Livro Audiodescricao Transformando Imagens Em Palavras

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<p>AudiodescrioTransformando Imagens em Palavras</p> <p>Lvia Maria Villela de Mello Motta Paulo Romeu FilhoOrganizadores</p> <p>2010</p> <p>Descrio da capa: a capa, criada pela designer Aracy Bernardes, com fundo ocre e tons que vo do vinho ao marrom, ilustrada por metade de um rosto com destaque para olho e parte da boca no lado direito, trs imagens desfocadas, sobrepostas e transparentes do meio para o lado esquerdo superior, um fluxo de letras saindo da boca da pessoa sobre fotos descoloridas de praia e flor na parte inferior. O ttulo: Audiodescrio - Transformando Imagens em Palavras e os nomes dos organizadores: Lvia Maria Villela de Mello Motta e Paulo Romeu Filho, esto escritos com letras pretas sobre fundo ocre na parte superior e inferior da capa.</p> <p>Dados</p> <p>Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP , Brasil)</p> <p>Audiodescrio : transformando imagens em palavras / Lvia Maria Villela de Mello Motta, Paulo Romeu Filho , organizadores. -- So Paulo : Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficincia do Estado de So Paulo , 2010. Vrios autores. Bibliografia ISBN 978-85-4047-00-6 1. Acessibilidade cultural 2. Audiodescrio 3. Deficientes visuais 4. Deficientes visuais Servios de acessibilidade 5. Direito informao 6. Incluso social 7. Meios de comunicao 8. Polticas pblicas 9. Tecnologia I. Motta, Lvia Maria Villela de Mello. 11. Romeu Filho, Paulo.</p> <p>10-12127 ndices para catlogo sistemtico: 1. Deficincia visual e a audiodescrio: Sociologia da acessibilidade cultural e comunicacional 303.32</p> <p>CDD - 303.32</p> <p>AGRADECIMENTOS</p> <p> Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficincia do Estado de So Paulo, pelo apoio na publicao deste livro. Aos autores dos artigos e depoimentos, por participarem da construo da histria da audiodescrio brasileira. Ao Marco Antonio de Queiroz, MAQ, autor do prefcio e nosso interlocutor na organizao deste livro, pelas contribuies e discusses. Fernanda Cardoso, pela reviso competente e pelo envolvimento com o tema. Aracy Bernardes, designer da capa, pela criao e pacincia para entender e traduzir o conceito.</p> <p>SUMRIO11 APRESENTAO de Mello Motta e Paulo Romeu Filho Lvia Maria Villela 13 PREFCIO de Queiroz - MAQ Marco AntonioPARTE I ARTIGOSBREVE PASSEIO HISTRICO 23 AUDIODESCRIO: Franco e Manoela Cristina Correia Carvalho da Silva Eliana Paes Cardoso</p> <p>43 DEFICINCIA - AUDIODESCRIO NA TELEVISO BRASILEIRAPaulo Romeu Filho VAI 67 A AUDIODESCRIOMello PERA Lvia Maria Villela de Motta</p> <p>POLTICAS PBLICAS DE ACESSIBILIDADE PARA PESSOAS COM</p> <p>83 AUDIODESCRIO E VOICE OVER NO FESTIVAL ASSIM VIVEMOS Graciela Pozzobon 93 UMA PROPOSTA BASEADA EM PESQUISA ACADMICAVera Lcia Santiago Arajo A FORMAO DE AUDIODESCRITORES NO CEAR E EM MINAS GERAIS:</p> <p>107 BLIND TUBE: CONCEITO, AUDIODESCRIO E PERSPECTIVAS Lara Pozzobon 117A PRIMEIRA AUDIODESCRIO NA PROPAGANDA DA TV BRASILEIRA: NATURA NATUR UM BANHO DE ACESSIBILIDADE Maurcio Santana</p> <p>DA CIDADE 129 O SIGNOCampos Rodrigo</p> <p>139 PROJETO DE INCLUSO SOCIAL E DIGITALBell Machado</p> <p>PONTO DE CULTURA CINEMA EM PALAVRAS A FILOSOFIA NO</p> <p>151 PESSOAS COM DEFICINCIALaercio SantAnna</p> <p>A IMPORTNCIA DA AUDIODESCRIO NA COMUNICAO DAS</p> <p>159 PESSOAS COM DEFICINCIA VISUALIracema Vilaronga</p> <p>OLHARES CEGOS: A AUDIODESCRIO E A FORMAO DE</p> <p>167 RELATO PESSOAL DE UMA TRAJETRIA DE LUTA POR INCLUSONaziberto Lopes de Oliveira</p> <p>A PESSOA COM DEFICINCIA VISUAL E A AUDIODESCRIO </p> <p>179 Luis Fernando Guggenberger e Eduardo Valente 185 COM AUDIODESCRIOMarta Gil</p> <p>A EXPERINCIA DA VIVO - PIONEIRISMO E MULTIPLICAO</p> <p>VIDA EM MOVIMENTO PRIMEIRO DOCUMENTRIO BRASILEIRO</p> <p>PARTE II A PRIMEIRA AUDIODESCRIO