Literatura - Pré-Vestibular Vetor - Parte1

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<ul><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 1/26</p><p>!!"!!!#</p></li><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 2/26</p><p>FOLHA 1:</p><p>-DEFINIO DE ARTE: A arte muitas coisas. Uma das coisas que a arte , parece, uma transformao simblica domundo. Quer dizer: o artista cria um mundo outro mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado porcima da realidade imediata. Naturalmente, esse mundo outro que o artista cria ou inventa nasce de sua cultura, de suaexperincia de vida, das idias que ele tem na cabea, enfim, de sua viso de mundo. (Ferreira Gullar).</p><p>-GNEROS:&gt;lrico: predomnio da emoo, eu-lrico fala de seus</p><p>sentimentos, soneto o grande representante&gt;pico: conta os feitos hericos de um povo, impessoal eem terceira pessoa&gt;dramtico: teatro&gt;narrativo: romance, novela, conto, fbula, crnica</p><p>-O QUE O QUE:&gt;narrador: aquele que conta a histria</p><p>&gt;enredo: a histria contada&gt;ambiente: onde se desenrola o enredo&gt;verso: linha do poema&gt;estrofe: agrupamento de versos&gt;mtrica: medida dos versos&gt;rima: semelhana sonora no final ou no meio dos versos</p><p>-EXERCCIO:&gt; Classifique a que gneros pertencem os textos abaixo:(a) soneto (b) poesia em verso livre (c) teatro (d) narrativa (e) epopia</p><p>No rimarei a palavra sonocom a incorrespondente palavra outono.Rimarei com a palavra carne</p><p>ou qualquer outra, que todas me convm.As palavras no nascem amarradas,elas saltam, sem beijam, se dissolvem,no cu livre por vezes um desenho,so puras, largas, autnticas, indevassveis. ( )</p><p>De tudo, meu amor serei atentoAntes, e com tal zelo, e sempre, e tantoQue mesmo em face do maior encantoDele se encante mais meu pensamento.</p><p>Quero viv-lo em cada vo momentoE em seu louvor hei de espalhar meu canto</p><p>E rir meu riso e derramar meu prantoAo seu pesar ou seu contentamento.</p><p>E assim, quando mais tarde me procureQuem sabe a morte, angstia de quem viveQuem sabe a solido, fim de quem ama</p><p>Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :Que no seja imortal, posto que chamaMas que seja infinito enquanto dure. ( )</p><p>CENA IX</p><p>Jlio e Joo.JLIO Se quisesse ter a bondade de ouvir-me por algunsinstantes com ateno...JOO, impaciente O que tens agora a dizer-me, homem?V danar.JLIO Pensamentos muito srios ocupam-se nestemomento para eu poder danar.</p><p>JOO Ento o que ?JLIO Desculpe a minha franqueza...JOO Avie-se, que tenho pressa.</p><p>JLIO Eu amo sua filha.JOO E que tenho eu com isso?( )</p><p>O doutor Lopes Matoso no foi precisamente o que se podechamar um homem feliz. Aos dezoito anos de sua vida,quando apenas tinha completado o seu curso depreparatrios, perdeu pai e me com poucos meses deintervalo. Ficou-lhe como tutor um amigo da famlia, ocoronel Barbosa, que o fez continuar com os estudos eformara-se em direito. No dia seguinte ao da formatura, ohonesto tutor passou-lhe a gerncia da avultada fortuna quelhe coubera, dizendo:</p><p>- Est rico, menino, est formado, tem um bonito futurodiante de si. Agora tratar de casar, de ter filhos, de galgarposio. Se eu tivesse filha voc j tinha noiva; no tenho,procure-a voc mesmo.