Leo Brouwer

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<ul><li><p> ESCOLA SUPERIOR DE MSICA LICENCIATURA EM MSICA, VARIANTE INTERPRETAO, RAMO GUITARRA ESCOLA SUPERIOR DE MSICA LICENCIATURA EM MSICA, VARIANTE INTERPRETAO, RAMO GUITARRA </p><p>JANEIRO 2010 </p><p> Nuevos Estudios Sencillos </p><p>Anlise e gravao integral dos Nuevos Estudios </p><p>Sencillos de Leo Brouwer </p><p>Filipa Pinto Ribeiro (n 971) Gonalo Duarte (n 2008-096) Ricardo Martins (2007-036) </p></li><li><p> 2 </p><p>INTRODUO </p><p>Este trabalho surge no mbito da disciplina curricular de Opes/ Projectos e tem como </p><p>objectivo principal a gravao integral dos Nuevos Estudios Sencillos do compositor Leo </p><p>Brouwer, bem como uma anlise de cada estudo, dando especial relevo aos aspectos tcnicos </p><p>e interpretativos abordados em cada um. </p><p>Enquanto guitarristas consideramos que Leo Brouwer uma figura marcante no universo da </p><p>guitarra, no apenas enquanto intrprete, como, sobretudo, enquanto compositor de grande </p><p>nvel. Desta forma, procuramos atravs deste trabalho divulgar a sua produo mais recente </p><p>(uma vez que esta obra datada de 2003) e, simultaneamente, fazer um registo udio da </p><p>mesma, ainda pouco conhecida do pblico em geral devido sua especificidade pedaggica. </p><p>Para alm disto, esperamos que este trabalho possa suscitar o interesse nestes estudos de </p><p>alunos e professores de guitarra, para que estes se possam tornar to importantes na </p><p>formao de um guitarrista como o primeiro caderno de Estudios Sencillos, escrito em 1973. </p><p>Por fim, no podemos deixar de referir que este trabalho , igualmente, uma forma de </p><p>homenagear o grande mestre da guitarra Leo Brouwer, por todo o seu empenho, dedicao e </p><p>carreira, que dedicou (quase exclusivamente) promoo e desenvolvimento da guitarra </p><p>clssica. </p></li><li><p> 3 </p><p>NDICE </p><p>INTRODUO 2 </p><p>NDICE 3 </p><p>CAPTULO I 4 </p><p>1. BREVE BIOGRAFIA 5 </p><p>2. OBRA PARA GUITARRA 6 </p><p>3. INOVAES TCNICAS INTRODUZIDAS NAS SUAS OBRAS 9 </p><p>CAPTULO II 10 </p><p>1. CONTEXTUALIZAO DOS NUEVOS ESTUDIOS SENCILLOS 10 </p><p>2. ANLISE </p><p>- OMMAGIO A DEBUSSY 11 </p><p>- OMMAGIO A MANGOR 12 </p><p>- OMMAGIO A CATURLA 13 </p><p>- OMMAGIO A PROKOFIEV 14 </p><p>- OMMAGIO A TRREGA 15 </p><p>- OMMAGIO A SOR </p><p>- OMMAGIO A PIAZZOLLA 17 </p><p>- OMMAGIO A VILLA-LOBOS 18 </p><p>- OMMAGIO A SZYMANOWSKI 19 </p><p>- OMMAGIO A STRAVINSKY 20 </p><p>CONCLUSO 21 </p><p>BIBLIOGRAFIA 22 </p><p>ANEXOS 23 </p></li><li><p> 4 </p><p>CAPTULO I </p><p>1 de Maro de 1939: nasce em Cuba um dos homens mais carismticos do universo artstico </p><p>do sculo. Investigador incansvel, atravessa todos os movimentos estticos e ticos que </p><p>tentam compreender as sangrentas convulses deste nosso Mundo. </p><p>Iaki Bizkarguenaga El Mundo </p><p>Leo Brouwer marca um ponto de viragem na histria da guitarra, no apenas enquanto </p><p>intrprete mas tambm como compositor de primeira ordem para o seu instrumento. </p><p>maestro, compositor e guitarrista (toca tambm violoncelo, clarinete, percusso e piano) e </p><p>desenvolveu/desenvolve ao mximo as potencialidades do seu instrumento, com a introduo </p><p>de novas tcnicas na sua abordagem. </p></li><li><p> 5 </p><p>1. BREVE BIOGRAFIA </p><p>Juan Leovigildo Brouwer Mezquida nasce, como j foi referido, a 1 de Maro de 1939 em </p><p>Havana. Inicia os seus estudos musicais desde cedo no mbito familiar. Entre 1953 e 1954 </p><p>estuda guitarra com Isaac Nicola (discpulo de Pujol). Mais tarde, ingressa no Conservatrio </p><p>Peyrellade de Havana, onde tem o seu primeiro contacto com a composio. As suas primeiras </p><p>obras datam precisamente do ano de 1954 e so Msica (para guitarra, cordas e percusso) e </p><p>Suite (para guitarra). </p><p>Em 1960, dirige o Departamento de Msica do Instituto Cubano de Arte e Indstria </p><p>Cinematogrfica, onde cria, j em 1968, o Grupo de Experimentao Sonora de ICAIC, que </p><p>reuniu vrios jovens criadores cubanos dos