeiro para se estabelecer em Anpolis atrada por notcias, de outros parentes que vieram primeiro, de que o municpio era rico em cristais. Meu pai sempre foi do comrcio e precisava estar em locais onde se aglomeravam pessoas. O irmo dele tinha vindo primeiro. Ele veio em seguida, conta. Em Anpo-lis, abriram a Casa Seis Irmos, em aluso aos seis filhos do patriarca dos Falluh. A Anpolis caberia, ressalta o comerciante, construir Goinia e Bra-Doao de dois motores Mercedes Benz pela Anadiesel Escola SENAI Roberto Mange, em 1965, reuniu (da esquerda para a direita) o ento diretor regional, Gilson Alves de Souza, o diretor da unidade, Ary Azevedo, o presidente da FIEG, Antnio Ferreira Pacheco, Antnio Fbio Ribeiro, Hlio Naves, Waldyr ODwyer, entre outros| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 73slia. Era muita responsabilidade para uma cidade at ento carente at mesmo de escolas, analisa.Sultan Falluh era o ento presidente da Com-panhia Gois Industrial, bem como acumulava o cargo de secretrio de Indstria e Comrcio no governo goiano, na dcada de 1970, quando o Distrito Agroindustrial de Anpolis foi fundado. Em quatro anos, preparamos toda a infraestrutura necessria ao funcionamento do Daia e as primei-ras indstrias se instalaram. Minha relao com o SENAI, que j era bastante estreita em razo de eu pertencer Associao Comercial e Industrial de Anpolis, se fortificou, numa parceria muito valiosa, destaca.O comerciante lembra-se de interceder junto diretoria da escola para que fossem criados novos cursos, como foi o caso do curso de mecnica para motor a diesel quando a demanda para este tipo de servio cresceu na regio. Lembro de ver os motores chegarem escola, os professores e todo o maquinrio. Era o SENAI atendendo, como sem-pre fez, s necessidades da indstria local, aponta. O SENAI formou uma juventude de baixa renda, transformando-a em grandes homens, profissio-nais de qualidade. Quantos filhos de marceneiros, de mecnicos, no se tornaram empresrios, donos dos prprios negcios, graas ao SENAI!, diz.Foi esta instituio, para Falluh, a alavanca para o desenvolvimento da indstria, responsvel pela formao de boa parte da mo de obra espe-cializada neste setor. A prpria cidade, lembra o comerciante, se desenvolveu tambm a partir da escola. O limite da rea urbana de Anpolis era o Ribeiro das Antas e a estrada de ferro. Com a construo da Escola SENAI GO 1, a cidade se desenvolveu tambm em outra direo, tornando--se no que hoje. Foi somente aps a construo Alunos do SENAI Anpolis marcam presena em desfile da Proclamao da Repblica em 15 de novembro de 1954. No alto, o comerciante Sultan Falluh lembra a instalao da instituio na cidade: Um acontecimento importantssimo para o desenvolvimento urbano| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |74da escola que outras reas na regio foram tambm loteadas, formando, por exemplo, um dos mais im-portantes bairros de Anpolis, o Bairro Jundia.O SENAI uma fonte produtora de mo de obra especializada que tem ajudado esses anos to-dos no progresso e no desenvolvimento da Nao. No foi diferente com Gois. um trabalho que tem histria e que merece o reconhecimento de todos os brasileiros, acentua Wilson de Oliveira, presidente da Associao Comercial e Industrial de Anpolis (Acia). Para Oliveira, Anpolis nasceu com vocao econmica firmada, principalmente, na indstria. Destaca que, mesmo antes da implan-tao do Daia, em 1976, j havia surgido impor-tantes complexos produtivos na regio, sobretudo no campo da indstria mecnica e metalrgica e tambm na rea da construo civil e eletroeletr-nica. E o SENAI, desde o incio, tem sido o grande celeiro para a formao de trabalhadores qualifica-dos, que preenchem as carncias e necessidades das empresas locais e regionais, cita.De acordo com Wilson de Oliveira, ao mes-mo tempo em que os processos industriais avan-avam, o SENAI buscou tambm sua evoluo. Novos e importantes cursos foram surgindo para preencher as necessidades que vieram com o pro-cesso de modernizao da produo. E claro que o processo evolutivo no para. A cada momento, novas demandas surgem. At aqui, o SENAI cor-respondeu, plenamente, aos anseios empresariais do setor que atende.Presidente da FIEG Regional Anpolis (Federao das Indstrias do Estado de Gois), Ubiratan da Silva Lopes tambm destaca o papel fundamental que o SENAI representou ao longo dos anos visando acompanhar as vrias fases da industrializao de Anpolis e do Estado. A insti-tuio sempre buscou se adequar realidade eco-nmica da regio, que naturalmente viveu ciclos produtivos diversos ao longo das ltimas dcadas. Alguns desses ciclos importantes foram o da in-dstria cermica e arrozeira e, mais tarde, a partir da expanso do Daia, o dos segmentos farmoqu-mico e automotivo. E o SENAI acompanhou de perto essas mudanas, atendendo s novas neces-sidades do setor produtivo.Wilson de Oliveira, presidente da Acia, aponta evoluo constante do SENAI. A cada momento, novas demandas surgem. At aqui, o SENAI correspondeu, plenamente, aos anseios empresariais do setor que atende.Vista area recente de Anpolis, com a expanso do Daia para abrigar os segmentos farmoqumico e automotivo: mudanas acompanhadas de perto pelo SENAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 75Especificamente em Anpolis, Ubiratan da Silva Lopes cita dois exemplos que comprovam a importncia do SENAI para a consolidao do setor industrial. Segundo ele, a criao do curso superior de Tecnologia em Processos Qumicos, a partir da transformao da antiga escola em Fa-culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, atende a uma histrica demanda da forte inds-tria farmacutica instalada no Daia. O outro foi a parceria firmada entre a instituio e a montadora Caoa/Hyundai. A partir dela, trabalhadores sele-cionados pela empresa tiveram a formao aper-feioada, evitando, assim, a importao de mo de obra para trabalhar na indstria. Isso mais desenvolvimento para a regio.Em Anpolis, explica Ubiratan da Silva Lo-pes, a FIEG criou seu primeiro ncleo regional, em 1999. Hoje, conta com seis sindicatos que abrangem os segmentos da alimentao, constru-o e mobilirio, vesturio, metalurgia, mecnicas e material eltrico, ceramista e farmacutica. Os sindicatos e a FIEG Regional, frisa, tm atuado em parceria com o SENAI, oferecendo aos associados e filiados cursos e servios tcnicos e tecnolgicos com o objetivo de auxiliar a indstria no desenvol-vimento de produtos, na absoro de novas tecno-logias, inovao e qualidade. Essa parceria fun-damental, porque os sindicatos, principalmente, conhecem a fundo as reais necessidades de cada setor e, dessa forma, podem contribuir sugerindo cursos, para que o resultado seja o melhor possvel. Cada indstria tem uma peculiaridade e, com essa parceria, ns procuramos fazer com que as progra-maes desenvolvidas estejam mais prximas da realidade daquilo que o empresrio est buscando.Segundo cita, no setor da construo civil, por exemplo, o SENAI ofereceu em 2011 o maior nmero de cursos at hoje, tambm atendendo a uma demanda local. O Sindicato das Indstrias da Construo e do Mobilirio de Anpolis bus-cou parceiros para realizao de cursos, tambm, contando para isso com a estrutura do SENAI. um trabalho feito a vrias mos, mas o objetivo um s: atender s necessidades da indstria, que contribui de forma excepcional para a economia de Anpolis e de Gois, gerando divisas para os cofres pblicos e emprego e renda para milhares de trabalhadores.Transformao da entiga escola na hoje Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange atende a demanda histrica da indstria farmacuticaUbiratan da Silva Lopes, presidente da FIEG Regional Anpolis, cita a criao do curso de Tecnologia em Processos Qumicos e a parceria com a Caoa/Hyundai como bons exemplos do papel do SENAI na consolidao do setor industrial| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |76Primeiro arcebispo da Igreja Catlica de Gois, Dom Emanuel Gomes de Oliveira nasceu em 9 de janeiro de 1874, em Bene-vente, hoje Anchieta, Estado do Esprito San-to. Regeu essa instituio de 1923 a 1955, tendo completado Bodas de Ouro de Orde-nao Sacerdotal em 1951. Na obra Dom Emanuel Gomes de Oliveira Arcebispo da Instruo (Agepel, 2001), Irm urea Cordei-ro de Menezes lembra que onde houvesse um povoado, no qual a viso do pioneiro vis-lumbrava algum progresso, a erguia um gi-nsio. Diz a autora, ainda, que a maior par-te dos colgios que pontilham nosso Estado fruto do trabalho apostlico do Arcebispo da Instruo.Para o bispo, que tinha a educao como principal ferramenta evangelizadora, Igreja cabia abrir uma nova escola onde no houvesse uma. Em Anpolis, mesmo, coube a ele, tambm, a iniciativa de construo do Ginsio So Francisco de Assis, administrado pelos padres franciscanos, e o Ginsio Auxi-lium, ligado s Irms Salesianas, bem como o Ginsio Arquidiocesano Municipal.Diz-se que, na fundao de importantes colgios catlicos de Goinia, como Ateneu Dom Bosco, dos padres salesianos; Santo Agostinho, das irms agostinianas; e Exter-nato So Jos, das irms dominicanas, h a mo apostlica de Dom Emanuel. Nos muni-cpios de Gois, inaugurava-se uma parquia e, ao lado, uma escola, obra do arcebispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira. Sua maior preocupao era gerar emprego para jovens pobres. (1). Morreu em 12 de maio de 1955.Grande responsvel pela instalao do SENAI em Gois, Dom Emanuel Gomes de Oliveira tinha a educao como principal ferramenta evangelizadoraDom Emanuel, um arcebispo pela Educao| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 77Robert Auguste Edmond Mange. Este o nome daquele que revolucionou a educao profissional no Brasil. Roberto Mange nasceu em 31 de dezembro de 1885, na cidade sua de La Tour de Peilz, canto de Vaud, prxima a Vevey, s margens do Lago Lman, segundo informa seu neto, Luiz Adriano de Carvalho Mange, tecnlogo em mecnica e professor aposentado do SENAI de So Paulo (SP). No Brasil, desembarcou com 28 anos in-completos, em junho de 1913, para lecionar na Escola Politcnica de So Paulo (SP), onde permaneceu por 40 anos, aposentando-se em 1953. Sua transferncia teria sido um pedido do ento diretor da instituio de ensino, engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza, conta o neto de Roberto Mange (veja ntegra de entrevista nas pginas 79 a 81).Roberto Mange, que falava portugus fluente, formou-se engenheiro na Escola Poli-tcnica de Zurique em 1910. No livro Roberto Mange e sua obra, o autor, amigo e parceiro de Mange na construo da filosofia do SENAI, talo Bologna cita dados biogrficos publicados pelo Departamento Regional de So Paulo em 1965 sobre a trajetria do engenheiro no Brasil. Teria ele idealizado, em 1931, ao lado de outros profissionais da poca, o Instituto de Organizao Racional do Trabalho (Idort), onde o engenheiro j comeava a aplicar as teorias relacionadas com o ensino profissional e o de-senvolvimento humano.Cita a biografia de Mange publicada pelo Departamento Regional do SENAI de So Paulo: (O Idort era) destinado a aumentar o bem-estar social por meio de uma organizao adequada a cada setor do trabalho e cada ati-vidade; estudar, difundir e aplicar os princpios, mtodos, regras e processos da organizao cientfica do trabalho; evitar o desperdcio sob as suas mltiplas modalidades; dar o mximo de rendimento com o mnimo de dispndio; Roberto Mange, o suo que revolucionou a educao profissionalRoberto Mange idealizou, em 1931, ao lado de outros profissionais, o Instituto de Organizao Racional do Trabalho (Idort), onde o engenheiro suo j comeava a aplicar as teorias relacionadas com o ensino profissional e o desenvolvimento humano| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |78proporcionar aos empreendimentos e a seus executores toda a segurana, quer sob o ponto de vista de atingir de forma plena a sua finalidade, quer sob o aspecto de eficin-cia qualitativa e quantitativa de operaes; assegurar administraes cientificamente exercidas. (4) Qualquer semelhana com a filosofia de ensino implementada pelo SENAI anos mais tarde no seria mera coincidncia.Na Escola de Sociologia e Poltica de So Paulo, Roberto Mange foi professor do primeiro curso de Psicotcnica realizado no Brasil. Em 1934, o engenheiro funda o Centro Ferrovirio de Ensino e Seleo Profissio-nal da Estrada de Ferro de Sorocabana, em Sorocaba (SP). O rgo, de carter tcnico, tinha como funo organizar, orientar e coordenar os empreendimentos especia-lizados de seleo e preparo de pessoal para trabalhar nas estradas de ferro, onde tambm se desenvolveram cursos para en-genheiros ferrovirios.Entre 1940 e 1942, coube a Roberto Mange e a outros educadores dedicados ao ensino profissional no Brasil a elaborao das diretrizes que dariam origem ao Servio Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), que nasce com o objetivo de preparar traba-lhadores para a at ento incipiente indstria brasileira. O SENAI fundado em 22 de janeiro de 1942, pelo Decreto-Lei 4.048, pelas mos do ento presidente Getlio Vargas. Roberto Mange se torna o primeiro diretor do Depar-tamento Regional do SENAI de So Paulo, funo que ocupou at sua morte, em 31 de maio de 1955. Na biografia preparada pelo Regional paulista consta que, na poca do falecimento do engenheiro, a 6 Regio do SENAI, a qual Mange dirigia e que abrangia So Paulo, Mato Grosso, Gois e Territrio de Guapor, contava com 27 escolas instaladas, entre elas a Escola SENAI GO 1, em Anpolis.No Brasil, Roberto Mange casou-se com Joana de Carvalho, que mais tarde mudou o nome para Jeanne de Carvalho Mange. Segundo seu neto Luiz Adriano Mange, o av pretendia voltar Sua e, assim, tanto sua esposa como os filhos tinham nomes franceses. Teve com Joana quatro filhos e, quando morreu, era av de 17 netos.Roberto Mange (terceiro da esquerda para a direita) liderou grupo de educadores dedicados ao ensino profissional no Brasil responsvel pela elaborao das diretrizes que dariam origem ao SENAI, entre 1940 e 1942NOTA - (4) BOLOGNA, talo. Roberto Mange e sua obra. Goinia: Unigraf. 1980.Por que seu av Roberto Mange deci-diu vir para o Brasil no comeo do sculo passado? O que o atraiu? Luiz Adriano de Carvalho Mange A Escola Politcnica de Zurique, a pedido do engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza, ento diretor da Politcnica de So Paulo, o indicou para atuar como docente na capital paulista. Roberto Mange formou--se engenheiro pela Politcnica de Zurique em 1910 e estava trabalhando na empresa Brown Boveri quando lhe foi feito o convite para lecionar em So Paulo. Como ele rea-lizou seus estudos primrios em Portugal e dominava o idioma portugus, isso facilitou sua vinda ao Brasil. O contrato de trabalho, inicialmente com durao de dois anos, foi sendo renovado continuamente, tendo per-manecido na Escola Politcnica at 1953, ou seja, por 40 anos.A fundao do Instituto de Organi-zao Racional do Trabalho, o Idort, por Roberto Mange e outros profissionais da poca, pode ser considerada embrio das ideias que norteariam a fundao, mais tarde, do SENAI no Brasil?Adriano Mange Sim, o Idort foi a base para a organizao, em 1934, do Centro Fer-rovirio de Ensino e Seleo Profissional da | Entrevista luiz Adriano de Carvalho mange |A convite do Departamento Regional, o professor aposentado do SENAI de So Paulo Luiz Adriano de Carvalho Mange, de 61 anos, neto de um dos fundadores da principal instituio de educao profissional brasileira, Roberto Mange, falou para este trabalho produzido por ocasio do aniversrio de 60 anos do SENAI em Gois. A entrevista, no formato pingue-pongue, foge um pouco s caractersticas de um livro, porm assim publicada pela sua importncia histrica. Luiz Adriano tecnlogo em mecnica e peda-gogo com especializao em administrao escolar. Seguindo os passos do av, Adriano Mange atuou no SENAI de So Paulo de 1974 a 2010, quando se aposentou. L, ocupou as funes de tcnico de ensino, coordenador pedaggico, diretor e gerente de escolas pau-listas. Entusiasta da metodologia de ensino inserida na educao profissional brasileira pelo SENAI, o professor contou um pouco da trajetria do av como um dos responsveis por essa histria que vem sendo escrita ao longo das ltimas sete dcadas no Brasil, seis em Gois. Presena ilustre nas festividades pelo 60 aniversrio do SENAI no Estado, ele recebeu homenagens na Faculdade de Tecnologia Roberto Mange, em Anpolis.Nos passos do av, Roberto MangeNo incio das atividades do SENAI, a palavra de ordem era velocidade. Roberto Mange decidiu que para atender s necessidades urgentes, seriam estruturados cursos rpidos, para a preparao de novos operrios, e cursos de aperfeioamento, para aqueles que j possuam alguma formao.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 79Estrada de Ferro de Sorocabana, em Soroca-ba (SP). Foi l, no Centro Ferrovirio, que teve incio a metodologia de ensino profissional que caracterizou toda a trajetria do SENAI.De que esforos se valeu Roberto Mange para, na dcada de 1940, fundar o SENAI? Com que apoio ele contou e que dificuldades ele encontrou para concreti-zar esse objetivo?Adriano Mange A experincia bem--sucedida do Centro Ferrovirio, a necessida-de de incrementar a produo industrial no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, a percepo dos empresrios, como Roberto Simonsen, sobre a necessidade da formao profissional ser tratada como prioridade, bem como o apoio do governo para criar fontes de financiamentos para a formao profis-sional, foram elementos fundamentais para a organizao do SENAI. Os desafios eram enormes: onde encontrar pessoas habilita-das para sustentar a proposta da instituio? Como preparar os programas de ensino para as reas a serem atendidas? Como montar as oficinas? Enfim, como criar um ambiente que diferenciasse a escola profissional da chama-da escola acadmica?E como esses desafios foram enfren-tados por Roberto Mange? Como essa es-trutura fsica, de pessoal e conceitual foi organizada por ele e seus companheiros?Adriano Mange Para atender ne-cessidade de contratao de pessoal qualifi-cado, Roberto Mange organizou, em 1943, o Curso de Iniciao em Ensino Industrial para Tcnicos do SENAI. Tratava-se de um curso de carter didtico e intensivo, frequentado por pessoas que iriam ocupar cargos tcni-cos. Muitos dos diretores de escola e chefes de departamentos foram egressos desse cur-so. Essa atividade jamais foi interrompida e muito foi investido na formao de profes-sores por meio de cursos no Brasil e est-gios de formao na Europa. No incio das atividades do SENAI, a palavra de ordem era velocidade. Para tanto, Roberto Mange de-cidiu que para atender s necessidades ur-gentes, seriam estruturados cursos rpidos, para a preparao de novos operrios, e cur-sos de aperfeioamento, para aqueles que j possuam alguma formao, conseguindo, dessa forma, obter resultados significativos em termos quantitativos e qualitativos. Orga-nizou, tambm, as famosas sries metdicas para os ofcios de maior demanda da inds-tria. Enquanto as escolas prprias eram edi-ficadas, foram locados galpes industriais e compartilhadas instalaes de outras escolas profissionalizantes. Essa estratgia tambm contribuiu fortemente para os resultados positivos obtidos nos primeiros anos do SE-NAI. interessante observar que as primeiras escolas tm a mesma planta arquitetnica. Com isso, se ganhava tempo e economia no processo de construo. Foram definidas tambm as mquinas, as ferramentas, o mo-bilirio, enfim toda a infraestrutura requerida para diversas ocupaes a serem ministradas Ele (Roberto Mange) ficaria extremamente orgulhoso. Ver o que o SENAI atualmente no Brasil, com suas escolas diversificadas e atualizadas tecnologicamente, registrando nmeros altamente significativos e excelente nvel educacional e tendo se tornado uma organizao reconhecida internacionalmente por sua eficcia, fantstico. Sobretudo se levados em conta os desafios que se apresentavam em 1942.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |80em cada escola. Dessa forma, ao se implan-tar uma escola de mecnica, por exemplo, era rpido o processo de projeto, construo e especificao de equipamentos, ou seja, todo o processo era muito racional.Tem informaes sobre por que teria optado por Anpolis para fundar a primei-ra escola do SENAI em Gois?Adriano Mange No tenho informa-es precisas sobre essa deciso. Mas pre-ciso lembrar que Roberto Mange foi o pri-meiro diretor regional da 6 Regio do SENAI, qual estavam subordinados os Estados de So Paulo, Gois, Mato Grosso e o Territrio de Guapor.O senhor chegou a conhecer, conviver com seu av Roberto Mange?Adriano Mange Convivi muito pouco. Eu tinha apenas 5 anos quando meu av fa-leceu, em 1955.Considera que o SENAI manteve, ao longo dessas sete dcadas de histria no Brasil, a prtica dos mesmos valores im-pressos pelo seu av Roberto Mange, na dcada de 1940, quando a instituio foi fundada?Adriano Mange Sem dvida. E a meu ver esse o diferencial do SENAI.O que acha que diria seu av se pudes-se ver no que o SENAI se tornou, estando presente hoje em todas as unidades da Federao e no Distrito Federal, formando mais de 2 milhes de trabalhadores todos os anos?Adriano Mange Ele ficaria extrema-mente orgulhoso. Ver o que o SENAI atu-almente no Brasil, com suas escolas diver-sificadas e atualizadas tecnologicamente, registrando nmeros altamente significativos e excelente nvel educacional e tendo se tornado uma organizao reconhecida inter-nacionalmente por sua eficcia, fantstico. Sobretudo se levados em conta os desafios que se apresentavam em 1942.O senhor tambm atuou no SENAI. Que funes exerceu na instituio?Adriano Mange Atuei no SENAI-SP de novembro de 1974 a junho de 2010. Comecei como tcnico de ensino. Posteriormente, fui coordenador pedaggico e diretor da Escola SENAI Suo-Brasileira. Por ltimo, ocupei a Gerncia de Assistncia Empresa e Comu-nidade da Diretoria Tcnica do SENAI-SP.Os desafios eram enormes: onde encontrar pessoas habilitadas para sustentar a proposta do SENAI? Como preparar os programas de ensino para as reas a serem atendidas? Como montar as oficinas? Enfim, como criar um ambiente que diferenciasse a escola profissional da chamada escola acadmica?| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 81| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 83somanDo ConhECimEnto| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |84seNAI goIs vAI AoNde A INdstrIA estPonto de partida do SENAI em Gois, o ento Centro de Formao Profissional Roberto Mange, em Anpolis, constituiu-se na gnese de uma histria que estava, na dcada de 1950, apenas comeando no Estado. Instituio que tem como conceito bsico de sua fundao servir indstria brasileira com a formao de mo de obra quali-ficada, o SENAI cresce em nmero de unidades. A partir da dcada de 1960, descentraliza-se, vai aonde se necessita que ele v. Assim, 16 anos aps a criao da primeira unidade escolar do SENAI em Gois, nasce o Centro de Formao Profissional (CFP) talo Bologna, segundo no Estado e primei-ro na capital, Goinia, em 1968.A partir de 1971, a Federao das Indstrias do Estado de Gois se instalou na cidade de Aragua-na hoje Estado do Tocantins distante 1,2 quil-metros de Goinia. Junto com a federao, chegou tambm o SENAI. Um centro de treinamento foi destinado ao atendimento das indstrias e da co-munidade da regio. Tratava-se de um barraco de tbua, alugado, que se tornaria o embrio do Cen-tro de Formao Profissional que hoje conta com modernas e funcionais instalaes. Em 1977, o SENAI instalou os Centros Re-gionais de Treinamento do Mdio Norte, uma pequena unidade na cidadede Gurupi, hoje tam-bm Tocantins, a 600 quilmetros de Goinia; e do Sudoeste, regio mais prspera do Estado, em Rio Verde. No fim da dcada de 1980, o CFP Araguana atendia alunos de cerca de 30 cidades do Tocan-tins com raiodeatuao que iadeMiracema do Norte, escolhida capital provisria do Estado, a So Sebastio do Tocantins, no Bico do Papagaio.Ainda nos anos 80, a atuao do SENAI ganhou importante reforo com a utilizao de unidades mveis contineres autotransportveis doadas pelo Departamento Nacional para levar a formao profissional s indstrias em cidades onde no dispunha de escolas fixas. As atividades, coordenadas pelo ento Centro Regional de Trei-namento Sul (Cetresul), em Goinia, atualmente esto a cargo da Escola SENAI Vila Cana, com a Antigo CFP Araguana, marco da presena do SENAI Gois no hoje Estado do Tocantins, com raio de atuao de Miracema ao Bico do Papagaio, alm de unidade em Gurupi, no perodo de 1971 a 1992 | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 85O Sistema IndstriaParte integrante do Sistema indstria formado ainda pela Cni, SeSi e ieL , o Senai possui um Departamento nacional e 27 Departamentos Regionais, com unidades operacionais instaladas nos 26 estados e no Distrito Federal. elas levam seus programas, projetos e atividades a todo o territrio nacional, oferecendo atendimento s diferentes necessidades locais e contribuindo para o fortalecimento da indstria e o desenvolvimento pleno e sustentvel do Pas.incorporao da antiga unidade.Com a diviso do Estado, em 1988, o SENAI Gois manteve sua atuao formadora na regio. O processo de emancipao, com a criao do SENAI Tocantins, em 1992, s foi concludo com a desvinculao das unidades de formao profis-sional de Araguana e Gurupi, isso em 13 de agosto daquele ano. Assim, o Departamento Regional do Sistema no Estado vizinho nasceu com capacida-de de preparar aproximadamente 2,5 mil profissio-nais por ano para a indstria nas reas automobils-tica, construo civil, marcenaria, serralheria, entre outras. Em 1979, nasce o Centro de Treinamento de Supervisores e Gerentes (Cetresg), segunda unidade do SENAI em Goinia, que mais tar-de se transformaria na Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial (Fatesg) leia mais na pgina 110. Em 1981, o Departa-mento Regional do SENAI inaugura na capital a mais moderna unidade da instituio no Estado, o Centro de Formao Profissional Vila Cana (leia mais na pgina 102).Em sentido horrio, Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, Escola SENAI Vila Cana e Faculdade SENAI de Desenvolvimento Gerencial: unidades da capital tm atuao tambm no interior, com manuteno de ncleos, aes e unidades mveis| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |86O processo de interiorizao das atividades do SENAI, na esteira da descentralizao do parque industrial, avana com a instalao do Cen-tro de Formao Profissional Catalo, naquele mu-nicpio, em 1988, atendendo aos fortes investimen-tos