Livro dos 60 anos do Senai

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  • SENAI Gois anos60

    Deire Assis e Dehovan Lima

    Da Carpintaria Automao Industrial

  • A Escola SENAI d, alm da educao, a organizao, o mtodo, ensina o amor ptria, a tica, enfim possibilita a oportunidade de o homem se tornar cidado, ter uma profisso. Porque qualquer um de ns, mesmo no tendo estudo, mas tendo uma profisso, pode construir. Eu sou prova disso. Foi de l da Escola SENAI que eu trouxe isso, o comeo de tudo, a base. Todo o sucesso de minha carreira, profissional e empresarial, devo ao SENAI, ao que aprendi no incio de minha vida na Escola Roberto Mange. uma relao de gratido e o amor eterno at hoje minha empresa mantm vnculo com o SENAI.

    Saulo Vitoy, empresrio, proprietrio da Metalrgica Central, de Goinia, fabricante de peas e componentes para usina de lcool, ex-aluno do SENAI da turma de 1958.

    H 60 anos Gois era o penltimo Estado brasileiro em termos de PIB e desenvolvimento. Hoje, Gois disputa o 8 lugar em PIB e o 7 em desenvolvimento. A indstria fortalece cada vez mais nossa economia ao agregar valor ao setor primrio. A FIEG e o SENAI tiveram um papel fundamental nesta extraordinria transformao.

    Marconi Perillo, Governador de Gois

  • SENAI Gois anos60Da Carpintaria Automao Industrial

    Deire Assis e Dehovan Lima

  • SENAI Gois anos60

    Automao IndustrialDa Carpintaria

    Deire Assis e Dehovan Lima

  • 2012 - SENAI - Departamento Regional de Gois

    Da carpintaria automao industrial

    A reproduo desta obra, em sua totalidade ou em partes, somente ser permitida mediante autorizao do SENAI de Gois.

    A865d

    ASSIS, Deire; LIMA, Dehovan. Da carpintaria automao industrial/SENAI-DR/Gois. Goinia, 2012. (SENAI Gois 60 anos).

    204p.: il.

    1. Educao. 2. Trabalho. 3. Inovao tecnolgica. 4. Servios.5. SENAI em Gois. 6. Trajetria. 7. Indstria brasileira. 8. Depoimentos. 9. Diretores do SENAI em Gois. 10. Momentos Histricos.I. Autor. II. Ttulo

    CDD 650

    SENAI - Departamento Regional de GoisAvenida Araguaia, n 1.544, Edifcio Albano Franco - Casa da Indstria - Vila NovaGoinia-GO - CEP: 74645-070Telefone/fax: (62) 3219-1300E-mail: senaigo@sistemafieg.org.brhttp: www.senaigo.com.br

    FICHA CATALOGRFICA

  • Misso do SENAIPromover a educao profissional e tecnolgica, a inovao e a transferncia de tecnologias industriais, contribuindo para elevar

    a competitividade da indstria brasileira.

  • Conselho Regional

    PresidentePedro Alves de Oliveira

    Representantes da IndstriaFrancisco Gonzaga PontesJos Rodrigues Peixoto NetoAblio Pereira Soares JniorPedro de Sousa Cunha Jnior

    Representantes do Ministrio do Trabalho e EmpregoHeberson AlcntaraValdivino Vieira da Silva

    Representantes do Ministrio da EducaoPaulo Csar PereiraJos Srgio Sarmento Garcia

    Representante dos TrabalhadoresCarlos Albino de Rezende JniorLuiz Roberto Dias

    SecretrioJvier Godinho

    Administrao Regional

    Diretoria RegionalPaulo Vargas

    Diretoria de Educao e Tecnologia SESI eSENAIManoel Pereira da Costa

    Gerncia de Educao Profissionaltalo de Lima Machado

    Gerncia de Tecnologia e InovaoCristiane dos Reis Brando Neves

    Gerncia de Planejamento e DesenvolvimentoMaristela Nunes

    Coordenao de ProjetosWalmir Pereira Telles

    Assessoria de Relaes com o Mercado SESI e SENAIBruno Godinho

    Gesto Compartilhada do Sistema FIEG(FIEG / SESI / SENAI / IEL / ICQ Brasil)

    Assessoria de Comunicao e MarketingGeraldo F. de Farias Neto

    Assessoria JurdicaTelma da C. Alves Mahfuz

    Comisso de LicitaoMarco Aurlio de Rezende Cruz

    Gerncia ContbilMrcio Antnio Rezende

    Gerncia FinanceiraSnia Rezende

    Gerncia de Materiais e PatrimnioLuiz Carlos Ribeiro

    Gerncia de Recursos Humanos e ConhecimentoLzaro Anacleto de Souza

    Gerncia de ServiosLuiz Carlos Cardoso

    Gerncia de Tecnologia da InformaoDario Queija de Siqueira

    Auditoria InternaHrcules Pereira Marra

    Servio Nacional de Aprendizagem IndustrialDepartamento Regional de Gois

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 7

    Comprovadamente, h seis dcadas, o SENAI est diretamente inserido no contexto do desenvolvimento socioeconmico de Gois e do

    Brasil. Ele vem de um tempo quando se ensinava

    nas escolas que Gois era um Estado essencial-

    mente agrcola.

    Quando o SENAI se iniciou entre ns, em

    9 de maro de 1952, na cidade de Anpolis, com

    apenas trs ofcios mecnico serralheiro, carpin-

    teiro e pedreiro para atender algumas das poucas

    centenas de pequenas indstrias ento existentes

    no Estado, era uma simples extenso da Delegacia

    Regional do SENAI de So Paulo.

    Mesmo assim, naquele ano, a instituio se

    constituiu na semente da Federao das Indstrias

    do Estado de Gois, que desde ento trabalha e

    luta por nossa industrializao, transformada no

    Sistema com cinco casas: FIEG, SESI, SENAI,

    IEL e ICQ Brasil.

    Segundo o IBGE, de 2003 a 2007, o PIB in-

    dustrial goiano cresceu 77%, enquanto o brasileiro

    no mesmo perodo no ultrapassou 55%, uma dife-

    rena que pouco se alterou at 2011, pois o progres-

    so do segmento industrial de Gois esteve sempre

    frente da mdia nacional.

    1,3 milho de trabalhadoresAo completar 60 anos, o SENAI Gois ofere-

    ce aproximadamente 450 cursos de educao pro-

    fissional, nos nveis bsico, tcnico e tecnolgico,

    presente, crescendo e se aprimorando em todos os

    polos industriais do territrio estadual, onde funcio-

    nam mais de 15 mil empresas.

    Muitas vezes at como indutor, se antecipan-

    do s suas necessidades, atende demandas de nos-

    so parque industrial, carente de mo de obra para

    expanso em vrios setores.

    Assim, o SENAI Gois j preparou cerca de

    CredIbIlIdAde, mArCA regIstrAdA do seNAI

    Pedro Alves de Oliveira, presidente da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) e do Conselho Regional do SENAI Gois

    A mesma credibilidade verificada em dimenso nacional proporcionou ao Regional de Gois receber, em 2011, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida de Goinia, totalmente edificada, equipada e doada pela Central Geral do Dzimo PR-VIDA.

    Na foto esquerda, o Porto Seco Centro-Oeste, em Anpolis, cidade-bero do SENAI em Gois: marco entre o Estado essencialmente agrcola de outrora e o desenvolvimento de indstria dinmica, fortemente inserida no mercado global

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |8

    1,3 milho de trabalhadores, nmero equivalente

    populao atual de Goinia, no cumprimento da

    misso institucional de promover a educao pro-

    fissional e tecnolgica, a inovao e a transferncia

    de tecnologias essenciais elevao da competitivi-

    dade da indstria brasileira.

    Na definio do professor Roberto Boclin,

    um dos maiores nomes da Associao Brasileira de

    Educao, no seu clssico Conversando sobre Educao, o SENAI um ente sagrado pela sua misso transcendental de formador da classe ope-

    rria, nos tempos da qualidade que vivemos. Para

    ele, o SENAI foi construdo com a fundamen-

    tao holstica de uma convico superior, com

    a dedicao sublime de bandeirantes do ensino

    profissional, cujos nomes tornaram-se legendas e

    exemplos para os que percorrem as oficinas e sa-

    las de aula, aquecidas do afeto de uma instituio

    sagrada pela dimenso social dos seus resultados.

    O renomado mestre considera ainda que

    pensar nessa instituio com a viso estreita de um

    encargo social desconhecer o desafio da forma-

    o de trabalhadores qualificados e da tcnica de

    alto nvel, capazes de possibilitar as condies de

    competitividade e qualidade de que a indstria

    contempornea necessita, alm da funo social

    do SENAI servindo de passarela entre os anseios

    de uma populao menos favorecida socialmente e

    o mundo do trabalho e da valorizao profissional.

    Durante a inaugurao da indstria Hyun-

    dai, em Anpolis, dia 23 de abril de 2007, o ento

    presidente Lula, dirigindo-se ao jovem Johnny

    Rodrigues Corra, ex-aluno do SENAI como ele

    e primeiro funcionrio contratado pela montado-

    ra, se disse orgulhoso de ter se formado torneiro

    mecnico pela instituio. No vim preparado

    para falar, mas o entusiasmo desse menino de 21

    anos, formado pelo SENAI, me inspirou. Fiz meu

    primeiro discurso aos 27 anos, Johnny fez o seu

    hoje. Isso significa que ele tem seis anos na minha

    frente de possibilidade de vir a ser presidente da

    Repblica.

    O ano era 2007. Ex-aluno do SENAI e campeo olmpico em mecnica diesel, Johnny Corra (c) participa da inaugurao da Hyundai, em Anpolis, como primeiro contratado da indstria, ao lado do ento presidente Lula, igualmente ex-aluno da instituio, e de Carlos Alberto Oliveira Andrade, do Grupo Caoa

    No vim preparado para falar, mas o entusiasmo desse menino de 21 anos, formado pelo SENAI, me inspirou. Fiz meu primeirodiscurso aos 27 anos, Johnny fez o seu hoje. Ele tem seis anos na minha frente de possibilidade de vir a ser presidente da Repblica.

    Luiz Incio Lula da Silva

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 9

    Democratizar a capacitaoViso semelhante do professor Roberto

    Boclin demonstrou a presidente Dilma Rousseff

    ao criar, em 2011, o Programa Nacional de Acesso

    ao Ensino Tcnico e Emprego (Pronatec), confian-

    do boa parte de sua realizao ao SENAI, com o

    compromisso de dobrar o nmero de vagas na edu-

    cao profissional, passando a 4 milhes de novas

    matrculas por ano at 2014.

    So objetivos principais do Pronatec expan-

    dir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos

    de Educao Profissional e Tecnolgica (EPT)

    para a populao, por meio de uma srie de sub-

    programas, projetos e aes de assistncia tcnica e

    financeira que, juntos, oferecero 8 milhes de va-

    gas a brasileiros de diferentes perfis, nos prximos

    quatro anos, no intuito de proporcionar mais com-

    petitividade indstria, desenvolvimento ao Pas e

    qualidade de vida ao trabalhador.

    A mesma credibilidade verificada em dimen-

    so nacional proporcionou ao Regional de Gois

    receber, em outubro de 2011, a Escola SENAI Dr.

    Celso Charuri, em Aparecida de Goinia, total-

    mente edificada, equipada e doada pela Central

    Geral do Dzimo PR-VIDA. A instituio o es-

    colheu por reconhecer seus mritos em termos de

    cursos e programas de formao iniciada e cont-

    nua, educao profissional e tcnica de nvel mdio

    e realizao de outros eventos nessa rea, destina-

    dos a jovens e adultos, em atendimento s deman-

    das regionais. Tambm a Prefeitura de Aparecida

    de Goinia manifestou o mesmo entendimento,

    oferecendo a rea para sua construo.

    Em pronta resposta, a nova unidade do

    SENAI Gois j apresentou, em janeiro, as pri-

    meiras turmas de concluintes de cinco cursos,

    com 116 alunos, para um total de 2.700 vagas

    que oferecer em 2012.

    essa credibilidade que orgulha todos os di-

    rigentes, corpo docente e discente e colaboradores

    do SENAI Gois e consequentemente de todo o

    Sistema FIEG , multiplicando nossas responsabi-

    lidades e o compromisso de produzir cada vez mais

    e melhor.

    Governador Marconi Perillo, Paulo Afonso Ferreira, diretor secretrio da CNI, Pedro Alves, presidente da FIEG, e o instrutor Ivan Barros inauguram a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida de Goinia: credibilidade da educao profissional

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |10

    Trajetria como a dos 60 anos do SENAI em Gois 70 de Brasil no se resume a um marco histrico a ser festejado. Vale, sim, a come-

    morao, mas no s isso. Afinal, no se trata de

    uma histria linear, com comeo e fim. diga-

    mos assim, de forma figurada , um guarda-chuva

    que abriga vrias histrias, protagonizadas por di-

    ferentes personagens. Dos meninos de Anpolis

    e cidades vizinhas interessados em aprender um

    dos poucos ofcios oferecidos no incio da dcada

    de 50 disseminados por geraes que os tempos

    permitiram , a empresrios, colaboradores da in-

    dstria e empreendedores de diferentes reas, hoje

    integrantes de diversificada carteira de clientes dis-

    tribudos por todo o Estado.

    motivo de orgulho fazer parte e, assim,

    poder falar do SENAI, entusiasmo que contagia

    quem convive com a instituio, seus colaborado-

    res de ontem e de hoje, nossos antecessores, que

    so igualmente atores de belas histrias. Afinal,

    participaram muito mais do que de um trabalho;

    cumpriram uma misso, marcada, nessas seis d-

    cadas em Gois, por importante contribuio ao

    desenvolvimento socioeconmico de nossa gente.

    Isso est evidenciado nos nmeros da srie hist-

    rica da produo referente a apenas um de seus

    servios a educao profissional , com 1.321.106

    matrculas nos 60 anos ou, em recorte menor,

    123.511 matrculas realizadas em 2011, contra 32 me-

    nores aprendizes mantidos na forma de internato

    no distante 1952.

    Alm da misso institucionalUma atuao que ultrapassa as entrelinhas do

    que apregoa a misso institucional do SENAI, de

    Promover a educao profissional e tecnol-gica, a inovao e a transferncia de tecnolo-gias industriais, contribuindo para elevar a competitividade da indstria brasileira.

    Testemunha de boa parte dessa histria,

    PArCeIro dA INdstrIA e do trAbAlhAdor, desde 1952

    Acompanhar a evoluo da indstria, de forma sintonizada com seus processos, ampliando e diversificando os servios prestados, com verdadeira obsesso pela qualidade e eficincia das aes e rapidez nas respostas. Isso palavra de ordem no SENAI.

    Paulo Vargas, diretor regional do SENAI Gois

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 11

    acompanhamos inmeros exemplos de uma ao

    que, paralelamente aos diversos servios indutores

    do crescimento do setor produtivo, deve ser con-

    siderada forjadora de homens bons. a educao

    profissional para o trabalho e para a vida.

    As histrias so contadas ao longo deste livro

    comemorativo do 60 aniversrio do SENAI

    Gois, com o sabor permita-nos o leitor do

    jornalismo literrio de Deire Assis, em coautoria

    com Dehovan Lima. Histrias de vida, de gente

    que acreditou nos valores da instituio e, em mui-

    tos casos, transferiu de pai para filho, desde 1952, o

    aprendizado que assegurou o ingresso no mundo

    do trabalho, conduziu negcios prprios, geradores

    de emprego e renda.

    Em seis dcadas, o mundo muito mudou, os

    processos produtivos sofreram verdadeira revo-

    luo, a competitividade se acentuou. Profisses

    foram extintas, muitas outras surgiram. A inovao

    tecnolgica impera. Como propala aquela propa-

    ganda de xampu, quanta diferena!

    Na vanguarda, o SENAI, que um dia formou

    profissionais como latoeiro funileiro (*), aquilatador

    (**), carpinteiro, marceneiro e pedreiro, hoje prepa-

    ra o tcnico em manuteno de aeronaves, em a-

    car e lcool, em manuteno automotiva e indus-

    trial, em mecatrnica, em minerao, alimentos,

    mecnica de usinagem, telecomunicaes, logsti-

    ca, o operador de mquinas pesadas. Em seus di-

    versos cursos, ensina informtica, ingls, contedos

    de cidadania e meio ambiente, higiene industrial,

    segurana do trabalho, empreendedorismo, legis-

    lao trabalhista, etc. So as chamadas competn-

    cias transversais, capazes de proporcionar, alm da

    formao tcnica especfica, uma preparao mais

    geral, humanista, cientfica e tecnolgica.

    Ensino superiorEm outro patamar, foi caminho natural a in-

    curso do SENAI no ensino superior, para oferecer

    ao mundo do trabalho profissionais com formao

    focada nas reais necessidades da indstria os tec-

    nlogos em anlise e desenvolvimento de sistemas,

    rede de computadores, processos qumicos, fr-

    maco-qumico industrial e automao industrial.

    Igualmente, as diversas especializaes lato sensu

    completam o atendimento ao setor produtivo.

    Acompanhar a evoluo da indstria, de for-

    ma sintonizada com seus processos, ampliando e

    Latoeiro funileiro, profisso ensinada no passado pelo SENAI. Em seis dcadas, os processos produtivos sofreram verdadeira revoluo, profisses foram extintas, muitas outras surgiram

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |12

    diversificando os servios prestados, com verdadei-

    ra obsesso pela qualidade e eficincia das aes e

    rapidez nas respostas. Isso palavra de ordem na

    instituio do Sistema FIEG e marcou mesmo

    sua atuao, sobretudo na segunda metade de sua

    trajetria histrica. Desde ento, o SENAI inten-

    sificou a abertura para o mercado, a aproximao

    com as empresas, seja de micro, pequeno, mdio

    e grande porte, articulando parcerias, ouvindo a

    opinio de seus clientes-alvo as empresas, que

    investem, assumem riscos e geram riquezas; as li-

    deranas representativas, os sindicatos patronais e

    laborais , em busca de subsdios capazes de orien-

    tar a criao e/ou extino de cursos e outras aes,

    ampliao, reforma e modernizao de oficinas,

    laboratrios e demais ambientes de ensino.

    Destaque parte, foi e decisiva a participa-

    o do Departamento Nacional do SENAI, inva-

    riavelmente receptivo aos pleitos do Regional de

    Gois para ampliao e modernizao da infraes-

    trutura colocada disposio das indstrias. Tam-

    bm fundamental o papel do Conselho Regio-

    nal, rgo de carter normativo, cujos integrantes

    no medem esforos no sentido de colaborar com

    a administrao, ao oferecer subsdios atuao

    global da instituio, dando sugestes, orientaes

    e opinies valorosas. Afinal, so eles conhecedores

    da realidade socioeconmica de Gois, na condi-

    o de empresrios, profissionais liberais, diretores

    de instituies, que representam a iniciativa priva-

    da e rgos de governo.

    E em meio ao acelerado desenvolvimento

    da indstria goiana, cuja taxa de crescimento sem-

    pre supera a mdia nacional e hoje assegura parti-

    cipao de 26% no Produto Interno Bruto (PIB) do

    Estado, que o SENAI atua para cumprir seu papel

    dentro do projeto da Federao das Indstrias do

    Estado de Gois (FIEG) que igualmente co-

    memora, em 2012, seis dcadas de existncia , de

    apoiar e estimular o desenvolvimento do segmento

    produtivo goiano. Para tanto, o SENAI se expande

    e se aperfeioa para suprir as demandas de um par-

    que industrial cada vez mais diversificado e descen-

    tralizado, presente em diferentes pontos do Estado

    da indstria automotiva em Anpolis e Catalo

    atividade mineradora no Norte, passando pelo

    segmento sucroalcooleiro em diversos municpios,

    pela indstria de alimentos e farmoqumica.

    Especificamente na ltima dcada, ocorre-

    ram ampliao e diversificao significativas dos

    atendimentos do SENAI Gois s demandas onde

    o processo industrial se verifica, a partir de uma rede

    que cobre os principais polos de desenvolvimento

    do Estado Regio Metropolitana de Goinia,

    Centro Goiano (Eixo BR-153), Sudoeste, Sudeste,

    Sul, Norte, Entorno do Distrito Federal. Alm da

    multiplicao das unidades fixas, boa parte delas

    integradas com o SESI, a expanso potencializa-

    da com aes flexveis em espaos ou instalaes

    de clientes e parceiros e por meio de unidades m-

    veis. A Educao a Distncia (EaD) amplia e facili-

    ta o acesso qualificao profissional. Os Arranjos

    Produtivos Locais (APLs), confiados ao SENAI

    pelo Ministrio da Integrao Nacional, mudam a

    cara de muitas cidades, sobretudo no Entorno de

    Braslia, ao consolidar vocaes empreendedoras.

    As parcerias com empresas e rgos pblicos

    em mbito municipal, estadual e federal, estratgia

    de comprovada eficincia, esticam o raio de atu-

    ao e so responsveis, mesmo, pela ampliao

    da rede de ensino. No por acaso, comeou assim

    nossa histria em Minau, Catalo, Itumbiara,

    Rio Verde, Mineiros, Quirinpolis, Niquelndia,

    Barro Alto, Luzinia, Formosa, Jaragu, Trindade,

    rea de usinagem, alvo de constantes investimentos do SENAI visando modernizao

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 13

    Goiansia, Trindade, Santa Helena, Aparecida de

    Goinia. So as parcerias, afinal, decisivas dentro

    da engenharia feita pelo SENAI para potenciali-

    zar os recursos alm da contribuio compulsria,

    agregar recursos humanos do quadro de colabora-

    dores das empresas em reas nas quais a instituio

    no dispe de gente especializada, bem como at

    mesmo utilizar instalaes dos clientes.

    E, assim, vamos fincando bandeiras de azul e

    verde cores das marcas das instituies do Siste-

    ma FIEG em um bom pedao do mapa do Es-

    tado de Gois. Em 2011, ltimo resultado quantifi-

    cado, o SENAI marcou presena em 117 dos 246

    municpios goianos.

    So esses e outros nmeros expressivos, que

    credenciam a instituio a reiterar o compromisso

    com o futuro, de continuar seu trabalho, aberta ao

    entendimento, negociao, enfim, tornando-se

    indispensvel para a indstria goiana e para quem

    deseja aprender uma profisso e nela fazer sucesso.

    Que venham os prximos 60 anos.

    (*) Latoeiro funileiro Indivduo que trabalha em lata

    ou lato; funileiro; vendedor de artigos de folha-de-flandres.

    (**) Aquilatador Aquele que aquilata, determina o qui-

    late ou o nmero de quilates de: aquilatar o ouro.

    Automao industrial, manuteno de aeronaves, acar e lcool: o SENAI est sempre na vanguarda dos processos produtivos, qualificando a mo de obra do futuro

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |14

    Ao enxergar aquele homem esguio, vindo cor-rendo em minha direo, na estreita viela de Anpolis, lembrei-me do dia em que nos falamos

    por telefone:

    - Seu Eurpedes, me diga o endereo de sua casa para que eu possa ir at a para conversarmos

    sobre o SENAI.

    - No... No precisa de endereo no. L do

    SENAI voc avista minha casa. um pulo! Fica

    do outro lado da avenida. Precisa ver que beleza!

    Uma bno!

    Eu vi. Vi Seu Eurpedes falar do SENAI como quem fala do pai amado de quem ele falou

    muito tambm quando me concedeu entrevista

    para este trabalho ; vi o professor Hlio Santana

    relatar as lembranas do tempo de aluno e a alegria

    que sentia quando o macaco usado na oficina

    mecnica ia ficando desbotado: era sinal de que

    ele ganhara experincia e conhecimento; vi Seu Jair perder o flego diante de tantas histrias para

    contar afinal, a instituio mudou sua vida e a de

    sua famlia inteira; vi o professor Edson passar, uma

    aps outra, as centenas de fotos reunidas por ele es-

    ses anos todos a fotografia e o SENAI so duas

    de suas paixes.

    Ao ser convidada por Paulo Vargas para reali-

    zar este trabalho, nem de longe poderia imaginar o

    que encontraria pela frente. Mas bastaram poucos

    passos nessa estrada sexagenria para entender seu

    pedido. Deveria ser, este, um registro diferente, em

    que a histria do SENAI pudesse ser contada alm

    dos nmeros. Por isso, um livro.

    No se trata, portanto, de um relatrio de ati-

    vidades, de um balano da indstria. Longe disso!

    Este trabalho se prope a contar parte da histria

    construda pelo SENAI de Gois em 60 anos de

    existncia, a partir do relato de gente que viveu e

    vive esta instituio forjadora de homens bons,

    como bem define o diretor regional, Paulo Vargas.

    Afinal, ao SENAI cabe formar homens para o tra-

    balho. Mas alm disso: cabe a formao de homens

    para o exerccio da cidadania.

    Deire Assis, jornalista

    Por que um lIvro?

    direita, seu Eurpedes, na antiga oficina da Travessa Alarco: O SENAI o melhor parceiro que um trabahador pode ter.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 15

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |16

    E foi o que encontrei pelo caminho. Surpre-

    endi-me ao conhecer um SENAI que muito

    mais que um Servio Nacional de Aprendizagem

    Industrial. O SENAI garantiu que mais de 1,3 mi-

    lho de pessoas aprendessem uma profisso nes-

    ses 60 anos de histria em Gois. Mas foi alm.

    Plantou nessas pessoas o sentimento de que suas

    trajetrias de vida podem ser alteradas para me-

    lhor e por elas prprias, pela fora de seu trabalho.

    A elas cabe seu futuro.

    Ao concluir a tarefa que me foi proposta, sin-

    to-me honrada por ter me aproximado desse uni-

    verso. Senti vontade de tambm ter estudado no

    SENAI, de ter frequentado suas escolas, oficinas e

    seus laboratrios. E olha: h mesmo muito o que

    celebrar nesses 60 anos. Uma instituio que for-

    ma homens como Seu Eurpedes merece muitos

    parabns nesta data.

    - O SENAI o melhor parceiro que um traba-

    lhador pode ter.

    mesmo, Seu Eurpedes.E como pode, o senhor, nos pregar essa pea,

    Seu Eurpedes? Ir sem ver um pedacinho dessa histria assim, perenizada? Mas v l: perene

    mesmo o que o senhor aprendeu e ensinou que-

    les que tiveram a honra de conviver contigo ou, ao

    menos, o privilgio de estar em sua companhia. V

    com Deus, Seu Eurpedes (*).

    (*) Eurpedes Alarco faleceu no dia 12 de fevereiro de 2012, sem ver pronto este trabalho que relata parte de sua his-tria, contada um pouco antes por ele mesmo.

    Jovens aprendem ofcio de marcenaria, um dos primeiros oferecidos pela antiga Escola SENAI GO 1, no incio da dcada de 50

    Eurpedes Alarco, aluno da segunda turma do SENAI em Gois: morte silencia memria de muitas histrias da instituio.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 17

    umA hIstrIA de muItos PersoNAgeNs

    No tenho a idade do SENAI, como alguns personagens deste livro, mas gozo do privilgio de ter acompanhado e, assim, poder

    ajudar a resgatar quase metade dessa histria

    sexagenria, como muitos outros tambm o

    fizeram, boa parte no anonimato, porm cada um

    com sua parcela de contribuio. Gente como

    Pedro Brasil, Welington Vieira, Jos Eduardo de

    Andrade Neto, Antnio Pinheiro, Snia Rezende,

    Geuza Ldia, Jos Gonzaga Ribeiro, Walmir

    Telles, Maria de Ftima Teles, Mrcio Rezende,

    Ciro Lisita, Onion Carrijo, Orlando Dias Costa,

    Antnio Pereira, Sandra Maria Moreira de Souza,

    Lzaro Bernardes, Paulo Galeno Paranhos, Oltair

    Rosa Guimares, Ferdinando Beghelli, Nathan

    Incio de Freitas, Edson Rodrigues, Ireny Utino

    Taniguchi, Javier Godinho, Jacir Silva, Paulo

    Mamede, Antnio Duarte Teodoro, Tegenes

    Azevedo, Carlos Henrique Pereira. Muitos

    continuam a escrever a histria da instituio,

    outros buscaram projetos diferentes.

    Uma histria de sucesso, como o leitor com-

    provar, de aprendizado, de realizaes pessoais,

    de profissionais a empreendedores. frente dos

    caminhos seguros percorridos, pessoas admirveis,

    como Paulo Vargas, Jeov de Paula Rezende, Aqui-

    no Porto, Venerando de Freitas Borges, Paulo Afon-

    so Ferreira, Pedro Alves de Oliveira, Joo Francisco

    da Silva Mendes, Manoel Pereira da Costa.

    Sou do tempo em que o SENAI era s

    SENAI da poca da engrenagem e da chamin

    que por tantos anos caracterizaram sua identidade

    , sempre eficiente, todavia hoje com atuao mais

    abrangente, flexvel, customizada. No havia o Sis-

    tema FIEG, essa estrutura magnfica, simbiose do

    atendimento prestado indstria e ao trabalhador,

    integrada pela prpria FIEG, pelo SENAI, SESI,

    IEL e ICQ Brasil.

    Nas ltimas trs dcadas, o mundo assistiu ao

    surgimento de grandes invenes entre as maio-

    res delas, a internet, os computadores PC/laptop,

    o telefone celular, o e-mail. A indstria brasileira,

    nesse perodo, experimentou acelerado crescimen-

    to e avano tecnolgico, em que o setor produtivo

    de Gois contribuiu quantitativa e qualitativamen-

    te, com a consolidao de uma indstria moderna

    e competitiva. Nesse contexto, o SENAI Gois

    sempre buscou atuar na vanguarda, com especial

    ateno s inovaes tecnolgicas, ao expandir

    velozmente sua rede de ensino no Estado, puxada

    Dehovan Lima, jornalista, editor de publicaes no Sistema FIEG

    Logotipo antigo do SENAI, caracterizado pela engrenagem e a chamin, e o atual: evoluo

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |18

    pela interiorizao das atividades econmicas.

    Quando ingressei no SENAI, em 1984, a ins-

    tituio tinha atuao limitada praticamente ao

    eixo Goinia-Anpolis, Regio Sudoeste; Gurupi

    e Araguana (no hoje Estado do Tocantins), com

    poucas unidades fixas, e atendia a outras regies

    do territrio goiano por meio de unidades mveis.

    Para falar em Araguana, usvamos comunicao

    via rdio, meio mais barato sempre lembrado pelo

    saudoso Professor Mariano, ento diretor do CFP

    da cidade tocantinense.

    Embora em papel coadjuvante, ajudei a inau-

    gurar boa parte das escolas do SENAI espalhadas

    no Estado ou, pelo menos, a fixar placas para serem

    descerradas ou, ainda, a redigir o texto de algumas,

    orgulhosamente. A primeira delas em Minau,

    Norte goiano, em 1988, quando a instituio as-

    sumiu o ento Centro de Formao Profissional

    instalado e equipado pela SAMA. No mesmo ano,

    nasceram o CFP Catalo e um ncleo de costura

    em Trindade, seguindo-se, em 1989, a abertura de

    outro ncleo de costura, em Jaragu.

    Na dcada de 90, foi a vez de Itumbiara e de

    Rio Verde. De l para c, o SENAI potencializou

    a expanso, chegando, juntamente com o SESI

    e em parceria com a iniciativa privada e o poder

    pblico, a Niquelndia, Barro Alto, Luzinia,

    Formosa, Quirinpolis, Mineiros, Aparecida de

    Goinia, Senador Canedo.

    Boa parte da histria est contada, desde

    1983, no antigo Informativo SENAI, que circu-lou ininterruptamente at 2003, quando foi subs-

    titudo pela revista Futuro Profissional, ambas publicaes editadas com participao da jorna-

    lista Andelaide Pereira.

    Em 2004, surgiu a chamada integrao,

    nome dado ao compartilhamento das atividades

    do Sistema FIEG. Inicialmente, em meio a apre-

    enso natural que toda mudana provoca, pens-

    vamos mesmo que seria uma pedra no caminho,

    como misturar gua e leo. Mas a aposta deu

    certo e, o que melhor, fruto do esforo, do des-

    prendimento dos colaboradores de cada uma das

    cinco instituies, as quais se fortaleceram e hoje

    so referncias para a sociedade em suas respecti-

    vas reas de atuao.

    Em resumo, esta a histria ou, ao menos,

    recorte dela.

    o Luneta, no incio da dcada de 70, Senai informativo (1983-2003) e Futuro Profissional, a partir de 2004: registro da histria da instituio. direita, em 1988, o ento secretrio da Educao, Jnathas Silva (de terno), visita o CFP talo Bologna, acompanhado do diretor regional do SENAI, Paulo Vargas, e assessores

  • | sumrIo |

    Educao e Trabalho, o pacto e o desafio 21

    O SENAI chega ao corao do Brasi 27 Anpolis sedia a primeira escola 28 Modelo paulista inspira Dom Emanuel 35 Os primeiros ofcios, aprendidos em rodzio 44 Jabuticabeiras como sombra 48 Internato acolhia meninos pobres 50 Pe no SENAI que vira gente 51 Psiclogo, padre, pai, me e professor. Tudo ao mesmo tempo 53 Mudar sempre, desafio da escola 54 Famlia Braz: pai, filho e neto, todos profissionais do SENAI 56 Dos aprendizes aos tecnlogos 59 SENAI Roberto Mange de Ary Azevedo a Francisco Carlos 64 Anpolis, antes e depois do SENAI 70 Dom Emanuel, um arcebispo pela Educao 76 Roberto Mange, o suo que revolucionou a educao profissional 77 Nos passos do av, Roberto Mange 79

    Somando conhecimento 83 SENAI Gois vai aonde a indstria est 84 Descentralizao rumo ao interior 86 Por dentro da rede SENAI Gois 88

    A caminhada: ontem, hoje, amanh 139. Antigas oficinas, modernos laboratrios 141. Integrao SESI e SENAI, modelo arrojado e exemplar 146

  • O SENAI por quem fez SENAI 149 Pisei esse cho antes mesmo dele se tornar uma escola 150 Tenho uma identidade nova: sou o Hlio Santana do SENAI 153 O SENAI preencheu minha juventude com hbitos saudveis 156 Do SENAI, sa mais preparado para os desafios da vida 157 No SENAI, aprendi a desenhar e fabricar peas, mas tambm a planejar e executar sonhos 158 O SENAI me deu viso mais ampla da sociedade 159 Johnny, antes e depois do SENAI 161 Kaic quer chegar l, tambm 163

    Nas mos deles 165 De Ary Azevedo a Paulo Vargas, os diretores do SENAI Gois 166

    Pioneiros e visionrios 179 Presidentes da FIEG, frente dos destinos do SENAI 180 Ferreira Pacheco e os primeiros passos pela industrializao 180 O legado de Aquino Porto 181 Paulo Afonso Ferreira, empreendedorismo e modernizao 182 Pedro Alves de Oliveira, foco na expanso da rede de ensino 183

    Comemoraes unem passado e presente 185 Anpolis em festa, 60 anos depois 186 Bons exemplos 187 Formao profissional: alicerce do desenvolvimento socioeconmico 188 FIEG, 60 anos 192 Atuao reconhecida pela sociedade 194 Homenagens na Assembleia e na Cmara de Anpolis 196

    Crditos 201Fontes de informao 203Agradecimentos 204

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 21

    SENAI, 60 anos em Gois. Caminha no pre-sente com o olhar no futuro e respeito ao passado. Qualificar, habilitar, aperfeioar, especia-

    lizar, graduar e capacitar so aes que indicam a

    trajetria da educao profissional da instituio

    do Sistema FIEG em sua maturidade. Qualificar

    para o mundo do trabalho, habilitar para as novas

    tecnologias, aperfeioar para novas funes, espe-

    cializar em conhecimentos mais aprofundados,

    graduar tecnologicamente para exerccio profissio-

    nal de excelncia. Enfim, capacitar pessoas, formar

    cidados aptos para o enfrentamento do mundo do

    trabalho. Isso fazer histria.

    Nesses 60 anos, o SENAI comprometeu-se

    com a reduo das desigualdades sociais, articulou

    a qualificao com a educao bsica do SESI,

    apostou na formao e valorizao de quem faz

    educao profissional e galgou os trs patamares

    desse processo: o bsico aprendizagem industrial

    preparando o jovem para o ingresso no seu primei-

    ro emprego; o tcnico habilitao profissional em

    vrios segmentos demandados para o mundo do

    trabalho, como respostas oriundas do crescimento

    clere do Estado de Gois; e a graduao tecnol-

    gica, que atende ao crescimento do parque indus-

    trial goiano com as tecnologias oriundas da nova

    territorialidade das indstrias, que se voltam para o

    Centro do Pas.

    A articulao firme e forte do SENAI com

    o SESI, necessria diante do quadro crtico da

    educao brasileira, levou a uma parceria volta-

    da para a formao de tcnicos nas diversas reas

    carentes de mo de obra qualificada. Nessa pers-

    pectiva, houve o redimensionamento de concei-

    tos, tais como currculo, trabalho, competncia,

    ensino e aprendizagem. Avanou-se muito no

    atendimento aos princpios da flexibilidade das

    aes, na interdisciplinaridade de contedos, na

    contextualizao e no pluralismo de ideias e de

    concepes pedaggicas.

    A utopia esta l no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcanarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu no deixe de caminhar.

    Galiano, 2008.

    eduCAo e trAbAlho, o PACto e o desAfIoProfessor Manoel Pereira da Costa, diretor de Educao e Tecnologia do SENAI Gois

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |22

    Teoria e prtica foram associadas na apren-

    dizagem do aluno, diante da perspectiva de que

    o SENAI, conjuntamente com o SESI, precisa

    preparar os estudantes para executar trabalhos

    que ainda no existem, usar tecnologias ainda no

    inventadas, resolver problemas igualmente no

    identificados. Essa conscincia atende ao princpio

    constitucional da educao para a vida, para o ple-

    no exerccio da cidadania e para a qualificao para

    o trabalho. Na construo de competncia do tra-

    balhador do sculo 21, os requisitos do mundo do

    trabalho, pactuados com o mundo da educao, le-

    vam a educao profissional na formao de jovens

    para o saber ser (afetivo), saber fazer (psicomotor) e

    o saber agir (fazer pensando) e os saberes (cogniti-

    vo) conduzem ao conhecimento cientfico, tcnico

    e tecnolgico.

    Nessa caminhada, rumos possveis se abrem

    na busca de formar, de no apenas informar, de

    transpor a formao de contedos memorizados,

    de repensar a prtica pedaggica, de orientar-se

    para estratgias do dialgico e da mediao, de fo-

    car a aprendizagem e de levar o educando ao saber

    do pensar unindo teoria e prtica.

    Como se v, a histria do SENAI, em que

    pesem suas linhas de coerncia e harmonia, est

    longe de fechar-se nos limites de propostas tmidas

    e repetitivas. Nascido como um desafio, parece

    carregar a sina de suas origens, devendo sempre

    mudar para ir adiante; reconhecendo heranas em

    sua trajetria institucional para iniciar percursos e

    construir histrias de constante vir-a-ser. por isso

    que, em lugar de um ponto final, devemos procurar

    o presente, que onde esta histria, como todas as

    outras, deve comear... Como nos diz Guimares

    Rosa, (...) o real no est na sada e nem na chega-

    da, ele se dispe pra gente no meio da travessia.

    Articulao entre educao bsica e educao profissional une expertises do SENAI e do SESI para formar tcnicos em diversas reas carentes de mo de obra

    Um sistema em incessante evoluo

    Criado em 1942, por iniciativa do empresariado do setor industrial, o Senai o maior complexo de educao profissional e tecnolgica da amrica Latina, qualificando mais de 2,3 milhes de trabalhadores brasileiros a cada ano. Tambm apoia empresas em 28 reas industriais, por meio da formao de recursos humanos e da prestao de servios tcnicos e tecnolgicos, como consultoria e assistncia ao setor produtivo, laboratoriais, pesquisa aplicada e informao tecnolgica.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 23

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |24

    suCesso tem frmulA

    Serve para toda competio: qualidade valorizada, seleo dos melhores, prtica obsessiva e persistncia. Quem aplicar essa receita ter os mesmos resultados

    Claudio de Moura Castro

    Durante sculos, a Inglaterra dominou os mares e, dessa forma, muito mais do que os mares. Para isso tinha os melhores navios. E, para t-los,

    precisava de excelentes carpinteiros navais, capa-

    zes de dominar as tcnicas e criar, em madeira,

    estruturas extraordinariamente rgidas. Com a

    evoluo das chapas de ferro, os navios passaram a

    ter couraa metlica. Impossvel manter a superio-

    ridade sem caldeireiros e mecnicos competentes.

    Por isso, a Inglaterra investiu em mecnicos e cal-

    deireiros de primeira linha, continuando a dominar

    os mares. Uma potncia mundial no se viabiliza

    sem a potncia dos seus operrios.

    A Revoluo Industrial tardia da Alemanha

    foi alavancada pela criao do mais respeitado sis-

    tema de formao tcnica e vocacional do mundo.

    No por outra razo que enchemos a boca para

    falar da engenharia alem. Uns antes, outros de-

    pois, todos os pases industrializados montaram

    sistemas slidos e amplos de formao profissio-

    nal, fosse para construir locomotivas, avies ou

    naves espaciais.

    Assim como temos a Olimpada para com-

    parar os atletas de diferentes pases, existe a

    Olimpada do Conhecimento (World Skills In-

    ternational). Esta iniciativa das naes altamente

    industrializadas permite cotejar diversos sistemas

    de formao profissional. Os representantes de

    cada pas competem nos ofcios centenrios, como

    tornearia e marcenaria, mas tambm em desenho

    de websites ou robtica.

    Em 1982, um pas novato nesses misteres se

    atreveu a participar dessa Olimpada: o Brasil, por

    meio do SENAI. E l viu qual era o seu lugar, pois

    no ganhou uma s medalha. Mas em 1985 con-

    seguiu chegar ao 13 lugar. Em 2001 saltou para o

    sexto. Alis, permanece sendo o nico pas do Ter-

    ceiro Mundo a participar, entra ano e sai ano.

    Em 2007, tirou o segundo lugar. Em 2009,

    tirou o terceiro, competindo com 539 alunos, de

    sete Estados, em 44 ocupaes. isso mesmo, os

    graduados do SENAI, incluindo alunos de Alago-

    as, Gois e Rio Grande do Norte, conseguiram

    colocar o Brasil como o segundo e o terceiro me-

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 25

    lhores do mundo em formao profissional! No

    pouca porcaria para quem, faz meio sculo, im-

    portava banha de porco, pentes, palitos, sapatos e

    manteiga! E que, praticamente, no tinha centros

    de formao profissional.

    Deve haver um segredo para esse resultado

    que mais parece milagre, quando consideramos

    que o Brasil, no Programa Internacional de Ava-

    liao de Alunos (Pisa), comeou em ltimo lu-

    gar e, em anos subsequentes, continua entre os

    piores. Mas nem h milagres, nem tapeto. Trata-

    -se de uma frmula simples, composta de quatro

    ingredientes.

    Em primeiro lugar, necessrio ter um siste-

    ma de formao profissional com a competncia e

    organizao necessrias para preparar milhes de

    alunos. Esse sistema precisa dispor de instrutores

    competentes e capazes de ensinar em padres de

    Primeiro Mundo. Para isso, precisam saber fazer

    e saber ensinar. Diplomas no interessam (quem

    sabe nossa educao acadmica teria alguma lio

    a tirar da?).

    Em segundo lugar, cumpre selecionar os me-

    lhores candidatos para a Olimpada. O princpio

    simples (mas a logstica diabolicamente comple-

    xa). Cada escola do SENAI faz um concurso, para

    escolher os vencedores em cada profisso. Esse

    time participa ento de uma competio no seu

    Estado. Por fim, os times estaduais participam de

    uma Olimpada nacional. Dali se pescam os que

    vo representar o Brasil. a meritocracia em ao.

    O processo no para a, em terceiro lugar, os

    vencedores mergulham em rduo perodo de pre-

    parao, por mais de um ano. Ficam inteiramente

    dedicados s tarefas de aperfeioar seus conheci-

    mentos da profisso. Para isso, so acompanhados

    pelos mais destacados instrutores do SENAI, em

    regime de tutoria individual.

    Em quarto, preciso insistir, dar tempo ao

    tempo. Para passar do ltimo lugar, em 1983, para o

    segundo, em 2007, transcorreram 22 anos. Portan-

    to, a persistncia essencial.

    Essa qudrupla frmula garantiu o avano

    progressivo do Brasil nesse certame no qual apenas

    cachorro grande entra e s os muito grandes con-

    seguem as melhores posies. Para comear, nada

    feito sem um timo sistema de centros de forma-

    o profissional. Os parmetros de qualidade so

    determinados pelas prticas industriais consagra-

    das, e no por elucubraes de professores. H que

    aceitar a ideia de peneirar sistematicamente, na

    busca dos melhores candidatos. a crena na me-

    ritocracia, muito contestada no ensino acadmico.