</p><p>Lopes Matoso no gastou muito tempo em procurar: casou-se logo com uma prima de quem sempre gostara e junto qual viveu felicssimo por espao de dois anos. Ao comearo terceiro, morreu a esposa, de parto, deixando-lhe umafilhinha. ( )</p><p>Cessem do sbio Grego e do TroianoAs navegaes grandes que fizeram;Cale-se de Alexandre e de TrajanoA fama das vitrias que tiveram;Que eu canto o peito ilustre Lusitano,A quem Neptuno e Marte obedeceram.Cesse tudo o que a Musa antiga canta,Que outro valor mais alto se alevanta. ( )</p></li><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 3/26</p><p>FOLHA 2:</p><p>* Reviso:</p><p>a) Narradores:</p><p>primeira pessoa- Algum tempo hesitei se devia abrir estas memrias pelo princpio ou pelo fim, isto , se porem primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja comear pelo nascimento, duaconsideraes me levaram a adotar diferente mtodo: a primeira que eu no sou propriamente um autor defuntmas um defunto autor, para quem a campa foi outro bero; a segunda que o escrito ficaria assim mais galante mais novo. Moiss, que tambm contou a sua morte, no a ps no intrito, mas no cabo; diferena radical entre eslivro e o Pentateuco. Dito isto, expirei s duas horas da tarde de uma sexta-feira do ms de agosto de 1869, nminha bela chcara de Catumbi.- Cap.1, Memrias Pstumas de Brs Cubas, Machado de Assis.</p><p>terceira pessoa- Bravo! exclamou Filipe, entrando e despindo a casaca, que pendurou em um cabide velhBravo!... interessante cena! mas certo que desonrosa fora para casa de um estudante de Medicina e j no sexto ana no valer-lhe o adgio antigo: - o hbito no faz o monge.- Cap.1, A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo.</p><p>onisciente- Por algum tempo julgou-se vtima de uma alucinao. Custava-lhe a convencer-se que tivesrealmente diante de si a mulher de quem se julgava eternamente separado. A comoo foi to forte que desvanecequase de seu esprito a lembrana do motivo que o trouxera quela casa, e a posio falsa em que se achava. Umsatisfao ntima o absorveu completamente, e no deixou presa s amargas preocupaes que pouco antes dominavam. Tambm Aurlia de sua parte havia recobrado a calma, pois voltou-se sem o mnimo acanhamentpara o moo e perguntou-lhe: Esteve ultimamente no Norte, Sr. Seixas? Senhora, Jos de Alencar.</p><p>b) Enredo (nem sempre seguido dessa forma): apresentao, complicao, clmax e desfecho.</p><p>c) pica (narrador em terceira pessoa, verbos - geralmente - no pretrito, narra a histria de um feito hericforma objetiva e impessoal, em verso) X Lrica (narrador em primeira pessoa eu-lrico predomnio dosentimentos, em verso).</p><p>d) Soneto: versos decasslabos (10 slabas) ou alexandrinos (12) em 14 versos divididos em 4 estrofes (2 quartetoe 2 tercetos)</p><p>*Quinhentismo: sculo XVI (poca do descobrimento do Brasil), os escritos relacionados so de cronistas viajantes descrevendo a terra e o povo recm-achados ( chamada de literatura informativa, voltada para riquezas materiais), no h inteno literria, no uma produo brasileira, a poesia e a dramaturgia eracultivadas pelos jesutas (principalmente o Padre Jos de Anchieta) para catequisar os ndios (chamada de literatudos jesutas).</p><p>Trechos da Carta de Caminha:E assim seguimos nosso caminho por este mar, de longo at tera-feira doitavas de Pscoa, que foram 1 di</p><p>dAbril, que topamos alguns sinais de terra. (...) E quarta-feira seguinte, pela manh, topamos aves, a quchamam fura-buxos. E neste dia, a horas de vspera, houvemos vista de terra, isto , primeiramente dum grandmonte, mui alto e redondo, e doutras serras mais baixas a sul dele e de terra ch com grandes arvoredos, ao qumonte alto o capito ps o nome o Monte Pascoal e terra a Terra de Vera Cruz. (...) Nela at agora npudemos saber que haja ouro, nem prata, nem nenhuma cousa de metal, nem de ferro; nem lho vimos. A terrporm, em si, de muito bons ares. (...) A feio deles serem pardos, quase avermelhados, de rostos regulare narizes bem feitos; andam nus sem nenhuma cobertura; nem se importam de cobrir nenhuma coisa, nem mostrsuas vergonhas. E sobre isto so to inocentes, como em mostrar o rosto. (...) Mas o melhor fruto que nela pode fazer me parece que ser salvar esta gente.</p></li><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 4/26</p><p>* Barroco: Marco inicial publicao de Prosopopia de Bento Teixeira em 1601.