do setor produtivo na regio. No mesmo ano, por meio de um termo de cooperao, o SENAI assume a administrao do Centro de Formao Profissional instalado e equipado pela empresa So-ciedade Annima Minerao e Amianto (SAMA), em Minau, Norte do Estado, e que mais tarde, em 2007, se transformaria na Unidade Integrada SESI SENAI SAMA. Nos anos de 1988 e 1989, foi dado incio tambm a dois projetos pilotos do SENAI Gois, com a instalao de ncleos voltados para costura industrial nos municpios de Trindade e Ja-ragu, respectivamente.Em 1992, o SENAI implantou em Itumbiara, no Sul de Gois, uma de suas unidades fixas, por se tratar o municpio de referncia de um dos mais importantes polos de desenvolvimento no Estado. Em 1998, Rio Verde, no Sudoeste do Estado, que j abrigava um pequeno centro de treinamen-to, ganhou escola mais bem estruturada, a Escola SENAI Fernando Bezerra, motivada pela fora da agroindstria na regio e da indstria de transfor-mao de alimentos. Mais tarde, com sua trans-formao, em 2006, na Unidade Integrada SESI SENAI Rio Verde, com a forte demanda da regio, em 2010 dois ncleos foram instalados, em Quiri-npolis e Mineiros, democratizando ainda mais o acesso aos cursos profissionalizantes destinados aos trabalhadores da indstria. O primeiro ganhou au-tonomia e hoje funciona como unidade integrada.Nos anos 2000, a extenso das unidades de desCeNtrAlIZAo rumo Ao INterIorEscola SENAI Catalo, no Sudeste: descentralizao do parque industrial acompanhada pela interiorizao das atividades da instituio| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 87educao profissional do SENAI se deu para Ni-quelndia; Aparecida de Goinia e Senador Ca-nedo, no Entorno de Goinia; Luzinia e Formo-sa, no Entorno do Distrito Federal, e Barro Alto, ncleo anteriormente ligado Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia, que em 2012 tambm virou unidade autnoma. Nesse perodo, as atua-es j ocorreram de forma sintonizada entre SESI e SENAI, sendo as novas escolas ou parte das j existentes transformadas em unidades integradas. Em 2004, em busca de novos nichos de mer-cado, o SENAI Gois potencializou aes volta-das educao profissional, ao empreendedoris-mo e gerao de emprego e renda ao passar a atuar por meio do Programa de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo (APL). Iniciativa do Minist-rio da Integrao Nacional, o programa executado pelo SENAI desenvolvido nos municpios que integram a Regio do Entorno do Distrito Federal. O objetivo promover a organizao dos setores produtivos potenciais de cada localidade.Ao final da dcada, toda a rede de ensino ul-trapassava a casa das 100 mil matrculas-ano nos cursos de educao profissional Formao Ini-cial e Continuada de Trabalhadores, Educao Profissional Tcnica de Nvel Mdio e Educao Superior, quantidade em mdia 50% superior re-gistrada em 2008.Em 1988, o SENAI assume a gesto do CFP instalado pela SAMA, em Minau, posteriormente transformado em unidade integrada com o SESI. O mesmo ocorre com a Escola SENAI Fernando Bezerra, em Rio Verde, motivada pela fora da agroindstriaUnidade Integrada SESI SENAI Niquelndia: parceria com mineradoras Anglo American e Votorantim levou formao profissional para o Norte goiano| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |88Por deNtro dA rede seNAI goIsAqui, saiba um pouco mais sobre cada uma das unidades de formao profissional administradas pelo SENAI em todo o Estado. A opo que se fez foi dividi-las por municpio. Portanto, elas no estaro distribudas com base numa linha do tempo, mas em sua localizao geogrfica.Numa rea de aproximadamente 33 mil me-tros quadrados, tiveram incio, em 1965, as obras do ento Centro de Formao Profissional (CFP) talo Bologna. O terreno, localizado em posio es-tratgica, no Setor Centro-Oeste, entre Goinia e a Campininha das Flores, foi adquirido da Funda-o de Assistncia a Menores Aprendizes (Fama) cujos alunos foram depois atendidos pela uni-dade. Mantendo a tradio de primeiro comear a funcionar para depois proceder a solenidade de inaugurao, no caso do CFP talo Bologna esta ocorreu em 24 de maro de 1968, embora estivesse em atividades desde o ano anterior.Coube ao professor Ary Azevedo, que at en-to respondia pelo CFP Roberto Mange, em An-polis, comandar o incio das atividades da nova uni-dade escolar, a primeira a ser instalada na capital. Veio para Goinia a pedido do ento diretor do De-partamento Regional do SENAI Gois, professor Gilson Alves de Sousa. A unidade recebeu o nome de talo Bologna em homenagem ao engenheiro mineiro, nascido em Pouso Alegre, um dos braos direitos de Roberto Mange quando da fundao do SENAI no Brasil. Na poca em que a unidade foi aberta em Goinia, talo Bologna ocupava o cargo de diretor do Departamento Nacional do SENAI.Os primeiros equipamentos que fariam fun-cionar as oficinas da nova escola comearam a chegar ainda em 1966. No ano seguinte, foram concludas todas as obras, montadas as instalaes e realizadas as selees para as primeiras turmas. Documentos oficiais do SENAI do conta de que Goiniafaculdade de tecnologia seNAI talo bologna a pioneira na capitalAry Azevedo, frente de Venerando de Freitas Borges: de Anpolis para Goinia, no comando do antigo CFP talo Bologna| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 89o CFP talo Bologna nasce, basicamente, com o objetivo de formar mecnicos de automveis, fos-sem esses menores aprendizes ou adultos j empre-gados, em cursos diurnos e noturnos. Porm, dada a capacidade de instalao e a demanda por ser-vios em outras reas do conhecimento, a escola passa a funcionar como um verdadeiro centro de formao profissional, com o atendimento de uma gama de ofcios e especializaes das mais diver-sas, cita relatrio de atividades do Departamento Regional do SENAI Gois referente ao primeiro ano de funcionamento da unidade. Constava do documento que, do estudo realizado em decor-rncia da concluso das obras da escola, decidiu o Conselho Regional do SENAI pela montagem, na nova escola, de uma oficina grfica e vrios cursos de treinamento para adultos em carter definitivo.Assim, o CFP talo Bologna comeou a funcionar com ampla estrutura, digna da escola pioneira do SENAI na capital do Estado. Naquela ocasio, foram construdos o pavilho destinado a abrigar os cursos de treinamento e os ministrados nas oficinas; outro pavilho para que pudessem ser realizados os cursos de lanternagem, pintura, esto-famento e eletricidade de autos e solda eltrica; e a oficina grfica, com instalao de maquinrio, equipamentos e seleo de professores. Ao mes-mo tempo, foram adquiridos mquinas e equi-pamentos para as vrias modalidades de cursos; adaptadas salas para estudo dirigido; montados cozinha e auditrio e construdas ruas internas da unidade escolar.O CFP talo Bologna, como se v, j nasce grande e como grande, superando as metas iniciais do Departamento Regional do SENAI em Gois. Ao abrir suas portas para a comunidade de Goi-nia, oferecia curso de aprendizagem industrial em mecnica de automveis; treinamento de adultos de pedreiro, solda oxiacetilnica, pintor de obras, leitura de plantas, operador de postos de servios, Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, de unidade pioneira na capital a referncia em diversas reas da indstria. Abaixo, notcia sobre ingresso do SENAI no ensino superior publicada pelo jornal O POPULAR, em 2005| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |90Registros histricos: no alto, momento cvico no CFP talo Bologna, prtica comum nas escolas do SENAI, e (abaixo) eventos com presena do ento presidente da FIEG, Jos Aquino Porto, Jorge Alberto Furtado, diretor de Ensino Mdio do MEC, Hlio Naves, Jefferson Bueno, professor Manoel Virglio Pimentel Cortes, Antnio Fbio Ribeiro, Ovdio Incio Carneiro e Gonalo Bezerra, delegado regional do Trabalho| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 91Aprendizes de mecnica de automveis no incio das atividades do CFP talo Bologna: formao profissional na rea motivou a implantao da unidade, no final da dcada de 60. Abaixo, na parede, o slogan que caracteriza o ensino do SENAI| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |92Alunos em salas de aula e em oficinas do antigo CFP talo Bologna: aprendizagem alia teoria e prtica profissionalConcluinte recebe certificado entregue pelo professor Venerando de Freitas Borges, secretrio do Conselho Regional do SENAI e superintendente da FIEG por mais de duas dcadas direita, dois momentos da capacitao profissional no setor de construo civil: antes, em 1966, atividade prtica em ambiente interno; hoje, em canteiros de obras| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 93| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |94| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 95Mecnica de automveis, em 1968: esquerda, ao alto, grupo de estudantes de Engenharia em estgio no SENAI, aprendizes em prtica de alinhamento de rodas e na seo de motores vivos, sob orientao do instrutor Altino Desideri. direita, em sentido horrio, lavagem e lubrificao, seo de motores VW-DKV e outras| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |96Oficinas de costura industrial (acima e abaixo, direita), lanternagem de automveis e calados| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 97| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |98| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 99Acima, aluno em atividade no curso tcnico de manuteno de aeronaves da Fatec talo Bologna esquerda, alunos em prova prtica da Olimpada do Conhecimento, competio que avalia a educao profissional no SENAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |100mecnico de autos, instalador de gua e esgoto, solda eltrica, segurana no trabalho e preveno de acidentes, eletricista instalador e mestre de obras; cursos de aperfeioamento ou especializa-o em manuteno de mquinas de terraplana-gem, liderana de reunies, engenharia humana e organizao industrial. Tambm realizava cursos de aprendizagem de menores no local de trabalho nas ocupaes de marceneiro, serralheiro, colhe-dor, assoprador, maquinista, charqueador, latoeiro funileiro, mecnico geral, carpinteiro, aquilatador e salgador.Naquele primeiro ano de funcionamento, em 1967, o CFP recebeu 988 matrculas nos cur-sos oferecidos na poca, o que equivalia a mais de um tero de todas as matrculas realizadas nas duas unidades administradas pelo Departamento Re-gional do SENAI em Gois. Foram, ao todo, 642 certificados expedidos pela unidade. Ou seja, pes-soas que iniciaram e concluram cursos profissio-nalizantes, aptas, a partir dali, para novos desafios no mundo do trabalho. Em 1968, ano em que foi oficialmente inau-gurado, o nmero de alunos matriculados no CFP talo Bologna chegou a 1.075, nos 38 cursos ento oferecidos pela unidade de formao. Os concluin-tes somaram 672 em atividades de aprendizagem e treinamento destinadas a menores aprendizes e adultos. Uma escola em pleno funcionamento na jovem capital de Gois, ento com 35 anos, seden-ta por mo de obra qualificada capaz de alavancar seu desenvolvimento.Em 1999, o Centro de Formao Profissio-nal ganhou status de Centro Modelo de Educa-o Profissional (Cemep), certificao criada pelo Departamento Nacional da instituio para ava-liar a qualidade dos servios prestados indstria e comunidade, explica a atual diretora da agora Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, professora Misclay Marjorie Correia da Silva. Na segunda metade da dcada de 1990, acrescenta a educadora., o talo Bologna representava uma re-ferncia nacional em sua rea, conquistando, por exemplo, selo de qualidade expedido pelo Con-selho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) como unidade modelo em qualificao e aperfeioamento. Poucas escolas, nessa poca, contavam com tal reconhecimento, atesta. A escola que nascera grande seguia grande na misso de formar mo de obra qualificada para a indstria local.Em 2005, novo grande passo da instituio, ento transformada, por meio de portaria do Mi-nistrio da Educao, em Faculdade de Tecnolo-gia SENAI talo Bologna para os nveis de gradu-ao tecnolgica e ps-graduao em automao industrial. Em visita unidade, os representantes do MEC puderam atestar a qualidade da institui-o, onde mais de 75% dos docentes so mestres e doutores e cujo parque educacional formado por equipamentos de ltima gerao. Em 2010, o MEC credenciou a Fatec talo Bologna com conceito 4 de qualidade, numa escala de 0 a 5, cita Misclay.Para melhor atender nova etapa de funcio-namento, foram necessrias ampliaes e adapta-es dos espaos existentes. Novos galpes foram erguidos e amplos e modernos ambientes pedag-gicos surgiram para a continuidade dos cursos de aprendizagem industrial, de qualificao e aperfei-oamento profissional e dos cursos tcnicos e tec-nolgicos oferecidos pela unidade. Alm de Goi-nia, a Fatec SENAI talo Bologna recebe pessoas de vrios outros municpios, atendendo demandas Aprendiz em atividade prtica em mecnica automotiva, observado por Olmpio Jder de Magalhes (centro), presidente da Comisso do Auxlio Especial do SENAI, em visita ao antigo CFP talo Bologna, no final da dcada de 60O curso tem qualidade insupervel, com a metade do preo do mercado. Os ambientes de ensino e os equipamentos so excelentes.Luiz Alberto Rodrigues, inspetor de aviao da Anac, sobre o curso tcnico em manuteno de aeronaves do SENAI, implantado em 2011, na Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, em Goinia| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 101especficas de empresas e segmentos empresariais em localidades como Anicuns, Crixs, Trindade, Senador Canedo, Santa Helena, Jaragu, Ponta-lina, Cromnia, Caldazinha e Ceres. Desde que foi fundada, dirigiram a unidade os professores Ary Azevedo, Paulo Vargas, Lzaro Bernardes, Jair Braz de Oliveira, Marcos Mariano e, atualmente, est frente Misclay Marjorie.Desse modo, a Fatec SENAI talo Bologna cresce a uma mdia de 2 mil novos alunos por ano. Em 2011, foram cerca de 8,3 mil vagas oferecidas nos cursos ministrados pela instituio de ensino e a previso para 2012 de que o nmero de ma-trculas ultrapasse a casa dos 10 mil alunos. Desde que abriu suas portas produo e disseminao do conhecimento, a agora Faculdade de Tecnolo-gia SENAI talo Bologna recebeu, em suas salas, oficinas e laboratrios, o equivalente a 112.378 pes-soas. Formadas para um mercado competitivo, uma indstria em desenvolvimento. E eles foram preparados para isso.Quem d nome escolaFormado em engenharia civil pela Escola Politcnica de Sorocaba (SP), talo Bologna nasceu em Pouso Alegre (MG), em 22 de abril de 1905. Foi aluno do amigo e tambm engenheiro Roberto Mange, de quem se tornou um dos prin-cipais colaboradores na implantao dos mtodos e princpios da organizao racional do trabalho no Pas nas dcadas de 1930 e 1940. Em 1942, assumiu, em substituio a Roberto Mange, o cargo de diretor do Centro Ferrovirio de Ensino e Seleo Profissional, gnese do SENAI no Brasil. Quando Roberto Mange faleceu, em 1955, substituiu aquele, tambm, na direo do Departamento Regional do SENAI de So Paulo, permanecendo frente da instituio at 1962. Aps essa etapa, tornou-se assessor da Presidncia da Federao das Indstrias de So Pau-lo (Fiesp). Em 1965, passou a diretor do Departamento Nacional do SENAI, cargo que ocupou durante uma dcada. Profundo conhecedor e estudioso da educao profissional, produziu e lanou artigos e obras sobre o tema no Brasil e no exte-rior. Em 1968, organizou a coletnea Roberto Mange e sua Obra (Editora Unigraf, Goinia). Faleceu em So Paulo em 2 de julho de 1992, aos 87 anos.talo Bologna: profundo conhecedor e estudioso da educao profissionalary azevedo (24/03/1968 a 1/06/1979)paulo Vargas (13/02/1979 a 31/05/1979)lzaro Bernardes (1/06/1979 a 1/10/1981)Jair Braz de oliveira (1/10/1981 a 10/02/1992)marcos antnio mariano siqueira (10/02/1992 a 15/07/2011)misclay marjorie (a partir de 15/07/2011)quem dIrIgIu A fACuldAde de teCNologIA seNAI tAlo bologNA| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |102Erguido num terreno de 46 mil metros qua-drados em regio ainda inspita de Goinia, o ento Centro de Formao Profissional (CFP) Vila Cana surge, na dcada de 1980, como uma das mais modernas unidades administradas pelo SENAI no Pas, com 8,7 mil metros quadrados de rea construda. Sua obra teve incio quase quatro anos antes de ser inaugurada oficialmente, em 12 de agosto de 1981. Mas os primeiros alunos, oriundos da Escola SENAI talo Bologna, pisaram aquele cho antes, em novembro de 1980, para concluir seus estudos no ano seguinte. Em 1980, o SENAI havia conce-dido um total de 7.615 certificados, emitidos pelo conjunto das unidades educacionais que abran-giam, at ento, 42 municpios goianos.A solenidade de inaugurao, naquele agosto de 1981, contou com as presenas do ento minis-tro do Trabalho, Murilo Macedo; do presidente da Confederao Nacional da Indstria (CNI), senador Albano Franco; do ento diretor do De-partamento Nacional do SENAI, Arivaldo Silvei-ra Fontes; do ento presidente da Federao das Indstrias do Estado de Gois, Jos Aquino Por-to, do ento diretor regional do SENAI de Gois, Jefferson Bueno; do governador de Gois na po-ca, Ary Ribeiro Valado, e de vrias personalida-des do meio poltico e empresarial do Estado. escola seNAI vila CanaEscola SENAI Vila Cana, uma das principais da instituio em Gois| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 103No fim daquele ano, 69 alunos concluram cursos oferecidos pela nova escola. O certificado de n 1 do Centro de Formao Profissional Vila Cana foi emitido em nome de Humberto Corts, formado em eletricista de automveis em 23 de de-zembro de 1981.O CFP Vila Cana foi projetado para abrigar tanto a escola como o Departamento Regional do SENAI Gois. Na dcada de 1990, foram anexa-dos unidade o Centro Regional de Treinamento Sul (Cetresul), que funcionava ao lado, e a rea de Higiene e Segurana do Trabalho, oriunda do ento Centro de Treinamento de Supervisores e Gerentes (Cetresg). Hoje, matriculam-se anualmente mais de 20 mil alunos na unidade. De acordo com o diretor da escola, Hlio Vilaa, para atender s novas e ur-gentes demandas surgidas no contexto econmico e produtivo, a atuao abrange educao profissio-nal, informao, tecnologia e assistncia tcnica e tecnolgica para as reas de artes grficas e de plstico, reparao automotiva e motocicletas, se-gurana do trabalho, meio ambiente, refrigerao, construo civil, eletricidade e alimentos. A agora Escola SENAI Vila Cana atua em parceria com o SESI para oferecer Educao Bsica articulada Educao Profissional. Nessa modalidade, forma tcnicos em impresso grfica, manuteno automotiva e em alimentos. Sua es-trutura fsica e os recursos disponveis ao aprendi-zado dos alunos impressionam. Na rea de grfica, por exemplo, dispe de modernos equipamentos para atender uma indstria inserida em mercado cada vez mais exigente. A Educao Profissional, na Escola SENAI Vila Cana, abrange o nvel inicial, bsico, em que jovens e adultos com qualquer escolaridade tm acesso a cursos de aprendizagem capazes de lhes garantir emprego e renda; a aprendizagem indus-trial nos nveis de qualificao e/ou habilitao inicial, formando jovens tcnicos de nvel mdio; o aperfeioamento profissional, para trabalhadores que buscam atualizao em suas reas de atuao. Tambm oferece consultorias a empresas em seus mais diversos nveis de conhecimento.Uma das principais reas de atuao da Es-cola SENAI Vila Cana est na administrao das unidades mveis. Trata-se de estruturas volantes que podem ser requisitadas para desenvolver aes de aprendizagem onde o SENAI no dispe de unidades fixas. frente da Escola SENAI Vila Cana, j estiveram o atual diretor regional do SENAI em Gois, economista Paulo Vargas; os professores Lzaro Bernardes e Walmir Pereira Telles. O eco-nomista Hlio Pereira Vilaa est na funo desde novembro de 2006.Inaugurao do CFP Vila Cana, em 1981: presena do ento ministro do Trabalho, Murilo Macedo, governador Ary Valado, presidente da CNI, Albano Franco, Jaime Cmara, Aquino Porto e Jefferson Bueno e Paulo Galeno Paranhosquem dIrIgIu A esColA seNAI vIlA CANApaulo Vargas (1/08/1980 a 1/10/1981)lzaro Bernardes (1/10/1981 a 20/03/1987)Walmir pereira telles (18/03/1987 a 03/11/2006)hlio pereira Vilaa (a partir de 03/11/2006)| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |104CFP Vila Cana em construo, no incio dos anos 80, recebe visita de diretores da FIEG e do SENAI| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 105Primeiros eventos realizados na nova escola do SENAI em Goinia, com presena de autoridades, diretores e colaboradores. direita, inaugurao do Laboratrio de Bombas Injetoras, em 1985| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |106Acima, o presidente da FIEG, Jos Aquino Porto, discursa na inaugurao do servio de unidades mveis, em 1984. Na solenidade, o CFP Vila Cana recebe visita do ento prefeito de Goinia, Nion Albernaz, esquerda. No alto, direita, entrega de Parati doada pela Volkswagen ao SENAI para ensino em mecnica, com presena de Paulo Vargas, empresrios Toninho Maia, Aristarcho Gonalves Mello, representantes da Volkswagen e Walmir Telles, ento diretor da escola| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 107Unidades mveis, por fora e por dentro: contineres autotransportveis levam o ensino do SENAI a vrias regies do Estado| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |108Aprendizes em atividades nas reas de mecnica e artes grficas| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 109Laboratrio de alimentos da Escola SENAI Vila Cana: investimento para atender crescente demanda do segmento| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |110O embrio da Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial (Fatesg) foi a antiga Diviso de Ensino e Treinamento, rgo normativo e de superviso de todo o Regional de Gois, que em 1976 funcionava no Palcio da In-dstria, no Centro de Goinia, e realizava cursos nas reas de superviso e gerncia pela inexistncia poca de unidade especfica. Em janeiro de 1979, resultante da iniciativa, nasce o Centro de Trei-namento de Supervisores e Gerentes (Cetresg), como lembra o professor Joo Francisco da Silva Mendes, diretor da Fatesg desde 2009. Relatrio do SENAI de 1979 mostra atuao do ento Cetresg em 34 modalidades diferentes de cursos ministra-dos em reas como segurana do trabalho, super-viso, relaes humanas, gerncia administrativa e tcnicas didticas.Em sua origem, explica o professor Joo Fran-cisco, a unidade foi desenvolvida com o objetivo de formar e desenvolver administradores, gestores, gerentes e supervisores para a indstria. Aqui, no era o operador de mquinas que era preparado para o mercado de trabalho, mas o profissional ca-paz de planejar atividades operacionais, gerenciar sistemas, supervisionar a produo. Como Ce-tresg, desenvolveu suas atividades no edifcio, no Setor Universitrio, que depois daria lugar Fatesg, quando ali tambm estava instalado o Departa-faculdade de tecnologia seNAI de desenvolvimento gerencial (fatesg)Palcio da Indstria, no Centro de Goinia, abrigou por vrios anos o Centro de Treinamento de Supervisores e Gerentes, criado em 1979 junto administrao do SENAIPaulo Vargas, ao lado do ento diretor do Cetresg, Orlando Dias Costa (esquerda), participa de solenidade na unidade| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 111mento Regional do SENAI de Gois. O centro tinha atuao em todo o Estado. A ideia era aperfei-oar quem estava nessas funes e preparar novos quadros para uma indstria j carente de gestores qualificados, destaca o professor Joo Francisco.Em 2004, o Cetresg virou Cedesg Centro de Educao Tecnolgica SENAI de Desenvol-vimento Gerencial, com a elevao de seu status aps inspeo rigorosa realizada por tcnicos do Ministrio da Educao (MEC). O credenciamen-to como Faculdade de Tecnologia SENAI de De-senvolvimento Gerencial (Fatesg) veio por meio de portaria do MEC de janeiro de 2005. Inicialmente, oferecia somente cursos para adultos. Mais tarde, comeou tambm a formar adolescentes para as reas administrativas em cursos tcnicos de nvel mdio cujo foco o desenvolvimento gerencial.H, por exemplo, a oferta de cursos de apren-dizagem de nvel bsico para adolescentes, treina-dos para atuar nos departamentos administrativos das indstrias. O alvo, aqui, no so as oficinas mecnicas, os laboratrios de fsica e qumica, os parques grficos. O que caracteriza a Fatesg a preparao de outro tipo de trabalhador, aquele que atuar na rea de gerenciamento. O foco passa a ser o escritrio, a rea administrativa e de planeja-mento da indstria e de superviso dos sistemas de produo industrial.Os cursos tcnicos, do mesmo modo, so ofer-tados para atender s reas industriais pertinentes gesto dos processos produtivos. Nesse sentido, so formados tcnicos em logstica, telecomuni-caes, em redes de computadores, em gesto da produo. A Educao Profissional sob a responsabilida-de da faculdade abrange as modalidades de aperfei-oamento, habilitao e qualificao profissional; ps-graduao e superior de tecnologia. Na gradu-ao, so formados atualmente tecnlogos em rede de computadores e em anlise e desenvolvimento de sistemas. De acordo com o professor Joo Fran-cisco, esto em processo de aprovao pelo MEC outros dois cursos de nvel tecnolgico: gesto da produo industrial e processos gerenciais, ambos voltados para os processos produtivos industriais.A rea de ps-graduao mantida pela Fatesg, destaca o professor Joo Francisco, uma das for-as da instituio. So, ao todo, 18 cursos em fun-cionamento, com excelente avaliao. Algumas especializaes hoje oferecidas pela instituio: gesto de produo, gesto em responsabilidade socioambiental, gesto empresarial, gesto da in-dustrializao de acar e lcool, comrcio exte-rior, logstica empresarial, segurana em rede de computadores, tecnologia da informao, constru-o de edificaes, gesto ambiental e engenharia de segurana do trabalho.Outra rea igualmente relevante mantida Atual Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial: da formao de supervisores e gerentes elevao de status, reconhecida pelo MEC, com cursos de graduao e ps-graduaoDiretor do antigo Cetresg, Orlando Dias Costa entrega certificado a concluinte de curso| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |112Casa nova: no alto, inaugurao do prdio que abrigaria o Cetresg e a Administrao Regional do SENAI, em 1988, com presena do ento governador Henrique Santillo, presidentes da FIEG, Aquio Porto, e da CNI, Albano Franco. Acima, o