lisboa cultural 219

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28.º FESTIVAL DE ALMADA + THE JEW | MARTA PESSOA (entrevista à realizadora de "Quem Vai à Guerra") | AFONSO PAIS E JP SIMÕES (música) | A FLAUTA MÁGICA (crianças) | MARIA MATOS TEATRO MUNICIPAL: TEMPORADA 2011/2012 (antevisão)

TRANSCRIPT

  • Em destaque

    Festival de Almada | Pg. 3

    The Jew | Pg. 5

    Programa Lisboa | Pg. 6

    Entrevista

    Marta Pessoa | Pg. 7

    Msica

    Afonso Pais e JP Simes | Pg. 8

    Crianas

    A Flauta Mgica | Pg. 9

    Anteviso

    Maria Matos Teatro Municipal:

    Temporada 2011-2012 | Pg. 10

    Curtas | Pg. 11

    Em Agenda | Pg. 12

    Edio: CML | Direco Municipal de Cultura

    Departamento de Aco Cultural | Diviso de

    Promoo e Comunicao Cultural

    Editor: Frederico Bernardino

    Redaco: Sara Ferreira

    Designer: Rute Figueira

    Foto de Capa: Francisco Levita

    Contactos: Rua Manuel Marques, 4F,

    Edifcio Utreque - Parque Europa,

    1750-171 Lisboa | Tel. 218 170 600

    lisboa.cultural@cm-lisboa.pt

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    4 a 10 de JULHO de11 #219

    Ficha

    tcn

    ica

    ndice

    Entrevista

    Marta PessoaRealizadora de Quem vai Guerra | Pg. 7

  • Em 1984, num pequeno palco impro-visado ao ar livre situado no Beco dos Tanoeiros, na zona velha de Almada, nascia a Festa de Teatro. Ao longo dos anos, a festa foi crescendo, at se tor-nar no maior evento de teatro realiza-do em Portugal, o Festival de Almada. Na sua 28. edio, e apesar da crise, reafirma-se todo o prestgio interna-cional do evento atravs de uma pro-gramao oriunda de pases to dis-tintos como Itlia, Alemanha, Frana, Reino Unido, Estados Unidos da Am-rica, Romnia, Tunsia, Chile e Espanha. A figura homenageada desta edio o actor Ferruccio Solleri (na foto), o l-timo grande Arlequim do teatro mun-dial. Assim, de 4 a 18 de Julho, sobem aos palcos de Almada e Lisboa algu-mas das mais importantes produes do panorama nacional e internacional do momento, incluindo I Am the Wind, uma co-produo franco-britnica que junta trs dos nomes maiores do tea-tro europeu: Patrice Chrau, Jon Fosse e Simon Stephens.

    pgina 3

    QUANDO ALMADA SE FAZ CAPITAL

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    Jos

    Gem

    a

  • Ao longo dos ltimos 27 anos, Alma-da assume-se, de pleno direito, como capital internacional do teatro. Este ano, apesar das fortes restries or-amentais, ainda foi possvel fazer o milagre, para usar a expresso do director do Festival de Almada Jo-aquim Benite, e mantm-se o nvel qualitativo de edies realizadas em anos mais favorveis ao sector da cul-tura. Como vem sendo hbito, a gran-de festa de Almada faz-se tambm em Lisboa, nos teatros municipais, na Culturgest ou no CCB (ver pgina 6).

    Num ano em que o homenageado to s o maior Arlequim do sculo XX, o italiano Ferruccio Solleri, o Festival de Almada desafiou o grande Dario Fo para conceber e produzir a imagem grfica desta edio. O cartaz uma homenagem Commedia dellArte, e simultaneamente figura de Solleri, o actor que, sob a orientao de Giorgio Strehler, dedicou a sua vida a enver-gar a mscara do Arlequim. Soleri sobe ao palco do Pequeno Auditrio do CCB, no prximo dia 14, e ao da Escola D. Antnio da Costa, em Alma-da, no dia 18, para apresentar Retratti Di Commedia dellArte, um espect-culo que, nas palavras de Domenico de Martino, recupera o significado de uma riqussima tradio, demons-trando ao mesmo tempo a expressivi-

    dade potica da grande alma teatral que vive por detrs da mscara.