quais se destacam Silvio Rodriguez e Pablo </p><p>Milans para pr em prtica um trabalho renovador relacionado com o cinema e msica </p><p>popular, que to importante foi e na histria da Amrica Latina. Neste projecto, comps </p><p>obras para mais de cem filmes em todo o mundo. </p><p>Em 1961 foi nomeado professor de harmonia e contraponto no Conservatrio Nacional de </p><p>Havana e, dois anos depois, igualmente nomeado para professor de composio, bem como </p><p>para assessor musical da Rdio e Televiso Nacional de Cuba. </p><p>Enquanto intrprete, estreou-se em 1955, em Havana. Desde essa altura que a sua carreira </p><p>artstica o levou a ocupar um lugar de grande importncia e respeito na comunidade </p><p>guitarrstica universal, tendo participado nos maiores festivais e eventos mundiais </p><p>relacionados com a guitarra onde, para alm de concertos, deu cursos e master-classes. </p><p>Em 1987, a 22 Assembleia do Concelho Internacional de Msica (CIM) da UNESCO nomeia-o </p><p>Membro de Honra, recebendo em conjunto com Isaac Stern e Alain Danielou o mais alto </p><p>prmio de reconhecimento pela sua carreira musical, honra essa que divide actualmente com </p><p>Sir Yehudi Menuhin, Ravi Shankar, Herbert von Karajan, Krysztof Penderecki, entre outras </p><p>personalidades do mundo musical. Em 1989, a Instituio de Msica Italo-Latinoamericana </p><p>nomeia-o Membro do Comit Honorrio, em conjunto com Claudio Abbado, Ricardo Mutti, </p><p>Pierre Boulez, Salvatore Accardo, entre outros, sendo o Presidente de ento Claudio Arrau. </p><p>Para alm disto, foi director-geral da Orquestra Sinfnica Nacional de Cuba, membro do </p><p>Conselho Nacional de Msica, membro da Academia das Artes de Berlim, conselheiro artstico </p><p>do Festival de Martinica, membro honorrio da Sociedade de Autores de Msica, director </p><p>artstico do Festival de Msica de Havana e presidente da Federao de Festivais </p><p>Internacionais de Guitarra. At ao ano de 2007, foi maestro titular da Orquestra de Crdoba. </p></li><li><p> 6 </p><p>2. OBRA PARA GUITARRA </p><p>No incio do sculo XIX, a guitarra volta a ocupar um lugar de destaque no mundo musical </p><p>espanhol. D-se um renascimento do instrumento, por muitos chamado de sculo de ouro da </p><p>guitarra, no qual se destacam compositores e intrpretes como Fernando Sor e Dionisio </p><p>Aguado. Com o incio do sculo XX reafirmaram-se muitas das etapas iniciadas anteriormente </p><p>e surgiram outras, como o caso da escola de Francisco Trrega, introduzida definitivamente </p><p>neste perodo, e que depressa chega a Cuba. </p><p>At primeira metade do sculo XX, a guitarra em Cuba inicia um novo perodo e Leo Brouwer </p><p>ser, a partir de ento, a sua figura central. A sua obra para guitarra facilmente divisvel em </p><p>trs fases que, apesar disso, no so marcadas de forma abrupta. As obras da primeira fase </p><p>caracterizam-se pela utilizao das formas musicais tradicionais (sonatas, variaes e suites) e </p><p>pela sua concepo harmnica com razes na msica tonal. </p><p>Esta fase ocorre entre 1955 e 1962, e pode considerar-se a fase nacionalista. Este o perodo </p><p>em que Leo Brouwer utiliza uma linguagem que vai desde o nacional e prprio linguagem </p><p>continental latino-americana, chegando dessa forma linguagem internacional. Muitos </p><p>compositores latino-americanos iniciaram a sua carreira, a partir da segunda metade do sculo </p><p>XX, como nacionalistas fervorosos sentindo-se responsveis por levar a cabo uma reconciliao </p><p>entre as tcnicas mais avanadas do modernismo europeu e os elementos meldicos e </p><p>rtmicos prprios da msica tradicional do seu pas. Este foi o caso de compositores como </p><p>Heitor Villa-Lobos, Carlos Chavez e Alberto Ginastera, entre outros. Leo Brouwer, por outro </p><p>lado, define a sua msica como uma msica de fuso de modelos e caractersticas populares e </p><p>eruditas, algo que se enquadra na corrente ps-modernista. Apesar do seu ambiente cultural </p><p>no ser de origem popular, nas suas obras h sempre a presena