ento ministro da Indstria e do Comrcio, Jos Hugo Castelo Branco, recebe a medalha do Mrito Industrial da CNI| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 113Paulo Vargas abre a 31 Reunio de Diretores Regionais do SENAI, em Goinia, em 1988, e condecora o diretor nacional de Desenvolvimento Regional, Olmpio Jder, com a medalha do Mrito Industrial da FIEG Goinia em festa: industriais de todo o Pas renem-se em Goinia para abertura das comemoraes dos 50 da Confederao Nacional da Indstria (CNI) e inaugurao da sede administrativa do SENAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |114pela faculdade diz respeito aos servios tcnicos e tecnolgicos prestados a empresas. Para se ter uma ideia, temos atualmente 51profissionais da Fa-tesg dentro da Celg Companhia Energtica de Gois prestando assessorias nas reas gerenciais e de programas de computao, frisa. Os servios tcnicos e tecnolgicos hoje disponibilizados para as empresas abrangem as reas de desenvolvimen-to tecnolgico, servios tcnicos especializados, assessoria tcnica e tecnolgica e informao tecnolgica.O crescimento e a abrangncia da instituio so impressionantes. Inicialmente, ainda como resultado da atuao da Diviso de Ensino e Trei-namento, em 1976, foram emitidos 1.640 certifica-dos a alunos que passaram por l. Em 1979, j pelo Cetresg, os concluintes somaram 1.948 alunos. Em 2011, foi superada a marca dos 12 mil alunos certi-ficados nas mais diversas reas do conhecimento. E j oferece certificao internacional Prometric e VUE. Mais de 1,3 mil no primeiro caso, em 2011, e 17, pelo segundo. A Fatesg tambm abriga o Ncleo Integrado de Educao a Distncia, em parceria com o SESI. Em 2011, foram cerca de 30 mil ma-trculas nessa modalidade.Hoje, a Fatesg s no atende mais alunos no perodo noturno porque j falta espao fsico. Isso demonstra que estamos atendendo o profissional que est na indstria e que busca aperfeioamen-to, afirma o diretor. Empresas que esto em outras localidades que no Goinia, de acordo com ele, tambm so atendidas pela faculdade por meio de cursos de extenso e aperfeioamento.Formada por uma rede de profissionais in-tegrada por 130 funcionrios, a Fatesg tem entre seus professores mestres e doutores. Avaliada pelo MEC, recebeu nota 4 em relao infraestrutura institucional e 5 na avaliao do corpo docente e proposta pedaggica, em escala de 0 a 5. A histria da unidade registra como seus dire-tores Orlando Dias Costa, Antnio Pereira e Joo Francisco da Silva Mendes, o atual.Laboratrio de informtica da Fatesg: infraestrutura, corpo docente e proposta pedaggica aprovada na avaliao do MECorlando Dias Costa (31/01/1979 a 17/02/1992)antnio pereira de souza (17/02/1992 a 02/02/2009)Joo Francisco da silva mendes (a partir de 02/02/2009)quem dIrIgIu A fACuldAde de teCNologIA seNAI de deseNvolvImeNto gereNCIAl (fAtesg)| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 115Terceiro e quinto, respectivamente, municpios mais competitivos do ranking do Estado, Apa-recida de Goinia e Senador Canedo, na Regio Metropolitana de Goinia, esto na rota da am-pliao e interiorizao das atividades do Sistema FIEG. Ambos so polos estratgicos para investi-mentos na industrializao, na distribuio de pro-dutos e no atendimento de importantes mercados consumidores. Sede de terminal petroqumico, Senador Canedo se destaca, principalmente, pela mudana que o municpio apresentou recente-mente em sua infraestrutura econmica, propi-ciando um potencial de dinamismo e crescimento.Por toda a demanda resultante dessa capaci-dade de desenvolvimento, a presena do SENAI de forma integrada com o SESI assdua nos dois municpios, seja por meio de aes mveis, seja com unidades fixas, que j somam trs a Unida-de Integrada SESI SENAI Aparecida de Goinia, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri e o Ncleo Integrado SESI SENAI Senador Canedo, ligado primeira. O Centro de Atividades Professor Venerando de Freitas Borges, do SESI, inaugurado em setem-bro de 1994, passou a tambm abrigar, em 2006, as atividades do SENAI, com sua transformao em unidade integrada, aps adequaes destinadas modernizao e melhor aproveitamento dos espa-os, sobretudo com a instalao de laboratrios de ltima gerao. Foi esse o incio da caminhada que passou a ser trilhada conjuntamente entre SENAI e SESI em Gois. Hoje, cerca de 1,5 mil alunos ingressam nos cursos de Educao Profissional oferecidos pela unidade de Aparecida todos os anos, o que signifi-ca muito para uma populao caracterizada como de baixa renda vivendo numa cidade que enfrenta toda sorte de problemas causados pela expanso desordenada das ltimas dcadas. Foram mais de Aparecida de Goinia e Senador Canedounidade Integrada sesI seNAI Aparecida de goiniaCentro de Atividades Professor Venerando de Freitas Borges, implantado em 1994, virou Unidade Integrada SESI SENAI Aparecida de Goinia em 2006 para atender demanda das indstrias da regio| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |1167,2 mil diplomas impressos desde 2006, segundo o diretor da unidade, Adair Prateado Jnior. Para atender a uma demanda prpria das indstrias instaladas no municpio, a Unidade In-tegrada SESI SENAI Aparecida realiza cursos de iniciao e qualificao profissional nas reas de construo civil, txtil, vesturio, transporte, ele-troeletrnica; e aperfeioamento profissional em gesto, tecnologia da informao, transporte e ele-troeletrnica, alm de oferecer tambm vagas em cursos de Educao a Distncia. A relao, sempre prxima, da administrao da escola com os representantes dos segmentos industriais no municpio permite quela atender s novas demandas por mo de obra qualificada que vo surgindo ao longo do tempo. Ponto a mais para a cidade, que consegue manter em seu ter-ritrio a fora de trabalho residente ali, evitando, assim, sua migrao para outras localidades, o que historicamente ocorria.O local onde a Unidade Integrada SESI SENAI est instalada, em Aparecida, era um terreno que pertencia Polcia Militar, tendo sido doado Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) em maio de 1994. Nesse novo formato, passa a atender no s Aparecida, mas, ao todo, nove outros municpios goianos. Prepara mo de obra qualificada, pres-ta assessoria e assistncia tcnica e tecnolgica s indstrias, cuida dos vrios segmentos da vida do trabalhador de forma integrada e contribui, assim, para o desenvolvimento dos municpios municpios onde atua. E, de acordo com o perfil das empresas e a demanda existente, o SESI SENAI Aparecida prepara trabalhadores para as mais diversas reas, seja operacional, seja de superviso, administrativa e de gesto e de recursos humanos.A unidade possui instalaes adequadas s ne-cessidades locais e ambientes pedaggicos capazes de oferecer Educao Profissional de qualidade, conforme exige o mercado. A estrutura compos-ta por salas de aula, laboratrios de automao in-dustrial e de informtica, oficinas, auditrios, entre outros espaos necessrios formao integral do trabalhador da indstria. Os clientes so jovens de 14 a 24 anos, que buscam aprendizagem industrial inicial ou cursos tcnicos de Educao Profissional de nvel mdio.Por meio, ainda, de unidades mveis admi-nistradas pela Unidade Integrada SESI SENAI Aparecida de Goinia, municpios que no con-tam com escolas fixas mantidas pelas instituies tm acesso aos cursos ministrados pelo SENAI e s aes de sade, educao, lazer, esporte e de res-ponsabilidade social oferecidas pelo SESI. Verda-deiras oficinas autotransportveis que levam mais cidadania populao dessas localidades.Marco: dois anos depois do compartilhamento do Sistema FIEG, o SESI e o SENAI integram a unidade de Aparecida de Goinia, a primeira a reunir atividades das instituies em Gois, em 2006, com presena de Jos Roberto Pereira (Aciag), secretrios Ageu Cavalcante e Ridoval Chiareloto, deputado Chico Abreu, prefeito Jos Macedo, Paulo Afonso (FIEG), Eduardo Zuppani (Sindiqumica) e Marley Rocha (Sinprocim) quem dIrIge A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI APAreCIdA de goINIAadair prateado Jnior (a partir de 1/06/1994)| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 117Nova unidade: diretor da PR-VIDA, Nelson Costa, fala na inaugurao da Escola SENAI Dr. Celso Charuri, construda em parceria com a instituio beneficente e a prefeitura de Aparecida de GoiniaA segunda unidade do SENAI em Aparecida de Goinia a caula do Estado, inaugurada em outubro de 2011. Resultado de parceria com a instituio beneficente PR-VIDA e a Prefeitura de Aparecida, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri foi instalada pronta para funcionar e matricular, em mdia, 2,7 mil alunos por ano. A unio de esforos entre a PR-VIDA e a Prefeitura de Aparecida foi decisiva para que a unidade se tornasse uma reali-dade no municpio.A escola est localizada na Vila Oliveira e foi erguida em terreno de 13,7 mil metros quadrados doado pelo Executivo municipal. A rea edificada de cerca de 3 mil metros quadrados, onde so ministrados cursos de manuteno industrial, ele-troeletrnica, metalmecnica, informtica e cons-truo civil nas modalidades de aprendizagem industrial, qualificao profissional, habilitao tcnica e aperfeioamento.A PR-VIDA foi responsvel pela constru-o do edifcio e aquisio de parte dos equipa-mentos necessrios ao funcionamento da escola, doados ao SENAI. A prefeitura investiu na infra-estrutura da regio, para facilitar o acesso da co-munidade. Ruas e avenidas foram pavimentadas, alm de melhorada a infraestrutura viria, com a duplicao de vias. Os distritos agroindustriais do municpio tm escola seNAI dr. Celso Charuri| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |118atrado nos ltimos anos empresas dos mais di-versos ramos. O parque industrial de Aparecida formado por quase mil empresas dos mais variados segmentos da indstria, entre elas Grupo Mabel, Equiplex Indstria Farmacutica, Fraldas Sapeka, Fraldas Kisses, Tempervidros e Arroz Cristal.Levantamento que antecedeu a abertura da nova escola demonstrou a carncia de mo de obra especializada na cidade e a demanda indicava a necessidade de criao de cursos tcnicos articu-lados com o ensino mdio em reas como eletro-mecnica, metalmecnica e informtica. O estudo tambm mostrou lacuna significativa em relao a cursos de aprendizagem nas reas administrativa e de gesto, soldagem, manuteno e usinagem, ele-tricidade, entre outras. Lacuna que agora poder ser suprida com o oferecimento de cursos nesses segmentos, diz o diretor da unidade, Marcos An-tnio Mariano Siqueira, com a experincia de ter dirigido anteriormente a Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, em Goinia.Oficina da Escola SENAI Dr. Celso Charuri: estudantes conhecem novas instalaes destinadas educao profissionalmarcos antnio mariano siqueira (a partir de 15/07/2011)quem dIrIge A esColA seNAI dr. Celso ChArurIH mais de 20 anos a Dinmica Engenharia tem parceria com o SENAI, sempre recebendo apoio necessrio para implementao de todas as atividades dentro e fora de nossos canteiros de obra.Mrio Valois, Diretor da Dinmica Engenharia| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 119O Ncleo Integrado SESI SENAI Senador Ca-nedo um dos mais recentes instalados em Gois. Inaugurado em 4 de novembro de 2009, a unidade funciona nos moldes atuais de gesto compartilhada com o SESI, em que a comunidade tem acesso, no mesmo espao, Educao Profis-sional e Bsica.Com uma taxa de crescimento populacional bem acima da mdia da maioria dos municpios de Gois, Senador Canedo, com 75 mil habitan-tes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsti-ca/2010), cresce de forma acelerada. Para a cidade, localizada na Regio Metropolitana de Goinia, convergem iniciativas do setor produtivo, o que tem demandado, cada vez mais, mo de obra especiali-zada para suprir as necessidades da indstria.Senador Canedo tem a marca da indstria do setor de combustveis, mas bem mais que isso. A localizao estratgica atrai cada vez mais empre-sas, fazendo com que o municpio esteja sempre entre os cinco, seis maiores responsveis pela ar-recadao do Imposto Sobre Circulao de Mer-cadorias e Servios (ICMS), segundo indicadores da Secretaria Estadual de Planejamento, e um dos mais competitivos de Gois. Desse modo, esto instaladas hoje em Senador Canedo indstrias representantes de setores diversos, como o de ali-mentos, tecnologia, couros, vesturio, transporte.No Ncleo Integrado SESI SENAI Senador Canedo, a comunidade tem acesso Educao Profissional nas modalidades de aprendizagem e qualificao em transporte, tecnologia da informa-o, gesto comportamental, construo civil, ali-mentos e bebidas. O SESI, por sua vez, oferece va-gas em cursos gratuitos ministrados na modalidade de educao a distncia e programas de Educao de Jovens e Adultos (EJA) e Educao Continuada, alm de desenvolver projetos consolidados, como o Atletas do Futuro e aes educativas em sade.Ncleo Integrado sesI seNAI senador CanedoUm dos municpios goianos mais competitivos, Senador Canedo ganhou, em 2009, ncleo integrado SESI SENAI, inaugurado pelo ento prefeito Vanderlan Cardoso, Paulo Afonso Ferreira e Paulo Vargas| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |120Anpolis, a cidade-bero do SENAI em Goi-s, onde est instalada a hoje Faculdade de Tecnologia Roberto Mange, ganhou em 2011 mais uma unidade do sistema, o Ncleo de Formao Profissional Conjunto Filostro Machado, fruto de parceria entre o SENAI e a Prefeitura de Anpolis. uma das caulas entre as 20 unidades instala-das em todo o Estado, e foi fundada com o objetivo de representar um esforo na qualificao profis-sional dos jovens da regio.Com a abertura do posto avanado, j com 400 alunos matriculados, a instituio avana no atendimento demanda por mo de obra qua-lificada em regio habitada por cerca de 50 mil habitantes.As atividades educacionais desenvolvidas so coordenadas pela Fatec Roberto Mange. O novo ncleo conta ainda com parceria das unidades do SESI Jaiara e Jundia, responsveis por ativi-dades de Educao Continuada, bem como por programas como Educao de Jovens e Adultos e Cozinha Brasil.Quando da instalao do ncleo, o prefeito de Anpolis, Antnio Gomide, frisou: Nosso objetivo beneficiar os cerca de 50 mil moradores da regio e garantir que o desenvolvimento econmico e social chegue a todos, com a oferta cada vez maior de qualificao.AnpolisCidade-bero ganha ncleo de formao profissionalMais Anpolis: presidente da FIEG, Pedro Alves de Oliveira, discursa na inaugurao do Ncleo de Formao Profissional Conjunto Filostro Machado, observado pelo prefeito Antnio Gomide, empresrios e autoridadesO SENAI um parceiro estratgico para a Caoa/Hyundai desde sua instalao em Anpolis. A maioria dos funcionrios da montadora formada por egressos do SENAI. Fabricamos um produto de altssima qualidade, nosso veculo competitivo no mercado e isso se deve, alm da tecnologia que utilizamos, competncia da mo de obra que empregamos. Estamos muito satisfeitos com o atendimento realizado pelo SENAI Gois. Akira Yoshikawa, ex-diretor da Caoa/Hyundai| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 121Na inaugurao do CFP Catalo, em 1988, Ardio Teixeira Duarte, prefeito Haley Margon Vaz, Aquino Porto ouvem explicaes sobre a escola do tcnico Jos Gonzaga Ribeiro (centro)Catalo, no Sudeste de Gois, recebeu, ainda no final da dcada de 1980, uma unidade do SENAI para atender ao acelerado processo de ocupao e desenvolvimento da regio. O CFP nasceu da parceria com o municpio, que cedeu, em regime de comodato, terreno de 7,7 mil me-tros quadrados para construo da escola, hoje com rea edificada de 4,8 mil metros quadrados. A parceria incluiu as mineradoras Goiasfrtil (hoje Ultrafrtil), Minerao Catalo e Coperbras. O incio da obra ocorreu em 1986, com inaugurao em 28 de dezembro de 1988.O SENAI construiu em Catalo um centro de ensino que orgulho para esta cidade e para sua gente. uma obra para o prximo sculo, projeta-da para as geraes do futuro. Foram palavras do prefeito poca, Haley Margon Vaz, completado pelo ento presidente da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG), Jos Aquino Porto: O CFP Catalo exemplo do quanto podem a unio e o esforo comum. Cataloescola seNAI CataloO SENAI formou minha personalidade profissional alicerada na tica e no exerccio da cidadania. O SENAI no forma s profissionais aptos para o mercado de trabalho, mas tambm cidados melhores na sociedade.Dyheizon Carlos Pereira, ex-aluno e instrutor da Escola SENAI Catalo, atualmente advogado| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |122A unidade atua fortemente nas reas de confeco, eletroeletrnica, instrumentao, metalmecnica, setor automotivo, tecnologia da informao, segurana do trabalho, transporte, qumica e gesto. Desde que comeou suas ativi-dades, em 1988, a escola foi responsvel pela for-mao de 57.922 alunos. E o volume de formandos no SENAI Catalo cresce ano aps ano. Saltou de 3.255, em 2006, para 12.671, em 2011, aumento de quase 290%.Como atende a diversos segmentos na regio, a escola precisa tambm oferecer formao capaz de abranger todos os nveis e tipos de produo. Uma das fortes reas de atuao, segundo o diretor, Antnio Ildio Reginaldo da Silva, o segmento de lingerie, devido instalao de grandes empresas do ramo no municpio. Do mesmo modo, tambm dispe de profissionais altamente especializados na formao de mo de obra para minerao, mec-nica automotiva e mecnica de mquinas e imple-mentos agrcolas. Tudo isso resultante da realida-de local, ressalta Antnio Ildio, frente do SENAI desde 1996, bem como da unidade do SESI, que funciona de forma integrada.Segundo Antnio Ildio, a partir de 2005 a es-cola adquiriu tecnologias CNC em fresas e tornos, bem como domnio em software voltado para a produo de alto volume em confeco. o SE-NAI de Catalo seguindo seu tempo, atuando em consonncia com o atual momento da indstria, para atender real demanda daquela regio.Ex-alunos Quem passou pelo SENAI Catalo o hoje advogado Dyheizon Carlos Pereira, de 32 anos. Natural de Ouvidor, ele vive em Catalo desde os anos 1980. Na adolescncia, de olho na excelncia da formao oferecida pelo SENAI, buscou a es-cola para fazer o curso de manuteno em eletrici-dade. Vrios outros vieram no currculo, inclusive com o ex-aluno representando a escola em torneios locais e nacionais.Voltou ao SENAI, mais tarde, como monitor em sua rea de formao e, em seguida, como ins-trutor extraquadro, condio em que trabalhou por mais de uma dcada. Formado em Direito, hoje advogado em Catalo. Depois que eu passei pelo SENAI, a insero no mercado de trabalho foi imediata. Aps qualificado, nunca mais estive de-sempregado, complementa.Como a Escola SENAI passou, a partir de 2008, a atuar de forma integrada com a unidade local do SESI, a comunidade de Catalo encontra no sistema, tambm, a oportunidade de cursar as sries do Ensino Fundamental, Ensino Mdio, a Educao de Jovens e Adultos (EJA), o Ensino M-dio Articulado com a Educao Profissional. Tem acesso ainda a aes educativas e preventivas.Dyheizon Carlos Pereira, ex-aluno de manuteno em eletricidade: Depois que eu passei pelo SENAI, a insero no mercado de trabalho foi imediataonion Carrijo Frana (1/04/1988 a 1/04/1996)antnio ildio reginaldo da silva (a partir de 1/04/1996)quem dIrIgIu A esColA seNAI CAtAloSomos testemunhas da qualidade, dedicao e, principalmente, dos resultados na formao de pessoal tcnico, principal foco do SENAI.Gustavo Reis Teixeira, Diretor de Mercado da LG Sistemas| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 123Somando foras, setor produtivo empresas como Caramuru Alimentos, Maeda Industrial e Sementes Pionner , prefeitura municipal e SE-NAI tornaram realidade, em 1992, a Escola SENAI Itumbiara. Liderado pela Associao Comercial e Industrial, um grupo de empresrios da regio ad-quiriu e doou instituio, em 1991, um terreno de aproximadamente 20 mil metros quadrados, onde a escola seria erguida e aberta comunidade, um ano depois. Tambm se responsabilizou por parte da compra dos equipamentos destinados ao fun-cionamento das oficinas de ensino. prefeitura coube edificar os pavilhes onde as oficinas seriam instaladas, mais tarde, asfaltar vias de acesso interno, construir estacionamen-to, meios-fios. O SENAI ergueu os pavilhes das reas administrativas, adquiriu maquinrio e mobi-lirio em geral. Nascia, no comeo da dcada de 1990, importante polo formador de mo de obra qualificada para o forte processo de industrializa-o que rumava ao Sul do Estado.Dada a diversidade de segmentos em que atua, o SENAI Itumbiara atende a um grande universo relacionado ao setor produtivo na regio. Do microempresrio s grandes companhias, to-dos tm na instituio um brao-forte no que diz respeito preparao do trabalhador para atuar nos mais variados setores industriais, afirma o di-retor da unidade, Aroldo dos Reis Nogueira. Tam-bm forma enorme quantidade de funcionrios para reas administrativas, de gesto e superviso dessas empresas.Itumbiaraescola seNAI ItumbiaraCFP Itumbiara, em obras, e na inaugurao, em 1992, recebe visita de empresrios e autoridades, como Mauro Miranda, Aquino Porto, Joo Natal, Paulo Vargas, prefeito Celso Santos e professora Terezinha Vieira dos Santos| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |124O nmero de alunos atingidos pela formao oferecida pelo SENAI Itumbiara cresce a uma pro-poro significativa nos ltimos anos. Para se ter uma ideia, em 2005 passaram por l 1.806 alunos, segundo registros da escola. Em 2008, esse nme-ro havia saltado para 2.706. J 2011, bateu a marca dos 5.357 alunos, crescimento de quase 200% na preparao de trabalhadores para o mercado de trabalho em seis anos, apontam as estatsticas.Em Itumbiara, o SENAI atua nas reas ad-ministrativa, de alimentos, qumica, sucroalco-oleira, eletroeletrnica, mecnica automotiva, mecnica industrial, informtica, entre vrias ou-tras. Presta, ainda, servios de assessoria tcnica e tecnolgica s empresas da regio. Servios tam-bm so colocados disposio da comunidade de Itumbiara por meio de parcerias com o poder pblico, por exemplo.Oferece trs cursos na modalidade de educa-o profissional articulado com ensino mdio, do SESI: tcnico em Qumica Industrial, tcnico em Eletromecnica e tcnico em Mecnica. A escola tambm forma tcnicos em Alimentos, Acar e lcool, Segurana no Trabalho, Eletromecnica, Mecnica, Qumica Industrial, Eletrotcnica e Logstica. Vrios outros cursos em diferentes mo-dalidades integram a programao da instituio.O municpio de Itumbiara um dos que mais crescem no Estado, taxa mdia de 1,52% (dados de 2008 da Secretaria Estadual de Planejamento), aproximando-se dos 100 mil habitantes. Dos R$ 113,6 milhes em arrecadao de Imposto Sobre Circulao de Mercadorias e Servios (2009), R$ 20,1 milhes vieram da produo industrial, segun-do maior porcentual do municpio, o que demons-tra a fora do setor na regio, com consequente ne-cessidade de formao de mo de obra qualificada que garanta seu crescimento.Claiton Cndido, ex-aluno e instrutor do SENAI Itumbiara, 8 lugar em fresagem no World Skills, no Canad, em 1999quem dIrIgIu A esColA seNAI ItumbIArAJair Braz de oliveira (10/03/1993 a 1/09/1993)adenerte moiss da rocha (10/08/1993 a 30/03/2001)ivan de oliveira Barros (12/03/2001 a 1/10/2001)aroldo dos reis nogueira (a partir de 1/06/2002)| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 125Sudoeste Goianounidade Integrada sesI seNAI rio verdeA ampliao do parque industrial na Regio Su-doeste do Estado nos ltimos anos da dcada de 1990, com a instalao em Rio Verde de gran-des empresas do setor de alimentao, fez crescer, naturalmente, a demanda por mo de obra espe-cializada. Nasce a ento Escola SENAI Fernando Bezerra, que a partir de 2006 tem suas atividades integradas s do SESI, constituindo a Unidade In-tegrada SESI SENAI Rio Verde.A implantao ocorreu em 29 de dezembro de 1998, na mesma rea onde antes havia funcio-nado o Centro Regional de Treinamento do Su-doeste (CRTS), que fora instalado no municpio ainda em 1977.Transformada em uma grande escola, abriu suas portas oferecendo formao de recursos hu-manos nas modalidades de aprendizagem indus-trial, qualificao profissional, habitao tcnica, especializao e aperfeioamento para as reas de manuteno, superviso e operao das empresas instaladas na regio. Desde o incio, tambm presta s indstrias locais servios de assistncia tcnica e tecnolgica, contribuindo com a modernizao e atualizao dos sistemas produtivos.O terreno onde foi construda a escola, de 19,2 mil metros quadrados, havia sido cedido ao SENAI, em regime de doao, pela Prefeitura de Rio Verde. As modernas instalaes da escola integram rea edificada de mais de 5 mil metros quadrados. A construo foi fruto de parceria entre a instituio e o poder pblico, o que propiciou a transformao de um modesto centro de treina-mento ento existente em moderna escola, dotada de laboratrios de ltima gerao, compatveis com o nvel tecnolgico dos grupos empresariais instala-dos na regio.Localizado na Rua Guanabara, no Setor Pau-zanes, o SENAI Rio Verde formou 22,4 mil alunos entre 2008 e 2011. A expanso do setor sucroalcoo-leiro na regio nos ltimos anos fez com que a es-cola se adequasse para formao de mo de obra capaz de atender s necessidades desse segmento industrial. Assim, passaram a ser oferecidos cursos Antigo Centro Regional de Treinamento do Sudoeste, instalado em 1977, e a hoje Unidade Integrada SESI SENAI Rio Verde: transformao para atender ampliao do parque industrial| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |126de operao mecnica de mquinas agrcolas e operao de processos para as indstrias.Atento s novas demandas, mas tambm cien-te do papel fundamental que exerce como forma-dor de recursos humanos capacitados para atuar nas indstrias da Regio Sudoeste do Estado, o SENAI busca atender todos os segmentos existen-tes, explica o atual diretor, Hlio Santana. No por acaso, o portflio inclui hoje uma gama enorme de cursos nas reas de mecnica de manuteno industrial, eletroeletrnica, mecnica automotiva, administrao, informtica.Na rea de mecnica automotiva, por exem-plo, so oferecidos cursos de mecnica de manu-teno de veculos movidos a lcool e gasolina e mecnica de manuteno de veculos a diesel, nas modalidades de aprendizagem industrial bsica, aperfeioamento profissional, qualificao profis-sional. J dentro das empresas, so realizados cursos de manuteno e operao de mquinas agrcolas.Por meio dos Servios Tcnicos e Tecnolgi-cos prestados pelo SENAI Rio Verde, as empre-sas da Regio Sudoeste contam com um corpo profissional capaz de oferecer as mais