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20 ANOS DA COMPANHIA TEATRAL DO CHIADO | ENTREVISTA COM JUVENAL GARCÊS | ENAMORADOS POR LISBOA | CARNAVAL EM LISBOA

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  • 08/21 FEV 10 | n. 148

    Em Agenda

    Editorial

    Ar livreCarnaval

    Itinerrios Temticos de Lisboa Enamorados por Lisboa

    Ciclos e confernciasChristopher Hitchens na Casa Fernando Pessoa

    Exposies Desassossego no Museu da Marioneta

    Exposies

    Em destaque Companhia Teatral do Chiado

    Curtas

  • NEWSLETTER

    EditorialLISBOA CULTURAL

    Ficha tcnicaEdio Diviso de Programao e Divulgao Cultural | Direco Municipal de Cultura | CML Editora Paula Teixeira Redaco Frederico Bernardino, Sara Ferreira, Susy Silva Capa e Paginao Bruno Moreira Contactos Rua Manuel Marques, 4F, Edifcio Utreque - Parque Europa, 1750-171 Lisboa | Tel. 21 817 06 00 | lisboa.cultural@cm-lisboa.pt

    Enquanto no chega a mais que merecida homenagem a Mrio Viegas, um dos arquitectos do renascimento do Chiado nos anos que se seguiram ao incndio que quase apagou o corao da cidade, a Lisboa Cultural foi ver o que se faz hoje com o seu legado. Falamos da Companhia Teatral do Chiado (CTC), um projecto a que Mrio Viegas deu forma, juntamente com Juvenal Garcs, em 1990. Prestes a completar 20 anos, com espectculos que se man-tm em cena anos a fio, e um pblico fiel, a CTC um dos poucos palcos lisboetas onde a vocao para a comdia assumida de forma consistente e apaixonada.

    E por falar em paixo, citando o poeta Vinicius de Moraes, podemos dizer que, esta se-mana, a cidade vai viver sob a sua gide. A propsito do Dia dos Namorados, a Cmara promove, nos dias 13 e 14, a iniciativa Enamorados por Lisboa. Sozinho ou acompanhado, aproveite para conhecer os melhores miradouros, jardins e recantos da cidade, e dar asas imaginao. E porque o amor tambm pode nascer de uma boa conversa, no se esquea de agendar um passeio pelo Jardim da Estrela, onde Marta Crawford, Mnica Calle e Ansio Franco vo estar, no sbado, para falar da relao entre afectos e espao pblico.

    Na prxima semana a Lisboa Cultural tira umas merecidas frias de Carnaval. Ficam, no en-tanto, duas propostas para gostos diferentes: o desfile de Carnaval promovido pela EGEAC, no dia 16 de Fevereiro, que promete animar as ruas da Baixa; e o regresso Casa Fernando Pessoa do ciclo de conferncias Livres Pensadores que conta com a presena de Christopher Hitchens, jornalista, escritor e um dos mais importantes nomes do novo atesmo.

    Uma boa semana.

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    Foi h quase 20 anos que Mrio Viegas e Ju-venal Garcs, a convite do ento vereador do Pelouro da Cultura, Joo Soares, aceitaram o desafio de sediar no Chiado uma nova com-panhia de teatro onde se recuperasse o es-prito do teatro popular. Aps duas dcadas, o teatro humorstico produzido em Portugal confunde-se, inevitavelmente, com uma mar-ca: Companhia Teatral do Chiado.

    Houve um dia em que o Chiado era uma zona ostracizada da cidade de Lisboa. O violento in-cndio de 1988 devastara quarteires inteiros, antevendo-se uma lenta recuperao deste ponto nevrlgico da vida comercial e cultural lisboeta. Juvenal Garcs (ver entrevista), actor e encena-dor, co-fundador com Mrio Viegas da Compa-nhia Teatral do Chiado (CTC), recorda-nos esses dias incertos em que as pessoas temiam pela sua

    segurana e davam conta de mil e um receios para no frequentar o Chiado para l do cair da noite.

    Em meados de 1990, entre edifcios ardidos e es-taleiros de obras, Joo Soares, poca vereador da Cultura, desafiou Mrio Viegas a levar, de novo, o teatro quela zona nobre da cidade, propondo que a nova companhia se instalasse no Teatro So Luiz. Naquelas circunstncias, era uma aventura definir qualquer projecto cultural no local, porm, Viegas e Garcs aceitaram o desafio, embora re-cusando liminarmente a explorao da sala prin-cipal do So Luiz.

    Os primeiros espectculos da companhia acaba-ram por se realizar no espao onde hoje se situa o restaurante daquele teatro municipal. Nascia assim, em Dezembro de 1990, a CTC, o terceiro e ltimo projecto teatral fundado por Mrio Viegas.

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    No So Luiz, voltava a haver teatro e o pblico acorreu, criando-se um ver-dadeiro fenmeno de culto em torno da recm-criada companhia. O sucesso da primeira produo em nome prprio da CTC, A Birra do Morto, de Vicente Sanchez, permitiu que com escassos meios e contra todas as probabilidades, o teatro regressasse com sucesso ao Chiado. A cidade e os lisboetas agra-deceram, e assim se iniciou um percurso extraordinrio no panorama teatral portugus.