A GENTE NUNCA ESQUECE</p> <p>197 AUDIODESCRIO: POUCAS E PRECISAS PALAVRAS Sidney Tobias de Souza 199 EM ALGUM LUGAR DO PASSADO Joana Belarmino 203 A INCOMPLETUDE DO OLHAR Elizabet Dias de S</p> <p>207 Cristiana Mello Cerchiari</p> <p>POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS</p> <p>209 UM CAMINHO SEM VOLTA Lothar Antenor Bazanella 211 EU OUO, EU VEJO, EU SINTO AS MESMAS EMOES Antonio Carlos BarqueiroO QUE A OUTRA 215 VENDO Andr Leandro PESSOA V Marcos DE UM PROCESSO 217 FECHAMENTO Marques Roger Martins</p> <p>219 ENXERGAR SEM VER Jucilene Braga</p> <p>PARTE III OLHOS QUE FALAM</p> <p>223 O OUTRO LADO DA MOEDA Letcia Schwartz 227 Leonardo Rossi LazzariA GRANDE HISTRIA DA GUA</p> <p>229 Carlos Eduardo Maral da Silva, Marli Fernanda Nunes, Milena deOliveira Leite, Pilar Garcia Alava, Rosilene Cortes Almeida</p> <p>E COM A PALAVRA OS AUDIODESCRITORES DO TEATRO VIVO</p> <p>237 EMPRESTAR O OLHAR Rosngela Barqueiro 243AUDIODESCRIO NO CENTRO CULTURAL SO PAULO Ana Maria Campanh, Ana Maria Rebouas, Camila Feltre, Carmita Muylaert Moreira, Iris Fernandes, Lizette T. Negreiros, Maria Adelaide Pontes</p> <p>APRESENTAO com muito prazer que apresentamos aos caros leitores o primeiro livro brasileiro sobre audiodescrio, uma mostra significativa da produo intelectual brasileira sobre o tema, que rene trabalhos de professores e profissionais da rea, alm de artigos e depoimentos de pessoas cegas e videntes engajadas na luta pela implementao do recurso no Brasil, mais especificamente na TV brasileira. A audiodescrio um recurso de acessibilidade que amplia o entendimento das pessoas com deficincia visual em eventos culturais, gravados ou ao vivo, como: peas de teatro, programas de TV, exposies, mostras, musicais, peras, desfiles e espetculos de dana; eventos tursticos, esportivos, pedaggicos e cientficos tais como aulas, seminrios, congressos, palestras, feiras e outros, por meio de informao sonora. uma atividade de mediao lingustica, uma modalidade de traduo intersemitica, que transforma o visual em verbal, abrindo possibilidades maiores de acesso cultura e informao, contribuindo para a incluso cultural, social e escolar. Alm das pessoas com deficincia visual, a audiodescrio amplia tambm o entendimento de pessoas com deficincia intelectual, idosos e dislxicos. O livro objetiva informar profissionais de TV, cinema, teatro, museus e outras artes visuais, assim como professores e alunos de cursos de audiodescrio, profissionais da rea de Letras, Traduo, Comunicao e Artes, Educao e outras ligadas a questes de acessibilidade. Alm disso, servir como material de referncia e apoio tcnico-terico para pessoas que buscam conhecer a tcnica, que frequentam os cursos de formao de audiodescritores e que j trabalham com pessoas com deficincia visual. Para isso, discute o conceito, o panorama mundial e brasileiro, o histrico, a experincia brasileira em teatro, TV, festivais de cinema, peras, filmes, exposies, comerciais, animaes e documentrios.</p> <p>Divide-se em trs partes: a primeira composta de artigos que apresentam e discutem leis e decretos, prticas e aspectos tericos; a segunda, entitulada: A Primeira Audiodescrio a Gente Nunca Esquece, apresenta depoimentos de pessoas com deficincia visual sobre suas experinciasTransformando Imagens em Palavras</p> <p>11</p> <p>com audiodescrio, enfatizando a relevncia do recurso. Na terceira parte, Olhos que Falam, esto os depoimentos de audiodescritores, os quais relatam suas prticas com diversos gneros de espetculos como: comerciais, animao, peas de teatro, exposies, cinema, com destaque para o quanto a atividade contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional de cada um. O prefcio, escrito por Marco Antonio de Queiroz, certamente, motivar os caros leitores a empreenderem uma viagem estimulante e inusitada aos caminhos j percorridos pela audiodescrio no Brasil. Aproveitem!!!