    Finalmente, preciso muito esforo, muito mes-

    mo. Para passar na frente de Alemanha e Sua, s

    suando a camisa. E acima de ludo, preciso no

    esquecer, no foi o ato heroico, mas a continuidade

    que trouxe a vitria.

    A frmula serve para toda competio: qua-

    lidade valorizada, seleo dos melhores, prtica

    obsessiva e persistncia. Quem aplicar essa receita

    ter os mesmos resultados.

    Assim como temos a Olimpada para comparar os atletas de diferentes pases, existe a Olimpada do Conhecimento (World Skills International). Esta iniciativa das naes altamenteindustrializadas permite cotejar diversos sistemas de formao profissional.

    Claudio de Moura Castro economista claudiodemouracastro@positivo.com.brArtigo publicado na revista Veja de 24 de fevereiro de 2010 http://veja.abril.com.br

    Ex-aluno da Escola SENAI Itumbiara, Rafael Borges (ltimo, em p, direita) festeja com a delegao brasileira o 3 lugar no WorldSkills, no Canad, em 2009

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 27

    o sEnai ChEga ao Corao Do Brasil

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |28

    O filme em preto e branco. A tomada area mostra uma cidade horizontal, compacta, no corao do Brasil. Manh ensolarada, cerrado

    a perder de vista na margem direita do Ribeiro das

    Antas. domingo. espera da comitiva que viajara

    em dois avies que partiram de So Paulo (SP) e

    do Rio de Janeiro (RJ) rumo a Anpolis (GO), li-

    derada pelo visionrio engenheiro e educador

    suo Roberto Mange, h uma comunidade em

    festa. A escola recm-construda na confluncia

    do principal eixo virio da cidade tem seus belos

    e imponentes arcos da fachada adornados para o

    grande dia. Adolescentes uniformizados esto po-

    sicionados para a execuo do Hino Nacional. Est

    tudo pronto. O sonho de Dom Emanuel Gomes

    de Oliveira se tornara realidade e tem nome: Escola

    SENAI GO 1.

    9 de maro de 1952. Quatro anos antes,

    em 1948, tivera incio a construo da primeira

    unidade do Servio Nacional de Aprendizagem

    Industrial (SENAI) no Estado de Gois. Anpolis,

    municpio poca com pouco mais de 30 mil habi-

    tantes e um parque industrial com quase nenhuma

    projeo, dedicado s monoculturas, foi eleito para

    abrigar a escola graas ao empenho do ento arce-

    bispo metropolitano de Gois, Dom Emanuel Go-

    mes de Oliveira. O bispo, que recebera o ttulo de

    Arcebispo da Instruo, era conhecido por plantar

    escolas por onde passava. (1) E coube justamente

    instituio que representava, a Mitra Arquidiocesa-

    na Santana de Gois, a doao de mais da metade

    da rea do terreno onde a unidade foi erguida.

    Do total de 21,7 mil metros quadrados da

    rea ocupada pela nova escola, 12,2 mil metros

    quadrados foram doados pela instituio religiosa

    (veja quadro nas pginas 38 e 39). O restan-te foi adquirido pela ento 6 Delegacia Regional

    do SENAI de So Paulo qual era subordinado

    o territrio de Gois , comandada poca pelo

    engenheiro Roberto Mange, educador que deu

    nome primeira unidade da instituio instalada

    no Estado. Texto produzido por um dos ex-direto-

    9 de maro de 1952. Chega o grande dia. Jornais, como a Gazeta, de So Paulo, noticiam a instalao da Escola SENAI GO 1, que vive expectativa de receber comitivas de So Paulo e do Rio para a inaugurao oficial ( direita)

    ANPolIs sedIA A PrImeIrA esColA

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 29

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |30

    res da escola, Mrio de Oliveira, em novembro de

    1967 ele dirigiu a unidade de 1966 a 1976 con-

    firma o plantio da semente pelas mos de Dom

    Emanuel.

    Desencorajado pelas autoridades do Distrito

    Salesiano de Gois, quando pleiteara a construo

    de mais um ginsio em Anpolis, o idealista Dom

    Emanuel teve a feliz ideia de expor seu problema

    a um apaixonado pelo ensino industrial, o saudoso

    professor Roberto Mange (...), diz o documento.

    E Roberto Mange o ouviu. Porque no h dvida

    de que Dom Emanuel Gomes de Oliveira teve

    participao decisiva na escolha de Anpolis para

    abrigar a primeira escola do SENAI no Estado. To-

    dos aqueles que se debruaram sobre a histria da

    instituio so unnimes em atribuir a ele a iniciati-

    va de buscar, na figura de Roberto Mange, o apoio

    de que precisava para trazer para Gois uma escola

    que pudesse ensinar um ofcio aos meninos pobres

    de Anpolis e municpios vizinhos.

    Instalada no incio da dcada de 50, a Escola SENAI GO 1 tinha originalmente fachada com imponentes arcos, encobertos por reforma nos anos 80, layout mantido at hoje pela atual Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange

    NOTA - (1) MENEZES, Irm urea Cordeiro. Dom Emanuel Gomes de Oliveira Arcebispo

    da Instruo. Goinia: Agepel. 2001).

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 31

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |32

    Mecnico serralheiro e carpinteiro, dois dos primeiros ofcios oferecidos pelo SENAI para atender pequenas indstrias ento existentes em Gois na dcada de 50

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 33

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |34

    A chegada do SENAI a Anpolis, cuja importncia repercutiu em jornais da poca, atribuda ao entusiasmo de Dom Emanuel Gomes com a educao profissionalizante, cujas atividades o religioso acompanhava em escolas da instituio em So Paulo, onde os salesianos mantinham convnio para formao de jovens

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 35

    Dom Emanuel Gomes de Oliveira: Preito de Venerao e Reconhecimento da Arquidiocese de Goiaz pelo seu trabalho

    No livro Dom Emanuel Gomes de Oli-veira Arcebispo da Instruo (Agepel, 2001), em que a Irm urea Cordeiro de Menezes

    traa a vida e a obra de Dom Emanuel, h o relato

    de passagens que asseguram ser a chegada do SE-

    NAI em Gois fruto do entusiasmo deste religio-

    so com a educao profissionalizante. De acordo

    com a autora, quando vivia em So Paulo, o arce-

    bispo seguia de perto as atividades desenvolvidas

    na Escola do SENAI que funcionava no bairro do

    Bom Retiro, na capital paulista. O mesmo ocorria

    em Campinas (SP), onde os salesianos mantinham

    convnio com a instituio para a educao de jo-

    vens de So Paulo. Durante o dia, as unidades fun-

    cionavam como escolas catlicas. noite, se trans-

    formavam num celeiro de futuros trabalhadores,

    com oficinas do SENAI funcionando a topo vapor.

    Encantado com esse modelo de escola e cer-

    to de que Anpolis tinha tudo para se transformar

    num importante polo industrial no Estado, o ar-

    cebispo procurou o ento diretor da 6 Delegacia

    Regional do SENAI em So Paulo, engenheiro

    Roberto Mange de quem, segundo a autora,

    Dom Emanuel era amicssimo para propor-lhe

    a construo de uma unidade em Gois. Segundo

    afirma, Roberto Mange teria dito, no pronuncia-

    mento que fez durante a solenidade de abertura da

    nova escola: Esse discurso congratulatrio deve

    ser dirigido ao senhor arcebispo e no a mim, por-

    que foi ele que me procurou, tratando do assunto,

    e foi ele quem deu andamento a tudo, quando eu

    nem sabia da existncia dessa promissora cidade de

    Anpolis, diz a autora. (2) Dom Emanuel, que so-

    nhava com as escolas profissionalizantes, viu assim

    realizado mais um dos seus sonhos, completa.

    Notcias publicadas por jornais da poca suge-

    modelo paulista inspira dom emanuel

    NOTA - (2) Nossa pesquisa no identificou a fonte de onde a

    autora retirou trecho do discurso de

    Roberto Mange.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |36

    rem a importncia do acontecimento que marcou

    a inaugurao oficial da Escola SENAI GO 1, na

    manh do dia 9 de maro de 1952. O evento reu-

    niu, num s lugar, autoridades municipais, estadu-

    ais e federais, integrantes da Igreja e representantes

    do setor produtivo, sobretudo de Gois, So Paulo

    e do Rio de Janeiro. O jornal O Anpolis, de 13 de maro de 1952, informava a vinda cidade,

    para a solenidade, de uma caravana de So Paulo

    composta por 30 pessoas. Outras dezenas de au-

    toridades do Rio de Janeiro, segundo a publicao,

    tambm prestigiaram a festa preparada para aber-

    tura oficial da escola. frente do novo centro de

    formao profissional, famlias inteiras, de Anpo-

    lis e cidades vizinhas, compareceram ao evento.

    As cenas descritas na abertura desse trabalho

    integram um filme cuidadosamente guardado nos

    arquivos da antiga Escola SENAI GO 1 hoje Fa-

    culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange.

    o registro histrico daquela manh de maro,

    que mudaria os rumos da educao profissional

    no Estado de Gois. Entre as cenas, a chegada das

    autoridades, os discursos dos ilustres visitantes, a re-

    cepo preparada pelos alunos j matriculados no

    centro de formao, a visita s instalaes da esco-

    la. Nos semblantes de pais e mes daqueles jovens,

    sentimentos de gratido e esperana. Anpolis es-

    tava mesmo em festa.

    Os arquivos que integram o acervo histrico

    da unidade do conta de que estavam presentes

    quela solenidade, alm do engenheiro Roberto

    Mange, vrias outras autoridades da poca, como

    o ento vice-governador de Gois, Jonas Ferreira

    Duarte que representou no evento o ento gover-

    nador Pedro Ludovico Teixeira e o secretrio de

    Estado da Educao na poca, Jos Trindade da

    Fonseca e Silva; ento prefeitos de Goinia e An-

    polis, Venerando Freitas Borges e Scrates Mar-

    docheu Diniz, respectivamente; senadores Dario

    Cardoso e Domingos Velasco; deputados federais

    Euvaldo Lodi, ento presidente da Confederao

    Nacional da Indstria (CNI), Benedito Vaz, Joo

    Abreu, Plnio Caio e Uriel Alvim; ento diretor do

    Departamento Nacional do SENAI, Joaquim Fa-

    ria Ges Filho; religioso Jos Bellotti, que represen-

    tou o arcebispo de Gois, Dom Emanuel Gomes

    de Oliveira.

    Ainda segundo notcia publicada pelo jornal

    O Anpolis, fizeram uso da palavra, naquela manh, primeiramente, o ento diretor da 6 De-

    legacia Regional do SENAI de So Paulo, Roberto

    Mange, que teria falado sobre sua relao de ami-

    zade com o arcebispo de Gois, Dom Emanuel, e

    do apoio dos governos locais e da Igreja para con-

    cretizao daquele projeto, a construo da Escola

    SENAI GO 1.

    Integrantes do Lyons de Anpolis e So Paulo reunidos prestigiam a inaugurao da Escola SENAI GO 1

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 37

    Exatamente s 10h30, sob prolongada salva de palmas, usou da palavra o dr. Ro-berto Mange. O ilustrado professor e diretor do Departamento Regional da 6 Regio do SENAI iniciou a sua bela orao relem-brando a primeira visita que fizera a Gois e a emoo de que se achava possudo, pois era a ltima unidade da federao que lhe faltava conhecer. E maior foi a sua emoo quando, ao desembarcar em Goinia, estava a esper-lo S. Excia. Revma. Dom Emanuel Gomes de Oliveira, o querido Arcebispo de Gois. Isso em 1947. Em seguida (...) relatou os entendimentos que, com o apoio de Dom

    Emanuel, teve com o Governo do Estado e a Prefeitura de Anpolis. E adiantou que, em nenhum outro lugar do Brasil, o SENAI conseguiu dos poderes pblicos o que obteve em Gois (...). (3)

    Em seu discurso, o ento deputado federal,

    presidente da CNI e do Conselho Nacional do

    SENAI, Euvaldo Lodi, teria abordado a importn-

    cia de Anpolis no cenrio local e as realizaes da

    instituio nos seus primeiros dez anos de funda-

    o. Seria aquela unidade do SENAI, segundo ele,

    a 110 escola instalada no Pas.

    Momento histrico: Euvaldo Lodi, ento deputado federal e presidente da CNI, discursa em Anpolis ao entregar a 110 escola instalada pelo SENAI no Pas em seus primeiros dez anos de criao. Atrs dele, Roberto Mange e talo Bologna

    NOTA - (3) Trecho de notcia publicada no jornal O Anpolis, de

    13 de maro de 1952. Arquivo Fatec

    SENAI Roberto Mange.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |38

    O terreno onde foi construda a Escola SENAI GO 1

    1 Proprietrio anterior: odorico Silva Leorea: 3.588,91 m2Modalidade: aquisio

    2 Proprietrio anterior: Cia. Fabril e Comercial Ltda.rea: 5.888,18 m2Modalidade: aquisio

    3 Proprietrio anterior: Mitra arquidiocesana Santana de Goisrea: 12.280,74 m2Modalidade: doao

    rea total da FatEC sEnai roBErto mangE: 21.757,83 m2

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 39

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |40

    Vista area de Anpolis no incio da dcada de 50: em uma cidade pouco urbanizada, com cerca de 30 mil habitantes, nasce o SENAI em Gois

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 41

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  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 43

    Anpolis em duas pocas: imagens areas mostram acelerada urbananizao da cidade e a modificao na fachada da unidade pioneira do SENAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |44

    Joo Ferreira Filho, 14 anos; Harolo de Alcn-tara, 13 anos; Carlos Jos Pereira da Costa, 14 anos; Barbuse Pires Leal, 14 anos; Vilcio Ribeiro

    Furtado, 16 anos; Deusdeth Dias da Silva, 16 anos;

    Joaquim Jos de S, 13 anos; e Deusdeth Ribeiro

    Arajo, 14 anos. Esses oito jovens foram os primei-

    ros alunos matriculados na ento Escola SENAI

    GO 1, ainda em 1951. Regra geral nas escolas do

    SENAI pelo Brasil afora, a abertura dos portes

    para os jovens aprendizes ocorre sempre antes das

    cerimnias que marcam as inauguraes oficiais

    das unidades. Foi assim tambm em Anpolis.

    Em meados de 1951, portanto quase um ano antes

    daquela manh de maro de 1952, um grupo de

    meninos de Anpolis e de cidades vizinhas j co-

    meava a aprender uma profisso.

    A matrcula do aluno Joo Ferreira Filho, por

    exemplo, est registrada com data de 1 de junho

    de 1951. O menino, segundo sua ficha de inscrio

    no SENAI, natural de Luz (MG), morava em An-

    polis e matriculou-se no curso CP Curso Prepa-

    ratrio. Nessa modalidade, os futuros artfices pas-

    savam por todas as prticas de ensino disponveis

    para, s ento, escolher que profisso seguir.

    Quando iniciou suas atividades, a ento Esco-

    la SENAI GO 1 oferecia cursos de mecnico serra-

    lheiro, carpinteiro e pedreiro. A passagem por essas

    modalidades ocorria em forma de rodzio. E, alm

    de aprender a tcnica dessas profisses, os alunos

    tinham tambm aulas de portugus, matemtica e

    cincias. No primeiro semestre de funcionamento,

    foi bastante reduzido o nmero de alunos matricu-

    lados, sobretudo pela dificuldade que as famlias

    enfrentavam para enviar seus jovens para a educa-

    o profissional no centro de formao.

    Em 1952, a Escola SENAI GO 1 passou a ofe-

    recer 50 vagas no internato que entrou em funcio-

    namento nas dependncias da unidade. Com isso,

    avolumaram-se as inscries para os cursos ofere-

    cidos pela unidade. Ali, passaram a buscar forma-

    o meninos oriundos de cidades como Formosa,

    Catalo, Araguari, Goinia, Ipameri, So Miguel,

    Inhumas, Uberaba, Piracanjuba, Campo Formo-

    so, Capoeiro, Martinpolis, Gois, Niquelndia,

    Estrela do Sul, Petrolina e tantas outras. Chegavam

    s vezes de ps no cho, sem nada. Ali encontra-

    vam a possibilidade de um novo e promissor futuro.

    os primeiros ofcios, aprendidos em rodzio

    Joo Ferreira Filho, da primeira turma de alunos do SENAI, de 1951 (como mostra ficha de matrcula na pgina seguinte, ao alto), quase um ano antes da inaugurao oficial da unidade

    Alvar de licena expedido pela Prefeitura de Anpolis para construo da unidade do SENAI, incluindo trs pavilhes escola, oficina e internato na Vila SantAna

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 45

    Jovens em aula prtica do curso de pedreiro do SENAI em 1958. Na poca, os futuros artfices passavam por todas as reas de ensino disponveis para, s ento, escolher que profisso seguir

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |46

    No final dos anos 60, antigas oficinas de mecnica de automveis (ao lado), eletricidade (abaixo), ferramentaria e marcenaria do Centro de Formao Profissional SENAI Roberto Mange

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 47

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |48

    Foi no quintal da casa da av, Joaquina Alarco, sob a sombra de duas ou trs jabuticabeiras, que o sonho de Seu Eurpedes se tornou realidade. Estava tudo certo. No tinha como dar errado. O

    SENAI o tinha ensinado uma profisso. O pai era

    empregado de uma marcenaria, reconhecido pelo

    trabalho de boa qualidade. Era hora de abrirem o

    prprio negcio.

    Eurpedes Monteiro Alarco, um homem de

    f desconcertante. Mais velho de seis irmos, filho

    de Joaquim e Bernardina, nasceu em Anpolis e

    viveu a vida inteira na mesma rua, a Travessa Alar-

    co, margem esquerda do Ribeiro das Antas, at

    sua morte, em fevereiro de 2012, pouco depois de

    contar boa parte sua vida para compor a histria

    dos 60 anos do SENAI Gois. Da porta de casa,

    avistava a fachada da escola, o que lhe enchia de

    orgulho. Para chegar at l, um pulo.

    E Seu Eurpedes chegou l. Tinha 14 anos, na poca. Sou da segunda turma. Filho e neto

    de carpinteiro, recebeu do pai, um ano antes, uma

    caixa de engraxates para ajudar nas despesas da

    casa. Mas sabia que podia mais e correu atrs de

    seu sonho. Eu disse em casa que queria estudar

    no SENAI e me matriculei. Terminei o curso de

    marceneiro em 1953 com apenas trs faltas.

    Com o diploma nas mos, o ento jovem Eu-

    rpedes convenceu o pai a deixar a firma onde tra-

    balhava para montarem a prpria oficina. E foi ali,

    no quintal da casa da av, sob a sombra das jabuti-

    cabeiras, que nasceu a Alarco Instalaes Comer-

    ciais Ltda. Quando chovia, tnhamos que correr

    com tudo para dentro de casa para no molhar.

    Com seis meses de trabalho, conseguiram

    construir um pequeno barraco de madeira. A

    no precisava mais sair correndo da chuva. Com-

    praram as primeiras mquinas. Em 1957, com Bra-

    slia em obras, a oficina comeou a contratar mo

    de obra para dar conta de tantas encomendas. Ex-

    -alunos do SENAI, como Seu Eurpedes, tinham prioridade.

    Pelas mos dele e de seu pai nasceu a maioria

    das instalaes de mveis, armrios e balces de

    madeira das primeiras agncias bancrias insta-

    ladas em Braslia, Goinia e Anpolis na dcada

    de 1950. ramos procurados por tudo quanto era

    gente. Pela qualidade e pela pontualidade no servi-

    o. Honrvamos sempre nossos contratos e nunca

    recebemos uma reclamao sequer. Aprendi a tra-

    balhar assim com o meu pai e o SENAI.

    Jabuticabeiras como sombra

    Antiga oficina de marcenaria do CFP Roberto Mange, a escola de seu Eurpedes, onde ele foi aluno e instrutor

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 49

    Mesmo depois de muito tempo no mercado,

    Seu Eurpedes continuou contando com a ajuda de sua ex-escola. Foi sempre l que busquei solu-

    es para os problemas que enfrentvamos. Era a

    meus antigos mestres que eu recorria. Do alto dos

    seus 72 anos, o marceneiro lembrava-se de cada

    um deles, citando seus nomes, com olhar distante,

    como a lembrar de um passado saudoso.

    Seu Ary de Azevedo, que era diretor quando

    eu estudava l; Rui Rezende, o secretrio; Ananias,

    professor de matemtica; Seu Acari, professor de

    desenho, Joo Conceio, nosso professor de cin-

    cias; nosso querido professor Joca, de quem tenho

    muita saudade e meus mestres da marcenaria, os

    professores Domingos e Adalcides. Lembro de

    cada um deles em minhas oraes.

    O marceneiro da Travessa Alarco falava do

    SENAI como quem fala da prpria famlia. Devo

    muita gratido escola. O SENAI foi como uma

    bno de Deus na minha vida e de tantos outros

    jovens no s na minha poca, mas at hoje. Se me

    tornei o profissional e o pai de famlia que sou, devo

    muito a meus estudos no SENAI.

    E quanta coisa Seu Eurpedes aprendeu. Conscincia ambiental, hoje uma prtica difun-

    dida, o acompanha desde que foi buscar sua for-

    mao, na adolescncia. Todos os mveis de casa,

    desde o altar todo em madeira que fez para So

    Francisco, o santo da sua devoo, aos lustres de

    madeira espalhados pelo imvel, so fruto de re-

    aproveitamento. Lembro-me at hoje das lies

    dos nossos professores do SENAI, para que nada

    fosse desperdiado. Ensinamentos que pratiquei a

    minha vida inteira. Nos altares das igrejas, nas lojas

    comerciais, por toda parte, em Anpolis, tem um

    pouco do ofcio do marceneiro.

    Na velha oficina, Seu Eurpedes trabalhava ao lado do irmo caula, Ivan de Castro Alarco,

    de 56 anos, tambm ex-aluno do SENAI em An-

    polis. Ali esto desempenadeiras, desengrossadei-

    ras, serras circulares, aparadeiras, tupias e toda sorte

    de maquinrio necessrio ao seu ofcio. No fundo

    do barraco, a antiga bancada onde o pai Joaquim

    trabalhava continua no mesmo lugar. Ela nos deu

    o sustento de cada dia. Quando ele morreu, ns o

    velamos ali. No h um dia que no me lembro do

    meu pai, que tinha muito orgulho da formao que

    tive no SENAI.

    O marceneiro nunca deixou de frequentar a

    sua escola. Fez muitos amigos l. Sempre que po-

    dia, dava uma passadinha para rev-los. E chegou a

    ser instrutor em curso de marcenaria, no perodo no-

    turno. O homem precisa aprender sempre. Nunca

    pode achar que j sabe tudo. Eu estou aprendendo

    at hoje. E aprendo muito com o SENAI, o melhor

    parceiro que um trabalhador pode ter.

    Na memria desse homem simples de 72

    anos, uma lembrana dos seus 14 anos, quando

    aluno da primeira escola do SENAI em Gois o

    faz sorrir. Quer ver como eu ainda me lembro do

    refro do hino da escola?

    Estudantes e cantoresDo SENAI, do SENAIAprendei ofciosSejais sempre alegresDim, dim, domDim, dim, dom.

    Eurpedes Alarco, filho e neto de marceneiro: exemplo

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |50

    Lembro-me de segurar suas mozinhas pe-quenas e atravessar com ele pela pinguela sobre o Ribeiro das Antas para chegar at a es-

    cola. A lembrana faz parte do ba de memrias

    do bancrio aposentado Ruy Sebastio Resende,

    de 79 anos. Mineiro de Estrela do Sul (MG), ele

    mudou-se ainda rapaz para Anpolis. To logo viu

    a notcia de que comeava a funcionar na cidade

    uma escola do SENAI, participou da primeira se-

    leo para contratao de funcionrios. Foi aprova-

    do e passou a trabalhar como secretrio da Escola

    SENAI GO 1, brao direito do primeiro diretor da

    unidade, Ary de Azevedo.

    Permaneceu na funo por cinco anos, at

    ser aprovado em um concurso do antigo Banespa.

    Era ele o responsvel por boa parte das atividades

    administrativas e operacionais da escola. Orgulha-

    -se de dizer que fez grande amizade com o ento

    diretor Ary de Azevedo. Ele era muito criterioso

    e gostava de tudo certinho. Nada podia sair dos

    eixos, recorda.

    Pouco tempo depois de comear as atividades

    na escola, Ruy Resende viu chegar ao centro de

    formao um menino pobre, negro, muito jovem

    e sem famlia. Vivia em Inhumas e no tinha con-

    dies de manter-se em Anpolis durante o tempo

    que durasse o curso de mecnica. Sem vagas no

    internato, na poca, Ruy abriu a porta da prpria

    casa para abrigar o menino, Joo Ferreira de Sou-

    za. Ele ficou morando comigo at surgir uma vaga

    no internato. Se tornou como um filho para mim,

    conta o ex-secretrio. Formado em mecnica na

    escola SENAI de Anpolis, Joo Ferreira proprie-

    trio de uma grande oficina de automveis em So

    Paulo (SP).

    Ruy Resende diz que guarda muitas boas

    lembranas do tempo em que trabalhou no SE-

    NAI. Sempre me senti em casa l e at hoje tenho

    grandes amigos que fiz na escola ainda na poca da

    minha juventude. Gosta de se lembrar da rotina

    diria que tinha quando secretrio da escola, colo-

    cando tudo em ordem, como determinava o diretor.

    Era ele quem comandava as chaves da casa, orga-

    nizava os adolescentes na sala de aula e comandava

    o internato. Tambm atendia pais aflitos de cidades

    vizinhas e de municpios distantes tambm, pro-

    cura de uma vaga para seus filhos. Nossa alegria,

    no final, era saber que muitos daqueles meninos

    pobres j saam da escola contratados, diz.

    Internato acolhia meninos pobres

    Ruy Sebastio Resende, hoje bancrio aposentado, participou da primeira seleo para contratao de funcionrios do SENAI Anpolis, onde foi secretrio. No ba de memrias, histrias dos meninos que viviam no internato

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 51

    Da casa do bispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira , que depois se transformou em museu de Anpolis, o ainda jovem professor de

    Desenho Tcnico da ento Escola SENAI GO 1,

    Acari dos Santos Dias, hoje com 80 anos, o escu-

    tava dizendo: At que enfim estou vendo a minha

    escola. L do alto de sua casa ele avistava a escola

    e dizia: Pe no SENAI que vira gente. E era mes-

    mo essa a esperana de tantas famlias que confia-

    vam seus filhos aos cuidados dos mestres da recm-

    -inaugurada escola de ensino profissionalizante.

    Os meninos chegavam de tudo quanto era

    canto. O internato vivia lotado, com 50, 55 adoles-

    centes. Eles viviam aquilo ali, lembra Seu Acari.

    Vinham aprender uma profisso, mudar o destino

    de suas vidas e de suas famlias. O professor apo-

    sentado faz parte dessa histria. L nas lembranas

    de Seu Eurpedes Alarco, o marceneiro que mon-

    tou sua oficina sob as jabuticabeiras no quintal da

    casa da av, est a gratido pelos ensinamentos do

    ex-professor de Desenho Tcnico, Acari dos Santos.

    Ele nasceu em Corumbaba, mas formou-

    -se na Escola Tcnica Federal do Rio de Janeiro.

    Mudou-se para Anpolis com 24 anos. A Escola

    SENAI GO 1 funcionava h dois anos quando foi

    admitido, via concurso, para lecionar na unidade.

    L permaneceu por 14 anos, quando abraou ou-

    tros projetos, tambm na educao. Foi professor

    de Ensino Mdio e aposentou-se como professor

    da Universidade Estadual de Gois (UEG), onde

    atuou por 25 anos. O SENAI abriu-me as portas

    quando eu era s um jovem professor, recorda.

    Segundo Seu Acari, Anpolis iniciava sua caminhada rumo industrializao e carecia de

    mo de obra especializada. E esse era o papel do

    SENAI: formar mo de obra capaz de atender a

    Acari dos Santos Dias e as lembranas dos tempos de professor de Desenho Tcnico do SENAI: Os meninos faziam seus estgios nas empresas e j eram contratados

    Pe no seNAI que vira gente

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |52

    uma demanda crescente da indstria. Os meni-

    nos faziam seus estgios nas empresas e j eram

    contratados, conta. Na sala de aula, professor

    Acari ensinava aos alunos de todas as reas espe-

    cializadas da escola como projetar seus trabalhos.

    Primeiro eles desenhavam. Depois, seguiam

    para as oficinas para colocar em prtica o que ti-

    nham projetado.

    Alm de professor de Desenho Tcnico, cou-

    be a Acari tomar conta do internato por cerca de

    um ano. Tinha hora para tudo. Era a chamada

    hora SENAI. Nem um minuto a mais, nenhum

    minuto a menos, brinca. Aos sbados, no entanto,

    recorda-se, a ordem dava lugar alegria. Professo-

    res, alunos e funcionrios se reuniam no campinho

    dentro da escola para uma partida de futebol depois

    das 13 horas, quando se encerrava o expediente.

    Ainda sobre a hora SENAI, Seu Acari se lembra de uma passagem curiosa. Aprovado

    em 1 lugar no concurso para professor, em 1955,

    pode escolher onde queria trabalhar. Optou pelo

    Departamento Regional de So Paulo. Um dia,

    marcou audincia com o ento diretor da unidade,

    engenheiro Roberto Mange, s 13 horas. Cheguei

    s 13h02 e ele no me atendeu porque eu estava

    atrasado. No dia seguinte, cheguei 15 minutos mais

    cedo e ele se atrasou. Humildemente, sentou-se

    minha frente e se desculpou, lembra. Desde en-

    to, ele sempre mandava me chamar: O professor

    l de Gois, dizia Roberto Mange.

    Nas lembranas de Seu Acari esto os anos todos que passou no SENAI e, sobretudo, a ami-

    zade que desenvolveu com o primeiro diretor da

    unidade, Ary de Azevedo. Era um cidado nte-

    gro, extraordinrio. Impunha respeito por onde

    passasse. Era admirado por todos. Naquela poca,

    conta, o diretor morava na prpria escola, numa

    casa construda nos fundos do centro de formao.

    Em 2002, Seu Acari se aposentou, guardando consigo os bons momentos de uma vida inteira de-

    dicada educao. Minha vocao sempre foi o

    magistrio. E foi no SENAI que ela se manifestou.

    A criao

    Criado pelo decreto-lei 4.048, do ento presidente Getlio Vargas, o Senai surgiu para atender a uma necessidade premente: a formao de profissionais qualificados para a incipiente indstria de base. J na ocasio, estava claro que sem educao profissional no haveria desenvolvimento industrial para o Pas.

    Seu Acari acompanhou desde o comeo os passos do SENAI: Anpolis iniciava sua caminhada rumo industrializao e carecia de mo de obra especializada

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 53

    De Reinildo, ele passou a ser conhecido como Reinildo do SENAI, tamanha a dedicao instituio do professor Reinildo Gusmo Lopes,

    hoje com 54 anos. No final da dcada de 1980, ao

    concluir os cursos de Filosofia e Pedagogia na Pon-

    tifcia Universidade Catlica de Belo Horizonte

    (MG), o professor retornou a Anpolis, sua cidade

    natal. Era janeiro de 1981 e ele procurava emprego.

    Conheceu, na poca, o ento diretor do SENAI,

    Joo Francisco da Silva Mendes. No ano seguinte,

    ingressaria na instituio. Foram, ao todo, 17 anos

    de uma histria de amor juventude e ao que ela

    pode produzir.

    Nos primeiros anos como funcionrio do

    SENAI, Reinildo exercia a funo de orientador

    educacional. Em 1983, assumiu o cargo em pero-

    do integral, passando a dedicar-se exclusivamente

    escola. O SENAI passou a ser a minha primeira

    casa. A segunda era onde eu morava, brinca. Eu

    me sentia feliz demais com aquele trabalho. s ve-

    zes era angustiante. A gente tinha que ser meio psi-

    clogo, padre, pai, me e professor ao mesmo tem-

    po. Mas era muito gratificante ver aqueles meninos

    crescendo, aprendendo uma profisso, mudando o

    rumo de suas vidas, lembra.

    Os adolescentes das periferias pobres de An-

    polis e cidades vizinhas chegavam a p ou de bici-

    cleta, em sua maioria. Aquela era uma escola cen-

    tral, mas que atendia prioritariamente meninos dos

    bairros mais distantes. Ali, eles encontravam ensino

    de qualidade a custo zero. S compravam mesmo

    o macaco para trabalhar nas oficinas da escola,

    afirma. Saiam dali com uma profisso. E se no

    tinham concludo o ensino fundamental, tambm

    o faziam no SENAI.

    O esforo de Reinildo, muitas vezes, ultrapas-

    sava os muros da instituio. Alguns meninos, por

    dificuldades mltiplas, pensavam em desistir da

    escola. Fugiam, mesmo, literalmente. Muitos pais

    sequer sabiam que eles no estavam frequentando

    as aulas. Eu pegava o carro do SENAI e ia de casa

    em casa atrs deles e arrebanhava-os de volta. Re-

    virava todos os bairros pobres de Anpolis e cidades

    vizinhas atrs dos garotos. Muitos precisavam tra-

    balhar, ajudar no sustento de casa, o que compro-

    metia a permanncia na escola.

    Completamente envolvido com as atividades

    desenvolvidas na unidade do SENAI, o professor

    Reinildo preparava eventos, ensaiava peas teatrais,

    organizava tudo. Eu ficava at de madrugada na

    escola. No ia embora at deixar tudo pronto. E en-

    to fazamos apresentaes belas nas datas come-

    morativas da escola e da cidade, lembra.

    Sua ligao com o SENAI perdurou at 1998,

    quando precisou dedicar-se exclusivamente s au-

    las na Universidade Estadual de Gois (UEG). Foi

    uma das principais e mais marcantes experincias

    de vida que tive. No SENAI sentia meu trabalho

    valorizado e me sentia tambm feliz por ajudar a

    transformar a vida de tantos jovens e famlias po-

    bres da regio, diz. Eu sempre compartilhei da

    viso do SENAI, de transformar homens em cida-

    dos de direito. E desse modo, a escola mudou, para

    melhor, o destino de muita gente, inclusive o meu.

    Psiclogo, padre, pai, me e professor. tudo ao mesmo tempo

    Reinildo Gusmo Lopes, orientador educacional do SENAI Anpolis durante 17 anos: Eu sempre compartilhei da viso do SENAI, de transformar homens em cidadosde direito. E desse modo, a escola mudou, para melhor, o destino de muita gente, inclusive o meu.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |54

    L se vo duas dcadas de vida junto ao SENAI. Ivan de Oliveira Barros filho de Formosa, mas viveu quase toda a vida em Anpolis, bero

    da escola fundada por Roberto Mange. Nasceu

    naquele mesmo ano, 1952. Aos 60 anos, o agora

    coordenador de Projetos da Faculdade de Tecnolo-

    gia Roberto Mange enumera as vrias das funes

    que j ocupou nesse tempo: foi instrutor, diretor de

    unidade, acompanhou a instalao de ncleos do

    SENAI em cidades do interior do Estado e inte-

    grou equipes tcnicas do Departamento Nacional.

    Minha realizao profissional seria improvvel,

    no fosse a presena dessa instituio na minha

    vida. Caminho para a fase final da minha carreira

    e tenho o orgulho de ser ainda til ao SENAI, diz.

    Ivan do tempo em que a Escola Roberto

    Mange era tambm o internato para onde iam me-

    ninos pobres do interior de Gois. Lembro-me de-

    les chegando a p e de uma infinidade de bicicletas

    estacionadas aqui no ptio. Tambm me lembro da

    garotada correndo de animais, at de cobra, quan-

    do se aproximavam das cercanias da escola ou a

    elas se dirigiam, recorda.

    Era 14 de abril de 1991 quando comeou suas

    atividades na unidade de Anpolis. Graduado em

    Cincias da Computao, dedicou seus saberes

    por onde passou e em todos os projetos que abra-

    ou no SENAI desde ento. A integridade moral

    e os exemplos de amor por aquilo que fazem trans-

    mitem aos que tm a oportunidade de conhecer o

    esprito senaiano alicerces para uma vida profissio-

    nal profcua e tranquila, cita Ivan.

    Ele, que acompanhou de perto as ltimas

    duas dcadas da histria escrita pelo SENAI de

    Anpolis, conhece bem o caminho percorrido

    desde aquele maro de 1952. Grandes mudanas

    ocorreram nesses 60 anos, desde quando ramos

    Centro de Formao Profissional at nos tornar-

    mos Faculdade de Tecnologia. O SENAI em An-

    polis sempre procurou estar atento s mudanas do

    seu tempo, acompanhando a evoluo do parque

    industrial da cidade.

    Prova disso, cita Ivan, que grandes empresas

    instaladas no Distrito Agroindustrial de Anpolis

    (Daia) tm entre seus colaboradores profissionais

    formados na Fatec Roberto Mange. Todos so

    exemplos concretos das mudanas ocorridas nesta

    escola, complementa.

    E aps tantos anos vendo essa escola crescer e

    se transformar, Ivan sabe dos desafios que ela tem

    pela frente. A transformao da Fatec em Instituto

    de Tecnologia trar grande desafio ao corpo do-

    cente, coordenadores, diretores, gerentes. Tenho

    certeza que, mais uma vez, a confiana deposita-

    da nesta equipe ser correspondida com aes de

    grande valor para o desenvolvimento da indstria

    goiana, acentua.

    mudar sempre, desafio da escola

    Ivan de Oliveira Barros: A transformao da Fatec em Instituto de Tecnologia trar grande desafio ao corpo docente, cordenadores, diretores, gerentes.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 55

    Dos CFPs aos Institutos de Tecnologia

    a rede de ensino do Senai em Gois, que no incio era constituda dos antigos CFPs (Centros de Formao Profissional), ganha agora os institutos Senai de Tecnologia (iST), abrangendo as reas de alimentos, automao e qumica industrial, alm do instituto Senai de inovao, com foco em logstica. no mbito do Programa Senai de apoio Competitividade da indstria Brasileira, lanado dia 31 de maio de 2012, essas unidades sero aliadas das empresas no desenvolvimento integrado de produtos e processos, pesquisa aplicada, soluo de problemas complexos e antecipao de tendncias tecnolgicas. os institutos tambm formaro profissionais para gerar conhecimento e desenvolver tecnologias que atendam s demandas das indstrias.

    Com muita histria, a Fatec Roberto Mange vive expectativa de nova mudana: se transformar em Instituto SENAI de Tecnologia

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |56

    Sou inquieto, determinado. No paro. Na vida, fiz uma competio comigo mesmo: fazer sempre melhor. Jair Braz de Oliveira um homem

    inquieto, sim. E pe determinado nisso! Neto de

    marceneiro, filho de um motorista e de uma dona

    de casa, venceu a infncia pobre em Formosa e a

    falta de perspectiva que batia sua porta. Aos 13,

    aprendeu uma profisso. Aos 40, prestou vestibular

    e no parou mais. O que Deus traz pra gente, no

    foge. No foge e agarra-se, ensina Jair, hoje com

    74 anos.

    Era o pai de Jair Jos Braz , que entregava

    a madeira utilizada na obra que ergueu a Escola

    SENAI GO 1. Fazia as viagens diariamente de For-

    mosa a Anpolis. Um dia, na porta do prdio em

    construo, escutou do ento diretor, Ary de Aze-

    vedo: Aqui ser uma escola para se ensinar profis-

    so. Seu Jos lembrou logo do filho adolescente.

    Eu tinha feito at a 4 srie nessa poca e meu pai

    sabia que eu no gostava de estudar, admite, hoje.

    Era do que o menino precisava. Jair mudou-

    -se para o internato da escola. Passava a semana em

    Anpolis e ia para a casa aos sbados e domingos.

    Ingressou primeiro no curso de marcenaria, se-

    guindo vocao do av marceneiro, mas no meio

    do caminho operou um torno pela primeira vez,

    descobrindo que tinha jeito mesmo era para a me-

    cnica. Eu era um matuto, um roceiro. Foi no SE-

    NAI que eu descobri o mundo dos estudos.

    Antes mesmo de se formar em mecnica, es-

    famlia braz: pai, filho e neto, todos profissionais do seNAI

    Jair Braz, Edmo e Joo Victor: de pai para filho, desde 1951, histria de superao e forte relao com o SENAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 57

    tava empregado. Irmos Carpaneda era uma ofi-

    cina mecnica de fundio. Foi meu primeiro em-

    prego depois que peguei meu diploma no SENAI.

    Virei at capa no jornal l de Formosa, lembra. O

    pai faleceria dois anos mais tarde. Fiquei de conta

    da famlia. Mas as coisas no saram exatamente

    como planejara. Perdeu aquele emprego e, para

    manter tudo em ordem, passou a furar cisternas na

    cidade onde morava.

    At que um dia algum chegou pra mim e

    disse: Voc tem profisso! Logo veio a lembrana

    da infncia difcil e do empenho do pai para que es-

    tudasse no SENAI. Foi o suficiente para que fosse

    em busca de um emprego onde ele pudesse fazer

    o que aprendeu. Fui trabalhar na oficina do Joo

    Trancone. Assumi o torno e nunca mais deixei a

    profisso, conta.

    Mais tarde, recorda-se, voltou a encontrar o

    professor Ary de Azevedo na porta de sua antiga

    escola. Ele lembrou-se do ex-aluno e o chamou

    para ajudar na fabricao do material necessrio

    abertura da segunda escola do SENAI em Gois,

    o ento Centro de Formao Profissional talo Bo-

    logna, em Goinia hoje Faculdade de Tecnologia

    SENAI talo Bologna. Passei a instrutor da escola.

    Junto com os alunos, fizemos toda a parte de metal

    para a obra do talo Bologna.

    Mas Jair precisava passar pela seleo oficial

    da escola. O SENAI, ento, realizou um concurso

    para contratar 18 professores. Passei em primeiro

    lugar em todas as reas, mas fui reprovado em ma-

    temtica. Ganhei seis meses para fazer as provas

    novamente. Estudei igual um condenado, mas pas-

    sei, sorri. Mas foi somente aps os 30 anos, aten-

    dendo a exigncia do SENAI, que Jair voltou para

    a escola. Fiz o curso de madureza em seis meses

    e entreguei meu diploma de segundo grau hoje,

    ensino mdio. Aos 39, prestou vestibular para Eco-

    nomia, aos 43 se formou. Aos 44, ingressou no cur-

    so de Pedagogia. Aps concluir, fez ps-graduao

    em Administrao.

    O SENAI percebia o empenho de Jair com os

    Jair Braz, na oficina de tornearia do SENAI no comeo da dcada de 50, e a ficha de matrcula no curso preparatrio, inicialmente em marcenaria

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |58

    estudos e com a prpria instituio. Assim, ele foi

    assumindo diversas funes. De instrutor em An-

    polis, passou a diretor da escola de Goinia. Diri-

    giu o centro de formao por uma dcada, entre

    1981 e 1991, quando saiu para construir, montar e

    abrir as portas da escola do municpio de Itumbia-

    ra, no Sul do Estado.

    Morando na escolaComo era comum naquela poca, Jair ficou

    morando com a famlia numa casa nos fundos do

    prdio onde funcionava o Centro de Formao

    Profissional talo Bologna. Foi l que Edmo Braz

    de Oliveira, 36 anos, cresceu e foi l que, assim

    como o pai, tambm aprendeu uma profisso.

    No era fcil ser filho do dira diretor , mas eu

    me esforava, brinca. Edmo tinha 13 anos, assim

    como o pai, quando ingressou no curso de mec-

    nica da instituio.

    Aps trabalhar em uma torneadora em Goi-

    nia, atuou em outras reas. Ingressou no curso de

    Engenharia Mecnica e em 2004, quando j mo-

    ravam em Anpolis, convidou o pai para monta-

    rem o prprio negcio. Compraram as mquinas.

    Nascia a Torneadora J3. uma homenagem ao

    meu pai. Era o nome que ele usava na poca que

    fazia o transporte de madeira de Formosa para

    Anpolis, explica Jair.

    Paralelamente ao trabalho na empresa, o ex-

    -aluno Jair continuou dando sua parcela de con-

    tribuio aos futuros profissionais. Nunca deixou

    de dar aulas no SENAI. No tenha dvida de

    que 90% dos profissionais da rea de usinagem

    na regio de Anpolis tiveram aulas com meu pai

    e aprenderam com ele a profisso, afirma Edmo.

    Ele tem uma didtica diferente para ensinar.

    Quem comea o curso, sempre termina.

