Líquenes como bioindicadores de poluição atmosférica ?· seus efeitos nos seres vivos (Nunes, 2011).…

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<ul><li><p>revista jnior de investigao</p><p>Volume 1 (1), Abril de 2012</p><p>85</p><p>Sobre o(s) autor(es)</p><p>Relato</p><p>85</p><p>Loremipsiummmmm</p><p>Lquenes como bioindicadores de poluio atmosfrica</p><p>Ins Maria Ferreira da FonteMaria.fe.ferreira@hotmail.comPatrcia Alexandra Galrinho RodriguesPatriciaalexandra3@hotmail.comSara Cristina Pires Freitassara-cpf@hotmail.comVirgnia Alves Ferreiragi_ni@live.com.pt</p><p>Prof. Paula Maria Lino Veigas MinhotoAgrupamento de escolas Abade de Baalpaulaminhoto@gmail.com</p><p>Patrcia Rodrigues (16 anos) - Reside em Bragana e no futuro pretendeseguir um curso relacionado com a sade. Diaria-mente, no tempo de lazer, gosta bastante de praticar desporto e visualizar programas televisivos de entretenimento.Virgnia Ferreira (16 anos) - Gosta de viajar e conhecer stios e pessoas novas. Um dos seus passatempos danar, faz parte de um grupo de Hiphop.Sara Freitas (16 anos) - Gosta de danar, fazer desporto e desenhar. Faz parte de um grupo de hiphop e por vezes frequenta aulas de equitao que um dos seus passatempos preferidos.Ins Fonte (16 anos) - Faz ballet h 10 anos, gostava de seguir um curso nessa rea, mas tambm gostava de fazer voluntari-ado em pases mais desfavorecidos.</p><p>Resumo</p><p>Numa altura em que existem os mais variados equipamentos tecnolgicos de avaliao da qualidade do ar recorrer a um organismo vivo para esse efeito no parece uma grande ino-vao a no ser que traga algum tipo de vantagem adicional, como seja permitir avaliar os efeitos da contaminao para alm dos valores instantneos obtidos por medies qumicas. Os lquenes so seres vivos com caractersticas particulares, as hifas do fungo absorvem gua diretamente da atmosfera, e por isso so particularmente sensveis poluio ambiental tornando-se um recurso a que qualquer pessoa pode recorrer para ter uma ideia da qualidade do ar que respira. Foi isso que tentmos fazer neste trabalho, identificar e comparar os lque-nes de trs locais, determinar a espcie a que pertencem e inferir sobre a qualidade do ar do local de onde os recolhemos, relativamente quantidade de SO2 presente.Keywords: Lquen; simbiose; bioindicador </p></li><li><p>Escola Superior de Educao - Instituto Politcnico de Bragana</p><p>86</p><p>ISSN 2182-6277 - Volume 1 (1), Abril de 2012</p><p>Introduo Bioindicador um organismo ou uma comunidade que responde contaminao por substncias nocivas </p><p>seja atravs de alteraes das suas funes vitais ou pela acumulao dessas substncias, fornecendo, assim, informao sobre o meio onde se encontra (Canseco, Anze &amp; Franken, 2006)</p><p>At ao sculo XVIII, os lquenes foram includos no reino das plantas, mais propriamente no grupo dos musgos. Contudo, com a evoluo da tecnologia e o melhoramento do microscpio, por volta de 1869, o botnico alemo Schwendener desvendou uma das mais fascinantes caractersticas dos lquenes, constatando que no so um nico organismo, mas a associao de dois seres vivos diferentes que se ajudam mutuamente, vivendo em estreita cooperao (Nunes, 2011). </p><p>Como se observa na figura 1 e segundo Nunes, no lquen </p><p>existe um fungo, tambm denominado micobionte, a que se juntam um ou mais indivduos fotossintticos, chamados ficobiontes, como as algas verdes (que esto presentes em cerca de 85 por cento das espcies de lquenes) e as cianobactrias (que surgem em aproximadamente 10% dos lquenes). Os restantes 5% resultam da presena simultnea de dois tipos de ficobiontes (Protistas e Moneras) (2011, s. p.).</p><p>Figura 1- Fotografia da observao microscpica de um lquen (ampliao total 400x) </p><p>Segundo Silva et al (2008) a associao revela-se vantajosa para todos os organismos envolvidos: a alga (organismo autotrfico) possui clorofila o que lhe permite, atravs da fotossntese, transformar gua e CO2 em hidratos de carbono que so absorvidos pelo fungo (organismo heterotrfico); as clulas da alga esto envolvidas pelas hifas do fungo e por isso protegidas da luz intensa, seca e temperaturas elevadas. A sobrevivncia dos lquenes depende quase exclusivamente da atmosfera que os cerca ou da gua da chuva. Portanto, qualquer substncia que dificulte a fotossntese das algas que formam seu talo pode provocar a morte do organismo.