</p> <p>Lvia Maria Villela de Mello Motta e Paulo Romeu Filho</p> <p>12</p> <p>Audiodescrio</p> <p>PREFCIOMarco Antnio Queiroz - MAQ*</p> <p>Ao ser convidado para prefaciar este livro senti-me duplamente entusiasmado. Em primeiro lugar, porque a audiodescrio tem sido muito debatida entre ns, pessoas com deficincia visual e audiodescritores, como um dos recursos de tecnologia assistiva nos meios de comunicao que mais traz autonomia s pessoas com deficincia que dela necessitam. Discutimos quais os melhores caminhos para a produo de uma audiodescrio de qualidade; quais tcnicas devem ser levadas em conta para que ela seja o mais informativa possvel; quem realmente gabaritado para ministrar cursos de capacitao para futuros profissionais; quais metodologias devem ser utilizadas nesses cursos; qual o papel das pessoas com deficincia na produo da audiodescrio; quem e quantos so os reais usurios dessa acessibilidade; a posio insustentvel da Associao Brasileira das Emissoras de Rdio e Televiso ABERT e, finalmente, as polticas pblicas dos governos para garantir sua obrigatoriedade. Essas discusses esto neste livro e o leitor conhecer muito de audiodescrio ao tomar contato com elas. Fiquei entusiasmado tambm, em segundo lugar, devido forma como entrei nesse barco, como essa praia me invadiu, como vim parar aqui para escrever sobre este livro para seus leitores, no final, todos ns. O que me deixa arrepiado at hoje foi a emoo que senti ao vivenciar, pela primeira vez, a audiodescrio. Temos, com este livro, a oportunidade de mostrar ao leitor a experincia de cada um, seja como usurio, seja como produtor, seja como pessoa com deficincia e/ou audiodescritor, deixando ao leitor um leque de experincias prticas e tericas, que podero contribuir para a divulgao e o crescimento da audiodescrio no Brasil, um dos objetivos desta publicao. Minha experincia com a audiodescrio comeou certo dia, no incio de agosto de 2007. Estava em frente ao meu computador fazendo</p> <p>*Marco Antonio de Queiroz consultor em Acessibilidade Web, criador dos sites Bengala Legal e Acessibilidade Legal e autor do livro Sopro no Corpo: Vive-se de Sonhos, Rima Editora 2005. Foi o primeiro jurado cego de um festival de cinema internacional: Festival de Filmes sobre Deficincia Assim Vivemos.Transformando Imagens em Palavras</p> <p>13</p> <p>algum trabalho quando recebi um telefonema. Meu telefone fixo tem bina falante, acessvel e, mesmo no reconhecendo o nmero que tocava, atendi. Era Lara Pozzobon, curadora do, na poca, 3 Festival Internacional de Filmes sobre Deficincia. Ela me convidava para ser jurado do festival. Aquela desconhecida estava propondo que eu fosse jurado de um festival internacional de cinema? Tudo bem, algumas pessoas no entendem como posso desenvolver acessibilidade em sites na web, criar cdigos, dar consultoria e, para quem enxerga e no convive com pessoas cegas como eu, acham que o que fao algo impensvel para uma pessoa com a minha deficincia. Mas, se pessoas com deficincia visual podem fazer o que fao, por que no outras coisas que no se conhece? Da a achar que eu poderia encontrar um jeito alternativo de enxergar a tela do cinema e julgar filmes internacionais, mesmo sendo sobre deficincias, era uma coisa que at eu duvidava. Voc sabe que eu sou cego? Fui logo direto, sem expresses como pessoa com deficincia visual ou qualquer outra, para no restar nenhuma dvida. Eu estou te convidando justamente porque voc cego. Chamei o Paulo Romeu Filho, ele no pde vir e indicou voc. Pensei logo... bem, o Paulo Romeu cego, se ela o chamou e depois a mim porque ela quer um jurado cego mesmo... e adicionando ao meu pensamento: corajosa essa mulher! (complementei ainda: Que doida!) E como eu, cego, poderei avaliar um filme? A palavra audiodescrio estava na