    E quem acaba de comear o curso no SENAI

    o neto de Jair. Joo Victor Gomes Braz, 14 anos,

    segue os caminhos do pai e do av. Era meu

    desejo e tambm tem a influncia dos dois. Sei o

    que o SENAI representa para eles e sei que passar

    pela formao profissional vai me ajudar, tambm,

    assim como os ajudou, diz o adolescente, que

    cursa eletromecnica enquanto termina o ensino

    mdio numa unidade do SESI de Anpolis. Meu

    av tem uma histria de superao que eu admiro

    muito. E sei que muito disso ele deve ao SENAI,

    completa.

    Eu devo tudo ao SENAI. Quando que eu

    pensava em chegar a diretor de uma escola? Eu era

    um menino da roa. O SENAI me preparou para

    o trabalho, para a vida, diz Jair, com a simplicidade

    de quem se lembra de, no dia 9 de maro de 1952,

    ao lado dos pais Jos Braz e Gensia, ter sido cum-

    primentado com um aperto de mo por Roberto

    Mange, durante a inaugurao da pioneira escola

    da instituio em Gois.

    Aluno, instrutor e diretor no SENAI, Jair Braz se lembra com orgulho de ter cumprimentado Roberto Mange na inaugurao da escola pioneira

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 59

    Os arcos da fachada so os mesmos, mas a antiga Escola SENAI GO 1, no. A primei-ra unidade de formao profissional do SENAI

    no Estado mudou. Ao longo das ltimas dcadas,

    transformou-se, modernizou-se, acompanhou o

    desenvolvimento da regio em que est inserida,

    olhou para o futuro.

    A primeira grande mudana ocorreu em 1980,

    quando uma ampla reforma expandiu o espao f-

    sico, substituiu equipamentos e permitiu a implan-

    tao de novos laboratrios. Da estrutura original

    foram mantidos os arcos atrs de uma nova fa-

    chada inspirados nas escolas paulistas, destaca o

    atual diretor da unidade, Francisco Carlos Costa.

    No dia 31 de julho de 1980, a escola, reforma-

    da e ampliada, foi reinaugurada, coincidindo com

    os festejos do 79 aniversrio de Anpolis. Antes, no

    dia 25 de julho, a unidade recebeu a visita do ento

    ministro-chefe do Gabinete Civil da Presidncia

    da Repblica, Golbery do Couto e Silva, homem

    forte do ltimo governo militar, do general Joo

    Baptista Figueiredo. Era o SENAI se preparando,

    assim, para as necessidades de uma indstria em

    transformao nas reas de mecnica, eletrni-

    ca, qumica industrial, segurana do trabalho e

    telecomunicaes.

    Foi na dcada de 1990 que a ento Escola

    SENAI Roberto Mange, mais uma vez atenta s

    necessidades da indstria, iniciou nova fase ao ofe-

    recer vagas em cursos tcnicos nas reas em que j

    dos aprendizes aos tecnlogos

    Ministro-chefe da Casa Civil no governo do general Joo Figueiredo, Golbery do Couto e Silva visita a Escola SENAI Roberto Mange, recm-reformada, em 1980, acompanhado do ento prefeito de Anpolis, Wolney Martins (fotos ao lado e abaixo)

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |60

    A reinaugurao da Escola SENAI Roberto Mange, em 1980, reuniu autoridades e empresrios. Da estrutura original, foram mantidos os arcos atrs de uma nova fachada inspirados nas escolas paulistas

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 61

    Engenheiro Falco Bauer, do instituto do mesmo nome, de So Paulo, que orientou a reforma da Escola SENAI Roberto Mange, discursa em sua reabertura, em 31 de julho de 1980, coincidindo com o 79 aniversrio de Anpolis

    Ento presidente da FIEG, Jos Aquino Porto, entre Waldyr ODwyer, Jefferson Bueno e Venerando Freitas Borges, fala na mesma solenidade

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |62

    atuava, at ento, com aprendizagem, qualificao

    e aperfeioamento.

    Em 2004, graas a portaria do Ministrio da

    Educao, a antiga escola se transforma em Fa-

    culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange,

    mantendo, paralelamente, o conceito tradicional

    de formao. A unidade, ento, passa a formar tec-

    nlogos em Qumica Frmaco-Industrial, suporte

    importante dado expanso significativa do polo

    de indstrias farmacuticas instaladas no Distrito

    Agroindustrial de Anpolis (Daia). Faculdade com

    conceito A, atestado pelo Ministrio da Educao.

    E como o futuro logo ali, se prepara, agora, para

    mais um passo: transformar-se em Instituto de

    Educao Tecnolgica SENAI Roberto Mange.

    Com a atual estrutura, a Fatec de Anpolis

    atende, com seus cursos e servios, populao

    que vive e trabalha em 49 municpios goianos,

    entre eles Abadinia de Gois, guas Lindas de

    Gois, Alexnia, Cabeceiras, Campo Limpo,

    Cidade Ocidental, Corumb de Gois, Formo-

    sa, Gameleira de Gois, Goianpolis, Jaragu,

    Luzinia, Novo Gama, Ouro Verde, Pirenpolis,

    Santo Antnio do Descoberto e Valparaso. Em

    2011, o nmero de alunos concluintes da faculda-

    de chegou a 5,9 mil.

    A rea construda, de mais de 13 mil metros

    quadrados, constitui hoje em ambiente ideal para

    a qualidade de ensino a que se prope oferecer a

    Fatec SENAI Roberto Mange: auditrio para 200

    pessoas; 15 laboratrios automao industrial,

    informtica, microbiologia, eletroeletrnica, ele-

    trnica de potncia, metrologia, pneumtica, de

    alimentos, de qumica, entre outros ; marcenaria;

    oficinas de eletroeletrnica, de mecnica automo-

    tiva, de solda eltrica e demais espaos.

    Alunos em atividades na rea de eletroeletrnica na hoje Fatec SENAI Roberto Mange: nova estrutura

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 63

    Transformada em Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange em 2004, antiga escola passa a formar tecnlogos em Qumica Frmaco Industrial, suporte expanso do polo de indstrias da rea

    No centro de usinagem, os velhos tornos

    mecnicos ainda esto l, como a testemunhar os

    avanos experimentados pela escola pioneira. Mas

    ao lado deles, equipamentos de ponta, tornos ele-

    trnicos controlados numericamente, nos quais os

    trabalhadores se preparam para a jornada l fora.

    O antigo galpo, ao fundo do terreno, que por

    anos serviu de moradia para centenas de meninos

    vindos de vrias cidades, distritos, povoados da re-

    gio de Anpolis para aprender uma profisso no

    SENAI, agora abriga um espao para ensino de

    eletroeletrnica. Mas tambm passar por ampla

    reformulao a partir da transformao da Fatec

    em Instituto de Tecnologia.

    A escola promoveu o desenvolvimento de

    Anpolis, no s em seu entorno, mas em toda sua

    extenso. interessante perceber como o SENAI

    mexeu com esta regio. Os bairros a sua volta, o

    comrcio, os prdios pblicos... tudo veio depois do

    SENAI, frisa o diretor Francisco Carlos Costa.

    E a Fatec SENAI Roberto Mange, claro, est

    em festa. Afinal, os 60 anos da instituio em Goi-

    s, comemorados em 2012, coincidem com os 60

    anos de fundao da unidade, pontap de uma

    longa trajetria.

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    seNAI roberto mANge:de ArY AZevedo A frANCIsCo CArlos

    Desde que foi fundada, em 9 de maro de 1952, a ento Escola SENAI GO 1, hoje Faculdade de Tec-nologia (Fatec) SENAI Roberto Mange, foi administrada por cinco diretores: Ary Azevedo, Mrio de Oliveira, Joo Francisco da Silva Mendes, Jos Fernandes Sobrinho e Francisco Carlos Costa. Este captulo

    dedica-se a contar um pouco da trajetria desses homens, demonstrando como os caminhos de suas vidas

    cruzaram com o do SENAI.

    Difcil algum falar sobre a histria do SENAI

    sem se lembrar daquele que primeiro dirigiu a Es-

    cola SENAI GO 1, em Anpolis. Homem austero

    e profissional de primeira grandeza, o professor Ary

    Azevedo, nascido em Guanabara (RJ), em 1911,

    atendeu pedido pessoal de Euvaldo Lodi, ento

    diretor nacional do SENAI, para acompanhar a fi-

    nalizao das obras da unidade pioneira de Gois,

    abrir suas portas para a comunidade e administr-

    -la por quase duas dcadas, de 1948 a 1966.

    Nessa poca, sua relao com o mundo do

    trabalho na indstria remontava ao final da dcada

    de 1920. Tinha 17 anos quando foi admitido, em ja-

    neiro de 1928, como aprendiz na seo de tornearia

    da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil impor-

    tante companhia ferroviria brasileira em Bauru

    (SP). Nessa condio, passou tambm pela seo

    de ajustagem da companhia, chegando a ajudante,

    trs anos mais tarde. Enquanto aprendia o ofcio

    de mecnico, durante o dia, matriculou-se, noite,

    em cursos tcnicos, como o de contabilidade.

    Mais velho, lecionava as disciplinas de Hist-

    ria e Geografia para alunos adolescentes, quando

    foi chamado para trabalhar nos escritrios da Estra-

    da de Ferro de Trs Lagoas (MT). Estava l quando

    a companhia viabilizou a fundao do Centro de

    Formao Profissional na regio. Houve eleio

    para escolha do diretor do centro. Aprovado pela

    maioria, o professor Ary Azevedo assumiu, perma-

    necendo no cargo at 1945. Trs anos depois, ao

    participar de uma reunio em So Paulo, recebeu

    o convite do diretor do SENAI, Euvaldo Lodi, para

    assumir a primeira escola da instituio em Gois,

    na cidade de Anpolis.

    O professor Ary Azevedo lembrou, em mate-

    rial escrito de prprio punho por ele, em 2002, por

    ocasio dos 50 anos da instituio em Gois, que a

    Escola SENAI GO 1 abriu as portas seis meses an-

    Ary Azevedo 1948-1966

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 65

    tes da inaugurao oficial. Quarenta alunos, entre

    internos e semi-internos, j estavam matriculados e

    estudando quando ocorreu a grande e oficial festa

    de abertura da escola em Anpolis. Em 1951, dei-

    xou Trs Lagoas e mudou-se definitivamente para

    Gois mais especificamente para Anpolis ,

    com a famlia.

    frente da escola, permaneceu at 1966. Sua

    vida era o SENAI, dissera o ex-aluno e empres-

    rio de Anpolis Eurpedes Monteiro Alarco, de 72

    anos. Lembro-me como se fosse hoje de ser rece-

    bido pelo professor Ary Azevedo na primeira visita

    que fiz escola, conta o capito WaldyrODwyer,

    de 95, tambm empresrio em Anpolis. ramos

    amigos. Meu irmo j estudava no SENAI. O pro-

    fessor Ary ento me convidou para fazer o concur-

    so para professor, recorda-se o ex-funcionrio da

    ento Escola SENAI GO 1 Acari dos Santos Dias,

    de 80 anos.

    Enquanto diretor do SENAI Roberto Mange,

    chegou a acumular a funo de delegado regional,

    quando o Departamento Regional (DR) foi funda-

    do em Gois, em 1958. E aps quase 20 anos em

    Anpolis, o professor Ary Azevedo mudou-se para

    Goinia, em setembro de 1966, para dirigir a se-

    gunda unidade do SENAI construda no Estado,

    o ento Centro de Formao Profissional talo Bo-

    logna, inaugurada oficialmente em 24 de maro de

    1968. Tambm no texto manuscrito pelo professor,

    Ary Azevedo lembra que a escola j nasceu tendo

    em suas oficinas um dos mais modernos equipa-

    mentos para impresso, uma impressora off-set de

    ponta para os padres da poca.

    A histria do SENAI no Estado confunde-

    -se com a prpria histria desse carioca de nasci-

    mento, mas que adotou Gois como sua primeira

    casa. Aqui sua famlia cresceu e aqui Ary Azevedo

    pde dar sua enorme contribuio para o desen-

    volvimento da indstria goiana, no que se refere

    formao da mo de obra qualificada para esse

    fim. Aposentou-se em 1979, deixando para trs um

    legado jamais esquecido.

    Ary Azevedo acompanhou as obras de construo da Escola SENAI GO 1 desde 1948, bem antes de sua abertura oficial, em 1952, e permaneceu frente dela at 1966

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |66

    O ex-seminarista e professor de clarinete

    Mrio de Oliveira nasceu em Ipameri (GO), mas

    ainda na juventude mudou-se para Anpolis, onde

    casou-se. Em casa administrava os dez filhos e, na

    Escola Roberto Mange, onde foi diretor, era tido

    como um paizo, conta um deles, Mrio de Oli-

    veira Filho, de 56 anos, instrutor de Segurana do

    Trabalho e Transporte Rodovirio na hoje Faculda-

    de de Tecnologia SENAI Roberto Mange.

    Meu pai era muito ponderado e extremamen-

    te humano. Estava pronto para atender a qualquer

    um que chegasse perto dele, sem distino, conta

    o filho. Tambm era muito dedicado ao trabalho.

    Viajou, estudou, aperfeioou-se. Quando era dire-

    tor, chegou a ficar quatro meses em Turim, na It-

    lia, fazendo um curso de aperfeioamento, afirma.

    Naquela poca, lembra Mrio de Oliveira Fi-

    lho, os diretores moravam em uma casa que ficava

    no mesmo terreno da unidade. A escola era a casa

    dele, a nossa casa. Era assim que ele se sentia e ns

    tambm, descreve. Mrio de Oliveira Filho apren-

    deu a amar o SENAI pelas mos do pai.

    Como ex-aluno, o hoje instrutor passou pelos

    cursos de torneiro mecnico, mecnica industrial,

    tcnico de segurana do trabalho, entre outros. Ao

    se formar como tcnico em segurana do trabalho,

    foi convidado pela ento coordenadoria de cursos,

    em 1987, para iniciar os trabalhos como instrutor no

    ramo e tambm na rea de transporte rodovirio,

    em Anpolis.

    Assim como o pai, Mrio de Oliveira Filho

    sente orgulho da histria que construiu no SENAI.

    Esta uma instituio de fato, na prtica, que tem

    a formao profissional e humana como objetivo

    central. O SENAI assume valores e filosofia con-

    dizentes com instituies de ensino profissional de

    pases desenvolvidos. Uma instituio que se preo-

    cupa com a melhoria constante da formao e do

    bem-estar da coletividade, observa.

    Em 1976, Mrio de Oliveira aposentou-se

    como diretor da Escola SENAI Roberto Mange,

    em Anpolis.

    mrio de oliveira 1966-1976

    A ideia e a defesa

    Foi to entusistica e ardorosa a argumentao do emrito educador (Arcebispo Dom Emanuel Gomes de Oliveira), perante as indstrias e ao Departamento Nacional do SENAI, que os dirigentes nacionais do rgo no s concordaram em aceitar a ideia, em princpio de realizao inexequvel, como tambm, contrariamente a todos os princpios econmico-financeiros, tomaram a deliberao de destinar fundos das reservas destinadas s regies deficitrias, j existentes, para concederem os recursos pertinentes concretizao das aspiraes dos dois idealistas, Roberto Mange e Dom Emanuel.

    Mrio de Oliveira, ento diretor da Escola SENAI GO 1, em relatrio de 1967, em que descreve com paixo o que foram os esforos dos principais idealizadores da construo da unidade pioneira.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 67

    O professor Joo Francisco da Silva Mendes

    estava l, no ento Centro de Formao Profissio-

    nal Roberto Mange, quando ele completou a maio-

    ridade. Logo depois, em 1976, assumiria a direo

    da unidade, em sua primeira fase, que duraria at

    1985, retornando, mais tarde, em 1997, permane-

    cendo at 2005.

    Aps cinco anos de sacerdcio, primeiro em

    Portugal e depois no Brasil, o professor enxergou

    no SENAI a mesma vocao da Igreja. Viu afinida-

    de entre a instituio religiosa e a instituio de en-

    sino, o que o fez buscar a segunda quando deixou a

    primeira. Ambas tm, segundo analisa, a misso de

    servir, de ajudar a juventude a caminhar.

    Joo Francisco deixou o sacerdcio no dia 10

    de setembro de 1972. Dois dias depois, procurava

    o SENAI. Em 14 de setembro daquele ano assu-

    mia o cargo de orientador educacional da Escola

    Roberto Mange por intermdio do ento coorde-

    nador administrativo financeiro do Departamento

    Regional, Paulo Vargas. Recomeando, chegou a

    morar num dos quartos da escola. Em 1974/75, foi

    incumbido pelo ento diretor regional, Jeov de

    Paula Rezende, da misso de administrar o Centro

    de Formao Profissional Araguana, hoje Estado

    do Tocantins.

    Em 1976, ento, assume a direo do SENAI

    Roberto Mange. Foi sob sua gesto que a unidade

    cresceu, agigantou-se. Em 1980, comandou a am-

    pla reforma da unidade, realizada sob a orientao

    do Instituto Falco Bauer, de So Paulo. Lembra

    que, na obra, foram mantidos e preservados os ar-

    cos originais da construo a partir de ento atrs

    de uma nova fachada construda , uma marca das

    primeiras escolas do SENAI no Brasil, moderni-

    zando, por outro lado, as demais instalaes.

    Em 1985 abraa outra misso, a convite de

    Paulo Vargas, a de assumir a direo-tcnica do

    SENAI Gois-Tocantins, funo que ocupou at

    1997, quando retorna direo da escola de Anpo-

    lis, que sob sua administrao, obtm certificao

    ISO 9000, conquista celebrada por ocasio dos 50

    anos do SENAI em Gois, em 2002.

    A partir da segunda metade da dcada de

    1970, coube ao SENAI de Anpolis intensificar os

    cursos tcnicos. At ento, a unidade se dedicava

    basicamente aos cursos de aprendizagem e aper-

    feioamento. Uma exigncia da prpria indstria,

    que se expandia, se diversificava, sobretudo aps

    a fundao do Distrito Agroindustrial de Anpolis

    (Daia), em 1977. Em 2004, no ano que antecedeu

    sua sada, a escola muda de status, tornando-se Fa-

    culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange.

    Aproveitando um programa de demisso vo-

    luntria da instituio e considerando que, naquela

    poca, j havia oferecido ao SENAI sua contri-

    buio como educador, Joo Francisco se desliga

    do Servio Nacional de Aprendizagem Industrial.

    Passou a atuar como consultor e prestando assis-

    tncia em algumas reas, quando solicitado. Mas

    no por muito tempo. Em 2009, mais uma vez

    atendendo ao chamado do amigo Paulo Vargas,

    assumiu a direo da Faculdade de Tecnologia SE-

    NAI de Desenvolvimento Gerencial (Fatesg), em

    Goinia, onde permanece.

    Como colaborador da instituio, visitou dez

    pases da Amrica Latina onde h rgos que tm o

    SENAI como modelo. Esteve tambm na Frana,

    Joo francisco da silva mendes 1 fase, 1976-1985 / 2 fase, 1997-2005

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |68

    O professor Jos Fernandes Sobrinho, de 67

    anos, substituiu o professor Joo Francisco da Silva

    Mendes na direo do ento Centro de Formao

    Profissional Roberto Mange entre sua primeira e

    segunda gesto. Conta que em 1967, quando con-

    clua o ensino mdio, um professor do Colgio

    Estadual Jos Ludovico de Almeida, em Anpolis,

    que tambm dava aulas para os alunos do SENAI,

    sugeriu que ele fizesse a seleo para professor de

    matemtica na instituio. Naquela poca eu j

    lecionava a disciplina em cursos preparatrios para

    os exames de madureza espcie de curso para

    jovens e adultos , o que me incentivou a prestar o

    concurso, conta Jos Fernandes.

    At ento, alm das aulas de matemtica, tra-

    balhava numa ourivesaria que pertencia famlia.

    Mas a concorrncia com as indstrias de joias e bi-

    juterias era grande demais, o que me levou a buscar

    uma alternativa profissional. Tornei-me professor,

    relata. E, assim, o jovem Jos Fernandes se apro-

    xima do SENAI, instituio com quem manteria

    uma longa histria de afinidade, respeito e gratido.

    J na escola, fez carreira. Foi professor e co-

    ordenador-pedaggico; encarregado do setor de

    Treinamento e supervisor de Ensino no Departa-

    mento Regional; vice-diretor e diretor do Centro

    de Formao Profissional Roberto Mange. Para

    melhor desempenhar minhas funes, participei

    de muitas atividades. Era preciso conhecer a fundo

    a metodologia de ensino. Na qualidade de aluno,

    passei por cursos nas reas de mecnica e eletr-

    nica, por exemplo. Enquanto estive no SENAI,

    foram mais de 50 aes, incluindo seminrios e

    congressos, cita.

    Atuou como um facilitador dos convnios rea-

    lizados com demais instituies de ensino e com o

    setor produtivo de Anpolis, aproximando-se cada

    vez mais das indstrias que integravam o Daia, no

    sentido de atender s demandas apresentadas pelo

    setor. Dirigiu a escola Roberto Mange de 1 de

    novembro de 1985 a 30 de abril de 1997.

    Mora em Anpolis e trabalha atualmente

    como autnomo na elaborao de projetos de

    Engenharia. Possui licenciatura plena em Ma-

    temtica, Fsica e Desenho; ps-graduao em

    Matemtica; habilitao em Engenharia Civil e

    especializao em Engenharia de Segurana do

    Trabalho.

    Itlia e Alemanha, em misso tcnica, e no conti-

    nente africano em duas ocasies para auxiliar na

    implantao de escolas com papel similar ao do

    SENAI no Brasil.

    Ao conhecer, eu passei a amar o SENAI, seus

    valores, sua filosofia, sua vocao. Sou um educa-

    dor. E como educador, impossvel no admirar a

    linda histria dessa instituio, diz o professor Joo

    Francisco que, quase trs dcadas depois, continua

    dedicando a maior parte das horas do seu dia ao

    SENAI. Este servio foi criado pelos empresrios

    brasileiros tendo como base um conceito humanis-

    ta. Forma-se no s o trabalhador, mas o homem,

    sua conscincia, sua cidadania. Nesse esprito, eu

    at hoje me encanto com o SENAI. E saiba: se eu

    dei alguma coisa a ele, recebi muito mais.

    Jos fernandes sobrinho 1985-1997

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 69

    Os primeiros dias de 2012 foram de correria,

    mas tambm de muita satisfao na Faculdade

    de Tecnologia SENAI Roberto Mange. A unida-

    de precisava ficar bem bonita, no dia 9 de maro,

    pronta para celebrar os 60 anos do SENAI em

    Gois, que coincidem com os 60 anos da unidade

    pioneira da instituio no Estado. Sob a batuta do

    atual diretor, Francisco Carlos Costa, a Fatec Ro-

    berto Mange se preparou e encantou os visitantes,

    alunos, ex-alunos de outrora, empresrios e autori-

    dades, em meio a foguetrio, bolo de aniversrio e

    tapete vermelho.

    O professor Francisco nasceu em Leopoldo

    de Bulhes, mas h 50 anos Anpolis sua casa. E

    a primeira vez que teve a carteira assinada tinha 14

    anos. Era menor aprendiz do SENAI e foi admitido

    na indstria txtil do municpio. Naquela poca,

    fiz todo o curso dentro da prpria empresa, lem-

    bra. At 1975 o rapaz, tido a qualificao profissio-

    nal no SENAI, permaneceu na mesma indstria.

    Passou, posteriormente, por vrias empresas.

    Foi auxiliar de pessoal e gerente de recrutamento

    de pessoal na Cebrasa, cervejaria administradora

    da Brahma, onde permaneceu por dez anos. De-

    pois, passou pela Onogs, onde atuou na mesma

    rea, e presidiu a Sociedade Goiana de Recursos

    Humanos. Quando estava na Cebrasa, Francisco

    era o responsvel, na empresa, pelos convnios fir-

    mados com o SENAI para o recrutamento de no-

    vos profissionais formados na escola.

    Em 1995, trabalhava no Grupo Coplaven,

    tambm em Anpolis, quando foi convidado pelo

    ento diretor da Escola SENAI Roberto Mange,

    Joo Francisco da Silva Mendes, para assumir

    na unidade a funo de agente de relaes com

    o mercado. Ele passaria, agora, para o outro lado

    dessa relao entre instituio de ensino e setor in-

    dustrial. De cliente do SENAI, passei para o outro

    lado do balco, exemplifica. Permaneceu nesta

    funo por dez anos e no deixaria mais o SENAI.

    Na unidade de Anpolis, aps assumir ou-

    tras funes, substituiu o professor Joo Francisco

    na direo geral, em 2006. Viu a Fatec SENAI

    Roberto Mange crescer e se expandir. um

    aprendizado todos os dias. Trabalhamos muito

    para atender s necessidades da indstria de hoje,

    formando profissionais com alto nvel de conheci-

    mento, afirma. Vivo essa realidade 24 horas do

    meu dia, acentua.

    Francisco Carlos Costa formado em Direi-

    to e cursa atualmente Pedagogia, encorajado, so-

    bretudo, pelo papel que exerce no SENAI. Possui

    ainda ps-graduao em Gesto em Educao e

    Gesto em Qualidade. Tem 57 anos.

    francisco Carlos Costa a partir de 2006

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |70

    O Ribeiro das Antas, s margens do qual nas-ceu o SENAI em Anpolis, serviu de guia para os antigos viajantes que aportaram na regio

    em busca do ouro. O curso dgua foi a referncia

    para o surgimento das primeiras propriedades ru-

    rais e, mais tarde, j na segunda metade do sculo

    19, da Vila de Santana das Antas, uma homena-

    gem santa padroeira da futura cidade e ao velho

    riacho-guia.

    capela construda por um dos fundadores

    da antiga vila, Gomes de Sousa Ramos, juntaram-

    -se outros moradores, atrados pela devoo Nossa

    Senhora de Santana. Consta de 1872 a redao de

    um documento pelo ento proco do lugar, o padre

    Francisco Incio da Luz, pedindo ao ento presiden-

    te da Provncia de Gois, Antero Ccero de Assis, a

    elevao do povoado a Freguesia de Santana. De

    acordo com registros histricos da poca, o docu-

    mento foi assinado pelo padre, por Gomes de Sousa

    Ramos e por 265 pessoas que j viviam no lugar. Em

    1892, a Freguesia de Santana deu lugar vila. E na

    primeira dcada do sculo 20, em 1907, a Vila de

    Santana se torna a cidade de Anpolis.

    O posicionamento estratgico do novo aglo-

    merado urbano, para estudiosos, foi o que confe-

    riu a Anpolis a vocao que mais tarde se con-

    firmaria. Integrante do mais importante eixo de

    desenvolvimento na Regio Central do Brasil, o

    eixo Goinia-Braslia, e estando na confluncia de

    importantes vias de trfego rodovirio, Anpolis se

    tornou referncia para quem passava por aqui, indo

    e vindo de centros j desenvolvidos nos Estados de

    Minas Gerais e So Paulo, por exemplo.

    Com a extenso dos trilhos da estrada de ferro

    ANPolIs, ANtes e dePoIs do seNAI

    Antiga vista area de Anpolis, com destaque para a Rua General Joaquim Incio, uma das principais da cidade, cujo adensamento urbano se acelerou com a extenso dos trilhos da estrada de ferro (abaixo), em 1935.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 71

    Celeiro de mecnicos

    O SENAI Roberto Mange foi um verdadeiro celeiro de mecnicos de motor a diesel. Ali se formaram os primeiros do Centro-Oeste.

    Waldyr ODwyer, empresrio, proprietrio da concessionria Anadiesel, de Anpolis, ao lembrar que buscou contribuir com a doao de novos equipamentos sempre que houvesse necessidade em funo da modernizao tecnolgica nos motores da Mercedes Benz.

    at Anpolis, em 1935, o adensamento da cidade se

    acelerou e as primeiras indstrias comearam a se

    instalar ali, sobretudo para dar conta das inme-

    ras demandas que surgiam com o crescimento do

    nmero de habitantes, construes e casas comer-

    ciais. Um processo que se acelerou ainda mais, na-

    turalmente, em decorrncia da construo da nova

    capital de Gois, Goinia, e, depois, Braslia. E foi

    mesmo a posio estratgica da cidade de An-

    polis a provocar o interesse da indstria. A Escola

    SENAI GO 1 nasce nesse contexto e d a quela

    nova indstria as condies necessrias s transfor-

    maes experimentadas.

    Quem conheceu de perto essa trajetria se

    emociona ao lembrar-se da Anpolis que existia

    antes da chegada do SENAI e no que a cidade se

    transformou a partir da dcada de 1950. Aquela

    escolazinha se tornou faculdade, formando tec-

    nlogos da mais alta qualidade para atender a um

    moderno polo industrial. At hoje, quando passo

    em frente quela velha fachada, que continua a

    mesma de quando a escola foi aberta, sinto um ar-

    repio de emoo os arcos da construo inicial

    foram mantidos, agora sob uma nova fachada im-

    plantada na reforma de 1980. Quem diz o em-

    presrio Waldyr ODwyer, de 95 anos, ex-capito

    do Exrcito.

    Com 50 anos vivendo em Anpolis, ele par-

    ticipou ativamente da vida do SENAI. De militar,

    passou a industrial. Construiu a primeira cmara

    frigorfica de Gois conta para transportar

    carne resfriada para outros Estados. Nessa poca,

    ainda vivia em Ipameri, mas estava quase diaria-

    mente em Anpolis, onde tambm tinha negcios,

    e lembra-se bem de quando a escola comeou a

    ser construda. Lembro-me tambm da chegada

    das primeiras mquinas, que vieram da regional

    de So Paulo.

    Aps algum tempo no ramo frigorfico, o

    empresrio fundou, em 1963, a Anadiesel, con-

    cessionria da Mercedes Benz em Anpolis, antes

    mesmo do surgimento do Distrito Agroindustrial

    de Anpolis (Daia), razo pela qual estreitou sua re-

    lao com os administradores do SENAI. Como

    sempre oferecemos servios aos nossos clientes,

    tnhamos interesse na formao de mecnicos.

    Comeava, ento, minha longa histria como par-

    ceiro do SENAI de Anpolis, diz.

    Foi o capito Waldyr como conheci-

    do quem doou ao ento Centro de Formao

    Profissional Roberto Mange o primeiro motor a

    diesel da unidade, bem como todo o maquinrio

    necessrio ao ensino da mecnica a diesel naquela

    unidade. Os alunos do SENAI faziam seu est-

    Fbrica de tecidos em Anpolis: posio estratgica da cidade, no centro do Pas, atrai indstrias e leva instalao do SENAI, no final da dcada de 40

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |72

    gio na Anadiesel. Os primeiros e melhores alunos

    tiveram emprego garantido na empresa, lembra.

    Assistir ofuncionamento do Distrito Agroin-

    dustrial de Gois em Anpolis, trazendo conside-

    rvel desenvolvimento para nossa cidade e para o

    Estado de Gois, foi um sonho realizado. E muito

    disso, devemos ao SENAI, reconhece. Sempre

    tive satisfao em ver que aquele trabalho, que no

    comeo era praticamente artesanal, se transfor-

    mou em um ensino com alto grau de tecnologia.

    O SENAI foi um propulsor da indstria, cresceu

    junto com ela, atendeu s suas necessidades, sem-

    pre. O desenvolvimento da indstria em Gois

    deve muito ao SENAI de Anpolis, afirma.

    Uma indstria que no representaria o que

    hoje, no fosse a instalao daquela unidade for-

    madora de mo de obra especializada, destaca ou-

    tro membro da comunidade, o comerciante Sultan

    Falluh, de 81 anos, 68 deles vivendo em Anpolis.

    Tinha 22 quando Roberto Mange esteve na cidade

    para inaugurar a escola do SENAI. Uma cidade,

    lembra, com poucas ruas asfaltadas e baixa cober-

    tura de saneamento. A notcia de que Anpolis

    ganharia uma escola daquele porte foi um aconte-

    cimento importantssimo para o desenvolvimento

    urbano da cidade, destaca.

    A famlia Falluh deixou o Rio de Janeiro para

    se estabelecer em Anpolis atrada por notcias,

    de outros parentes que vieram primeiro, de que o

    municpio era rico em cristais. Meu pai sempre

    foi do comrcio e precisava estar em locais onde

    se aglomeravam pessoas. O irmo dele tinha vindo

    primeiro. Ele veio em seguida, conta. Em Anpo-

    lis, abriram a Casa Seis Irmos, em aluso aos seis

    filhos do patriarca dos Falluh. A Anpolis caberia,

    ressalta o comerciante, construir Goinia e Bra-

    Doao de dois motores Mercedes Benz pela Anadiesel Escola SENAI Roberto Mange, em 1965, reuniu (da esquerda para a direita) o ento diretor regional, Gilson Alves de Souza, o diretor da unidade, Ary Azevedo, o presidente da FIEG, Antnio Ferreira Pacheco, Antnio Fbio Ribeiro, Hlio Naves, Waldyr ODwyer, entre outros

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 73

    slia. Era muita responsabilidade para uma cidade

    at ento carente at mesmo de escolas, analisa.

    Sultan Falluh era o ento presidente da Com-

    panhia Gois Industrial, bem como acumulava o

    cargo de secretrio de Indstria e Comrcio no

    governo goiano, na dcada de 1970, quando o

    Distrito Agroindustrial de Anpolis foi fundado.

    Em quatro anos, preparamos toda a infraestrutura

    necessria ao funcionamento do Daia e as primei-

    ras indstrias se instalaram. Minha relao com o

    SENAI, que j era bastante estreita em razo de

    eu pertencer Associao Comercial e Industrial

    de Anpolis, se fortificou, numa parceria muito

    valiosa, destaca.

    O comerciante lembra-se de interceder junto

    diretoria da escola para que fossem criados novos

    cursos, como foi o caso do curso de mecnica para

    motor a diesel quando a demanda para este tipo

    de servio cresceu na regio. Lembro de ver os

    motores chegarem escola, os professores e todo o

    maquinrio. Era o SENAI atendendo, como sem-

    pre fez, s necessidades da indstria local, aponta.

    O SENAI formou uma juventude de baixa renda,

    transformando-a em grandes homens, profissio-

    nais de qualidade. Quantos filhos de marceneiros,

    de mecnicos, no se tornaram empresrios, donos

    dos prprios negcios, graas ao SENAI!, diz.

    Foi esta instituio, para Falluh, a alavanca

    para o desenvolvimento da indstria, responsvel

    pela formao de boa parte da mo de obra espe-

    cializada neste setor. A prpria cidade, lembra o

    comerciante, se desenvolveu tambm a partir da

    escola. O limite da rea urbana de Anpolis era

    o Ribeiro das Antas e a estrada de ferro. Com a

    construo da Escola SENAI GO 1, a cidade se

    desenvolveu tambm em outra direo, tornando-

    -se no que hoje. Foi somente aps a construo

    Alunos do SENAI Anpolis marcam presena em desfile da Proclamao da Repblica em 15 de novembro de 1954. No alto, o comerciante Sultan Falluh lembra a instalao da instituio na cidade: Um acontecimento importantssimo para o desenvolvimento urbano

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |74

    da escola que outras reas na regio foram tambm

    loteadas, formando, por exemplo, um dos mais im-

    portantes bairros de Anpolis, o Bairro Jundia.

    O SENAI uma fonte produtora de mo de

    obra especializada que tem ajudado esses anos to-

    dos no progresso e no desenvolvimento da Nao.

    No foi diferente com Gois. um trabalho que

    tem histria e que merece o reconhecimento de

    todos os brasileiros, acentua Wilson de Oliveira,

    presidente da Associao Comercial e Industrial

    de Anpolis (Acia). Para Oliveira, Anpolis nasceu

    com vocao econmica firmada, principalmente,

    na indstria. Destaca que, mesmo antes da implan-

    tao do Daia, em 1976, j havia surgido impor-

    tantes complexos produtivos na regio, sobretudo

    no campo da indstria mecnica e metalrgica e

    tambm na rea da construo civil e eletroeletr-

    nica. E o SENAI, desde o incio, tem sido o grande

    celeiro para a formao de trabalhadores qualifica-

    dos, que preenchem as carncias e necessidades

    das empresas locais e regionais, cita.

    De acordo com Wilson de Oliveira, ao mes-

    mo tempo em que os processos industriais avan-

    avam, o SENAI buscou tambm sua evoluo.

    Novos e importantes cursos foram surgindo para

    preencher as necessidades que vieram com o pro-

    cesso de modernizao da produo. E claro que

    o processo evolutivo no para. A cada momento,

    novas demandas surgem. At aqui, o SENAI cor-

    respondeu, plenamente, aos anseios empresariais

    do setor que atende.

    Presidente da FIEG Regional Anpolis

    (Federao das Indstrias do Estado de Gois),

    Ubiratan da Silva Lopes tambm destaca o papel

    fundamental que o SENAI representou ao longo

    dos anos visando acompanhar as vrias fases da

    industrializao de Anpolis e do Estado. A insti-

    tuio sempre buscou se adequar realidade eco-

    nmica da regio, que naturalmente viveu ciclos

    produtivos diversos ao longo das ltimas dcadas.

    Alguns desses ciclos importantes foram o da in-

    dstria cermica e arrozeira e, mais tarde, a partir

    da expanso do Daia, o dos segmentos farmoqu-

    mico e automotivo. E o SENAI acompanhou de

    perto essas mudanas, atendendo s novas neces-

    sidades do setor produtivo.

    Wilson de Oliveira, presidente da Acia, aponta evoluo constante do SENAI. A cada momento, novas demandas surgem. At aqui, o SENAI correspondeu, plenamente, aos anseios empresariais do setor que atende.

    Vista area recente de Anpolis, com a expanso do Daia para abrigar os segmentos farmoqumico e automotivo: mudanas acompanhadas de perto pelo SENAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 75

    Especificamente em Anpolis, Ubiratan da

    Silva Lopes cita dois exemplos que comprovam

    a importncia do SENAI para a consolidao do

    setor industrial. Segundo ele, a criao do curso

    superior de Tecnologia em Processos Qumicos,

    a partir da transformao da antiga escola em Fa-

    culdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange,

    atende a uma histrica demanda da forte inds-

    tria farmacutica instalada no Daia. O outro foi a

    parceria firmada entre a instituio e a montadora

    Caoa/Hyundai. A partir dela, trabalhadores sele-

    cionados pela empresa tiveram a formao aper-

    feioada, evitando, assim, a importao de mo

    de obra para trabalhar na indstria. Isso mais

    desenvolvimento para a regio.

    Em Anpolis, explica Ubiratan da Silva Lo-

    pes, a FIEG criou seu primeiro ncleo regional,

    em 1999. Hoje, conta com seis sindicatos que

    abrangem os segmentos da alimentao, constru-

    o e mobilirio, vesturio, metalurgia, mecnicas

    e material eltrico, ceramista e farmacutica. Os

    sindicatos e a FIEG Regional, frisa, tm atuado em

    parceria com o SENAI, oferecendo aos associados

    e filiados cursos e servios tcnicos e tecnolgicos

    com o objetivo de auxiliar a indstria no desenvol-

    vimento de produtos, na absoro de novas tecno-

    logias, inovao e qualidade. Essa parceria fun-

    damental, porque os sindicatos, principalmente,

    conhecem a fundo as reais necessidades de cada

    setor e, dessa forma, podem contribuir sugerindo

    cursos, para que o resultado seja o melhor possvel.

    Cada indstria tem uma peculiaridade e, com essa

    parceria, ns procuramos fazer com que as progra-

    maes desenvolvidas estejam mais prximas da

    realidade daquilo que o empresrio est buscando.

    Segundo cita, no setor da construo civil,

    por exemplo, o SENAI ofereceu em 2011 o maior

    nmero de cursos at hoje, tambm atendendo a

    uma demanda local. O Sindicato das Indstrias

    da Construo e do Mobilirio de Anpolis bus-

    cou parceiros para realizao de cursos, tambm,

    contando para isso com a estrutura do SENAI.

    um trabalho feito a vrias mos, mas o objetivo

    um s: atender s necessidades da indstria, que

    contribui de forma excepcional para a economia

    de Anpolis e de Gois, gerando divisas para os

    cofres pblicos e emprego e renda para milhares

    de trabalhadores.

    Transformao da entiga escola na hoje Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange atende a demanda histrica da indstria farmacutica

    Ubiratan da Silva Lopes, presidente da FIEG Regional Anpolis, cita a criao do curso de Tecnologia em Processos Qumicos e a parceria com a Caoa/Hyundai como bons exemplos do papel do SENAI na consolidao do setor industrial

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |76

    Primeiro arcebispo da Igreja Catlica de Gois, Dom Emanuel Gomes de Oliveira nasceu em 9 de janeiro de 1874, em Bene-

    vente, hoje Anchieta, Estado do Esprito San-

    to. Regeu essa instituio de 1923 a 1955,

    tendo completado Bodas de Ouro de Orde-

    nao Sacerdotal em 1951. Na obra Dom

    Emanuel Gomes de Oliveira Arcebispo da

    Instruo (Agepel, 2001), Irm urea Cordei-

    ro de Menezes lembra que onde houvesse

    um povoado, no qual a viso do pioneiro vis-

    lumbrava algum progresso, a erguia um gi-

    nsio. Diz a autora, ainda, que a maior par-

    te dos colgios que pontilham nosso Estado

    fruto do trabalho apostlico do Arcebispo

    da Instruo.

    Para o bispo, que tinha a educao

    como principal ferramenta evangelizadora,

    Igreja cabia abrir uma nova escola onde no

    houvesse uma. Em Anpolis, mesmo, coube

    a ele, tambm, a iniciativa de construo do

    Ginsio So Francisco de Assis, administrado

    pelos padres franciscanos, e o Ginsio Auxi-

    lium, ligado s Irms Salesianas, bem como

    o Ginsio Arquidiocesano Municipal.

    Diz-se que, na fundao de importantes

    colgios catlicos de Goinia, como Ateneu

    Dom Bosco, dos padres salesianos; Santo

    Agostinho, das irms agostinianas; e Exter-

    nato So Jos, das irms dominicanas, h a

    mo apostlica de Dom Emanuel. Nos muni-

    cpios de Gois, inaugurava-se uma parquia

    e, ao lado, uma escola, obra do arcebispo

    Dom Emanuel Gomes de Oliveira. Sua maior

    preocupao era gerar emprego para jovens

    pobres. (1). Morreu em 12 de maio de 1955.

    Grande responsvel pela instalao do SENAI em Gois, Dom Emanuel Gomes de Oliveira tinha a educao como principal ferramenta evangelizadora

    Dom Emanuel, um arcebispo pela Educao

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 77

    Robert Auguste Edmond Mange. Este o nome daquele que revolucionou a educao profissional no Brasil. Roberto

    Mange nasceu em 31 de dezembro de 1885,

    na cidade sua de La Tour de Peilz, canto de

    Vaud, prxima a Vevey, s margens do Lago

    Lman, segundo informa seu neto, Luiz Adriano

    de Carvalho Mange, tecnlogo em mecnica e

    professor aposentado do SENAI de So Paulo

    (SP). No Brasil, desembarcou com 28 anos in-

    completos, em junho de 1913, para lecionar

    na Escola Politcnica de So Paulo (SP), onde

    permaneceu por 40 anos, aposentando-se em

    1953. Sua transferncia teria sido um pedido

    do ento diretor da instituio de ensino,

    engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza,

    conta o neto de Roberto Mange (veja ntegra

    de entrevista nas pginas 79 a 81).

    Roberto Mange, que falava portugus

    fluente, formou-se engenheiro na Escola Poli-

    tcnica de Zurique em 1910. No livro Roberto

    Mange e sua obra, o autor, amigo e parceiro

    de Mange na construo da filosofia do SENAI,

    talo Bologna cita dados biogrficos publicados

    pelo Departamento Regional de So Paulo

    em 1965 sobre a trajetria do engenheiro no

    Brasil. Teria ele idealizado, em 1931, ao lado

    de outros profissionais da poca, o Instituto de

    Organizao Racional do Trabalho (Idort), onde

    o engenheiro j comeava a aplicar as teorias

    relacionadas com o ensino profissional e o de-

    senvolvimento humano.

    Cita a biografia de Mange publicada pelo

    Departamento Regional do SENAI de So

    Paulo: (O Idort era) destinado a aumentar o

    bem-estar social por meio de uma organizao

    adequada a cada setor do trabalho e cada ati-

    vidade; estudar, difundir e aplicar os princpios,

    mtodos, regras e processos da organizao

    cientfica do trabalho; evitar o desperdcio sob

    as suas mltiplas modalidades; dar o mximo

    de rendimento com o mnimo de dispndio;

    Roberto Mange, o suo que revolucionou a educao profissional

    Roberto Mange idealizou, em 1931, ao lado de outros profissionais, o Instituto de Organizao Racional do Trabalho (Idort), onde o engenheiro suo j comeava a aplicar as teorias relacionadas com o ensino profissional e o desenvolvimento humano

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |78

    proporcionar aos empreendimentos e a seus

    executores toda a segurana, quer sob o

    ponto de vista de atingir de forma plena a

    sua finalidade, quer sob o aspecto de eficin-

    cia qualitativa e quantitativa de operaes;

    assegurar administraes cientificamente

    exercidas. (4) Qualquer semelhana com a

    filosofia de ensino implementada pelo SENAI

    anos mais tarde no seria mera coincidncia.

