Lei Rouanet - Lei 8.313, de 23/12/1 - ?· Lei Rouanet - Lei 8.313, de 23/12/1.991 Lei Federal de Incentivo…

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  • Lei Rouanet - Lei 8.313, de 23/12/1.991

    Lei Federal de Incentivo Cultura Saiba como funciona a Lei n 8.313/91, mais conhecida como Lei Rouanet.

    Concebida em 1991 para incentivar investimentos culturais, a Lei Federal de Incentivo Cultura (Lei n 8.313/91), ou Lei Rouanet, como tambm conhecida, poder ser usada por empresas e pessoas fsicas que desejam financiar projetos culturais.

    Ela institui o Programa Nacional de Apoio Cultura (Pronac), que formado por trs mecanismos: o Fundo Nacional de Cultura (FNC), o Mecenato, e o Fundo de Investimento Cultural e Artstico.

    O FNC destina recursos a projetos culturais por meio de emprstimos reembolsveis ou cesso a fundo perdido e o Ficart possibilita a criao de fundos de investimentos culturais e artsticos (mecanismo inativo). O Mecenato viabiliza benefcios fiscais para investidores que apoiam projetos culturais sob forma de doao ou patrocnio. Empresas e pessoas fsicas podem utilizar a iseno em at 100% do valor no Imposto de Renda e investir em projetos culturais. Alm da iseno fiscal, elas investem tambm em sua imagem institucional e em sua marca.

    A lei possibilita tambm a concesso de passagens para apresentao de trabalhos de natureza cultural, a serem realizados no Brasil ou no exterior.

    Finalidades do Programa Nacional de Incentivo Cultura:

    facilitar populao o acesso s fontes da cultura; estimular a produo e difuso cultural e artstica regional; apoiar os criadores e suas obras; proteger as diferentes expresses culturais da sociedade brasileira; proteger os modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira; preservar o patrimnio cultural e histrico brasileiro; desenvolver a conscincia e o respeito aos valores culturais nacionais e internacionais; estimular a produo e difuso de bens culturais de valor universal; dar prioridade ao produto cultural brasileiro.

    reas e segmentos que podem se beneficiar

    teatro, dana, pera, circo, mmica e congneres;

  • produo cinematogrfica, videogrfica, fotogrfica, discogrfica e congneres; literatura, inclusive obras de referncia; msica; artes plsticas, artes grficas, gravuras, cartazes, filatelia e outras congneres; folclore e artesanato; patrimnio cultural, inclusive histrico, arquitetnico, arqueolgico, bibliotecas, museus, arquivos e demais acervos; humanidades; e rdio e televiso, educativas e culturais, de carter no-comercial.

    Decreto n 5.761

    Regulamenta a Lei n 8.313, de 23 de dezembro de 1991, que estabelece a sistemtica de execuo do Programa Nacional de Apoio a Cultura - PRONAC, e d outras providncias.

    Leis com incentivos cultura. LEI ROUANET (Lei Federal 8.313) - Esta lei federal, foi assinada em 1991 e permite s empresas patrocinadoras um abatimento de at 4% no imposto de renda, desde que j disponha de 20% do total j pleiteado. Para ser enquadrado na lei, o projeto precisa passar pela aprovao do Ministrio da Cultura, sendo apresentado Coordenao Geral do Mecenato e Aprovado pela comisso Nacional de Incentivo Cultura. Informaes sobre lei pelo fone Oxx6l -321 7994. LEI DO AUDIOVISUAL (Lei Federal 8685) - Esta lei federal modificada pela MP 1515 permite desconto fiscal para quem comprar cotas de filmes em produo. O limite de desconto de 3% para pessoas jurdicas e de 5% para pessoas fsicas, sobre o imposto de Renda. Em Braslia -informaes pelo fone OXX61-2266299. LEI DE INCENTIVO CULTURAL - LINC (Lei Estadual 8819) - Esta lei est em vigor desde julho de 1996. A LINC cria o programa estadual de incentivo cultura e institui o Conselho de Desenvolvimento Cultural, responsvel pela anlise dos projetos. Informaes na Secretaria de Estado da Cultura, na Rua Mau 51, 30 andar, sala 310. LEI MENDONCA ( Lei Municipal 10923) - Em vigor desde 1991. Permite que o contribuinte do IPRJ e ISS abata at 70% do valor do patrocnio desses impostos. ATENO - EDITAL UNICO 2000 a Secretaria Municipal de Cultura de So Paulo e a comisso de Averiguao e Avaliao de Projetos Culturais - CAAPC, fazem saber que esto abertas as inscries de projetos at 31/10/2000. Informaes nos telefones (Oxxl 1) 33159077, ramal 2291 e 2292.- Rua da Figueira 77, sala 404 Parque D. Pedro, das 10.00 s 16.00hs. INCENTIVOS FISCAIS SOB OS AUSPCIOS DA LEI DO AUDIOVISUAL O que : A edio da Lei n 8.685, em 20 de julho de 1993, criou para a atividade audiovisual um mecanismo especfico de incentivo fiscal. Sua ao veio a se somar aos mecanismos previstos na Lei de Incentivo Cultura, que se aplicavam e continuam a se aplicar tambm atividade audiovisual. Um projeto audiovisual pode, assim, beneficiar-se dos dois mecanismos concomitantemente, desde que para financiar despesas distintas. A Lei n 8.685/93 dispe que at o exerccio fiscal de 2003, inclusive, podero ser deduzidos do imposto de renda os investimentos realizados na produo de obras audiovisuais cinematogrficas brasileiras de produo independente, mediante a aquisio de quotas de seus direitos de comercializao, de projetos aprovados pelo Ministrio da Cultura. Podem tambm receber os benefcios da Lei projetos de exibio, distribuio e infra-

  • estrutura tcnica, especficos da rea audiovisual, sendo vedada, entretanto, a aquisio, reforma ou construo de imveis. A deduo permitida pelo Artigo 1 da Lei n 8.685/93 est limitada a 3% do imposto devido, tanto para pessoas fsicas como para pessoas jurdicas. O limite mximo para o aporte de recursos objeto dos incentivos por projeto de 3 milhes de reais. As pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real podero, ainda, abater o total dos investimentos efetuados como despesa operacional, com resultados positivos na reduo do imposto devido. O Artigo 3 da Lei n 8.685/93 permite, ademais, o abatimento de 70% do imposto incidente na remessa de lucros e dividendos decorrentes da explorao de obras audiovisuais estrangeiras no territrio nacional, desde que os recursos sejam investidos na co-produo de obras audiovisuais cinematogrficas brasileiras de produo independente, em projetos previamente aprovados pelo Ministrio da Cultura. Os projetos apresentados para receber os incentivos da Lei do Audiovisual devem, necessariamente, atender aos seguintes requisitos, sendo vedado o apoio a projetos de natureza publicitria: I - contrapartida de recursos prprios ou de terceiros correspondente a vinte por cento do valor global; II - o limite mximo de captao de 3 milhes de reais; III - viabilidade tcnica e artstica; IV - viabilidade comercial; V - aprovao do oramento e do cronograma fsico das etapas de realizao e desembolso, fixado o prazo de concluso. l Como obter maiores informaes: Maiores esclarecimentos podem ser obtidos junto Secretaria para o Desenvolvimento do Audiovisual, pelos telefones: (061) 316-2233 (061) 316-2234 Esplanada dos Ministrios, Bloco B, 3 andar, sala 313 Braslia DF, CEP 70068-900 l Como fazer: Os proponentes devem apresentar seus projetos, em formulrio prprio, na Secretaria para o Desenvolvimento Audiovisual do Ministrio da Cultura. Para tanto, receba, pressionando a imagem abaixo, o programa para a apresentao de projetos ou solicite uma cpia junto a uma das unidades do Ministrio da Cultura. Os projetos devero indicar os valores a serem captados, com base em planilha de custos detalhada. Se voc pretende beneficiar-se dos mecanismos de incentivo, pressione a imagem ao lado e receba o programa para apresentao de projetos ao Ministrio da Cultura. l Prestao de Contas: A prestao de contas dever ser apresentada em at 60 dias aps a concluso do projeto, de acordo com as normas constantes em manual prprio, disponvel na Secretaria para o Desenvolvimento Audiovisual. Esta lei, conhecida como Lei Rouanet, restabelece os princpios da Lei n. 7505, de 2 de julho de 1986, e institui o Programa Nacional de Apoio Cultura - PRONAC. Leis e portarias subsequentes a regulamentaram. CAPTULO I Disposies Preliminares