</p><p>Segundo o guia de campo do Cincia Viva nos lquenes possvel distinguir trs tipos de morfologia com base no aspecto do talo do lquen: tipo crustceo, tipo foliceo e tipo fruticuloso. </p><p>- Crustceos - tm talo com forma achatada, aderem firmemente ao substrato (pedra ou casca de rvore) e so os mais resistentes poluio; </p><p>- Foliceos - tm talo em forma de folha (laminar) e podem remover-se sem danificar a superfcie onde se encontram, rvore, rochas e so sensveis poluio;</p><p>- Fruticulosos - so ramificados como arbustos, esto unidos ao substrato por um nico ponto e so os mais sensveis poluio. </p><p>Os lquenes por no serem revestidos por uma cutcula protectora, como as folhas das plantas e absorverem directamente a gua do ar atmosfrico juntamente com contaminantes, tornam-se especialmente susceptveis a variaes atmosfricas e ambientais, bem como a mudanas nas condies de pH do substrato, sendo por isso bons indicadores de poluio ambiental (Viana, Correa, Nory &amp; Vieira, 2010).</p><p>O dixido de enxofre (SO2), embora possa ocorrer naturalmente na atmosfera, um poluente que resulta </p><p>Fonte, Rodrigues, Freitas, Ferreira, Minhoto (2012)</p></li><li><p>revista jnior de investigao</p><p>ISSN 2182-6277 - Volume 1 (1), Abril de 2012</p><p>87</p><p>essencialmente da queima de combustveis fsseis utilizados em diversos processos industriais e dos gases libertados pelos escapes dos veculos. Trata-se de um gs incolor, irritante para as mucosas dos olhos e das vias respiratrias, podendo ter, em concentraes elevadas, efeitos agudos e crnicos na sade humana, nomeadamente ao nvel cardiovascular e do aparelho respiratrio. Segundo Nunes (2011) os lquenes so extremamente sensveis s variaes dos teores de SO2, sendo esta a principal causa da regresso e do desaparecimento de diversas espcies em vrias regies urbanas e industrializadas da Europa. A presena ou ausncia de uma determinada espcie de lquen d indicaes sobre os nveis de SO2 do local.</p><p>Segundo, Canseco et al. (2006), os lquenes apresentam vantagens relativamente s anlises qumicas pois nestas os resultados so restritos aos momentos de medio enquanto os lquenes mostram os efeitos da contaminao por perodos de tempo mais dilatados.</p><p>MaterIaIs e MetodologIasMateriais</p><p> Sacos plsticos</p><p> Etiquetas</p><p> Bisturi</p><p> GPS</p><p> Fita mtrica</p><p> Bloco de notas e marcadores</p><p> Mquina fotogrfica</p><p> Microscpio ptico composto</p><p> Lminas e lamelas</p><p> Estojo de disseco </p><p> Cmara fotogrfica</p><p>Metodologia</p><p>Este trabalho consistiu na avaliao da qualidade do ar de trs locais distintos atravs da identificao das espcies de lquenes presentes. O trabalho decorreu em vrias etapas:</p><p>a) Escolhemos dos locais de amostragem: local A na avenida Joo da Cruz, junto praa de txis, local B numa zona rural a 5 km da cidade e longe da estrada e loca C a 12 km do centro da cidade.</p><p>b) Definimos a metodologia de amostragem: mesma espcie de rvore, amostragem a 1 metro do solo e no lado do tronco voltado para sul;</p><p>c) Fotografmos as rvores e recolhemos os exemplares;</p><p>d) No laboratrio identificmos os lquenes com auxlio de tabelas;</p><p>e) Observmos os lquenes ao microscpio para distinguir os seres vivos envolvidos;</p><p>f) Fotografmos as preparaes microscpicas;</p><p>g) Determinmos qual dos trs locais teria maior ndice de poluio atmosfrica utilizando uma ta-bela de Nunes (2011) que relaciona a presena de vrias espcies de lquenes com o teor em SO2 presente no ar. </p><p>Fonte, Rodrigues, Freitas, Ferreira, Minhoto (2012)</p></li><li><p>Escola Superior de Educao - Instituto Politcnico de Bragana</p><p>88</p><p>ISSN 2182-6277 - Volume 1 (1), Abril de 2012</p><p>resultados As figuras 2, 3 e 4 mostram imagens dos tipos de lquenes recolhidos nos trs locais. No local A apenas </p><p>havia os lquenes da figura 2 e nos locais B e C predominavam os lquenes das figuras dois e trs.</p><p>Figura 2 Xantoria recolhida no local A</p><p>Figura 3 Ramalina recolhida no local B </p><p>Figura 4- Usnea recolhida no local C</p><p>Aps consultar a tabela includa em Nunes (2011) chegmos concentrao de SO2, provvel dos trs locais como se mostra na tabela 1.</p><p>Fonte, Rodrigues, Freitas, Ferreira, Minhoto (2012)</p></li><li><p>revista jnior de investigao</p><p>ISSN 2182-6277 - Volume 1 (1), Abril de 2012</p><p>89</p><p>Local Distncia Tipo de lquenes SO2 g/m3</p><p>A Centro da cidade (Av. Joo da Cruz, perto da praa de txis)</p><p>- Crustceos (Xanthoria) 60 a 125</p><p>B 5 km do centro da cidade - Fruticulosos (Ramalina)- Foliceos (Physcia)</p></li><li><p>Escola Superior de Educao - Instituto Politcnico de Bragana</p><p>90</p><p>ISSN 2182-6277 - Volume 1 (1), Abril de 2012</p><p>Anexos</p><p>Tabelas de classificao de lquenes (site da UP)Crustceos</p><p>Foliceos</p><p>Fruticulosos</p><p>Tabela de avaliao da qualidade do ar (Nunes, 2011)</p><p>Fonte, Rodrigues, Freitas, Ferreira, Minhoto (2012)</p></li></ul>

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