    Com o desaparecimento de Mrio Viegas, em 1996, Juvenal Garcs assu-miu a direco artstica da CTC. Como no se cansa de sublinhar, o rumo estava traado, era agora tempo de consolid-lo! De entre grandes autores anglo-saxnicos (Becket, Osborne ou Godber), passando pelo teatro nrdico (Strindberg, Bergman ou Ibsen), a CTC teve o condo de levar cena textos que pareciam talhados a ser sucessos improvveis. Nesse rol figuram trs momentos j mticos do reportrio teatral que permanecem ainda em cena: As Obras Completas de William Shakespeare em 97 Minutos (Adam Long, Jess Borgeson e Daniel Singer; estreado em 1996), As Vampiras Lsbicas de Sodoma (Charles Busch; estreado em 2006) e A Bblia Toda a Palavra de Deus (duma Assentada) (Adam Long, Austin Tichnor e Reed Martin; estrea-do em 2007).

    Em 2003, aps os trabalhos de reconstruo e requalificao da antiga Sala-estdio do So Luiz, nasceu o espao prprio da CTC. Desde a estreia de Oh Que Ricos Dias, de Beckett, a pequena sala do Largo do Picadeiro recebeu mais de 120 mil espectadores, distribudos por cerca de 15 produes em nome prprio e pontuais acolhimentos. Resta sublinhar que, em homenagem ao homem e ao seu legado, a edilidade concedeu sala o nome de Mrio Viegas. FB

    Esta semana, no projecto Noites

    no Teatro: As Vampiras Lsbicas de Sodoma, de Charles Busch, no Teatro-Estdio Mrio Viegas (dia 8,

    20h15, com comentrio prvio do

    encenador Juvenal Garcs); Salo-m, de Oscar Wilde, no Teatro Ib-rico (dia 10, 21h, com comentrio da encenadora Mrcia Cardoso e acto-res aps o espectculo). As sesses

    so gratuitas para estudantes, me-diante marcao prvia para o tele-fone 21 817 06 00.

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    Com quase 20 anos de histria, a Companhia Teatral do Chiado (CTC) mantm um trajecto muito peculiar em prol do teatro de comdia, princpio que presi-diu sua criao. Ao aliar no reportrio textos capazes de mobilizar o grande pblico a obras incontornveis da dramaturgia contempornea, o percurso da companhia s pode ser tido como impar na histria do teatro portugus. Juvenal Garcs, um madeirense que abraou o teatro profissional aos deza-nove anos e que dez anos depois, com Mrio Viegas, fez nascer a CTC, falou Lisboa Cultural.

    De que modo definiria estas duas dcadas de existncia da CTC?Foram uma luta! Fazer teatro em Portugal uma luta constante, um trabalho de re-sistncia. Que eu conhea, no h em Portugal ningum rico a fazer teatro e muito menos ns, na CTC, que temos uma sala de 100 lugares e s temos tido advogados e dvidas por pagar (risos). Mas como fazer teatro uma vocao, este um cami-nho irreversvel. E, por isso, c estamos!

    Como gerir esta companhia e, inevitavelmente, esta sala que tem o nome Mrio Viegas?O Mrio uma referncia no teatro portugus, e para alm disso foi um cidado notvel e absolutamente genial. Gerir uma sala com o seu nome uma respon-sabilidade acrescida. Para alm disso, esta uma sala municipal e por isso tenho que produzir espectculos de qualidade e que digam qualquer coisa s pessoas. Logo, fazer teatro, e sobretudo comdia, nesta sala d-me um gozo extraordinrio. Hoje, a sala Mrio Viegas, que s existe h pouco mais de 6 anos, uma refern-

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    Em destaqueLISBOA CULTURAL

    cia no panorama cultural da cidade. Em relao companhia, e porque eu no sou o substituto do Mrio - o Mrio Viegas no tem substitutos! -, assumo responsabilidades a dobrar, consideran-do que tenho de encenar bons espectculos que tragam pblico ao teatro. S desta forma posso garantir que a companhia no desaparece e que a sala, pelo nome que tem e por ser propriedade da Cmara Municipal de Lisboa, se mantm bem vista.

    Qual o segredo do sucesso de produes como As Obras Completas de William Shakes-peare em 97 Minutos ou As Vampiras Lsbi-cas de Sodoma, que permanecem h tantos anos em cena?Como segredo no lhe posso contar (risos). Mas eu justifico os 14 anos de exibio do Shakespe-are ou os 4 anos das Vampiras pela sede de comdia que as pessoas tm. Em Portugal faz-se pouca comdia e o gnero ainda hoje vota-do ao ostracismo. Os prprios actores parecem ter preconceitos em fazer comdia, que efec-tivamente o gnero mais popular. Certamente, a comdia tambm o gnero mais complicado de fazer, sobretudo para o actor, j que tem a ver com tempos de representao, com o ritmo das frases, com a entoao, etc. Como se no bas-tasse, na comdia h a participao do pblico, porque se num drama o pblico entra e sai cala-

    do, na comdia, quando um actor entra e ningum ri porque alguma coisa est mal.

    Que projectos se preparam para assinalar es-tes 20 anos da companhia?Para assinalar estes 20 anos comecei por trazer A Dama de Copas e o Rei de Cuba, do Timochenco [Whebi], um autor brasileiro, porque achei que sendo uma comdia com um humor menos bvio, aborda de algum modo situaes que reconhece-mos destes tempos difceis que vivemos. Depois, e se tiver condies financeiras para isso, tencio-no fazer um Shakespeare, mais precisamente O Amansar da Fera. At porque, ando h 14 anos a gozar com o Shakespeare e j te