de elementos tradicionais, </p><p>inclusivamente nas mais complexas e elaboradas. Desta forma, pode dizer-se que a sua obra </p><p>reflecte a sua representao do mundo, na qual misturou os seus valores, as suas vivncias e a </p><p>sua cultura histrica, com os conhecimentos eruditos que servem de base sua educao </p><p>musical. </p><p>Outra caracterstica desta primeira etapa a utilizao sistemtica de clulas repetitivas, que </p><p>surge como influncia da cultura afrocubana (msica e dana em especial). Esta uma </p><p>caracterstica que poder levar a que a sua msica seja catalogada como minimalista, uma vez </p><p>que se enquadra perfeitamente nos requisitos dessa corrente. </p><p>Uma vez formado como guitarrista, Brouwer inicia-se como compositor tendo como objectivo </p><p>principal colmatar as falhas do reportrio guitarrstico. Em 1956 estreia a sua primeira </p><p>grande obra, Preludio. Pieza sin Ttulo outra das obras compostas neste perodo, acerca da </p><p>qual Leo Brouwer disse o seguinte: </p></li><li><p> 7 </p><p>A nossa msica popular sofre destas debilidades formais, das texturas, do desenvolvimento </p><p>temtico, contrapontstico, e forte em valores rtmicos e, qui, em segundo plano, valores </p><p>harmnicos. Logo, para mim era mais importante contar com a fora do elemento rtmico e </p><p>procurar novas linguagens atravs das outras caractersticas, no criar caractersticas. </p><p>Portanto, algumas dessas coisas poder ter valor.1 </p><p>O triunfo da Revoluo Cubana, em 1959, deu origem a uma mudana total na vida nacional </p><p>cubana. Leo Brouwer vai para Nova Iorque como bolseiro do Governo revolucionrio. Isto </p><p>permitiu que tivesse um contacto mais directo com a vanguarda musical de ento. Desta </p><p>forma, aps um perodo em que o compositor realizou uma retirada de amadurecimento </p><p>efectivo das suas ideias e comps algumas obras para outros instrumentos, iniciou-se uma </p><p>etapa que em que se d uma verdadeira renovao da composio para guitarra. </p><p>A partir desta poca, a linguagem das suas obras vai-se desarticulando, iniciando assim um </p><p>perodo de vanguarda. clara a forma como utiliza uma linguagem contrastante com a de </p><p>Villa-Lobos, por exemplo, cuja msica se caracteriza por uma linguagem essencialmente </p><p>meldica que nunca foi tomada por Brouwer como uma base. </p><p> em Nova Iorque que compe a srie dos XX Esudios Sencillos. A questo pedaggica e a </p><p>tentativa de colmatar as falhas tcnicas do reportrio foram, desde sempre, uma das suas </p><p>grandes preocupaes. </p><p>Aps isto, compe outras obras onde a forma se converte num elemento muito mais </p><p>importante que a linguagem propriamente dita. Estas alteraes so claramente visveis em </p><p>algumas das suas obras da fase mais madura. Neste sentido, a partir deste perodo as suas </p><p>obras abandonam as formas musicais tradicionais para utilizar formas extra-musicais </p><p>(geomtricas, pictricas, etc), formas aleatrias e baseadas em composies celulares de </p><p>quatro ou cinco notas, das quais sair uma excelente estrutura. Este desenvolvimento em </p><p>espiral particularmente evidente nas Tres Danzas Concertantes e na obra Canticum que, </p><p>segundo palavras de Emilio Pujol, se converteu num ponto de partida para a composio </p><p>guitarrstica, tal como j havia feito Falla com a sua Homenagem a Debussy. </p><p>Uma das obras mais importantes da sua segunda fase Elogio de la Danza, composta em </p><p>1964. Nesta obra esto patentes os grandes clichs da dana: o adgio e o ostinato. Os </p><p>ostinatos que tornaram famosos os ballets russos de Igor Stravinsky, do ponto de vista da </p><p>dana, convertem-se num ritmo contnuo no caso da guitarra e, para alm disso, numa forma </p><p>contnua. Aqui se observa um serialismo que em nada se assemelha ao serialismo </p><p>dodecafnico no deixando, no entanto, de existir uma estrutura serial, se entendermos o </p><p>serialismo como uma disposio muito particular de ordenar os materiais sonoros. </p><p>O desenvolvimento destas formas e, sobretudo, a forma em espiral, est intimamente </p><p>relacionado com o pensamento esttico de um Leo Brouwer vanguardista. Para ele existem </p><p> 1 Jess Ortega entrevista gravada a Leo Brouwer. </p><p> 1 Na linguagem tcnica guitarrstica, os dedos da mo direita so designados de p (polegar), i (indicador), </p><p>m (mdio) e a (anelar). 