lisboa cultural 184

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FESTIVAL TEMPS D´IMAGES | ENTREVISTA A RUI CALÇADA BASTOS (artista plástico) | CREATIVE LAB: ASSINADO POR TENENTE (exposições) | A GAIVOTA (teatro) | DEAD COMBO, ORELHA NEGRA, VIRGEM SUTA E MOONSPELL AO VIVO NO SÃO JORGE (música) capa: Rui Calçada Bastos ("Stardust")

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  • 25 a 31 de OUTUBRO`10 n. 184

    Exposies / Creative Lab: Assinado por Tenente / Pg. 8

    Centenrio da Repblica / Pg.14

    Em Agenda / Pg. 12

    Em destaque / Festival Temps dImages / Pg. 4

    Entrevista / Rui Calada Bastos / Pg. 6

    Teatro / A Gaivota / Pg. 9

    Editorial / Pg. 3

    Curtas / Pg. 11

    Msica / Dead Combo | Virgem Suta | Orelha Negra | Moonspell / Pg. 10

  • Siga-nos emhttp://twitter.com/lisboa_cultural

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    LISBOA CULTURAL

    Ficha tcnicaEdio: Diviso de Programao e Divulgao Cultural | Direco Municipal de Cultura | CMLEditor: Frederico Bernardino Redaco: Sara Ferreira, Susy Silva Design Grfico: Rute Figueira Capa: Stardust, de Rui Calada BastosContactos: Rua Manuel Marques, 4F, Edifcio Utreque - Parque Europa, 1750-171 Lisboa | Tel. 21 817 06 00 | lisboa.cultural@cm-lisboa.pt

    Esta a semana do Temps dImages, o nico festival anual transdisciplinar que acontece em Portugal. Atingindo uma rede de dez pases europeus, o Temps dImages foi criado pelo canal ARTE France e La Ferme du Buisson, Scne Nationale de Marne-la-valle, com o objectivo de estimular o dilogo e a prtica artstica entre as artes performativas e a imagem em movimento. A verso portuguesa chegou em 2003 e, desde a, o Festival tem-se afirmado como um momento mpar para apreciar e descobrir novas tendncias em todas as vertentes artsticas.

    Ainda no campo da arte, nesta edio trazemos-lhe uma entrevista exclusiva com Rui Calada Bastos, o portugus que conquistou Berlim e se afirma, cada vez mais, como um dos valores seguros da arte contempornea portuguesa. Numa conversa tida no Palcio Pombal, o artista fala-nos do seu percurso, da pintura instalao, e da condio de viajante nato, que o inspira e o obriga a redescobrir-se em cada cidade.

    O teatro portugus perdeu, na passada semana, uma das maiores actrizes da sua histria, Mariana Rey Monteiro. Filha dos famosos Amlia Rey Colao e Robles Monteiro, a actriz construiu uma carreira no teatro consensualmente elogiada, conquistando com a sua pose distante e moderna, uma voz bem timbrada e belssima, com uns graves inesquecveis, nas palavras de Mrio Jorge Torres, o seu lugar prprio. Na hora da morte, de lamentar o prematuro abandono aos palcos que impossibilitou toda uma

    gerao de partilhar a sua arte.

    EditorialNEWSLETTER

  • Na sua 8. edio, o Temps dImages apresenta 30 espectculos, dos quais, segundo Antnio Cmara Manuel, director do festival, 80% so novas criaes. Com uma abrangncia que vai do cinema, teatro e dana, passando ainda pela instalao e msica, e apesar de o arranque oficial acontecer a 28 de Outubro, o festival comeou antes do Tempo com uma instalao de Ana Rito intitulada There is no world when there is no mirror (na foto), no espao Carpe Diem Arte e Pesquisa.

    Atravs de um conjunto de trabalhos em vdeo e filme (8mm), Ana Rito reflecte sobre a possibilidade de construo de um corpo. Explorando uma dimenso lrica peculiar das

    imagens, o corpo entendido como interface entre a vida e a morte.

    A antes do Tempo sucede o Festival propriamente dito, que prosseguir ainda com Imagens depois, a decorrer entre 22 de Novembro e 20 de Fevereiro de 2011. Por ora, importa falar do evento principal, que este ano ocupar o Espao Nimas, para exibir 34 filmes sobre arte, subordinados ao tema Viver com Incertezas. Considerada uma das iniciativas mais interessantes da programao, com este ciclo pretendeu-se prestar uma homenagem especial aos artistas e mostrar filmes que abordam as vanguardas artsticas, como referiu Antnio Cmara Manuel.

    NEWSLETTERLISBOA CULTURAL

    PAG. 4Em Destaque

    Tudo se resume ao que fazemos com o tempo de que dispomos. J dizia Johann Goethe que o tempo rende muito quando bem aproveitado. Posto isto, propomos um encontro a trs tempos com as imagens do Festival Temps dImages que, decorre entre 28 de Outubro e 21 de Novembro, por vrios palcos da capital.

    Festival Temps dImages 2010O tempo perguntou ao tempo

  • A par da exibio de filmes, o Espao Nimas acolhe ainda espectculos vrios, de que exemplo In a Rear Room - Tributo, de Andresa Soares e Ricardo Jacinto, o espectculo de abertura do Temps dImages.

    Da abertura ao encerramento, tempo para referir a estreia europeia de Rio Cunene. Um espectculo do Kronos Quartet, um dos principais quartetos de cordas do mundo, que integra o espectculo multimdia Sol(t)o de Victor Gama, e que pode ser visto no Grande Auditrio do Centro Cultural de Belm, pelas 21h30, do dia 21 de Novembro.Pelo entremeio, tempo ainda para assistir s criaes de Dinis Machado, Co Solteiro

    e Andr Godinho, Solange Freitas e Catarina Vieira, Francisco Camacho e Bruno de Almeida ou de Ana Borralho & Joo Galante, em colaborao com Rui Catalo, entre tantos outros.