    Na Escola de Sociologia e Poltica de

    So Paulo, Roberto Mange foi professor do

    primeiro curso de Psicotcnica realizado no

    Brasil. Em 1934, o engenheiro funda o Centro

    Ferrovirio de Ensino e Seleo Profissio-

    nal da Estrada de Ferro de Sorocabana, em

    Sorocaba (SP). O rgo, de carter tcnico,

    tinha como funo organizar, orientar e

    coordenar os empreendimentos especia-

    lizados de seleo e preparo de pessoal

    para trabalhar nas estradas de ferro, onde

    tambm se desenvolveram cursos para en-

    genheiros ferrovirios.

    Entre 1940 e 1942, coube a Roberto

    Mange e a outros educadores dedicados ao

    ensino profissional no Brasil a elaborao

    das diretrizes que dariam origem ao Servio

    Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI),

    que nasce com o objetivo de preparar traba-

    lhadores para a at ento incipiente indstria

    brasileira. O SENAI fundado em 22 de janeiro

    de 1942, pelo Decreto-Lei 4.048, pelas mos

    do ento presidente Getlio Vargas. Roberto

    Mange se torna o primeiro diretor do Depar-

    tamento Regional do SENAI de So Paulo,

    funo que ocupou at sua morte, em 31 de

    maio de 1955. Na biografia preparada pelo

    Regional paulista consta que, na poca do

    falecimento do engenheiro, a 6 Regio do

    SENAI, a qual Mange dirigia e que abrangia

    So Paulo, Mato Grosso, Gois e Territrio de

    Guapor, contava com 27 escolas instaladas,

    entre elas a Escola SENAI GO 1, em Anpolis.

    No Brasil, Roberto Mange casou-se com

    Joana de Carvalho, que mais tarde mudou

    o nome para Jeanne de Carvalho Mange.

    Segundo seu neto Luiz Adriano Mange, o

    av pretendia voltar Sua e, assim, tanto

    sua esposa como os filhos tinham nomes

    franceses. Teve com Joana quatro filhos e,

    quando morreu, era av de 17 netos.

    Roberto Mange (terceiro da esquerda para a direita) liderou grupo de educadores dedicados ao ensino profissional no Brasil responsvel pela elaborao das diretrizes que dariam origem ao SENAI, entre 1940 e 1942

    NOTA - (4) BOLOGNA, talo. Roberto Mange e sua obra. Goinia: Unigraf. 1980.

  • Por que seu av Roberto Mange deci-

    diu vir para o Brasil no comeo do sculo

    passado? O que o atraiu?

    Luiz Adriano de Carvalho Mange

    A Escola Politcnica de Zurique, a pedido

    do engenheiro Antonio Francisco de Paula

    Souza, ento diretor da Politcnica de So

    Paulo, o indicou para atuar como docente

    na capital paulista. Roberto Mange formou-

    -se engenheiro pela Politcnica de Zurique

    em 1910 e estava trabalhando na empresa

    Brown Boveri quando lhe foi feito o convite

    para lecionar em So Paulo. Como ele rea-

    lizou seus estudos primrios em Portugal e

    dominava o idioma portugus, isso facilitou

    sua vinda ao Brasil. O contrato de trabalho,

    inicialmente com durao de dois anos, foi

    sendo renovado continuamente, tendo per-

    manecido na Escola Politcnica at 1953, ou

    seja, por 40 anos.

    A fundao do Instituto de Organi-

    zao Racional do Trabalho, o Idort, por

    Roberto Mange e outros profissionais da

    poca, pode ser considerada embrio

    das ideias que norteariam a fundao,

    mais tarde, do SENAI no Brasil?

    Adriano Mange Sim, o Idort foi a base

    para a organizao, em 1934, do Centro Fer-

    rovirio de Ensino e Seleo Profissional da

    | Entrevista luiz Adriano de Carvalho mange |

    A convite do Departamento Regional, o professor aposentado do SENAI de So Paulo

    Luiz Adriano de Carvalho Mange, de 61 anos, neto de um dos fundadores da principal

    instituio de educao profissional brasileira, Roberto Mange, falou para este trabalho

    produzido por ocasio do aniversrio de 60 anos do SENAI em Gois. A entrevista, no

    formato pingue-pongue, foge um pouco s caractersticas de um livro, porm assim

    publicada pela sua importncia histrica. Luiz Adriano tecnlogo em mecnica e peda-

    gogo com especializao em administrao escolar. Seguindo os passos do av, Adriano

    Mange atuou no SENAI de So Paulo de 1974 a 2010, quando se aposentou. L, ocupou as

    funes de tcnico de ensino, coordenador pedaggico, diretor e gerente de escolas pau-

    listas. Entusiasta da metodologia de ensino inserida na educao profissional brasileira

    pelo SENAI, o professor contou um pouco da trajetria do av como um dos responsveis

    por essa histria que vem sendo escrita ao longo das ltimas sete dcadas no Brasil, seis

    em Gois. Presena ilustre nas festividades pelo 60 aniversrio do SENAI no Estado, ele

    recebeu homenagens na Faculdade de Tecnologia Roberto Mange, em Anpolis.

    Nos passos do av, Roberto Mange

    No incio das atividades do SENAI, a palavra de ordem era velocidade. Roberto Mange decidiu que

    para atender s necessidades urgentes,

    seriam estruturados cursos rpidos, para a preparao de novos operrios, e cursos de aperfeioamento, para

    aqueles que j possuam alguma formao.

    | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 79

  • Estrada de Ferro de Sorocabana, em Soroca-

    ba (SP). Foi l, no Centro Ferrovirio, que teve

    incio a metodologia de ensino profissional

    que caracterizou toda a trajetria do SENAI.

    De que esforos se valeu Roberto

    Mange para, na dcada de 1940, fundar

    o SENAI? Com que apoio ele contou e que

    dificuldades ele encontrou para concreti-

    zar esse objetivo?

    Adriano Mange A experincia bem-

    -sucedida do Centro Ferrovirio, a necessida-

    de de incrementar a produo industrial no

    Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, a

    percepo dos empresrios, como Roberto

    Simonsen, sobre a necessidade da formao

    profissional ser tratada como prioridade, bem

    como o apoio do governo para criar fontes

    de financiamentos para a formao profis-

    sional, foram elementos fundamentais para

    a organizao do SENAI. Os desafios eram

    enormes: onde encontrar pessoas habilita-

    das para sustentar a proposta da instituio?

    Como preparar os programas de ensino para

    as reas a serem atendidas? Como montar as

    oficinas? Enfim, como criar um ambiente que

    diferenciasse a escola profissional da chama-

    da escola acadmica?

    E como esses desafios foram enfren-

    tados por Roberto Mange? Como essa es-

    trutura fsica, de pessoal e conceitual foi

    organizada por ele e seus companheiros?

    Adriano Mange Para atender ne-

    cessidade de contratao de pessoal qualifi-

    cado, Roberto Mange organizou, em 1943, o

    Curso de Iniciao em Ensino Industrial para

    Tcnicos do SENAI. Tratava-se de um curso

    de carter didtico e intensivo, frequentado

    por pessoas que iriam ocupar cargos tcni-

    cos. Muitos dos diretores de escola e chefes

    de departamentos foram egressos desse cur-

    so. Essa atividade jamais foi interrompida e

    muito foi investido na formao de profes-

    sores por meio de cursos no Brasil e est-

    gios de formao na Europa. No incio das

    atividades do SENAI, a palavra de ordem era

    velocidade. Para tanto, Roberto Mange de-

    cidiu que para atender s necessidades ur-

    gentes, seriam estruturados cursos rpidos,

    para a preparao de novos operrios, e cur-

    sos de aperfeioamento, para aqueles que

    j possuam alguma formao, conseguindo,

    dessa forma, obter resultados significativos

    em termos quantitativos e qualitativos. Orga-

    nizou, tambm, as famosas sries metdicas

    para os ofcios de maior demanda da inds-

    tria. Enquanto as escolas prprias eram edi-

    ficadas, foram locados galpes industriais e

    compartilhadas instalaes de outras escolas

    profissionalizantes. Essa estratgia tambm

    contribuiu fortemente para os resultados

    positivos obtidos nos primeiros anos do SE-

    NAI. interessante observar que as primeiras

    escolas tm a mesma planta arquitetnica.

    Com isso, se ganhava tempo e economia

    no processo de construo. Foram definidas

    tambm as mquinas, as ferramentas, o mo-

    bilirio, enfim toda a infraestrutura requerida

    para diversas ocupaes a serem ministradas

    Ele (Roberto Mange) ficaria extremamente orgulhoso. Ver o que o SENAI atualmente no Brasil, com suas

    escolas diversificadas e atualizadas

    tecnologicamente, registrando nmeros

    altamente significativos e excelente nvel

    educacional e tendo se tornado uma

    organizao reconhecida internacionalmente por

    sua eficcia, fantstico. Sobretudo se levados em conta os desafios que se apresentavam em 1942.

    | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |80

  • em cada escola. Dessa forma, ao se implan-

    tar uma escola de mecnica, por exemplo,

    era rpido o processo de projeto, construo

    e especificao de equipamentos, ou seja,

    todo o processo era muito racional.

    Tem informaes sobre por que teria

    optado por Anpolis para fundar a primei-

    ra escola do SENAI em Gois?

    Adriano Mange No tenho informa-

    es precisas sobre essa deciso. Mas pre-

    ciso lembrar que Roberto Mange foi o pri-

    meiro diretor regional da 6 Regio do SENAI,

    qual estavam subordinados os Estados de

    So Paulo, Gois, Mato Grosso e o Territrio

    de Guapor.

    O senhor chegou a conhecer, conviver

    com seu av Roberto Mange?

    Adriano Mange Convivi muito pouco.

    Eu tinha apenas 5 anos quando meu av fa-

    leceu, em 1955.

    Considera que o SENAI manteve, ao

    longo dessas sete dcadas de histria no

    Brasil, a prtica dos mesmos valores im-

    pressos pelo seu av Roberto Mange, na

    dcada de 1940, quando a instituio foi

    fundada?

    Adriano Mange Sem dvida. E a meu

    ver esse o diferencial do SENAI.

    O que acha que diria seu av se pudes-

    se ver no que o SENAI se tornou, estando

    presente hoje em todas as unidades da

    Federao e no Distrito Federal, formando

    mais de 2 milhes de trabalhadores todos

    os anos?

    Adriano Mange Ele ficaria extrema-

    mente orgulhoso. Ver o que o SENAI atu-

    almente no Brasil, com suas escolas diver-

    sificadas e atualizadas tecnologicamente,

    registrando nmeros altamente significativos

    e excelente nvel educacional e tendo se

    tornado uma organizao reconhecida inter-

    nacionalmente por sua eficcia, fantstico.

    Sobretudo se levados em conta os desafios

    que se apresentavam em 1942.

    O senhor tambm atuou no SENAI.

    Que funes exerceu na instituio?

    Adriano Mange Atuei no SENAI-SP de

    novembro de 1974 a junho de 2010. Comecei

    como tcnico de ensino. Posteriormente, fui

    coordenador pedaggico e diretor da Escola

    SENAI Suo-Brasileira. Por ltimo, ocupei a

    Gerncia de Assistncia Empresa e Comu-

    nidade da Diretoria Tcnica do SENAI-SP.

    Os desafios eram enormes: onde encontrar pessoas habilitadas para sustentar a proposta do SENAI? Como preparar

    os programas de ensino para as reas a serem

    atendidas? Como montar as oficinas? Enfim, como criar um ambiente que diferenciasse a escola

    profissional da chamada escola acadmica?

    | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 81

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 83

    somanDo ConhECimEnto

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |84

    seNAI goIs vAI AoNde A INdstrIA est

    Ponto de partida do SENAI em Gois, o ento Centro de Formao Profissional Roberto Mange, em Anpolis, constituiu-se na gnese de

    uma histria que estava, na dcada de 1950, apenas

    comeando no Estado. Instituio que tem como

    conceito bsico de sua fundao servir indstria

    brasileira com a formao de mo de obra quali-

    ficada, o SENAI cresce em nmero de unidades.

    A partir da dcada de 1960, descentraliza-se, vai

    aonde se necessita que ele v. Assim, 16 anos aps a

    criao da primeira unidade escolar do SENAI em

    Gois, nasce o Centro de Formao Profissional

    (CFP) talo Bologna, segundo no Estado e primei-

    ro na capital, Goinia, em 1968.

    A partir de 1971, a Federao das Indstrias do

    Estado de Gois se instalou na cidade de Aragua-

    na hoje Estado do Tocantins distante 1,2 quil-

    metros de Goinia. Junto com a federao, chegou

    tambm o SENAI. Um centro de treinamento foi

    destinado ao atendimento das indstrias e da co-

    munidade da regio. Tratava-se de um barraco de

    tbua, alugado, que se tornaria o embrio do Cen-

    tro de Formao Profissional que hoje conta com

    modernas e funcionais instalaes.

    Em 1977, o SENAI instalou os Centros Re-

    gionais de Treinamento do Mdio Norte, uma

    pequena unidade na cidadede Gurupi, hoje tam-

    bm Tocantins, a 600 quilmetros de Goinia; e

    do Sudoeste, regio mais prspera do Estado, em

    Rio Verde.

    No fim da dcada de 1980, o CFP Araguana

    atendia alunos de cerca de 30 cidades do Tocan-

    tins com raiodeatuao que iadeMiracema do

    Norte, escolhida capital provisria do Estado, a

    So Sebastio do Tocantins, no Bico do Papagaio.

    Ainda nos anos 80, a atuao do SENAI

    ganhou importante reforo com a utilizao de

    unidades mveis contineres autotransportveis

    doadas pelo Departamento Nacional para levar

    a formao profissional s indstrias em cidades

    onde no dispunha de escolas fixas. As atividades,

    coordenadas pelo ento Centro Regional de Trei-

    namento Sul (Cetresul), em Goinia, atualmente

    esto a cargo da Escola SENAI Vila Cana, com a

    Antigo CFP Araguana, marco da presena do SENAI Gois no hoje Estado do Tocantins, com raio de atuao de Miracema ao Bico do Papagaio, alm de unidade em Gurupi, no perodo de 1971 a 1992

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 85

    O Sistema Indstria

    Parte integrante do Sistema indstria formado ainda pela Cni, SeSi e ieL , o Senai possui um Departamento nacional e 27 Departamentos Regionais, com unidades operacionais instaladas nos 26 estados e no Distrito Federal. elas levam seus programas, projetos e atividades a todo o territrio nacional, oferecendo atendimento s diferentes necessidades locais e contribuindo para o fortalecimento da indstria e o desenvolvimento pleno e sustentvel do Pas.

    incorporao da antiga unidade.

    Com a diviso do Estado, em 1988, o SENAI

    Gois manteve sua atuao formadora na regio.

    O processo de emancipao, com a criao do

    SENAI Tocantins, em 1992, s foi concludo com

    a desvinculao das unidades de formao profis-

    sional de Araguana e Gurupi, isso em 13 de agosto

    daquele ano. Assim, o Departamento Regional do

    Sistema no Estado vizinho nasceu com capacida-

    de de preparar aproximadamente 2,5 mil profissio-

    nais por ano para a indstria nas reas automobils-

    tica, construo civil, marcenaria, serralheria, entre

    outras.

    Em 1979, nasce o Centro de Treinamento

    de Supervisores e Gerentes (Cetresg), segunda

    unidade do SENAI em Goinia, que mais tar-

    de se transformaria na Faculdade de Tecnologia

    SENAI de Desenvolvimento Gerencial (Fatesg)

    leia mais na pgina 110. Em 1981, o Departa-

    mento Regional do SENAI inaugura na capital a

    mais moderna unidade da instituio no Estado, o

    Centro de Formao Profissional Vila Cana (leia

    mais na pgina 102).

    Em sentido horrio, Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, Escola SENAI Vila Cana e Faculdade SENAI de Desenvolvimento Gerencial: unidades da capital tm atuao tambm no interior, com manuteno de ncleos, aes e unidades mveis

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |86

    O processo de interiorizao das atividades do SENAI, na esteira da descentralizao do parque industrial, avana com a instalao do Cen-

    tro de Formao Profissional Catalo, naquele mu-

    nicpio, em 1988, atendendo aos fortes investimen-

    tos do setor produtivo na regio. No mesmo ano,

    por meio de um termo de cooperao, o SENAI

    assume a administrao do Centro de Formao

    Profissional instalado e equipado pela empresa So-

    ciedade Annima Minerao e Amianto (SAMA),

    em Minau, Norte do Estado, e que mais tarde, em

    2007, se transformaria na Unidade Integrada SESI

    SENAI SAMA. Nos anos de 1988 e 1989, foi dado

    incio tambm a dois projetos pilotos do SENAI

    Gois, com a instalao de ncleos voltados para

    costura industrial nos municpios de Trindade e Ja-

    ragu, respectivamente.

    Em 1992, o SENAI implantou em Itumbiara,

    no Sul de Gois, uma de suas unidades fixas, por

    se tratar o municpio de referncia de um dos mais

    importantes polos de desenvolvimento no Estado.

    Em 1998, Rio Verde, no Sudoeste do Estado,

    que j abrigava um pequeno centro de treinamen-

    to, ganhou escola mais bem estruturada, a Escola

    SENAI Fernando Bezerra, motivada pela fora da

    agroindstria na regio e da indstria de transfor-

    mao de alimentos. Mais tarde, com sua trans-

    formao, em 2006, na Unidade Integrada SESI

    SENAI Rio Verde, com a forte demanda da regio,

    em 2010 dois ncleos foram instalados, em Quiri-

    npolis e Mineiros, democratizando ainda mais o

    acesso aos cursos profissionalizantes destinados aos

    trabalhadores da indstria. O primeiro ganhou au-

    tonomia e hoje funciona como unidade integrada.

    Nos anos 2000, a extenso das unidades de

    desCeNtrAlIZAo rumo Ao INterIor

    Escola SENAI Catalo, no Sudeste: descentralizao do parque industrial acompanhada pela interiorizao das atividades da instituio

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 87

    educao profissional do SENAI se deu para Ni-

    quelndia; Aparecida de Goinia e Senador Ca-

    nedo, no Entorno de Goinia; Luzinia e Formo-

    sa, no Entorno do Distrito Federal, e Barro Alto,

    ncleo anteriormente ligado Unidade Integrada

    SESI SENAI Niquelndia, que em 2012 tambm

    virou unidade autnoma. Nesse perodo, as atua-

    es j ocorreram de forma sintonizada entre SESI

    e SENAI, sendo as novas escolas ou parte das j

    existentes transformadas em unidades integradas.

    Em 2004, em busca de novos nichos de mer-

    cado, o SENAI Gois potencializou aes volta-

    das educao profissional, ao empreendedoris-

    mo e gerao de emprego e renda ao passar a

    atuar por meio do Programa de Desenvolvimento

    do Arranjo Produtivo (APL). Iniciativa do Minist-

    rio da Integrao Nacional, o programa executado

    pelo SENAI desenvolvido nos municpios que

    integram a Regio do Entorno do Distrito Federal.

    O objetivo promover a organizao dos setores

    produtivos potenciais de cada localidade.

    Ao final da dcada, toda a rede de ensino ul-

    trapassava a casa das 100 mil matrculas-ano nos

    cursos de educao profissional Formao Ini-

    cial e Continuada de Trabalhadores, Educao

    Profissional Tcnica de Nvel Mdio e Educao

    Superior, quantidade em mdia 50% superior re-

    gistrada em 2008.

    Em 1988, o SENAI assume a gesto do CFP instalado pela SAMA, em Minau, posteriormente transformado em unidade integrada com o SESI. O mesmo ocorre com a Escola SENAI Fernando Bezerra, em Rio Verde, motivada pela fora da agroindstria

    Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia: parceria com mineradoras Anglo American e Votorantim levou formao profissional para o Norte goiano

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |88

    Por deNtro dA rede seNAI goIs

    Aqui, saiba um pouco mais sobre cada uma das unidades de formao profissional administradas pelo SENAI em todo o Estado. A opo que se fez foi dividi-las por municpio. Portanto, elas no estaro distribudas com base numa linha do tempo, mas em sua localizao geogrfica.

    Numa rea de aproximadamente 33 mil me-

    tros quadrados, tiveram incio, em 1965, as obras

    do ento Centro de Formao Profissional (CFP)

    talo Bologna. O terreno, localizado em posio es-

    tratgica, no Setor Centro-Oeste, entre Goinia e

    a Campininha das Flores, foi adquirido da Funda-

    o de Assistncia a Menores Aprendizes (Fama)

    cujos alunos foram depois atendidos pela uni-

    dade. Mantendo a tradio de primeiro comear

    a funcionar para depois proceder a solenidade de

    inaugurao, no caso do CFP talo Bologna esta

    ocorreu em 24 de maro de 1968, embora estivesse

    em atividades desde o ano anterior.

    Coube ao professor Ary Azevedo, que at en-

    to respondia pelo CFP Roberto Mange, em An-

    polis, comandar o incio das atividades da nova uni-

    dade escolar, a primeira a ser instalada na capital.

    Veio para Goinia a pedido do ento diretor do De-

    partamento Regional do SENAI Gois, professor

    Gilson Alves de Sousa. A unidade recebeu o nome

    de talo Bologna em homenagem ao engenheiro

    mineiro, nascido em Pouso Alegre, um dos braos

    direitos de Roberto Mange quando da fundao do

    SENAI no Brasil. Na poca em que a unidade foi

    aberta em Goinia, talo Bologna ocupava o cargo

    de diretor do Departamento Nacional do SENAI.

    Os primeiros equipamentos que fariam fun-

    cionar as oficinas da nova escola comearam a

    chegar ainda em 1966. No ano seguinte, foram

    concludas todas as obras, montadas as instalaes

    e realizadas as selees para as primeiras turmas.

    Documentos oficiais do SENAI do conta de que

    Goinia

    faculdade de tecnologia seNAI talo bologna a pioneira na capital

    Ary Azevedo, frente de Venerando de Freitas Borges: de Anpolis para Goinia, no comando do antigo CFP talo Bologna

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 89

    o CFP talo Bologna nasce, basicamente, com o

    objetivo de formar mecnicos de automveis, fos-

    sem esses menores aprendizes ou adultos j empre-

    gados, em cursos diurnos e noturnos. Porm, dada

    a capacidade de instalao e a demanda por ser-

    vios em outras reas do conhecimento, a escola

    passa a funcionar como um verdadeiro centro de

    formao profissional, com o atendimento de uma

    gama de ofcios e especializaes das mais diver-

    sas, cita relatrio de atividades do Departamento

    Regional do SENAI Gois referente ao primeiro

    ano de funcionamento da unidade. Constava do

    documento que, do estudo realizado em decor-

    rncia da concluso das obras da escola, decidiu o

    Conselho Regional do SENAI pela montagem, na

    nova escola, de uma oficina grfica e vrios cursos

    de treinamento para adultos em carter definitivo.

    Assim, o CFP talo Bologna comeou a

    funcionar com ampla estrutura, digna da escola

    pioneira do SENAI na capital do Estado. Naquela

    ocasio, foram construdos o pavilho destinado a

    abrigar os cursos de treinamento e os ministrados

    nas oficinas; outro pavilho para que pudessem ser

    realizados os cursos de lanternagem, pintura, esto-

    famento e eletricidade de autos e solda eltrica; e

    a oficina grfica, com instalao de maquinrio,

    equipamentos e seleo de professores. Ao mes-

    mo tempo, foram adquiridos mquinas e equi-

    pamentos para as vrias modalidades de cursos;

    adaptadas salas para estudo dirigido; montados

    cozinha e auditrio e construdas ruas internas da

    unidade escolar.

    O CFP talo Bologna, como se v, j nasce

    grande e como grande, superando as metas iniciais

    do Departamento Regional do SENAI em Gois.

    Ao abrir suas portas para a comunidade de Goi-

    nia, oferecia curso de aprendizagem industrial em

    mecnica de automveis; treinamento de adultos

    de pedreiro, solda oxiacetilnica, pintor de obras,

    leitura de plantas, operador de postos de servios,

    Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, de unidade pioneira na capital a referncia em diversas reas da indstria. Abaixo, notcia sobre ingresso do SENAI no ensino superior publicada pelo jornal O POPULAR, em 2005

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |90

    Registros histricos: no alto, momento cvico no CFP talo Bologna, prtica comum nas escolas do SENAI, e (abaixo) eventos com presena do ento presidente da FIEG, Jos Aquino Porto, Jorge Alberto Furtado, diretor de Ensino Mdio do MEC, Hlio Naves, Jefferson Bueno, professor Manoel Virglio Pimentel Cortes, Antnio Fbio Ribeiro, Ovdio Incio Carneiro e Gonalo Bezerra, delegado regional do Trabalho

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 91

    Aprendizes de mecnica de automveis no incio das atividades do CFP talo Bologna: formao profissional na rea motivou a implantao da unidade, no final da dcada de 60. Abaixo, na parede, o slogan que caracteriza o ensino do SENAI

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |92

    Alunos em salas de aula e em oficinas do antigo CFP talo Bologna: aprendizagem alia teoria e prtica profissional

    Concluinte recebe certificado entregue pelo professor Venerando de Freitas Borges, secretrio do Conselho Regional do SENAI e superintendente da FIEG por mais de duas dcadas

    direita, dois momentos da capacitao profissional no setor de construo civil: antes, em 1966, atividade prtica em

    ambiente interno; hoje, em canteiros de obras

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 93

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |94

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 95

    Mecnica de automveis, em 1968: esquerda, ao alto, grupo de estudantes de Engenharia em estgio no SENAI, aprendizes em prtica de alinhamento de rodas e na seo de motores vivos, sob orientao do instrutor Altino Desideri. direita, em sentido horrio, lavagem e lubrificao, seo de motores VW-DKV e outras

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |96

    Oficinas de costura industrial (acima e abaixo, direita), lanternagem de automveis e calados

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 97

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |98

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 99

    Acima, aluno em atividade no curso tcnico de manuteno de aeronaves da Fatec talo Bologna

    esquerda, alunos em prova prtica da Olimpada do Conhecimento, competio que avalia a educao profissional no SENAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |100

    mecnico de autos, instalador de gua e esgoto,

    solda eltrica, segurana no trabalho e preveno

    de acidentes, eletricista instalador e mestre de

    obras; cursos de aperfeioamento ou especializa-

    o em manuteno de mquinas de terraplana-

    gem, liderana de reunies, engenharia humana e

    organizao industrial. Tambm realizava cursos

    de aprendizagem de menores no local de trabalho

    nas ocupaes de marceneiro, serralheiro, colhe-

    dor, assoprador, maquinista, charqueador, latoeiro

    funileiro, mecnico geral, carpinteiro, aquilatador

    e salgador.

    Naquele primeiro ano de funcionamento,

    em 1967, o CFP recebeu 988 matrculas nos cur-

    sos oferecidos na poca, o que equivalia a mais de

    um tero de todas as matrculas realizadas nas duas

    unidades administradas pelo Departamento Re-

    gional do SENAI em Gois. Foram, ao todo, 642

    certificados expedidos pela unidade. Ou seja, pes-

    soas que iniciaram e concluram cursos profissio-

    nalizantes, aptas, a partir dali, para novos desafios

    no mundo do trabalho.

    Em 1968, ano em que foi oficialmente inau-

    gurado, o nmero de alunos matriculados no CFP

    talo Bologna chegou a 1.075, nos 38 cursos ento

    oferecidos pela unidade de formao. Os concluin-

    tes somaram 672 em atividades de aprendizagem

    e treinamento destinadas a menores aprendizes e

    adultos. Uma escola em pleno funcionamento na

    jovem capital de Gois, ento com 35 anos, seden-

    ta por mo de obra qualificada capaz de alavancar

    seu desenvolvimento.

    Em 1999, o Centro de Formao Profissio-

    nal ganhou status de Centro Modelo de Educa-

    o Profissional (Cemep), certificao criada pelo

    Departamento Nacional da instituio para ava-

    liar a qualidade dos servios prestados indstria

    e comunidade, explica a atual diretora da agora

    Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna,

    professora Misclay Marjorie Correia da Silva. Na

    segunda metade da dcada de 1990, acrescenta a

    educadora., o talo Bologna representava uma re-

    ferncia nacional em sua rea, conquistando, por

    exemplo, selo de qualidade expedido pelo Con-

    selho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e

    Tecnolgico (CNPq) como unidade modelo em

    qualificao e aperfeioamento. Poucas escolas,

    nessa poca, contavam com tal reconhecimento,

    atesta. A escola que nascera grande seguia grande

    na misso de formar mo de obra qualificada para

    a indstria local.

    Em 2005, novo grande passo da instituio,

    ento transformada, por meio de portaria do Mi-

    nistrio da Educao, em Faculdade de Tecnolo-

    gia SENAI talo Bologna para os nveis de gradu-

    ao tecnolgica e ps-graduao em automao

    industrial. Em visita unidade, os representantes

    do MEC puderam atestar a qualidade da institui-

    o, onde mais de 75% dos docentes so mestres

    e doutores e cujo parque educacional formado

    por equipamentos de ltima gerao. Em 2010,

    o MEC credenciou a Fatec talo Bologna com

    conceito 4 de qualidade, numa escala de 0 a 5,

    cita Misclay.

    Para melhor atender nova etapa de funcio-

    namento, foram necessrias ampliaes e adapta-

    es dos espaos existentes. Novos galpes foram

    erguidos e amplos e modernos ambientes pedag-

    gicos surgiram para a continuidade dos cursos de

    aprendizagem industrial, de qualificao e aperfei-

    oamento profissional e dos cursos tcnicos e tec-

    nolgicos oferecidos pela unidade. Alm de Goi-

    nia, a Fatec SENAI talo Bologna recebe pessoas

    de vrios outros municpios, atendendo demandas

    Aprendiz em atividade prtica em mecnica automotiva, observado por Olmpio Jder de Magalhes (centro), presidente da Comisso do Auxlio Especial do SENAI, em visita ao antigo CFP talo Bologna, no final da dcada de 60

    O curso tem qualidade insupervel, com a metade do preo do mercado. Os ambientes de ensino e os equipamentos so excelentes.

    Luiz Alberto Rodrigues, inspetor de aviao da Anac, sobre o curso tcnico em manuteno de aeronaves do SENAI, implantado em 2011, na Faculdade de Tecnologia SENAI talo Bologna, em Goinia

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 101

    especficas de empresas e segmentos empresariais

    em localidades como Anicuns, Crixs, Trindade,

    Senador Canedo, Santa Helena, Jaragu, Ponta-

    lina, Cromnia, Caldazinha e Ceres. Desde que

    foi fundada, dirigiram a unidade os professores

    Ary Azevedo, Paulo Vargas, Lzaro Bernardes, Jair

    Braz de Oliveira, Marcos Mariano e, atualmente,

    est frente Misclay Marjorie.

    Desse modo, a Fatec SENAI talo Bologna

    cresce a uma mdia de 2 mil novos alunos por ano.

    Em 2011, foram cerca de 8,3 mil vagas oferecidas

    nos cursos ministrados pela instituio de ensino

    e a previso para 2012 de que o nmero de ma-

    trculas ultrapasse a casa dos 10 mil alunos. Desde

    que abriu suas portas produo e disseminao

    do conhecimento, a agora Faculdade de Tecnolo-

    gia SENAI talo Bologna recebeu, em suas salas,

    oficinas e laboratrios, o equivalente a 112.378 pes-

    soas. Formadas para um mercado competitivo,

    uma indstria em desenvolvimento. E eles foram

    preparados para isso.

    Quem d nome escola

    Formado em engenharia civil pela Escola Politcnica de Sorocaba (SP), talo

    Bologna nasceu em Pouso Alegre (MG), em 22 de abril de 1905. Foi aluno do

    amigo e tambm engenheiro Roberto Mange, de quem se tornou um dos prin-

    cipais colaboradores na implantao dos mtodos e princpios da organizao

    racional do trabalho no Pas nas dcadas de 1930 e 1940. Em 1942, assumiu, em

    substituio a Roberto Mange, o cargo de diretor do Centro Ferrovirio de Ensino e

    Seleo Profissional, gnese do SENAI no Brasil. Quando Roberto Mange faleceu,

    em 1955, substituiu aquele, tambm, na direo do Departamento Regional do

    SENAI de So Paulo, permanecendo frente da instituio at 1962. Aps essa

    etapa, tornou-se assessor da Presidncia da Federao das Indstrias de So Pau-

    lo (Fiesp). Em 1965, passou a diretor do Departamento Nacional do SENAI, cargo

    que ocupou durante uma dcada. Profundo conhecedor e estudioso da educao

    profissional, produziu e lanou artigos e obras sobre o tema no Brasil e no exte-

    rior. Em 1968, organizou a coletnea Roberto Mange e sua Obra (Editora Unigraf,

    Goinia). Faleceu em So Paulo em 2 de julho de 1992, aos 87 anos.talo Bologna: profundo conhecedor e estudioso da educao profissional

    ary azevedo (24/03/1968 a 1/06/1979)

    paulo Vargas (13/02/1979 a 31/05/1979)

    lzaro Bernardes (1/06/1979 a 1/10/1981)

    Jair Braz de oliveira (1/10/1981 a 10/02/1992)

    marcos antnio mariano siqueira (10/02/1992 a 15/07/2011)

    misclay marjorie (a partir de 15/07/2011)

    quem dIrIgIu A fACuldAde de teCNologIA seNAI tAlo bologNA

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |102

    Erguido num terreno de 46 mil metros qua-drados em regio ainda inspita de Goinia, o ento Centro de Formao Profissional (CFP)

    Vila Cana surge, na dcada de 1980, como uma

    das mais modernas unidades administradas pelo

    SENAI no Pas, com 8,7 mil metros quadrados de

    rea construda. Sua obra teve incio quase quatro

    anos antes de ser inaugurada oficialmente, em 12

    de agosto de 1981.

    Mas os primeiros alunos, oriundos da Escola

    SENAI talo Bologna, pisaram aquele cho antes,

    em novembro de 1980, para concluir seus estudos

    no ano seguinte. Em 1980, o SENAI havia conce-

    dido um total de 7.615 certificados, emitidos pelo

    conjunto das unidades educacionais que abran-

    giam, at ento, 42 municpios goianos.

    A solenidade de inaugurao, naquele agosto

    de 1981, contou com as presenas do ento minis-

    tro do Trabalho, Murilo Macedo; do presidente

    da Confederao Nacional da Indstria (CNI),

    senador Albano Franco; do ento diretor do De-

    partamento Nacional do SENAI, Arivaldo Silvei-

    ra Fontes; do ento presidente da Federao das

    Indstrias do Estado de Gois, Jos Aquino Por-

    to, do ento diretor regional do SENAI de Gois,

    Jefferson Bueno; do governador de Gois na po-

    ca, Ary Ribeiro Valado, e de vrias personalida-

    des do meio poltico e empresarial do Estado.

    escola seNAI vila CanaEscola SENAI Vila Cana, uma das principais da instituio em Gois

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 103

    No fim daquele ano, 69 alunos concluram

    cursos oferecidos pela nova escola. O certificado

    de n 1 do Centro de Formao Profissional Vila

    Cana foi emitido em nome de Humberto Corts,

    formado em eletricista de automveis em 23 de de-

    zembro de 1981.

    O CFP Vila Cana foi projetado para abrigar

    tanto a escola como o Departamento Regional do

    SENAI Gois. Na dcada de 1990, foram anexa-

    dos unidade o Centro Regional de Treinamento

    Sul (Cetresul), que funcionava ao lado, e a rea

    de Higiene e Segurana do Trabalho, oriunda do

    ento Centro de Treinamento de Supervisores e

    Gerentes (Cetresg).

    Hoje, matriculam-se anualmente mais de 20

    mil alunos na unidade. De acordo com o diretor

    da escola, Hlio Vilaa, para atender s novas e ur-

    gentes demandas surgidas no contexto econmico

    e produtivo, a atuao abrange educao profissio-

    nal, informao, tecnologia e assistncia tcnica

    e tecnolgica para as reas de artes grficas e de

    plstico, reparao automotiva e motocicletas, se-

    gurana do trabalho, meio ambiente, refrigerao,

    construo civil, eletricidade e alimentos.

    A agora Escola SENAI Vila Cana atua em

    parceria com o SESI para oferecer Educao

    Bsica articulada Educao Profissional. Nessa

    modalidade, forma tcnicos em impresso grfica,

    manuteno automotiva e em alimentos. Sua es-

    trutura fsica e os recursos disponveis ao aprendi-

    zado dos alunos impressionam. Na rea de grfica,

    por exemplo, dispe de modernos equipamentos

    para atender uma indstria inserida em mercado

    cada vez mais exigente.

    A Educao Profissional, na Escola SENAI

    Vila Cana, abrange o nvel inicial, bsico, em que

    jovens e adultos com qualquer escolaridade tm

    acesso a cursos de aprendizagem capazes de lhes

    garantir emprego e renda; a aprendizagem indus-

    trial nos nveis de qualificao e/ou habilitao

    inicial, formando jovens tcnicos de nvel mdio;

    o aperfeioamento profissional, para trabalhadores

    que buscam atualizao em suas reas de atuao.

    Tambm oferece consultorias a empresas em seus

    mais diversos nveis de conhecimento.

    Uma das principais reas de atuao da Es-

    cola SENAI Vila Cana est na administrao das

    unidades mveis. Trata-se de estruturas volantes

    que podem ser requisitadas para desenvolver aes

    de aprendizagem onde o SENAI no dispe de

    unidades fixas.

    frente da Escola SENAI Vila Cana, j

    estiveram o atual diretor regional do SENAI em

    Gois, economista Paulo Vargas; os professores

    Lzaro Bernardes e Walmir Pereira Telles. O eco-

    nomista Hlio Pereira Vilaa est na funo desde

    novembro de 2006.

    Inaugurao do CFP Vila Cana, em 1981: presena do ento ministro do Trabalho, Murilo Macedo, governador Ary Valado, presidente da CNI, Albano Franco, Jaime Cmara, Aquino Porto e Jefferson Bueno e Paulo Galeno Paranhos

    quem dIrIgIu A esColA seNAI vIlA CANA

    paulo Vargas (1/08/1980 a 1/10/1981)

    lzaro Bernardes (1/10/1981 a 20/03/1987)

    Walmir pereira telles (18/03/1987 a 03/11/2006)

    hlio pereira Vilaa (a partir de 03/11/2006)

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |104

    CFP Vila Cana em construo, no incio dos anos 80, recebe visita de diretores da FIEG e do SENAI

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 105

    Primeiros eventos realizados na nova escola do SENAI em Goinia, com presena de autoridades, diretores e colaboradores. direita, inaugurao do Laboratrio de Bombas Injetoras, em 1985

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |106

    Acima, o presidente da FIEG, Jos Aquino Porto, discursa na inaugurao do servio de unidades mveis, em 1984. Na solenidade, o CFP Vila Cana recebe visita do ento prefeito de Goinia, Nion Albernaz, esquerda. No alto, direita, entrega de Parati doada pela Volkswagen ao SENAI para ensino em mecnica, com presena de Paulo Vargas, empresrios Toninho Maia, Aristarcho Gonalves Mello, representantes da Volkswagen e Walmir Telles, ento diretor da escola

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 107

    Unidades mveis, por fora e por dentro: contineres autotransportveis levam o ensino do SENAI a vrias regies do Estado

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |108

    Aprendizes em atividades nas reas de mecnica e artes grficas

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 109

    Laboratrio de alimentos da Escola SENAI Vila Cana: investimento para atender crescente demanda do segmento

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |110

    O embrio da Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial (Fatesg) foi a antiga Diviso de Ensino e Treinamento, rgo

    normativo e de superviso de todo o Regional de

    Gois, que em 1976 funcionava no Palcio da In-

    dstria, no Centro de Goinia, e realizava cursos

    nas reas de superviso e gerncia pela inexistncia

    poca de unidade especfica. Em janeiro de 1979,

    resultante da iniciativa, nasce o Centro de Trei-

    namento de Supervisores e Gerentes (Cetresg),

    como lembra o professor Joo Francisco da Silva

    Mendes, diretor da Fatesg desde 2009. Relatrio do

    SENAI de 1979 mostra atuao do ento Cetresg

    em 34 modalidades diferentes de cursos ministra-

    dos em reas como segurana do trabalho, super-

    viso, relaes humanas, gerncia administrativa e

    tcnicas didticas.

    Em sua origem, explica o professor Joo Fran-

    cisco, a unidade foi desenvolvida com o objetivo

    de formar e desenvolver administradores, gestores,

    gerentes e supervisores para a indstria. Aqui, no

    era o operador de mquinas que era preparado

    para o mercado de trabalho, mas o profissional ca-

    paz de planejar atividades operacionais, gerenciar

    sistemas, supervisionar a produo. Como Ce-

    tresg, desenvolveu suas atividades no edifcio, no

    Setor Universitrio, que depois daria lugar Fatesg,

    quando ali tambm estava instalado o Departa-

    faculdade de tecnologia seNAI de desenvolvimento gerencial (fatesg)

    Palcio da Indstria, no Centro de Goinia, abrigou por vrios anos o Centro de Treinamento de Supervisores e Gerentes, criado em 1979 junto administrao do SENAI

    Paulo Vargas, ao lado do ento diretor do Cetresg, Orlando Dias Costa (esquerda), participa de solenidade na unidade

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 111

    mento Regional do SENAI de Gois. O centro

    tinha atuao em todo o Estado. A ideia era aperfei-

    oar quem estava nessas funes e preparar novos

    quadros para uma indstria j carente de gestores

    qualificados, destaca o professor Joo Francisco.

    Em 2004, o Cetresg virou Cedesg Centro

    de Educao Tecnolgica SENAI de Desenvol-

    vimento Gerencial, com a elevao de seu status

    aps inspeo rigorosa realizada por tcnicos do

    Ministrio da Educao (MEC). O credenciamen-

    to como Faculdade de Tecnologia SENAI de De-

    senvolvimento Gerencial (Fatesg) veio por meio de

    portaria do MEC de janeiro de 2005. Inicialmente,

    oferecia somente cursos para adultos. Mais tarde,

    comeou tambm a formar adolescentes para as

    reas administrativas em cursos tcnicos de nvel

    mdio cujo foco o desenvolvimento gerencial.

    H, por exemplo, a oferta de cursos de apren-

    dizagem de nvel bsico para adolescentes, treina-

    dos para atuar nos departamentos administrativos

    das indstrias. O alvo, aqui, no so as oficinas

    mecnicas, os laboratrios de fsica e qumica, os

    parques grficos. O que caracteriza a Fatesg a

    preparao de outro tipo de trabalhador, aquele

    que atuar na rea de gerenciamento. O foco passa

    a ser o escritrio, a rea administrativa e de planeja-

    mento da indstria e de superviso dos sistemas de

    produo industrial.

    Os cursos tcnicos, do mesmo modo, so ofer-

    tados para atender s reas industriais pertinentes

    gesto dos processos produtivos. Nesse sentido,

    so formados tcnicos em logstica, telecomuni-

    caes, em redes de computadores, em gesto da

    produo.

    A Educao Profissional sob a responsabilida-

    de da faculdade abrange as modalidades de aperfei-

    oamento, habilitao e qualificao profissional;

    ps-graduao e superior de tecnologia. Na gradu-

    ao, so formados atualmente tecnlogos em rede

    de computadores e em anlise e desenvolvimento

    de sistemas. De acordo com o professor Joo Fran-

    cisco, esto em processo de aprovao pelo MEC

    outros dois cursos de nvel tecnolgico: gesto da

    produo industrial e processos gerenciais, ambos

    voltados para os processos produtivos industriais.

    A rea de ps-graduao mantida pela Fatesg,

    destaca o professor Joo Francisco, uma das for-

    as da instituio. So, ao todo, 18 cursos em fun-

    cionamento, com excelente avaliao. Algumas

    especializaes hoje oferecidas pela instituio:

    gesto de produo, gesto em responsabilidade

    socioambiental, gesto empresarial, gesto da in-

    dustrializao de acar e lcool, comrcio exte-

    rior, logstica empresarial, segurana em rede de

    computadores, tecnologia da informao, constru-

    o de edificaes, gesto ambiental e engenharia

    de segurana do trabalho.