atualizadas informaes, necessrias ao desenvolvimento dos processos produtivos. H desde consultorias na gesto de produo e servios laboratoriais, sempre com a possibilidade de uso da rede de laboratrios e de tecnologia que integram o SENAI para a dis-seminao das informaes por meio de cursos e palestras.A escola tem passado por constante atualiza-o de seus ambientes de ensino. Foram adquiridos equipamentos mais modernos, ampliadas as salas de estudo, bem como aumentado, tambm, o qua-dro de colaboradores, sobretudo de professores e instrutores. Em relao aos equipamentos, desde que as especificaes do fabricante permitam, a unidade procura investir em aparelhos que possibi-litam a realizao de cursos promovidos por aes mveis, cujos instrumentos possam ser deslocados. Assim, as empresas podem ser atendidas em seu prprio ambiente, o que resulta em ganho produ-tivo e evita o deslocamento dos tcnicos e colabo-radores desses grupos, que muitas vezes esto em locais distantes da sede de Rio Verde.Ligados Unidade Integrada SESI SENAI Rio Verde, nasceram ncleos de formao de mo de obra para a indstria nas cidades de Quirin-polis e Mineiros. O primeiro surgiu em maro de 2010 para atender crescente demanda das empre-sas instaladas na cidade, cujo parque foi fortemente ampliado com o desenvolvimento do setor sucroal-cooleiro na regio.Wilson gilberto pereira Junior (14/02/1977 a 17/09/1982)Donaldo alberto Ferreira (15/02/1984 a 1/06/1986)Eni soares de oliveira (1/06/1986 a 24/03/1993)onion Carrijo Frana (15/09/1996 a 1/10/1999)alexandre mendona de Barros (1/10/1999 a 1/07/2003)robert de souza Bonuti (1/02/2004 a 02/04/2012)hlio santana (a partir de 02/04/2012)quem dIrIgIu o seNAI em rIo verde (ANtIgo CeNtro regIoNAl de treINAmeNto do sudoeste e AtuAl uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI rIo verde)Conhecida como regio do agronegcio, Rio Verde diversifica sua economia com expanso do setor confeccionista. Em 2006, a Unidade SESI SENAI ganhou ncleo de vesturio para atender s indstrias| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 127Inaugurado em maro de 2010, o ncleo SESI SENAI Quirinpolis virou unidade integrada dois anos depois: investimentos em parceria com iniciativa privadaMenos de um ano depois de Quirinpolis, foi a vez de Mineiros ganhar ncleo SESI SENAI: fora da indstria da Regio SudoesteO ncleo de Mineiros foi inaugurado em de-zembro de 2010. L, a estrutura resultado da parceria entre o SENAI, ETH Bioenergia, BRF Brasil Foods e Prefeitura Municipal. Tambm ofe-rece cursos de mecnica de manuteno industrial, informtica e assistente-administrativo. Em parce-ria com empresas da regio, so realizados cursos de operao e manuteno de mquinas agrcolas e operao de processos industriais, especialmente desenvolvidos para as indstrias do setor sucroalco-oleiro. O SESI, da mesma forma, tambm realiza servios na rea educacional.Instalado por meio de investimentos do SENAI, da Usina Boa Vista, Usina So Francisco e Pre-feitura Municipal, o ncleo de Quirinpolis virou Unidade Integrada SESI SENAI em 2012, sob a administrao de Robert de Souza Bonuti, que at ento gerenciava a Unidade SESI SENAI Rio Verde. Ali, so oferecidos cursos nas reas de ele-troeletrnica industrial, operao e manuteno de mquinas agrcolas, mecnica de veculos a diesel e mecnica de manuteno industrial tornearia, solda, caldeiraria, hidrulica, pneumtica, entre outras. Do mesmo modo que ocorre em Rio Ver-de, tambm em Quirinpolis o SESI atua de for-ma integrada com o SENAI, oferecendo cursos de Educao de Jovens e Adultos e de Educao Continuada.unidade Integrada sesI seNAI quirinpolisNcleo Integrado sesI seNAI mineirosquem dIrIge A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI quIrINPolIsrobert de souza Bonuti (a partir de 02/04/2012)| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |128Em Minau, no Norte do Estado, como resulta-do da estratgia sistemtica de parceria entre o SENAI e a iniciativa privada, nasce, em 1988, o ento Centro de Formao Profissional SENAI SAMA, dentro das instalaes da mineradora. Desde 1979, o SENAI j atendia SAMA Minera-o e Amianto, assessorando-a nos cursos profissio-nalizantes que eram ministrados no local, antes de-nominado Centro de Formao e Treinamento de Pessoal (CFTP), mantido pela empresa para a pre-parao de aprendizes, dentro da Lei de Incentivos Fiscais para Formao Profissional (Lei 6.297/75).Em 10 de outubro de 1988, SAMA e SENAI assinaram Termo de Cooperao Tcnico-Finan-ceira. A partir de ento, a instituio passou a as-sumir a gesto e toda a formao de mo de obra na unidade, que funciona em instalao erguida na Vila Residencial da SAMA Minerao e Amianto, em terreno pertencente empresa.Concretizamos um namoro de pratica-mente dez anos com o SENAI, que sempre nos atendeu e nos beneficiou bastante com sua com-petncia na formao de nossos jovens tcnicos e mesmo na organizao dos nossos seminrios gerenciais, disse poca o gerente da SAMA, Andr Blondeau.Minauunidade Integrada sesI seNAI sAmAOutubro de 1988: o ento presidente da FIEG, Aquino Porto, e gerente geral da SAMA poca, Andr Blondeau, assinam termo de cooperao para o SENAI assumir o centro de formao da mineradora (abaixo), concretizando namoro de dez anos| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 129Em 2007, a escola se tornou Unidade Integra-da SESI SENAI SAMA, ampliando o portflio de servios colocados disposio da mineradora, destaca o atual diretor, Josu Teixeira de Moura. Hoje so oferecidos cursos tcnicos de Minera-o, Eletrotcnica, Logstica, Segurana do Tra-balho, Eletromecnica e Eletrnica. J os cursos de aprendizagem so nas ocupaes de Eletricista de Sistemas Eletroeletrnicos, Mecnico de Ma-nuteno de Mquinas Industriais e Assistente Administrativo. H ainda grande variedade de cursos na mo-dalidade de qualificao, que vo de torneiro me-cnico, pintor, soldador, a recepcionista, auxiliar de pessoal e manicure, cuja realizao contribui para melhorar as condies de emprego e renda da comunidade de Minau, indo, portanto, alm, da atuao junto aos colaboradores da SAMA Mine-rao e Amianto.Desde que comeou a funcionar sob a gesto do SENAI, a unidade formou aproximadamente 17,2 mil trabalhadores para a indstria, sendo pon-tos fortes a mecnica industrial, a eletroeletrnica e a rea de minerao. Nos ltimos anos, moder-nizou suas instalaes e hoje conta com o suporte de uma unidade do projeto Indstria do Conheci-mento, do SESI, e da Biblioteca Rubens Rela Fi-lho, denominao dada em homenagem ao diretor geral da SAMA.Ao funcionar como unidade integrada, o SESI, juntando-se s atividades desenvolvidas pelo SENAI, oferece, alm dos cursos de Educao B-sica, atividades de esporte e lazer. Dentre elas, tnis, natao, voleibol, futebol, futsal, basquete, atletis-mo, hidroginstica, dana e msica. Aes voltadas no apenas para os trabalhadores da SAMA, mas para adultos e crianas da comunidade de Minau.Unidade Integrada SESI SENAI SAMA, dentro da mineradora: amplo e diversificado portflio de cursos, de torneiro mecnico a manicuremoacir tomz da silva (08/09/1982 a 20/03/1984)luiz alberto Cristino (1/02/1989 a 20/02/1998)roque Celso Fulini (janeiro/1998 a agosto de 1999)hlio Vilaa (1/04/2001 a 03/11/2006)Wilson Caetano da silva (03/01/2006 a 1/03/2007)Josu teixeira de moura (a partir de 1/03/2007)quem dIrIgIu A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI sAmA (ANtIgo CfP seNAI sAmA)| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |130Niquelndia e Barro Altounidade Integrada sesI seNAI NiquelndiaNo Conjunto Habitacional Codemin, no Bairro Jardim Atlntico, em Niquelndia, Regio Norte do Estado, est localizada a Unida-de Integrada SESI SENAI daquele municpio. A construo, em terreno doado s instituies pela mineradora Anglo American do Brasil, composto por aproximadamente 50 mil metros quadrados de rea, teve incio em 2005 e resultado de parceria que inclui, ainda, a Prefeitura Municipal de Nique-lndia e a tambm mineradora Votorantim Metais Nquel S.A. As atividades destinadas aos trabalha-dores da indstria daquela regio comearam um ano depois, em agosto de 2006.A Unidade Integrada SESI SENAI Nique-lndia tem, como particularidade, o fato de ter sido concebida j neste modelo de integrao entre as duas instituies. Compreendendo a necessidade de proporcionar eficiente formao profissional na regio, Anglo e Votorantim aportaram recursos para implantao da unidade aps buscarem a par-ceria, referendada tambm pela administrao de escola de filhos de colaboradores da Votorantim pelo SESI.Para atender s especificidades das indstrias da regio, o SENAI Niquelndia atua nos segmen-tos de eletrotcnica, metalurgia, qumica indus-trial, administrao e segurana do trabalho. Pelos cursos oferecidos na unidade passam, atualmente, cerca de 2,4 mil alunos. Em seus cinco anos de fun-cionamento, a unidade totaliza 12.137 concluintes.Depois que passei pelo SENAI, como aluno, as portas do mercado de trabalho se abriram para mim. diferente. Se voc tem um diploma do SENAI, a empresa o valoriza, o trabalhador tem credibilidade. Depois que me formei, minha fora de trabalho foi vista com mais interesse pela indstria.Lusenir Ferreira Pimentel, ex-aluno e instrutor da Unidade Integrada SESI SENAI NiquelndiaFora da minerao: Anglo American, Votorantim Metais, prefeitura e Sistema FIEG assinam placa que inaugura a Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia, em 2006| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 131De aluno a instrutorUm dos ex-alunos, agora integrante do corpo docente, Lusenir Ferreira Pimentel, de 26 anos, formado metalrgico na Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia, onde estudou de abril de 2008 a dezembro de 2009. Como funcionrio efe-tivo, tornou-se instrutor de Educao Profissional, na rea de sua formao. Divide as atividades entre a sala de aula e o laboratrio, acompanha os alunos nos estgios realizados nas empresas da regio e ainda responsvel pelas manutenes corretivas e preventivas em equipamentos da unidade, onde tambm acompanha, hoje, pesquisa de aperfei-oamento de processos metalrgicos. Em breve estarei trabalhando um projeto de otimizao de produo metalrgica, diz ele.Embora relativamente jovem, a unidade j recebeu importantes ampliaes aps ser fundada. Quatro novas salas de aula, cada uma com capa-cidade para 50 alunos, foram abertas. Tambm foram construdos os laboratrios de Qumica e Metalurgia, o que incrementou as possibilidades de ensino no local.Na modalidade de Aprendizagem Industrial Bsica, a Unidade SESI SENAI Niquelndia ofe-rece vagas nas ocupaes de Assistente Adminis-trativo, Eletricista de Sistemas Eletroeletrnicos e Auxiliar de Laboratrio Industrial. J na Aprendi-zagem Industrial Tcnica articulada com o Ensi-no Mdio, so realizados cursos de Eletrotcnica e Qumica. As Habilitaes Tcnicas so realiza-das em Acar e lcool, Metalurgia, Segurana no Trabalho, Qumica, Eletrotcnica e Logstica. H, ainda, formao das modalidades de Aperfei-oamento e Qualificao Profissional e Educao a Distncia.Lusenir Ferreira Pimental, de aluno a instrutor e muitas atribuies na escola e nas empresasConstruda em apenas um ano, a Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia passou por vrias ampliaes: atuao diversificada na regio Norte| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |132Lusenir fez o curso tcnico em Metalurgia para voltar, depois, como mestre prpria escola. Escolhi o SENAI por sempre ter representado uma referncia, para mim, em educao e com-promisso com o aprendizado. A instituio se preo-cupa com a formao adquirida pelos alunos, com os valores que eles vo levar daqui. Valores como respeito ao meio ambiente e s pessoas, tica, se-gurana, coerncia no que faz esto presentes na histria do SENAI. Isso me motivou ainda mais a estudar e a permanecer aqui, diz.Trajetria semelhante tem outro ex-aluno da escola e hoje instrutor de Educao Profissional Arlam Gomes Souza. O empenho e a dedicao do jovem de apenas 19 anos abriram-lhe as portas dentro e fora do SENAI. Aos 14 anos, o ento ado-lescente teve seu primeiro contato com o sistema, ao passar pelo curso de eletricista de sistemas ele-troeletrnicos, integrando, na poca, a primeira turma nessa rea. Formou-se tambm tcnico em eletrotcnica em 2009.Em 2008, na condio de menor aprendiz, trabalhou na Votorantim Metais, empresa parcei-ra do SENAI na regio. Quando retornou escola para fazer o curso tcnico, foi convidado para per-manecer na unidade como estagirio voluntrio num dos perodos. Aceitou a empreitada, sendo depois contratado como estagirio at a concluso do curso. Vencida mais essa etapa, o ex-aluno do SENAI Niquelndia tambm passou a ensinar a garotada da regio, ao assumir a funo de instru-tor de Educao Profissional.Tudo o que sei, profissionalmente e inclusive boa parte do que aprendi para a minha vida pesso-al, eu devo ao SENAI. Entrei ali com 14 anos. Toda a minha formao vem de l, resume o instrutor. Alm da profisso que adquiri, posso dizer que levarei do SENAI, para toda a vida, valores como disciplina profissional, proatividade, bom relacio-namento interpessoal. O SENAI me ensinou a olhar para a frente, a ter grandes objetivos, afirma.Do SENAI, Lusenir conta que tambm le-var mais do que o ofcio adquirido nas oficinas da escola. No SENAI aprendi que, com boa for-mao, qualquer um chega onde quer. E o mais importante no ser o melhor em conhecimento. Importante saber lidar com as diferenas, com os obstculos, os desafios que a vida profissional lhe impe. Mais importante ser persistente nessa busca pela superao dos limites. Isso nos abre no-vas possibilidades de crescimento e evoluo pes-soal, ensina. Cheguei onde estou, sou feliz com o que fao, mas quero ir alm, avisa.No pdio: Arlam Gomes Souza, medalha de ouro na Olimpada do Conhecimento em eletricidade industrial e ascenso como instrutor do SENAIquem dIrIgIu A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI NIquelNdIAmisclay marjorie (1/01/2006 a 05/01/2009)thiago vieira ferri (a partir de 05/01/2009)| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 133O SENAI Niquelndia tambm seguiu adian-te, como seus ex-alunos Lusenir e Arlam. Em 2009, passou a funcionar no municpio de Barro Alto, distante 95 quilmetros, um novo n-cleo ligado unidade em terreno doado ao SESI pela prefeitura da cidade. Apenas trs anos de-pois, em 2012, o ncleo virou unidade integrada, independente de Niquelndia. Ali so ministra-dos cursos de Aprendizagem Industrial Bsica, na rea do SENAI, alm da Educao de Jovens e Adultos, Alfabetizao e Educao Continuada, sob a responsabilidade do SESI. Para este ano, h previso de incio do curso tcnico em Logstica.A mais nova unidade integrada SESI SENAI conta com infraestrutura composta de ambientes pedaggicos propcios ao desenvolvimento das ati-vidades educacionais, incluindo seis salas de estudo com capacidade para 40 alunos cada; um labora-trio de Informtica com 16 microcomputadores; auditrio com capacidade para 50 pessoas e biblio-teca com considervel acervo e acesso internet, entre outros.unidade Integrada sesI seNAI barro AltoTrs anos depois da implantao, em 2009, o ncleo de Barro Alto transformado em Unidade Integrada SESI SENAI: expansoWashington lus Chaves lima (a partir de 1/02/2012)quem dIrIge A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI bArro Alto| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |134Trindade, a Capital da F de Gois, tambm a cidade da indstria confeccionista, sendo essa considerada uma das principais foras da produo local e geradora de emprego e renda. Uma vocao que remonta sua fundao e que, em agosto de 1988, levou o SENAI, em parceria com a prefeitu-ra, a implantar ali uma estrutura destinada a prepa-rar a mo de obra para atuar no segmento. Nascia o Ncleo de Confeco de Trindade.Na solenidade de inaugurao daquele espa-o, o ento presidente do Sindicato das Indstrias do Vesturio do Estado de Gois, Jos Antnio Simo, disse: Este um pequeno passo e um marco para a profissionalizao e para o progresso industrial de Trindade, referindo-se oficina de costura instalada na ocasio numa sala cedida pela Prefeitura Municipal no Ginsio de Esportes da cidade, na Regio Metropolitana de Goinia.A unidade foi implantada atendendo justa-mente solicitao do sindicato da indstria de confeco local, devido crescente demanda por mo de obra especializada no segmento de ves-turio. Comeou a funcionar com 12 mquinas de costura e 36 alunos matriculados na primeira turma em cursos de qualificao e aperfeioa-mento em costura industrial. Em 2011, o nmero de matrculas no Ncleo de Confeco de Trin-dade chegou a 375 alunos nos cursos de costureiro industrial, modelista de roupas e aprendizagem industrial. TrindadeNcleo de Confeco de trindadeTrindade, 1988: Paulo Vargas cumprimenta o ento secretrio de Indstria e Comrcio, Joo Paiva Ribeiro, ao inaugurar a Unidade Mvel de Costura Industrial, sucedida posteriormente pelo Ncleo de Confeco, inaugurada em 2006, com presena do prefeito George Morais Ferreira, Francisco de Faria, presidente do Sindicato das Indstrias do Vesturio no Estado de Gois, Paulo Vargas, Luiz Lopes e Marcos Mariano| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 135JaraguNcleo de Confeco de JaraguReconhecida como uma das principais foras da indstria de confeco no Estado, a cida-de de Jaragu, no Centro Goiano, foi contempla-da por um Ncleo de Confeco do SENAI em novembro de 1989. Com a misso de atender crescente demanda por mo de obra especializada no segmento de vesturio, quando o ncleo foi im-plantado, Jaragu contava com aproximadamente 130 empresas do ramo. Duas dcadas mais tarde (segundo dados da Secretaria Estadual de Planeja-mento), esse nmero foi multiplicado por sete.O Ncleo de Confeco de Jaragu resulta-do de uma ao conjunta do SENAI, da Prefeitura Municipal e Associao Comercial e Industrial de Jaragu e nasceu de uma solicitao do sindicato da indstria confeccionista na regio e da prpria associao. A escola foi instalada em prdio cedido pela prefeitura e, desde o incio, conta com maqui-nrio capaz de preparar trabalhadores para a forte indstria do vesturio na regio. Quando foi insta-lado, o Ncleo de Confeco de Jaragu constitua o quarto no Estado implantado pelo SENAI. Ou-tros trs j funcionavam, em Goinia, Anpolis e Trindade. E coube unidade Roberto Mange, de Anpolis, a administrao do espao.Para atender grande demanda por cursos, sempre funcionou em trs turnos, no apenas com as aulas de costura, mas tambm em reas corre-latas, como modelagem, por exemplo. Em 2011, matriculou 421 alunos nos perodos matutino, ves-pertino e noturno nos cursos de costureiro indus-trial, modelista de roupas e informtica bsica. Ao todo, 371 concluram seus cursos no ano passado, estando aptos a uma vaga no mercado de trabalho.Jaragu, 1989: ento deputado Francisco de Castro, prefeito Paulo Antnio Gonalves, Elias Antnio de Souza, Paulo Vargas e Dreiner Milito Como indstria metalrgica especializada em ao inox, a DEC Brasil tem sempre necessidade de colaboradores bem treinados e o SENAI tem sido nosso parceiro constante atuando com seriedade, competncia e profissionalismo.Tiago Bailo, Diretor Industrial da DEC Brasil| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |136Ligado Faculdade de Tecnologia SENAI Ro-berto Mange, em Anpolis, o Ncleo de Educa-o Profissional SENAI Luzinia, no Entorno do Distrito Federal, foi inaugurado em 13 de dezem-bro de 2007. A construo da escola teve incio em janeiro daquele ano em um terreno de 1.350 metros quadrados cedido pela Prefeitura Municipal de Lu-zinia em regime de comodato. Desde sua abertu-ra, formou aproximadamente 1,6 mil alunos.As principais reas de atuao do ncleo de Luzinia so a metalmecnica e a eletroeletr-nica. Porm, oferece diversos cursos de aprendi-zagem industrial e qualificao profissional. Na modalidade de aprendizagem, so disponibili-zadas vagas para ocupaes de assistente-admi-nistrativo, eletricista de sistema eletroeletrnico e mecnico de manuteno de mquinas indus-triais. J na modalidade de qualificao profis-sional, so formados trabalhadores para atuar como eletricista instalador predial, eletricista instalador e mantenedor industrial e mecnico de manuteno industrial.De acordo com Luiz Augusto da Silva Jnior, coordenador-tcnico dos ncleos de Luzinia e Formosa (veja na pgina seguinte), h um projeto de ampliao do espao, j encaminhado prefei-tura da cidade. Luzinia, com populao de mais de 177 mil habitantes (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica em 2011), cresce a uma taxa de 2,09% ao ano, acima da mdia da maioria dos municpios goianos. Razo que, por si s, justifi-ca a ampliao do ncleo de Educao Profissional do municpio. A indstria , disparado, o setor de maior arrecadao de Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios (ICMS), equivalente a R$ 21,1 milhes em 2010.LuziniaNcleo de educao Profissional seNAI luziniaA organizao do sistemana poca da criao do Senai, euvaldo Lodi, ento presidente da Confederao nacional da indstria (Cni), e Roberto Simonsen, frente da Federao das indstrias do estado de So Paulo, inspiraram-se na experincia bem-sucedida do Centro Ferrovirio de ensino e Seleo Profissional e idealizaram uma soluo anloga para o parque industrial brasileiro. Dessa maneira, o empresariado assumiu no apenas os encargos, como queria o governo, mas tambm a responsabilidade pela organizao e direo de um organismo prprio, subordinado Cni e s Federaes das indstrias nos estados.Luzinia, 2007: instalao do Ncleo de Educao Profissional SENAI na histrica cidade ganha capa da revista Futuro Profissional| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 137Tambm ligado Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, o Ncleo Integrado SESI SENAI Formosa, no Entorno do Distrito Federal, foi fundado em agosto de 2009, em par-ceria com a Prefeitura Municipal. Nesses dois anos e meio de funcionamento, passaram pelo SENAI cerca de 1,3 mil alunos e, pelo SESI, em torno de 1,2 mil estudantes. O ncleo funciona em um terreno de 395 metros quadrados cedido pela Prefeitura Muni-cipal de Formosa ao SENAI por cinco anos, em regime de comodato. Na unidade, os trabalha-dores tm acesso a cursos de eletricista industrial, eletricista predial, mecnica de mquinas agrcolas e marcenaria. Como a cidade se destaca no setor moveleiro, a unidade SENAI busca atender ao seg-mento com a formao de mo de obra qualificada para exercer funes nas indstrias da regio. J em 2011, com dois anos de funcionamento, teve os laboratrios de marcenaria e mecnica atu-alizados com novos e modernos equipamentos.Segundo Luiz Augusto da Silva Jnior, coordenador tcnico e administrativo do ncleo, o SENAI disponibiliza no local toda a estrutura fsica necessria realizao dos cursos de Educao Profissional, alm de atuar por meio de unidades e aes mveis. Quanto ao SESI, h visitas mensais da coordenao ao Projeto SESI Alfabetizando, cujas aulas so ofertadas nas escolas municipais de Formosa.FormosaNcleo Integrado sesI seNAI formosaA presena de profissionais capacitados fator determinante para a instalao de empresas. Com a ampliao do ncleo SESI SENAI, vamos oferecer mais oportunidades de qualificao para que as pessoas possam ter acesso ao mercado de trabalho.Pedro Ivo de Campos Faria, prefeito de FormosaFormosa, 2009: parceria com prefeitura viabiliza Ncleo Integrado SESI SENAI no Entorno do Distrito Federal| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |138| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 139a CaminhaDa: ontEm, hoJE, amanh| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |140Transformao e investimento em tecnologianos anos 1960, o Senai investiu em cursos sistemticos de formao, intensificou o treinamento dentro das empresas e buscou parcerias com os Ministrios da educao e do Trabalho, e com o Banco nacional da Habitao. na crise econmica da dcada de 1980, o Senai percebeu o substancial movimento de transformao da economia e decidiu investir em tecnologia e no desenvolvimento de seu corpo tcnico. expandiu a assistncia s empresas, investiu em tecnologia de ponta, instalou centros de ensino para pesquisa e desenvolvimento tecnolgico. Com o apoio tcnico e financeiro de instituies da alemanha, Frana, itlia, do Canad, Japo e dos estados Unidos, o Senai chegou ao incio dos anos 1990 pronto para assessorar a indstria brasileira no campo da tecnologia de processos, de produtos e de gesto.Nas prateleiras do velho arquivo da pioneira Es-cola SENAI GO 1, de Anpolis, um livro de pginas amareladas pelo tempo guarda um pedao dessa histria. Os nomes de oito garotos, adoles-centes moradores da cidade e da vizinhana, inte-gravam a primeira turma matriculada nos cursos de aprendizagem ministrados nas antigas oficinas do centro de formao profissional. Era 1951, e a escola sequer tinha aberto as portas oficialmente. Sessenta anos mais tarde, novos arquivos agora digitalizados da Gerncia de Planejamento e De-senvolvimento do SENAI Gois do a dimenso do que ocorrera desde ento. Mais de 123 mil ma-trculas realizadas em 2011 nas 20 unidades da rede de ensino mantida pela instituio no Estado 3 faculdades, 4 escolas, 6 unidades integradas SESI SENAI e 7 ncleos de educao profissional fixa-das em Goinia e em outros 16 municpios goianos.O SENAI cresceu, agigantou-se nesse tem-po. E o fez para atender sua vocao. O SENAI atual continua a ser o SENAI de Roberto Mange, fiel aos propsitos do fundador e misso que a indstria lhe confiou de servi-la, servindo-se de instrumento de educao e de aperfeioamento do trabalhador brasileiro e isso observar a tradio sempre procura de novos meios de atender aos reclamos por renovao tecnolgica na indstria e isso curvar-se ao progresso, frisa o professor Manoel Pereira da Costa, diretor de Educao e Tecnologia do SENAI Gois. Os novos padres de competitividade impostos pela internaciona-lizao da economia impuseram profundas con-sequncias sobre o mundo do trabalho. Paralela-mente, uma parte do parque industrial ainda no se modernizou e cobra do SENAI a continuidade na formao de trabalhadores capazes de produzir em mquinas convencionais, compara o professor Manoel. O torneiro mecnico precisa saber de mecnica, de ferramentas de corte. S que o tipo de pane que vai dar na mquina ser eletrnico. A competncia mecnica, mas para exerc-la, ne-cessita-se de um grau maior de abstrao, explicaAprendizes em oficina de mecnica geral do SENAI em Anpolis, no incio dos anos 50O trabalho na construo civil mudou e necessrio formar pessoas de acordo com essa nova