  • Art. 1 Fica institudo o Programa Nacional de Apoio Cultura - PRONAC, com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso s fontes da cultura e o pleno exerccio dos direitos culturais; II - promover e estimular a regionalizao da produo cultural e artstica brasileira, com valorizao de recursos humanos e contedos locais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestaes culturais e seus respectivos criadores; IV - proteger as expresses culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsveis pelo pluralismo da cultura nacional; V - salvaguardar a sobrevivncia e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira; VI - preservar os bens materiais e imateriais do patrimnio cultural e histrico brasileiro; VII - desenvolver a conscincia internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou naes; VIII - estimular a produo e difuso de bens culturais de valor universal formadores e informadores de conhecimento, cultura e memria; IX - priorizar o produto cultural originrio do Pas. Art. 2 O PRONAC ser implementado atravs dos seguintes mecanismos: I - Fundo Nacional da Cultura - FNC; II - Fundos de Investimento Cultural e Artstico - FICART; III - Incentivo a projetos culturais. Pargrafo nico. Os incentivos criados pela presente Lei somente sero concedidos a projetos culturais que visem a exibio, utilizao e circulao pblicas dos bens culturais deles resultantes, vedada a concesso de incentivo a obras, produtos, eventos ou outros decorrentes, destinados ou circunscritos a circuitos privados ou a colees particulares. Art. 3 Para cumprimento das finalidades expressas no artigo 1 desta Lei, os projetos culturais em cujo favor sero captados e canalizados os recursos do PRONAC atendero, pelo menos, a um dos seguintes objetivos: I - Incentivo formao artstica e cultural, mediante: a) concesso de bolsas de estudo, pesquisa e trabalho, no Brasil ou no exterior, a autores, artistas e tcnicos brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil; b) concesso de prmios a criadores, autores, artistas, tcnicos e suas obras, filmes, espetculos musicais e de artes cnicas em concursos e festivais realizados no Brasil; c) instalao e manuteno de cursos de carter cultural ou artstico, destinados formao, especializao e aperfeioamento de pessoal da rea da cultura, em estabelecimentos de ensino sem fins lucrativos. II - fomento produo cultural e artstica, mediante: a) produo de discos, vdeos, filmes e outras formas de reproduo fonovideogrfica de carter cultural; b) edio de obras relativas s cincias humanas, s letras e s artes; c) realizao de exposies, festivais de arte, espetculos de artes cnicas, de msica e de folclore; d) cobertura de despesas com transporte e seguro de objetos de valor cultural destinados a exposies pblicas no Pas e no exterior; e) realizao de exposies, festivais de arte e espetculos de artes cnicas ou congneres. III - preservao e difuso do patrimnio artstico, cultural e histrico, mediante: a) construo, formao, organizao, manuteno, ampliao e equipamento de museus, bibliotecas, arquivos e outras organizaes culturais, bem como de suas colees e acervos; b) conservao e restaurao de prdios, monumentos, logradouros, stios e demais espaos, inclusive naturais, tombados pelos Poderes Pblicos; c) restaurao de obras de arte e bens mveis e imveis de reconhecido valor cultural; d) proteo do folclore, do artesanato e das tradies populares nacionais. IV - estmulo ao conhecimento dos bens e valores culturais, mediante: a) distribuio gratuita e pblica de ingressos para espetculos culturais e artsticos; b) levantamentos, estudos e pesquisas na rea da cultura e da arte e de seus vrios segmentos; c) fornecimento de recursos para o FNC e para as fundaes culturais com fins especficos ou para museus, bibliotecas, arquivos ou outras entidades de carter cultural. V - apoio a outras atividades culturais e artsticas, mediante: a) realizao de misses culturais no Pas e no exterior, inclusive atravs do fornecimento de passagens; b) contratao de servios para elaborao de projetos culturais; c) aes no previstas nos incisos anteriores e consideradas relevantes pela Secretaria da Cultura da Presidncia da Repblica - SEC/PR ouvida a Comisso Nacional de Incentivo Cultura - CNIC. CAPTULO II Do Fundo Nacional da Cultura - FNC Art. 4 Fica ratificado o Fundo de Promoo Cultural, criado pela Lei no. 7.505, de 2 de julho de 1986, que passar a denominar-se Fundo Nacional da Cultura - FNC, com o objetivo de captar e destinar recursos para projetos culturais compatveis com as finalidades do PRONAC e de: I - estimular a distribuio regional eqitativa dos recursos a serem aplicados na execuo de projetos culturais e artsticos; II - favorecer a viso interestadual, estimulando projetos que explorem propostas culturais conjuntas, de enfoque regional; III - apoiar projetos dotados de contedo cultural que enfatizem o aperfeioamento profissional e artstico dos recursos humanos na rea da cultura, a criatividade e a diversidade cultural brasileira; IV - contribuir para a preservao e proteo do patrimnio cultural e histrico brasileiro; V - favorecer projetos que atendam s necessidades da produo cultural e aos interesses da coletividade, a considerados os nveis qualitativos e quantitativos de atendimentos s demandas culturais existentes, o carter multiplicador dos projetos atravs de seus aspectos

  • scio-culturais e a priorizao de projetos em reas artsticas e culturais com menos possibilidade de desenvolvimento com recursos prprios. 1 O FNC ser administrado pela Secretaria de Cultura da Presidncia da Repblica - SEC/PR e gerido por seu titular, assessorado por um comit constitudo dos diretores da SEC/PR e dos presidentes das entidades supervisionadas, para cumprimento do Programa de Trabalho Anual aprovado pela Comisso Nacional de Incentivo Cultura - CNIC de que trata o artigo 32 desta Lei, segundo os princpios estabelecidos nos artigos 1 e 3 da mesma. 2 Os recursos do FNC sero aplicados em projetos culturais submetidos com parecer da entidade supervisionada competente na rea do projeto, ao Comit Assessor, na forma que dispuser o regulamento. 3 Os projetos aprovados sero acompanhados e avaliados tecnicamente pelas entidades supervisionadas, cabendo a execuo financeira SEC/PR. 4 Sempre que necessrio, as entidades supervisionadas utilizaro peritos para anlise e parecer sobre os projetos, permitida a indenizao de despesas com o deslocamento, quando houver, e respectivos "pr labore" e ajuda de custos, conforme ficar definido no regulamento. 5 O Secretrio da Cultura da Presidncia da Repblica designar a unidade da estrutura bsica da SEC/PR que funcionar como secretaria executiva do FNC. 6 Os recursos do FNC no podero ser utilizados para despesas de manuteno administrativa da SEC/PR. 7 Ao trmino do projeto, a SEC/PR efetuar uma avaliao final de forma a verificar a fiel aplicao dos recursos, observando as normas e procedimentos a serem definidos no regulamento desta Lei, bem como a legislao em vigor. 8 As instituies pblicas ou privadas recebedoras de recursos do FNC e executoras de projetos culturais, cuja avaliao final no for aprovada pela SEC/PR, nos termos do pargrafo anterior, ficaro inabilitadas pelo prazo de trs anos ao recebimento de novos recursos, ou enquanto a SEC/PR no proceder a reavaliao do parecer inicial. Art. 5 O FNC um fundo de natureza contbil, com prazo indeterminado de durao, que funcionar sob as formas de apoio a fundo perdido ou de emprstimos reembolsveis, conforme estabelecer o regulamento, e constitudo dos seguintes recursos: I - recursos do Tesouro Nacional; II - doaes, nos termos da legislao vigente; III - legados; IV - subvenes e auxlios de entidades de qualquer natureza, inclusive de organismos internacionais; V - saldos no utilizados na execuo dos projetos a que se referem o Captulo IV e o presente Captulo desta Lei; VI - devoluo de recursos de projetos previstos no Captulo IV e no presente Captulo desta Lei, e no iniciados ou interrompidos, com ou sem justa causa; VII - um por cento da arrecadao dos Fundos de Investimentos Regionais a que se refere a Lei n 8.167, de 16 de janeiro de 1991, obedecida na aplicao a respectiva origem geogrfica regional; VIII - um por cento da arrecadao bruta dos concursos de prognsticos e loterias federais e similares cuja realizao estiver sujeita a autorizao federal, deduzindo-se este valor do montante destinado aos prmios; IX - reembolso das operaes de emprstimos realizadas atravs do Fundo, a ttulo de financiamento reembolsvel, observados critrios de remunerao que, no mnimo, lhes preserve o valor real; X - resultado das aplicaes em ttulos pblicos federais, obedecida a legislao vigente sobre a matria; XI - converso da dvida externa com entidades e rgos estrangeiros, unicamente mediante doaes, no limite a ser fixado pelo Ministrio da Economia, Fazenda e Planejamento, observadas as normas e procedimentos do Banco Central do Brasil; XII - saldo de exerccios anteriores; XIII - recursos de outras fontes. Art. 6 O FNC financiar at oitenta por cento do custo total de cada projeto, mediante comprovao, por parte do proponente, ainda que pessoa jurdica de direito pblico, da circunstncia de dispor do montante remanescente ou estar habilitado obteno do respectivo financiamento, atravs de outra fonte devidamente identificada, exceto quanto aos recursos com destinao especificada na origem. 1 (vetado). 2 Podero ser considerados, para efeito de totalizao do valor restante, bens e servios oferecidos pelo proponente para implementao do projeto, a serem devidamente avaliados pela SEC/PR. Art. 7 A SEC/PR estimular, atravs do FNC, a composio, por parte de instituies financeiras, de carteiras para financiamento de projetos culturais, que levem em conta o carter social da iniciativa, mediante critrios, normas, garantias e taxas de juros especiais a serem aprovados pelo Banco Central do Brasil. CAPTULO III Dos Fundos de Investimento Cultural e Artstico - FICART Art. 8 Fica autorizada a constituio de Fundos de Investimento Cultural e Artstico - FICART, sob a forma de condomnio, sem personalidade jurdica, caracterizando comunho de recursos destinados aplicao em projetos culturais e artsticos.