    Outra rea igualmente relevante mantida

    Atual Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial: da formao de supervisores e gerentes elevao de status, reconhecida pelo MEC, com cursos de graduao e ps-graduao

    Diretor do antigo Cetresg, Orlando Dias Costa entrega certificado a concluinte de curso

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |112

    Casa nova: no alto, inaugurao do prdio que abrigaria o Cetresg e a Administrao Regional do SENAI, em 1988, com presena do ento governador Henrique Santillo, presidentes da FIEG, Aquio Porto, e da CNI, Albano Franco. Acima, o ento ministro da Indstria e do Comrcio, Jos Hugo Castelo Branco, recebe a medalha do Mrito Industrial da CNI

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 113

    Paulo Vargas abre a 31 Reunio de Diretores Regionais do SENAI, em Goinia, em 1988, e condecora o diretor nacional de Desenvolvimento Regional, Olmpio Jder, com a medalha do Mrito Industrial da FIEG

    Goinia em festa: industriais de todo o Pas renem-se em Goinia para abertura das comemoraes dos 50 da Confederao Nacional da Indstria (CNI) e inaugurao da sede administrativa do SENAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |114

    pela faculdade diz respeito aos servios tcnicos

    e tecnolgicos prestados a empresas. Para se ter

    uma ideia, temos atualmente 51profissionais da Fa-

    tesg dentro da Celg Companhia Energtica de

    Gois prestando assessorias nas reas gerenciais

    e de programas de computao, frisa. Os servios

    tcnicos e tecnolgicos hoje disponibilizados para

    as empresas abrangem as reas de desenvolvimen-

    to tecnolgico, servios tcnicos especializados,

    assessoria tcnica e tecnolgica e informao

    tecnolgica.

    O crescimento e a abrangncia da instituio

    so impressionantes. Inicialmente, ainda como

    resultado da atuao da Diviso de Ensino e Trei-

    namento, em 1976, foram emitidos 1.640 certifica-

    dos a alunos que passaram por l. Em 1979, j pelo

    Cetresg, os concluintes somaram 1.948 alunos. Em

    2011, foi superada a marca dos 12 mil alunos certi-

    ficados nas mais diversas reas do conhecimento.

    E j oferece certificao internacional Prometric e

    VUE. Mais de 1,3 mil no primeiro caso, em 2011, e

    17, pelo segundo. A Fatesg tambm abriga o Ncleo

    Integrado de Educao a Distncia, em parceria

    com o SESI. Em 2011, foram cerca de 30 mil ma-

    trculas nessa modalidade.

    Hoje, a Fatesg s no atende mais alunos no

    perodo noturno porque j falta espao fsico. Isso

    demonstra que estamos atendendo o profissional

    que est na indstria e que busca aperfeioamen-

    to, afirma o diretor. Empresas que esto em outras

    localidades que no Goinia, de acordo com ele,

    tambm so atendidas pela faculdade por meio de

    cursos de extenso e aperfeioamento.

    Formada por uma rede de profissionais in-

    tegrada por 130 funcionrios, a Fatesg tem entre

    seus professores mestres e doutores. Avaliada pelo

    MEC, recebeu nota 4 em relao infraestrutura

    institucional e 5 na avaliao do corpo docente e

    proposta pedaggica, em escala de 0 a 5.

    A histria da unidade registra como seus dire-

    tores Orlando Dias Costa, Antnio Pereira e Joo

    Francisco da Silva Mendes, o atual.

    Laboratrio de informtica da Fatesg: infraestrutura, corpo docente e proposta pedaggica aprovada na avaliao do MEC

    orlando Dias Costa (31/01/1979 a 17/02/1992)

    antnio pereira de souza (17/02/1992 a 02/02/2009)

    Joo Francisco da silva mendes (a partir de 02/02/2009)

    quem dIrIgIu A fACuldAde de teCNologIA seNAI de deseNvolvImeNto gereNCIAl (fAtesg)

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 115

    Terceiro e quinto, respectivamente, municpios mais competitivos do ranking do Estado, Apa-recida de Goinia e Senador Canedo, na Regio

    Metropolitana de Goinia, esto na rota da am-

    pliao e interiorizao das atividades do Sistema

    FIEG. Ambos so polos estratgicos para investi-

    mentos na industrializao, na distribuio de pro-

    dutos e no atendimento de importantes mercados

    consumidores. Sede de terminal petroqumico,

    Senador Canedo se destaca, principalmente, pela

    mudana que o municpio apresentou recente-

    mente em sua infraestrutura econmica, propi-

    ciando um potencial de dinamismo e crescimento.

    Por toda a demanda resultante dessa capaci-

    dade de desenvolvimento, a presena do SENAI

    de forma integrada com o SESI assdua nos dois

    municpios, seja por meio de aes mveis, seja

    com unidades fixas, que j somam trs a Unida-

    de Integrada SESI SENAI Aparecida de Goinia,

    a Escola SENAI Dr. Celso Charuri e o Ncleo

    Integrado SESI SENAI Senador Canedo, ligado

    primeira.

    O Centro de Atividades Professor Venerando

    de Freitas Borges, do SESI, inaugurado em setem-

    bro de 1994, passou a tambm abrigar, em 2006, as

    atividades do SENAI, com sua transformao em

    unidade integrada, aps adequaes destinadas

    modernizao e melhor aproveitamento dos espa-

    os, sobretudo com a instalao de laboratrios de

    ltima gerao. Foi esse o incio da caminhada que

    passou a ser trilhada conjuntamente entre SENAI

    e SESI em Gois.

    Hoje, cerca de 1,5 mil alunos ingressam nos

    cursos de Educao Profissional oferecidos pela

    unidade de Aparecida todos os anos, o que signifi-

    ca muito para uma populao caracterizada como

    de baixa renda vivendo numa cidade que enfrenta

    toda sorte de problemas causados pela expanso

    desordenada das ltimas dcadas. Foram mais de

    Aparecida de Goinia e Senador Canedo

    unidade Integrada sesI seNAI Aparecida de goinia

    Centro de Atividades Professor Venerando de Freitas Borges, implantado em 1994, virou Unidade Integrada SESI SENAI Aparecida de Goinia em 2006 para atender demanda das indstrias da regio

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |116

    7,2 mil diplomas impressos desde 2006, segundo o

    diretor da unidade, Adair Prateado Jnior.

    Para atender a uma demanda prpria das

    indstrias instaladas no municpio, a Unidade In-

    tegrada SESI SENAI Aparecida realiza cursos de

    iniciao e qualificao profissional nas reas de

    construo civil, txtil, vesturio, transporte, ele-

    troeletrnica; e aperfeioamento profissional em

    gesto, tecnologia da informao, transporte e ele-

    troeletrnica, alm de oferecer tambm vagas em

    cursos de Educao a Distncia.

    A relao, sempre prxima, da administrao

    da escola com os representantes dos segmentos

    industriais no municpio permite quela atender

    s novas demandas por mo de obra qualificada

    que vo surgindo ao longo do tempo. Ponto a mais

    para a cidade, que consegue manter em seu ter-

    ritrio a fora de trabalho residente ali, evitando,

    assim, sua migrao para outras localidades, o que

    historicamente ocorria.

    O local onde a Unidade Integrada SESI

    SENAI est instalada, em Aparecida, era um

    terreno que pertencia Polcia Militar, tendo sido

    doado Federao das Indstrias do Estado de

    Gois (FIEG) em maio de 1994.

    Nesse novo formato, passa a atender no s

    Aparecida, mas, ao todo, nove outros municpios

    goianos. Prepara mo de obra qualificada, pres-

    ta assessoria e assistncia tcnica e tecnolgica s

    indstrias, cuida dos vrios segmentos da vida do

    trabalhador de forma integrada e contribui, assim,

    para o desenvolvimento dos municpios municpios

    onde atua. E, de acordo com o perfil das empresas

    e a demanda existente, o SESI SENAI Aparecida

    prepara trabalhadores para as mais diversas reas,

    seja operacional, seja de superviso, administrativa

    e de gesto e de recursos humanos.

    A unidade possui instalaes adequadas s ne-

    cessidades locais e ambientes pedaggicos capazes

    de oferecer Educao Profissional de qualidade,

    conforme exige o mercado. A estrutura compos-

    ta por salas de aula, laboratrios de automao in-

    dustrial e de informtica, oficinas, auditrios, entre

    outros espaos necessrios formao integral do

    trabalhador da indstria. Os clientes so jovens de

    14 a 24 anos, que buscam aprendizagem industrial

    inicial ou cursos tcnicos de Educao Profissional

    de nvel mdio.

    Por meio, ainda, de unidades mveis admi-

    nistradas pela Unidade Integrada SESI SENAI

    Aparecida de Goinia, municpios que no con-

    tam com escolas fixas mantidas pelas instituies

    tm acesso aos cursos ministrados pelo SENAI e

    s aes de sade, educao, lazer, esporte e de res-

    ponsabilidade social oferecidas pelo SESI. Verda-

    deiras oficinas autotransportveis que levam mais

    cidadania populao dessas localidades.

    Marco: dois anos depois do compartilhamento do Sistema FIEG, o SESI e o SENAI integram a unidade de Aparecida de Goinia, a primeira a reunir atividades das instituies em Gois, em 2006, com presena de Jos Roberto Pereira (Aciag), secretrios Ageu Cavalcante e Ridoval Chiareloto, deputado Chico Abreu, prefeito Jos Macedo, Paulo Afonso (FIEG), Eduardo Zuppani (Sindiqumica) e Marley Rocha (Sinprocim)

    quem dIrIge A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI APAreCIdA de goINIA

    adair prateado Jnior (a partir de 1/06/1994)

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 117

    Nova unidade: diretor da PR-VIDA, Nelson Costa, fala na inaugurao da Escola SENAI Dr. Celso Charuri, construda em parceria com a instituio beneficente e a prefeitura de Aparecida de Goinia

    A segunda unidade do SENAI em Aparecida de Goinia a caula do Estado, inaugurada em outubro de 2011. Resultado de parceria com a

    instituio beneficente PR-VIDA e a Prefeitura

    de Aparecida, a Escola SENAI Dr. Celso Charuri

    foi instalada pronta para funcionar e matricular, em

    mdia, 2,7 mil alunos por ano. A unio de esforos

    entre a PR-VIDA e a Prefeitura de Aparecida foi

    decisiva para que a unidade se tornasse uma reali-

    dade no municpio.

    A escola est localizada na Vila Oliveira e foi

    erguida em terreno de 13,7 mil metros quadrados

    doado pelo Executivo municipal. A rea edificada

    de cerca de 3 mil metros quadrados, onde so

    ministrados cursos de manuteno industrial, ele-

    troeletrnica, metalmecnica, informtica e cons-

    truo civil nas modalidades de aprendizagem

    industrial, qualificao profissional, habilitao

    tcnica e aperfeioamento.

    A PR-VIDA foi responsvel pela constru-

    o do edifcio e aquisio de parte dos equipa-

    mentos necessrios ao funcionamento da escola,

    doados ao SENAI. A prefeitura investiu na infra-

    estrutura da regio, para facilitar o acesso da co-

    munidade. Ruas e avenidas foram pavimentadas,

    alm de melhorada a infraestrutura viria, com a

    duplicao de vias.

    Os distritos agroindustriais do municpio tm

    escola seNAI dr. Celso Charuri

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |118

    atrado nos ltimos anos empresas dos mais di-

    versos ramos. O parque industrial de Aparecida

    formado por quase mil empresas dos mais variados

    segmentos da indstria, entre elas Grupo Mabel,

    Equiplex Indstria Farmacutica, Fraldas Sapeka,

    Fraldas Kisses, Tempervidros e Arroz Cristal.

    Levantamento que antecedeu a abertura da

    nova escola demonstrou a carncia de mo de obra

    especializada na cidade e a demanda indicava a

    necessidade de criao de cursos tcnicos articu-

    lados com o ensino mdio em reas como eletro-

    mecnica, metalmecnica e informtica. O estudo

    tambm mostrou lacuna significativa em relao a

    cursos de aprendizagem nas reas administrativa e

    de gesto, soldagem, manuteno e usinagem, ele-

    tricidade, entre outras. Lacuna que agora poder

    ser suprida com o oferecimento de cursos nesses

    segmentos, diz o diretor da unidade, Marcos An-

    tnio Mariano Siqueira, com a experincia de ter

    dirigido anteriormente a Faculdade de Tecnologia

    SENAI talo Bologna, em Goinia.

    Oficina da Escola SENAI Dr. Celso Charuri: estudantes conhecem novas instalaes destinadas educao profissional

    marcos antnio mariano siqueira (a partir de 15/07/2011)

    quem dIrIge A esColA seNAI dr. Celso ChArurI

    H mais de 20 anos a Dinmica Engenharia tem parceria com o SENAI, sempre recebendo apoio necessrio para implementao de todas as atividades dentro e fora de nossos canteiros de obra.

    Mrio Valois, Diretor da Dinmica Engenharia

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 119

    O Ncleo Integrado SESI SENAI Senador Ca-nedo um dos mais recentes instalados em Gois. Inaugurado em 4 de novembro de 2009,

    a unidade funciona nos moldes atuais de gesto

    compartilhada com o SESI, em que a comunidade

    tem acesso, no mesmo espao, Educao Profis-

    sional e Bsica.

    Com uma taxa de crescimento populacional

    bem acima da mdia da maioria dos municpios

    de Gois, Senador Canedo, com 75 mil habitan-

    tes (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsti-

    ca/2010), cresce de forma acelerada. Para a cidade,

    localizada na Regio Metropolitana de Goinia,

    convergem iniciativas do setor produtivo, o que tem

    demandado, cada vez mais, mo de obra especiali-

    zada para suprir as necessidades da indstria.

    Senador Canedo tem a marca da indstria do

    setor de combustveis, mas bem mais que isso. A

    localizao estratgica atrai cada vez mais empre-

    sas, fazendo com que o municpio esteja sempre

    entre os cinco, seis maiores responsveis pela ar-

    recadao do Imposto Sobre Circulao de Mer-

    cadorias e Servios (ICMS), segundo indicadores

    da Secretaria Estadual de Planejamento, e um dos

    mais competitivos de Gois. Desse modo, esto

    instaladas hoje em Senador Canedo indstrias

    representantes de setores diversos, como o de ali-

    mentos, tecnologia, couros, vesturio, transporte.

    No Ncleo Integrado SESI SENAI Senador

    Canedo, a comunidade tem acesso Educao

    Profissional nas modalidades de aprendizagem e

    qualificao em transporte, tecnologia da informa-

    o, gesto comportamental, construo civil, ali-

    mentos e bebidas. O SESI, por sua vez, oferece va-

    gas em cursos gratuitos ministrados na modalidade

    de educao a distncia e programas de Educao

    de Jovens e Adultos (EJA) e Educao Continuada,

    alm de desenvolver projetos consolidados, como

    o Atletas do Futuro e aes educativas em sade.

    Ncleo Integrado sesI seNAI senador Canedo

    Um dos municpios goianos mais competitivos, Senador Canedo ganhou, em 2009, ncleo integrado SESI SENAI, inaugurado pelo ento prefeito Vanderlan Cardoso, Paulo Afonso Ferreira e Paulo Vargas

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |120

    Anpolis, a cidade-bero do SENAI em Goi-s, onde est instalada a hoje Faculdade de Tecnologia Roberto Mange, ganhou em 2011 mais

    uma unidade do sistema, o Ncleo de Formao

    Profissional Conjunto Filostro Machado, fruto de

    parceria entre o SENAI e a Prefeitura de Anpolis.

    uma das caulas entre as 20 unidades instala-

    das em todo o Estado, e foi fundada com o objetivo

    de representar um esforo na qualificao profis-

    sional dos jovens da regio.

    Com a abertura do posto avanado, j com

    400 alunos matriculados, a instituio avana no

    atendimento demanda por mo de obra qua-

    lificada em regio habitada por cerca de 50 mil

    habitantes.

    As atividades educacionais desenvolvidas so

    coordenadas pela Fatec Roberto Mange. O novo

    ncleo conta ainda com parceria das unidades

    do SESI Jaiara e Jundia, responsveis por ativi-

    dades de Educao Continuada, bem como por

    programas como Educao de Jovens e Adultos e

    Cozinha Brasil.

    Quando da instalao do ncleo, o prefeito de

    Anpolis, Antnio Gomide, frisou: Nosso objetivo

    beneficiar os cerca de 50 mil moradores da regio

    e garantir que o desenvolvimento econmico e

    social chegue a todos, com a oferta cada vez maior

    de qualificao.

    Anpolis

    Cidade-bero ganha ncleo de formao profissional

    Mais Anpolis: presidente da FIEG, Pedro Alves de Oliveira, discursa na inaugurao do Ncleo de Formao Profissional Conjunto Filostro Machado, observado pelo prefeito Antnio Gomide, empresrios e autoridades

    O SENAI um parceiro estratgico para a Caoa/Hyundai desde sua instalao em Anpolis. A maioria dos funcionrios da montadora formada por egressos do SENAI. Fabricamos um produto de altssima qualidade, nosso veculo competitivo no mercado e isso se deve, alm da tecnologia que utilizamos, competncia da mo de obra que empregamos. Estamos muito satisfeitos com o atendimento realizado pelo SENAI Gois.

    Akira Yoshikawa, ex-diretor da Caoa/Hyundai

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 121

    Na inaugurao do CFP Catalo, em 1988, Ardio Teixeira Duarte, prefeito Haley Margon Vaz, Aquino Porto ouvem explicaes sobre a escola do tcnico Jos Gonzaga Ribeiro (centro)

    Catalo, no Sudeste de Gois, recebeu, ainda no final da dcada de 1980, uma unidade do SENAI para atender ao acelerado processo de

    ocupao e desenvolvimento da regio. O CFP

    nasceu da parceria com o municpio, que cedeu,

    em regime de comodato, terreno de 7,7 mil me-

    tros quadrados para construo da escola, hoje

    com rea edificada de 4,8 mil metros quadrados.

    A parceria incluiu as mineradoras Goiasfrtil (hoje

    Ultrafrtil), Minerao Catalo e Coperbras. O

    incio da obra ocorreu em 1986, com inaugurao

    em 28 de dezembro de 1988.

    O SENAI construiu em Catalo um centro de ensino que orgulho para esta cidade e para sua

    gente. uma obra para o prximo sculo, projeta-

    da para as geraes do futuro. Foram palavras do

    prefeito poca, Haley Margon Vaz, completado

    pelo ento presidente da Federao das Indstrias

    do Estado de Gois (FIEG), Jos Aquino Porto:

    O CFP Catalo exemplo do quanto podem a

    unio e o esforo comum.

    Catalo

    escola seNAI Catalo

    O SENAI formou minha personalidade profissional alicerada na tica e no exerccio da cidadania. O SENAI no forma s profissionais aptos para o mercado de trabalho, mas tambm cidados melhores na sociedade.

    Dyheizon Carlos Pereira, ex-aluno e instrutor da Escola SENAI Catalo, atualmente advogado

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |122

    A unidade atua fortemente nas reas de

    confeco, eletroeletrnica, instrumentao,

    metalmecnica, setor automotivo, tecnologia da

    informao, segurana do trabalho, transporte,

    qumica e gesto. Desde que comeou suas ativi-

    dades, em 1988, a escola foi responsvel pela for-

    mao de 57.922 alunos. E o volume de formandos

    no SENAI Catalo cresce ano aps ano. Saltou de

    3.255, em 2006, para 12.671, em 2011, aumento de

    quase 290%.

    Como atende a diversos segmentos na regio,

    a escola precisa tambm oferecer formao capaz

    de abranger todos os nveis e tipos de produo.

    Uma das fortes reas de atuao, segundo o diretor,

    Antnio Ildio Reginaldo da Silva, o segmento de

    lingerie, devido instalao de grandes empresas

    do ramo no municpio. Do mesmo modo, tambm

    dispe de profissionais altamente especializados na

    formao de mo de obra para minerao, mec-

    nica automotiva e mecnica de mquinas e imple-

    mentos agrcolas. Tudo isso resultante da realida-

    de local, ressalta Antnio Ildio, frente do SENAI

    desde 1996, bem como da unidade do SESI, que

    funciona de forma integrada.

    Segundo Antnio Ildio, a partir de 2005 a es-

    cola adquiriu tecnologias CNC em fresas e tornos,

    bem como domnio em software voltado para a

    produo de alto volume em confeco. o SE-

    NAI de Catalo seguindo seu tempo, atuando em

    consonncia com o atual momento da indstria,

    para atender real demanda daquela regio.

    Ex-alunos Quem passou pelo SENAI Catalo o hoje

    advogado Dyheizon Carlos Pereira, de 32 anos.

    Natural de Ouvidor, ele vive em Catalo desde os

    anos 1980. Na adolescncia, de olho na excelncia

    da formao oferecida pelo SENAI, buscou a es-

    cola para fazer o curso de manuteno em eletrici-

    dade. Vrios outros vieram no currculo, inclusive

    com o ex-aluno representando a escola em torneios

    locais e nacionais.

    Voltou ao SENAI, mais tarde, como monitor

    em sua rea de formao e, em seguida, como ins-

    trutor extraquadro, condio em que trabalhou por

    mais de uma dcada. Formado em Direito, hoje

    advogado em Catalo. Depois que eu passei pelo

    SENAI, a insero no mercado de trabalho foi

    imediata. Aps qualificado, nunca mais estive de-

    sempregado, complementa.

    Como a Escola SENAI passou, a partir de

    2008, a atuar de forma integrada com a unidade

    local do SESI, a comunidade de Catalo encontra

    no sistema, tambm, a oportunidade de cursar as

    sries do Ensino Fundamental, Ensino Mdio, a

    Educao de Jovens e Adultos (EJA), o Ensino M-

    dio Articulado com a Educao Profissional. Tem

    acesso ainda a aes educativas e preventivas.

    Dyheizon Carlos Pereira, ex-aluno de manuteno em eletricidade: Depois

    que eu passei pelo SENAI, a insero no mercado de trabalho foi imediata

    onion Carrijo Frana (1/04/1988 a 1/04/1996)

    antnio ildio reginaldo da silva (a partir de 1/04/1996)

    quem dIrIgIu A esColA seNAI CAtAlo

    Somos testemunhas da qualidade, dedicao e, principalmente, dos resultados na formao de pessoal tcnico, principal foco do SENAI.

    Gustavo Reis Teixeira, Diretor de Mercado da LG Sistemas

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 123

    Somando foras, setor produtivo empresas como Caramuru Alimentos, Maeda Industrial e Sementes Pionner , prefeitura municipal e SE-

    NAI tornaram realidade, em 1992, a Escola SENAI

    Itumbiara. Liderado pela Associao Comercial e

    Industrial, um grupo de empresrios da regio ad-

    quiriu e doou instituio, em 1991, um terreno de

    aproximadamente 20 mil metros quadrados, onde

    a escola seria erguida e aberta comunidade, um

    ano depois. Tambm se responsabilizou por parte

    da compra dos equipamentos destinados ao fun-

    cionamento das oficinas de ensino.

    prefeitura coube edificar os pavilhes onde

    as oficinas seriam instaladas, mais tarde, asfaltar

    vias de acesso interno, construir estacionamen-

    to, meios-fios. O SENAI ergueu os pavilhes das

    reas administrativas, adquiriu maquinrio e mobi-

    lirio em geral. Nascia, no comeo da dcada de

    1990, importante polo formador de mo de obra

    qualificada para o forte processo de industrializa-

    o que rumava ao Sul do Estado.

    Dada a diversidade de segmentos em que

    atua, o SENAI Itumbiara atende a um grande

    universo relacionado ao setor produtivo na regio.

    Do microempresrio s grandes companhias, to-

    dos tm na instituio um brao-forte no que diz

    respeito preparao do trabalhador para atuar

    nos mais variados setores industriais, afirma o di-

    retor da unidade, Aroldo dos Reis Nogueira. Tam-

    bm forma enorme quantidade de funcionrios

    para reas administrativas, de gesto e superviso

    dessas empresas.

    Itumbiara

    escola seNAI Itumbiara

    CFP Itumbiara, em obras, e na inaugurao, em 1992, recebe visita de empresrios e autoridades, como Mauro Miranda, Aquino Porto, Joo Natal, Paulo Vargas, prefeito Celso Santos e professora Terezinha Vieira dos Santos

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |124

    O nmero de alunos atingidos pela formao

    oferecida pelo SENAI Itumbiara cresce a uma pro-

    poro significativa nos ltimos anos. Para se ter

    uma ideia, em 2005 passaram por l 1.806 alunos,

    segundo registros da escola. Em 2008, esse nme-

    ro havia saltado para 2.706. J 2011, bateu a marca

    dos 5.357 alunos, crescimento de quase 200% na

    preparao de trabalhadores para o mercado de

    trabalho em seis anos, apontam as estatsticas.

    Em Itumbiara, o SENAI atua nas reas ad-

    ministrativa, de alimentos, qumica, sucroalco-

    oleira, eletroeletrnica, mecnica automotiva,

    mecnica industrial, informtica, entre vrias ou-

    tras. Presta, ainda, servios de assessoria tcnica e

    tecnolgica s empresas da regio. Servios tam-

    bm so colocados disposio da comunidade

    de Itumbiara por meio de parcerias com o poder

    pblico, por exemplo.

    Oferece trs cursos na modalidade de educa-

    o profissional articulado com ensino mdio, do

    SESI: tcnico em Qumica Industrial, tcnico em

    Eletromecnica e tcnico em Mecnica. A escola

    tambm forma tcnicos em Alimentos, Acar e

    lcool, Segurana no Trabalho, Eletromecnica,

    Mecnica, Qumica Industrial, Eletrotcnica e

    Logstica. Vrios outros cursos em diferentes mo-

    dalidades integram a programao da instituio.

    O municpio de Itumbiara um dos que mais

    crescem no Estado, taxa mdia de 1,52% (dados

    de 2008 da Secretaria Estadual de Planejamento),

    aproximando-se dos 100 mil habitantes. Dos R$

    113,6 milhes em arrecadao de Imposto Sobre

    Circulao de Mercadorias e Servios (2009), R$

    20,1 milhes vieram da produo industrial, segun-

    do maior porcentual do municpio, o que demons-

    tra a fora do setor na regio, com consequente ne-

    cessidade de formao de mo de obra qualificada

    que garanta seu crescimento.

    Claiton Cndido, ex-aluno e instrutor do SENAI Itumbiara, 8 lugar em fresagem no World Skills, no Canad, em 1999

    quem dIrIgIu A esColA seNAI ItumbIArA

    Jair Braz de oliveira (10/03/1993 a 1/09/1993)

    adenerte moiss da rocha (10/08/1993 a 30/03/2001)

    ivan de oliveira Barros (12/03/2001 a 1/10/2001)

    aroldo dos reis nogueira (a partir de 1/06/2002)

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 125

    Sudoeste Goiano

    unidade Integrada sesI seNAI rio verde

    A ampliao do parque industrial na Regio Su-doeste do Estado nos ltimos anos da dcada de 1990, com a instalao em Rio Verde de gran-

    des empresas do setor de alimentao, fez crescer,

    naturalmente, a demanda por mo de obra espe-

    cializada. Nasce a ento Escola SENAI Fernando

    Bezerra, que a partir de 2006 tem suas atividades

    integradas s do SESI, constituindo a Unidade In-

    tegrada SESI SENAI Rio Verde.

    A implantao ocorreu em 29 de dezembro

    de 1998, na mesma rea onde antes havia funcio-

    nado o Centro Regional de Treinamento do Su-

    doeste (CRTS), que fora instalado no municpio

    ainda em 1977.

    Transformada em uma grande escola, abriu

    suas portas oferecendo formao de recursos hu-

    manos nas modalidades de aprendizagem indus-

    trial, qualificao profissional, habitao tcnica,

    especializao e aperfeioamento para as reas de

    manuteno, superviso e operao das empresas

    instaladas na regio. Desde o incio, tambm presta

    s indstrias locais servios de assistncia tcnica e

    tecnolgica, contribuindo com a modernizao e

    atualizao dos sistemas produtivos.

    O terreno onde foi construda a escola, de

    19,2 mil metros quadrados, havia sido cedido ao

    SENAI, em regime de doao, pela Prefeitura

    de Rio Verde. As modernas instalaes da escola

    integram rea edificada de mais de 5 mil metros

    quadrados. A construo foi fruto de parceria entre

    a instituio e o poder pblico, o que propiciou a

    transformao de um modesto centro de treina-

    mento ento existente em moderna escola, dotada

    de laboratrios de ltima gerao, compatveis com

    o nvel tecnolgico dos grupos empresariais instala-

    dos na regio.

    Localizado na Rua Guanabara, no Setor Pau-

    zanes, o SENAI Rio Verde formou 22,4 mil alunos

    entre 2008 e 2011. A expanso do setor sucroalcoo-

    leiro na regio nos ltimos anos fez com que a es-

    cola se adequasse para formao de mo de obra

    capaz de atender s necessidades desse segmento

    industrial. Assim, passaram a ser oferecidos cursos

    Antigo Centro Regional de Treinamento do Sudoeste, instalado em 1977, e a hoje Unidade Integrada SESI SENAI Rio Verde: transformao para atender ampliao do parque industrial

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |126

    de operao mecnica de mquinas agrcolas e

    operao de processos para as indstrias.

    Atento s novas demandas, mas tambm cien-

    te do papel fundamental que exerce como forma-

    dor de recursos humanos capacitados para atuar

    nas indstrias da Regio Sudoeste do Estado, o

    SENAI busca atender todos os segmentos existen-

    tes, explica o atual diretor, Hlio Santana. No por

    acaso, o portflio inclui hoje uma gama enorme

    de cursos nas reas de mecnica de manuteno

    industrial, eletroeletrnica, mecnica automotiva,

    administrao, informtica.

    Na rea de mecnica automotiva, por exem-

    plo, so oferecidos cursos de mecnica de manu-

    teno de veculos movidos a lcool e gasolina e

    mecnica de manuteno de veculos a diesel, nas

    modalidades de aprendizagem industrial bsica,

    aperfeioamento profissional, qualificao profis-

    sional. J dentro das empresas, so realizados cursos

    de manuteno e operao de mquinas agrcolas.

    Por meio dos Servios Tcnicos e Tecnolgi-

    cos prestados pelo SENAI Rio Verde, as empre-

    sas da Regio Sudoeste contam com um corpo

    profissional capaz de oferecer as mais atualizadas

    informaes, necessrias ao desenvolvimento dos

    processos produtivos. H desde consultorias na

    gesto de produo e servios laboratoriais, sempre

    com a possibilidade de uso da rede de laboratrios

    e de tecnologia que integram o SENAI para a dis-

    seminao das informaes por meio de cursos e

    palestras.

    A escola tem passado por constante atualiza-

    o de seus ambientes de ensino. Foram adquiridos

    equipamentos mais modernos, ampliadas as salas

    de estudo, bem como aumentado, tambm, o qua-

    dro de colaboradores, sobretudo de professores e

    instrutores. Em relao aos equipamentos, desde

    que as especificaes do fabricante permitam, a

    unidade procura investir em aparelhos que possibi-

    litam a realizao de cursos promovidos por aes

    mveis, cujos instrumentos possam ser deslocados.

    Assim, as empresas podem ser atendidas em seu

    prprio ambiente, o que resulta em ganho produ-

    tivo e evita o deslocamento dos tcnicos e colabo-

    radores desses grupos, que muitas vezes esto em

    locais distantes da sede de Rio Verde.

    Ligados Unidade Integrada SESI SENAI

    Rio Verde, nasceram ncleos de formao de mo

    de obra para a indstria nas cidades de Quirin-

    polis e Mineiros. O primeiro surgiu em maro de

    2010 para atender crescente demanda das empre-

    sas instaladas na cidade, cujo parque foi fortemente

    ampliado com o desenvolvimento do setor sucroal-

    cooleiro na regio.

    Wilson gilberto pereira Junior (14/02/1977 a 17/09/1982)

    Donaldo alberto Ferreira (15/02/1984 a 1/06/1986)

    Eni soares de oliveira (1/06/1986 a 24/03/1993)

    onion Carrijo Frana (15/09/1996 a 1/10/1999)

    alexandre mendona de Barros (1/10/1999 a 1/07/2003)

    robert de souza Bonuti (1/02/2004 a 02/04/2012)

    hlio santana (a partir de 02/04/2012)

    quem dIrIgIu o seNAI em rIo verde (ANtIgo CeNtro regIoNAl de treINAmeNto do sudoeste e AtuAl uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI rIo verde)

    Conhecida como regio do agronegcio, Rio Verde diversifica sua economia com expanso do setor confeccionista. Em 2006, a Unidade SESI SENAI ganhou ncleo de vesturio para atender s indstrias

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 127

    Inaugurado em maro de 2010, o ncleo SESI SENAI Quirinpolis virou unidade integrada dois anos depois: investimentos em parceria com iniciativa privada

    Menos de um ano depois de Quirinpolis, foi a vez de Mineiros ganhar ncleo SESI SENAI: fora da indstria da Regio Sudoeste

    O ncleo de Mineiros foi inaugurado em de-zembro de 2010. L, a estrutura resultado da parceria entre o SENAI, ETH Bioenergia, BRF

    Brasil Foods e Prefeitura Municipal. Tambm ofe-

    rece cursos de mecnica de manuteno industrial,

    informtica e assistente-administrativo. Em parce-

    ria com empresas da regio, so realizados cursos

    de operao e manuteno de mquinas agrcolas

    e operao de processos industriais, especialmente

    desenvolvidos para as indstrias do setor sucroalco-

    oleiro. O SESI, da mesma forma, tambm realiza

    servios na rea educacional.

    Instalado por meio de investimentos do SENAI, da Usina Boa Vista, Usina So Francisco e Pre-feitura Municipal, o ncleo de Quirinpolis virou

    Unidade Integrada SESI SENAI em 2012, sob a

    administrao de Robert de Souza Bonuti, que

    at ento gerenciava a Unidade SESI SENAI Rio

    Verde. Ali, so oferecidos cursos nas reas de ele-

    troeletrnica industrial, operao e manuteno de

    mquinas agrcolas, mecnica de veculos a diesel

    e mecnica de manuteno industrial tornearia,

    solda, caldeiraria, hidrulica, pneumtica, entre

    outras. Do mesmo modo que ocorre em Rio Ver-

    de, tambm em Quirinpolis o SESI atua de for-

    ma integrada com o SENAI, oferecendo cursos

    de Educao de Jovens e Adultos e de Educao

    Continuada.

    unidade Integrada sesI seNAI quirinpolis

    Ncleo Integrado sesI seNAI mineiros

    quem dIrIge A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI quIrINPolIs

    robert de souza Bonuti (a partir de 02/04/2012)

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |128

    Em Minau, no Norte do Estado, como resulta-do da estratgia sistemtica de parceria entre o SENAI e a iniciativa privada, nasce, em 1988, o

    ento Centro de Formao Profissional SENAI

    SAMA, dentro das instalaes da mineradora.

    Desde 1979, o SENAI j atendia SAMA Minera-

    o e Amianto, assessorando-a nos cursos profissio-

    nalizantes que eram ministrados no local, antes de-

    nominado Centro de Formao e Treinamento de

    Pessoal (CFTP), mantido pela empresa para a pre-

    parao de aprendizes, dentro da Lei de Incentivos

    Fiscais para Formao Profissional (Lei 6.297/75).

    Em 10 de outubro de 1988, SAMA e SENAI

    assinaram Termo de Cooperao Tcnico-Finan-

    ceira. A partir de ento, a instituio passou a as-

    sumir a gesto e toda a formao de mo de obra

    na unidade, que funciona em instalao erguida na

    Vila Residencial da SAMA Minerao e Amianto,

    em terreno pertencente empresa.

    Concretizamos um namoro de pratica-

    mente dez anos com o SENAI, que sempre nos

    atendeu e nos beneficiou bastante com sua com-

    petncia na formao de nossos jovens tcnicos

    e mesmo na organizao dos nossos seminrios

    gerenciais, disse poca o gerente da SAMA,

    Andr Blondeau.

    Minau

    unidade Integrada sesI seNAI sAmA

    Outubro de 1988: o ento presidente da FIEG, Aquino Porto, e gerente geral da SAMA poca, Andr Blondeau, assinam termo de cooperao para o SENAI assumir o centro de formao da mineradora (abaixo), concretizando namoro de dez anos

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 129

    Em 2007, a escola se tornou Unidade Integra-

    da SESI SENAI SAMA, ampliando o portflio

    de servios colocados disposio da mineradora,

    destaca o atual diretor, Josu Teixeira de Moura.

    Hoje so oferecidos cursos tcnicos de Minera-

    o, Eletrotcnica, Logstica, Segurana do Tra-

    balho, Eletromecnica e Eletrnica. J os cursos

    de aprendizagem so nas ocupaes de Eletricista

    de Sistemas Eletroeletrnicos, Mecnico de Ma-

    nuteno de Mquinas Industriais e Assistente

    Administrativo.

    H ainda grande variedade de cursos na mo-

    dalidade de qualificao, que vo de torneiro me-

    cnico, pintor, soldador, a recepcionista, auxiliar

    de pessoal e manicure, cuja realizao contribui

    para melhorar as condies de emprego e renda da

    comunidade de Minau, indo, portanto, alm, da

    atuao junto aos colaboradores da SAMA Mine-

    rao e Amianto.

    Desde que comeou a funcionar sob a gesto

    do SENAI, a unidade formou aproximadamente

    17,2 mil trabalhadores para a indstria, sendo pon-

    tos fortes a mecnica industrial, a eletroeletrnica

    e a rea de minerao. Nos ltimos anos, moder-

    nizou suas instalaes e hoje conta com o suporte

    de uma unidade do projeto Indstria do Conheci-

    mento, do SESI, e da Biblioteca Rubens Rela Fi-

    lho, denominao dada em homenagem ao diretor

    geral da SAMA.

    Ao funcionar como unidade integrada, o

    SESI, juntando-se s atividades desenvolvidas pelo

    SENAI, oferece, alm dos cursos de Educao B-

    sica, atividades de esporte e lazer. Dentre elas, tnis,

    natao, voleibol, futebol, futsal, basquete, atletis-

    mo, hidroginstica, dana e msica. Aes voltadas

    no apenas para os trabalhadores da SAMA, mas

    para adultos e crianas da comunidade de Minau.

    Unidade Integrada SESI SENAI SAMA, dentro da mineradora: amplo e diversificado portflio de cursos, de torneiro mecnico a manicure

    moacir tomz da silva (08/09/1982 a 20/03/1984)

    luiz alberto Cristino (1/02/1989 a 20/02/1998)

    roque Celso Fulini (janeiro/1998 a agosto de 1999)

    hlio Vilaa (1/04/2001 a 03/11/2006)

    Wilson Caetano da silva (03/01/2006 a 1/03/2007)

    Josu teixeira de moura (a partir de 1/03/2007)

    quem dIrIgIu A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI sAmA (ANtIgo CfP seNAI sAmA)

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |130

    Niquelndia e Barro Alto

    unidade Integrada sesI seNAI Niquelndia

    No Conjunto Habitacional Codemin, no Bairro Jardim Atlntico, em Niquelndia, Regio Norte do Estado, est localizada a Unida-

    de Integrada SESI SENAI daquele municpio. A

    construo, em terreno doado s instituies pela

    mineradora Anglo American do Brasil, composto

    por aproximadamente 50 mil metros quadrados de

    rea, teve incio em 2005 e resultado de parceria

    que inclui, ainda, a Prefeitura Municipal de Nique-

    lndia e a tambm mineradora Votorantim Metais

    Nquel S.A. As atividades destinadas aos trabalha-

    dores da indstria daquela regio comearam um

    ano depois, em agosto de 2006.

    A Unidade Integrada SESI SENAI Nique-

    lndia tem, como particularidade, o fato de ter sido

    concebida j neste modelo de integrao entre as

    duas instituies. Compreendendo a necessidade

    de proporcionar eficiente formao profissional

    na regio, Anglo e Votorantim aportaram recursos

    para implantao da unidade aps buscarem a par-

    ceria, referendada tambm pela administrao de

    escola de filhos de colaboradores da Votorantim

    pelo SESI.

    Para atender s especificidades das indstrias

    da regio, o SENAI Niquelndia atua nos segmen-

    tos de eletrotcnica, metalurgia, qumica indus-

    trial, administrao e segurana do trabalho. Pelos

    cursos oferecidos na unidade passam, atualmente,

    cerca de 2,4 mil alunos. Em seus cinco anos de fun-

    cionamento, a unidade totaliza 12.137 concluintes.

    Depois que passei pelo SENAI, como aluno, as portas do mercado de trabalho se abriram para mim. diferente. Se voc tem um diploma do SENAI, a empresa o valoriza, o trabalhador tem credibilidade. Depois que me formei, minha fora de trabalho foi vista com mais interesse pela indstria.

    Lusenir Ferreira Pimentel, ex-aluno e instrutor da Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia

    Fora da minerao: Anglo American, Votorantim Metais, prefeitura e Sistema FIEG assinam placa que inaugura a Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia, em 2006

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 131

    De aluno a instrutorUm dos ex-alunos, agora integrante do corpo

    docente, Lusenir Ferreira Pimentel, de 26 anos,

    formado metalrgico na Unidade Integrada SESI

    SENAI Niquelndia, onde estudou de abril de

    2008 a dezembro de 2009. Como funcionrio efe-

    tivo, tornou-se instrutor de Educao Profissional,

    na rea de sua formao. Divide as atividades entre

    a sala de aula e o laboratrio, acompanha os alunos

    nos estgios realizados nas empresas da regio e

    ainda responsvel pelas manutenes corretivas

    e preventivas em equipamentos da unidade, onde

    tambm acompanha, hoje, pesquisa de aperfei-

    oamento de processos metalrgicos. Em breve

    estarei trabalhando um projeto de otimizao de

    produo metalrgica, diz ele.

    Embora relativamente jovem, a unidade j

    recebeu importantes ampliaes aps ser fundada.

    Quatro novas salas de aula, cada uma com capa-

    cidade para 50 alunos, foram abertas. Tambm

    foram construdos os laboratrios de Qumica e

    Metalurgia, o que incrementou as possibilidades

    de ensino no local.

    Na modalidade de Aprendizagem Industrial

    Bsica, a Unidade SESI SENAI Niquelndia ofe-

    rece vagas nas ocupaes de Assistente Adminis-

    trativo, Eletricista de Sistemas Eletroeletrnicos e

    Auxiliar de Laboratrio Industrial. J na Aprendi-

    zagem Industrial Tcnica articulada com o Ensi-

    no Mdio, so realizados cursos de Eletrotcnica

    e Qumica. As Habilitaes Tcnicas so realiza-

    das em Acar e lcool, Metalurgia, Segurana

    no Trabalho, Qumica, Eletrotcnica e Logstica.

    H, ainda, formao das modalidades de Aperfei-

    oamento e Qualificao Profissional e Educao

    a Distncia.

    Lusenir Ferreira Pimental, de aluno a instrutor e muitas atribuies na escola e nas empresas

    Construda em apenas um ano, a Unidade Integrada SESI SENAI Niquelndia passou por vrias ampliaes: atuao diversificada na regio Norte

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |132

    Lusenir fez o curso tcnico em Metalurgia

    para voltar, depois, como mestre prpria escola.

    Escolhi o SENAI por sempre ter representado

    uma referncia, para mim, em educao e com-

    promisso com o aprendizado. A instituio se preo-

    cupa com a formao adquirida pelos alunos, com

    os valores que eles vo levar daqui. Valores como

    respeito ao meio ambiente e s pessoas, tica, se-

    gurana, coerncia no que faz esto presentes na

    histria do SENAI. Isso me motivou ainda mais a

    estudar e a permanecer aqui, diz.

    Trajetria semelhante tem outro ex-aluno da

    escola e hoje instrutor de Educao Profissional

    Arlam Gomes Souza. O empenho e a dedicao

    do jovem de apenas 19 anos abriram-lhe as portas

    dentro e fora do SENAI. Aos 14 anos, o ento ado-

    lescente teve seu primeiro contato com o sistema,

    ao passar pelo curso de eletricista de sistemas ele-

    troeletrnicos, integrando, na poca, a primeira

    turma nessa rea. Formou-se tambm tcnico em

    eletrotcnica em 2009.

    Em 2008, na condio de menor aprendiz,

    trabalhou na Votorantim Metais, empresa parcei-

    ra do SENAI na regio. Quando retornou escola

    para fazer o curso tcnico, foi convidado para per-

    manecer na unidade como estagirio voluntrio

    num dos perodos. Aceitou a empreitada, sendo

    depois contratado como estagirio at a concluso

    do curso. Vencida mais essa etapa, o ex-aluno do

    SENAI Niquelndia tambm passou a ensinar a

    garotada da regio, ao assumir a funo de instru-

    tor de Educao Profissional.

    Tudo o que sei, profissionalmente e inclusive

    boa parte do que aprendi para a minha vida pesso-

    al, eu devo ao SENAI. Entrei ali com 14 anos. Toda

    a minha formao vem de l, resume o instrutor.