ponta da minha lngua, mas como nunca tinha assistido nada com essa tcnica, ser que Lara sabia que s assim eu poderia exercer o que ela estava propondo? Por coincidncia, conheci a audiodescrio atravs de um depoimento de Paulo Romeu sobre o primeiro filme com audiodescrio produzido no Brasil em DVD e existente nas locadoras. Era um texto entusiasmado sobre acessibilidade e cidadania. Alm disso, sobre essa tcnica, apenas tinha lido alguns escritos e colocava a audiodescrio como um item da lista de acessibilidades para pessoas com deficincia... Lara explicou: So 34 filmes e todos com audiodescrio, que a descrio em palavras das imagens dos filmes que no so mencionadas pelo udio original.14Audiodescrio</p> <p> Ah, sei... (dei uma de entendido para no declarar a minha quase total ignorncia sobre o assunto). Eu topo! respondi j no disfarando minha alegria, preocupao e arrepio na espinha... No poderia deixar de contar para os leitores, mesmo sendo este texto o prefcio, a forte emoo de quando assisti ao primeiro filme com audiodescrio. Eu tinha de prestar ateno absoluta aos filmes do Festival e julg-los durante 12 dias. Iria assistir a 34 curtas, mdias e longas metragens depois de quase 30 anos sem assistir a um filme sozinho, pois perdi a viso aos 21 anos e gostava muito de ir ao cinema. O primeiro filme do festival era um curta de 13 minutos com uma msica norte-americana de fundo. Depois de uns 5 minutos escutando a audiodescrio e voice over feita por Graciela Pozzobon, e percebendo que, sem ela, aquele filme seria totalmente inacessvel para mim, pois no havia dilogos, s a msica, entrei em um estado de surpresa e de letargia... E, por mais que quisesse assistir somente ao filme, fiquei imaginando simultaneamente o futuro das pessoas com a minha deficincia: poderamos ir aos cinemas com autonomia, como eu j estava fazendo naquele momento; a teatros, como o da Vivo, que j com contava com a audiodescrio feita por Lvia Motta; assistir a vdeos de toda a ordem, como os j existentes na poca, da srie Vida em Movimento, propostos por Marta Gil, que corri atrs para conhecer e divulgar; assistir aos programas das TVs entendendo tudo, como os posteriores programas da TV Brasil e Cultura; a vdeos como o filme do artigo do Paulo Romeu, nico que conhecia naquele momento e que, atualmente, esto aumentando em nmero; os comerciais da Natura, marca de cosmticos, realizados por Maurcio Santana e Leonardo Rossi mostrando-nos de forma acessvel produtos que j poderamos ser consumidores h mais tempo, enfim... estampei um sorriso bobo no rosto, um ar areo, um mundo da lua nessa imaginao futura, demorada e feliz que, hoje, como mostrei rapidamente acima e conheceremos atravs de seus prprios autores, j se tornou passado realizado e comea a crescer em qualidade e quantidade. Quem me visse naquele instante poderia me confundir com um drogado. Na verdade, eu estava mesmo era embasbacado com aquele recurso que nasceu com a cegueira, utilizado por nossos familiares com boa vontade e habilidades pessoais e no por profissionais atentos, estudiosos, como naquele momento. A descrio domstica de cenas, roupas, expresses estava no lugar certo e na hora certa, feita agora por especialistas deTransformando Imagens em Palavras</p> <p>15</p> <p>forma nada caseira. Tive de assistir novamente a esse filme para poder julg-lo, pois a emoo no me deixava faz-lo naquele momento. Apesar de ter conscincia de que aquela tcnica no me substituiria a viso perdida, decididamente ela estava permitindo que eu visse. Dali em diante estou junto audiodescrio. Emocionei-me com essa nossa sensao, como escreveu Jucilene Braga: a audiodescrio totalmente indispensvel. Por meio dela como se eu enxergasse sem ver. A questo bsica a de acesso informao, assim como explicita Rosngela Barqueiro: nem sempre a informao est disponvel e/ou...</p>