    Outro dos pontos altos do Festival de Almada a adaptao de Simon Stephens de I Am The Wind, de Jon Fosse, num espectculo encenado por um dos mais influentes encena-dores europeus Patrice Chreau, no-tabilizado junto do pblico portugus atravs do cinema, nomeadamente pela realizao de filmes como A Rai-nha Margot e Intimidade. Este recital para dois actores (Tom Brooke e Jack Laskey) pode ser visto no Teatro Mu-nicipal de Almada, a 17 e 18 de Julho.

    Para alm do teatro, esta edio vai ficar marcada pela estreia absoluta da pera A Rainha Louca, de Alexan-dre Delgado, a partir de um texto de Miguel Rovisco, com encenao de Joaquim Benite. As exposies e os debates so outro dos aliciantes do festival, e este ano destacam-se as mostras sobre Commedia dellArte e o trabalho plstico de Dario Fo com a sua Bonecada com Raiva e Sentimen-to, patente na Casa da Cerca. Os co-lquios e debates vo juntar grandes nomes do teatro nacional e interna-cional, como Mario Mattia Georgetti, Jos Pedro Carrin, Jorge Silva Melo, Fadhel Jaibi ou Carlo Boso.Frederico Bernardino

    pgina 4ddestaque

    28. Festival de Almada

    4 a 18 de Julho

    Almada | Lisboa

  • O Maria Matos Teatro Municipal acolhe, a partir de 5 de Julho, uma nova verso do clssico The Jew Of Malta, de Christopher Marlow. Integrado na edio de 2011 do Fes-tival de Almada, The Jew uma co-produo entre a companhia portuguesa Mundo Perfeito, de Tiago Rodrigues e Magda Bizarro, e a holandesa Dood Paard, uma com-panhia de Amesterdo que encontra no trabalho colectivo e na autonomia do grupo uma modo muito particular e inovador de trabalhar os clssicos da dramaturgia uni-versal, privilegiando um tom provocatrio e frequentemente politizado.

    Contemporneo de Shakespeare, Marlow aborda neste texto, com uma subtil crue-za, os temas da vingana e da ganncia. Tudo se passa na ilha de Malta, lugar de

    cruzamento de culturas e religies, local onde o dinheiro se transforma numa espcie de lngua franca entre os homens. Este trabalho colectivo pretende propor, luz dos dias de hoje, uma reflexo sobre o poder, a violncia e o dinheiro, elementos quase sempre associados aos confrontos de civilizaes.

    The Jew parte de uma adaptao do clssico por Paul Evans, resultado de uma resi-dncia artstica levado a cabo pelas duas companhias no Espao Alkantara. Em palco vo estar os actores portugueses Carla Maciel, Gonalo Waddingston e Tiago Rodri-gues, e os holandeses Manja Topper, Gillis Biesheuvel e Kuno Bakker. Um espectculo imperdvel, para ver at 13 de Julho. FB

    MARLOW REVISITADO

    pgina 5ddestaque

  • Ela de Jean Genet Encenao de Lus Miguel CintraTeatro da Cornucpia | At 17 Julho

    The JewA partir de The Jew of Malta, de Christopher Mar-lowe Produo: Mundo Perfeito / Dood PaardMaria Matos Teatro Municipal | 5 a 13 Julho

    Nacional Material, Paisagem com ArgonautasProduo: TNDM II / Teatro Meia Volta e Depois Esquerda Quando Eu Disser Teatro Nacional D. Maria II | 7 a 17 Julho