  • Art. 9 So considerados projetos culturais e artsticos, para fins de aplicao de recursos dos FICART, alm de outros que assim venham a ser declarados pela CNIC: I - a produo comercial de instrumentos musicais, bem como de discos, fitas, vdeos, filmes e outras formas de reproduo fonovideogrficas; II - a produo comercial de espetculos teatrais, de dana, msica, canto, circo e demais atividades congneres; III - a edio comercial de obras relativas s cincias, s letras e s artes, bem como de obras de referncia e outras de cunho cultural; IV - construo, restaurao, reparao ou equipamento de salas e outros ambientes destinados a atividades com objetivos culturais, de propriedade de entidades com fins lucrativos; V - outras atividades comerciais ou industriais, de interesse cultural, assim consideradas pela SEC/PR, ouvida a CNIC. Art. 10. Compete Comisso de Valores Mobilirios, ouvida a SEC/PR, disciplinar a constituio, o funcionamento e a administrao dos FICART, observadas as disposies desta Lei e as normas gerais aplicveis aos fundos de investimento. Art. 11. As quotas dos FICART, emitidas sempre sob a forma nominativa ou escritural, constituem valores mobilirios sujeitos ao regime da Lei n 6.385, de 7 de dezembro de 1976. Art. 12. O titular das quotas de FICART: I - no poder exercer qualquer direito real sobre os bens e direitos integrantes do Patrimnio do Fundo; II - no responde pessoalmente por qualquer obrigao legal ou contratual, relativamente aos empreendimentos do Fundo ou da instituio administradora, salvo quanto obrigao de pagamento do valor integral das quotas subscritas. Art. 13. instituio administradora de FICART compete: I - represent-lo ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente; II - responder pessoalmente pela evico de direito, na eventualidade da liquidao deste. Art. 14. Os rendimentos e ganhos de capital auferidos pelos FICART ficam isentos do Imposto sobre Operaes de Crdito, Cmbio e Seguro, assim como do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Art. 15. Os rendimentos e ganhos de capital distribudos pelos FICART, sob qualquer forma, sujeitam-se incidncia do Imposto sobre a Renda na fonte alquota de vinte e cinco por cento. Pargrafo nico. Ficam excludos da incidncia na fonte de que trata este artigo, os rendimentos distribudos a beneficirio pessoa jurdica tributada com base no lucro real, os quais devero ser computados na declarao anual de rendimentos. Art. 16. Os ganhos de capital auferidos por pessoas fsicas ou jurdicas no tributadas com base no lucro real, inclusive isentas, decorrentes da alienao ou resgate de quotas dos FICART, sujeitam-se incidncia do Imposto sobre a Renda, mesma alquota prevista para a tributao de rendimentos obtidos na alienao ou resgate de quotas de Fundos Mtuos de Aes. 1 Consideram-se ganho de capital a diferena positiva entre o valor de cesso ou regaste da quota e o custo mdio atualizado da aplicao, observadas as datas de aplicao, resgate ou cesso, nos termos da legislao pertinente. 2 O ganho de capital ser apurado em relao a cada resgate ou cesso, sendo permitida a compensao do prejuzo havido em uma operao com o lucro obtido em outra, da mesma ou diferente espcie, desde que de renda varivel, dentro do mesmo exerccio fiscal. 3 O imposto ser pago at o ltimo dia til da primeira quinzena do ms subseqente quele em que o ganho de capital foi auferido. 4 Os rendimentos e ganhos de capital a que se referem o "caput" deste artigo e o artigo anterior, quando auferidos por investidores residentes ou domiciliados no exterior, sujeitam-se tributao pelo Imposto sobre a Renda, nos termos da legislao aplicvel a esta classe de contribuinte. Art. 17. O tratamento fiscal previsto nos artigos precedentes somente incide sobre os rendimentos decorrentes de aplicaes em FICART que atendam a todos os requisitos previstos na presente Lei e na respectiva regulamentao a ser baixada pela Comisso de Valores Mobilirios. Pargrafo nico. Os rendimentos e ganhos de capital auferidos por FICART, que deixem de atender os requisitos especficos desse tipo de Fundo, sujeitar-se-o tributao prevista no artigo 43 da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988. ( Art. 43. Fica sujeito incidncia do imposto de renda na fonte, alquota de vinte e cinco por cento, o rendimento real produzido por quaisquer aplicaes financeiras, inclusive em fundos em condomnio, clubes de investimento e cadernetas de poupana, mesmo as do tipo peclio.) CAPTULO IV Do Incentivo a Projetos Culturais Art. 18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a Unio facultar s pessoas fsicas ou jurdicas a opo pela aplicao de parcelas do Imposto sobre a Renda a ttulo de doaes ou patrocnios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas fsicas ou por pessoas jurdicas de natureza cultural, de

  • carter privado, como atravs de contribuies ao FNC, nos termos do artigo 5, inciso II desta Lei, desde que os projetos atendam aos critrios estabelecidos no artigo 1 desta Lei, em torno dos quais ser dada prioridade de execuo pela CNIC. ? Medida Provisria n 1.589, de 24 de setembro de 1997 1 Os contribuintes podero deduzir do imposto de renda devido as quantias efetivamente despendidas nos projetos elencados no 3, previamente aprovados pelo Ministrio da Cultura, nos limites e condies estabelecidos na legislao do imposto de renda vigente, na forma de: I - doaes; e, II - patrocnios. 2 As pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real no podero deduzir o valor da doao e/ou do patrocnio como despesa operacional. 3 As doaes e os patrocnios na produo cultural, a que se refere o 1, atendero exclusivamente os seguintes segmentos: I - artes cnicas; II - livros de valor artstico, literrio ou humanstico; III - msica erudita ou instrumental; IV - circulao de exposies de artes plsticas; V - doaes de acervos para bibliotecas pblicas e para museus." Art. 19. Os projetos culturais previstos nesta Lei sero apresentados SEC/PR, ou a quem esta delegar a atribuio, acompanhados de planilha de custos, para aprovao de seu enquadramento nos objetivos do PRONAC e posterior encaminhamento a CNIC para deciso final. 1 No prazo mximo de noventa dias do seu recebimento poder a SEC/PR notificar o proponente do projeto de no fazer jus aos benefcios pretendidos, informando os motivos da deciso. 2 Da notificao a que se refere o pargrafo anterior, caber recurso CNIC, que dever decidir no prazo de sessenta dias. 3 (vetado). 4 (vetado). 5 (vetado). 6 A aprovao somente ter eficcia aps publicao de ato oficial contendo o ttulo do projeto aprovado e a instituio por ele responsvel, o valor autorizado para obteno de doao ou patrocnio e o prazo de validade da autorizao. 7 A SEC/PR publicar anualmente, at 28 de fevereiro, o montante de recursos autorizados no exerccio anterior pela CNIC, nos termos do disposto nesta Lei, devidamente discriminados por beneficirio. ? Acrescenta a Medida Provisria n 1.589, de 24 de setembro de 1997 8 Para a aprovao dos projetos ser observado o princpio da no concentrao por segmento e por beneficirio, a ser aferido pelo montante dos recursos, pela quantidade de projetos, pela respectiva capacidade executiva e pela disponibilidade do valor absoluto anual de renncia fiscal. Art. 20. Os projetos aprovados na forma do artigo anterior sero, durante a sua execuo, acompanhados e avaliados pela SEC/PR ou por quem receber a delegao destas atribuies. 1 A SEC/PR, aps o trmino da execuo dos projetos previstos neste artigo, dever, no prazo de seis meses, fazer uma avaliao final da aplicao correta dos recursos recebidos, podendo inabilitar seus responsveis pelo prazo de at trs anos. 2 Da deciso da SEC/PR caber recurso CNIC, que decidir no prazo de sessenta dias. 3 O Tribunal de Contas da Unio incluir em seu parecer prvio sobre as contas do Presidente da Repblica anlise relativa avaliao de que trata este artigo. Art. 21. As entidades incentivadoras e captadoras de que trata este Captulo devero comunicar, na forma que venha a ser estipulada pelo Ministrio da Economia, Fazenda e Planejamento, e SEC/PR, os aportes financeiros realizados e recebidos, bem como as entidades captadoras efetuar a comprovao de sua aplicao. Art. 22. Os projetos enquadrados nos objetivos desta Lei no podero ser objeto de apreciao subjetiva quanto ao seu valor artstico ou cultural. Art. 23. Para os fins desta Lei, considera-se: I - (vetado). II - patrocnio: a transferncia de numerrio, com finalidade promocional ou a cobertura pelo contribuinte do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, de gastos ou a utilizao de bem mvel ou imvel do seu patrimnio, sem a transferncia de domnio, para a realizao, por outra pessoa fsica ou jurdica de atividade cultural com ou sem finalidade lucrativa prevista no artigo 3 desta Lei. 1 Constitui infrao a esta Lei o recebimento pelo patrocinador, de qualquer vantagem financeira ou material em decorrncia do patrocnio que efetuar. 2 As transferncias definidas neste artigo no esto sujeitas ao recolhimento do Imposto sobre a Renda na Fonte. Art. 24. Para os fins deste Captulo, equiparam-se a doaes, nos termos do regulamento: I - distribuies gratuitas de ingressos para eventos de carter artstico-cultural por pessoas jurdicas a seus empregados e dependentes legais; II - despesas efetuadas por pessoas fsicas ou jurdicas com o objetivo de conservar,