</p><p>a) caractersticas:-da linguagem: requinte formal, figurao, conflito espiritual, temas contraditrios, efemeridade do tempo (carpdiem), cultismo, conceptismo, jogo de claro/escuro-da forma: vocabulrio selecionado, inverses sintticas, figurao excessiva, sugestes sonoras e cromticaconstrues complexas e raras-do contedo: conflito espiritual, oposio entre mundo material e espiritual, carpe-diem, morbidez, gosto praciocnios complexos e intrincados</p><p>b) autores:-Padre Antnio Vieira (sermes)-Gregrio de Matos (poesias lricas amorosa, religiosa ou filosfica e poesias satricas)</p><p>c) Sermo da Sexagsima, Padre Antnio Vieira:</p><p>Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de trs princpios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvintou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermo, h-de haver trs concursos: h-de concorrer o pregador comdoutrina, persuadindo; h-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; h-de concorrer Deus com a graa, alumiando. Pa</p><p>um homem se ver a si mesmo, so necessrias trs coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e cego, no se pode ver por falta dolhos; se tem espelho e olhos, e de noite, no se pode ver por falta de luz. Logo, h mister luz, h mister espelho e h mister olhos. Qucoisa a converso de uma alma, seno entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista so necessrios olhos,necessria luz e necessrio espelho. O pregador concorre com o espelho, que a doutrina; Deus concorre com a luz, que a graa; homem concorre com os olhos, que o conhecimento. Ora suposto que a converso das almas por meio da pregao depende destes trconcursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregadoou por parte de Deus? (...) Primeiramente, por parte de Deus, no falta nem pode faltar. Esta proposio de f, definida no ConcTridentino, e no nosso Evangelho a temos.(...) Sendo, pois, certo que a palavra divina no deixa de frutificar por parte de Deus, segue-que ou por falta do pregador ou por falta dos ouvintes. Por qual ser? Os pregadores deitam a culpa aos ouvintes, mas no assim. fora por parte dos ouvintes, no fizera a palavra de Deus muito grande fruto, mas no fazer nenhum fruto e nenhum efeito, no por pardos ouvintes. Provo.(...) Quando o semeador do Cu deixou o campo, saindo deste Mundo, as pedras se quebraram para lhe fazereaclamaes, e os espinhos se teceram para lhe fazerem coroa. E se a palavra de Deus at dos espinhos e das pedras triunfa; se a palavra Deus at nas pedras, at nos espinhos nasce; no triunfar dos alvedrios hoje a palavra de Deus, nem nascer nos coraes, no por culpnem por indisposio dos ouvintes. Supostas estas duas demonstraes; suposto que o fruto e efeitos da palavra de Deus, no fica, nepor parte de Deus, nem por parte dos ouvintes, segue-se por consequncia clara, que fica por parte do pregador. E assim . Sabecristos, porque no faz fruto a palavra de Deus? Por culpa dos pregadores. Sabeis, pregadores, porque no faz fruto a palavra de Deus?Por culpa nossa.</p><p>d) PoemaBuscando a Cristo, Gregrio de Matos:</p><p>A vs correndo vou, braos sagrados,Nessa cruz sacrossanta descobertos,Que, para receber-me, estais abertos,E, por no castigar-me, estais cravados.</p><p>A vs, divinos olhos, eclipsadosDe tanto sangue e lagrimas abertos,Pois, para perdoar-me, estais despertos,E, por no condenar-me, estais fechados,</p><p>A vs, pregados ps, por no deixar-me,A vs, sangue vertido, para ungir-me,A vs, cabea baixa, p'ra chamar-me.</p></li><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 5/26</p><p>A vs, lado patente, quero unir-me,A vs, cravos preciosos, quero atar-me,Para ficar unido, atado e firme.