    Alm da profisso que adquiri, posso dizer que

    levarei do SENAI, para toda a vida, valores como

    disciplina profissional, proatividade, bom relacio-

    namento interpessoal. O SENAI me ensinou a

    olhar para a frente, a ter grandes objetivos, afirma.

    Do SENAI, Lusenir conta que tambm le-

    var mais do que o ofcio adquirido nas oficinas

    da escola. No SENAI aprendi que, com boa for-

    mao, qualquer um chega onde quer. E o mais

    importante no ser o melhor em conhecimento.

    Importante saber lidar com as diferenas, com os

    obstculos, os desafios que a vida profissional lhe

    impe. Mais importante ser persistente nessa

    busca pela superao dos limites. Isso nos abre no-

    vas possibilidades de crescimento e evoluo pes-

    soal, ensina. Cheguei onde estou, sou feliz com o

    que fao, mas quero ir alm, avisa.

    No pdio: Arlam Gomes Souza, medalha de ouro na Olimpada do Conhecimento em eletricidade industrial e ascenso como instrutor do SENAI

    quem dIrIgIu A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI NIquelNdIA

    misclay marjorie (1/01/2006 a 05/01/2009)

    thiago vieira ferri (a partir de 05/01/2009)

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 133

    O SENAI Niquelndia tambm seguiu adian-te, como seus ex-alunos Lusenir e Arlam. Em 2009, passou a funcionar no municpio de

    Barro Alto, distante 95 quilmetros, um novo n-

    cleo ligado unidade em terreno doado ao SESI

    pela prefeitura da cidade. Apenas trs anos de-

    pois, em 2012, o ncleo virou unidade integrada,

    independente de Niquelndia. Ali so ministra-

    dos cursos de Aprendizagem Industrial Bsica, na

    rea do SENAI, alm da Educao de Jovens e

    Adultos, Alfabetizao e Educao Continuada,

    sob a responsabilidade do SESI. Para este ano, h

    previso de incio do curso tcnico em Logstica.

    A mais nova unidade integrada SESI SENAI

    conta com infraestrutura composta de ambientes

    pedaggicos propcios ao desenvolvimento das ati-

    vidades educacionais, incluindo seis salas de estudo

    com capacidade para 40 alunos cada; um labora-

    trio de Informtica com 16 microcomputadores;

    auditrio com capacidade para 50 pessoas e biblio-

    teca com considervel acervo e acesso internet,

    entre outros.

    unidade Integrada sesI seNAI barro Alto

    Trs anos depois da implantao, em 2009, o ncleo de Barro Alto transformado em Unidade Integrada SESI SENAI: expanso

    Washington lus Chaves lima (a partir de 1/02/2012)

    quem dIrIge A uNIdAde INtegrAdA sesI seNAI bArro Alto

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |134

    Trindade, a Capital da F de Gois, tambm a cidade da indstria confeccionista, sendo essa considerada uma das principais foras da produo

    local e geradora de emprego e renda. Uma vocao

    que remonta sua fundao e que, em agosto de

    1988, levou o SENAI, em parceria com a prefeitu-

    ra, a implantar ali uma estrutura destinada a prepa-

    rar a mo de obra para atuar no segmento. Nascia o

    Ncleo de Confeco de Trindade.

    Na solenidade de inaugurao daquele espa-

    o, o ento presidente do Sindicato das Indstrias

    do Vesturio do Estado de Gois, Jos Antnio

    Simo, disse: Este um pequeno passo e um

    marco para a profissionalizao e para o progresso

    industrial de Trindade, referindo-se oficina de

    costura instalada na ocasio numa sala cedida

    pela Prefeitura Municipal no Ginsio de Esportes

    da cidade, na Regio Metropolitana de Goinia.

    A unidade foi implantada atendendo justa-

    mente solicitao do sindicato da indstria de

    confeco local, devido crescente demanda por

    mo de obra especializada no segmento de ves-

    turio. Comeou a funcionar com 12 mquinas

    de costura e 36 alunos matriculados na primeira

    turma em cursos de qualificao e aperfeioa-

    mento em costura industrial. Em 2011, o nmero

    de matrculas no Ncleo de Confeco de Trin-

    dade chegou a 375 alunos nos cursos de costureiro

    industrial, modelista de roupas e aprendizagem

    industrial.

    Trindade

    Ncleo de Confeco de trindade

    Trindade, 1988: Paulo Vargas cumprimenta o ento secretrio de Indstria e Comrcio, Joo Paiva Ribeiro, ao inaugurar a Unidade Mvel de Costura Industrial, sucedida posteriormente pelo Ncleo de Confeco, inaugurada em 2006, com presena do prefeito George Morais Ferreira, Francisco de Faria, presidente do Sindicato das Indstrias do Vesturio no Estado de Gois, Paulo Vargas, Luiz Lopes e Marcos Mariano

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 135

    Jaragu

    Ncleo de Confeco de Jaragu

    Reconhecida como uma das principais foras da indstria de confeco no Estado, a cida-de de Jaragu, no Centro Goiano, foi contempla-

    da por um Ncleo de Confeco do SENAI em

    novembro de 1989. Com a misso de atender

    crescente demanda por mo de obra especializada

    no segmento de vesturio, quando o ncleo foi im-

    plantado, Jaragu contava com aproximadamente

    130 empresas do ramo. Duas dcadas mais tarde

    (segundo dados da Secretaria Estadual de Planeja-

    mento), esse nmero foi multiplicado por sete.

    O Ncleo de Confeco de Jaragu resulta-

    do de uma ao conjunta do SENAI, da Prefeitura

    Municipal e Associao Comercial e Industrial de

    Jaragu e nasceu de uma solicitao do sindicato

    da indstria confeccionista na regio e da prpria

    associao. A escola foi instalada em prdio cedido

    pela prefeitura e, desde o incio, conta com maqui-

    nrio capaz de preparar trabalhadores para a forte

    indstria do vesturio na regio. Quando foi insta-

    lado, o Ncleo de Confeco de Jaragu constitua

    o quarto no Estado implantado pelo SENAI. Ou-

    tros trs j funcionavam, em Goinia, Anpolis e

    Trindade. E coube unidade Roberto Mange, de

    Anpolis, a administrao do espao.

    Para atender grande demanda por cursos,

    sempre funcionou em trs turnos, no apenas com

    as aulas de costura, mas tambm em reas corre-

    latas, como modelagem, por exemplo. Em 2011,

    matriculou 421 alunos nos perodos matutino, ves-

    pertino e noturno nos cursos de costureiro indus-

    trial, modelista de roupas e informtica bsica. Ao

    todo, 371 concluram seus cursos no ano passado,

    estando aptos a uma vaga no mercado de trabalho.

    Jaragu, 1989: ento deputado Francisco de Castro, prefeito Paulo Antnio Gonalves, Elias Antnio de Souza, Paulo Vargas e Dreiner Milito

    Como indstria metalrgica especializada em ao inox, a DEC Brasil tem sempre necessidade de colaboradores bem treinados e o SENAI tem sido nosso parceiro constante atuando com seriedade, competncia e profissionalismo.

    Tiago Bailo, Diretor Industrial da DEC Brasil

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |136

    Ligado Faculdade de Tecnologia SENAI Ro-berto Mange, em Anpolis, o Ncleo de Educa-o Profissional SENAI Luzinia, no Entorno do

    Distrito Federal, foi inaugurado em 13 de dezem-

    bro de 2007. A construo da escola teve incio em

    janeiro daquele ano em um terreno de 1.350 metros

    quadrados cedido pela Prefeitura Municipal de Lu-

    zinia em regime de comodato. Desde sua abertu-

    ra, formou aproximadamente 1,6 mil alunos.

    As principais reas de atuao do ncleo de

    Luzinia so a metalmecnica e a eletroeletr-

    nica. Porm, oferece diversos cursos de aprendi-

    zagem industrial e qualificao profissional. Na

    modalidade de aprendizagem, so disponibili-

    zadas vagas para ocupaes de assistente-admi-

    nistrativo, eletricista de sistema eletroeletrnico

    e mecnico de manuteno de mquinas indus-

    triais. J na modalidade de qualificao profis-

    sional, so formados trabalhadores para atuar

    como eletricista instalador predial, eletricista

    instalador e mantenedor industrial e mecnico

    de manuteno industrial.

    De acordo com Luiz Augusto da Silva Jnior,

    coordenador-tcnico dos ncleos de Luzinia e

    Formosa (veja na pgina seguinte), h um projeto

    de ampliao do espao, j encaminhado prefei-

    tura da cidade. Luzinia, com populao de mais

    de 177 mil habitantes (dados do Instituto Brasileiro

    de Geografia e Estatstica em 2011), cresce a uma

    taxa de 2,09% ao ano, acima da mdia da maioria

    dos municpios goianos. Razo que, por si s, justifi-

    ca a ampliao do ncleo de Educao Profissional

    do municpio. A indstria , disparado, o setor de

    maior arrecadao de Imposto sobre Circulao

    de Mercadorias e Servios (ICMS), equivalente a

    R$ 21,1 milhes em 2010.

    Luzinia

    Ncleo de educao Profissional seNAI luzinia

    A organizao do sistema

    na poca da criao do Senai, euvaldo Lodi, ento presidente da Confederao nacional da indstria (Cni), e Roberto Simonsen, frente da Federao das indstrias do estado de So Paulo, inspiraram-se na experincia bem-sucedida do Centro Ferrovirio de ensino e Seleo Profissional e idealizaram uma soluo anloga para o parque industrial brasileiro. Dessa maneira, o empresariado assumiu no apenas os encargos, como queria o governo, mas tambm a responsabilidade pela organizao e direo de um organismo prprio, subordinado Cni e s Federaes das indstrias nos estados.

    Luzinia, 2007: instalao do Ncleo de Educao Profissional SENAI na histrica cidade ganha capa da revista Futuro Profissional

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 137

    Tambm ligado Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, o Ncleo Integrado SESI SENAI Formosa, no Entorno do Distrito

    Federal, foi fundado em agosto de 2009, em par-

    ceria com a Prefeitura Municipal. Nesses dois anos

    e meio de funcionamento, passaram pelo SENAI

    cerca de 1,3 mil alunos e, pelo SESI, em torno de

    1,2 mil estudantes.

    O ncleo funciona em um terreno de 395

    metros quadrados cedido pela Prefeitura Muni-

    cipal de Formosa ao SENAI por cinco anos, em

    regime de comodato. Na unidade, os trabalha-

    dores tm acesso a cursos de eletricista industrial,

    eletricista predial, mecnica de mquinas agrcolas

    e marcenaria. Como a cidade se destaca no setor

    moveleiro, a unidade SENAI busca atender ao seg-

    mento com a formao de mo de obra qualificada

    para exercer funes nas indstrias da regio.

    J em 2011, com dois anos de funcionamento,

    teve os laboratrios de marcenaria e mecnica atu-

    alizados com novos e modernos equipamentos.

    Segundo Luiz Augusto da Silva Jnior,

    coordenador tcnico e administrativo do ncleo,

    o SENAI disponibiliza no local toda a estrutura

    fsica necessria realizao dos cursos de

    Educao Profissional, alm de atuar por meio

    de unidades e aes mveis. Quanto ao SESI,

    h visitas mensais da coordenao ao Projeto

    SESI Alfabetizando, cujas aulas so ofertadas nas

    escolas municipais de Formosa.

    Formosa

    Ncleo Integrado sesI seNAI formosa

    A presena de profissionais capacitados fator determinante para a instalao de empresas. Com a ampliao do ncleo SESI SENAI, vamos oferecer mais oportunidades de qualificao para que as pessoas possam ter acesso ao mercado de trabalho.

    Pedro Ivo de Campos Faria, prefeito de Formosa

    Formosa, 2009: parceria com prefeitura viabiliza Ncleo Integrado SESI SENAI no Entorno do Distrito Federal

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |138

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 139

    a CaminhaDa: ontEm, hoJE, amanh

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |140

    Transformao e investimento em tecnologia

    nos anos 1960, o Senai investiu em cursos sistemticos de formao, intensificou o treinamento dentro das empresas e buscou parcerias com os Ministrios da educao e do Trabalho, e com o Banco nacional da Habitao. na crise econmica da dcada de 1980, o Senai percebeu o substancial movimento de transformao da economia e decidiu investir em tecnologia e no desenvolvimento de seu corpo tcnico. expandiu a assistncia s empresas, investiu em tecnologia de ponta, instalou centros de ensino para pesquisa e desenvolvimento tecnolgico. Com o apoio tcnico e financeiro de instituies da alemanha, Frana, itlia, do Canad, Japo e dos estados Unidos, o Senai chegou ao incio dos anos 1990 pronto para assessorar a indstria brasileira no campo da tecnologia de processos, de produtos e de gesto.

    Nas prateleiras do velho arquivo da pioneira Es-cola SENAI GO 1, de Anpolis, um livro de pginas amareladas pelo tempo guarda um pedao

    dessa histria. Os nomes de oito garotos, adoles-

    centes moradores da cidade e da vizinhana, inte-

    gravam a primeira turma matriculada nos cursos

    de aprendizagem ministrados nas antigas oficinas

    do centro de formao profissional. Era 1951, e a

    escola sequer tinha aberto as portas oficialmente.

    Sessenta anos mais tarde, novos arquivos agora

    digitalizados da Gerncia de Planejamento e De-

    senvolvimento do SENAI Gois do a dimenso

    do que ocorrera desde ento. Mais de 123 mil ma-

    trculas realizadas em 2011 nas 20 unidades da rede

    de ensino mantida pela instituio no Estado 3

    faculdades, 4 escolas, 6 unidades integradas SESI

    SENAI e 7 ncleos de educao profissional fixa-

    das em Goinia e em outros 16 municpios goianos.

    O SENAI cresceu, agigantou-se nesse tem-

    po. E o fez para atender sua vocao. O SENAI

    atual continua a ser o SENAI de Roberto Mange,

    fiel aos propsitos do fundador e misso que a

    indstria lhe confiou de servi-la, servindo-se de

    instrumento de educao e de aperfeioamento do

    trabalhador brasileiro e isso observar a tradio

    sempre procura de novos meios de atender aos

    reclamos por renovao tecnolgica na indstria

    e isso curvar-se ao progresso, frisa o professor

    Manoel Pereira da Costa, diretor de Educao e

    Tecnologia do SENAI Gois. Os novos padres

    de competitividade impostos pela internaciona-

    lizao da economia impuseram profundas con-

    sequncias sobre o mundo do trabalho. Paralela-

    mente, uma parte do parque industrial ainda no

    se modernizou e cobra do SENAI a continuidade

    na formao de trabalhadores capazes de produzir

    em mquinas convencionais, compara o professor

    Manoel. O torneiro mecnico precisa saber de

    mecnica, de ferramentas de corte. S que o tipo

    de pane que vai dar na mquina ser eletrnico. A

    competncia mecnica, mas para exerc-la, ne-

    cessita-se de um grau maior de abstrao, explica

    Aprendizes em oficina de mecnica geral do SENAI em Anpolis, no incio dos anos 50

    O trabalho na construo civil mudou e necessrio formar pessoas de acordo com essa nova realidade das empresas, por isso a parceria com o SENAI to importante.

    Roberto Elias de Lima Fernandes, ex-presidente do Sinduscon e do Conselho Temtico de Infraestrutura da FIEG

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 141

    O que nos mostra professor Manoel Pereira da Costa que, a despeito das profundas mudanas ocorridas no modo de produo da

    indstria brasileira o que no diferente em

    Gois , as antigas oficinas do SENAI, formadoras

    de torneiros mecnicos, marceneiros, carpinteiros,

    eletricistas, permanecem l para atender a uma

    indstria no totalmente atingida pela revoluo

    tecnolgica dos ltimos anos. Desse modo, aten-

    de o SENAI a diversas reas do conhecimento,

    independentemente dos recursos materiais e tec-

    nolgicos disponveis. Um complexo educacional

    que oferece formao profissional em suas mais

    diversas modalidades em 400 diferentes cursos,

    que integram 20 reas ocupacionais definidas pelo

    Ministrio da Educao.

    No incio da dcada de 1940, lembra o pro-

    fessor, fez-se necessria a implantao de um mo-

    delo de preparao de mo de obra qualificada

    capaz de dar conta do surto de industrializao

    do Pas, ocorrido como forma de reduzir os im-

    pactos decorrentes da 2 Guerra Mundial. Nessa

    poca, destaca ele, os cursos industriais bsicos,

    tal como estavam organizados, porm, no aten-

    diam a esse propsito. Esses cursos, pela falta de

    articulao com o meio industrial, impediam sua

    transformao em um sistema de aprendizagem

    capaz de oferecer pronta resposta, qualitativa e

    quantitativa, s necessidades da indstria, sina-

    liza. Segundo professor Manoel, as mutaes

    tecnolgicas impunham uma tal flexibilidade na

    qualificao de recursos humanos para a indstria

    Modernos laboratrios em diversas reas, como qumica, convivem com as antigas oficinas, que formam torneiros e mecnicos para atender tambm indstrias no totalmente atingida pela revoluo tecnolgica

    Antigas oficinas, modernos laboratrios

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |142

    que somente as empresas, agregadas em um siste-

    ma cooperativo, estariam em condies ideais de

    detectar as reais necessidades de mo de obra e

    programar sua formao para as diferentes reas

    operacionais, explica, destacando que a criao

    do SENAI, em 1942, representou um marco na

    evoluo da antiga escola profissional brasileira,

    no sentido de sua integrao com a indstria.

    Pode-se concluir que o SENAI nasceu apoiado

    em razes solidamente justificveis e em pontos-

    -chave de sustentao que, aliados ao alto grau de

    motivao dos empresrios, governantes e educa-

    dores, garantiram sua implantao.

    Mas bem antes, no incio do sculo passado,

    a primeira sinalizao no sentido de garantir um

    mnimo de valorizao do ensino profissional veio

    com a criao, pelo governo federal, de uma rede

    de 19 Escolas de Aprendizes Artfices, instaladas

    em diferentes Estados brasileiros. Eram escolas

    similares aos Liceus de Artes e Ofcios e voltadas

    basicamente para o ensino industrial custeado pelo

    prprio Estado, explica professor Manoel. Em

    1930, frisa, concretizou-se um sistema de ensino

    tcnico profissional com a criao da Inspetoria do

    Ensino Profissional Tcnico, rgo afeto ao ento

    Ministrio da Educao e Sade Pblica.

    A partir de 1942, com a introduo da Lei Or-

    gnica do Ensino Industrial e posterior Reforma

    Capanema nome dado s novas diretrizes educa-

    cionais inauguradas no Brasil quando o ento Mi-

    nistrio da Educao e Sade estava sob o coman-

    do do ministro Gustavo Capanema , o ensino

    profissionalizante surge como um dos pilares que

    sustentariam o novo modelo de Educao que se

    pensava para o Brasil do ps-guerra. As mudanas

    introduzidas pela Reforma Capanema tinham dois

    objetivos principais: o atendimento s mudanas

    tecnolgicas do setor industrial e a equivalncia do

    ensino profissional com o acadmico, ressalta o di-

    retor de Educao e Tecnologia do SENAI Gois.

    Mas foi na dcada de 1960 que a equivaln-

    cia do ensino profissionalizante com o acadmico

    se deu de fato. Com o advento da Lei 4.024/1961,

    os egressos do ensino profissional passaram a ter

    amplo acesso educao superior. O ensino pro-

    fissional conquistava, assim, posio de igualdade

    em relao ao ensino acadmico, afirma professor

    Manoel, ressaltando que equivalncia se consoli-

    dou em 1971, a partir da reforma do ensino mdio.

    Os cursos tcnicos industriais, estruturados em

    novas bases curriculares, expandiram-se, anima-

    dos por um mercado de trabalho fortemente favo-

    rvel decorrente da expanso industrial.

    Nesse contexto, o SENAI expande sua

    rede pelo Brasil afora implantando um mode-

    lo pedaggico baseado na aquisio de com-

    petncias e habilidades. O aluno do SENAI,

    desde sua concepo, em 1942, aquele que

    aprende fazendo. O fundamento desse mode-

    lo a racionalizao e organizao cientfica

    do trabalho, mtodo introduzido por Roberto

    Mange quando da fundao do SENAI. Para

    servir a essa racionalizao, desenvolveram-

    -se as Sries Metdicas Ocupacionais (SMO).

    Vale, cada vez menos, o que a pessoa diz saber

    fazer e vale, cada vez mais, o que ela capaz de

    fazer em situao real de trabalho. A competn-

    cia que passa a ser valorizada a mobilizao

    que as pessoas fazem de suas capacidades, seus

    conhecimentos, suas habilidades e atitudes em

    situao real de trabalho, observa o educador.

    As competncias profissionais que balizam as

    aes do SENAI em Gois abrangem compe-

    tncias bsicas, especficas e de gesto.

    Mecnica automotiva: formao profissional de ontem (acima) e hoje ( direita), sob impacto das mudanas tecnolgicas

    A aposta na educao profissional o que diferencia uma empresa de outra. Por isso, buscamos oferecer comunidade em que atuamos mais oportunidades de formao profissional.

    Nelson Marinelli, diretor administrativo da Usina Boa Vista, sobre parceria que viabilizou a implantao do Ncleo Integrado SESI SENAI Quirinpolis, em 2010

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 143

    Para atender a tantos novos padres de com-

    petitividade, o SENAI tambm inaugurou novos

    padres, seguiu seu tempo. A cada novo avano

    da tecnologia, desaparecem ocupaes e novas ou-

    tras surgem. O mapa do mercado de trabalho mo-

    difica-se continuamente. As empresas deslocam-se

    em busca de melhores condies de competitivi-

    dade, redefinindo as vocaes regionais e alterando

    a paisagem, analisa o professor do SENAI. Segun-

    do afirma, essas so condies que impactam na

    formao profissional oferecida pela instituio.

    Com a alterao dos processos produtivos e das

    formas de organizao do trabalho, as demandas

    pela reformulao dos programas curriculares in-

    tensificam-se. Sem, contudo, que seja abandonado

    o ensino profissional voltado para os mtodos tradi-

    cionais de produo.

    Como bem ressalta o educador, a preocupa-

    o central das empresas passou a ser a permanen-

    te busca da inovao. A busca por maiores nveis

    de produtividade e competitividade, em mbito

    mundial, por parte do setor produtivo, demanda

    das entidades de educao profissional novas estra-

    tgias de atuao mais complexas. Capilaridade e

    capacidade de articulao institucional do SENAI,

    bem como sua interlocuo permanente com o

    setor produtivo e com o setor acadmico, so dife-

    renciais positivos apresentados pela instituio de

    ensino na prestao de seus servios educacionais,

    o que favorece a identificao de particularidades e

    necessidades da indstria onde quer que ela esteja.

    E a indstria em Gois se diversificou ao

    longo das dcadas, tornando-se representante na-

    cional em vrios segmentos, como o de alimentos,

    frmacos, fabricao de automveis, minerao

    e, mais recentemente, o segmento do etanol, que

    coloca Gois como um dos lderes do setor. O

    SENAI, como o principal brao da indstria para

    formao de mo de obra capaz de acompanhar

    esse avano, tambm se diversificou, cresceu, ino-

    vou, formando tcnicos com novas competncias

    e habilidades demandadas por essa nova indstria.

    E mesmo o velho marceneiro para citar um dos

    primeiros cursos a ser oferecidos pelo SENAI na

    dcada de 1950, quando chegou em Gois , hoje

    obtm competncias que o torna capaz de atender

    a toda e qualquer demanda em seu segmento. O

    marceneiro formado pelo SENAI, por exemplo,

    prepara o local de trabalho, ordenando fluxos do

    processo de produo; planeja o trabalho a partir

    da interpretao de projetos; confecciona, restaura,

    entrega e instala produtos de madeira fabricados

    sob medida dentro dos parmetros legais de segu-

    rana, qualidade, higiene e preservao ambiental.

    Por outro lado, o crescimento da produo

    da indstria sucroalcooleira em Gois fez surgir,

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s || d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l |144

    Novas competncias no portflio: SENAI acompanha as sucessivas mudanas do perfil econmico onde est inserido

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 145

    no fim da dcada de 2000, a necessidade de pre-

    parao de mo de obra especializada para atuar

    em seus parques industriais. Outro exemplo de

    como o SENAI, no cumprimento da misso e

    vocao que fundamentaram sua fundao no

    Brasil, tem acompanhado as sucessivas mudanas

    do perfil econmico onde est inserido. O curso

    tcnico em Acar e lcool forma profissional

    que planeja o processamento, a manuteno,

    conservao, logstica e o controle de qualidade

    de matrias-primas e insumos para a indstria su-

    croalcooleira; pesquisa para melhoria, adequao

    e desenvolvimento de novos produtos, processos,

    metodologias e insumos; utiliza produtos qumi-

    cos em todas as etapas de fabricao; coordena e

    controla o processo de fabricao de acar e l-

    cool, entre vrias outras atividades para as quais o

    tcnico estar preparado.

    Dentre as mais novas competncias que po-

    dem ser adquiridas por quem passa pelo SENAI

    est a de tcnico em manuteno de aeronaves.

    O curso foi criado no ano passado e prepara traba-

    lhadores para esse mercado produtivo, atuando na

    manuteno de aeronaves e de seus equipamentos

    eletroeletrnicos; executando inspees em siste-

    mas eltricos e instrumentos de aeronaves; bem

    como interpretando manuais tcnicos das diferen-

    tes aeronaves e equipamentos.

    A partir de 2004, comearam a ser implanta-

    dos pelo SENAI Gois os cursos superiores de tec-

    nologia. O tecnlogo em Processos Qumicos, por

    exemplo, atende grande demanda por trabalha-

    dores para atuar no parque industrial farmacutico

    do Estado, notadamente o instalado no Distrito

    Agroindustrial de Anpolis (Daia). O profissional

    deixa a faculdade com competncias adquiridas

    para desenvolvimento das mais diversas atividades

    industriais do setor. Na sequncia, o SENAI Gois

    implantou os cursos superiores de Tecnologia em

    Automao Industrial (2007); em Redes de Com-

    putadores (2007); e em Anlise e Desenvolvimento

    de Sistemas (2008).

    Tecnolgo em Processos Qumicos: marco do ingresso do SENAI Gois no ensino superior, em 2004

    Tcnico em manuteno de aeronaves: novo curso atende mercado crescente no Estado

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |146

    Nessa fase de expanso das reas de atuao, bem como de criao dos cursos de tecno-logia, surge em Gois um novo modelo de gesto

    da educao oferecido pelo SESI e SENAI. Um

    modelo arrojado, corajoso, que serviria, logo, de

    exemplo para outros Estados brasileiros. Em 2005,

    ao passar a responder pela superintendncia do

    SESI concomitantemente com a diretoria regio-

    nal do SENAI, Paulo Vargas props e teve sinal

    verde dos conselhos regionais das respectivas ins-

    tituies para que ambas pudessem atuar de forma

    integrada, a partir de 2006, oferecendo Educao

    Bsica (Educao Infantil, Ensino Fundamental e

    Mdio); Educao do Trabalhador (Alfabetizao,

    Ensino Fundamental e Mdio); Aprendizagem

    Industrial; Habilitao Tcnica de Nvel Mdio e

    Graduao Tecnolgica.

    Ao assumir esse modelo de gesto, SESI e

    SENAI se adequam realidade da indstria onde

    ela est inserida. Formamos e oferecemos a essa

    indstria o trabalhador de que ela precisa, o profis-

    sional com perfil adequado, demandado na regio,

    no municpio, frisa Paulo Vargas. Para que isso seja

    possvel, refora, fundamental que as instituies

    estejam sintonizadas, articuladas permanentemen-

    te com o setor empresarial. No pode haver dis-

    tanciamento, pontua. Estamos continuamente

    INtegrAo sesI e seNAI, modelo ArroJAdo e exemPlAr

    Educao Bsica e Educao Profissional: SESI e SENAI se adequam realidade da indstria e suprem lacuna de qualidade no ensino pblico

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 147

    do lado das lideranas patronais e laborais e isso vai

    ao encontro do projeto do presidente da Fieg (Fe-

    derao das Indstrias do Estado de Gois), Pedro

    Alves de Oliveira, de valorizao dos sindicatos,

    diz. sempre um olho na gesto e outro na ambi-

    ncia externa, cita.

    De acordo com Paulo Vargas, o SENAI

    hoje uma instituio amadurecida, que tem bus-

    cado ampliar e dinamizar sua oferta de ensino

    profissionalizante com base nas necessidades da

    indstria local. Sabe-se perfeitamente, por meio

    de pesquisas realizadas pela instituio e devido

    aproximao contnua com o setor empresarial,

    do que a indstria necessita em termos de recursos

    humanos, afirma o diretor regional.

    O novo no deve aspirar permanncia, mas

    a fazer-se germe do futuro. Passado, presente e fu-

    turo se sucedem, no deixam de vincular-se e de

    interdepender. Tradio e progresso no so confli-

    tantes. A contemplao do passado bem-sucedido

    e o respeito s pessoas que fizeram esse caminhar

    no saciam os que caminham no presente. Antes,

    estimulam a todos para novos empreendimentos,

    ensina professor Manoel.

    Para Paulo Vargas, pode-se esperar muito

    do SENAI em seus prximos anos de vida. Est

    em estudo a abertura de novas unidades, inclu-

    sive por meio de parcerias a serem firmadas com

    os governos federal, estadual e com as admi-

    nistraes municipais. Parcerias estratgicas

    sero viabilizadas envolvendo tambm sindica-

    tos e empresas, alm do governo, aproveitando,

    para tanto, a capacidade instalada do SENAI,

    sua expertise, destaca. Em respeito ao passado

    glorioso e bonito e ao presente em construo,

    sabemos que podemos esperar muito, ainda,

    do SENAI Gois. Essa instituio, com seu

    know-how, tem condies de continuar a ser

    extremamente importante para a indstria do

    Estado por outros 60 anos. Uma indstria que

    jamais seria o que sem o SENAI. Continua-

    remos a ser no s formadores de mo de obra

    para a indstria, mas formadores de mo de

    obra, cabea e brao forte.

    52,6 milhes de matrculas no Pas

    Hoje, a mdia de 15 mil alunos dos primeiros anos transformou-se em cerca de 2,3 milhes de matrculas anuais em todo o Pas, totalizando aproximadamente 52,6 milhes de matrculas desde 1942 at 2010. as primeiras escolas deram origem a uma rede de 797 unidades operacionais, entre fixas e mveis, distribudas por todo o Pas, nas quais so oferecidas mais de 2.900 cursos de formao profissional, alm dos programas de qualificao e aperfeioamento realizados para atender necessidades especficas de empresas e pessoas. em 2010, foram prestados 126.470 servios tcnicos e tecnolgicos, como laboratoriais, informacionais, assessorias, desenvolvimento e inovao e certificaes de processos e produtos.

    Buscamos a parceria com o SENAI porque os alunos da instituio so lapidados e mais bem preparados para atuar no mercado de trabalho.

    Roberto Berti, gerente de manuteno da unidade Schincariol de Alexnia

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |148

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 149

    O SENAI POR quEM FEz SENAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |150

    Nesses 60 anos, milhares de pessoas tiveram suas vidas, em alguma parte da estrada, marcadas pelo SENAI, em Gois. Quem so elas? Quais seus rostos, suas histrias? Onde esto? O que levaram consigo? Annimos, famosos, trabalhadores da indstria ou no, gente que no s passou pelo SENAI, mas

    l ficou. Em comum, essas pessoas tm justamente o pedao da estrada.

    O Professor Edson lembra-se bem daquela manh. O rdio ligado, no carro do amigo e tambm instrutor Osvaldo Loureno, dava a

    notcia da morte do dolo, John Lennon. Era 8 de

    dezembro de 1980 e eles chegavam para mais um

    dia de atividades na montagem da nova escola o

    Centro de Formao Profissional Vila Cana. Era

    preciso preparar bem as oficinas das reas auto-

    motiva e grfica para receber as cinco turmas de

    alunos que viriam do CFP talo Bologna, no Setor

    Fama, em Goinia, e que concluiriam no ano se-

    guinte o curso naquela escola novinha em folha.

    Ao lado, j existia o Centro Mvel de Treinamento

    (Cemot), que depois se tornaria Centro Regio-

    nal de Treinamento Sul (Cetresul) e que, 11 anos

    mais tarde, seria incorporado quela nova escola

    em construo. Pisei essa terra aqui quando ain-

    da era um lamaceiro s, muito antes de se tornar

    escola, lembra o professor Edson Rodrigues do

    Nascimento, de 51 anos.

    No s pisou, como registrou, guardou.

    Professor Edson uma espcie de guardio da

    memria da hoje Escola SENAI Vila Cana: O

    professor Edson tem, responde qualquer um a

    quem se perguntar sobre uma fotografia antiga,

    um documento histrico. Tem mesmo. Na me-

    mria do computador e na sua prpria. Ele lem-

    bra que em 1977, trs anos antes de vir trabalhar

    no bairro Vila Cana, j havia conhecido o local.

    Na poca, o professor, que atuava como monitor

    no ento CFP talo Bologna, e vrios outros fun-

    cionrios acompanhavam alunos daquela escola

    para um dia de lazer no clube do Servio Social da

    Indstria (SESI) e puderam observar toda a rea

    demarcada. Isso aqui a hoje Escola SENAI Vila

    Cana estava s na fase inicial de implantao

    do canteiro de obras, havia muito mato ainda.

    Professor Edson foi aluno do SENAI, assim

    como os outros quatro irmos. No antigo CFP ta-

    lo Bologna, matriculou-se, em 1975, para aprender

    PIseI esse Cho ANtes mesmo dele se torNAr umA esColA

    Edson Rodrigues, ex-aluno, instrutor, coordenador pedaggico da Escola SENAI Vila Cana: paixo pela instituio e pela fotografia, cujo acervo exposto nas pginas seguintes

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 151

    mecnica. Pertenceu primeira turma de um con-

    vnio entre a instituio e a Secretaria Estadual de

    Educao que durou quase 20 anos. Por meio dele,

    os alunos matriculados na segunda fase do ensino

    fundamental passavam o dia todo na escola. Cur-

    savam as disciplinas bsicas mais o curso de edu-

    cao profissional. Saam da escola com um ofcio

    no currculo.

    Eu, que j tinha cursado a 5 e a 6 sries em

    outra escola, fiz tudo de novo, s para poder estu-

    dar no SENAI, lembra professor Edson. Bom que

    tenha acreditado que valeria pena. Terminei

    meus estudos como o melhor aluno da escola. Eu

    tinha 15 anos quando o pessoal do SENAI foi l em

    casa me convidar para ser monitor, em 1976. Era

    s o comeo de uma longa jornada.

    Em 1981, quando as atividades do CFP Vila

    Cana tiveram incio, professor Edson ainda traba-

    lhava como monitor. Logo, o ex-aluno nota 10 pas-

    saria a auxiliar de instrutor e instrutor, mais tarde.

    Em 1987, assumiu na escola a coordenao da rea

    de mecnica automotiva. No ba das memrias do

    professor, h belos registros fotogrficos. Um pas-

    seio pela histria da escola em forma de jaleco azul.

    Cada nova turma que se matriculava e conclua a

    formao no SENAI Vila Cana era devidamente

    fotografada pelo guardio das lembranas.

    O envolvimento com as questes pedaggicas

    levou o ex-aluno a assumir, mais tarde, em 1992,

    funo de tcnico da Diviso de Formao Profis-

    sional do Departamento Regional do SENAI. Era

    um apoio fundamental para as escolas. Ajudou, por

    exemplo, a estruturar a hoje Escola SENAI Itum-

    biara. Foi instrumento dessa misso at 1995.

    Nessa poca, o ex-aluno, agora mestre, volta

    graxa automotiva, de onde sua origem. Passa

    a ser o representante do SENAI de Gois nos N-

    cleos de Treinamento e Capacitao Tcnica em

    Manuteno Automotiva. Num convnio com a

    Volkswagen do Brasil, era o professor Edson o res-

    BA DO EDSON (1): Instrutores Wandeir Alves de Faria, Edson Rodrigues, Francisco Gonalves Ferreira, Osvaldo Loureno do Prado, Jos Osrio, Onion Carrijo e alunos do CFP talo Bologna, durante a montagem da oficina de mecnica de automveis do recm-construdo CFP Vila Cana, em 1981

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |152

    ponsvel pela atualizao dos profissionais que tra-

    balhavam na fbrica de automveis. Eu estava de

    volta s minhas origens, minha formao.

    No incio dos anos 2000, coordenou o primei-

    ro curso tcnico em automobilstica oferecido pelo

    SENAI Gois. A partir de 2003, assumiu a funo

    que ocupa ainda hoje, a de coordenador pedag-

    gico da Escola SENAI Vila Cana. Sua sala vive

    cheia de alunos, professores, coordenadores.

    Apaixonado pelo SENAI, por sua histria,

    pelo que a instituio lhe proporcionou, bem como

    por fotografia, professor Edson uniu as duas coisas.

    E mostra, com orgulho, tudo o que conseguiu reu-

    nir nesse tempo. Em ocasies especiais, na escola

    ou fora dela, sente satisfao em mostrar o que

    guardou dessa longa trajetria. Sempre que tem

    um evento, jogo as fotos l no telo, fao um passeio

    pela histria. Sinto-me feliz fazendo isso, fala um

    sempre encantado professor. As primeiras turmas,

    as primeiras formaturas, as antigas oficinas, os no-

    vos laboratrios. Nada escapa s lentes do mestre.

    Sempre gostei de fotografia. Algumas, s eu

    tenho, orgulha-se. Sempre que um ex-aluno se

    destaca l fora, ganha a vida com a profisso que

    aprendeu no SENAI, encontro seu rosto nas anti-

    gas fotografias e envio a ele. uma forma de reve-

    renciar a escola e o que ela faz por ns, diz.

    Aps mais de 30 anos, professor Edson no

    consegue imaginar o que teria feito nesta vida se

    no tivesse insistido em repetir a 5 e a 6 sries

    para, assim, conseguir ingressar em um curso do

    SENAI. No me vejo de outra forma se no den-

    tro desse universo aqui. Todo mundo costuma di-

    zer: a melhor poca da minha vida foi quando eu

    estava no SENAI. verdade. Porque no s a

    sala de aula, mas a mo na massa que nos apai-

    xona. O aluno mostra que aprendeu fazer, fazendo.

    um mundo novo! Um mundo que eu conheci e

    onde eu resolvi ficar, declara.

    Formado em Edificaes pela ento Escola

    Tcnica Federal de Gois hoje Instituto Federal

    de Educao, Cincia e Tecnologia de Gois e

    em Pedagogia pela Pontifcia Universidade Catli-

    ca de Gois, professor Edson recebeu ao longo da

    carreira propostas para trabalhar em vrias empre-

    sas. Mas, como disse ele, o ex-aluno agora mestre

    resolveu ficar. O vnculo que se cria com a fa-

    mlia SENAI muito forte. Cheguei aqui com 15

    anos. Hoje tenho 51. Sinto-me realizado pelo que

    fiz at aqui, sobretudo por ter tido a chance de po-

    der ensinar, tambm, alm de aprender.

    BA DO EDSON (2) - No CFP Vila Cana, em 1986, os instrutores (em p, da esquerda para direita) Edson Rodrigues, Onion Carrijo, Vicente de Paulo, Divino Paulo, Luis Fernando e Luis Carlos. Agachados, da esquerda para direita, Manoel Pereira, Francisco Gonsalves Ferreira, Wandeir Alves e Valdivino de Sousa

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 153

    BA DO EDSON (3): Primeira turma de alunos de mecnica de automveis do CFP Vila Cana, iniciada ainda no CFP talo Bologna e depois transferida, em 1982, com o instrutor Edson Rodrigues (em p, direita). Agachado, 3 da direita para a esquerda, o ento aluno e hoje diretor da Unidade SESI SENAI Rio Verde, Hlio Santana

    Hlio Santana, histria de vida na Escola SENAI Vila Cana e hoje diretor da Unidade Integrada SESI SENAI Rio Verde

    Com o passar do tempo, o velho macaco azul marinho ia ficando desbotado pelas sucessivas lavagens com sabo forte o suficiente para tirar a

    graxa dos automveis. Mas longe disso ser um pro-

    blema. Qual l! Assim, sem pretenso, o uniforme

    desbotado evidenciava quem era aluno novato e

    quem era veterano, relata o ex-aluno e professor

    Hlio Ferreira Santana, a quem pertencem inme-

    ras lembranas de seus 24 anos como funcionrio

    do SENAI.

    Pertence ao professor Hlio o certificado

    de concluso do curso de mecnico de autom-

    veis de nmero 85, emitido pelo ento Centro

    de Formao Profissional hoje Escola SENAI

    Vila Cana em 1982. Era a primeira turma dos

    meninos de macaco azul marinho a se formar

    na instituio, inaugurada um ano antes. Cento e

    sessenta e sete se formaram com ele naquele ano.

    Era final da dcada de 1970. A famlia de imi-

    grantes nordestinos chega a Goinia em busca de

    melhores condies de vida e de oportunidades de

    educao para os filhos. A av do menino Hlio o

    matricula numa escola pblica do bairro e se infor-

    ma sobre convnio existente com o SENAI para

    garantir educao profissional para os matricula-

    dos na rede. O SENAI surge como nica alter-

    tenho uma identidade nova: sou o hlio santana do seNAI

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |154

    nativa tcnica e econmica vivel para as famlias.

    Em janeiro de 1981 eu j tinha idade e escolaridade

    suficientes para ingressar no CFP Centro de For-

    mao Profissional. L fui eu, conta.

    Por meio do convnio com a Secretaria Es-

    tadual de Educao, os alunos faziam o antigo

    Ginsio segunda fase do ensino fundamental

    em dois anos, num perodo do dia. No outro,

    cursavam o ensino profissionalizante. Assim, dei-

    xavam a escola com a formao bsica e profis-

    sional, ao mesmo tempo. A imensa maioria dos

    alunos, assim como eu, ficava o dia todo na es-

    cola. Levvamos uma marmita para o almoo e

    as cozinheiras aqueciam em banho-maria, puxa

    Hlio na lembrana. Vivamos a (e na) escola.

    Foram tempos difceis, com poucos recursos fi-

    nanceiros e materiais e muitas necessidades. Mas

    foram esforos necessrios para forjar uma perso-

    nalidade capaz de encarar desafios, relata.

    E professor Hlio encarou todos os desa-

    fios que viriam depois. Desde que se formou no

    SENAI, em 1982, o professor trabalhou em gran-

    des empresas, onde utilizava as tcnicas aprendi-

    das durante o curso. Isso foi determinante para

    aprimorar os conhecimentos recebidos. Em

    1988, o professor Hlio foi convidado pelo anti-

    go instrutor Edson Rodrigues hoje colega de

    trabalho na unidade da Vila Cana para parti-

    cipar de concurso que seria realizado para suprir

    vaga existente na escola, quando Edson ocupava

    o cargo de coordenador tcnico da rea de Me-

    cnica Automotiva. A essa poca, professor Hlio

    j havia concludo, tambm, o curso de Tcnico

    em Mecnica pela antiga Escola Tcnica Federal

    Gois, hoje Instituto Federal de Educao, Cin-

    cia e Tecnologia de Gois.

    Aprovado no concurso, o menino nordesti-

    no e ex-aluno da escola passa a instrutor de Edu-

    cao Profissional. No deixaria mais o SENAI.

    Quatro anos mais tarde, passa a ocupar a funo

    BA DO EDSON (4): Formandos de mecnica de automveis da Escola SENAI Vila Cana de 1989, com o instrutor Hlio Santana

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 155

    de coordenador de rea de Mecnica de Auto-

    mveis para, no decorrer dos anos, exercer outras

    funes, como supervisor de Ensino; agente de

    Educao Profissional; supervisor de Educao

    e Tecnologia, ltimo cargo que ocupou na Esco-

    la Vila Cana, antes de se tornar diretor em Rio

    Verde. Nesse tempo, no deixou de estudar. Em

    1989, formou-se tambm em Fsica pela Uni-

    versidade Federal de Gois; em 2003 concluiu

    Administrao de Empresas pela ento Univer-

    sidade Catlica de Gois; em 2007 terminou

    Pedagogia pela Universidade do Sul de Santa

    Catarina (Unisul); e, em 2009, a Ps-Graduao

    em Administrao de Instituies de Ensino, na

    Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvi-

    mento Gerencial (Fatesg).

    Tudo o que eu fao tem como preocupao

    valorizar ainda mais a instituio. Fui aluno, hoje

    sou um colaborador. Uso minha histria como

    estmulo a muitas pessoas. Como a dizer que,

    com compromisso e seriedade, possvel, ensina.

    Segundo ressalta, l se vai mais da metade de sua

    vida dentro do SENAI. Quando comecei a tra-

    balhar aqui, eu tinha 21. J so 24 anos de traba-

    lho. A grande maioria dos meus amigos aqui est,

    de modo que minha vida profissional e privada se

    funde. Os inmeros cursos e treinamentos de que

    participei nesse tempo alargaram minha compre-

    enso do mundo. Hoje, tenho uma nova identida-

    de: sou o Hlio Santana do SENAI.