  • preservar ou restaurar bens de sua propriedade ou sob sua posse legtima, tombados pelo Governo Federal, desde que atendidas as seguintes disposies: a) preliminar definio, pelo Instituto Brasileiro do Patrimnio Cultural - IBPC, das normas e critrios tcnicos que devero reger os projetos e oramentos de que trata este inciso; b) aprovao prvia, pelo IBPC, dos projetos e respectivos oramentos de execuo das obras; c) posterior certificao, pelo referido rgo, das despesas efetivamente realizadas e das circunstncias de terem sido as obras executadas de acordo com os projetos aprovados. Art. 25. Os projetos a serem apresentados por pessoas fsicas ou pessoas jurdicas, de natureza cultural para fins de incentivo, objetivaro desenvolver as formas de expresso, os modos de criar e fazer, os processos de preservao e proteo do patrimnio cultural brasileiro, e os estudos e mtodos de interpretao da realidade cultural, bem como contribuir para propiciar meios, populao em geral, que permitam o conhecimento dos bens e valores artsticos e culturais, compreendendo entre outros, os seguintes segmentos: I - teatro, dana, circo, pera, mmica e congneres; II - produo cinematogrfica, videogrfica, fotogrfica, discogrfica e congneres; III - literatura, inclusive obras de referncia; IV - msica; V - artes plsticas, artes grficas, gravuras, cartazes, filatelia e outras congneres; VI - folclore e artesanato; VII - patrimnio cultural, inclusive histrico, arquitetnico, arqueolgico, bibliotecas, museus, arquivos e demais acervos; VIII - humanidades; e IX - rdio e televiso, educativas e culturais, de carter no-comercial. Pargrafo nico. Os projetos culturais relacionados com os segmentos culturais do inciso II deste artigo devero beneficiar, nica e exclusivamente, produes independentes conforme definir o regulamento desta Lei. Art. 26. O doador ou patrocinador poder deduzir do imposto devido na declarao do Imposto sobre a Renda os valores efetivamente contribudos em favor de projetos culturais aprovados de acordo com os dispositivos desta Lei, tendo como base os seguintes percentuais: I - no caso das pessoas fsicas, oitenta por cento das doaes e sessenta por cento dos patrocnios; II - no caso das pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real, quarenta por cento das doaes e trinta por cento dos patrocnios. 1 A pessoa jurdica tributada com base no lucro real poder abater as doaes e patrocnios como despesa operacional. 2 O valor mximo das dedues de que trata o "caput" deste artigo ser fixado anualmente pelo Presidente da Repblica, com base em um percentual da renda tributvel das pessoas fsicas e do imposto devido por pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real. 3 Os benefcios de que trata este artigo no excluem ou reduzem outros benefcios, abatimentos e dedues em vigor, em especial as doaes a entidades de utilidade pblica efetuadas por pessoas fsicas ou jurdicas. 4 (vetado). 5 O Poder Executivo estabelecer mecanismo de preservao do valor real das contribuies em favor dos projetos culturais, relativamente a este Captulo. Art. 27. A doao ou o patrocnio no poder ser efetuada a pessoa ou instituio vinculada ao agente. 1 Consideram-se vinculados ao doador ou patrocinador: a) a pessoa jurdica da qual o doador ou patrocinador seja titular, administrador, gerente, acionista ou scio, na data da operao, ou nos doze meses anteriores; b) o cnjuge, os parentes at terceiro grau, inclusive os afins, e os dependentes do doador ou patrocinador ou dos titulares, administradores, acionistas ou scios de pessoa jurdica vinculada ao doador ou patrocinador, nos termos da alnea anterior; c) outra pessoa jurdica da qual o doador ou patrocinador seja scio. 2 No se consideram vinculadas as instituies culturais sem fins lucrativos, criadas pelo doador ou patrocinador, desde que, devidamente constitudas e em funcionamento, na forma da legislao em vigor e aprovadas pela CNIC. Art. 28. Nenhuma aplicao dos recursos previstos nesta Lei poder ser feita atravs de qualquer tipo de intermediao. Pargrafo nico. A contratao de servios necessrios elaborao de projetos para obteno de doao, patrocnio ou investimento no configura a intermediao referida neste artigo. Art. 29. Os recursos provenientes de doaes ou patrocnios devero ser depositados e movimentados, em conta bancria especfica, em nome do beneficirio, e a respectiva prestao de contas dever ser feita nos termos do regulamento da presente Lei. Pargrafo nico. No sero consideradas, para fins de comprovao do incentivo, as contribuies em relao s quais no se observe esta determinao. Art. 30. As infraes aos dispositivos deste Captulo, sem prejuzo das sanes penais cabveis, sujeitaro o doador ou patrocinador ao pagamento do valor atualizado do Imposto sobre a Renda devido em relao a cada exerccio financeiro, alm das penalidades e demais acrscimos previstos na legislao que rege a espcie. Pargrafo nico. Para os efeitos deste artigo, considera-se solidariamente responsvel por inadimplncia ou irregularidade verificada a pessoa fsica ou jurdica propositora do projeto. 2 A existncia de pendncias ou irregularidades na execuo de projetos da proponente junto ao Ministrio da Cultura suspender a anlise ou concesso de novos incentivos, at a efetiva regularizao.

