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  • Didatismo e Conhecimento

    LNGUA PORTUGUESA

    1

    COMPREENSO E INTERPRETAO DE TEXTOS

    Como Ler um Texto

    Interessa a todos saber que procedimento se deve adotar para tirar o maior rendimento possvel da leitura de um texto. Mas no se pode responder a essa pergunta sem antes destacar que no existe para ela uma soluo mgica, o que no quer dizer que no exista soluo alguma. Genericamente, pode-se afirmar que uma leitura proveitosa pressupe, alm do conhecimento lingustico propriamente dito, um repertrio de informaes exteriores ao texto, o que se costuma chamar de conhecimento de mundo. A ttulo e ilustrao, observe a questo seguinte, extrada de concurso, na qual j vimos anteriormente. s vezes, quando um texto ambguo, o conhecimento de mundo que o leitor tem dos fatos que lhe permite fazer uma interpretao adequada do que se l. Um bom exemplo o texto que segue:

    As videolocadoras de So Carlos esto escondendo suas fitas

    de sexo explcito. A deciso atende a uma portaria de dezembro de 1991, do Juizado de Menores, que probe que as casas de vdeo aluguem, exponham e vendam fitas pornogrficas a menores de 18 anos. A portaria probe ainda os menores de 18 anos de irem a motis e rodeios sem a companhia ou autorizao dos pais.

    (Folha Sudoeste)

    o conhecimento lingustico que nos permite reconhecer a ambiguidade do texto em questo (pela posio em que se situa, a expresso sem a companhia ou autorizao dos pais permite a interpretao de que com a companhia ou autorizao dos pais os menores podem ir a rodeios ou motis). Mas o nosso conhecimento de mundo nos adverte de que essa interpretao estranha e s pode ter sido produzida por engano do redator. muito provvel que ele tenha tido a inteno de dizer que os menores esto proibidos de ir a rodeios sem a companhia ou autorizao dos pais e de frequentarem motis.

    Como se v, a compreenso do texto depende tambm do conhecimento de mundo, o que nos leva concluso de que o aprendizado da leitura depende muito das aulas de Portugus, mas tambm de todas as outras disciplinas sem exceo.

    Uma boa medida para avaliar se o texto foi bem compreendido a resposta a trs questes bsicas:

    - Qual a questo de que o texto est tratando? Ao tentar responder a essa pergunta, o leitor ser obrigado a distinguir as questes secundrias da principal, isto , aquela em torno da qual gira o texto inteiro. Quando o leitor no sabe dizer do que o texto est tratando, ou sabe apenas de maneira genrica e confusa, sinal de que ele precisa ser lido com mais ateno ou de que o leitor no tem repertrio suficiente para compreender o que est diante de seus olhos.

    - Qual a opinio do autor sobre a questo posta em discusso? Disseminados pelo texto, aparecem vrios indicadores da opinio de quem escreve. Por isso, uma leitura competente no ter dificuldade em identific-la. No saber dar resposta a essa questo um sintoma de leitura desatenta e dispersiva.

    - Quais so os argumentos utilizados pelo autor para fundamentar a opinio dada? Deve-se entender por argumento todo tipo de recurso usado pelo autor para convencer o leitor de que ele est falando a verdade. Saber reconhecer os argumentos do autor tambm um sintoma de leitura bem feita, um sinal claro de que o leitor acompanhou o desenvolvimento das ideias. Na verdade, entender um texto significa acompanhar com ateno o seu percurso argumentativo.

    O primeiro passo para interpretar um texto consiste em decomp-lo, aps uma primeira leitura, em suas ideias bsicas ou ideias ncleo, ou seja, um trabalho analtico buscando os conceitos definidores da opinio explicitada pelo autor. Esta operao far com que o significado do texto salte aos olhos do leitor.

    Ler uma atividade muito mais complexa do que a simples interpretao dos smbolos grficos, de cdigos, requer que o indivduo seja capaz de interpretar o material lido, comparando-o e incorporando-o sua bagagem pessoal, ou seja, requer que o indivduo mantenha um comportamento ativo diante da leitura.

    Os diferentes nveis de leituraPara que isso acontea, necessrio que haja maturidade para

    a compreenso do material lido, seno tudo cair no esquecimento ou ficar armazenado em nossa memria sem uso, at que tenhamos condies cognitivas para utilizar.

    De uma forma geral, passamos por diferentes nveis ou etapas at termos condies de aproveitar totalmente o assunto lido. Essas etapas ou nveis so cumulativas e vo sendo adquiridas pela vida, estando presente em praticamente toda a nossa leitura.

    O Primeiro Nvel elementar e diz respeito ao perodo de

    alfabetizao. Ler uma capacidade cerebral muito sofisticada e requer experincia: no basta apenas conhecermos os cdigos, a gramtica, a semntica, preciso que tenhamos um bom domnio da lngua.