    Ich schau dir in die augen, gesellschaftlicher Ver-blendungszusammenhang!Texto e encenao de Ren PolleschTeatro Nacional D. Maria II | 7 e 8 Julho

    Overdrama de Chris Thorpe Direco de Jorge AndradeCulturgest | 7 a 9 Julho

    A Rainha Louca pera de Alexandre Delgado, a partir de O Tempo Feminino, de Miguel Rovisco Encenao de Joaquim BeniteCentro Cultural de Belm | 8, 10 e 12 Julho

    Les Corbeaux Produo Centre Chorgraphic National dOrlans, com Thtre Frum MeyrinTeatro Cames | 13 Julho

    Ritratti di Commedia dellarte Espectculo de Ferruccio Soleri e Luigi LunariCentro Cultural de Belm | 14 Julho

    Cercles / Fictions Texto e encenao de Joel PommeratTeatro Nacional D. Maria II | 14 a 16 Julho

    Mission Drift Produo de The Team Theatre of the Emerging American MomentEncenao de Rachel ChavkinCulturgest | 14 a 16 Julho

    Uma Bizarra Salada A partir de Karl Valentin Direco de Beatriz Batarda | Direco Musical de Cesrio CostaSo Luiz Teatro Municipal | 15 a 17 Julho

    ................................................................................Workshop do Grupo Raipilln inscries no localCasa da Amrica Latina | 8 Julho

    pgina 6

    Programao integral: www.ctalmada.pt

    28. FESTIVAL DE

    ALMADA EM LISBOA

  • pgina 7eentrevista

    F

    ranc

    isco

    Lev

    ita

    Depois de em Lisboa Domiciliria ter mostrado a cidade ocul-ta onde se envelhece numa solido quase silenciosa, Marta Pessoa foi procura do lado invisvel da guerra colonial e encontrou, nos depoimentos de dezenas de mulheres, uma outra viso sobre o conflito. Mais do que um filme, Quem Vai Guerra um documento essencial para compreender como uma guerra, que comeou h precisamente 50 anos, marcou e continua a marcar profundamente uma gerao de mulheres. A realizadora falou com a Lisboa Cultural a propsito de tudo isso.

    Como surgiu a ideia de fazer este filme e, simultaneamente, propor um olhar novo sobre a guerra colonial?Parece-me que este olhar s novo porque, ao longo de todos estes anos, o discurso sobre a guerra partiu sempre de uma viso masculina, quer por parte dos ex-combatentes, quer por parte da instituio militar. Desde sempre tive a sensao de que a guerra no afectou s um lado, o lado dos soldados, e isso levou-me a constatar que cada um de ns acaba por ter uma relao com a guerra por parte de algum familiar ou conhecido que l com-bateu. Ao pensar nisso, surgiu-me necessariamente a ideia de a abordar do ponto de vista das mulheres, procurando o lado invisvel que, 37 anos depois do final do conflito, continua por revelar. Em suma, achei que era altura de mostrar algumas das mulheres que foram guerra.

    MARTA PESSOA O LADO INVISVELDA GUERRA

  • pgina 8eentrevista

    Fra

    ncis

    co L

    evit

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    Precisamente por ser indito assistirmos a um discurso sobre a guerra colonial no femini-no, foi muito difcil conseguir encontrar mulheres que aceitassem falar?Como cineasta, e tendo em conta o tema, talvez desse muito jeito dizer que foi compli-cadssimo, mas no foi. Estas 25 mulheres que aparecem no filme queriam mesmo falar porque estiveram caladas tempo demais. Uma delas, uma mulher que enviuvou em 1974 com dois filhos a cargo, disse-me que este filme deveria ter sido feito h 35 anos atrs. Claro que 48 anos de ditadura deixaram marcas na condio das mulheres, e ainda sub-sistem muitos silncios. que, ao contrrio dos americanos com o Vietname, ns ainda no fizemos a catarse do que aconteceu. E, s por isso mesmo que continuamos com vontade