  • 3 Sem prejuzo do pargrafo anterior, aplica-se, no que couber, cumulativamente, o disposto nos arts. 38 e seguintes desta Lei. CAPTULO V Das Disposies Gerais e Transitrias Art. 31. Com a finalidade de garantir a participao comunitria, a representao de artistas e criadores no trato oficial dos assuntos da cultura e a organizao nacional sistmica da rea, o Governo Federal estimular a institucionalizao de Conselhos de Cultura no Distrito Federal, nos Estados e nos Municpios. Art. 32. Fica instituda a Comisso Nacional de Incentivo Cultura - CNIC, com a seguinte composio: I - Secretrio da Cultura da Presidncia da Repblica; II - os Presidentes das entidades supervisionadas pela SEC/PR; III - o Presidente da entidade nacional que congregar os Secretrios de Cultura das Unidades Federadas; IV - um representante do empresariado brasileiro; V - seis representantes de entidades associativas dos setores culturais e artsticos de mbito nacional. 1 A CNIC ser presidida pela autoridade referida no inciso I deste artigo que, para fins de desempate Ter voto de qualidade. 2 Os mandatos, a indicao e a escolha dos representantes a que se referem os incisos IV e V deste artigo, assim como a competncia da CNIC, sero estipulados e definidos pelo regulamento desta Lei. Art. 33. A SEC/PR, com a finalidade de estimular e valorizar a arte e a cultura, estabelecer um sistema de premiao anual que reconhea as contribuies mais significativas para a rea: I - de artistas ou grupos de artistas brasileiros ou residente no Brasil, pelo conjunto de sua obra ou por obras individuais; II - de profissionais de rea do patrimnio cultural; III - de estudiosos e autores na interpretao crtica da cultura nacional, atravs de ensaios, estudos e pesquisas. Art. 34. Fica instituda a Ordem do Mrito Cultural, cujo estatuto ser aprovado por decreto do Poder Executivo, sendo que as distines sero concedidas pelo Presidente da Repblica, em ato solene, a pessoas que, por sua atuao profissional ou como incentivadoras das artes e da cultura, meream reconhecimento. Art. 35. Os recursos destinados ao ento Fundo de Promoo Cultural, nos termos do artigo 1, 6, da Lei n 7.505, de 2 de julho de 1986, sero recolhidos ao Tesouro Nacional para aplicao pelo FNC, observada a sua finalidade. Art. 36. O Departamento da Receita Federal, do Ministrio da Economia, Fazenda e Planejamento, no exerccio de suas atribuies especficas, fiscalizar a efetiva execuo desta Lei, no que se refere aplicao de incentivos fiscais nela previstos. Art. 37. O Poder Executivo a fim de atender o disposto no artigo 26, 2 desta Lei, adequando-o s disposies da Lei de Diretrizes Oramentrias, enviar, no prazo de trinta dias, Mensagem ao Congresso Nacional, estabelecendo o total da renncia fiscal e correspondente cancelamento de despesas oramentrias. Art. 38. Na hiptese de dolo, fraude ou simulao, inclusive no caso de desvio de objeto, ser aplicada, ao doador e ao beneficirio, a multa correspondente a duas vezes o valor da vantagem recebida indevidamente. Art. 39. Constitui crime, punvel com a recluso de dois a seis meses e multa de vinte por cento do valor do projeto, qualquer discriminao de natureza poltica que atente contra a liberdade de expresso, de atividade intelectual e artstica, de conscincia ou crena, no andamento dos projetos a que se referem esta Lei. Art. 40. Constitui crime, punvel com recluso de dois a seis meses e multa de vinte por cento do valor do projeto, obter reduo do Imposto sobre a Renda utilizando-se fraudulentamente de qualquer benefcio desta Lei. 1 No caso de pessoa jurdica respondem pelo crime o acionista controlador e os administradores que para ele tenham concorrido. 2 Na mesma pena incorre aquele que, recebendo recursos, bens ou valores em funo desta Lei, deixe de promover, sem justa causa, atividade cultural objeto do incentivo. Art. 41. O Poder Executivo, no prazo de sessenta dias, regulamentar a presente Lei. Art. 42. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicao. Art. 43. Revogam-se as disposies em contrrio. Fernando Collor Jarbas Passarinho

    ALTERAO LEI RUANET

    O CONGRESSO NACIONAL decreta:

  • CAPTULO I

    DO PROCULTURA

    Seo I

    Disposies Preliminares

    Art. 1o Fica institudo o Programa Nacional de Fomento e Incentivo Cultura - Procultura, com a finalidade de mobilizar e aplicar recursos para apoiar projetos culturais que concretizem os princpios da Constituio, em especial os dos arts. 215 e 216.

    Pargrafo nico. Para os efeitos desta Lei, considera-se:

    I - projeto cultural: forma de apresentao das polticas, programas, planos anuais e aes culturais que pleiteiem recursos do Procultura;

    II - proponente: pessoa fsica ou jurdica, com ou sem fins lucrativos, que apresente projeto cultural;

    III - avaliao de projetos culturais: procedimento por meio do qual os projetos culturais sero selecionados para a aplicao dos recursos dos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II, respeitadas a igualdade entre os proponentes, a liberdade de expresso e de criao, as diferenas regionais e a diversidade cultural;

    IV - projeto cultural com potencial de retorno comercial: projeto cultural com expectativa de lucro, cuja aplicao de recursos dar-se- preferencialmente na modalidade investimento;

    V - equipamentos culturais: bens imveis com destinao cultural permanente, tais como museus, bibliotecas, centros culturais, teatros, territrios arqueolgicos e de paisagem cultural;

    VI - doao incentivada: transferncia, sem finalidade promocional, de recursos financeiros para projeto cultural previamente aprovado pelo Ministrio da Cultura;

    VII - co-patrocnio incentivado: transferncia, com finalidade promocional, de recursos financeiros a projetos culturais previamente aprovados pelo Ministrio da Cultura;

    VIII - doador incentivado: pessoa fsica ou jurdica tributada com base no lucro real que aporta, sem finalidade promocional, recursos financeiros em projetos culturais aprovados pelo Ministrio da Cultura ou que por ele autorizada a transferir bens mveis de reconhecido valor cultural ou bens imveis para o patrimnio de pessoa jurdica sem fins lucrativos; e

    IX - co-patrocinador incentivado: pessoa fsica ou pessoa jurdica tributada com base no lucro real que aporta, com finalidade promocional, recursos financeiros em projetos culturais aprovados pelo Ministrio da Cultura.

    Art. 2o O Procultura ser implementado por meio dos seguintes mecanismos, entre outros:

    I - Fundo Nacional da Cultura - FNC;

    II - Incentivo Fiscal a Projetos Culturais;

    III - Fundo de Investimento Cultural e Artstico - Ficart; e

    IV - Vale-Cultura, criado por lei especfica.

    Pargrafo nico. Os mecanismos previstos neste artigo devero observar os limites de disponibilidade oramentria e de teto de renncia de receitas constantes da Lei de Diretrizes Oramentrias.

  • Art. 3o O Procultura promover o desenvolvimento cultural e artstico, o exerccio dos direitos culturais e o fortalecimento da economia da cultura, tendo como objetivos:

    I - valorizar a expresso cultural dos diferentes indivduos, grupos e comunidades das diversas regies do Pas e apoiar sua difuso;

    II - apoiar as diferentes iniciativas que fomentem a transversalidade da cultura, em reas como educao, meio ambiente, sade, promoo da cidadania e dos direitos humanos, cincia, economia solidria e outras dimenses da sociedade;

    III - estimular o desenvolvimento cultural em todo territrio nacional, buscando a superao de desequilbrios regionais e locais;

    IV - apoiar as diferentes linguagens artsticas, garantindo suas condies de realizao, circulao, formao e fruio nacional e internacional;

    V - apoiar as diferentes etapas da carreira dos artistas, adotando aes especficas para sua valorizao;

    VI - apoiar a preservao e o uso sustentvel do patrimnio histrico, cultural e artstico brasileiro em suas dimenses material e imaterial;

    VII - ampliar o acesso da populao brasileira fruio e produo de bens, servios e contedos culturais, valorizando iniciativas voltadas para as diferentes faixas etrias;

    VIII - desenvolver a economia da cultura, a gerao de emprego, a ocupao e a renda, fomentar as cadeias produtivas artsticas e culturais, estimulando a formao de relaes trabalhistas estveis;

    IX - apoiar as atividades culturais que busquem erradicar todas as formas de discriminao e preconceito;

    X - apoiar os conhecimentos e expresses tradicionais, de grupos locais e de diferentes formaes tnicas e populacionais;

    XI - valorizar a relevncia das atividades culturais de carter criativo, inovador ou experimental;

    XII - apoiar a formao, capacitao e aperfeioamento de agentes culturais pblicos e privados;

    XIII - valorizar a lngua portuguesa e as diversas lnguas e culturas que formam a sociedade brasileira;

    XIV - promover a difuso e a valorizao das expresses culturais brasileiras no exterior, assim como o intercmbio cultural com outros pases;

    XV - apoiar a dimenso cultural dos processos multilaterais internacionais baseados na diversidade cultural;

    XVI - valorizar o saber de artistas, mestres de culturas tradicionais, tcnicos, pesquisadores, pensadores e estudiosos da arte e da cultura; e

    XVII - fortalecer as instituies culturais brasileiras.