</p><p>FOLHA 3:</p><p>*Reviso:a) O que foi o Quinhentismo? E podemos dizer que h uma literatura quinhentista brasileira? Por qu____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p><p>b) Encontre as caractersticas do Barroco no trecho abaixo:</p><p>Perguntaram ao Batista (figura bblica) quem era? Respondeu ele: Ego vox clamantis in deserto. Eu sou a voque anda bradando neste deserto. Desta maneira se definiu o Batista. A definio do pregador cuidava eu que ervoz que arrazoa e no voz que brada. Pois por que se definiu o Batista pelo bradar e no pelo arrazoar; no pelrazo seno pelos brados? Porque h muita gente neste Mundo com quem podem mais os brados que a razo, e taeram aqueles a quem Batista pregava. (Pde. Antnio Vieira, Sermo da Sexagsima).____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________</p><p>*Barroco II:a) Padre Antnio Vieira:-colocava os sermes disposio das causas polticas que defendia-defende o ndio e os judeus perseguidos pela Inquisio-orador impecvel-escreveu sermes, cartas e profecias-utiliza recursos do conceptismo</p><p>b) Gregrio de Matos:</p></li><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 6/26</p><p>-stira: crtica a sociedade baiana, irreverncia, obscenidades, termos brasileiros para chocar valores de falsa morauso de vocabulrio de baixo calo e grias, Boca do Inferno, foge dos padres barrocos.-lrica: desejo de perdo, temas e palavras que expressem contradio, estilo cultista, abuso de figuras dlinguagem.-lrica amorosa: dualismo entre carne/ esprito, sentimento de culpa e a mulher o pecado.-lrica filosfica: referncia ao desconcerto do mundo, s frustraes humanas e transitoriedade da vida.-lrica religiosa: amor a Deus, culpa, pecados, referncias bblicas, uso de inverso e linguagem culta.</p><p>c) exemplo de uma poesia satrica de Gregrio de Matos:Eplogos</p><p>Que falta nesta cidade?................VerdadeQue mais por sua desonra?...........HonraFalta mais que se lhe ponha..........Vergonha.</p><p>O demo a viver se exponha,Por mais que a fama a exalta,numa cidade, onde faltaVerdade, Honra, Vergonha.(...)</p><p>E que justia a resguarda?.............Bastarda grtis distribuda?......................VendidaQue tem, que a todos assusta?.......Injusta.</p><p>Valha-nos Deus, o que custa,o que El-Rei nos d de graa,que anda a justia na praaBastarda, Vendida, Injusta.</p><p>Que vai pela clerezia?..................SimoniaE pelos membros da Igreja?..........InvejaCuidei, que mais se lhe punha?.....Unha.</p><p>Sazonada caramunha!enfim que na Santa So que se pratica, Simonia, Inveja, Unha.</p><p>E nos frades h manqueiras?.........FreirasEm que ocupam os seres?............SermesNo se ocupam em disputas?.........Putas.</p><p>Com palavras dissolutasme conclus na verdade,que as lidas todas de um Fradeso Freiras, Sermes, e Putas.(...)</p><p>*Exerccio:</p></li><li><p>8/14/2019 Literatura - Pr-Vestibular Vetor - Parte1</p><p> 7/26</p><p>1- Encontre nos poemas de Gregrio de Matos caractersticas barrocas. Depois faa um texto que relacione o temapresentado nas poesias. Sobre o que elas falam? Qual a viso de mundo do homem barroco representado no textoE como a mulher representada?</p><p> SUA MULHER ANTES DE CASAR</p><p>Discreta, e formosssima Maria,Enquanto estamos vendo a qualquer horaEm tuas faces a rosada Aurora,Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:</p><p>Enquanto com gentil descortesiaO ar, que fresco Adnis te namora,Te espalha a rica trana voadora,Quando vem passear-te pela fria:</p><p>Goza, goza da flor da mocidade,Que o tempo trota a toda ligeireza,E imprime em toda a flor sua pisada.</p><p>Oh, no aguardes, que a madura idadeTe converta em flor, essa belezaEm terra, em cinza, em p, em sobra, em nada.</p><p>SONETOS A D.ANGELA DE SOUSA PAREDES</p><p>No vi em minha vida a formosura,Ouvia falar nela cada dia,E ouvida me incitava...</p></li></ul>