    O Segundo Nvel a pr-leitura ou leitura inspecional. Tem duas funes especficas: primeiro, prevenir para que a leitura posterior no nos surpreenda e, sendo, para que tenhamos chance de escolher qual material leremos, efetivamente. Trata-se, na verdade, de nossa primeira impresso sobre o livro. a leitura que comumente desenvolvemos nas livrarias. Nela, por meio do salteio de partes, respondem basicamente s seguintes perguntas:

    - Por que ler este livro?- Ser uma leitura til?- Dentro de que contexto ele poder se enquadrar? Essas perguntas devem ser revistas durante as etapas que

    se seguem, procurando usar de imparcialidade quanto ao ponto de vista do autor, e o assunto, evitando preconceitos. Se voc se propuser a ler um livro sem interesse, com olhar crtico, rejeitando-o antes de conhec-lo, provavelmente o aproveitamento ser muito baixo.

    Ler armazenar informaes; desenvolver; ampliar horizontes; compreender o mundo; comunicar-se melhor; escrever melhor; relacionar-se melhor com o outro.

    Pr-LeituraNome do livroAutorDados BibliogrficosPrefcio e ndice Prlogo e Introduo

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    O primeiro passo memorizar o nome do autor e a edio do livro, fazer um folheio sistemtico: ler o prefcio e o ndice (ou sumrio), analisar um pouco da histria que deu origem ao livro, ver o nmero da edio e o ano de publicao. Se falarmos em ler um Machado de Assis, um Jlio Verne, um Jorge Amado, j estaremos sabendo muito sobre o livro. muito importante verificar estes dados para enquadrarmos o livro na cronologia dos fatos e na atualidade das informaes que ele contm. Verifique detalhes que possam contribuir para a coleta do maior nmero de informaes possvel. Tudo isso vai ser til quando formos arquivar os dados lidos no nosso arquivo mental. A propsito, voc sabe o que seja um prlogo, um prefcio e uma introduo? Muita gente pensa que os trs so a mesma coisa, mas no:

    Prlogo: um comentrio feito pelo autor a respeito do tema e de sua experincia pessoal.

    Prefcio: escrito por terceiros ou pelo prprio autor, referindo-se ao tema abordado no livro e muitas vezes tambm tecendo comentrios sobre o autor.

    Introduo: escrita tambm pelo autor, referindo-se ao livro e no ao tema.

    O segundo passo fazer uma leitura superficial. Pode-se, nesse caso, aplicar as tcnicas da leitura dinmica.

    O Terceiro Nvel conhecido como analtico. Depois de

    vasculharmos bem o livro na pr-leitura, analisamos o livro. Para isso, imprescindvel que saibamos em qual gnero o livro se enquadra: trata-se de um romance, um tratado, um livro de pesquisa e, neste caso, existe apenas teoria ou so inseridas prticas e exemplos. No caso de ser um livro terico, que requeira memorizao, procure criar imagens mentais sobre o assunto, ou seja, veja, realmente, o que est lendo, dando vida e muita criatividade ao assunto. Note bem: a leitura efetiva vai acontecer nesta fase, e a primeira coisa a fazer ser capaz de resumir o assunto do livro em duas frases. J temos algum contedo para isso, pois o encadeamento das ideias j de nosso conhecimento. Procure, agora, ler bem o livro, do incio ao fim. Esta a leitura efetiva, aproveite bem este momento. Fique atento! Aproveite todas as informaes que a pr-leitura ofereceu. No pare a leitura para buscar significados de palavras em dicionrios ou sublinhar textos, isto ser feito em outro momento.

    O Quarto Nvel de leitura o denominado de controle. Trata-se

    de uma leitura com a qual vamos efetivamente acabar com qualquer dvida que ainda persista. Normalmente, os termos desconhecidos de um texto so explicitados neste prprio texto, medida que vamos adiantando a leitura. Um mecanismo psicolgico far com que fiquemos com aquela dvida incomodando-nos at que tenhamos a resposta. Caso no haja explicao no texto, ser na etapa do controle que lanaremos mo do dicionrio.

    Veja bem: a esta altura j conhecemos bem o livro e o ato de interromper a leitura no vai fragmentar a compreenso do assunto como um todo. Ser, tambm, nessa etapa que sublinharemos os tpicos importantes, se necessrio. Para ressaltar trechos importantes opte por um sinal discreto prximo a eles, visando principalmente a marcar o local do texto em que se encontra, obrigando-o a fixar a cronologia e a sequncia deste fato importante, situando-o no livro.

    Aproveite bem esta etapa de leitura. Para auxiliar no estudo, interessante que, ao final da leitura de cada captulo, voc faa um breve resumo com suas prprias palavras de tudo o que foi lido.

    Um Quinto Nvel pode ser opcional: a etapa da repetio aplicada. Quando lemos, assimilamos o contedo do texto, mas aprendizagem efetiva vai requerer que tenhamos prtica, ou seja, que tenhamos experincia do que foi lido na vida. Voc s pode compreender conceitos que tenha visto em seu cotidiano. Nada como unir a teoria prtica. Na leitura, quando no passamos pela etapa da repetio aplicada, ficamos muitas vezes sujeitos queles brancos quando queremos evocar o assunto. Para evitar isso, faa resumos.

    Observe agora os trechos sublinhados do livro e os resumos de cada captulo, trace um diagrama sobr