    1o Para o alcance dos seus objetivos, o Procultura apoiar, por meio de seus mecanismos e desde que presentes a dimenso cultural e o predominante interesse pblico, as seguintes aes:

    I - produo e difuso de obras de carter artstico e cultural, incluindo a remunerao de direitos autorais;

    II - realizao de projetos, tais como exposies, festivais, feiras e espetculos, no Pas e no exterior, incluindo a cobertura de despesas com transporte e seguro de objetos de valor cultural;

  • III - concesso de prmios mediante selees pblicas;

    IV - instalao e manuteno de cursos para formar, especializar e profissionalizar agentes culturais pblicos e privados;

    V - realizao de levantamentos, estudos, pesquisas e curadorias nas diversas reas da cultura;

    VI - concesso de bolsas de estudo, de pesquisa, de criao, de trabalho e de residncias artsticas no Brasil ou no exterior, a autores, artistas, estudiosos e tcnicos brasileiros ou estrangeiros residentes no Pas ou vinculados cultura brasileira;

    VII - aquisio de bens culturais para distribuio pblica, inclusive de ingressos para eventos artsticos;

    VIII - aquisio, preservao, organizao, digitalizao e outras formas de difuso de acervos, arquivos e colees;

    IX - construo, formao, organizao, manuteno e ampliao de museus, bibliotecas, centros culturais, cinematecas, teatros, territrios arqueolgicos e de paisagem cultural, alm de outros equipamentos culturais e obras artsticas em espao pblico;

    X - elaborao de planos anuais e plurianuais de instituies e grupos culturais, regulados pelos arts. 31 e 32, 2o;

    XI - digitalizao de acervos, arquivos e colees, bem como a produo de contedos digitais, jogos eletrnicos, vdeo-arte, e o fomento cultura digital;

    XII - aquisio de imveis tombados com a estrita finalidade de instalao de equipamentos culturais de acesso pblico;

    XIII - conservao e restaurao de imveis, monumentos, logradouros, stios, espaos e demais objetos, inclusive naturais, tombados pela Unio ou localizados em reas sob proteo federal;

    XIV - restaurao de obras de arte, documentos artsticos e bens mveis de reconhecidos valores culturais;

    XV - realizao de intercmbio cultural, nacional ou internacional;

    XVI - aquisio de obras de arte por colees privadas de interesse pblico; e

    XVII - apoio a projetos culturais no previstos nos incisos I a XVI e considerados relevantes pelo Ministrio da Cultura, consultada a Comisso Nacional de Incentivo e Fomento Cultura - CNIC.

    2o O apoio de que trata esta Lei somente ser concedido a projetos culturais cuja exibio, utilizao e circulao dos bens culturais deles resultantes sejam oferecidos ao pblico em geral, gratuitamente ou mediante cobrana de ingresso.

    3o vedada a concesso de incentivo a obras, produtos, eventos ou outros decorrentes, destinados ou circunscritos a colees particulares ou circuitos privados que estabeleam limitaes de acesso.

    Seo II

    Da Participao da Sociedade na Gesto do Procultura

    Art. 4o O Procultura observar as diretrizes estabelecidas pela CNIC, rgo colegiado do Ministrio da Cultura, com composio paritria entre governo e sociedade civil, presidida e nomeada pelo Ministro de Estado da Cultura.

  • Art. 5o Integraro a representao da sociedade civil na CNIC os seguintes setores, na forma do regulamento:

    I - artistas, acadmicos e especialistas com ampla legitimidade e idoneidade;

    II - empresariado brasileiro; e

    III - entidades associativas dos setores culturais e artsticos de mbito nacional.

    1o A escolha dos membros de que tratam os incisos do caput ser feita de forma transparente e dever contemplar as diferentes regies do Pas, setores da cultura e da sociedade e elos das cadeias produtivas da cultura, na forma do regulamento.

    2o Podero integrar a CNIC representantes do Poder Pblico estadual, do Distrito Federal e municipal, e entidades de representao da sociedade civil, observado o critrio de rodzio entre os Estados, o Distrito Federal e as entidades civis.

    3o Podero atuar como representantes da sociedade civil na CNIC entidades, associaes sem fins lucrativos, especialistas, tcnicos, produtores, artistas, consumidores, agentes econmicos e sociais.

    4o Os membros da CNIC devero ter comprovada idoneidade, reputao ilibada e reconhecida competncia na rea cultural.

    5o A designao dos membros da CNIC ser feita pelo Ministro de Estado da Cultura para um perodo de no mximo dois anos, permitida uma nica reconduo subsequente.

    6o As reunies da CNIC sero pblicas e todas as suas decises sero disponibilizadas em stio na internet.

    7o O Ministro de Estado da Cultura presidir a CNIC e ter direito a voto, inclusive o de qualidade.

    8o Ficam criadas as CNICs Setoriais, rgos com representao paritria do governo e da sociedade civil que subsidiaro a deciso do Ministrio da Cultura sobre projetos culturais, cuja composio e funcionamento sero definidos em regulamento.

    9o Ato do Poder Executivo dispor sobre a composio da representao governamental na CNIC.

    Art. 6o Compete CNIC:

    I - estabelecer as diretrizes da poltica de utilizao dos recursos do Procultura, aprovando o plano de ao anual, em consonncia com as diretrizes do Plano Nacional de Cultura e do Conselho Nacional de Poltica Cultural;

    II - propor programas setoriais de arte e cultura para o FNC;

    III - deliberar sobre questes relevantes para o fomento e incentivo cultura, quando demandada por seu Presidente;

    IV - aprovar a proposta de programao oramentria dos recursos do Procultura e avaliar sua execuo;

    V - estabelecer, quando couber, prioridades e procedimentos para uso dos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II;

    VI - fornecer subsdios para avaliao do Procultura e propor medidas para seu aperfeioamento; e

    VII - exercer outras atribuies que lhe forem conferidas pelo seu presidente.

    Seo III

  • Dos Procedimentos e Critrios para Avaliao de Projetos Culturais

    Art. 7o Para receber apoio dos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II, os projetos culturais sero analisados conforme diretrizes fixadas pela CNIC e aprovados pelo Ministrio da Cultura, conforme regulamento.

    1o Para anlise inaugural e acompanhamento dos projetos previstos no caput, podero ser contratados especialistas ou instituies especializadas, permitida, acrescida remunerao, a indenizao de despesas com o deslocamento, quando houver, e ajuda de custos.

    2o Os pareceres previstos no 1o devem ser claros e fundamentados e submetidos apreciao do rgo responsvel do Ministrio da Cultura.

    3o O especialista designado para avaliao dever possuir notrio saber na rea do projeto.

    4o vedada aos especialistas designados para avaliao de projetos participao profissional, a qualquer ttulo, na sua implementao ou execuo.

    Art. 8o A anlise, seleo e classificao dos projetos culturais sero feitas com utilizao dos seguintes critrios objetivos e procedimentos:

    I - de habilitao, de carter eliminatrio, quando ser avaliado o enquadramento do projeto aos objetivos do Procultura;

    II - de avaliao das trs dimenses culturais do projeto - simblica, econmica e social -, de carter classificatrio, mediante utilizao dos seguintes critrios:

    a) para a dimenso simblica:

    1. inovao e experimentao esttica;

    2. circulao, distribuio e difuso dos bens culturais;

    3. contribuio para preservao, memria e tradio;

    4. expresso da diversidade cultural brasileira;

    5. contribuio pesquisa e reflexo; e

    6. promoo da excelncia e da qualidade;

    b) para a dimenso econmica:

    1. gerao e qualificao de emprego e renda;

    2. desenvolvimento das cadeias produtivas culturais;

    3. fortalecimento das empresas culturais brasileiras;

    4. internacionalizao, exportao e difuso da cultura brasileira no exterior;

    5. fortalecimento do intercmbio e da cooperao internacional com outros pases;

    6. profissionalizao, formao e capacitao de agentes culturais pblicos e privados; e

    7. sustentabilidade e continuidade dos projetos culturais;

  • c) para a dimenso social:

    1. ampliao do acesso da populao aos bens, contedos e servios culturais;

    2. contribuio para reduo das desigualdades territoriais, regionais e locais;

    3. impacto na educao e em processos de requalificao urbana, territorial e das relaes sociais;

    4. incentivo formao e manuteno de redes, coletivos, companhias e grupos socioculturais;

    5. reduo das formas de discriminao e preconceito; e

    6. fortalecimento das iniciativas culturais das comunidades;

    III - de enquadramento, mediante utilizao dos seguintes critrios de avaliao:

    a) adequao oramentria;

    b) viabilidade de execuo; e

    c) capacidade tcnica e operacional do proponente.

    Pargrafo nico. Os projetos culturais mencionados no caput no podero ser objeto de apreciao subjetiva quanto ao seu valor artstico ou cultural.

    Art. 9o A mensurao e o peso dos critrios estabelecidos no art. 8o para avaliao dos projetos culturais sero definidos e divulgados pelo Ministro de Estado da Cultura, aps manifestao da CNIC, ouvidas as CNICs Setoriais.

    1o O recebimento dos projetos culturais dar-se- preferencialmente mediante editais de seleo pblica, que sero publicados at quarenta e cinco dias antes do incio do processo seletivo, salvo se houver fundamento relevante e a reduo do prazo no acarretar prejuzo participao dos eventuais interessados.

    2o O proponente indicar o mecanismo e a modalidade mais adequados para financiamento de seu projeto entre aqueles previstos no art. 2o, incisos I e II, e art. 16, sem prejuzo de posterior reenquadramento pelo Ministrio da Cultura, observada a classificao obtida no procedimento de avaliao previsto nesta Seo.

    3o Os projetos culturais com potencial de retorno comercial sero preferencialmente direcionados para a modalidade de execuo de investimento do FNC, prevista no art. 20, e do Ficart.

