lisboa cultural 170

Download Lisboa Cultural 170

Post on 29-Mar-2016

215 views

Category:

Documents

1 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

LONG DISTANCE HOTEL | VIVA A REPÚBLICA! (exposição) | PRÉMIO VIANNA DA MOTTA (música) | MARIA BETHÂNIA NA CASA FERNANDO PESSOA | VISITA AO PALÁCIO FOZ

TRANSCRIPT

  • 19 a

    25 de

    JULH

    O`10

    / n.

    170

    Editorial / Pg. 3

    Em Agenda / Pg. 12

    Centenrio da Repblica / Pg. 14

    Curtas / Pg. 11

    Em destaque / Long distance hotel / Pg. 4Exposies / Viva a Repblica! / Pg. 6

    Itinerrios Temticos de Lisboa / Visita ao Palcio Foz / Pg. 9

    Msica / Vianna da Motta / Pg. 7

    Leitura / Maria Bethnia na Casa Fernando Pessoa / Pg. 8

  • LISBOA CULTURAL

    Ficha tcnica

    Edio: Diviso de Programao e Divulgao Cultural | Direco Municipal de Cultura | CMLEditor: Frederico Bernardino Redaco: Sara Ferreira, Susy Silva Capa e Paginao: Diogo MoutelaContactos: Rua Manuel Marques, 4F, Edifcio Utreque - Parque Europa, 1750-171 Lisboa | Tel. 21 817 06 00 | lisboa.cultural@cm-lisboa.pt

    Editorial

    Siga-nos em

    http://twitter.com/lisboa_cultural

    http://www.facebook.com/lisboacultural

    http://itematicoslisboa.blogspot.com/

    Ter a distncia geogrfica deixado definitivamente de ser uma barreira criao artstica? A pergunta poderia ser legitimamente colocada aos criadores de Long distance hotel, Gilles Polet (de Bruxelas), Goran Sergej Pristas (de Zagreb), Judith Davis (de Paris), Leo Preston (de Bergen), Tiago Rodrigues (da Amadora) e Tnan Quito (de Lisboa), que, com a colaborao da dramaturga Ana Pais, trabalharam sem qualquer contacto presencial durante sete meses, num projecto que estreia esta semana no Maria Matos Teatro Municipal.

    Long distance hotel , assim, o resultado de um processo criativo inteiramente mediado pela internet, no qual o uso de toda a sua panplia de ferramentas comunicacionais serviu para suprimir as distncias fsicas e culturais que separam cada um destes artistas. Para alm da resposta subjacente questo, a materializao de uma criao distncia, entre estranhos, tambm um desafio para reflectirmos sobre as lgicas do nosso tempo, em que o mundo deixou de ser uma macro dimenso e se tornou progressivamente na aldeia global que Marshall McLuhan projectara nos anos de 1960 e que hoje, mais do que nunca, se consuma.

    Sendo que atravs do Ingls a lngua franca dos nossos tempos - que nos lanamos na world wide web para superar barreiras, na nossa lngua-me que encontramos essa espcie de recato domstico em que nos sentimos plenos. E, porque no, faz-lo na companhia daqueles que melhor uso fazem das palavras e da nossa riqueza lingustica: os poetas.

    Por isso mesmo, e porque em Portugus nos entendemos, no poderamos deixar de assinalar a presena, em Lisboa, da grande senhora da MPB Maria Bethnia para uma sesso de leitura dedicada a poetas lusfonos. Na semana em que aquela que os cantou como ningum, Amlia, faria 90 anos.

    NEWSLETTER

  • Esta uma produo que faz parte do pro-jecto Estdios, um encontro anual de cria-o entre artistas portugueses e estrangei-ros, que pretende estabelecer pontes entre diferentes trabalhos artsticos e identidades. Vindo de Bruxelas, Gilles Polet licenciou-se em 2008 na escola P.A.R.T.S. Des-de ento trabalhou com David Zambra-no, Jan Fabre e Alexandra Bachzetsis.

    Em 2009, viu o filme Fantasme, de que co-autor, ser premiado em Montreal.Por sua vez, o croata Goran Sergej Pris-tas encenador, coregrafo, dramaturgo e professor assistente no Departamento de Teatro da Academy of Dramatic Art em Zagrebe, Crocia. No seu trabalho aposta na construo de espectculos transdis-ciplinares, numa pesquisa e provocao constantes das frmulas performativas.

    Licenciada em Filosofia pela Universidade da Sorbonne, a parisiense Judith Davis traba-lhou como actriz e colaboradora com a com-panhia Tg STAN, Anna Teresa de Keersma-eker e com Frank Vercruyssen. Em 2007, fun-dou o colectivo teatral LAvantage du Doute.

    PAG. 4NEWSLETTEREm DestaqueLISBOA CULTURAL

    Criar uma comunidade transeuropeia de artistas o principal objectivo de Long dis-tance hotel. Um projecto artstico pensado ao longo de sete meses, em que artistas de diferentes pases, que no se conhe-cem pessoalmente e o vo fazer apenas quatro dias antes da primeira apresen-tao, criaram uma performance exclusi-vamente online. O resultado ser dado a conhecer no Maria Matos Teatro Munici-pal entre os dias 22 e 30 de Julho. Em vez de os separar, a distncia, quer geogrfica quer cultural, o factor que os vai unir.

    Durante o perodo de correspondncia entre os artistas Gilles Polet, Goran Ser-gej Pristas, Judith Davis, Leo Preston, Tiago

    Rodrigues e Tnan Quito - Ana Pais, respon-svel pela dramaturgia, reuniu informao e foi esboando um documento que viria a ser a base para a pea, que pode consultar em www.longdistancehotel.org. Neste sen-tido, a dramaturga assumiu o papel de cro-nista deste atpico processo de criar um es-pectculo distncia, analisando os efeitos dessa mesma distncia e sugerindo ideias que poderiam ser teis ao acto criativo.