    O Hlio Santana do SENAI, que contou com

    o empurrozinho da av para matricul-lo na esco-

    la de educao profissional da qual se dava notcia

    l nos idos de 1981, no v a hora de os filhos Pedro

    Augusto, 12, e Arthur Jos, 5, tambm iniciarem

    sua vida profissional com um curso na escola em

    que atua. Graas a Deus e ao SENAI, como cos-

    tumam dizer alguns amigos, seus filhos esto bem

    formados, com possibilidade de uma vida profissio-

    nal brilhante pela frente. Tenho o prazer de ter sido

    uma referncia para essas pessoas. a histria de

    ser o Hlio Santana do SENAI, brinca.

    BA DO EDSON (5): Aprendizes de mecnica de automveis da turma de 1980

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |156

    Formado em Direito pela Universidade Federal de Gois (UFG), o ento garoto de Ouvidor (GO) aprendeu, primeiro, o ofcio da mecnica.

    Hoje, aos 61 anos, o advogado Felicssimo Sena,

    cinco vezes presidente da Seccional de Gois da

    Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), reconhe-

    ce no SENAI a importncia de uma instituio

    que lhe ensinou o valor do trabalho.

    Filho de uma famlia simples do interior de

    Gois, Felicssimo foi aluno do ento Centro de

    Formao Profissional Roberto Mange, em An-

    polis, a pioneira no Estado. Incentivado por um

    amigo que tambm havia passado por l e de

    quem vinham as melhores referncias do lugar,

    fez ele tambm sua seleo, sendo aprovado para

    o curso de mecnica de automveis. Para prosse-

    guir os estudos, chegou a morar no internato, que

    permaneceu aberto nas primeiras dcadas de fun-

    cionamento da unidade.

    Eu fiz a escolha certa ao ir para o SENAI.

    Na condio de aluno interno, continuei a desen-

    volver as rotinas de vida simples trabalhadora que

    minha famlia praticava, diz o advogado. Felics-

    simo Sena chegou a trabalhar utilizando-se das

    competncias que aprendera no CFP Roberto

    Mange. Mas voltei a Ouvidor e logo depois me

    mudei para Goinia.

    Na capital, o jovem Felicssimo Sena iniciou

    o chamado curso cientfico no tradicional Colgio

    Lyceu. Em seguida, fez curso tcnico em contabi-

    lidade no Colgio Cinco de Julho, do ento diretor

    Egdio Turchi. Passou, mais tarde, no vestibular

    para Direito. Embora eu no tenha me dedicado

    muito profisso que o SENAI me ensinou, reco-

    nheo que a instituio foi muito importante na

    minha vida, pois preencheu minha juventude com

    hbitos saudveis, declara.

    O advogado tornou-se um dos mais signifi-

    cativos nomes da advocacia em Gois. Tambm

    exerceu cargos pblicos, como a presidncia da

    Companhia Energtica de Gois (Celg). Alm

    de presidente da OAB-GO por cinco mandatos,

    comandou tambm a Caixa de Assistncia dos

    Advogados de Gois. hoje membro da Delega-

    o de Gois no Conselho Federal da Ordem dos

    Advogados do Brasil.

    Mesmo no tendo seguido carreira na inds-

    tria, tem Felicssimo Sena sempre muita satisfa-

    o em falar de sua passagem pela instituio. O

    SENAI uma grande contribuio do empresaria-

    do ao Brasil.

    o seNAI preencheu minha juventude com hbitos saudveis

    Aluno de mecnica de automveis da pioneira escola do SENAI em Gois, Felicssimo Sena reconhece o aprendizado do valor do trabalho

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 157

    Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Tocantins, o primeiro diploma do deputado Elias Jnior no foi, porm, o de comu-

    nicador, mas o de eletricista de manuteno indus-

    trial, curso realizado no SENAI. Buscou a institui-

    o ainda bem jovem, atrs de uma profisso que

    pudesse lhe ajudar a ter um futuro melhor.

    A formao no SENAI sempre foi conhe-

    cida por sua excelncia. Naquela poca, eu no

    tinha condies financeiras para pagar por minha

    formao. O SENAI era tudo o que eu precisava:

    ensino de altssima qualidade e sem custos. Para o

    deputado eleito para o primeiro mandato em 2010,

    ter passado pela instituio de ensino profissionali-

    zante lhe abriu novos horizontes.

    No SENAI aprendi no apenas uma pro-

    fisso. Aprendi a respeitar o prximo, a ter mais

    disciplina, a trabalhar em equipe, a ser mais or-

    ganizado e a planejar minhas aes, na vida, no

    trabalho, onde quer que eu estivesse. Do SENAI,

    sa mais preparado para enfrentar os desafios da

    vida, comenta.

    O deputado Elias Jnior lembra com alegria

    dos dois anos de formao e frisa o que, para

    ele, significa o SENAI. Seus valores foram se

    consolidando ao longo da histria. O SENAI

    representa qualidade, credibilidade. Quem tem

    uma formao numa escola do SENAI tem um

    passaporte para uma vida profissional melhor,

    um trabalhador respeitado pelas competncias

    que adquiriu, diz o deputado, que hoje tem um

    sobrinho estudante de Mecatrnica numa das

    unidades do SENAI.

    Elias Jnior tem hoje 33 anos. Nasceu em

    Peixe (TO), Estado onde se formou jornalista,

    funo que exerce desde 1998. O deputado traba-

    lhou como apresentador de programas televisivos

    e radiofnicos e com a produo de reportagens.

    Esteve em empresas como Rede Sucesso de R-

    dio, TV Record e Rdio Araguaia. Ainda hoje

    trabalha como apresentador de TV e rdio, alm

    de exercer o mandato de deputado na Assembleia

    Legislativa de Gois. Foi candidato a prefeito de

    Goinia em 2012.

    Deputado Elias Jnior, eletricista de manuteno industrial, o primeiro diploma do hoje jornalista e apresentador de programas de TV e rdio: A formao do SENAI sempre foi conhecida por sua excelncia

    do seNAI, sa mais preparado para os desafios da vida

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |158

    Com essa frase, o ex-prefeito de Sanclerlndia, hoje chefe de Gabinete da Secretaria de Ges-to e Planejamento do Estado de Gois, Itamar

    Leo do Amaral resume o que representou para ele

    ter passado pelo SENAI. Ele ex-aluno dos cursos

    de torneiro e desenho mecnico, concludos na d-

    cada de 1980. Natural de Gois (GO), hoje com 48

    anos, Itamar Leo atribui ao SENAI responsabili-

    dade significativa do xito que obteve ao longo da

    vida profissional e poltico-administrativa.

    A experincia que obtive no SENAI foi a

    base de meu sucesso profissional e pessoal. Atra-

    vs dele, aprendi no s desenhar e fabricar peas

    mecnicas, mas tambm a planejar e executar

    sonhos e objetivos. Eu queria trabalhar por um

    projeto, poder fazer algo para melhorar a vida das

    pessoas. E no demais eu dizer que o SENAI me

    ajudou a chegar onde cheguei. Como prefeito, fui

    eleito o melhor gestor empreendedor pelo Servio

    Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas

    (Sebrae). Sem dvida, fruto do que aprendi nas ofi-

    cinas e salas de aula do SENAI.

    Como gestor pblico, Itamar Leo diz ter

    aprendido que o que as pessoas querem, mesmo,

    oportunidade. Oportunidade de estudar, de

    aprender uma profisso, de trabalhar para ganhar

    seu prprio sustento, determinar seu prprio des-

    tino. Foi exatamente isso o que eu encontrei no

    SENAI: oportunidade.

    Alm de prefeito de Sanclerlndia por dois

    mandatos, Itamar Leo foi presidente da Cmara

    daquela cidade; superintendente de Patrimnio da

    Secretaria de Esporte e Lazer do Estado de Gois

    e presidente da Associao dos Municpios do Es-

    tado de Gois (AGM).

    No seNAI, aprendi a desenhar e fabricar peas, mas tambm a planejar e executar sonhos

    Itamar Leo, ex-prefeito de Sanclerlndia, concluinte de cursos de tornearia e desenho mecnico, atribui ao SENAI xito na vida profissional e poltico-administrativa

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 159

    o seNAI me deu viso mais ampla da sociedade

    Deputado Luis Csar Bueno, um curso de artes grficas, um jovem empreendedor: Sem a preparao de antes, jamais teria conseguido concluir dois cursos superiores antes de entrar na poltica

    A formao recebida no SENAI garantiu ao deputado estadual Luis Csar Bueno boa colocao no mercado de trabalho e realizao

    profissional, bem antes de ele pensar em entrar

    para a poltica. Chegou a scio de uma empresa

    do ramo grfico, segmento no qual se preparou em

    curso de artes grficas oferecido pelo ento Centro

    de Formao Profissional talo Bologna. Era jovem

    estudante do ensino fundamental antigo 1 grau

    e a concluso dos estudos, concomitante for-

    mao profissional, era uma excelente alternativa.

    Durante dois anos, passvamos oito horas do dia

    na escola. Ao final, alm de concluirmos os estu-

    dos, aprendamos uma profisso, relata.

    O goianiense Luis Csar Bueno no teve d-

    vida de que aquela era a melhor escolha a fazer.

    A indstria estava em franco desenvolvimento e

    oferecia as melhores vagas de trabalho e os melho-

    res salrios na minha poca de juventude, diz. No

    segmento grfico, conta, ocupou vrias funes,

    at ser scio do prprio negcio. Fiquei nesse

    ramo dos 17 aos 25 anos. A profisso que aprendi

    no SENAI possibilitou que eu arcasse com meus

    estudos no 2 grau ensino mdio e na facul-

    dade, afirma. O deputado formado em Histria

    e Cincias Sociais. Sem a preparao de antes,

    jamais teria conseguido concluir dois cursos supe-

    riores antes de entrar na poltica.

    Mas tambm para a vida pessoal Luis Csar

    Bueno diz que levou boas lies. O SENAI me

    possibilitou ter uma viso mais ampla da sociedade,

    a partir de uma vivncia hierrquica no mercado de

    trabalho. Foi por meio desse aprendizado que tive

    oportunidade de conviver com as complexidades

    do processo produtivo para, assim, compreender as

    dimenses do funcionamento da sociedade capita-

    lista. Segundo o deputado, como aprendizado do

    SENAI ele tambm leva a importncia de a classe

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |160

    trabalhadora manter-se em unio constante. Este

    exemplo tambm era repassado aos alunos do SE-

    NAI, recorda.

    O deputado ressalta o papel do SENAI para

    o desenvolvimento da indstria brasileira. A insti-

    tuio, em todas essas dcadas, contribuiu para o

    desenvolvimento econmico do Brasil por meio

    da preparao de mo de obra especializada para

    o mercado de trabalho. O SENAI mudou e trans-

    formou a indstria brasileira numa grande fora

    mundial, destaca. Luis Csar Bueno cita ainda a

    transformao de escolas em faculdades de tecno-

    logia como um passo gigantesco rumo ao futuro e

    ao desenvolvimento. Sempre soubemos da exce-

    lncia do SENAI na formao de tcnicos de nvel

    mdio. No diferente, agora, com a formao de

    tecnlogos, observa.

    Aos 50 anos, Luis Csar Bueno j foi, alm

    de deputado, vereador por Goinia, diretor na

    Secretaria de Finanas da Prefeitura de Goinia,

    membro do Conselho Deliberativo dos ndices de

    Participao dos Municpios (Condice), membro

    da mesa diretora da Assembleia Legislativa, entre

    outras funes pblicas.

    Aluno em atividade prtica na rea de artes grficas: excelncia do SENAI em educao profissional

    Em 1976, Luis Csar Bueno, poca aluno de artes grficas do CFP talo Bologna, discursa em nome dos estudantes em solenidade comemorativa do aniversrio do SENAI e do Dia da Indstria (25 de maio), ao lado do funcionrio Deodato Ferreira

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 161

    O SENAI foi o divisor de guas na minha vida. Existe o Johnny antes e depois do SENAI. Ele Johnny Rodrigues Corra, tem 25 anos e, segun-

    do o ex-presidente da Repblica Luiz Incio Lula

    da Silva, o jovem trabalhador teria chances de che-

    gar a governar a Nao, se assim o desejasse, com

    cinco anos de vantagem em relao ao primeiro.

    Porque segundo disse o Lula ele fez seu pri-

    meiro discurso aos 26 anos de idade e eu, aos 21,

    explica Johnny ao recordar-se daquele abril de

    2007, quando se encontrou com o ento presiden-

    te do Brasil durante a solenidade de inaugurao

    da fbrica da Caoa/Hyundai, no Distrito Agroin-

    dustrial de Anpolis (Daia). O garoto de 21 anos

    era o funcionrio n 1 contratado pela montadora

    em Gois.

    Mas v l que ser n 1 no que faz se tornou

    quase lugar comum para esse jovem ex-aluno do

    SENAI. Em 2006, deixou todos seus concorrentes

    comendo poeira e trouxe para Gois a medalha de

    ouro da Olimpada do Conhecimento na catego-

    ria de Mecnica Diesel de Motores Estacionrios.

    Uma conquista que ainda hoje o emociona. A co-

    memorao desse acontecimento inesquecvel

    para mim. At a banda da Base Area de Anpolis

    tocou em minha homenagem. Houve queima de

    fogos e a presena de todos meus amigos, parentes

    e professores do SENAI. Foi demais, resume ele

    ao lembrar-se da conquista.

    Johnny vencedor da Olimpada do Conhe-

    cimento e da vida. rfo, buscou formao, qua-

    lificao, quando o destino no lhe era promissor.

    Sem o SENAI, eu talvez fosse hoje mais um na

    lista dos desempregados, ou mais um no trabalho

    informal. Resumindo, mais um desqualificado

    ou despreparado buscando lugar, sem sucesso, no

    mercado de trabalho, afirma. Tudo o que con-

    quistei na vida eu dedico primeiro a Deus e depois

    ao SENAI, que me ensinou uma profisso, me deu

    uma oportunidade de trabalho, de ser valorizado

    nesse trabalho. O SENAI mudou minha histria

    de vida pessoal e profissional, acentua Johnny.

    E como mudou! Em 2003, a convite de um

    amigo, o garoto de 17 anos fez sua inscrio para

    Johnny, antes e depois do seNAIJohnny Rodrigues Corra, medalha de ouro da Olimpada do Conhecimento do SENAI, funcionrio n 1 da Hyundai e elogio de Lula

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |162

    um curso de mecnica na ento Escola SENAI

    Roberto Mange, em Anpolis. Selecionado, fez o

    curso de mecnica de veculos a diesel e eletricida-

    de veicular. Na poca em que a Caoa/Hyundai ini-

    ciou o recrutamento de funcionrios para a mon-

    tadora que se instalaria no Daia, Johnny mais uma

    vez mostrou que um campeo. Passou por todas

    as fases de seleo, sendo o primeiro trabalhador

    escolhido para trabalhar na fbrica de automveis.

    Comeou ali como mecnico montador.

    Mas, claro, mais uma vez, o ex-aluno do SENAI

    destacou-se pela competncia adquirida nesses

    anos todos de dedicao aos estudos. Fui promo-

    vido a lder de linha de montagem e depois a super-

    visor de linha de montagem. Hoje, estou em fase

    de experincia para assumir a funo de gerente

    de produo, relata. No cargo, Johnny ficar res-

    ponsvel pelo trabalho de outros 140 funcionrios

    trabalhando em dois turnos da montadora.

    No discurso do ex-presidente Luiz Incio

    Lula da Silva, h cinco anos, essa trajetria j po-

    deria ser prevista por quem visse o entusiasmo do

    jovem trabalhador, recm-contratado pela mon-

    tadora. A segurana demonstrada por Johnny,

    naquela ocasio, encorajou o ento presidente a

    discursar para as autoridades presentes no evento.

    Lula disse, naquela solenidade: No vim prepa-

    rado para falar, mas o entusiasmo desse menino

    de 21 anos, formado pelo SENAI, assim como

    eu, me inspirou. Fiz meu primeiro discurso aos

    27 anos. Johnny fez o seu hoje no dia do even-

    to. Isso significa que ele tem seis anos na minha

    frente de possibilidade de vir a ser presidente da

    Repblica, brincou o ex-chefe da Nao.

    Nossa trajetria a dele e a de Lula se

    parece, reconhece Johnny, que no parou de cor-

    rer atrs de mais e mais conhecimento. Hoje, faz

    faculdade de Engenharia Eltrica. O maior pr-

    mio que recebi na vida a satisfao profissional e

    pessoal que tenho. Sou feliz com o que eu fao. O

    SENAI me ajudou a chegar aqui, tornando-me um

    profissional tico, responsvel, produtivo.

    Johnny, que no parou de buscar conhecimento, faz faculdade de Engenharia Eltrica: O SENAI me ajudou a chegar aqui, tornando-me um profissional tico, responsvel, produtivo

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 163

    A imagem do menino com a cara enterra-da nos livros, parafusos, motores de Johnny Corra aquele que conversou de p de ouvido

    com o ex-presidente Luiz Incio Lula da Silva e

    que agora se prepara para ser gerente de Produo

    da Caoa/Hyundai se repete em todas as unida-

    des do SENAI por onde se passa. Jovens garotos

    que se dedicam para sair dali entre os melhores em

    suas reas se preparam para competies regionais

    e nacionais.

    o caso de Kaic Mamede, de 17 anos, aluno

    do curso de Usinagem da Faculdade de Tecnologia

    SENAI talo Bologna. Destaque entre os alunos da

    turma, o jovem disputou e venceu a fase regional

    da Olimpada do Conhecimento 2012, na ocu-

    pao Desenho Assistido por Computador, e se

    prepara para a etapa nacional da competio que

    avalia a qualidade do ensino do SENAI. E a prepa-

    rao de Kaic requer flego de campeo. Comeo

    s 7h30 da manh e s paro de estudar s 18 ho-

    ras, diz. Passa o dia no SENAI buscando melhorar

    cada vez mais seu projeto. O pai de Kaic, Divnio

    Antnio Rodrigues, de 45 anos, sempre teve tor-

    neadora. Aprendeu o ofcio sozinho. O filho, des-

    de pequeno, nunca saiu de perto e sempre gostou

    da oficina. Desde moleque eu fico em volta dele.

    Sempre me interessei pelo ofcio. Assim que deu,

    vim para o SENAI, conta. Est de olho no curso

    superior de Automao Industrial oferecido pela

    Fatec talo Bologna.

    O jovem tem objetivos claros. Quer ter bom

    desempenho na olimpada no por satisfao pes-

    soal, mas porque sabe que isso pode representar

    um investimento na carreira no futuro. As empre-

    sas ficam de olho nos primeiros colocados. atrs

    deles que elas vo. quase um passaporte para o

    bom emprego, compara. E eu quero ser um de-

    les. Quero chegar l por meu prprio mrito, por

    meu prprio esforo. E o SENAI me ajuda muito,

    os professores esto sempre acompanhando tudo

    de perto, completa. No sou diferente da maioria

    dos jovens da minha idade. S quero ter a opor-

    tunidade de ter um emprego digno, capaz de me

    fazer feliz, de me ajudar a constituir famlia.

    SENAI, referncia fora do Pas

    ao fim da dcada de 1950, quando o presidente Juscelino Kubitschek acelerou o processo de industrializao, o Senai estava presente em quase todo o territrio nacional e comeava a buscar, no exterior, a formao para seus tcnicos. Logo, tornou-se referncia de inovao e qualidade na rea de formao profissional, servindo de modelo para a criao de instituies similares na Venezuela, no Chile, na argentina e no Peru.

    Kaic quer chegar l, tambm

    Kaic Mamede, aluno do curso de usinagem do SENAI e de olho na Olimpada do Conhecimento: quase um passaporte para o bom emprego

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    nas mos DElEs

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |166

    um passeio pela trajetria daqueles que assumiram a misso de dirigir, nesses 60 anos, o SENAI de Gois.

    de Ary Azevedo a Paulo vargas, os diretores do seNAI gois

    Ary Azevedo 01/02/1958 a 31/08/1958

    Comandante nmero 1 de tudo o que fora feito pelo SENAI at ento, desde a sua chegada, em Anpolis, em 1952, coube ao professor carioca

    Ary Azevedo, na poca diretor da Escola SENAI

    GO 1, assumir a funo de primeiro delegado re-

    gional da instituio em Gois, em 1958. O Depar-

    tamento Regional seria criado naquele ano, em 28

    de agosto. Preparou o terreno para a fundao do

    SENAI Gois, cujo primeiro diretor assumiria em

    seguida (a trajetria do professor Ary Azevedo no

    SENAI de Gois pode ser conferida na pgina 64,

    em que so lembrados os ex-diretores da hoje Facul-

    dade de Tecnologia SENAI Roberto Mange).

    Do SENAI ao Sistema FIEG: acima, antiga sede da Administrao Regional, na hoje Fatec talo Bologna e, direita, Casa da Indstria, que abriga todas as instituies

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    gilson Alves de souza 1958-1968

    Gilson Alves de Souza morreu jovem demais para todos os projetos que tinha em vida. Um enfarte fulminante, em 28 de setembro de 1968,

    quando ele tinha apenas 48 anos, os interrompeu.

    Mas no foi capaz de apagar a trajetria desse mi-

    neiro de Patrocnio (MG) que cresceu em Gois e

    aqui fez histria como primeiro diretor do j funda-

    do Departamento Regional do SENAI.

    dona Dris Paranhos de Souza, a esposa e

    companheira durante 23 anos de casamento, quem

    conta um pouco dessa histria. Gilson ajudou

    muito Gois, a industrializao do Estado, o forta-

    lecimento das instituies como o SENAI, a Fede-

    rao do Comrcio e a prpria FIEG (Federao

    das Indstrias do Estado de Gois). Com muita

    dificuldade, fundou vrios sindicatos da indstria,

    relata. O sogro, ento deputado federal Galeno Pa-

    ranhos, contribuiu com os projetos do jovem em-

    preendedor Gilson de Souza.

    Reservado, nunca foi de trazer para si o mri-

    to de suas conquistas. No gostava de aparecer,

    resume a viva, dona Dris. Advogado, Gilson de

    Souza tinha excelente relao com integrantes

    da Confederao Nacional da Indstria (CNI),

    lembra. No ramo da indstria, fundou a Induprel,

    fbrica de pregos, e tambm outra indstria fabri-

    cante de mveis hospitalares. Como dirigente do

    SENAI ou como dono de fbrica, era sempre o pri-

    meiro a chegar e o ltimo a sair, revela dona Dris.

    Se um funcionrio atrasasse, o chefe senhor Gil-

    son chegava antes.

    Muito gentil com os funcionrios do SENAI

    e envolvido com causas sociais, gostava de ajudar

    a todos. Perdi a conta de quantos casais apadri-

    nhamos e de quantas crianas batizamos quando

    ele ainda era vivo. Ele era muito querido por todos.

    Vivia com o povo.

    Alm de fazer parte da histria de fundao

    da FIEG, do SENAI e SESI em Gois, Gilson

    Alves de Souza tambm tem passagem histrica

    pelo Gois Esporte Clube. dele a ata de fun-

    dao do clube, afirma dona Dris, assim como a

    ata de fundao, tambm, da primeira Federao

    dos Trabalhadores na Indstria em Gois, segun-

    do ela. Ele elaborava os estatutos e ajudava em

    tudo para sua fundao. Vivia 24 horas por dia

    para o trabalho.

    Do casamento com dona Dris Paranhos de

    Souza, o ex-diretor do SENAI teve cinco filhos: o

    advogado Paulo Augusto de Souza, o engenheiro

    fsico Gilson Alves de Souza Jnior, o administra-

    dor Galeno Alves de Souza, o agrnomo Luiz Al-

    berto de Souza e a professora Maria Rita de Souza.

    Fosse vivo, seria hoje av de 16 netos e 6 bisnetos.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 169

    Antnio fbio ribeiro 1968-1973

    O engenheiro civil e empresrio Antnio Fbio Ribeiro viveu a idade do SENAI. Nasceu no mesmo ano em que a instituio foi fundada, em

    So Paulo (SP) e, assim como o Servio Nacional

    de Aprendizagem Industrial, tambm completou

    70 anos em 2012. Quatorze deles dedicados ao

    SENAI. Morreu no dia 23 de outubro de 2012,

    em Braslia.

    De aluno de Gilson de Souza, Antnio Fbio

    Ribeiro tornou-se seu brao direito. Com a morte

    sbita daquele, viria substitu-lo na direo do De-

    partamento Regional do SENAI em Gois, em

    1968. Fora convidado por ele Gilson de Souza

    para ajud-lo na implantao, de fato, do depar-

    tamento regional, recm-criado.

    Ainda ao lado do ento diretor, Antnio Fbio

    realizou vrias aes: organizou e dirigiu a Diviso

    de Ensino e Treinamento; foi diretor-adjunto da

    diviso, supervisionando as aes do SENAI e co-

    laborando tambm com o SESI, notadamente, na

    construo do Clube Antnio Ferreira Pacheco,

    em Goinia, e da unidade de Aruan, s margens

    do Rio Araguaia. Aps a morte de Gilson Alves de

    Souza, assumiu a Direo Regional do SENAI

    em Gois, que j englobava a ao tambm no

    Distrito Federal.

    J na condio de diretor do SENAI Gois,

    o engenheiro Antnio Fbio promoveu a remode-

    lao do ento Centro de Formao Profissional

    Roberto Mange, de Anpolis, tanto no aspecto

    fsico quanto em relao ao desenvolvimento dos

    colaboradores e expanso das atividades. Tam-

    bm empenhou-se na construo e no incio de

    operao do ento Centro de Formao Profissio-

    nal talo Bologna, em Goinia.

    Antnio Fbio Ribeiro integrava os quadros do

    SENAI Gois quando foram construdos o Centro

    de Formao Profissional Vila Cana, em Goinia,

    e o CFP Araguana (hoje, Tocantins). Colaborou

    nos projetos de interiorizao da rede de atendi-

    mento do SENAI em Gois, bem como cuidou da

    abertura da instituio no Distrito Federal.

    L, atuou para implantao de unidades do

    SENAI, acumulando, inclusive, a direo regional

    do SENAI-DF. Foi responsvel pela construo e

    operao do Centro de Formao Profissional de

    Taguatinga (DF) e do Centro de Tecnologia da

    Construo do Distrito Federal. Antnio Fbio

    Ribeiro apoiou a implantao da Federao das

    Indstrias do Distrito Federal (Fibra), entidade que

    dirigiu de 1989 a 1995. Foi tambm presidente do

    Conselho do SENAI do DF.

    Em Gois, Antnio Fbio Ribeiro partici-

    pou de vrias entidades, comits e conselhos,

    contribuindo para a elaborao e o fortaleci-

    mento de uma poltica industrial para o Estado,

    chegando a assumir o cargo de secretrio de In-

    dstria e Comrcio de Gois, em 1970. Como

    dirigente do SENAI Gois, realizou viagens de

    trabalho a pases da Amrica Latina, levando e

    trazendo experincias promissoras na rea da

    Educao Profissional.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |170

    Ivan bailo 1970-1971

    Goiano de Inhumas, Ivan Bailo tambm tem a idade do SENAI. Os 70 anos do engenheiro formado pela pela UFG foram completados em

    janeiro de 2012. A chegada ao SENAI ocorreu em

    1967, a convite do ento diretor, Gilson Alves de

    Souza. O colega Antnio Fbio Ribeiro j atuava

    no SENAI nessa poca, o que o encorajou ainda

    mais a aceitar o convite para trabalhar no sistema.

    Comeou sua trajetria na instituio como

    assessor da Diviso de Ensino e Treinamento,

    poca chefiada por Antnio Fbio. Assumiu a

    responsabilidade de acompanhar de perto o anda-

    mento e a concluso das obras do Centro de For-

    mao Profissional talo Bologna, em Goinia.

    Em 1968, com a ida de Antnio Fbio para a

    funo de diretor-adjunto do Departamento Re-

    gional, Ivan Bailo assumiu a chefia da Diviso de

    Ensino e Treinamento. Era responsvel, j nessa

    poca, pelas aes desenvolvidas tambm no Dis-

    trito Federal, bem como por todas as obras civis do

    Departamento Regional em Gois.

    Em 1970, quando Antnio Fbio j havia as-

    sumido a direo do SENAI Gois por ocasio da

    morte do advogado Gilson Alves de Souza, Ivan

    Bailo tornou-se diretor-adjunto do ex-colega de

    faculdade. Depois, ocupou interinamente a dire-

    o regional quando Antnio Fbio, a convite do

    governador Leonino Caiado, assumiu a Secretaria

    de Indstria e Comrcio do Estado. Tambm nes-

    sa poca, acumulou a funo de superintendente

    do Instituto Euvaldo Lodi de Gois (IEL-GO),

    integrante do Sistema Indstria no Estado.

    O engenheiro Ivan Bailo destaca como aes

    significativas do SENAI Gois entre 1967 e 1971 a

    inaugurao e ampliao do Centro de Formao

    Profissional talo Bologna, em Goinia; reformula-

    o e modernizao do CFP Roberto Mange, em

    Anpolis, e implantao, em parceria com o Mi-

    nistrio da Educao (MEC), do sistema de treina-

    mento de adultos por meio do Programa Intensivo

    de Preparao de Mo de Obra (PIPMO).

    Segundo lembra Ivan Bailo, ele pde coor-

    denar e executar, em 1971, uma experincia pio-

    neira que denomina como o maior programa de

    treinamento para a construo civil naquela poca,

    outra parceria do SENAI com o MEC e o extinto

    Banco Nacional de Habitao (BNH). Por meio do

    programa, foram formados mais de 2 mil profissio-

    nais nos canteiros de obra do Distrito Federal em

    menos de um ano.

    Hoje, Ivan Bailo diretor de Marketing da

    DEC Brasil, de Desenvolvimento e Fabricao

    de Equipamentos em Ao Inoxidvel, de Goinia.

    Considero que ter trabalhado no SENAI foi fun-

    damental para meu aperfeioamento profissional e

    sucesso posterior em todas as outras empresas em

    que atuei e nas atividades que exerci, afirma.

    Para o engenheiro, o mais gratificante de sua

    passagem pelo SENAI foi a convivncia com pes-

    soas relacionadas por ele e identificadas como n-

    tegras e idealistas, como Antnio Ferreira Pacheco,

    Ovdio Incio Carneiro, Jos Aquino Porto, Gilson

    Alves de Souza, Venerando de Freitas Borges, Jeov

    de Paula Rezende, Vincenzo Falcone, Hlio Naves,

    professor Ary Azevedo e meus colegas engenheiros

    Antnio Fbio Ribeiro e Jefferson Bueno, cita.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 171

    Jeov de Paula rezende 1974-1975

    Alm dos editoriais assinados que abrem este registro histrico dos 60 anos de fundao do SENAI em Gois, este trabalho trar outro

    texto redigido em primeira pessoa. O autor Ri-

    cardo Wagner Rezende, filho do ex-diretor do

    SENAI Gois, professor Jeov de Paula Rezende.

    A riqueza de detalhes, o cuidado com as palavras

    e a beleza das lembranas do tambm professor e

    ex-funcionrio do SENAI Ricardo Rezende justi-

    ficam essa escolha.

    Ricardo Rezende atuou no SENAI por 29

    anos. Ingressou em Braslia, em 1982, na rea in-

    ternacional, chegando a chefe da Assessoria Inter-

    nacional da instituio. Foi transferido para a sede

    do Departamento Nacional do SENAI do Rio de

    Janeiro, atuando na assessoria direta do ento di-

    retor-tcnico da entidade e depois diretor-geral do

    SENAI entre 2000 e 2011, professor Jos Manoel

    de Aguiar Martins. Ricardo Rezende coordenou

    por vrios anos a rea de Relaes com o Merca-

    do. De volta a Braslia, com a mudana da sede

    nacional, ocupou novamente a gerncia-executiva

    de Relaes Internacionais. Encerrou a carreira no

    SENAI em setembro de 2011, como secretrio do

    Conselho Nacional do SENAI.

    Segue um relato de vida, feito pelo filho de

    Jeov de Paula Rezende. Uma vida que tambm

    passou pelo SENAI.

    Jeov de Paula Rezende nasceu na mineira

    Arax, em 30 de junho de 1921. Filho mais velho

    de oito irmos, perdeu o pai ainda adolescente e

    criou-se com a ajuda dos tios na cidade de Sacra-

    mento (MG).

    Veio para Goinia ainda muito jovem, no al-

    vorecer dos seus 21 anos, e aqui chegou a tempo de

    testemunhar a mudana da capital da velha Vila

    Boa de Gois para Goinia. Aqui concluiu seus

    estudos em Contabilidade e depois em Direito. Co-

    nheceu e casou-se comJacyra Souza de Rezende,

    com quem teve seis filhos Delenda, Tcia, Ant-

    nio Carlos (o Toninho), Tito Lvio, Ricardo Wagner

    e Eduardo Henrique.

    Ingressou no servio pblico e ajudou na or-

    ganizao da prefeitura da ento jovem capital

    goiana. Como fiscal e interventor do municpio,

    ajudou na organizao de vrias prefeituras do

    interior goiano e, como interventor, chegou a ser

    prefeito, por curto perodo, da histrica Pirenpolis.

    Galgou postos no servio pblico estadual, orga-

    nizou e ocupou postos de diretoria no Instituto de

    Previdncia e Assistncia dos Servidores do Estado

    de Gois (Ipasgo). Trabalhou por longo perodo na

    Assembleia Legislativa do Estado de Gois, onde

    se aposentou como diretor administrativo, em 1969.

    Paralelamente carreira no servio pbli-

    co, Jeov de Paula Rezende trilhou belssima tra-

    jetria na academia. Ingressou na Faculdade de

    Direito da Universidade Federal de Gois como

    professor titular de Direito e ali serviu por longos

    35 anos. Assim, ficou conhecido pela alcunha que

    sempre o acompanhou Professor Jeov. Ensinou

    nas cadeiras de Direito Administrativo, Direi-

    to Penal e Direito Processual, mas foi na rea de

    Deontologia Jurdica a rea do Direito que trata

    datica no exerccio da profisso que se encon-

    trou e se especializou. Deu aulas, fez palestras e es-

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |172

    creveu diversos livros tcnicos sobre a matria. Ao

    longo dos anos na Academia, ocupou o cargo de

    Diretor da Faculdade de Direito por 15 anos, at se

    aposentar, por volta de 1971, pouco depois de deixar

    o servio pblico.

    Professor Jeov costumava dizer: No gosto

    que me chamem de doutor, como costume com a

    maioria dos advogados. Gosto que me chamem de

    professor, porque professor um ttulo quemereo.

    E professor era um ttulo que merecia, mesmo. Ao

    encontrarex-alunos dele, todos eram unnimes em

    me dizer: Nas aulas do seu pai, era possvel ouvir os

    mosquitos voando pela sala.

    Homem de grande inteligncia e rara cultura,

    professor Jeov conhecia os clssicos, tinha invej-

    vel conhecimento de Literatura e Histria e inigua-

    lveltalento para a escrita. Seus textos eram ricos,

    elegantes e agradveis, fazendo, s vezes, com que o

    leitor corresse aos dicionrios, tal a riqueza do voca-

    bulrio que empregava. Ao lado dos livros tcnicos

    de Direito, escreveu romances, contos, ensaios e

    artigos. Dentre seus livros publicados, destacam-se

    Cenas de Desemboque, que retrata a Sacramento

    de sua adolescncia, e Pequizeiros em Flor, mistura

    de fico e histria, que relata a mudana da ca-

    pital de Gois e seus personagens histricos, como

    Pedro Ludovico, Venerando de Freitas Borges e Jai-

    me Cmara.

    Em 1969, j aposentado do servio pblico e

    em final de carreira no magistrio, professor Jeov

    recebeu convite de Jos Aquino Porto, ento pre-

    sidente da Federao das Indstrias do Estado

    de Gois, para ingressar nos quadros da institui-

    o. Entrou para a FIEG ocupando o cargo de

    secretrio-geral, em substituio a Gilson Alves de

    Souza, que acabava de falecer aps ter prestado

    relevantes servios na estruturao tanto da FIEG

    como de suas casas coligadas SESI e SENAI.

    Pela sua formao e conhecimento em Direito,

    passou a acumular o posto de consultor jurdico do

    SESI com o cargo de secretrio-geral da FIEG. As-

    sim, defendeu o SESI em inmeras aes at que,

    pelos idos de 1971, passou para os quadros do SE-

    NAI Gois como diretor-adjunto da entidade.

    Ocupava o cargo de diretor regional do SE-

    NAI Gois o ento jovem e dinmico Antnio F-

    bio Ribeiro, secretrio de Indstria e Comrcio do

    Governo Leonino Caiado, engenheiro e executivo

    destacado de Goinia. Na transferncia de Ant-

    nio Fbio Ribeiro para Braslia, na fundao do

    Departamento Regional do SENAI do Distrito Fe-

    deral, em 1973, professor Jeov passou a diretor re-

    gional do SENAI em Gois. Permaneceu no cargo

    at 1975, quando Jefferson Bueno tornou-se diretor

    regional do SENAI Gois e professor Jeov voltou a

    ocupar a diretoria-adjunta da instituio.

    Com a sada de Jefferson Bueno, em 1983,

    assumiu a Diretoria Regional do SENAI em

    Gois Paulo Vargas, com professor Jeov perma-

    necendo como seu diretor-adjunto. Iniciava-se ali

    uma longa e profcua parceria de trabalho, que

    trouxe um grande desenvolvimento e consolidou o

    SENAI Gois como um dos mais slidos, equili-

    brados e produtivos Departamentos Regionais da

    rede SENAI.

    Foram reestruturadas e fortalecidas as unida-

    des operacionais do SENAI em Anpolis e Goi-

    nia, a exemplo da instalada no Setor Fama e Vila

    Cana. As aes da instituio estenderam-se por

    vrias cidades do Estado, que comeavam a receber

    indstrias e investimentos de outras regies do Pas,

    e assim surgiram as Unidades de Catalo, Itumbia-

    Ricardo Rezende, filho do Professor Jeov: vida dedicada educao, legado do pai

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 173

    ra, Rio Verde, dentre tantas outras.

    Alm de atuar ao lado de Paulo Vargas na

    consolidao do SENAI em Gois, Professor Jeo-

    v, com uma trajetria de vida fortemente dedicada

    Educao, lutou para que a Educao Profissio-

    nal oferecida pelo SENAI alcanasse prestgio eva-

    lor. Hoje, a Educao Profissional do SENAI no

    mais aquele curso prtico, de nvel bsico, oferecido

    ao filho do trabalhador semiqualificado. , acima

    de tudo, uma alternativa educacional nobre que

    abre horizontes e perspectivas para os jovens que

    precisam ingressar no mercado de trabalho e garan-

    tir para si e para suas famlias um futuro melhor e

    mais promissor. Em 30 anos de trabalho dedicados

    ao SENAI Gois, este foi um dos mais fortes lega-

    dos deixados por Professor Jeov.

    Professor Jeov de Paula Rezende faleceu aos

    86 anos, em agosto de 2007. Seu exemplo de ho-

    mem de origem humilde e estilo de vida simples; de

    pessoa honrada, honesta e dedicada, que jamais

    usou os cargos que ocupou em proveito prprio;

    suatrajetria profissional marcada por grandes re-

    alizaesdeixamlies do mestre degrande sabe-

    doria, que marcou de forma indelveltodos aqueles

    que conviveram com ele, e deixam plantadas se-

    mentes de inspirao para as geraes futuras.

    Professor Jeov: 30 anos de trabalho dedicados ao SENAI Gois

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |174

    Jefferson bueno 1975-1983

    Aos 72 anos, o engenheiro civil e economista Jefferson Bueno fala com facilidade sobre o que fora em sua vida o Servio Nacional de

    Aprendizagem Industrial, e vice-versa. Tudo o

    que eu fiz na vida tem pedao do SENAI dentro,

    diz. E tem mesmo.

    Essa histria teve incio em 1966 e durou 17

    anos. Em junho daquele ano, o jovem Jefferson

    Bueno recebeu a misso, das mos do ento diretor

    regional do SENAI em Gois e no Distrito Fede-

    ral, Gilson Alves, e do presidente da Federao das

    Indstrias do Estado de Gois (FIEG) na poca,

    Antnio Ferreira Pacheco, de dar incio s ativida-

    des de formao de mo de obra pelo SENAI no

    DF. Foi nomeado, em 1 de junho de 1966, diretor

    tcnico do SENAI no Distrito Federal, funo na

    qual permaneceu at 1968. Durante esse tempo,

    lembra, assumiu tambm a direo-geral do Cen-

    tro de Ensino Tecnolgico de Braslia (Ceteb) e a

    coordenao de projetos de preparao de mo de

    obra industrial do Ministrio do Trabalho.

    Entre 1968 e 1970, Jefferson Bueno passou

    a atuar no Departamento Nacional do SENAI,

    no Rio de Janeiro. L desenvolvi manuais para

    laboratoristas de solo, que foram reproduzidos at

    se transformarem em srie metdica no SENAI,

    afirma. Nos anos 1970, foi para Boston, em

    Massachussetss, nos Estados Unidos, fazer seus

    estudos de mestrado e doutorado como bolsista da

    Northern University.

    Concludos os cursos nos Estados Unidos, vol-

    tou em 1973 para o Brasil, reintegrando o SENAI

    de Braslia, onde publicou os primeiros anurios da

    instituio no DF. Permaneceu no local at 1975,

    quando foi criado o Departamento Regional do

    SENAI do DF, dirigido por Antnio Fbio Ribeiro.

    Em 15 de maio de 1975, segundo conta, foi

    nomeado diretor regional do SENAI de Gois,

    designado para a funo pelo ento presidente da

    FIEG, Aquino Porto. Comandou a instituio, que

    experimentaria, nos anos seguintes, franca expan-

    so das atividades, at 1983. O SENAI foi uma ins-

    tituio que acompanhou a marcha para o Oeste

    brasileiro e acompanhou todas as transformaes

    experimentadas por Gois ao longo das ltimas

    seis dcadas, destaca.

    Na gesto do engenheiro civil Jefferson Bue-

    no, a rea fsica da unidade talo Bologna, em Goi-

    nia, sofreu significativa ampliao; foi construda

    a escola da Vila Cana, tambm na capital; a ento

    Escola Roberto Mange passou por importante re-

    forma (em 1980); dobrou-se a capacidade de aten-

    dimento da unidade de Araguana (TO); foram

    construdos os Centros Regionais de Treinamento

    de Rio Verde e Gurupi, a escola de Minau e de

    Itumbiara. A meta era ampliar significativamente

    o nmero de matrculas do SENAI e fizemos isso

    ocupando todos os quadrantes do Estado, relem-

    bra. E atribuo esse trabalho a um conselho e a

    uma diretoria do SENAI integrados por pessoas

    muito capacitadas, como Venerando de Freitas

    Borges, Hlio Naves e o atual diretor do SENAI,

    Paulo Vargas, enumera.

    Segundo Jefferson Bueno, sua passagem

    pelo SENAI possibilitou-lhe conhecimento mais

    profundo da importncia dos Recursos Humanos

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 175

    para o desenvolvimento de um pas. Ampliei meus

    conhecimentos gerais e especficos que fizeram o

    profissional que sou, preparando-me para ocupar

    as posies que ocupei, frisa.

    Aps deixar a direo do SENAI, o econo-

    mista Jefferson Bueno assumiu funes pblicas,

    como a presidncia da Companhia Energtica de

    Gois (Celg) e de rgos como a Companhia de

    Pavimentao, Companhia de Obras e o Departa-

    mento de Estradas de Rodagem de Goinia, alm

    da Companhia Urbanizadora da Nova Capital

    (Novacap), de Braslia. Foi tambm fundador e pre-

    sidente do Sindicato das Indstrias de Fabricao

    de lcool de Gois.

    Hoje, Jefferson Bueno dedica-se literatura

    e ao agronegcio. E arremata: Um pas cresce

    dependendo da natureza de sua fora de trabalho.

    Quanto mais qualificada ela , mais capacidade

    produtiva esse pas ter. Da a importncia de insti-

    tuies como o SENAI.

    Final dos anos 70: Jefferson Bueno (centro) mostra obras do CFP Vila Cana ao ento diretor do Departamento Nacional do SENAI, Saulo Diniz, e Barros Palissy (esquerda), observado por Jos Siqueira Filho, Joo Francisco, Paulo Vargas e Wilson Gilberto Pereira

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |176

    Paulo vargas a partir de 1983

    O jovem de 26 anos chegou atrasado primeira prova de seleo para ingresso nos quadros do SENAI Gois. No conseguiu liberar-se a tempo

    do trabalho. Perdeu a primeira chance, mas foi ape-

    nas essa. Na segunda tentativa, Paulo Vargas estava

    l. Era 1969. Aprovado. De l, no mais saiu. E l se

    vo 43 anos. Quarenta e trs anos de uma histria

    de vida que se entrelaa com a prpria histria do

    SENAI em Gois, que completa 60 anos em 2012,

    30 deles sob a administrao de Paulo Vargas.