    4o O emprego de recursos de capital nos projetos culturais observar as seguintes condies:

    I - os bens de capital adquiridos devem ser vinculados ao projeto cultural e serem necessrios ao xito do seu objeto;

    II - dever ser demonstrada pelo proponente a economicidade da opo de aquisio de bens de capital, em detrimento da opo pela locao; e

    III - dever ser assegurada a continuidade da destinao cultural do bem adquirido, prevendo-se, ainda, clusula de reverso no caso de desvio de finalidade.

    5o Os proponentes que desenvolvam atividades permanentes, assim consideradas pela CNIC, devero apresentar plano anual de atividades, nos termos definidos em regulamento, para fins de utilizao dos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II.

  • 6o O plano anual previsto no 5o poder conter despesas administrativas, observado o limite de dez por cento de seu valor total e os limites fixados no 3o do art. 19.

    Art. 10. A avaliao dos projetos culturais ser concluda no prazo de trinta dias, prorrogveis por igual perodo, contados a partir da data da apresentao de todos os documentos necessrios pelo proponente e do cumprimento das diligncias que lhe forem solicitadas.

    1o Caso seja positiva a anlise inaugural de projeto cultural de que trata o art. 7o, 1o, ser encaminhado CNIC Setorial, que propor sua aprovao ou reprovao pelo Ministrio da Cultura.

    2o Da deciso que avalia o projeto cultural, caber recurso ao rgo prolator, no prazo de dez dias a contar de sua publicao no Dirio Oficial da Unio.

    3o Interposto o recurso de que trata o 2o, o rgo que proferiu a deciso poder reconsider-la, ou, ouvida a CNIC Setorial, encaminhar o recurso apreciao do Ministro de Estado da Cultura.

    4o O Ministrio da Cultura poder aprovar o projeto cultural com previso de condio a ser cumprida pelo proponente, considerando-se sem efeito a aprovao em caso de descumprimento da condio no prazo estabelecido.

    CAPTULO II

    DO FUNDO NACIONAL DA CULTURA

    Seo I

    Da Finalidade, Constituio e Gesto

    Art. 11. O Fundo Nacional da Cultura - FNC, criado pela Lei no 7.505, de 2 de julho de 1986 e ratificado pela Lei no 8.313, de 23 de dezembro de 1991, vinculado ao Ministrio da Cultura, fica mantido como fundo de natureza contbil e financeira, com prazo indeterminado de durao, de acordo com as regras definidas nesta Lei.

    Art. 12. O FNC ser o principal mecanismo de fomento, incentivo e financiamento cultura.

    1o Oitenta por cento dos recursos do FNC sero destinados aos proponentes culturais da sociedade civil no vinculados a co-patrocinador incentivado ou a poder pblico nos entes federados, deduzidos os repasses previstos no art. 21.

    2o vedada a utilizao de recursos do FNC com despesas de manuteno administrativa do Governo Federal, estadual e municipal, bem como de suas entidades vinculadas.

    Art. 13. O FNC ser administrado pelo Ministrio da Cultura, na forma estabelecida no regulamento, e apoiar projetos culturais por meio das modalidades descritas no art. 16.

    Art. 14. Ficam criadas no FNC as seguintes categorias de programaes especficas, denominadas:

    I - Fundo Setorial das Artes Visuais;

    II - Fundo Setorial das Artes Cnicas;

    III - Fundo Setorial da Msica;

    IV - Fundo Setorial do Acesso e Diversidade;

    V - Fundo Setorial do Patrimnio e Memria;

  • VI - Fundo Setorial do Livro, Leitura, Literatura e Humanidades, criado por lei especfica;

    VII - Fundo Setorial de Aes Transversais e Equalizao;

    VIII - Fundo Setorial do Audiovisual, criado pela Lei no 11.437, de 28 de dezembro de 2006; e

    IX - Fundo Setorial de Incentivo Inovao do Audiovisual destinado exclusivamente ao fomento, na modalidade de aplicao no reembolsvel, de projetos:

    a) audiovisuais culturais de curta e mdia metragem;

    b) de renovao de linguagem das obras audiovisuais;

    c) para formao de mo-de-obra;

    d) para realizao de festivais no Brasil ou exterior;

    e) de mostras e preservao ou difuso de acervo de obras audiovisuais; e

    f) que envolvam pesquisa, crtica e reflexo sobre audiovisual.

    Seo II

    Dos Recursos e suas Aplicaes

    Art. 15. So receitas do FNC:

    I - dotaes consignadas na lei oramentria anual e seus crditos adicionais;

    II - doaes e legados nos termos da legislao vigente;

    III - subvenes e auxlios de entidades de qualquer natureza, inclusive de organismos internacionais;

    IV - saldos no utilizados na execuo dos projetos culturais financiados com recursos dos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II;

    V - devoluo de recursos determinados pelo no cumprimento ou desaprovao de contas de projetos culturais custeados pelos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II;

    VI - um por cento da arrecadao dos Fundos de Investimentos Regionais a que se refere a Lei no 8.167, de 16 de janeiro de 1991, obedecida na aplicao a respectiva origem geogrfica regional;

    VII - trs por cento da arrecadao bruta dos concursos de prognsticos e loterias federais e similares cuja realizao estiver sujeita a autorizao federal, deduzindo-se este valor dos montantes destinados aos prmios;

    VIII - reembolso das operaes de emprstimo realizadas por meio do FNC, a ttulo de financiamento reembolsvel, observados critrios de remunerao que, no mnimo, lhes preserve o valor real;

    IX - retorno dos resultados econmicos provenientes dos investimentos em empresas e projetos culturais feitos com recursos do FNC;

    X - resultado das aplicaes em ttulos pblicos federais, obedecida a legislao vigente sobre a matria;

    XI - converso da dvida externa com entidades e rgos estrangeiros, unicamente mediante doaes, no limite a ser fixado pelo Ministrio da Fazenda, observadas as normas e procedimentos do Banco Central do Brasil;

  • XII - recursos provenientes da arrecadao da Loteria Federal da Cultura, criada por lei especfica;

    XIII - saldos de exerccios anteriores;

    XIV - produto do rendimento de suas aplicaes em programas e projetos culturais, bem como nos fundos de investimentos referidos no art. 45;

    XV - emprstimos de instituies financeiras ou outras entidades; e

    XVI - outras receitas que lhe vierem a ser destinadas.

    1o Os recursos previstos no inciso XII sero destinados, em sua integralidade, aos Fundos previstos no art. 14, incisos I, II e III.

    2o As receitas previstas neste artigo no contemplaro o Fundo Setorial de Audiovisual, que se reger pela Lei no 11.437, de 2006.

    Art. 16. Os recursos do FNC sero aplicados nas seguintes modalidades:

    I - no-reembolsveis, na forma do regulamento, para:

    a) apoio a projetos culturais; e

    b) equalizao de encargos financeiros e constituio de fundos de aval nas operaes de crdito;

    II - reembolsveis, destinados ao estmulo da atividade produtiva das empresas de natureza cultural e pessoas fsicas, mediante a concesso de emprstimos; e

    III - investimento, por meio de associao a empresas e projetos culturais e da aquisio de quotas de fundos privados, com participao econmica nos resultados.

    1o As transferncias de que trata o inciso I do caput dar-se-o preponderantemente por meio de editais de seleo pblica de projetos culturais.

    2o Nos casos previstos nos incisos II e III do caput, o Ministrio da Cultura definir com os agentes financeiros credenciados a taxa de administrao, os prazos de carncia, os juros limites, as garantias exigidas e as formas de pagamento.

    3o Os riscos das operaes previstas no pargrafo anterior sero assumidos, solidariamente pelo FNC e pelos agentes financeiros credenciados, na forma que dispuser o regulamento.

    4o A taxa de administrao a que se refere o 2o no poder ser superior a trs por cento dos recursos disponibilizados para o financiamento.

    5o Para o financiamento de que trata o inciso II, sero fixadas taxas de remunerao que, no mnimo, preservem o valor originalmente concedido.

    Art. 17. Os custos referentes gesto do FNC com planejamento, estudos, acompanhamento, avaliao e divulgao de resultados, includas a aquisio ou a locao de equipamentos e bens necessrios ao cumprimento de seus objetivos, no podero ultrapassar cinco por cento de suas receitas, observados o limite fixado anualmente por ato da CNIC e o disposto no 2o do art. 12.

    Seo III

    Dos Fundos

  • Art. 18. O FNC alocar recursos da ordem de dez a trinta por cento de sua dotao global, conforme recomendao da CNIC, nos Fundos Setoriais referidos nos incisos I a VII e IX do art. 14.

    1o Alm dos recursos oriundos da dotao global do FNC, os Fundos Setoriais mencionados no caput podero receber, na forma da Lei, contribuies e outros recolhimentos, destinados a programaes especficas.