realidade das empresas, por isso a parceria com o SENAI to importante.Roberto Elias de Lima Fernandes, ex-presidente do Sinduscon e do Conselho Temtico de Infraestrutura da FIEG| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 141O que nos mostra professor Manoel Pereira da Costa que, a despeito das profundas mudanas ocorridas no modo de produo da indstria brasileira o que no diferente em Gois , as antigas oficinas do SENAI, formadoras de torneiros mecnicos, marceneiros, carpinteiros, eletricistas, permanecem l para atender a uma indstria no totalmente atingida pela revoluo tecnolgica dos ltimos anos. Desse modo, aten-de o SENAI a diversas reas do conhecimento, independentemente dos recursos materiais e tec-nolgicos disponveis. Um complexo educacional que oferece formao profissional em suas mais diversas modalidades em 400 diferentes cursos, que integram 20 reas ocupacionais definidas pelo Ministrio da Educao.No incio da dcada de 1940, lembra o pro-fessor, fez-se necessria a implantao de um mo-delo de preparao de mo de obra qualificada capaz de dar conta do surto de industrializao do Pas, ocorrido como forma de reduzir os im-pactos decorrentes da 2 Guerra Mundial. Nessa poca, destaca ele, os cursos industriais bsicos, tal como estavam organizados, porm, no aten-diam a esse propsito. Esses cursos, pela falta de articulao com o meio industrial, impediam sua transformao em um sistema de aprendizagem capaz de oferecer pronta resposta, qualitativa e quantitativa, s necessidades da indstria, sina-liza. Segundo professor Manoel, as mutaes tecnolgicas impunham uma tal flexibilidade na qualificao de recursos humanos para a indstria Modernos laboratrios em diversas reas, como qumica, convivem com as antigas oficinas, que formam torneiros e mecnicos para atender tambm indstrias no totalmente atingida pela revoluo tecnolgicaAntigas oficinas, modernos laboratrios| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |142que somente as empresas, agregadas em um siste-ma cooperativo, estariam em condies ideais de detectar as reais necessidades de mo de obra e programar sua formao para as diferentes reas operacionais, explica, destacando que a criao do SENAI, em 1942, representou um marco na evoluo da antiga escola profissional brasileira, no sentido de sua integrao com a indstria. Pode-se concluir que o SENAI nasceu apoiado em razes solidamente justificveis e em pontos--chave de sustentao que, aliados ao alto grau de motivao dos empresrios, governantes e educa-dores, garantiram sua implantao.Mas bem antes, no incio do sculo passado, a primeira sinalizao no sentido de garantir um mnimo de valorizao do ensino profissional veio com a criao, pelo governo federal, de uma rede de 19 Escolas de Aprendizes Artfices, instaladas em diferentes Estados brasileiros. Eram escolas similares aos Liceus de Artes e Ofcios e voltadas basicamente para o ensino industrial custeado pelo prprio Estado, explica professor Manoel. Em 1930, frisa, concretizou-se um sistema de ensino tcnico profissional com a criao da Inspetoria do Ensino Profissional Tcnico, rgo afeto ao ento Ministrio da Educao e Sade Pblica.A partir de 1942, com a introduo da Lei Or-gnica do Ensino Industrial e posterior Reforma Capanema nome dado s novas diretrizes educa-cionais inauguradas no Brasil quando o ento Mi-nistrio da Educao e Sade estava sob o coman-do do ministro Gustavo Capanema , o ensino profissionalizante surge como um dos pilares que sustentariam o novo modelo de Educao que se pensava para o Brasil do ps-guerra. As mudanas introduzidas pela Reforma Capanema tinham dois objetivos principais: o atendimento s mudanas tecnolgicas do setor industrial e a equivalncia do ensino profissional com o acadmico, ressalta o di-retor de Educao e Tecnologia do SENAI Gois.Mas foi na dcada de 1960 que a equivaln-cia do ensino profissionalizante com o acadmico se deu de fato. Com o advento da Lei 4.024/1961, os egressos do ensino profissional passaram a ter amplo acesso educao superior. O ensino pro-fissional conquistava, assim, posio de igualdade em relao ao ensino acadmico, afirma professor Manoel, ressaltando que equivalncia se consoli-dou em 1971, a partir da reforma do ensino mdio. Os cursos tcnicos industriais, estruturados em novas bases curriculares, expandiram-se, anima-dos por um mercado de trabalho fortemente favo-rvel decorrente da expanso industrial.Nesse contexto, o SENAI expande sua rede pelo Brasil afora implantando um mode-lo pedaggico baseado na aquisio de com-petncias e habilidades. O aluno do SENAI, desde sua concepo, em 1942, aquele que aprende fazendo. O fundamento desse mode-lo a racionalizao e organizao cientfica do trabalho, mtodo introduzido por Roberto Mange quando da fundao do SENAI. Para servir a essa racionalizao, desenvolveram--se as Sries Metdicas Ocupacionais (SMO). Vale, cada vez menos, o que a pessoa diz saber fazer e vale, cada vez mais, o que ela capaz de fazer em situao real de trabalho. A competn-cia que passa a ser valorizada a mobilizao que as pessoas fazem de suas capacidades, seus conhecimentos, suas habilidades e atitudes em situao real de trabalho, observa o educador. As competncias profissionais que balizam as aes do SENAI em Gois abrangem compe-tncias bsicas, especficas e de gesto.Mecnica automotiva: formao profissional de ontem (acima) e hoje ( direita), sob impacto das mudanas tecnolgicasA aposta na educao profissional o que diferencia uma empresa de outra. Por isso, buscamos oferecer comunidade em que atuamos mais oportunidades de formao profissional.Nelson Marinelli, diretor administrativo da Usina Boa Vista, sobre parceria que viabilizou a implantao do Ncleo Integrado SESI SENAI Quirinpolis, em 2010| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 143Para atender a tantos novos padres de com-petitividade, o SENAI tambm inaugurou novos padres, seguiu seu tempo. A cada novo avano da tecnologia, desaparecem ocupaes e novas ou-tras surgem. O mapa do mercado de trabalho mo-difica-se continuamente. As empresas deslocam-se em busca de melhores condies de competitivi-dade, redefinindo as vocaes regionais e alterando a paisagem, analisa o professor do SENAI. Segun-do afirma, essas so condies que impactam na formao profissional oferecida pela instituio. Com a alterao dos processos produtivos e das formas de organizao do trabalho, as demandas pela reformulao dos programas curriculares in-tensificam-se. Sem, contudo, que seja abandonado o ensino profissional voltado para os mtodos tradi-cionais de produo.Como bem ressalta o educador, a preocupa-o central das empresas passou a ser a permanen-te busca da inovao. A busca por maiores nveis de produtividade e competitividade, em mbito mundial, por parte do setor produtivo, demanda das entidades de educao profissional novas estra-tgias de atuao mais complexas. Capilaridade e capacidade de articulao institucional do SENAI, bem como sua interlocuo permanente com o setor produtivo e com o setor acadmico, so dife-renciais positivos apresentados pela instituio de ensino na prestao de seus servios educacionais, o que favorece a identificao de particularidades e necessidades da indstria onde quer que ela esteja.E a indstria em Gois se diversificou ao longo das dcadas, tornando-se representante na-cional em vrios segmentos, como o de alimentos, frmacos, fabricao de automveis, minerao e, mais recentemente, o segmento do etanol, que coloca Gois como um dos lderes do setor. O SENAI, como o principal brao da indstria para formao de mo de obra capaz de acompanhar esse avano, tambm se diversificou, cresceu, ino-vou, formando tcnicos com novas competncias e habilidades demandadas por essa nova indstria. E mesmo o velho marceneiro para citar um dos primeiros cursos a ser oferecidos pelo SENAI na dcada de 1950, quando chegou em Gois , hoje obtm competncias que o torna capaz de atender a toda e qualquer demanda em seu segmento. O marceneiro formado pelo SENAI, por exemplo, prepara o local de trabalho, ordenando fluxos do processo de produo; planeja o trabalho a partir da interpretao de projetos; confecciona, restaura, entrega e instala produtos de madeira fabricados sob medida dentro dos parmetros legais de segu-rana, qualidade, higiene e preservao ambiental.Por outro lado, o crescimento da produo da indstria sucroalcooleira em Gois fez surgir, | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |144Novas competncias no portflio: SENAI acompanha as sucessivas mudanas do perfil econmico onde est inserido| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 145no fim da dcada de 2000, a necessidade de pre-parao de mo de obra especializada para atuar em seus parques industriais. Outro exemplo de como o SENAI, no cumprimento da misso e vocao que fundamentaram sua fundao no Brasil, tem acompanhado as sucessivas mudanas do perfil econmico onde est inserido. O curso tcnico em Acar e lcool forma profissional que planeja o processamento, a manuteno, conservao, logstica e o controle de qualidade de matrias-primas e insumos para a indstria su-croalcooleira; pesquisa para melhoria, adequao e desenvolvimento de novos produtos, processos, metodologias e insumos; utiliza produtos qumi-cos em todas as etapas de fabricao; coordena e controla o processo de fabricao de acar e l-cool, entre vrias outras atividades para as quais o tcnico estar preparado.Dentre as mais novas competncias que po-dem ser adquiridas por quem passa pelo SENAI est a de tcnico em manuteno de aeronaves. O curso foi criado no ano passado e prepara traba-lhadores para esse mercado produtivo, atuando na manuteno de aeronaves e de seus equipamentos eletroeletrnicos; executando inspees em siste-mas eltricos e instrumentos de aeronaves; bem como interpretando manuais tcnicos das diferen-tes aeronaves e equipamentos.A partir de 2004, comearam a ser implanta-dos pelo SENAI Gois os cursos superiores de tec-nologia. O tecnlogo em Processos Qumicos, por exemplo, atende grande demanda por trabalha-dores para atuar no parque industrial farmacutico do Estado, notadamente o instalado no Distrito Agroindustrial de Anpolis (Daia). O profissional deixa a faculdade com competncias adquiridas para desenvolvimento das mais diversas atividades industriais do setor. Na sequncia, o SENAI Gois implantou os cursos superiores de Tecnologia em Automao Industrial (2007); em Redes de Com-putadores (2007); e em Anlise e Desenvolvimento de Sistemas (2008).Tecnolgo em Processos Qumicos: marco do ingresso do SENAI Gois no ensino superior, em 2004Tcnico em manuteno de aeronaves: novo curso atende mercado crescente no Estado| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |146Nessa fase de expanso das reas de atuao, bem como de criao dos cursos de tecno-logia, surge em Gois um novo modelo de gesto da educao oferecido pelo SESI e SENAI. Um modelo arrojado, corajoso, que serviria, logo, de exemplo para outros Estados brasileiros. Em 2005, ao passar a responder pela superintendncia do SESI concomitantemente com a diretoria regio-nal do SENAI, Paulo Vargas props e teve sinal verde dos conselhos regionais das respectivas ins-tituies para que ambas pudessem atuar de forma integrada, a partir de 2006, oferecendo Educao Bsica (Educao Infantil, Ensino Fundamental e Mdio); Educao do Trabalhador (Alfabetizao, Ensino Fundamental e Mdio); Aprendizagem Industrial; Habilitao Tcnica de Nvel Mdio e Graduao Tecnolgica.Ao assumir esse modelo de gesto, SESI e SENAI se adequam realidade da indstria onde ela est inserida. Formamos e oferecemos a essa indstria o trabalhador de que ela precisa, o profis-sional com perfil adequado, demandado na regio, no municpio, frisa Paulo Vargas. Para que isso seja possvel, refora, fundamental que as instituies estejam sintonizadas, articuladas permanentemen-te com o setor empresarial. No pode haver dis-tanciamento, pontua. Estamos continuamente INtegrAo sesI e seNAI, modelo ArroJAdo e exemPlArEducao Bsica e Educao Profissional: SESI e SENAI se adequam realidade da indstria e suprem lacuna de qualidade no ensino pblico| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 147do lado das lideranas patronais e laborais e isso vai ao encontro do projeto do presidente da Fieg (Fe-derao das Indstrias do Estado de Gois), Pedro Alves de Oliveira, de valorizao dos sindicatos, diz. sempre um olho na gesto e outro na ambi-ncia externa, cita.De acordo com Paulo Vargas, o SENAI hoje uma instituio amadurecida, que tem bus-cado ampliar e dinamizar sua oferta de ensino profissionalizante com base nas necessidades da indstria local. Sabe-se perfeitamente, por meio de pesquisas realizadas pela instituio e devido aproximao contnua com o setor empresarial, do que a indstria necessita em termos de recursos humanos, afirma o diretor regional.O novo no deve aspirar permanncia, mas a fazer-se germe do futuro. Passado, presente e fu-turo se sucedem, no deixam de vincular-se e de interdepender. Tradio e progresso no so confli-tantes. A contemplao do passado bem-sucedido e o respeito s pessoas que fizeram esse caminhar no saciam os que caminham no presente. Antes, estimulam a todos para novos empreendimentos, ensina professor Manoel.Para Paulo Vargas, pode-se esperar muito do SENAI em seus prximos anos de vida. Est em estudo a abertura de novas unidades, inclu-sive por meio de parcerias a serem firmadas com os governos federal, estadual e com as admi-nistraes municipais. Parcerias estratgicas sero viabilizadas envolvendo tambm sindica-tos e empresas, alm do governo, aproveitando, para tanto, a capacidade instalada do SENAI, sua expertise, destaca. Em respeito ao passado glorioso e bonito e ao presente em construo, sabemos que podemos esperar muito, ainda, do SENAI Gois. Essa instituio, com seu know-how, tem condies de continuar a ser extremamente importante para a indstria do Estado por outros 60 anos. Uma indstria que jamais seria o que sem o SENAI. Continua-remos a ser no s formadores de mo de obra para a indstria, mas formadores de mo de obra, cabea e brao forte.52,6 milhes de matrculas no PasHoje, a mdia de 15 mil alunos dos primeiros anos transformou-se em cerca de 2,3 milhes de matrculas anuais em todo o Pas, totalizando aproximadamente 52,6 milhes de matrculas desde 1942 at 2010. as primeiras escolas deram origem a uma rede de 797 unidades operacionais, entre fixas e mveis, distribudas por todo o Pas, nas quais so oferecidas mais de 2.900 cursos de formao profissional, alm dos programas de qualificao e aperfeioamento realizados para atender necessidades especficas de empresas e pessoas. em 2010, foram prestados 126.470 servios tcnicos e tecnolgicos, como laboratoriais, informacionais, assessorias, desenvolvimento e inovao e certificaes de processos e produtos.Buscamos a parceria com o SENAI porque os alunos da instituio so lapidados e mais bem preparados para atuar no mercado de trabalho.Roberto Berti, gerente de manuteno da unidade Schincariol de Alexnia| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |148| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 149O SENAI POR quEM FEz SENAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |150Nesses 60 anos, milhares de pessoas tiveram suas vidas, em alguma parte da estrada, marcadas pelo SENAI, em Gois. Quem so elas? Quais seus rostos, suas histrias? Onde esto? O que levaram consigo? Annimos, famosos, trabalhadores da indstria ou no, gente que no s passou pelo SENAI, mas l ficou. Em comum, essas pessoas tm justamente o pedao da estrada.O Professor Edson lembra-se bem daquela manh. O rdio ligado, no carro do amigo e tambm instrutor Osvaldo Loureno, dava a notcia da morte do dolo, John Lennon. Era 8 de dezembro de 1980 e eles chegavam para mais um dia de atividades na montagem da nova escola o Centro de Formao Profissional Vila Cana. Era preciso preparar bem as oficinas das reas auto-motiva e grfica para receber as cinco turmas de alunos que viriam do CFP talo Bologna, no Setor Fama, em Goinia, e que concluiriam no ano se-guinte o curso naquela escola novinha em folha. Ao lado, j existia o Centro Mvel de Treinamento (Cemot), que depois se tornaria Centro Regio-nal de Treinamento Sul (Cetresul) e que, 11 anos mais tarde, seria incorporado quela nova escola em construo. Pisei essa terra aqui quando ain-da era um lamaceiro s, muito antes de se tornar escola, lembra o professor Edson Rodrigues do Nascimento, de 51 anos.No s pisou, como registrou, guardou. Professor Edson uma espcie de guardio da memria da hoje Escola SENAI Vila Cana: O professor Edson tem, responde qualquer um a quem se perguntar sobre uma fotografia antiga, um documento histrico. Tem mesmo. Na me-mria do computador e na sua prpria. Ele lem-bra que em 1977, trs anos antes de vir trabalhar no bairro Vila Cana, j havia conhecido o local. Na poca, o professor, que atuava como monitor no ento CFP talo Bologna, e vrios outros fun-cionrios acompanhavam alunos daquela escola para um dia de lazer no clube do Servio Social da Indstria (SESI) e puderam observar toda a rea demarcada. Isso aqui a hoje Escola SENAI Vila Cana estava s na fase inicial de implantao do canteiro de obras, havia muito mato ainda.Professor Edson foi aluno do SENAI, assim como os outros quatro irmos. No antigo CFP ta-lo Bologna, matriculou-se, em 1975, para aprender PIseI esse Cho ANtes mesmo dele se torNAr umA esColAEdson Rodrigues, ex-aluno, instrutor, coordenador pedaggico da Escola SENAI Vila Cana: paixo pela instituio e pela fotografia, cujo acervo exposto nas pginas seguintes| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 151mecnica. Pertenceu primeira turma de um con-vnio entre a instituio e a Secretaria Estadual de Educao que durou quase 20 anos. Por meio dele, os alunos matriculados na segunda fase do ensino fundamental passavam o dia todo na escola. Cur-savam as disciplinas bsicas mais o curso de edu-cao profissional. Saam da escola com um ofcio no currculo.Eu, que j tinha cursado a 5 e a 6 sries em outra escola, fiz tudo de novo, s para poder estu-dar no SENAI, lembra professor Edson. Bom que tenha acreditado que valeria pena. Terminei meus estudos como o melhor aluno da escola. Eu tinha 15 anos quando o pessoal do SENAI foi l em casa me convidar para ser monitor, em 1976. Era s o comeo de uma longa jornada.Em 1981, quando as atividades do CFP Vila Cana tiveram incio, professor Edson ainda traba-lhava como monitor. Logo, o ex-aluno nota 10 pas-saria a auxiliar de instrutor e instrutor, mais tarde. Em 1987, assumiu na escola a coordenao da rea de mecnica automotiva. No ba das memrias do professor, h belos registros fotogrficos. Um pas-seio pela histria da escola em forma de jaleco azul. Cada nova turma que se matriculava e conclua a formao no SENAI Vila Cana era devidamente fotografada pelo guardio das lembranas.O envolvimento com as questes pedaggicas levou o ex-aluno a assumir, mais tarde, em 1992, funo de tcnico da Diviso de Formao Profis-sional do Departamento Regional do SENAI. Era um apoio fundamental para as escolas. Ajudou, por exemplo, a estruturar a hoje Escola SENAI Itum-biara. Foi instrumento dessa misso at 1995.Nessa poca, o ex-aluno, agora mestre, volta graxa automotiva, de onde sua origem. Passa a ser o representante do SENAI de Gois nos N-cleos de Treinamento e Capacitao Tcnica em Manuteno Automotiva. Num convnio com a Volkswagen do Brasil, era o professor Edson o res-BA DO EDSON (1): Instrutores Wandeir Alves de Faria, Edson Rodrigues, Francisco Gonalves Ferreira, Osvaldo Loureno do Prado, Jos Osrio, Onion Carrijo e alunos do CFP talo Bologna, durante a montagem da oficina de mecnica de automveis do recm-construdo CFP Vila Cana, em 1981| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |152ponsvel pela atualizao dos profissionais que tra-balhavam na fbrica de automveis. Eu estava de volta s minhas origens, minha formao.No incio dos anos 2000, coordenou o primei-ro curso tcnico em automobilstica oferecido pelo SENAI Gois. A partir de 2003, assumiu a funo que ocupa ainda hoje, a de coordenador pedag-gico da Escola SENAI Vila Cana. Sua sala vive cheia de alunos, professores, coordenadores.Apaixonado pelo SENAI, por sua histria, pelo que a instituio lhe proporcionou, bem como por fotografia, professor Edson uniu as duas coisas. E mostra, com orgulho, tudo o que conseguiu reu-nir nesse tempo. Em ocasies especiais, na escola ou fora dela, sente satisfao em mostrar o que guardou dessa longa trajetria. Sempre que tem um evento, jogo as fotos l no telo, fao um passeio pela histria. Sinto-me feliz fazendo isso, fala um sempre encantado professor. As primeiras turmas, as primeiras formaturas, as antigas oficinas, os no-vos laboratrios. Nada escapa s lentes do mestre.Sempre gostei de fotografia. Algumas, s eu tenho, orgulha-se. Sempre que um ex-aluno se destaca l fora, ganha a vida com a profisso que aprendeu no SENAI, encontro seu rosto nas anti-gas fotografias e envio a ele. uma forma de reve-renciar a escola e o que ela faz por ns, diz.Aps mais de 30 anos, professor Edson no consegue imaginar o que teria feito nesta vida se no tivesse insistido em repetir a 5 e a 6 sries para, assim, conseguir ingressar em um curso do SENAI. No me vejo de outra forma se no den-tro desse universo aqui. Todo mundo costuma di-zer: a melhor poca da minha vida foi quando eu estava no SENAI. verdade. Porque no s a sala de aula, mas a mo na massa que nos apai-xona. O aluno mostra que aprendeu fazer, fazendo. um mundo novo! Um mundo que eu conheci e onde eu resolvi ficar, declara.Formado em Edificaes pela ento Escola Tcnica Federal de Gois hoje Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia de Gois e em Pedagogia pela Pontifcia Universidade Catli-ca de Gois, professor Edson recebeu ao longo da carreira propostas para trabalhar em vrias empre-sas. Mas, como disse ele, o ex-aluno agora mestre resolveu ficar. O vnculo que se cria com a fa-mlia SENAI muito forte. Cheguei aqui com 15 anos. Hoje tenho 51. Sinto-me realizado pelo que fiz at aqui, sobretudo por ter tido a chance de po-der ensinar, tambm, alm de aprender.BA DO EDSON (2) - No CFP Vila Cana, em 1986, os instrutores (em p, da esquerda para direita) Edson Rodrigues, Onion Carrijo, Vicente de Paulo, Divino Paulo, Luis Fernando e Luis Carlos. Agachados, da esquerda para direita, Manoel Pereira, Francisco Gonsalves Ferreira, Wandeir Alves e Valdivino de Sousa| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 153BA DO EDSON (3): Primeira turma de alunos de mecnica de automveis do CFP Vila Cana, iniciada ainda no CFP talo Bologna e depois transferida, em 1982, com o instrutor Edson Rodrigues (em p, direita). Agachado, 3 da direita para a esquerda, o ento aluno e hoje diretor da Unidade SESI SENAI Rio Verde, Hlio SantanaHlio Santana, histria de vida na Escola SENAI Vila Cana e hoje diretor da Unidade Integrada SESI SENAI Rio VerdeCom o passar do tempo, o velho macaco azul marinho ia ficando desbotado pelas sucessivas lavagens com sabo forte o suficiente para tirar a graxa dos automveis. Mas longe disso ser um pro-blema. Qual l! Assim, sem pretenso, o uniforme desbotado evidenciava quem era aluno novato e quem era veterano, relata o ex-aluno e professor Hlio Ferreira Santana, a quem pertencem inme-ras lembranas de seus 24 anos como funcionrio do SENAI.Pertence ao professor Hlio o certificado de concluso do curso de mecnico de autom-veis de nmero 85, emitido pelo ento Centro de Formao Profissional hoje Escola SENAI Vila Cana em 1982. Era a primeira turma dos meninos de macaco azul marinho a se formar na instituio, inaugurada um ano antes. Cento e sessenta e sete se formaram com ele naquele ano.Era final da dcada de 1970. A famlia de imi-grantes nordestinos chega a Goinia em busca de melhores condies de vida e de oportunidades de educao para os filhos. A av do menino Hlio o matricula numa escola pblica do bairro e se infor-ma sobre convnio existente com o SENAI para garantir educao profissional para os matricula-dos na rede. O SENAI surge como nica alter-tenho uma identidade nova: sou o hlio santana do seNAI| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |154nativa tcnica e econmica vivel para as famlias. Em janeiro de 1981 eu j tinha idade e escolaridade suficientes para ingressar no CFP Centro de For-mao Profissional. L fui eu, conta.Por meio do convnio com a Secretaria Es-tadual de Educao, os alunos faziam o antigo Ginsio segunda fase do ensino fundamental em dois anos, num perodo do dia. No outro, cursavam o ensino profissionalizante. Assim, dei-xavam a escola com a formao bsica e profis-sional, ao mesmo tempo. A imensa maioria dos alunos, assim como eu, ficava o dia todo na es-cola. Levvamos uma marmita para o almoo e as cozinheiras aqueciam em banho-maria, puxa Hlio na lembrana. Vivamos a (e na) escola. Foram tempos difceis, com poucos recursos fi-nanceiros e materiais e muitas necessidades. Mas foram esforos necessrios para forjar uma perso-nalidade capaz de encarar desafios, relata.E professor Hlio encarou todos os desa-fios que viriam depois. Desde que se formou no SENAI, em 1982, o professor trabalhou em gran-des empresas, onde utilizava as tcnicas aprendi-das durante o curso. Isso foi determinante para aprimorar os conhecimentos recebidos. Em 1988, o professor Hlio foi convidado pelo anti-go instrutor Edson Rodrigues hoje colega de trabalho na unidade da Vila Cana para parti-cipar de concurso que seria realizado para suprir vaga existente na escola, quando Edson ocupava o cargo de coordenador tcnico da rea de Me-cnica Automotiva. A essa poca, professor Hlio j havia concludo, tambm, o curso de Tcnico em Mecnica pela antiga Escola Tcnica Federal Gois, hoje Instituto Federal de Educao, Cin-cia e Tecnologia de Gois.Aprovado no concurso, o menino nordesti-no e ex-aluno da escola passa a instrutor de Edu-cao Profissional. No deixaria mais o SENAI. Quatro anos mais tarde, passa a ocupar a funo BA DO EDSON (4): Formandos de mecnica de automveis da Escola SENAI Vila Cana de 1989, com o instrutor Hlio Santana| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 155de coordenador de rea de Mecnica de Auto-mveis para, no decorrer dos anos, exercer outras funes, como supervisor de Ensino; agente de Educao Profissional; supervisor de Educao e Tecnologia, ltimo cargo que ocupou na Esco-la Vila Cana, antes de se tornar diretor em Rio Verde. Nesse tempo, no deixou de estudar. Em 1989, formou-se tambm em Fsica pela Uni-versidade Federal de Gois; em 2003 concluiu Administrao de