3 Tcnica guitarrstica em que se utilizam os dedos da mo direita para produzir notas mais agudas que a </p><p>anterior atravs da presso da corda, isto , sem necessidade de pulsar a corda com a mo direita. 4 Termo tcnico utilizado para designar a presso simultnea de todas ou algumas cordas da guitarra pelo dedo 1 da </p></li><li><p> 8 </p><p>duas formas diferentes de abordar a composio: a estrutural e a sensorial. A primeira surge </p><p>como herana da importante viso de Levy-Strauss, Umberto Eco e Pierre Boulez, entre outros. </p><p>O seu tratamento histrico foi exclusivo e primou sob o dever orgnico do som. A segunda </p><p>forma, sensorial, acabou por ser a eleita de Brouwer. Esta, respeita a forma mas no fecha as </p><p>possibilidades de expanso ou mudana que, de algum modo, possam alterar a estrutura. </p><p>Outra das caractersticas inovadoras da sua linguagem foi a utilizao da plasticidade pictrica </p><p>como elemento desencadeador de impulsos, com referncia a imagens como as criadas por </p><p>Paul Klee ou por Picasso. Isso pode ser observado em muitas das obras da sua segunda e </p><p>terceira fases, em que so muitas as semelhanas como quadros, como por exemplo Parabola </p><p>que, com a sua estrutura celular, se assemelha com os quadros mgicos de Paul Klee. </p><p>Apesar da sua renuncia tonalidade e armao de clave, as suas obras mantm um ou mais </p><p>centros tonais e uma linha meldica composta por diferentes planos independentes entre si, </p><p>formando mais um tema propriamente dito que uma ideia musical. </p><p>A qualidade revolucionria da arte est directamente relacionada com os seus elementos </p><p>constitutivos: forma, contedo, conjuntura histrico-social em que a mesma decorre. A </p><p>posio do artista e da sua obra relacionam-se dialecticamente, e por isto que por volta de </p><p>1967-1969 se observa na sua msica um retorno tonalidade que nasce gradualmente pela </p><p>necessidade de equilbrio entre o repouso (tonalidade) e o movimento e tenso (atonalidade). </p><p>Esta uma fase que poderia chamar-se perfeitamente de Ps-Modernista, tendncia estilstica </p><p>que, musicalmente falando, se caracteriza pela sobreposio de diversas tonalidades, diversas </p><p>aluses a obras clssicas que so colocadas em oposio, em contraposio e em interposio. </p><p>Esta terceira etapa mantm-se at actualidade. Muitos dos seus colegas e crticos intitulam-</p><p>na de Neo-Romntica, mas Brouwer prefere design-la como Nova Simplicidade e que se </p><p>torna parte da corrente Ps-Modernista. Esta nova tendncia relaciona-se com a utilizao de </p><p>recursos expressivos que apresentam duas vertentes: uma minimalista e outra hiper-</p><p>romntica, ambas enquadradas num supra-tonalismo. Entre algumas das caractersticas mais </p><p>expressivas deste perodo, prevalece um lirismo caracterstico da msica que precedeu as </p><p>correntes atonais, como a recorrncia a intervalos de segunda, quarta e stima; o uso de </p><p>variaes como procedimento fundamental de desenvolvimento, ao utilizar uma clula </p><p>fundamental como ncleo criador de uma obra. </p><p>Espiral Eterna, obra electro-acstica de 1970, marca um ponto bastante alto na histria do </p><p>reportrio guitarrstico contemporneo devido sua inveno e estilo, no qual no existe </p><p>apenas um desenvolvimento da linguagem mas tambm tcnicos e estticos. Nela, Brouwer </p><p>assume concepes que encaixam dentro de um Ps-Serialismo, at chegar ao aleatrio. Para </p><p>alm disto, um ptimo exemplo da forma como a composio celular se pode dividir em </p><p>vrias seces baseadas em trs notas conjuntas que vo gradualmente desde o som </p><p>determinado ao indeterminado. Com esta obra...</p></li></ul>