    Long distance hotel

    Trabalho distncia de um cliqueH cerca de 30 anos, no seria possvel executar um projecto desta dimenso. No entanto, numa era em que a world wide web domina, (quase) tudo possvel. Uma das provas disso mesmo Long distance hotel, um espectculo criado online por seis artistas de pases como Portugal, Brasil, Congo, EUA e Eslovquia.

  • Maria Matos Teatro Municipal | Sala principal | 22 a 30 de julho (excepto dia 25) | 21h30 | 12 http://teatromariamatos.pt

    A complexidade das questes sociais do nosso tempo o cerne do trabalho de Leo Preston (Bergen), um artista interdisciplinar que colabora com os Non-Company, Gade-galeriet, Priya Mistry e Malena Pedersen, entre tantos outros. Para alm da perfor-mance teatral, Leo tambm produz trabalhos nas reas do cinema, da msica e street art.

    Em representao de Portugal esto Tiago Rodrigues e Tnan Quito que, ao contrrio dos restantes artistas, j trabalharam juntos. Tiago actor, dramaturgo, produtor, encena-dor e director artstico do Mundo Perfeito. Escreveu, interpretou e dirigiu mais de uma dezena de criaes. semelhana de Judi-th Davis, tambm Tiago Rodrigues colabora, desde 1998, com a companhia belga Tg STAN. Lecciona teatro em Portugal e na Blgica, sendo de referir que o seu percurso passa ainda pelo jornalismo, guionismo e cinema.

    A terminar este multi-facetado leque de ar-tistas, o lisboeta Tnan Quito licenciado em Formao de actores/encenadores pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Traba-lhou com Lus Miguel Cintra, Christine Lau-rent, Carlos J. Pessoa e muitos outros. No cinema trabalhou com Miguel Angl Vivas, Ins Oliveira, Jorge Silva Melo, Felipe Melo e Joaquim Leito. Em 2003 fundou a Truta. SF

    PAG. 5NEWSLETTEREm DestaqueLISBOA CULTURAL

  • Cordoaria Nacional At Outubro de 2010Diariamente, das 10h s 18hEntrada livreMarcaes de visitas guiadas atravs do e-mail:marcarvisitas@centenariorepublica.ptMais informaes:http://vivarepublica.centenariorepublica.pt/

    PAG. 6NEWSLETTERExposiesLISBOA CULTURAL

    Que Viva a Repblica!Um sculo depois da implantao da Repblica tempo de reflectir sobre um dos ciclos polticos e sociais mais determinantes da histria contempornea portuguesa. A exposio Viva a Repblica!, patente na Cordoaria Nacional, prope uma viagem compreendida entre o triunfo da ideia republicana e a implantao do Estado Novo, passando por episdios to marcantes como o da participao de Portugal na I Guerra Mundial.

    Ser, provavelmente, a grande exposio que assinala o centenrio da implantao da Repblica Portuguesa, e no s pela rea ocupada pelos sete ncleos expositivos que invadem por completo a Cordoaria Nacional. Em Viva a Repblica!, o visitante viaja literalmente no tempo, recua aos tempos da monarquia constitucional e acompanha a primeira gerao de republicanos que, em 1910, viria a fazer uma revoluo que mudaria o curso do pas, com todos os sucessos e fracassos que qualquer processo de ruptura implica.

    Para isso, nas naves da Cordoaria Nacional, recriaram-se praas, ruas, edifcios e momentos simblicos da histria deste perodo, como um comcio de republicanos, uma sublevao popular ou, at mesmo, uma travessia area sobre o Atlntico a bordo de um simulador que reproduz a odisseia herica de Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Entre o ldico e o pedaggico, a exposio Viva a Repblica! prope ainda, a par dos ncleos expositivos que correspondem aos vrios momentos da histria, dois espaos subordinados ao desporto e cultura durante o perodo da I Repblica.

    No final da visita, recomenda-se ainda uma visita loja A Vida Portuguesa onde os visitantes podero encontrar livros, brinquedos antigos, postais e outras lembranas. Em paralelo, no espao de cafetaria, acontecem regularmente tertlias, debates, ciclos de cinema com a chancela da Cinemateca Portuguesa, concertos e outros eventos subordinados temtica da Repblica. FB

  • Jos Vianna da Motta nasceu em So Tom e Prncipe em 1868 e faleceu em Lisboa em 1948, pouco depois de completar 80 anos. Famoso no mundo inteiro, foi considerado um virtuoso e brilhante pianista, distinguindo-se tambm como compositor, ensasta e peda-gogo criou, entre vrias iniciativas, a Sociedade de Concertos, que promovia aos domin-gos espectculos de msica clssica para as pessoas que trabalhavam durante a semana.

    Apadrinhado pelo rei D. Fernando (o Rei-Artista, vivo de D. Maria II) e pela sua se-gunda mulher, a Condessa de Edla, estudou no Conservatrio Nacional, em Lisboa, depois em Berlim e, em 1885, partiu para Weimar onde foi aluno de Franz Liszt. To-cou em salas esgotadas por todo o mundo, dos Estados Unidos ao Brasil, passan-do por Frana, Inglaterra, Espanha, Itlia, Dinamarca e Argentina. Em 1915 assumiu a regncia da classe de piano do Conservatrio de Genebra, e em 1919 foi nomea-do Director do Conservatrio de Lisboa, cargo que exerceu at ao limite de idade.

    Entre as suas composies mais conhecidas esto a sinfonia Ptria uma reaco humilhao dos portugueses causada pelo Ultimato ingls de 1890 e obras como Evocao dos Lusadas, Cenas da Montanha e numerosas peas