Empresas pela ento Univer-sidade Catlica de Gois; em 2007 terminou Pedagogia pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul); e, em 2009, a Ps-Graduao em Administrao de Instituies de Ensino, na Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvi-mento Gerencial (Fatesg).Tudo o que eu fao tem como preocupao valorizar ainda mais a instituio. Fui aluno, hoje sou um colaborador. Uso minha histria como estmulo a muitas pessoas. Como a dizer que, com compromisso e seriedade, possvel, ensina. Segundo ressalta, l se vai mais da metade de sua vida dentro do SENAI. Quando comecei a tra-balhar aqui, eu tinha 21. J so 24 anos de traba-lho. A grande maioria dos meus amigos aqui est, de modo que minha vida profissional e privada se funde. Os inmeros cursos e treinamentos de que participei nesse tempo alargaram minha compre-enso do mundo. Hoje, tenho uma nova identida-de: sou o Hlio Santana do SENAI.O Hlio Santana do SENAI, que contou com o empurrozinho da av para matricul-lo na esco-la de educao profissional da qual se dava notcia l nos idos de 1981, no v a hora de os filhos Pedro Augusto, 12, e Arthur Jos, 5, tambm iniciarem sua vida profissional com um curso na escola em que atua. Graas a Deus e ao SENAI, como cos-tumam dizer alguns amigos, seus filhos esto bem formados, com possibilidade de uma vida profissio-nal brilhante pela frente. Tenho o prazer de ter sido uma referncia para essas pessoas. a histria de ser o Hlio Santana do SENAI, brinca.BA DO EDSON (5): Aprendizes de mecnica de automveis da turma de 1980| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |156Formado em Direito pela Universidade Federal de Gois (UFG), o ento garoto de Ouvidor (GO) aprendeu, primeiro, o ofcio da mecnica. Hoje, aos 61 anos, o advogado Felicssimo Sena, cinco vezes presidente da Seccional de Gois da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), reconhe-ce no SENAI a importncia de uma instituio que lhe ensinou o valor do trabalho.Filho de uma famlia simples do interior de Gois, Felicssimo foi aluno do ento Centro de Formao Profissional Roberto Mange, em An-polis, a pioneira no Estado. Incentivado por um amigo que tambm havia passado por l e de quem vinham as melhores referncias do lugar, fez ele tambm sua seleo, sendo aprovado para o curso de mecnica de automveis. Para prosse-guir os estudos, chegou a morar no internato, que permaneceu aberto nas primeiras dcadas de fun-cionamento da unidade.Eu fiz a escolha certa ao ir para o SENAI. Na condio de aluno interno, continuei a desen-volver as rotinas de vida simples trabalhadora que minha famlia praticava, diz o advogado. Felics-simo Sena chegou a trabalhar utilizando-se das competncias que aprendera no CFP Roberto Mange. Mas voltei a Ouvidor e logo depois me mudei para Goinia. Na capital, o jovem Felicssimo Sena iniciou o chamado curso cientfico no tradicional Colgio Lyceu. Em seguida, fez curso tcnico em contabi-lidade no Colgio Cinco de Julho, do ento diretor Egdio Turchi. Passou, mais tarde, no vestibular para Direito. Embora eu no tenha me dedicado muito profisso que o SENAI me ensinou, reco-nheo que a instituio foi muito importante na minha vida, pois preencheu minha juventude com hbitos saudveis, declara.O advogado tornou-se um dos mais signifi-cativos nomes da advocacia em Gois. Tambm exerceu cargos pblicos, como a presidncia da Companhia Energtica de Gois (Celg). Alm de presidente da OAB-GO por cinco mandatos, comandou tambm a Caixa de Assistncia dos Advogados de Gois. hoje membro da Delega-o de Gois no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.Mesmo no tendo seguido carreira na inds-tria, tem Felicssimo Sena sempre muita satisfa-o em falar de sua passagem pela instituio. O SENAI uma grande contribuio do empresaria-do ao Brasil.o seNAI preencheu minha juventude com hbitos saudveisAluno de mecnica de automveis da pioneira escola do SENAI em Gois, Felicssimo Sena reconhece o aprendizado do valor do trabalho| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 157Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins, o primeiro diploma do deputado Elias Jnior no foi, porm, o de comu-nicador, mas o de eletricista de manuteno indus-trial, curso realizado no SENAI. Buscou a institui-o ainda bem jovem, atrs de uma profisso que pudesse lhe ajudar a ter um futuro melhor.A formao no SENAI sempre foi conhe-cida por sua excelncia. Naquela poca, eu no tinha condies financeiras para pagar por minha formao. O SENAI era tudo o que eu precisava: ensino de altssima qualidade e sem custos. Para o deputado eleito para o primeiro mandato em 2010, ter passado pela instituio de ensino profissionali-zante lhe abriu novos horizontes.No SENAI aprendi no apenas uma pro-fisso. Aprendi a respeitar o prximo, a ter mais disciplina, a trabalhar em equipe, a ser mais or-ganizado e a planejar minhas aes, na vida, no trabalho, onde quer que eu estivesse. Do SENAI, sa mais preparado para enfrentar os desafios da vida, comenta.O deputado Elias Jnior lembra com alegria dos dois anos de formao e frisa o que, para ele, significa o SENAI. Seus valores foram se consolidando ao longo da histria. O SENAI representa qualidade, credibilidade. Quem tem uma formao numa escola do SENAI tem um passaporte para uma vida profissional melhor, um trabalhador respeitado pelas competncias que adquiriu, diz o deputado, que hoje tem um sobrinho estudante de Mecatrnica numa das unidades do SENAI.Elias Jnior tem hoje 33 anos. Nasceu em Peixe (TO), Estado onde se formou jornalista, funo que exerce desde 1998. O deputado traba-lhou como apresentador de programas televisivos e radiofnicos e com a produo de reportagens. Esteve em empresas como Rede Sucesso de R-dio, TV Record e Rdio Araguaia. Ainda hoje trabalha como apresentador de TV e rdio, alm de exercer o mandato de deputado na Assembleia Legislativa de Gois. Foi candidato a prefeito de Goinia em 2012.Deputado Elias Jnior, eletricista de manuteno industrial, o primeiro diploma do hoje jornalista e apresentador de programas de TV e rdio: A formao do SENAI sempre foi conhecida por sua excelnciado seNAI, sa mais preparado para os desafios da vida| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |158Com essa frase, o ex-prefeito de Sanclerlndia, hoje chefe de Gabinete da Secretaria de Ges-to e Planejamento do Estado de Gois, Itamar Leo do Amaral resume o que representou para ele ter passado pelo SENAI. Ele ex-aluno dos cursos de torneiro e desenho mecnico, concludos na d-cada de 1980. Natural de Gois (GO), hoje com 48 anos, Itamar Leo atribui ao SENAI responsabili-dade significativa do xito que obteve ao longo da vida profissional e poltico-administrativa.A experincia que obtive no SENAI foi a base de meu sucesso profissional e pessoal. Atra-vs dele, aprendi no s desenhar e fabricar peas mecnicas, mas tambm a planejar e executar sonhos e objetivos. Eu queria trabalhar por um projeto, poder fazer algo para melhorar a vida das pessoas. E no demais eu dizer que o SENAI me ajudou a chegar onde cheguei. Como prefeito, fui eleito o melhor gestor empreendedor pelo Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Sem dvida, fruto do que aprendi nas ofi-cinas e salas de aula do SENAI.Como gestor pblico, Itamar Leo diz ter aprendido que o que as pessoas querem, mesmo, oportunidade. Oportunidade de estudar, de aprender uma profisso, de trabalhar para ganhar seu prprio sustento, determinar seu prprio des-tino. Foi exatamente isso o que eu encontrei no SENAI: oportunidade.Alm de prefeito de Sanclerlndia por dois mandatos, Itamar Leo foi presidente da Cmara daquela cidade; superintendente de Patrimnio da Secretaria de Esporte e Lazer do Estado de Gois e presidente da Associao dos Municpios do Es-tado de Gois (AGM).No seNAI, aprendi a desenhar e fabricar peas, mas tambm a planejar e executar sonhosItamar Leo, ex-prefeito de Sanclerlndia, concluinte de cursos de tornearia e desenho mecnico, atribui ao SENAI xito na vida profissional e poltico-administrativa| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 159o seNAI me deu viso mais ampla da sociedadeDeputado Luis Csar Bueno, um curso de artes grficas, um jovem empreendedor: Sem a preparao de antes, jamais teria conseguido concluir dois cursos superiores antes de entrar na polticaA formao recebida no SENAI garantiu ao deputado estadual Luis Csar Bueno boa colocao no mercado de trabalho e realizao profissional, bem antes de ele pensar em entrar para a poltica. Chegou a scio de uma empresa do ramo grfico, segmento no qual se preparou em curso de artes grficas oferecido pelo ento Centro de Formao Profissional talo Bologna. Era jovem estudante do ensino fundamental antigo 1 grau e a concluso dos estudos, concomitante for-mao profissional, era uma excelente alternativa. Durante dois anos, passvamos oito horas do dia na escola. Ao final, alm de concluirmos os estu-dos, aprendamos uma profisso, relata.O goianiense Luis Csar Bueno no teve d-vida de que aquela era a melhor escolha a fazer. A indstria estava em franco desenvolvimento e oferecia as melhores vagas de trabalho e os melho-res salrios na minha poca de juventude, diz. No segmento grfico, conta, ocupou vrias funes, at ser scio do prprio negcio. Fiquei nesse ramo dos 17 aos 25 anos. A profisso que aprendi no SENAI possibilitou que eu arcasse com meus estudos no 2 grau ensino mdio e na facul-dade, afirma. O deputado formado em Histria e Cincias Sociais. Sem a preparao de antes, jamais teria conseguido concluir dois cursos supe-riores antes de entrar na poltica.Mas tambm para a vida pessoal Luis Csar Bueno diz que levou boas lies. O SENAI me possibilitou ter uma viso mais ampla da sociedade, a partir de uma vivncia hierrquica no mercado de trabalho. Foi por meio desse aprendizado que tive oportunidade de conviver com as complexidades do processo produtivo para, assim, compreender as dimenses do funcionamento da sociedade capita-lista. Segundo o deputado, como aprendizado do SENAI ele tambm leva a importncia de a classe | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |160trabalhadora manter-se em unio constante. Este exemplo tambm era repassado aos alunos do SE-NAI, recorda.O deputado ressalta o papel do SENAI para o desenvolvimento da indstria brasileira. A insti-tuio, em todas essas dcadas, contribuiu para o desenvolvimento econmico do Brasil por meio da preparao de mo de obra especializada para o mercado de trabalho. O SENAI mudou e trans-formou a indstria brasileira numa grande fora mundial, destaca. Luis Csar Bueno cita ainda a transformao de escolas em faculdades de tecno-logia como um passo gigantesco rumo ao futuro e ao desenvolvimento. Sempre soubemos da exce-lncia do SENAI na formao de tcnicos de nvel mdio. No diferente, agora, com a formao de tecnlogos, observa. Aos 50 anos, Luis Csar Bueno j foi, alm de deputado, vereador por Goinia, diretor na Secretaria de Finanas da Prefeitura de Goinia, membro do Conselho Deliberativo dos ndices de Participao dos Municpios (Condice), membro da mesa diretora da Assembleia Legislativa, entre outras funes pblicas. Aluno em atividade prtica na rea de artes grficas: excelncia do SENAI em educao profissionalEm 1976, Luis Csar Bueno, poca aluno de artes grficas do CFP talo Bologna, discursa em nome dos estudantes em solenidade comemorativa do aniversrio do SENAI e do Dia da Indstria (25 de maio), ao lado do funcionrio Deodato Ferreira| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 161O SENAI foi o divisor de guas na minha vida. Existe o Johnny antes e depois do SENAI. Ele Johnny Rodrigues Corra, tem 25 anos e, segun-do o ex-presidente da Repblica Luiz Incio Lula da Silva, o jovem trabalhador teria chances de che-gar a governar a Nao, se assim o desejasse, com cinco anos de vantagem em relao ao primeiro. Porque segundo disse o Lula ele fez seu pri-meiro discurso aos 26 anos de idade e eu, aos 21, explica Johnny ao recordar-se daquele abril de 2007, quando se encontrou com o ento presiden-te do Brasil durante a solenidade de inaugurao da fbrica da Caoa/Hyundai, no Distrito Agroin-dustrial de Anpolis (Daia). O garoto de 21 anos era o funcionrio n 1 contratado pela montadora em Gois.Mas v l que ser n 1 no que faz se tornou quase lugar comum para esse jovem ex-aluno do SENAI. Em 2006, deixou todos seus concorrentes comendo poeira e trouxe para Gois a medalha de ouro da Olimpada do Conhecimento na catego-ria de Mecnica Diesel de Motores Estacionrios. Uma conquista que ainda hoje o emociona. A co-memorao desse acontecimento inesquecvel para mim. At a banda da Base Area de Anpolis tocou em minha homenagem. Houve queima de fogos e a presena de todos meus amigos, parentes e professores do SENAI. Foi demais, resume ele ao lembrar-se da conquista.Johnny vencedor da Olimpada do Conhe-cimento e da vida. rfo, buscou formao, qua-lificao, quando o destino no lhe era promissor. Sem o SENAI, eu talvez fosse hoje mais um na lista dos desempregados, ou mais um no trabalho informal. Resumindo, mais um desqualificado ou despreparado buscando lugar, sem sucesso, no mercado de trabalho, afirma. Tudo o que con-quistei na vida eu dedico primeiro a Deus e depois ao SENAI, que me ensinou uma profisso, me deu uma oportunidade de trabalho, de ser valorizado nesse trabalho. O SENAI mudou minha histria de vida pessoal e profissional, acentua Johnny.E como mudou! Em 2003, a convite de um amigo, o garoto de 17 anos fez sua inscrio para Johnny, antes e depois do seNAIJohnny Rodrigues Corra, medalha de ouro da Olimpada do Conhecimento do SENAI, funcionrio n 1 da Hyundai e elogio de Lula| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |162um curso de mecnica na ento Escola SENAI Roberto Mange, em Anpolis. Selecionado, fez o curso de mecnica de veculos a diesel e eletricida-de veicular. Na poca em que a Caoa/Hyundai ini-ciou o recrutamento de funcionrios para a mon-tadora que se instalaria no Daia, Johnny mais uma vez mostrou que um campeo. Passou por todas as fases de seleo, sendo o primeiro trabalhador escolhido para trabalhar na fbrica de automveis.Comeou ali como mecnico montador. Mas, claro, mais uma vez, o ex-aluno do SENAI destacou-se pela competncia adquirida nesses anos todos de dedicao aos estudos. Fui promo-vido a lder de linha de montagem e depois a super-visor de linha de montagem. Hoje, estou em fase de experincia para assumir a funo de gerente de produo, relata. No cargo, Johnny ficar res-ponsvel pelo trabalho de outros 140 funcionrios trabalhando em dois turnos da montadora.No discurso do ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva, h cinco anos, essa trajetria j po-deria ser prevista por quem visse o entusiasmo do jovem trabalhador, recm-contratado pela mon-tadora. A segurana demonstrada por Johnny, naquela ocasio, encorajou o ento presidente a discursar para as autoridades presentes no evento. Lula disse, naquela solenidade: No vim prepa-rado para falar, mas o entusiasmo desse menino de 21 anos, formado pelo SENAI, assim como eu, me inspirou. Fiz meu primeiro discurso aos 27 anos. Johnny fez o seu hoje no dia do even-to. Isso significa que ele tem seis anos na minha frente de possibilidade de vir a ser presidente da Repblica, brincou o ex-chefe da Nao.Nossa trajetria a dele e a de Lula se parece, reconhece Johnny, que no parou de cor-rer atrs de mais e mais conhecimento. Hoje, faz faculdade de Engenharia Eltrica. O maior pr-mio que recebi na vida a satisfao profissional e pessoal que tenho. Sou feliz com o que eu fao. O SENAI me ajudou a chegar aqui, tornando-me um profissional tico, responsvel, produtivo.Johnny, que no parou de buscar conhecimento, faz faculdade de Engenharia Eltrica: O SENAI me ajudou a chegar aqui, tornando-me um profissional tico, responsvel, produtivo| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 163A imagem do menino com a cara enterra-da nos livros, parafusos, motores de Johnny Corra aquele que conversou de p de ouvido com o ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva e que agora se prepara para ser gerente de Produo da Caoa/Hyundai se repete em todas as unida-des do SENAI por onde se passa. Jovens garotos que se dedicam para sair dali entre os melhores em suas reas se preparam para competies regionais e nacionais. o caso de Kaic Mamede, de 17 anos, aluno do curso de Usinagem da Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna. Destaque entre os alunos da turma, o jovem disputou e venceu a fase regional da Olimpada do Conhecimento 2012, na ocu-pao Desenho Assistido por Computador, e se prepara para a etapa nacional da competio que avalia a qualidade do ensino do SENAI. E a prepa-rao de Kaic requer flego de campeo. Comeo s 7h30 da manh e s paro de estudar s 18 ho-ras, diz. Passa o dia no SENAI buscando melhorar cada vez mais seu projeto. O pai de Kaic, Divnio Antnio Rodrigues, de 45 anos, sempre teve tor-neadora. Aprendeu o ofcio sozinho. O filho, des-de pequeno, nunca saiu de perto e sempre gostou da oficina. Desde moleque eu fico em volta dele. Sempre me interessei pelo ofcio. Assim que deu, vim para o SENAI, conta. Est de olho no curso superior de Automao Industrial oferecido pela Fatec talo Bologna.O jovem tem objetivos claros. Quer ter bom desempenho na olimpada no por satisfao pes-soal, mas porque sabe que isso pode representar um investimento na carreira no futuro. As empre-sas ficam de olho nos primeiros colocados. atrs deles que elas vo. quase um passaporte para o bom emprego, compara. E eu quero ser um de-les. Quero chegar l por meu prprio mrito, por meu prprio esforo. E o SENAI me ajuda muito, os professores esto sempre acompanhando tudo de perto, completa. No sou diferente da maioria dos jovens da minha idade. S quero ter a opor-tunidade de ter um emprego digno, capaz de me fazer feliz, de me ajudar a constituir famlia.SENAI, referncia fora do Pasao fim da dcada de 1950, quando o presidente Juscelino Kubitschek acelerou o processo de industrializao, o Senai estava presente em quase todo o territrio nacional e comeava a buscar, no exterior, a formao para seus tcnicos. Logo, tornou-se referncia de inovao e qualidade na rea de formao profissional, servindo de modelo para a criao de instituies similares na Venezuela, no Chile, na argentina e no Peru.Kaic quer chegar l, tambmKaic Mamede, aluno do curso de usinagem do SENAI e de olho na Olimpada do Conhecimento: quase um passaporte para o bom emprego| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |164| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 165nas mos DElEs| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |166um passeio pela trajetria daqueles que assumiram a misso de dirigir, nesses 60 anos, o SENAI de Gois.de Ary Azevedo a Paulo vargas, os diretores do seNAI goisAry Azevedo 01/02/1958 a 31/08/1958Comandante nmero 1 de tudo o que fora feito pelo SENAI at ento, desde a sua chegada, em Anpolis, em 1952, coube ao professor carioca Ary Azevedo, na poca diretor da Escola SENAI GO 1, assumir a funo de primeiro delegado re-gional da instituio em Gois, em 1958. O Depar-tamento Regional seria criado naquele ano, em 28 de agosto. Preparou o terreno para a fundao do SENAI Gois, cujo primeiro diretor assumiria em seguida (a trajetria do professor Ary Azevedo no SENAI de Gois pode ser conferida na pgina 64, em que so lembrados os ex-diretores da hoje Facul-dade de Tecnologia SENAI Roberto Mange).Do SENAI ao Sistema FIEG: acima, antiga sede da Administrao Regional, na hoje Fatec talo Bologna e, direita, Casa da Indstria, que abriga todas as instituies| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 167| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |168gilson Alves de souza 1958-1968Gilson Alves de Souza morreu jovem demais para todos os projetos que tinha em vida. Um enfarte fulminante, em 28 de setembro de 1968, quando ele tinha apenas 48 anos, os interrompeu. Mas no foi capaz de apagar a trajetria desse mi-neiro de Patrocnio (MG) que cresceu em Gois e aqui fez histria como primeiro diretor do j funda-do Departamento Regional do SENAI. dona Dris Paranhos de Souza, a esposa e companheira durante 23 anos de casamento, quem conta um pouco dessa histria. Gilson ajudou muito Gois, a industrializao do Estado, o forta-lecimento das instituies como o SENAI, a Fede-rao do Comrcio e a prpria FIEG (Federao das Indstrias do Estado de Gois). Com muita dificuldade, fundou vrios sindicatos da indstria, relata. O sogro, ento deputado federal Galeno Pa-ranhos, contribuiu com os projetos do jovem em-preendedor Gilson de Souza.Reservado, nunca foi de trazer para si o mri-to de suas conquistas. No gostava de aparecer, resume a viva, dona Dris. Advogado, Gilson de Souza tinha excelente relao com integrantes da Confederao Nacional da Indstria (CNI), lembra. No ramo da indstria, fundou a Induprel, fbrica de pregos, e tambm outra indstria fabri-cante de mveis hospitalares. Como dirigente do SENAI ou como dono de fbrica, era sempre o pri-meiro a chegar e o ltimo a sair, revela dona Dris. Se um funcionrio atrasasse, o chefe senhor Gil-son chegava antes.Muito gentil com os funcionrios do SENAI e envolvido com causas sociais, gostava de ajudar a todos. Perdi a conta de quantos casais apadri-nhamos e de quantas crianas batizamos quando ele ainda era vivo. Ele era muito querido por todos. Vivia com o povo.Alm de fazer parte da histria de fundao da FIEG, do SENAI e SESI em Gois, Gilson Alves de Souza tambm tem passagem histrica pelo Gois Esporte Clube. dele a ata de fun-dao do clube, afirma dona Dris, assim como a ata de fundao, tambm, da primeira Federao dos Trabalhadores na Indstria em Gois, segun-do ela. Ele elaborava os estatutos e ajudava em tudo para sua fundao. Vivia 24 horas por dia para o trabalho.Do casamento com dona Dris Paranhos de Souza, o ex-diretor do SENAI teve cinco filhos: o advogado Paulo Augusto de Souza, o engenheiro fsico Gilson Alves de Souza Jnior, o administra-dor Galeno Alves de Souza, o agrnomo Luiz Al-berto de Souza e a professora Maria Rita de Souza. Fosse vivo, seria hoje av de 16 netos e 6 bisnetos.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 169Antnio fbio ribeiro 1968-1973O engenheiro civil e empresrio Antnio Fbio Ribeiro viveu a idade do SENAI. Nasceu no mesmo ano em que a instituio foi fundada, em So Paulo (SP) e, assim como o Servio Nacional de Aprendizagem Industrial, tambm completou 70 anos em 2012. Quatorze deles dedicados ao SENAI. Morreu no dia 23 de outubro de 2012, em Braslia.De aluno de Gilson de Souza, Antnio Fbio Ribeiro tornou-se seu brao direito. Com a morte sbita daquele, viria substitu-lo na direo do De-partamento Regional do SENAI em Gois, em 1968. Fora convidado por ele Gilson de Souza para ajud-lo na implantao, de fato, do depar-tamento regional, recm-criado.Ainda ao lado do ento diretor, Antnio Fbio realizou vrias aes: organizou e dirigiu a Diviso de Ensino e Treinamento; foi diretor-adjunto da diviso, supervisionando as aes do SENAI e co-laborando tambm com o SESI, notadamente, na construo do Clube Antnio Ferreira Pacheco, em Goinia, e da unidade de Aruan, s margens do Rio Araguaia. Aps a morte de Gilson Alves de Souza, assumiu a Direo Regional do SENAI em Gois, que j englobava a ao tambm no Distrito Federal.J na condio de diretor do SENAI Gois, o engenheiro Antnio Fbio promoveu a remode-lao do ento Centro de Formao Profissional Roberto Mange, de Anpolis, tanto no aspecto fsico quanto em relao ao desenvolvimento dos colaboradores e expanso das atividades. Tam-bm empenhou-se na construo e no incio de operao do ento Centro de Formao Profissio-nal talo Bologna, em Goinia.Antnio Fbio Ribeiro integrava os quadros do SENAI Gois quando foram construdos o Centro de Formao Profissional Vila Cana, em Goinia, e o CFP Araguana (hoje, Tocantins). Colaborou nos projetos de interiorizao da rede de atendi-mento do SENAI em Gois, bem como cuidou da abertura da instituio no Distrito Federal.L, atuou para implantao de unidades do SENAI, acumulando, inclusive, a direo regional do SENAI-DF. Foi responsvel pela construo e operao do Centro de Formao Profissional de Taguatinga (DF) e do Centro de Tecnologia da Construo do Distrito Federal. Antnio Fbio Ribeiro apoiou a implantao da Federao das Indstrias do Distrito Federal (Fibra), entidade que dirigiu de 1989 a 1995. Foi tambm presidente do Conselho do SENAI do DF.Em Gois, Antnio Fbio Ribeiro partici-pou de vrias entidades, comits e conselhos, contribuindo para a elaborao e o fortaleci-mento de uma poltica industrial para o Estado, chegando a assumir o cargo de secretrio de In-dstria e Comrcio de Gois, em 1970. Como dirigente do SENAI Gois, realizou viagens de trabalho a pases da Amrica Latina, levando e trazendo experincias promissoras na rea da Educao Profissional.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |170Ivan bailo 1970-1971Goiano de Inhumas, Ivan Bailo tambm tem a idade do SENAI. Os 70 anos do engenheiro formado pela pela UFG foram completados em janeiro de 2012. A chegada ao SENAI ocorreu em 1967, a convite do ento diretor, Gilson Alves de Souza. O colega Antnio Fbio Ribeiro j atuava no SENAI nessa poca, o que o encorajou ainda mais a aceitar o convite para trabalhar no sistema.Comeou sua trajetria na instituio como assessor da Diviso de Ensino e Treinamento, poca chefiada por Antnio Fbio. Assumiu a responsabilidade de acompanhar de perto o anda-mento e a concluso das obras do Centro de For-mao Profissional talo Bologna, em Goinia. Em 1968, com a ida de Antnio Fbio para a funo de diretor-adjunto do Departamento Re-gional, Ivan Bailo assumiu a chefia da Diviso de Ensino e Treinamento. Era responsvel, j nessa poca, pelas aes desenvolvidas tambm no Dis-trito Federal, bem como por todas as obras civis do Departamento Regional em Gois.Em 1970, quando Antnio Fbio j havia as-sumido a direo do SENAI Gois por ocasio da morte do advogado Gilson Alves de Souza, Ivan Bailo tornou-se diretor-adjunto do ex-colega de faculdade. Depois, ocupou interinamente a dire-o regional quando Antnio Fbio, a convite do governador Leonino Caiado, assumiu a Secretaria de Indstria e Comrcio do Estado. Tambm nes-sa poca, acumulou a funo de superintendente do Instituto Euvaldo Lodi de Gois (IEL-GO), integrante do Sistema Indstria no Estado.O engenheiro Ivan Bailo destaca como aes significativas do SENAI Gois entre 1967 e 1971 a inaugurao e ampliao do Centro de Formao Profissional talo Bologna, em Goinia; reformula-o e modernizao do CFP Roberto Mange, em Anpolis, e implantao, em parceria com o Mi-nistrio da Educao (MEC), do sistema de treina-mento de adultos por meio do Programa Intensivo de Preparao de Mo de Obra (PIPMO).Segundo lembra Ivan Bailo, ele pde coor-denar e executar, em 1971, uma experincia pio-neira que denomina como o maior programa de treinamento para a construo civil naquela poca, outra parceria do SENAI com o MEC e o extinto Banco Nacional de Habitao (BNH). Por meio do programa, foram formados mais de 2 mil profissio-nais nos canteiros de obra do Distrito Federal em menos de um ano.Hoje, Ivan Bailo diretor de Marketing da DEC Brasil, de Desenvolvimento e Fabricao de Equipamentos em Ao Inoxidvel, de Goinia. Considero que ter trabalhado no SENAI foi fun-damental para meu aperfeioamento profissional e sucesso posterior em todas as outras empresas em que atuei e nas atividades que exerci, afirma.Para o engenheiro, o mais gratificante de sua passagem pelo SENAI foi a convivncia com pes-soas relacionadas por ele e identificadas como n-tegras e idealistas, como Antnio Ferreira Pacheco, Ovdio Incio Carneiro, Jos Aquino Porto, Gilson Alves de Souza, Venerando de Freitas Borges, Jeov de Paula Rezende, Vincenzo Falcone, Hlio Naves, professor Ary Azevedo e meus colegas engenheiros Antnio Fbio Ribeiro e Jefferson Bueno, cita.