    Goiano, o economista especialista em Pla-

    nejamento e Administrao de Empresas Paulo

    Vargas nasceu em Leopoldo de Bulhes, a cidade

    que surgiu com a estrada de ferro. O semblante se-

    reno esconde parte de uma das caractersticas que

    melhor o traduz: gosta tanto de trabalhar quanto de

    viver. O trabalho no mata. O trabalho no adoe-

    ce. Pelo contrrio, uma boa terapia, ensina Paulo

    Vargas, que s tem hora para chegar sede do SE-

    NAI, em Goinia.

    O diretor regional do SENAI conta que teve

    na vida apenas dois empregadores. Um deles foi

    Irapuan Costa Jnior, empresrio com quem tra-

    balhava quando decidiu fazer a prova de seleo

    para ingresso na instituio. Selecionado, iniciou

    como auxiliar de escritrio. Nunca mais deixei o

    SENAI, diz. E tanto l, como auxiliar de escrit-

    rio, como aqui, na funo de diretor, sempre bus-

    quei oferecer o mximo da minha competncia.

    Nada menos que o mximo da minha competn-

    cia, refora, lembrando que exatamente isso o

    que ele espera da equipe que coordena.

    A seleo para ingressar no SENAI partiu da

    simpatia que Paulo Vargas nutria pela instituio.

    Dela, no sabia muito. Mas conhecia pessoas que

    integravam aquele projeto extraordinrio para

    usar adjetivo escolhido por ele mesmo para des-

    crever como via o trabalho do SENAI , como o

    professor e amigo Vincenzo Falcone, que o fizeram

    crer que ele tambm queria fazer parte daquela

    histria. E fez. Italiano exigente, poca diretor

    administrativo, com ele aprendi muito.

    Alm de Falcone, ele cita Joviano Pereira da

    Natividade Neto, anapolino, que saiu dos quadros

    do SENAI Gois para se tornar diretor regional

    da instituio no Rio Grande do Sul e Distrito

    Federal, respectivamente; Carlos Antnio Almei-

    da e Silva, Terezinha de Jesus e Ftima Antonieta,

    todos levados de Gois para Braslia, requisitados

    por Antnio Fbio Ribeiro ao assumir a direo do

    DR-DF, no ano de 1973. O mesmo ocorreu com

    Carlos Boaventura, poca um garoto de 16 anos

    que mais tarde se tornaria diretor regional e supe-

    rintendente do SENAI e SESI do Distrito Federal,

    respectivamente.

    Desde que me aproximei pela primeira vez

    do SENAI, o vi como instituio forjadora de ho-

    mens bons, que ensina as pessoas a ter uma profis-

    so, as ajuda a crescer, a se firmar, a ter sucesso a

    partir da formao que recebem. As pessoas pas-

    sam a se sentir valorizadas pelo que sabem fazer,

    pelo que tm competncia para fazer. Faz bem

    poder dizer sou um bom pedreiro, sou um bom

    eletricista, sou um bom tcnico. Identifiquei-me e

    ainda me identifico com os valores da instituio,

    diz Paulo Vargas.

    O ex-auxiliar de escritrio fez carreira na

    instituio que escolheu para dedicar sua fora

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 177

    de trabalho. Foi diretor de escola, coordenador

    de diviso, coordenador-administrativo, entre

    outras funes que exerceu, at chegar a diretor

    regional, em 1983, em substituio a Jefferson

    Bueno. Apesar de ainda muito moo, tive o privi-

    lgio da confiana do ento presidente da FIEG,

    Aquino Porto, que me deu chance irrecusvel de

    mostrar trabalho como diretor regional, lembra.

    Durante todo esse tempo, convivi com pessoas

    extraordinrias, como Ivan Bailo, Jeov Rezende,

    Antnio Fbio Ribeiro, Jefferson Bueno, Aquino

    Porto, Paulo Afonso, Mozart Soares Filho, Hlio

    Damsio de Castro, Ary Azevedo e tanta gente

    que ajudou a construir o que a instituio hoje.

    Sinto-me honrado por isso.

    No Sistema Indstria em nvel nacional,

    onde o Regional de Gois sempre gozou de muito

    prestgio, Paulo Vargas destaca personagens como

    os ex-diretores Paulo Ernesto Tolle (So Paulo),

    Afonso Greco (Minas), Roberto Boclin (Rio de

    Janeiro), Arivaldo Silveira Fontes e Jos Manuel

    Martins, ex-diretores do Departamento Nacional.

    Paulo Vargas lembra que, como diretor dire-

    tor regional, passou pelas gestes de trs dirigentes

    da FIEG: Aquino Porto, homem a quem Gois

    deve muito, Paulo Afonso, que soube aproveitar a

    estrutura e os alicerces erguidos por Aquino Porto

    e avanar e, agora, Pedro Alves, nas mos de quem

    a Federao teve tambm grande salto, cita. Ao

    ser mantido pelo presidente Pedro Alves frente da

    instituio, senti uma responsabilidade maior ain-

    da. Seria natural que ele trouxesse para essa funo

    outros auxiliares. Mas ao receber a misso de con-

    tinuar dirigindo o SENAI e o SESI, senti o peso da

    responsabilidade e a assumi, afirma. O SENAI

    est absolutamente alinhado com o projeto do pre-

    sidente Pedro Alves, frisa.

    Para Paulo Vargas, o sentimento que predo-

    mina, ao estar frente do SENAI por ocasio dos

    seus 60 anos de fundao em Gois, de orgulho.

    Sinto-me imensamente orgulhoso, privilegia-

    do e honrado por estar liderando essa equipe em

    momento to importante para a instituio. Eu

    acredito na indstria de Gois e acredito no que o

    SENAI e o SESI podem fazer por ela. Trata-se de

    instituies de bem que forjam homens, trabalha-

    dores de bem, acentua. E conclui. Sou inquieto.

    No estou satisfeito nunca. Mas nada melhor que

    a insatisfao, para o homem, para faz-lo avanar.

    E isso o que busco, isso o que o SENAI busca.

    Atuao internacional

    na rea internacional, o Senai Brasil firmou 48 parcerias com 29 pases e 1 organismo internacional; captou 10.804 horas de consultoria para o Sistema Senai e promoveu a capacitao de 3.654 pessoas no Brasil por peritos internacionais. alm disso, ainda em 2010, implantou 4 Centros de Formao Profissional e est implementando 11 no exterior, em parceria com a agncia Brasileira de Cooperao (aBC), e desenvolve 29 projetos de cooperao tcnica totalizando R$ 68,9 milhes.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |178

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 179

    pionEiros E Visionrios

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |180

    Neste captulo, trazemos um breve relato da trajetria dos homens que tornaram possvel a implantao e o crescimento da rede SENAI, na condio de presidentes da Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG) e, por consequncia, tambm presidentes do Conselho Regional da instituio de ensino: Ant-

    nio Ferreira Pacheco, o visionrio que tudo iniciou; Aquino Porto, sob o olhar de quem a indstria e seu brao

    educacional, o SENAI, cresceu e se consolidou; Paulo Afonso, que soube potencializar o legado deixado por

    seu antecessor; e Pedro Alves, que amplia significativamente a oferta educacional no Estado e as parcerias em

    prol desse sistema.

    PresIdeNtes dA fIeg, freNte dos destINos do seNAI

    ferreira Pacheco e os primeiros passos pela industrializao

    Primeiro presidente da Federao das Inds-trias do Estado de Gois (FIEG), o empres-rio Antnio Ferreira Pacheco foi responsvel pelos

    passos iniciais da entidade rumo industrializao

    goiana, em meio a um contexto de ausncia de in-

    fraestrutura e mo de obra e reduzido nmero de

    empresas e investimentos. Durante sua gesto, de

    1952 a 1967, aps intensas articulaes junto Con-

    federao Nacional da Indstria (CNI), foi criado

    o Conselho Regional do SENAI, em reunio do

    Conselho Nacional da instituio, ocorrida entre

    os dias 24 e 25 de maro de 1958.

    No mesmo ano, em 28 de agosto, foi implan-

    tado o Departamento Regional do SENAI, que

    teve como primeiro diretor Gilson Alves de Souza.

    At ento, o SENAI em Gois, cuja primeira esco-

    la havia sido inaugurada em 9 de maro de 1952,

    em Anpolis, permanecia vinculado ao Departa-

    mento Regional de So Paulo. Tambm durante

    o mandato de Antnio Ferreira Pacheco, nasceu o

    Departamento Regional do SESI, cuja incorpora-

    o pela FIEG ocorreu em 28 de fevereiro de 1953.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 181

    o legado de Aquino Porto

    Entre os pioneiros do Sistema Indstria em Goi-s, destaca-se como figura central o empres-rio Jos Aquino Porto. Visionrio e empreendedor,

    Aquino Porto, depois de assumir o comando da

    FIEG com a morte de Ferreira Pacheco, de quem

    era vice, em 1967, ampliou a estrutura das institui-

    es que hoje compem o Sistema FIEG, o que

    possibilitou levar os diversos servios prestados a re-

    gies estratgicas do Estado. Sua liderana e a ca-

    pacidade de agregar as reivindicaes da indstria

    o fizeram galgar posio de destaque no segmento

    industrial nacional. Seu trabalho colocou a inds-

    tria goiana de vez no cenrio brasileiro e lhe rendeu

    o ttulo de Pai da Industrializao em Gois, pe-

    las quatro dcadas de atuao como lder classista,

    no Estado e no Pas.

    Com acesso fcil aos altos escales do gover-

    no federal e por mais de trs dcadas na posio

    de primeiro secretrio da Confederao Nacional

    da Indstria (CNI), Aquino Porto atraiu ateno

    de diversas autoridades para Gois e conseguiu

    canalizar inestimveis recursos financeiros para

    potencializar a ao das instituies do Sistema

    Indstria no Estado, sobretudo o SESI e o SE-

    NAI. No caso do SENAI, exceo da pioneira

    unidade Roberto Mange e das unidades mais

    recentes, Aquino Porto foi responsvel pela im-

    plantao de praticamente toda a rede de ensino

    tcnico no Estado, incluindo a hoje Faculdade

    de Tecnologia SENAI talo Bologna, primeira

    unidade instalada em Goinia; a Escola SENAI

    Vila Cana e a Faculdade de Tecnologia SENAI

    de Desenvolvimento Gerencial, tambm na ca-

    pital; a Unidade Integrada SESI SENAI SAMA,

    em Minau; a Escola SENAI Catalo, a Escola

    SENAI Itumbiara e a Unidade Integrada SESI

    SENAI Rio Verde.

    Aps 32 anos de sua gesto frente do sistema

    sindical patronal industrial goiano, eleito e reeleito

    em mandatos sucessivos, e considerando cumprida

    sua misso, passou, em 2000, o comando ao vice,

    Paulo Afonso Ferreira.

    Ento presidente da FIEG, Aquino Porto, entre os deputados Ibsen de Castro e Valdi Camrcio, recebe Medalha do Mrito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira, em 1997

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |182

    Paulo Afonso ferreira, empreendedorismo e modernizao

    Com o afastamento de Aquino Porto, Paulo Afonso Ferreira assumiu tarefa desafiadora, como ele prprio bem definiu ao avaliar os pri-

    meiros passos dados sem o apoio da mo segura

    de Aquino Porto e levar adiante o legado de em-

    preendedorismo, que sempre passou pelo cami-

    nho da modernizao, e realizar seu trabalho por

    meio do aprendizado e tendo sempre em mente

    o compromisso com a manuteno do trabalho

    promovido at ento: Nos primeiros meses, a

    sensao que nos envolveu foi a de imensa pre-

    ocupao, que certamente se traduziu algumas

    vezes em excesso de zelo, diante da obrigao de

    dar continuidade a uma administrao elogiada

    por unanimidade.

    O trabalho conjunto e a busca coletiva por

    solues rumo ao desenvolvimento permitiram

    que a FIEG reforasse sua posio de represen-

    tao mxima do setor industrial. A gesto Paulo

    Afonso Ferreira, que se reelegeu at outubro de

    2010, representou a continuidade da crena em um

    Gois Industrial e tambm em sua capacidade

    de juntar lideranas a favor dos grandes objetivos

    da indstria.

    Como presidente do Conselho Regional do

    SENAI, Paulo Afonso Ferreira levou adiante o

    projeto de interiorizao da instituio, em ao

    integrada com o SESI, para atender s demandas

    por qualificao profissional diante da descen-

    tralizao do desenvolvimento industrial. Assim,

    por meio da estratgia de parcerias com a inicia-

    tiva privada, nasceram a Unidade Integrada SESI

    SENAI Niquelndia, o Ncleo de Educao

    Profissional SENAI Luzinia, o Ncleo Integra-

    do SESI SENAI Barro Alto, o Ncleo Integrado

    SESI SENAI Formosa, o Ncleo Integrado SESI

    SENAI Senador Canedo e a Unidade Integrada

    SESI SENAI Quirinpolis.

    Integrao do Sistema FIEG e parceria com indstrias, marcas da gesto de Paulo Afonso Ferreira

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 183

    Pedro Alves de oliveira, foco na expanso da rede de ensino

    Eleito presidente da FIEG em 2010, o empresrio Pedro Alves de Oliveira tem mandato at 2014. Em sua gesto, o SENAI mantm sua trajetria de

    expanso da rede fsica nos principais polos de de-

    senvolvimento industrial do Estado, com a implan-

    tao do Ncleo Integrado SESI SENAI Mineiros,

    a Escola SENAI Dr. Celso Charuri, em Aparecida

    de Goinia, e o Ncleo SENAI Anpolis.

    Em meio crescente demanda das empresas

    por mo de obra qualificada, o foco da nova direto-

    ria da FIEG para a atuao do SENAI a elevao

    do nmero de matrculas na educao profissional

    e de empresas atendidas de forma integrada com os

    servios do SESI. Ao aderir ao Programa SENAI

    de Apoio Competitividade da Indstria Brasilei-

    ra, pacote de modernizao que prev a aplicao

    de R$ 3 bilhes em todas as unidades da instituio

    no Pas, o SENAI Gois vai investir R$ 85 milhes,

    at 2014, na expanso de sua rede de ensino, que

    oferece hoje cerca de 400 tipos de cursos em 20

    unidades e ncleos estrategicamente distribudos

    nos principais polos industriais do Estado. A meta

    atingir, em dois anos, 200 mil matrculas anu-

    ais, quase o dobro do que foi alcanado em 2010

    (113.516) e 78% superior a 2011 (123.511 matrculas).

    Para a expanso de sua rede de ensino, o

    SENAI ir aplicar recursos na rea de mecnica

    agrcola e adquirir mais quatro unidades mveis

    (oficinas autotransportveis), nas reas de alimen-

    tos e bebidas, manuteno industrial, manuteno

    de mquinas pesadas e de solda. O objetivo aten-

    der de perto s necessidades dos grandes empreen-

    dimentos que se instalam no Estado e dinamizar

    as aes de formao profissional desenvolvidas

    em parceria com empresas, sindicatos, associa-

    es e prefeituras. Tambm sero criados Institutos

    SENAI de Tecnologia (IST) nas reas de alimen-

    tos, automao e qumica industrial, alm do Ins-

    tituto SENAI de Inovao, com foco em logstica.

    Essas unidades sero aliadas das empresas no de-

    senvolvimento integrado de produtos e processos,

    pesquisa aplicada, soluo de problemas comple-

    xos e antecipao de tendncias tecnolgicas. Os

    institutos vo ainda formar profissionais para gerar

    conhecimento e desenvolver tecnologias que aten-

    dam s demandas das indstrias.

    Expanso da rede de ensino uma das piroridades de Pedro Alves de Oliveira frente das instituies da indstria em Gois

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |184

  • | s E n a i g o i s | 6 0 a n o s | | d A C A r P I N t A r I A A u t o m A o I N d u s t r I A l | 185

    ComEmoraEs unEm passaDo E prEsEntE

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |186

    No foi uma manh de domingo ensolarada, como aquela que, segundo os registros his-tricos, marcou a inaugurao da Escola SENAI

    GO 1, no dia 9 de maro de 1952, mas foi em uma

    manh de sexta-feira, igualmente ensolarada, que

    Anpolis abriu as comemoraes dos 60 anos de

    atuao da instituio em Gois. Pioneira da rede

    de educao profissional e tecnolgica hoje presen-

    te nos principais polos de desenvolvimento do Es-

    tado, a atual Faculdade de Tecnologia SENAI Ro-

    berto Mange festejou a data em grande estilo, com

    direito a bolo de aniversrio, bales, fogos de artif-

    cio e at tapete vermelho para receber as centenas

    de pessoas que vieram prestigiar o aniversrio.

    Uma placa alusiva histria, descerrada na

    ocasio, perenizou o evento. Nela, uma frase de

    um personagem cuja ausncia foi sentida Eur-

    pedes Monteiro Alarco, concluinte do curso de

    marceneiro da turma de 1953, que falecera h me-

    nos de um ms: O SENAI foi como uma bno de Deus na minha vida e de tantos outros jovens

    no s na minha poca, mas at hoje. Se me tornei

    o profissional e o pai de famlia que sou, devo muito

    a meus estudos no SENAI.

    No meio da multido, Juracy Fernandes de

    Carvalho, um senhor visivelmente emocionado,

    mostrava orgulhoso um pequeno lbum com fo-

    tografias antigas, da poca em que integrou a pri-

    meira turma do curso de tornearia mecnica da

    ento Escola SENAI GO 1. Fiz questo de estar

    aqui hoje. O SENAI faz parte da minha histria,

    aqui aprendi no s um ofcio, mas a ter disciplina,

    respeito ao prximo e amor ao trabalho, justificou.

    Juracy fez companhia a outros ilustres ex-alunos

    que tambm participaram da solenidade, como o

    colega de curso, Jair Braz.

    Reencontro, 60 anos depois: Juracy Fernandes de Carvalho e Jair Braz, colegas da turma de tornearia mecnica do SENAI em Gois

    ANPolIs em festA, 60 ANos dePoIs

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 187

    No transcorrer dessas seis dcadas, o SENAI Gois coleciona vrias histrias como a dos senhores Juracy, Eurpedes, Jair e tantos outros a

    srie histrica acumula mais de 1,3 milho de ma-

    trculas. Algumas delas foram apresentadas duran-

    te a comemorao dos 60 anos, em vdeo com de-

    poimentos de ex-alunos que se tornaram exemplos

    de sucesso profissional. A programao contou

    tambm com exibio do vdeo da inaugurao

    da antiga Escola SENAI GO 1 e lanamento pelos

    Correios do selo comemorativo SENAI 60 anos.

    Convidado para participar da solenidade, o

    engenheiro Adriano Mange, neto do tambm en-

    genheiro e educador suo Roberto Mange, um

    dos principais responsveis por trazer o SENAI

    para Gois, foi homenageado. Me sinto honrado

    por estar aqui e poder admirar a obra do meu av.

    Tambm sou tecnlogo em mecnica e trabalhei

    durante 36 anos no SENAI, me orgulha ser parte

    da instituio, disse.

    boNs exemPlos

    Luiz Adriano de Carvalho Mange, neto de Roberto Mange, presena marcante nos 60 anos do SENAI, ajuda cortar o bolo de aniversrio, ao lado de Joo Francisco, Francisco Costa, Jos Fernandes e Jos Natal

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |188

    Durante a abertura das comemoraes dos 60 anos do SENAI Gois, em Anpolis, o diretor regional, Paulo Vargas, fez um breve histrico sobre

    a chegada da instituio ao Estado, liderada pelo

    ento arcebispo de Gois, Dom Emanuel Gomes,

    conhecido como Arcebispo da Instruo, que foi

    ao SENAI de So Paulo pedir a implantao de

    uma unidade de educao profissional em Gois.

    O diretor tambm destacou o crescimento e mo-

    dernizao da instituio, que ao longo desses 60

    anos de atuao acumula em sua srie histrica

    1.321.106 matrculas, em mais de 400 cursos sinto-

    nizados com as reais necessidades do setor produti-

    vo. Os caminhos que o SENAI trilhou nestas seis

    dcadas, os desafios enfrentados, e o sucesso alcan-

    ado, levam as marcas do dinamismo das institui-

    es e dos empresrios que sempre o apoiaram,

    sugerindo e cobrando servios, ressaltou.

    Indstria competitivaEm seu discurso, o presidente da FIEG,

    Pedro Alves de Oliveira, destacou que o cresci-

    mento da economia goiana, que ocupa hoje a 9

    posio do Pas, est amparado na formao pro-

    fissional oferecida pelo SENAI. Para ns, uma

    alegria muito grande participar desse momento e

    o resultado do trabalho que temos no SENAI nos

    motiva a nos empenhar ainda mais para que nos-

    sa indstria se torne cada vez mais competitiva.

    Parceiro do SENAI em vrias aes de

    qualificao profissional, o prefeito de Anpolis,

    formAo ProfIssIoNAl: AlICerCe do deseNvolvImeNto soCIoeCoNmICo

    Paulo Vargas fala na abertura das comemoraes dos 60 anos do SENAI em Gois: caminhos, desafios e o sucesso

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  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 191

    Antnio Gomide, disse que os frutos do trabalho

    iniciado pelos pioneiros da instituio hoje so co-

    lhidos por toda sociedade goiana. A educao e a

    formao profissional promovem a justia social e,

    dentro dessa viso, somos parceiros incondicionais

    da FIEG e do SENAI para que possamos dar con-

    dies s pessoas de aproveitar as oportunidades

    que o desenvolvimento econmico oferece.

    Parque tecnolgicoRepresentando o governador Marconi Perillo,

    o secretrio estadual de Cincia e Tecnologia,

    Mauro Faiad, disse que o SENAI tem papel fun-

    damental para aumentar a renda dos goianos.

    Embora Gois cresa acima da mdia nacional,

    h ainda uma grande diferena entre o Produto

    Interno Bruto (PIB) e a renda per capita. Esse

    hiato s vai diminuir com educao, qualificao

    profissional e investimentos em inovao tecnol-

    gica, avaliou. Na ocasio, o secretrio anunciou

    o avano do projeto de parceria pblico-privada,

    que prev a construo, em Anpolis, do primeiro

    Parque Tecnolgico da Regio Centro-Oeste.

    Tambm participaram do evento, o presidente

    da Associao Comercial e Industrial de Anpolis

    e vice-presidente da FIEG, Wilson de Oliveira, o

    presidente da FIEG Regional Anpolis, Ubiratan

    Lopes, o bispo diocesano dom Joo Wilk e o dire-

    tor-adjunto dos Correios, Valdeir Pimenta, alm de

    empresrios e autoridades.

    Prefeito de Anpolis, Antnio Gomide: parceria incondicional

    Dentro das comemoraes do 60 aniversrio do SENAI em Gois, a Fa-culdade de Tecnologia talo Bologna, que

    completou 44 anos dia 24 de maro, reu-

    niu seus ex-diretores para reconhecimen-

    to ao trabalho deles. A primeira unidade

    na capital hoje comandada por Misclay

    Marjorie, que antes havia dirigido a Uni-

    dade Integrada SESI SENAI Niquelndia,

    no Norte goiano. Na Fatec, foram seus

    antecessores Ary Azevedo (1968-79), Pau-

    lo Vargas (1979), Lzaro Bernardes (1979-

    81), Jair Braz de Oliveira (1981-92) e Mar-

    cos Antnio Mariano (1992-2011).

    Reconhecimento: Jos Mauro Costa Azevedo e Grace Helena, filhos de Ary Azevedo, Paulo Vargas, Lzaro Bernardes, Jair Braz, Tays Almeida de Souza (funcionria da Escola SENAI Dr. Celso Charuri, representando Marcos Mariano) e Misclay Marjorie

    Fatec talo Bologna homenageia ex-diretores

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |192

    Tambm comemorando 60 anos, a Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG), instalada oficialmente no dia 1 de maio de 1952,

    abriu as festividades do sexagenrio em evento re-

    alizado no dia 13 de maro, na Casa da Indstria,

    com participao do governador Marconi Perillo

    e do presidente da Confederao Nacional da In-

    dstria (CNI), Robson Braga. Na ocasio, foi lan-

    ado pelos Correios selo alusivo ao aniversrio da

    instituio e homenageadas personalidades ligadas

    histria da Federao. A solenidade contou ainda

    com a presena da diretoria da FIEG, presidentes

    de sindicatos, representantes das entidades que

    compem o Frum Empresarial, deputados esta-

    duais e do secretrio de Indstria e Comrcio de

    Gois, Alexandre Baldy.

    Em meio s comemoraes, a Assembleia

    Legislativa e a Cmara Municipal de Anpolis rea-

    lizaram sesses especiais, propostas pelo deputado

    Luiz Cesar Bueno (PT) e pelo vereador Luiz La-

    cerda (PT), para homenagear os 60 anos de atua-

    o da FIEG e do SENAI em Gois.

    fIeg, 60 ANos

    PIONEIROS (1): Daniel Viana e Capito Waldyr ODwyer so homenageados na comemorao dos 60 anos da FIEG e do SENAI, ao lado do presidente da CNI, Robson Braga, governador Marconi Perillo e Pedro Alves de Oliveira

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 193

    PIONEIROS (2): Sulamita de Aquino Porto, Antnio Ferreira Pacheco Jnior e Luiz Alberto, respectivamente, filhos de Aquino Porto, Antnio Ferreira Pacheco e Gilson Alves de Souza, recebem placas do governador Marconi Perillo

    Associao nasceu com o SENAI

    Com participao ativa na vida dos funcionrios e de seus familiares, a Associao dos Empregados do SENAI de

    Gois (Aesgo) surgiu em 1958, seis anos

    depois da implantao da instituio no

    Estado. Em sua histria, teve como presi-

    dentes Ary Azevedo (1958-69), Mrio de

    Oliveira (1969-72), Paulo Vargas (1972-

    83), Snia Rezende (1983-90), Mrcio

    Antnio Rezende (1991-92), Maurcio de

    Souza Miranda (1993-94), Honorina Mar-

    tins da Costa (1994-2000) e Eodcio Car-

    los de Souza (2000-2010). Em 2012, com

    a criao da Associao dos Empregados

    do Sistema FIEG (Aesfieg), presidida por

    Cludio Cavalcante de Souza, o trabalho

    de assistncia aos colaboradores foi con-

    centrado em uma s entidade.

    Colaboradores do SENAI com atuao na Aesgo: ao lado, Welington Vieira, Marcos Mariano, Snia Rezende, Dehovan Lima, Maurcio Miranda. Abaixo, Mrcio Rezende, Honorina Martins e Eodcio Carlos

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |194

    AtuAo reCoNheCIdA PelA soCIedAde

    Pioneiro do Sistema Indstria no Estado, o SE-NAI Gois chega aos 60 anos com atuao consolidada e como referncia em educao pro-

    fissional e inovao tecnolgica. Responsveis pela

    formao de mo de obra que movimenta um par-

    que industrial cada vez mais complexo e competiti-

    vo, seus diversos cursos gozam de conceito elevado,

    com ndice de absoro de concluintes pelo merca-

    do de trabalho em torno de 80%.

    Fortemente inserida no meio empresarial e

    na comunidade, a instituio teve o privilgio de

    comemorar o aniversrio de sua implantao no

    Estado com ampla mobilizao e repercusso em

    diferentes esferas pblicas e na iniciativa privada.

    Depois do incio das festividades na Facul-

    dade de Tecnologia Roberto Mange, em Anpo-

    lis, cidade-bero, e de ser alvo de homenagens

    na Cmara Municipal e na Assembleia Legis-

    lativa, ao lado da FIEG, igualmente comemo-

    rando 60 anos (veja nas pginas 187), o SENAI

    recebeu congratulaes do Conselho Estadual

    de Educao (CEE).

    Ao longo dessas seis ltimas dcadas, cada

    passo da indstria goiana, rumo ao desenvolvimen-

    to e ao progresso econmico e social, conta com

    o selo do SENAI. No possvel a nenhum his-

    toriador, do presente e do futuro, contar a histria

    da educao profissional em Gois sem reservar o

    captulo especial, o primeiro, ao SENAI, destaca

    o presidente do (CEE), Jos Geraldo de Santana.

    A Junta Comercial do Estado de Gois (Ju-

    ceg) aprovou moo de aplauso instituio, em

    sesso realizada no dia 14 de maro, proposta pelo

    seu presidente, Samuel Albernaz.

    Samuel Albernaz, da Juceg: moo de aplauso ao SENAI pelos 60 anos em Gois

    Promover a educao profissional e tecnolgica, a inovao e a transferncia de tecnologias, aumentando a competitividade da nossa indstria, tem sido um trabalho desenvolvido com excelncia pelo SENAI nestes ltimos 60 anos. E por esta razo que felicito a todos que fazem parte da instituio, por auxiliar no crescimento de Gois e na implementao de uma nova viso empresarial, muito mais socialmente responsvel e preocupada com a nossa comunidade.

    Francisco Jr., deputado estadual

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 195

    olimpada do Conhecimento rene mais de 13 mil

    O envolvimento da comunidade na passagem

    dos 60 anos do SENAI, marcada inclusive por selo

    alusivo lanado pelos Correios, foi evidenciado du-

    rante a realizao em Goinia, em abril, da etapa

    regional da Olimpada do Conhecimento, que reu-

    niu em trs dias mais de 13 mil visitantes interessa-

    dos em conhecer de perto o mundo da educao

    profissional em provas destinadas a escolher os me-

    lhores alunos em diversas ocupaes da indstria e

    do comrcio.

    Outro grande momento comemorativo, o

    Projeto Mundo SENAI mobilizou em setembro

    a populao de Goinia, Aparecida de Goinia,

    Anpolis, Catalo, Itumbiara, Rio Verde, Quiri-

    npolis, Niquelndia e Minau, ao abrir as portas

    das unidades da instituio visitao pblica

    para apresentar as aes que desenvolve na rea

    de educao profissional. A iniciativa destinada a

    promover um espao de discusso e produo de

    novas ideias, atualizao e troca de experincias.

    Alm de conhecer produtos e servios oferecidos

    pelo SENAI em Gois, o pblico pde participar

    de palestras, mostras tecnolgicas e aulas prticas,

    como tambm conferir os projetos de inovao de-

    senvolvidos para o segmento industrial.

    Competidor em prova da Olimpada do Conhecimento, observado por alunos de escolas de Goinia: interesse no mundo da educao profissional

    Pentacampeo em educao profissional no Pop List

    emoes mais fortes ainda estavam reservadas para o ano do sexagenrio. Quatro vezes lder no Prmio Pop List, pesquisa de mercado realizada anualmente pelo jornal o Popular/instituto Verus que mede o grau de fixao na mente do consumidor das marcas de produtos e empresas de diversos segmentos econmicos, o Senai foi novamente a marca mais lembrada, em Goinia, na modalidade Curso Profissionalizante. Reflexo da qualidade dos servios e produtos oferecidos no campo da educao profissional, da inovao tecnolgica e da assessoria tcnica, a instituio igualmente consolidou a liderana de share of mind em Rio Verde e itumbiara, onde mantm unidades de ensino, com a conquista do Pop List pela terceira e segunda vez consecutiva, respectivamente.

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |196

    Presidente da FIEG, Pedro Alves de Oliveira, fala em sesso especial do Legislativo goiano: importncia do SENAI para ampliao do segmento industrial

    Ex-aluno do curso de artes grficas do antigo Centro de Formao Profissional talo Bo-logna (segunda unidade construda no Estado,

    em 1968, e atual Faculdade de Tecnologia SE-

    NAI talo Bologna), em Goinia, o deputado

    Luis Cesar Bueno foi autor de homenagem

    instituio e FIEG, em sesso especial reali-

    zada no dia 12 de maro, na Assembleia Legisla-

    tiva. Ao longo da histria da indstria goiana, o

    SENAI tem contribudo com a formao profis-

    sional e capacitao das empresas, que buscam

    na tecnologia e na inovao, a competitividade

    para disputa de mercado em um mundo globa-

    lizado. Nesses 60 anos de atuao, a instituio

    participou dos grandes acontecimentos que

    envolveram o setor industrial do Estado, colabo-

    rando com o poder pblico para a implantao e

    consolidao do polo industrial goiano, promo-

    vendo o desenvolvimento econmico, social e

    cultural, afirmou o deputado.

    Seriedade e paixoEm seu discurso de agradecimento, o di-

    retor regional do SENAI Gois, Paulo Vargas,

    considerou a homenagem da Assembleia um re-

    conhecimento do trabalho desenvolvido em prol

    da educao profissional e da industrializao do

    Estado. O SENAI acumulou em sua trajetria

    memorveis exemplos, mritos e reconhecimento

    internacional. Foi e referncia para vrios outros

    pases. No se faz uma instituio como o SENAI

    e no h como esta se firmar num pas de mltiplas

    dificuldades na educao, sem elevada dose de se-

    riedade e uma pitada de paixo. Estamos sempre

    prontos a nos adaptar para atender melhor s ne-

    cessidades das indstrias.

    O presidente da FIEG, Pedro Alves de

    Oliveira, destacou a importncia das institui-

    es para a ampliao do segmento indus-

    trial no Estado. Sempre contribumos para a

    promoo do crescimento industrial e econmi-

    co de Gois. Nessas seis dcadas,

    j formamos mais de um milho

    de trabalhadores, prontos e aptos

    ao mercado de trabalho.

    homenagens na Assembleiae na Cmara de Anpolis

    Reconhecimento: ex-aluno de artes grficas, o deputado Luis Cesar Bueno foi autor de homenagem ao SENAI e FIEG na passagem dos 60 anos, na Assembleia Legislativa

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 197

    MritoNa Cmara de Anpolis, que tambm reali-

    zou sesso especial de homenagem ao SENAI e

    FIEG, dia 13 de maro, o vereador Luiz Lacerda

    ressaltou que o municpio atualmente polo eco-

    nmico de Gois, alm de ser uma das regies

    industriais mais importantes e desenvolvidas do

    Brasil. O SENAI e a FIEG do suporte ao traba-

    lho desenvolvido nas indstrias.

    Paulo Vargas disse que a homenagem valo-

    riza e incentiva as instituies a continuar com

    os mesmos propsitos, servir a indstria, seus co-

    laboradores e a Anpolis. Queremos ser, como

    sempre e a cada vez mais, um propulsor do de-

    senvolvimento industrial, cumprindo fielmente a

    misso do SENAI, na formao profissional de

    homens e mulheres, jovens e adultos, com a oferta

    de cursos que vo da aprendizagem graduao

    tecnolgica.

    O presidente Pedro Alves contou que, no

    incio da FIEG, Anpolis era conhecida como a

    capital econmica do Estado. Hoje, com o dina-

    mismo do seu Distrito Agroindustrial, a cidade

    a detentora da maior concentrao industrial de

    Gois, salientou.

    Durante a homenagem na Cmara, o presi-

    dente da FIEG e o diretor regional do SENAI re-

    ceberam certificados de honra ao mrito pelos 60

    anos de atuao na qualificao de mo de obra e

    na defesa do desenvolvimento industrial do Estado.

    Da Cmara de Anpolis ao SENAI e FIEG: Paulo Vargas, Amilton Batista de Faria, Ridoval Chiarelloto, Luiz Lacerda e Pedro Alves de Oliveira

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |198

    O ex-senador goiano Demstenes Torres, pro-curador de Justia e ex-secretrio de Segu-rana Pblica de Gois, tem imensa gratido pelo

    SENAI.

    Demstenes Torres no foi para a indstria.

    Tampouco passou pelos cursos de aprendizagem

    ou tcnicos do SENAI. Mas tem com a instituio

    uma histria singular. Na biblioteca da hoje Facul-

    dade de Tecnologia SENAI talo Bologna, no Se-

    tor Fama, o ainda menino Demstenes foi apresen-

    tado aos grandes autores nacionais e internacionais.

    L, encontrou o que precisava para seguir adiante

    nos estudos e obter deles o que lhe fora reservado.

    Mas o prprio procurador de Justia, a pedi-

    do do SENAI, que conta essa histria.

    Quando eu tinha 3 anos de idade, minha

    famlia se mudou de Anicuns para o Setor Mare-

    chal Rondon ou Fama , em Goinia. E um de

    nossos vizinhos, no mesmo bairro, era o Centro de

    Formao Profissional talo Bologna, unidade do

    SENAI. Centenas de adolescentes da regio estu-

    davam ali e saam diretamente para os empregos,

    dada a qualidade dos cursos. Por mim, o SENAI

    fez mais: deu-me o prazer da leitura e a satisfao

    do aprendizado.

    J tive a oportunidade de agradecer a alguns

    dirigentes do Sistema S, mas agora o fao de p-

    blico: muito obrigado, SENAI. No fiz cursos pro-

    fissionalizantes, mas frequentei por muitos anos

    a biblioteca da unidade da Fama, que sempre foi

    aberta comunidade. Ali me preparei para as pro-

    vas no colgio, para o vestibular, me preparei para

    concursos. Mas, mais que isso: sa preparado para

    a vida. S parei de ir s estantes do SENAI quando

    entrei para a faculdade, com o restante do tempo

    ocupado por dois empregos.

    O SENAI muito cuidadoso com a formao

    de seus estudantes. Para entrar nos cursos, era pre-

    ciso se esforar muito. E eu via meus colegas dando

    um duro danado antes dos testes... A recompen-

    sa vinha antes da formatura, com as empresas os

    procurando como tcnicos em automveis, grfica

    e outras reas. Como meu sonho era ser professor,

    a recompensa veio com a aprovao em concurso

    pblico na rede municipal de ensino, na qual entrei

    depois de muito estudar na biblioteca do Servio

    Nacional de Aprendizagem Intelectual no meu

    caso, pois no fui para a indstria.

    Uma bibliotecria muito eficiente, responsvel

    pela sala e os volumes, tinha grande apego aos livros

    e os vigiava de perto. Com ela no tinha baguna,

    nem livro com orelha, nem pgina riscada. Era

    obrigado, servio Nacional de Aprendizagem Intelectual

    Demstenes Torres e as lembranas da adolescncia na biblioteca do SENAI, onde descobriu o prazer da leitura e a satisfao do aprendizado

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 199

    tima com quem era timo, uma espcie louvvel

    de meritocracia. Jovem estudioso, com ela, tinha

    toda chance. Ela reconhecia de longe os malan-

    drinhos, do tipo que vai biblioteca eventualmente

    para fugir das tarefas em casa. Mas ela no desistia

    de ningum. Sugeria obras, ajudava na pesquisa.

    Isso, h mais de 30 anos. Na poca, ela j era

    de meia-idade. Nunca soube seu nome correto. A

    gente a chamava de Dona Maria. Deve estar apo-

    sentada, com a certeza de que influenciou para o

    bem a formao de milhares de rapazes e moas.

    Quando passei no vestibular de Direito, voltei l

    para lhe agradecer e agora o fao tambm em p-

    blico: muito obrigado, Dona Maria. A senhora um

    dos motivos de o SENAI gozar do imenso prestgio

    de que dispe e uma das razes de tantos de ns

    gostarmos de ler.

    Dona Maria me apresentou a seus amigos

    mais prximos: Jos de Alencar, Casimiro de Abreu,

    Castro Alves, Monteiro Lobato e, numa segunda

    fase, a Machado de Assis, Jorge Amado, Ceclia

    Meireles e tantos outros, inclusive escritores locais,

    como Bernardo lis e Hugo de Carvalho Ramos.

    Meus irmos mais velhos indicavam autores pol-

    ticos e Dona Maria se mantinha firme: se pergun-

    tada, sugeria o que estava na faixa escolar. Fui seu

    fregus da meninice, com Jos Mauro de Vascon-

    celos, ao fim da adolescncia, quando apareceu

    com Guimares Rosa, Graciliano Ramos, Carlos

    Drummond de Andrade e os demais modernistas:

    Esses caem no vestibular, dizia. Caram mesmo,

    Dona Maria

    Minha lembrana do SENAI a dos livros.

    Alm de bem cuidados, eram tambm bastante

    recentes, havia sempre novidades. Desde cedo, em

    casa, fui estimulado a ler e no SENAI estavam as

    enciclopdias novinhas, com aquele livro anual

    de atualizaes. No apenas pesquisei, como li

    quase completamente a Barsa, a Delta, a Britni-

    ca e at os Tits da Sabedoria. Mesmo nesses tem-

    pos de internet, prefervel ir biblioteca que ir ao

    Google, ou ir primeira quando quiser conheci-

    mento slido e ao segundo quando a necessidade

    for rpida sem exigir profundidade ou a ambos,

    sem esquecer o prazer do livro. Cultura de verdade,

    no somente de verniz.

    L na biblioteca do SENAI no deve ter

    mais a Dona Maria, certamente substituda por

    outro pessoal to dedicado quanto. Mas continuo

    recomendando a visita no meu caso, mais que

    visitante, eu era um hspede dirio. Se voc vir um

    gordinho, no canto, cabea enterrada no livro da

    Barsa, pode sair pensando: graas a esse lugar,

    aquele ali ainda vai ser um profissional bem-suce-

    dido e uma pessoa muito feliz. exatamente como

    eu me sinto. (Demstenes Torres)Biblioteca Joo Popini Mascarenhas, em 1973. Em p, Maria da Glria Azevedo acompanha estudantes em pesquisa

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |200

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    CrDitos

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |202

    Federao das Indstrias do Estado de Gois (FIEG)

    Servio Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Gois)

    Assessoria de Comunicao Institucional do Sistema FIEG

    Assessor: Geraldo Neto

    Coordenao Editorial e reviso: jornalista Dehovan Lima

    Pesquisa, texto, edio e colaborao: Jornalistas Deire Assis, Andelaide Pereira e Javier Godinho

    Projeto grfico e diagramao: Jorge R. Del Bianco

    Fotos: Acervo SENAI, Aroldo Bastos, Wagner Soares, Weimer Carvalho, Maluhy Alves, Maurozan Teles, Silvio Simes, Deire Assis, Dehovan Lima, Alex Malheiros, Srgio Arajo, Mantovani Fernandes, Ricardo Stuckert, Edson Rodrigues, SENAI So Paulo.

    Impresso:

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S | | D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l | 203

    fontes de informao

    LOPES, Stenius. SENAI 50 Anos Retrato de uma Instituio Brasileira. So Paulo, Editora da Universidade Federal da Paraba, 1992.

    CNI-SENAI. Caderno do Departamento Nacional do SENAI De 1942 a 2010.

    SENAI. SENAI-SP 65 anos de um sistema educacional consequente. So Paulo, SENAI, 2007.

    ASMAR, Joo. Anpolis e a Associao Comercial e Industrial de Anpolis Breves Histricos. Goinia, Editora Kelps, 2011.

    BOLOGNA, talo. Roberto Mange e sua obra. Goinia, Unigraf, 1980.

    uREA, Irm Cordeiro Menezes. Dom Emanuel Gomes de Oliveira Arcebispo da Instruo. Goinia, Agepel, 2001.

    Arquivos da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange.

    Arquivos da Escola SENAI Vila Cana.

    Diretorias das unidades integradas, escolas e ncleos do SENAI em Gois.

    Gerncias do SENAI em Gois.

    Relatrios anuais de atividades do SENAI Gois.

    Matriz Curricular 2011 SESI-SENAI da Diretoria de Educao e Tecnologia de Gois.

    Revistas Informativo SENAI, Futuro Profissional, Gois Industrial

  • | S e n a i G o i S | 6 0 a n o S || D a C a r p i n t a r i a a u t o m a o i n D u s t r i a l |204

    AgrAdeCImeNtosAos diretores, gerentes e demais colaboradores das unidades de educao profissional do SENAI pela disposio em prestar informaes necessrias realizao deste trabalho, bem como pelo acesso aos arquivos destas unidades que permitiram recontar parte da histria da instituio nesses 60 anos de existncia em Gois.

  • O SENAI o que temos de mais qualificado para transformar a pesquisa e o modelo de inovao brasileiros.

    Dilma Rousseff, presidente da Repblica, durante visita CNI, em Braslia, dia 13 de abril de 2012, para conhecer o Programa SENAI de Apoio Competitividade da Indstria Brasileira.

    Eu, que antes do diploma de presidente da Repblica tinha somente o diploma de torneiro mecnico do SENAI, sei o quanto a educao capaz de mudar a vida de uma pessoa, de uma famlia e de uma nao. Pois foi aquele diploma que me abriu a oportunidade de emprego e de uma vida melhor.

    Luiz Incio Lula da Silva, ex-presidente da Repblica, ao receber ttulos de doutor honoris causa de universidades federais do Rio de Janeiro, dia 4 de maio de 2012

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