    Por ltimo, mas no menos importante, importa falar sobre um dos pontos altos do Festival: os Prmios de Cinema para Filmes de Arte 2010. Os filmes em competio, entre os quais se encontram ngelo de Sousa: Tudo o que sou capaz, de Jorge Silva Melo, e Jotta: A minha maladresse uma forma de delicatesse, de Salom Lamas e Francisco Moreira sobre o universo plstico de Ana Jotta, entre outros, sero exibidos

    no Espao Nimas entre 11 e 14 de Novembro, com a cerimnia de entrega dos prmios a ter lugar no ltimo dia.

    Imagens depois faz com que o Festival se prolongue at 20 de Fevereiro, apresentando duas instalaes-vdeo no MNAC - Museu do Chiado. Da autoria de Susana de Sousa Dias, com msica de Antnio de Sousa Dias, Natureza Morta / Stillleben a primeira a ser apresentada (de 2 de Dezembro a 16 de Janeiro), seguindo-se Tonnetz09B, de Antnio de Sousa Dias (de 20 de Janeiro a 20 de Fevereiro). SF

    Mais informaes em:www.tempsdimages-portugal.com

    LISBOA CULTURAL

    PAG. 5Em Destaque NEWSLETTER

  • LISBOA CULTURAL

    PAG. 6Entrevista NEWSLETTER

    Rui Calada BastosRui Calada Bastos um dos mais reputados nomes da nova gerao da arte contempornea portuguesa. Nascido em Lisboa, estudou nas escolas de Belas-Artes do Porto e de Lisboa, mas foi no Ar.Co que assumiu o rumo que daria sua carreira. Nmada por excelncia, viveu a adolescncia em Macau e divide a sua residncia por Lisboa e Berlim, cidade onde fundou, com outros artistas plsticos, a Galeria Invaliden1.

    Para algum que se formou em pintura, como que aconteceu esta opo pelo vdeo, instalao e fotografia?Penso que foi um processo natural para algum que a determinada altura sentiu algum desencanto com as Belas-Artes, mais especificamente com a pintura que a minha formao de base. Entretanto, entrei para o Ar.Co e comecei a estudar escultura, tendo avanado depois para a fotografia e para o vdeo. Foi, talvez, a imagem bidimensional da pintura que me levou a sentir vontade de experimentar dimenses mais espaciais, como o movimento e a localizao, que sendo tambm dimenses inerentes pintura, senti que deveriam ser transportadas para outra fisicalidade.

    Podes explicar melhor esse desencanto com a pintura?Em bom rigor, talvez no tenha sido propriamente um

    desencanto com a pintura, mas sim com as Belas-Artes. Evidentemente, h uma altura em que preciso perceber se se , ou no, um bom pintor. Eu queria ser pintor mas, quando entrei para o Ar.Co, percebi que os professores que ali davam aulas eram pessoas que estavam efectivamente na vida activa, ao contrrio do que sucede nas escolas de Belas-Artes. No fundo, sem desrespeitar ningum, penso que me faltava perceber o outro lado da criao artstica. Entender coisas to essenciais, como a montagem de uma exposio numa galeria, caracterizam um lado mais interventivo de viver a arte, e isso foi tambm determinante para as minhas opes enquanto artista.

    Em grande parte da tua obra parece pairar a ideia de ausncia nas cidades. Que relao que isso tem com a tua vida de incessante viajante?Essa ideia de ausncia a que te referes muito prpria de quem viaja. Quando viajamos, somos confrontados com a perda de referncias, o que nos obriga a um processo de reinveno no sentido de descobrir um lugar no stio onde estamos. Isso obriga-nos a reconhecer, permanentemente, uma srie de questes quase existenciais, como qual o teu lugar no meio de tudo isto. Depois h a nossa leitura pessoal do comportamento dos outros, daquilo que diferencia as cidades umas das outras

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  • PAG. 7Entrevista NEWSLETTERLISBOA CULTURAL

    E, essa particularidade de seres um viajante reflecte-se forosamentePara mim, foi perfeitamente natural enquanto viajante, se bem que o Pessoa dissesse que no era preciso sair do quarto para viajar. Aos 16 anos fui para Macau, depois voltei a Lisboa, acabei por ir para Berlim e agora vou para Los Angeles esta viagem quase constante que me socorre, me fornece o material para o meu trabalho porque, quando fico demasiado tempo num lugar, as coisas j no fluem.

    Para trabalhar, qual a tua cidade de eleio?Berlim, definitivamente. a capital das artes plsticas da Europa, o stio onde se renem artistas de todo o mundo, onde se debate a arte e as ideias e o artista se sente respeitado como um profissional. E, claro, foi onde fixei o meu ateli, na Kunstlerhaus Bethanien, e onde consegui fundar a minha prpria galeria.

    H pouco, referiste a partida para Los Angeles. Vais em busca de material para os prximos trabalhos?Sim. Vou continuar este projecto sobre aspectos macroscpicos das cidades em Los Angeles, resultado de uma bolsa para a qual, e ao contrrio das outras, fui nomeado. A minha ideia dar sequncia, nessa cidade enorme, quilo que iniciei em Xangai e que consiste num projecto a que chamei Events. Ou seja, vou fazer da cidade um ateli da a viagem e esta linha comum ao meu trabalho e olhar para l daquilo que mais visvel, em busca desses acontecimentos macr