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 171Jeov de Paula rezende 1974-1975Alm dos editoriais assinados que abrem este registro histrico dos 60 anos de fundao do SENAI em Gois, este trabalho trar outro texto redigido em primeira pessoa. O autor Ri-cardo Wagner Rezende, filho do ex-diretor do SENAI Gois, professor Jeov de Paula Rezende. A riqueza de detalhes, o cuidado com as palavras e a beleza das lembranas do tambm professor e ex-funcionrio do SENAI Ricardo Rezende justi-ficam essa escolha. Ricardo Rezende atuou no SENAI por 29 anos. Ingressou em Braslia, em 1982, na rea in-ternacional, chegando a chefe da Assessoria Inter-nacional da instituio. Foi transferido para a sede do Departamento Nacional do SENAI do Rio de Janeiro, atuando na assessoria direta do ento di-retor-tcnico da entidade e depois diretor-geral do SENAI entre 2000 e 2011, professor Jos Manoel de Aguiar Martins. Ricardo Rezende coordenou por vrios anos a rea de Relaes com o Merca-do. De volta a Braslia, com a mudana da sede nacional, ocupou novamente a gerncia-executiva de Relaes Internacionais. Encerrou a carreira no SENAI em setembro de 2011, como secretrio do Conselho Nacional do SENAI.Segue um relato de vida, feito pelo filho de Jeov de Paula Rezende. Uma vida que tambm passou pelo SENAI.Jeov de Paula Rezende nasceu na mineira Arax, em 30 de junho de 1921. Filho mais velho de oito irmos, perdeu o pai ainda adolescente e criou-se com a ajuda dos tios na cidade de Sacra-mento (MG).Veio para Goinia ainda muito jovem, no al-vorecer dos seus 21 anos, e aqui chegou a tempo de testemunhar a mudana da capital da velha Vila Boa de Gois para Goinia. Aqui concluiu seus estudos em Contabilidade e depois em Direito. Co-nheceu e casou-se comJacyra Souza de Rezende, com quem teve seis filhos Delenda, Tcia, Ant-nio Carlos (o Toninho), Tito Lvio, Ricardo Wagner e Eduardo Henrique.Ingressou no servio pblico e ajudou na or-ganizao da prefeitura da ento jovem capital goiana. Como fiscal e interventor do municpio, ajudou na organizao de vrias prefeituras do interior goiano e, como interventor, chegou a ser prefeito, por curto perodo, da histrica Pirenpolis. Galgou postos no servio pblico estadual, orga-nizou e ocupou postos de diretoria no Instituto de Previdncia e Assistncia dos Servidores do Estado de Gois (Ipasgo). Trabalhou por longo perodo na Assembleia Legislativa do Estado de Gois, onde se aposentou como diretor administrativo, em 1969.Paralelamente carreira no servio pbli-co, Jeov de Paula Rezende trilhou belssima tra-jetria na academia. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Gois como professor titular de Direito e ali serviu por longos 35 anos. Assim, ficou conhecido pela alcunha que sempre o acompanhou Professor Jeov. Ensinou nas cadeiras de Direito Administrativo, Direi-to Penal e Direito Processual, mas foi na rea de Deontologia Jurdica a rea do Direito que trata datica no exerccio da profisso que se encon-trou e se especializou. Deu aulas, fez palestras e es-| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |172creveu diversos livros tcnicos sobre a matria. Ao longo dos anos na Academia, ocupou o cargo de Diretor da Faculdade de Direito por 15 anos, at se aposentar, por volta de 1971, pouco depois de deixar o servio pblico.Professor Jeov costumava dizer: No gosto que me chamem de doutor, como costume com a maioria dos advogados. Gosto que me chamem de professor, porque professor um ttulo quemereo. E professor era um ttulo que merecia, mesmo. Ao encontrarex-alunos dele, todos eram unnimes em me dizer: Nas aulas do seu pai, era possvel ouvir os mosquitos voando pela sala.Homem de grande inteligncia e rara cultura, professor Jeov conhecia os clssicos, tinha invej-vel conhecimento de Literatura e Histria e inigua-lveltalento para a escrita. Seus textos eram ricos, elegantes e agradveis, fazendo, s vezes, com que o leitor corresse aos dicionrios, tal a riqueza do voca-bulrio que empregava. Ao lado dos livros tcnicos de Direito, escreveu romances, contos, ensaios e artigos. Dentre seus livros publicados, destacam-se Cenas de Desemboque, que retrata a Sacramento de sua adolescncia, e Pequizeiros em Flor, mistura de fico e histria, que relata a mudana da ca-pital de Gois e seus personagens histricos, como Pedro Ludovico, Venerando de Freitas Borges e Jai-me Cmara.Em 1969, j aposentado do servio pblico e em final de carreira no magistrio, professor Jeov recebeu convite de Jos Aquino Porto, ento pre-sidente da Federao das Indstrias do Estado de Gois, para ingressar nos quadros da institui-o. Entrou para a FIEG ocupando o cargo de secretrio-geral, em substituio a Gilson Alves de Souza, que acabava de falecer aps ter prestado relevantes servios na estruturao tanto da FIEG como de suas casas coligadas SESI e SENAI. Pela sua formao e conhecimento em Direito, passou a acumular o posto de consultor jurdico do SESI com o cargo de secretrio-geral da FIEG. As-sim, defendeu o SESI em inmeras aes at que, pelos idos de 1971, passou para os quadros do SE-NAI Gois como diretor-adjunto da entidade.Ocupava o cargo de diretor regional do SE-NAI Gois o ento jovem e dinmico Antnio F-bio Ribeiro, secretrio de Indstria e Comrcio do Governo Leonino Caiado, engenheiro e executivo destacado de Goinia. Na transferncia de Ant-nio Fbio Ribeiro para Braslia, na fundao do Departamento Regional do SENAI do Distrito Fe-deral, em 1973, professor Jeov passou a diretor re-gional do SENAI em Gois. Permaneceu no cargo at 1975, quando Jefferson Bueno tornou-se diretor regional do SENAI Gois e professor Jeov voltou a ocupar a diretoria-adjunta da instituio. Com a sada de Jefferson Bueno, em 1983, assumiu a Diretoria Regional do SENAI em Gois Paulo Vargas, com professor Jeov perma-necendo como seu diretor-adjunto. Iniciava-se ali uma longa e profcua parceria de trabalho, que trouxe um grande desenvolvimento e consolidou o SENAI Gois como um dos mais slidos, equili-brados e produtivos Departamentos Regionais da rede SENAI.Foram reestruturadas e fortalecidas as unida-des operacionais do SENAI em Anpolis e Goi-nia, a exemplo da instalada no Setor Fama e Vila Cana. As aes da instituio estenderam-se por vrias cidades do Estado, que comeavam a receber indstrias e investimentos de outras regies do Pas, e assim surgiram as Unidades de Catalo, Itumbia-Ricardo Rezende, filho do Professor Jeov: vida dedicada educao, legado do pai| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 173ra, Rio Verde, dentre tantas outras.Alm de atuar ao lado de Paulo Vargas na consolidao do SENAI em Gois, Professor Jeo-v, com uma trajetria de vida fortemente dedicada Educao, lutou para que a Educao Profissio-nal oferecida pelo SENAI alcanasse prestgio eva-lor. Hoje, a Educao Profissional do SENAI no mais aquele curso prtico, de nvel bsico, oferecido ao filho do trabalhador semiqualificado. , acima de tudo, uma alternativa educacional nobre que abre horizontes e perspectivas para os jovens que precisam ingressar no mercado de trabalho e garan-tir para si e para suas famlias um futuro melhor e mais promissor. Em 30 anos de trabalho dedicados ao SENAI Gois, este foi um dos mais fortes lega-dos deixados por Professor Jeov.Professor Jeov de Paula Rezende faleceu aos 86 anos, em agosto de 2007. Seu exemplo de ho-mem de origem humilde e estilo de vida simples; de pessoa honrada, honesta e dedicada, que jamais usou os cargos que ocupou em proveito prprio; suatrajetria profissional marcada por grandes re-alizaesdeixamlies do mestre degrande sabe-doria, que marcou de forma indelveltodos aqueles que conviveram com ele, e deixam plantadas se-mentes de inspirao para as geraes futuras. Professor Jeov: 30 anos de trabalho dedicados ao SENAI Gois| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |174Jefferson bueno 1975-1983Aos 72 anos, o engenheiro civil e economista Jefferson Bueno fala com facilidade sobre o que fora em sua vida o Servio Nacional de Aprendizagem Industrial, e vice-versa. Tudo o que eu fiz na vida tem pedao do SENAI dentro, diz. E tem mesmo.Essa histria teve incio em 1966 e durou 17 anos. Em junho daquele ano, o jovem Jefferson Bueno recebeu a misso, das mos do ento diretor regional do SENAI em Gois e no Distrito Fede-ral, Gilson Alves, e do presidente da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) na poca, Antnio Ferreira Pacheco, de dar incio s ativida-des de formao de mo de obra pelo SENAI no DF. Foi nomeado, em 1 de junho de 1966, diretor tcnico do SENAI no Distrito Federal, funo na qual permaneceu at 1968. Durante esse tempo, lembra, assumiu tambm a direo-geral do Cen-tro de Ensino Tecnolgico de Braslia (Ceteb) e a coordenao de projetos de preparao de mo de obra industrial do Ministrio do Trabalho.Entre 1968 e 1970, Jefferson Bueno passou a atuar no Departamento Nacional do SENAI, no Rio de Janeiro. L desenvolvi manuais para laboratoristas de solo, que foram reproduzidos at se transformarem em srie metdica no SENAI, afirma. Nos anos 1970, foi para Boston, em Massachussetss, nos Estados Unidos, fazer seus estudos de mestrado e doutorado como bolsista da Northern University.Concludos os cursos nos Estados Unidos, vol-tou em 1973 para o Brasil, reintegrando o SENAI de Braslia, onde publicou os primeiros anurios da instituio no DF. Permaneceu no local at 1975, quando foi criado o Departamento Regional do SENAI do DF, dirigido por Antnio Fbio Ribeiro.Em 15 de maio de 1975, segundo conta, foi nomeado diretor regional do SENAI de Gois, designado para a funo pelo ento presidente da FIEG, Aquino Porto. Comandou a instituio, que experimentaria, nos anos seguintes, franca expan-so das atividades, at 1983. O SENAI foi uma ins-tituio que acompanhou a marcha para o Oeste brasileiro e acompanhou todas as transformaes experimentadas por Gois ao longo das ltimas seis dcadas, destaca.Na gesto do engenheiro civil Jefferson Bue-no, a rea fsica da unidade talo Bologna, em Goi-nia, sofreu significativa ampliao; foi construda a escola da Vila Cana, tambm na capital; a ento Escola Roberto Mange passou por importante re-forma (em 1980); dobrou-se a capacidade de aten-dimento da unidade de Araguana (TO); foram construdos os Centros Regionais de Treinamento de Rio Verde e Gurupi, a escola de Minau e de Itumbiara. A meta era ampliar significativamente o nmero de matrculas do SENAI e fizemos isso ocupando todos os quadrantes do Estado, relem-bra. E atribuo esse trabalho a um conselho e a uma diretoria do SENAI integrados por pessoas muito capacitadas, como Venerando de Freitas Borges, Hlio Naves e o atual diretor do SENAI, Paulo Vargas, enumera.Segundo Jefferson Bueno, sua passagem pelo SENAI possibilitou-lhe conhecimento mais profundo da importncia dos Recursos Humanos | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 175para o desenvolvimento de um pas. Ampliei meus conhecimentos gerais e especficos que fizeram o profissional que sou, preparando-me para ocupar as posies que ocupei, frisa.Aps deixar a direo do SENAI, o econo-mista Jefferson Bueno assumiu funes pblicas, como a presidncia da Companhia Energtica de Gois (Celg) e de rgos como a Companhia de Pavimentao, Companhia de Obras e o Departa-mento de Estradas de Rodagem de Goinia, alm da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), de Braslia. Foi tambm fundador e pre-sidente do Sindicato das Indstrias de Fabricao de lcool de Gois.Hoje, Jefferson Bueno dedica-se literatura e ao agronegcio. E arremata: Um pas cresce dependendo da natureza de sua fora de trabalho. Quanto mais qualificada ela , mais capacidade produtiva esse pas ter. Da a importncia de insti-tuies como o SENAI.Final dos anos 70: Jefferson Bueno (centro) mostra obras do CFP Vila Cana ao ento diretor do Departamento Nacional do SENAI, Saulo Diniz, e Barros Palissy (esquerda), observado por Jos Siqueira Filho, Joo Francisco, Paulo Vargas e Wilson Gilberto Pereira | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |176Paulo vargas a partir de 1983O jovem de 26 anos chegou atrasado primeira prova de seleo para ingresso nos quadros do SENAI Gois. No conseguiu liberar-se a tempo do trabalho. Perdeu a primeira chance, mas foi ape-nas essa. Na segunda tentativa, Paulo Vargas estava l. Era 1969. Aprovado. De l, no mais saiu. E l se vo 43 anos. Quarenta e trs anos de uma histria de vida que se entrelaa com a prpria histria do SENAI em Gois, que completa 60 anos em 2012, 30 deles sob a administrao de Paulo Vargas.Goiano, o economista especialista em Pla-nejamento e Administrao de Empresas Paulo Vargas nasceu em Leopoldo de Bulhes, a cidade que surgiu com a estrada de ferro. O semblante se-reno esconde parte de uma das caractersticas que melhor o traduz: gosta tanto de trabalhar quanto de viver. O trabalho no mata. O trabalho no adoe-ce. Pelo contrrio, uma boa terapia, ensina Paulo Vargas, que s tem hora para chegar sede do SE-NAI, em Goinia.O diretor regional do SENAI conta que teve na vida apenas dois empregadores. Um deles foi Irapuan Costa Jnior, empresrio com quem tra-balhava quando decidiu fazer a prova de seleo para ingresso na instituio. Selecionado, iniciou como auxiliar de escritrio. Nunca mais deixei o SENAI, diz. E tanto l, como auxiliar de escrit-rio, como aqui, na funo de diretor, sempre bus-quei oferecer o mximo da minha competncia. Nada menos que o mximo da minha competn-cia, refora, lembrando que exatamente isso o que ele espera da equipe que coordena.A seleo para ingressar no SENAI partiu da simpatia que Paulo Vargas nutria pela instituio. Dela, no sabia muito. Mas conhecia pessoas que integravam aquele projeto extraordinrio para usar adjetivo escolhido por ele mesmo para des-crever como via o trabalho do SENAI , como o professor e amigo Vincenzo Falcone, que o fizeram crer que ele tambm queria fazer parte daquela histria. E fez. Italiano exigente, poca diretor administrativo, com ele aprendi muito.Alm de Falcone, ele cita Joviano Pereira da Natividade Neto, anapolino, que saiu dos quadros do SENAI Gois para se tornar diretor regional da instituio no Rio Grande do Sul e Distrito Federal, respectivamente; Carlos Antnio Almei-da e Silva, Terezinha de Jesus e Ftima Antonieta, todos levados de Gois para Braslia, requisitados por Antnio Fbio Ribeiro ao assumir a direo do DR-DF, no ano de 1973. O mesmo ocorreu com Carlos Boaventura, poca um garoto de 16 anos que mais tarde se tornaria diretor regional e supe-rintendente do SENAI e SESI do Distrito Federal, respectivamente.Desde que me aproximei pela primeira vez do SENAI, o vi como instituio forjadora de ho-mens bons, que ensina as pessoas a ter uma profis-so, as ajuda a crescer, a se firmar, a ter sucesso a partir da formao que recebem. As pessoas pas-sam a se sentir valorizadas pelo que sabem fazer, pelo que tm competncia para fazer. Faz bem poder dizer sou um bom pedreiro, sou um bom eletricista, sou um bom tcnico. Identifiquei-me e ainda me identifico com os valores da instituio, diz Paulo Vargas.O ex-auxiliar de escritrio fez carreira na instituio que escolheu para dedicar sua fora | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 177de trabalho. Foi diretor de escola, coordenador de diviso, coordenador-administrativo, entre outras funes que exerceu, at chegar a diretor regional, em 1983, em substituio a Jefferson Bueno. Apesar de ainda muito moo, tive o privi-lgio da confiana do ento presidente da FIEG, Aquino Porto, que me deu chance irrecusvel de mostrar trabalho como diretor regional, lembra. Durante todo esse tempo, convivi com pessoas extraordinrias, como Ivan Bailo, Jeov Rezende, Antnio Fbio Ribeiro, Jefferson Bueno, Aquino Porto, Paulo Afonso, Mozart Soares Filho, Hlio Damsio de Castro, Ary Azevedo e tanta gente que ajudou a construir o que a instituio hoje. Sinto-me honrado por isso.No Sistema Indstria em nvel nacional, onde o Regional de Gois sempre gozou de muito prestgio, Paulo Vargas destaca personagens como os ex-diretores Paulo Ernesto Tolle (So Paulo), Afonso Greco (Minas), Roberto Boclin (Rio de Janeiro), Arivaldo Silveira Fontes e Jos Manuel Martins, ex-diretores do Departamento Nacional.Paulo Vargas lembra que, como diretor dire-tor regional, passou pelas gestes de trs dirigentes da FIEG: Aquino Porto, homem a quem Gois deve muito, Paulo Afonso, que soube aproveitar a estrutura e os alicerces erguidos por Aquino Porto e avanar e, agora, Pedro Alves, nas mos de quem a Federao teve tambm grande salto, cita. Ao ser mantido pelo presidente Pedro Alves frente da instituio, senti uma responsabilidade maior ain-da. Seria natural que ele trouxesse para essa funo outros auxiliares. Mas ao receber a misso de con-tinuar dirigindo o SENAI e o SESI, senti o peso da responsabilidade e a assumi, afirma. O SENAI est absolutamente alinhado com o projeto do pre-sidente Pedro Alves, frisa.Para Paulo Vargas, o sentimento que predo-mina, ao estar frente do SENAI por ocasio dos seus 60 anos de fundao em Gois, de orgulho. Sinto-me imensamente orgulhoso, privilegia-do e honrado por estar liderando essa equipe em momento to importante para a instituio. Eu acredito na indstria de Gois e acredito no que o SENAI e o SESI podem fazer por ela. Trata-se de instituies de bem que forjam homens, trabalha-dores de bem, acentua. E conclui. Sou inquieto. No estou satisfeito nunca. Mas nada melhor que a insatisfao, para o homem, para faz-lo avanar. E isso o que busco, isso o que o SENAI busca.Atuao internacionalna rea internacional, o Senai Brasil firmou 48 parcerias com 29 pases e 1 organismo internacional; captou 10.804 horas de consultoria para o Sistema Senai e promoveu a capacitao de 3.654 pessoas no Brasil por peritos internacionais. alm disso, ainda em 2010, implantou 4 Centros de Formao Profissional e est implementando 11 no exterior, em parceria com a agncia Brasileira de Cooperao (aBC), e desenvolve 29 projetos de cooperao tcnica totalizando R$ 68,9 milhes.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |178| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 179pionEiros E Visionrios| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |180Neste captulo, trazemos um breve relato da trajetria dos homens que tornaram possvel a implantao e o crescimento da rede SENAI, na condio de presidentes da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) e, por consequncia, tambm presidentes do Conselho Regional da instituio de ensino: Ant-nio Ferreira Pacheco, o visionrio que tudo iniciou; Aquino Porto, sob o olhar de quem a indstria e seu brao educacional, o SENAI, cresceu e se consolidou; Paulo Afonso, que soube potencializar o legado deixado por seu antecessor; e Pedro Alves, que amplia significativamente a oferta educacional no Estado e as parcerias em prol desse sistema.PresIdeNtes dA fIeg, freNte dos destINos do seNAIferreira Pacheco e os primeiros passos pela industrializaoPrimeiro presidente da Federao das Inds-trias do Estado de Gois (FIEG), o empres-rio Antnio Ferreira Pacheco foi responsvel pelos passos iniciais da entidade rumo industrializao goiana, em meio a um contexto de ausncia de in-fraestrutura e mo de obra e reduzido nmero de empresas e investimentos. Durante sua gesto, de 1952 a 1967, aps intensas articulaes junto Con-federao Nacional da Indstria (CNI), foi criado o Conselho Regional do SENAI, em reunio do Conselho Nacional da instituio, ocorrida entre os dias 24 e 25 de maro de 1958. No mesmo ano, em 28 de agosto, foi implan-tado o Departamento Regional do SENAI, que teve como primeiro diretor Gilson Alves de Souza. At ento, o SENAI em Gois, cuja primeira esco-la havia sido inaugurada em 9 de maro de 1952, em Anpolis, permanecia vinculado ao Departa-mento Regional de So Paulo. Tambm durante o mandato de Antnio Ferreira Pacheco, nasceu o Departamento Regional do SESI, cuja incorpora-o pela FIEG ocorreu em 28 de fevereiro de 1953.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 181o legado de Aquino PortoEntre os pioneiros do Sistema Indstria em Goi-s, destaca-se como figura central o empres-rio Jos Aquino Porto. Visionrio e empreendedor, Aquino Porto, depois de assumir o comando da FIEG com a morte de Ferreira Pacheco, de quem era vice, em 1967, ampliou a estrutura das institui-es que hoje compem o Sistema FIEG, o que possibilitou levar os diversos servios prestados a re-gies estratgicas do Estado. Sua liderana e a ca-pacidade de agregar as reivindicaes da indstria o fizeram galgar posio de destaque no segmento industrial nacional. Seu trabalho colocou a inds-tria goiana de vez no cenrio brasileiro e lhe rendeu o ttulo de Pai da Industrializao em Gois, pe-las quatro dcadas de atuao como lder classista, no Estado e no Pas.Com acesso fcil aos altos escales do gover-no federal e por mais de trs dcadas na posio de primeiro secretrio da Confederao Nacional da Indstria (CNI), Aquino Porto atraiu ateno de diversas autoridades para Gois e conseguiu canalizar inestimveis recursos financeiros para potencializar a ao das instituies do Sistema Indstria no Estado, sobretudo o SESI e o SE-NAI. No caso do SENAI, exceo da pioneira unidade Roberto Mange e das unidades mais recentes, Aquino Porto foi responsvel pela im-plantao de praticamente toda a rede de ensino tcnico no Estado, incluindo a hoje Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, primeira unidade instalada em Goinia; a Escola SENAI Vila Cana e a Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial, tambm na ca-pital; a Unidade Integrada SESI SENAI SAMA, em Minau; a Escola SENAI Catalo, a Escola SENAI Itumbiara e a Unidade Integrada SESI SENAI Rio Verde. Aps 32 anos de sua gesto frente do sistema sindical patronal industrial goiano, eleito e reeleito em mandatos sucessivos, e considerando cumprida sua misso, passou, em 2000, o comando ao vice, Paulo Afonso Ferreira.Ento presidente da FIEG, Aquino Porto, entre os deputados Ibsen de Castro e Valdi Camrcio, recebe Medalha do Mrito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, em 1997| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |182Paulo Afonso ferreira, empreendedorismo e modernizaoCom o afastamento de Aquino Porto, Paulo Afonso Ferreira assumiu tarefa desafiadora, como ele prprio bem definiu ao avaliar os pri-meiros passos dados sem o apoio da mo segura de Aquino Porto e levar adiante o legado de em-preendedorismo, que sempre passou pelo cami-nho da modernizao, e realizar seu trabalho por meio do aprendizado e tendo sempre em mente o compromisso com a manuteno do trabalho promovido at ento: Nos primeiros meses, a sensao que nos envolveu foi a de imensa pre-ocupao, que certamente se traduziu algumas vezes em excesso de zelo, diante da obrigao de dar continuidade a uma administrao elogiada por unanimidade.O trabalho conjunto e a busca coletiva por solues rumo ao desenvolvimento permitiram que a FIEG reforasse sua posio de represen-tao mxima do setor industrial. A gesto Paulo Afonso Ferreira, que se reelegeu at outubro de 2010, representou a continuidade da crena em um Gois Industrial e tambm em sua capacidade de juntar lideranas a favor dos grandes objetivos da indstria.Como presidente do Conselho Regional do SENAI, Paulo Afonso Ferreira levou adiante o projeto de interiorizao da instituio, em ao integrada com o SESI, para atender s demandas por qualificao profissional diante da descen-tralizao do desenvolvimento industrial. Assim, por meio da estratgia de parcerias com a inicia-tiva privada, nasceram a Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia, o Ncleo de Educao Profissional SENAI Luzinia, o Ncleo Integra-do SESI SENAI Barro Alto, o Ncleo Integrado SESI SENAI Formosa, o Ncleo Integrado SESI SENAI Senador Canedo e a Unidade Integrada SESI SENAI Quirinpolis.Integrao do Sistema FIEG e parceria com indstrias, marcas da gesto de Paulo Afonso Ferreira| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 183Pedro Alves de oliveira, foco na expanso da rede de ensinoEleito presidente da FIEG em 2010, o empresrio Pedro Alves de Oliveira tem mandato at 2014. Em sua gesto, o SENAI mantm sua trajetria de expanso da rede fsica nos principais polos de de-senvolvimento industrial do Estado, com a implan-tao do Ncleo Integrado SESI SENAI Mineiros, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida de Goinia, e o Ncleo SENAI Anpolis. Em meio crescente demanda das empresas por mo de obra qualificada, o foco da nova direto-ria da FIEG para a atuao do SENAI a elevao do nmero de matrculas na educao profissional e de empresas atendidas de forma integrada com os servios do SESI. Ao aderir ao Programa SENAI de Apoio Competitividade da Indstria Brasilei-ra, pacote de modernizao que prev a aplicao de R$ 3 bilhes em todas as unidades da instituio no Pas, o SENAI Gois vai investir R$ 85 milhes, at 2014, na expanso de sua rede de ensino, que oferece hoje cerca de 400 tipos de cursos em 20 unidades e ncleos estrategicamente distribudos nos principais polos industriais do Estado. A meta atingir, em dois anos, 200 mil matrculas anu-ais, quase o dobro do que foi alcanado em 2010 (113.516) e 78% superior a 2011 (123.511 matrculas). Para a expanso de sua rede de ensino, o SENAI ir aplicar recursos na rea de mecnica agrcola e adquirir mais quatro unidades mveis (oficinas autotransportveis), nas reas de alimen-tos e bebidas, manuteno industrial, manuteno de mquinas pesadas e de solda. O objetivo aten-der de perto s necessidades dos grandes empreen-dimentos que se instalam no Estado e dinamizar as aes de formao profissional desenvolvidas em parceria com empresas, sindicatos, associa-es e prefeituras. Tambm sero criados Institutos SENAI de Tecnologia (IST) nas reas de alimen-tos, automao e qumica industrial, alm do Ins-tituto SENAI de Inovao, com foco em logstica. Essas unidades sero aliadas das empresas no de-senvolvimento integrado de produtos e processos, pesquisa aplicada, soluo de problemas comple-xos e antecipao de tendncias tecnolgicas. Os institutos vo ainda formar profissionais para gerar conhecimento e desenvolver tecnologias que aten-dam s demandas das indstrias.Expanso da rede de ensino uma das piroridades de Pedro Alves de Oliveira frente das instituies da indstria em Gois| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |184| s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 185ComEmoraEs unEm passaDo E prEsEntE| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |186No foi uma manh de domingo ensolarada, como aquela que, segundo os registros his-tricos, marcou a inaugurao da Escola SENAI GO 1, no dia 9 de maro de 1952, mas foi em uma manh de sexta-feira, igualmente ensolarada, que Anpolis abriu as comemoraes dos 60 anos de atuao da instituio em Gois. Pioneira da rede de educao profissional e tecnolgica hoje presen-te nos principais polos de desenvolvimento do Es-tado, a atual Faculdade de Tecnologia SENAI Ro-berto Mange festejou a data em grande estilo, com direito a bolo de aniversrio, bales, fogos de artif-cio e at tapete vermelho para receber as centenas de pessoas que vieram prestigiar o aniversrio. Uma placa alusiva histria, descerrada na ocasio, perenizou o evento. Nela, uma frase de um personagem cuja ausncia foi sentida Eur-pedes Monteiro Alarco, concluinte do curso de marceneiro da turma de 1953, que falecera h me-nos de um ms: O SENAI foi como uma bno de Deus na minha vida e de tantos outros jovens no s na minha poca, mas at hoje. Se me tornei o profissional e o pai de famlia que sou, devo muito a meus estudos no SENAI.No meio da multido, Juracy Fernandes de Carvalho, um senhor visivelmente emocionado, mostrava orgulhoso um pequeno lbum com fo-tografias antigas, da poca em que integrou a pri-meira turma do curso de tornearia mecnica da ento Escola SENAI GO 1. Fiz questo de estar aqui hoje. O SENAI faz parte da minha histria, aqui aprendi no s um ofcio, mas a ter disciplina, respeito ao prximo e amor ao trabalho, justificou. Juracy fez companhia a outros ilustres ex-alunos que tambm participaram da solenidade, como o colega de curso, Jair Braz.Reencontro, 60 anos depois: Juracy Fernandes de Carvalho e Jair Braz, colegas da turma de tornearia mecnica do SENAI em GoisANPolIs em festA, 60 ANos dePoIs| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 187No transcorrer dessas seis dcadas, o SENAI Gois coleciona vrias histrias como a dos senhores Juracy, Eurpedes, Jair e tantos outros a srie histrica acumula mais de 1,3 milho de ma-trculas. Algumas delas foram apresentadas duran-te a comemorao dos 60 anos, em vdeo com de-poimentos de ex-alunos que se tornaram exemplos de sucesso profissional. A programao contou tambm com exibio do vdeo da inaugurao da antiga Escola SENAI GO 1 e lanamento pelos Correios do selo comemorativo SENAI 60 anos.Convidado para participar da solenidade, o engenheiro Adriano Mange, neto do tambm en-genheiro e educador suo Roberto Mange, um dos principais responsveis por trazer o SENAI para Gois, foi homenageado. Me sinto honrado por estar aqui e poder admirar a obra do meu av. Tambm sou tecnlogo em mecnica e trabalhei durante 36 anos no SENAI, me orgulha ser parte da instituio, disse.boNs exemPlosLuiz Adriano de Carvalho Mange, neto de Roberto Mange, presena marcante nos 60 anos do SENAI, ajuda cortar o bolo de aniversrio, ao lado de Joo Francisco, Francisco Costa, Jos Fernandes e Jos Natal| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |188Durante a abertura das comemoraes dos 60 anos do SENAI Gois, em Anpolis, o diretor regional, Paulo Vargas, fez um breve histrico sobre a chegada da instituio ao Estado, liderada pelo ento arcebispo de Gois, Dom Emanuel Gomes, conhecido como Arcebispo da Instruo, que foi ao SENAI de So Paulo pedir a implantao de uma unidade de educao profissional em Gois. O diretor tambm destacou o crescimento e mo-dernizao da instituio, que ao longo desses 60 anos de atuao acumula em sua srie histrica 1.321.106 matrculas, em mais de 400 cursos sinto-nizados com as reais necessidades do setor produti-vo. Os caminhos que o SENAI trilhou nestas seis dcadas, os desafios enfrentados, e o sucesso alcan-ado, levam as marcas do dinamismo das institui-es e dos empresrios que sempre o apoiaram, sugerindo e cobrando servios, ressaltou.Indstria competitivaEm seu discurso, o presidente da FIEG, Pedro Alves de Oliveira, destacou que o cresci-mento da economia goiana, que ocupa hoje a 9 posio do Pas, est amparado na formao pro-fissional oferecida pelo SENAI. Para ns, uma alegria muito grande participar desse momento e o resultado do trabalho que temos no SENAI nos motiva a nos empenhar ainda mais para que nos-sa indstria se torne cada vez mais competitiva.Parceiro do SENAI em vrias aes de qualificao profissional, o prefeito de Anpolis, formAo ProfIssIoNAl: AlICerCe do deseNvolvImeNto soCIoeCoNmICoPaulo Vargas fala na abertura das comemoraes dos 60 anos do SENAI em Gois: caminhos, desafios e o sucesso| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 189| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |190| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 191Antnio Gomide, disse que os frutos do trabalho iniciado pelos pioneiros da instituio hoje so co-lhidos por toda sociedade goiana. A educao e a formao profissional promovem a justia social e, dentro dessa viso, somos parceiros incondicionais da FIEG e do SENAI para que possamos dar con-dies s pessoas de aproveitar as oportunidades que o desenvolvimento econmico oferece.Parque tecnolgicoRepresentando o governador Marconi Perillo, o secretrio estadual de Cincia e Tecnologia, Mauro Faiad, disse que o SENAI tem papel fun-damental para aumentar a renda dos goianos. Embora Gois cresa acima da mdia nacional, h ainda uma grande diferena entre o Produto Interno Bruto (PIB) e a renda per capita. Esse hiato s vai diminuir com educao, qualificao profissional e investimentos em inovao tecnol-gica, avaliou. Na ocasio, o secretrio anunciou o avano do projeto de parceria pblico-privada, que prev a construo, em Anpolis, do primeiro Parque Tecnolgico da Regio Centro-Oeste. Tambm participaram do evento, o presidente da Associao Comercial e Industrial de Anpolis e vice-presidente da FIEG, Wilson de Oliveira, o presidente da FIEG Regional Anpolis, Ubiratan Lopes, o bispo diocesano dom Joo Wilk e o dire-tor-adjunto dos Correios, Valdeir Pimenta, alm de empresrios e autoridades.Prefeito de Anpolis, Antnio Gomide: parceria incondicionalDentro das comemoraes do 60 aniversrio do SENAI em Gois, a Fa-culdade de Tecnologia talo Bologna, que completou 44 anos dia 24 de maro, reu-niu seus ex-diretores para reconhecimen-to ao trabalho deles. A primeira unidade na capital hoje comandada por Misclay Marjorie, que antes havia dirigido a Uni-dade Integrada SESI SENAI Niquelndia, no Norte goiano. Na Fatec, foram seus antecessores Ary Azevedo (1968-79), Pau-lo Vargas (1979), Lzaro Bernardes (1979-81), Jair Braz de Oliveira (1981-92) e Mar-cos Antnio Mariano (1992-2011).Reconhecimento: Jos Mauro Costa Azevedo e Grace Helena, filhos de Ary Azevedo, Paulo Vargas, Lzaro Bernardes, Jair Braz, Tays Almeida de Souza (funcionria da Escola SENAI Dr. Celso Charuri, representando Marcos Mariano) e Misclay MarjorieFatec talo Bologna homenageia ex-diretores| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |192Tambm comemorando 60 anos, a Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG), instalada oficialmente no dia 1 de maio de 1952, abriu as festividades do sexagenrio em evento re-alizado no dia 13 de maro, na Casa da Indstria, com participao do governador Marconi Perillo e do presidente da Confederao Nacional da In-dstria (CNI), Robson Braga. Na ocasio, foi lan-ado pelos Correios selo alusivo ao aniversrio da instituio e homenageadas personalidades ligadas histria da Federao. A solenidade contou ainda com a presena da diretoria da FIEG, presidentes de sindicatos, representantes das entidades que compem o Frum Empresarial, deputados esta-duais e do secretrio de Indstria e Comrcio de Gois, Alexandre Baldy.Em meio s comemoraes, a Assembleia Legislativa e a Cmara Municipal de Anpolis rea-lizaram sesses especiais, propostas pelo deputado Luiz Cesar Bueno (PT) e pelo vereador Luiz La-cerda (PT), para homenagear os 60 anos de atua-o da FIEG e do SENAI em Gois.fIeg, 60 ANosPIONEIROS (1): Daniel Viana e Capito Waldyr ODwyer so homenageados na comemorao dos 60 anos da FIEG e do SENAI, ao lado do presidente da CNI, Robson Braga, governador Marconi Perillo e Pedro Alves de Oliveira| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 193PIONEIROS (2): Sulamita de Aquino Porto, Antnio Ferreira Pacheco Jnior e Luiz Alberto, respectivamente, filhos de Aquino Porto, Antnio Ferreira Pacheco e Gilson Alves de Souza, recebem placas do governador Marconi PerilloAssociao nasceu com o SENAICom participao ativa na vida dos funcionrios e de seus familiares, a Associao dos Empregados do SENAI de Gois (Aesgo) surgiu em 1958, seis anos depois da implantao da instituio no Estado. Em sua histria, teve como presi-dentes Ary Azevedo (1958-69), Mrio de Oliveira (1969-72), Paulo Vargas (1972-83), Snia Rezende (1983-90), Mrcio Antnio Rezende (1991-92), Maurcio de Souza Miranda (1993-94), Honorina Mar-tins da Costa (1994-2000) e Eodcio Car-los de Souza (2000-2010). Em 2012, com a criao da Associao dos Empregados do Sistema FIEG (Aesfieg), presidida por Cludio Cavalcante de Souza, o trabalho de assistncia aos colaboradores foi con-centrado em uma s entidade.Colaboradores do SENAI com atuao na Aesgo: ao lado, Welington Vieira, Marcos Mariano, Snia Rezende, Dehovan Lima, Maurcio Miranda. Abaixo, Mrcio Rezende, Honorina Martins e Eodcio Carlos| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |194AtuAo reCoNheCIdA PelA soCIedAdePioneiro do Sistema Indstria no Estado, o SE-NAI Gois chega aos 60 anos com atuao consolidada e como referncia em educao pro-fissional e inovao tecnolgica. Responsveis pela formao de mo de obra que movimenta um par-que industrial cada vez mais complexo e competiti-vo, seus diversos cursos gozam de conceito elevado, com ndice de absoro de concluintes pelo merca-do de trabalho em torno de 80%. Fortemente inserida no meio empresarial e na comunidade, a instituio teve o privilgio de comemorar o aniversrio de sua implantao no Estado com ampla mobilizao e repercusso em diferentes esferas pblicas e na iniciativa privada.Depois do incio das festividades na Facul-dade de Tecnologia Roberto Mange, em Anpo-lis, cidade-bero, e de ser alvo de homenagens na Cmara Municipal e na Assembleia Legis-lativa, ao lado da FIEG, igualmente comemo-rando 60 anos (veja nas pginas 187), o SENAI recebeu congratulaes do Conselho Estadual de Educao (CEE). Ao longo dessas seis ltimas dcadas, cada passo da indstria goiana, rumo ao desenvolvimen-to e ao progresso econmico e social, conta com o selo do SENAI. No possvel a nenhum his-toriador, do presente e do futuro, contar a histria da educao profissional em Gois sem reservar o captulo especial, o primeiro, ao SENAI, destaca o presidente do (CEE), Jos Geraldo de Santana.A Junta Comercial do Estado de Gois (Ju-ceg) aprovou moo de aplauso instituio, em sesso realizada no dia 14 de maro, proposta pelo seu presidente, Samuel Albernaz.Samuel Albernaz, da Juceg: moo de aplauso ao SENAI pelos 60 anos em GoisPromover a educao profissional e tecnolgica, a inovao e a transferncia de tecnologias, aumentando a competitividade da nossa indstria, tem sido um trabalho desenvolvido com excelncia pelo SENAI nestes ltimos 60 anos. E por esta razo que felicito a todos que fazem parte da instituio, por auxiliar no crescimento de Gois e na implementao de uma nova viso empresarial, muito mais socialmente responsvel e preocupada com a nossa comunidade.Francisco Jr., deputado estadual| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 195olimpada do Conhecimento rene mais de 13 milO envolvimento da comunidade na passagem dos 60 anos do SENAI, marcada inclusive por selo alusivo lanado pelos Correios, foi evidenciado du-rante a realizao em Goinia, em abril, da etapa regional da Olimpada do Conhecimento, que reu-niu em trs dias mais de 13 mil visitantes interessa-dos em conhecer de perto o mundo da educao profissional em provas destinadas a escolher os me-lhores alunos em diversas ocupaes da indstria e do comrcio. Outro grande momento comemorativo, o Projeto Mundo SENAI mobilizou em setembro a populao de Goinia, Aparecida de Goinia, Anpolis, Catalo, Itumbiara, Rio Verde, Quiri-npolis, Niquelndia e Minau, ao abrir as portas das unidades da instituio visitao pblica para apresentar as aes que desenvolve na rea de educao profissional. A iniciativa destinada a promover um espao de discusso e produo de novas ideias, atualizao e troca de experincias. Alm de conhecer produtos e servios oferecidos pelo SENAI em Gois, o pblico pde participar de palestras, mostras tecnolgicas e aulas prticas, como tambm conferir os projetos de inovao de-senvolvidos para o segmento industrial.Competidor em prova da Olimpada do Conhecimento, observado por alunos de escolas de Goinia: interesse no mundo da educao profissionalPentacampeo em educao profissional no Pop Listemoes mais fortes ainda estavam reservadas para o ano do sexagenrio. Quatro vezes lder no Prmio Pop List, pesquisa de mercado realizada anualmente pelo jornal o Popular/instituto Verus que mede o grau de fixao na mente do consumidor das marcas de produtos e empresas de diversos segmentos econmicos, o Senai foi novamente a marca mais lembrada, em Goinia, na modalidade Curso Profissionalizante. Reflexo da qualidade dos servios e produtos oferecidos no campo da educao profissional, da inovao tecnolgica e da assessoria tcnica, a instituio igualmente consolidou a liderana de share of mind em Rio Verde e itumbiara, onde mantm unidades de ensino, com a conquista do Pop List pela terceira e segunda vez consecutiva, respectivamente.| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |196Presidente da FIEG, Pedro Alves de Oliveira, fala em sesso especial do Legislativo goiano: importncia do SENAI para ampliao do segmento industrialEx-aluno do curso de artes grficas do antigo Centro de Formao Profissional talo Bo-logna (segunda unidade construda no Estado, em 1968, e atual Faculdade de Tecnologia SE-NAI talo Bologna), em Goinia, o deputado Luis Cesar Bueno foi autor de homenagem instituio e FIEG, em sesso especial reali-zada no dia 12 de maro, na Assembleia Legisla-tiva. Ao longo da histria da indstria goiana, o SENAI tem contribudo com a formao profis-sional e capacitao das empresas, que buscam na tecnologia e na inovao, a competitividade para disputa de mercado em um mundo globa-lizado. Nesses 60 anos de atuao, a instituio participou dos grandes acontecimentos que envolveram o setor industrial do Estado, colabo-rando com o poder pblico para a implantao e consolidao do polo industrial goiano, promo-vendo o desenvolvimento econmico, social e cultural, afirmou o deputado.Seriedade e paixoEm seu discurso de agradecimento, o di-retor regional do SENAI Gois, Paulo Vargas, considerou a homenagem da Assembleia um re-conhecimento do trabalho desenvolvido em prol da educao profissional e da industrializao do Estado. O SENAI acumulou em sua trajetria memorveis exemplos, mritos e reconhecimento internacional. Foi e referncia para vrios outros pases. No se faz uma instituio como o SENAI e no h como esta se firmar num pas de mltiplas dificuldades na educao, sem elevada dose de se-riedade e uma pitada de paixo. Estamos sempre prontos a nos adaptar para atender melhor s ne-cessidades das indstrias.O presidente da FIEG, Pedro Alves de Oliveira, destacou a importncia das institui-es para a ampliao do segmento indus-trial no Estado. Sempre contribumos para a promoo do crescimento industrial e econmi-co de Gois. Nessas seis dcadas, j formamos mais de um milho de trabalhadores, prontos e aptos ao mercado de trabalho.homenagens na Assembleiae na Cmara de AnpolisReconhecimento: ex-aluno de artes grficas, o deputado Luis Cesar Bueno foi autor de homenagem ao SENAI e FIEG na passagem dos 60 anos, na Assembleia Legislativa| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 197MritoNa Cmara de Anpolis, que tambm reali-zou sesso especial de homenagem ao SENAI e FIEG, dia 13 de maro, o vereador Luiz Lacerda ressaltou que o municpio atualmente polo eco-nmico de Gois, alm de ser uma das regies industriais mais importantes e desenvolvidas do Brasil. O SENAI e a FIEG do suporte ao traba-lho desenvolvido nas indstrias. Paulo Vargas disse que a homenagem valo-riza e incentiva as instituies a continuar com os mesmos propsitos, servir a indstria, seus co-laboradores e a Anpolis. Queremos ser, como sempre e a cada vez mais, um propulsor do de-senvolvimento industrial, cumprindo fielmente a misso do SENAI, na formao profissional de homens e mulheres, jovens e adultos, com a oferta de cursos que vo da aprendizagem graduao tecnolgica.O presidente Pedro Alves contou que, no incio da FIEG, Anpolis era conhecida como a capital econmica do Estado. Hoje, com o dina-mismo do seu Distrito Agroindustrial, a cidade a detentora da maior concentrao industrial de Gois, salientou. Durante a homenagem na Cmara, o presi-dente da FIEG e o diretor regional do SENAI re-ceberam certificados de honra ao mrito pelos 60 anos de atuao na qualificao de mo de obra e na defesa do desenvolvimento industrial do Estado.Da Cmara de Anpolis ao SENAI e FIEG: Paulo Vargas, Amilton Batista de Faria, Ridoval Chiarelloto, Luiz Lacerda e Pedro Alves de Oliveira| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |198O ex-senador goiano Demstenes Torres, pro-curador de Justia e ex-secretrio de Segu-rana Pblica de Gois, tem imensa gratido pelo SENAI.Demstenes Torres no foi para a indstria. Tampouco passou pelos cursos de aprendizagem ou tcnicos do SENAI. Mas tem com a instituio uma histria singular. Na biblioteca da hoje Facul-dade de Tecnologia SENAI talo Bologna, no Se-tor Fama, o ainda menino Demstenes foi apresen-tado aos grandes autores nacionais e internacionais. L, encontrou o que precisava para seguir adiante nos estudos e obter deles o que lhe fora reservado.Mas o prprio procurador de Justia, a pedi-do do SENAI, que conta essa histria.Quando eu tinha 3 anos de idade, minha famlia se mudou de Anicuns para o Setor Mare-chal Rondon ou Fama , em Goinia. E um de nossos vizinhos, no mesmo bairro, era o Centro de Formao Profissional talo Bologna, unidade do SENAI. Centenas de adolescentes da regio estu-davam ali e saam diretamente para os empregos, dada a qualidade dos cursos. Por mim, o SENAI fez mais: deu-me o prazer da leitura e a satisfao do aprendizado.J tive a oportunidade de agradecer a alguns dirigentes do Sistema S, mas agora o fao de p-blico: muito obrigado, SENAI. No fiz cursos pro-fissionalizantes, mas frequentei por muitos anos a biblioteca da unidade da Fama, que sempre foi aberta comunidade. Ali me preparei para as pro-vas no colgio, para o vestibular, me preparei para concursos. Mas, mais que isso: sa preparado para a vida. S parei de ir s estantes do SENAI quando entrei para a faculdade, com o restante do tempo ocupado por dois empregos.O SENAI muito cuidadoso com a formao de seus estudantes. Para entrar nos cursos, era pre-ciso se esforar muito. E eu via meus colegas dando um duro danado antes dos testes... A recompen-sa vinha antes da formatura, com as empresas os procurando como tcnicos em automveis, grfica e outras reas. Como meu sonho era ser professor, a recompensa veio com a aprovao em concurso pblico na rede municipal de ensino, na qual entrei depois de muito estudar na biblioteca do Servio Nacional de Aprendizagem Intelectual no meu caso, pois no fui para a indstria.Uma bibliotecria muito eficiente, responsvel pela sala e os volumes, tinha grande apego aos livros e os vigiava de perto. Com ela no tinha baguna, nem livro com orelha, nem pgina riscada. Era obrigado, servio Nacional de Aprendizagem IntelectualDemstenes Torres e as lembranas da adolescncia na biblioteca do SENAI, onde descobriu o prazer da leitura e a satisfao do aprendizado| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 199tima com quem era timo, uma espcie louvvel de meritocracia. Jovem estudioso, com ela, tinha toda chance. Ela reconhecia de longe os malan-drinhos, do tipo que vai biblioteca eventualmente para fugir das tarefas em casa. Mas ela no desistia de ningum. Sugeria obras, ajudava na pesquisa. Isso, h mais de 30 anos. Na poca, ela j era de meia-idade. Nunca soube seu nome correto. A gente a chamava de Dona Maria. Deve estar apo-sentada, com a certeza de que influenciou para o bem a formao de milhares de rapazes e moas. Quando passei no vestibular de Direito, voltei l para lhe agradecer e agora o fao tambm em p-blico: muito obrigado, Dona Maria. A senhora um dos motivos de o SENAI gozar do imenso prestgio de que dispe e uma das razes de tantos de ns gostarmos de ler.Dona Maria me apresentou a seus amigos mais prximos: Jos de Alencar, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Monteiro Lobato e, numa segunda fase, a Machado de Assis, Jorge Amado, Ceclia Meireles e tantos outros, inclusive escritores locais, como Bernardo lis e Hugo de Carvalho Ramos. Meus irmos mais velhos indicavam autores pol-ticos e Dona Maria se mantinha firme: se pergun-tada, sugeria o que estava na faixa escolar. Fui seu fregus da meninice, com Jos Mauro de Vascon-celos, ao fim da adolescncia, quando apareceu com Guimares Rosa, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade e os demais modernistas: Esses caem no vestibular, dizia. Caram mesmo, Dona MariaMinha lembrana do SENAI a dos livros. Alm de bem cuidados, eram tambm bastante recentes, havia sempre novidades. Desde cedo, em casa, fui estimulado a ler e no SENAI estavam as enciclopdias novinhas, com aquele livro anual de atualizaes. No apenas pesquisei, como li quase completamente a Barsa, a Delta, a Britni-ca e at os Tits da Sabedoria. Mesmo nesses tem-pos de internet, prefervel ir biblioteca que ir ao Google, ou ir primeira quando quiser conheci-mento slido e ao segundo quando a necessidade for rpida sem exigir profundidade ou a ambos, sem esquecer o prazer do livro. Cultura de verdade, no somente de verniz.L na biblioteca do SENAI no deve ter mais a Dona Maria, certamente substituda por outro pessoal to dedicado quanto. Mas continuo recomendando a visita no meu caso, mais que visitante, eu era um hspede dirio. Se voc vir um gordinho, no canto, cabea enterrada no livro da Barsa, pode sair pensando: graas a esse lugar, aquele ali ainda vai ser um profissional bem-suce-dido e uma pessoa muito feliz. exatamente como eu me sinto. (Demstenes Torres)Biblioteca Joo Popini Mascarenhas, em 1973. Em p, Maria da Glria Azevedo acompanha estudantes em pesquisa| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |200| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 201CrDitos| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |202Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG)Servio Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Gois)Assessoria de Comunicao Institucional do Sistema FIEGAssessor: Geraldo NetoCoordenao Editorial e reviso: jornalista Dehovan LimaPesquisa, texto, edio e colaborao: Jornalistas Deire Assis, Andelaide Pereira e Javier GodinhoProjeto grfico e diagramao: Jorge R. Del BiancoFotos: Acervo SENAI, Aroldo Bastos, Wagner Soares, Weimer Carvalho, Maluhy Alves, Maurozan Teles, Silvio Simes, Deire Assis, Dehovan Lima, Alex Malheiros, Srgio Arajo, Mantovani Fernandes, Ricardo Stuckert, Edson Rodrigues, SENAI So Paulo.Impresso:| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 203fontes de informaoLOPES, Stenius. SENAI 50 Anos Retrato de uma Instituio Brasileira. So Paulo, Editora da Universidade Federal da Paraba, 1992.CNI-SENAI. Caderno do Departamento Nacional do SENAI De 1942 a 2010.SENAI. SENAI-SP 65 anos de um sistema educacional consequente. So Paulo, SENAI, 2007.ASMAR, Joo. Anpolis e a Associao Comercial e Industrial de Anpolis Breves Histricos. Goinia, Editora Kelps, 2011.BOLOGNA, talo. Roberto Mange e sua obra. Goinia, Unigraf, 1980.uREA, Irm Cordeiro Menezes. Dom Emanuel Gomes de Oliveira Arcebispo da Instruo. Goinia, Agepel, 2001.Arquivos da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange.Arquivos da Escola SENAI Vila Cana.Diretorias das unidades integradas, escolas e ncleos do SENAI em Gois.Gerncias do SENAI em Gois.Relatrios anuais de atividades do SENAI Gois.Matriz Curricular 2011 SESI-SENAI da Diretoria de Educao e Tecnologia de Gois.Revistas Informativo SENAI, Futuro Profissional, Gois Industrial| S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |204AgrAdeCImeNtosAos diretores, gerentes e demais colaboradores das unidades de educao profissional do SENAI pela disposio em prestar informaes necessrias realizao deste trabalho, bem como pelo acesso aos arquivos destas unidades que permitiram recontar parte da histria da instituio nesses 60 anos de existncia em Gois.O SENAI o que temos de mais qualificado para transformar a pesquisa e o modelo de inovao brasileiros.Dilma Rousseff, presidente da Repblica, durante visita CNI, em Braslia, dia 13 de abril de 2012, para conhecer o Programa SENAI de Apoio Competitividade da Indstria Brasileira.Eu, que antes do diploma de presidente da Repblica tinha somente o diploma de torneiro mecnico do SENAI, sei o quanto a educao capaz de mudar a vida de uma pessoa, de uma famlia e de uma nao. Pois foi aquele diploma que me abriu a oportunidade de emprego e de uma vida melhor.Luiz Incio Lula da Silva, ex-presidente da Repblica, ao receber ttulos de doutor honoris causa de universidades federais do Rio de Janeiro, dia 4 de maio de 2012Untitled