    2o Fica excluda dos limites de que trata o caput deste artigo, a arrecadao prpria prevista no pargrafo anterior.

    3o Os recursos alocados no Fundo Setorial de Aes Transversais e Equalizao sero utilizados no cumprimento dos objetivos previstos no art. 3o, inciso II, e para custear projetos cuja execuo no seja possvel ou adequada por meio dos demais fundos previstos no art. 14, independentemente de sua previso no plano anual do Procultura.

    Art. 19. O FNC financiar projetos culturais apresentados por pessoas fsicas e pessoas jurdicas de direito pblico e de direito privado, com ou sem fins lucrativos, observado o disposto no art. 35 da Lei Complementar no 101, de 4 de maio de 2000.

    1o Poder ser dispensada contrapartida do proponente no mbito de programas setoriais definidos pela CNIC.

    2o Nos casos em que a contrapartida for exigida, o proponente deve comprovar que dispe de recursos financeiros ou de bens ou servios, se economicamente mensurveis, para complementar o montante aportado pelo FNC, ou que est assegurada a obteno de financiamento por outra fonte.

    3o Os projetos culturais previstos no caput podero conter despesas administrativas de at dez por cento de seu custo total, excetuados aqueles apresentados por entidades privadas sem fins lucrativos, que podero conter despesas administrativas de at quinze por cento de seu custo total.

    Art. 20. Fica autorizada a composio financeira de recursos do FNC com recursos de pessoas jurdicas de direito pblico ou de direito privado, com fins lucrativos para apoio compartilhado de programas e aes culturais de interesse estratgico, para o desenvolvimento das cadeias produtivas da cultura.

    1o O aporte dos recursos das pessoas jurdicas de direito pblico ou de direito privado previsto neste artigo no gozar de incentivo fiscal.

    2o A concesso de recursos financeiros, materiais ou de infra-estrutura pelo FNC ser formalizada por meio de convnios e contratos especficos.

    CAPTULO III

    DO APOIO AO FINANCIAMENTO DO SISTEMA NACIONAL DE CULTURA

    Art. 21. A Unio dever destinar no mnimo trinta por cento de recursos do FNC, por meio de transferncia, a fundos pblicos de Estados, Municpios e Distrito Federal.

    1o Os recursos previstos no caput sero destinados a polticas e programas oficialmente institudos pelos Estados, Distrito Federal e municpios, para o financiamento de projetos culturais escolhidos pelo respectivo ente federado por meio de seleo pblica, com observncia dos objetivos desta Lei.

    2o Do montante geral destinado aos Estados, cinquenta por cento ser repassado por estes aos Municpios.

    3o A transferncia prevista neste artigo est condicionada existncia, nos respectivos entes federados, de fundo de cultura e de rgo colegiado oficialmente institudo para a gesto democrtica e transparente dos recursos culturais, em que a sociedade civil tenha representao no mnimo paritria.

  • 4o A gesto estadual e municipal dos recursos oriundos de repasses do FNC dever ser submetida ao rgo colegiado previsto no 3o e observar os procedimentos de anlise previstos nos arts. 7o a 10.

    5o Ser exigida dos entes federados contrapartida para as transferncias previstas na forma do caput deste artigo, devendo ser obedecidas as normas fixadas pela Lei de Diretrizes Oramentrias para as transferncias voluntrias da Unio a entes federados.

    Art. 22. Os critrios de aporte de recursos do FNC devero considerar a participao da unidade da Federao na distribuio total de recursos federais para a cultura, com vistas a promover a desconcentrao regional do investimento, devendo ser aplicado, no mnimo, dez por cento em cada regio do Pas.

    Art. 23. Com a finalidade de descentralizar a anlise de projetos culturais, a Unio poder solicitar dos rgos colegiados estaduais previstos no art. 21, 3o, subsdios avaliao dos projetos culturais prevista no art. 10.

    CAPTULO IV

    DO INCENTIVO FISCAL A PROJETOS CULTURAIS

    Art. 24. Podero ser deduzidos do imposto sobre a renda devido, apurado na declarao de ajuste anual pelas pessoas fsicas ou em cada perodo de apurao, trimestral ou anual, pela pessoa jurdica tributada com base no lucro real, os valores despendidos a ttulo de doao ou co-patrocnio incentivados a projetos culturais aprovados pelo Ministrio da Cultura.

    1o Observados os demais limites previstos nesta Lei, as dedues de que trata o caput ficam limitadas:

    I - relativamente pessoa fsica, a seis por cento do imposto sobre a renda devido na declarao de ajuste anual; e

    II - relativamente pessoa jurdica tributada com base no lucro real, a quatro por cento do imposto sobre a renda da pessoa jurdica devido em cada perodo de apurao, obedecido o limite de deduo global da soma das dedues, estabelecido no art.71, e o disposto no 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995.

    2o A deduo de que trata o inciso I do 1o:

    I - est limitada ao valor das doaes ou co-patrocnios incentivados efetuados no ano-calendrio a que se referir a declarao de ajuste anual;

    II - observados os limites especficos previstos nesta Lei, fica sujeita ao limite de seis por cento conjuntamente com as dedues de que trata o art. 22 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; e

    III - aplica-se somente ao modelo completo de declarao de ajuste anual.

    3o Equipara-se doao incentivada:

    I - a hiptese prevista no art. 26;

    II - a transferncia de recursos financeiros ao FNC; e

    III - a transferncia de recursos, previamente autorizada pelo Ministrio da Cultura, para o patrimnio de fundaes que tenham como objeto a atuao cultural.

    4o O patrimnio referido no inciso III do 3o dever ser constitudo na forma do art. 62 do Cdigo Civil, de modo que apenas seus frutos e rendimentos sejam revertidos para o custeio e a aquisio de bens de capital necessrios s atividades da fundao.

  • 5o A pessoa jurdica somente poder abater as doaes e os co-patrocnios incentivados como despesa operacional nas seguintes hipteses de financiamento:

    I - projetos culturais oriundos e realizados em Estados da Federao ou rea metropolitana com baixa captao do incentivo fiscal previsto nesta Lei, considerados os dados consolidados pelo Ministrio da Cultura no ano anterior ao da sua aprovao;

    II - projetos culturais realizados em Municpios ou reas urbanas sem equipamentos culturais, conforme diagnstico promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica - IBGE; ou

    III - projetos culturais executados no exterior, nos pases pertencentes ao Mercosul ou Comunidade dos Pases de Lngua Portuguesa.

    Art. 25. A pessoa fsica poder optar pela doao incentivada prevista no inciso II do 3o do art. 24 diretamente em sua Declarao de Ajuste Anual, desde que entregue eletronicamente e de forma tempestiva.

    1o A deduo de que trata o caput est sujeita aos limites de at:

    I - um por cento do imposto sobre a renda devido na Declarao de Ajuste Anual, e

    II - seis por cento, conjuntamente com as dedues de que trata o inciso II do 2o do art. 24.

    2o O pagamento da doao incentivada deve ser efetuado em moeda corrente at a data de vencimento da primeira quota ou quota nica do imposto, observadas as instrues especficas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.

    3o O no pagamento da doao incentivada no prazo estabelecido no 2o implica a glosa definitiva desta parcela de deduo, ficando a pessoa fsica obrigada ao recolhimento da diferena de imposto devido apurado na declarao de ajuste anual com os acrscimos legais.

    Art. 26. Alm das hipteses de deduo de que trata o art. 24, podero ser deduzidas do imposto sobre a renda devido, nas condies e nos limites previstos nos 1o e 2o do art. 24, conforme sua natureza, as despesas efetuadas por contribuintes pessoas fsicas ou pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real, com o objetivo de conservar, preservar ou restaurar patrimnio material edificado de sua propriedade ou sob sua posse legtima, tombado pelo Poder Pblico Federal, desde que o projeto de interveno tenha sido aprovado pelo Ministrio da Cultura, conforme dispuser o regulamento.

    Art. 27. Os contribuintes pessoas fsicas ou pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real podero deduzir, do imposto sobre a renda devido, at oitenta por cento dos valores despendidos a ttulo de doaes incentivadas.

    1o Os projetos culturais que tiverem em seu nome a marca do doador incentivado somente podero obter deduo de quarenta por cento dos valores despendidos.

    2o O valor dos bens mveis ou imveis doados corresponder:

    I - no caso de pessoa jurdica, ao seu valor contbil, desde que no exceda ao valor de mercado; e

    II - no caso de pessoa fsica, ao valor constante de sua declarao de ajuste anual.

    3o Quando a doao incentivada for efetuada por valor superior aos previstos no 2o dever ser apurado ganho de capital, nos termos da legislao vigente.

    Art. 28. Na hiptese da doao incentivada em bens, o doador dever:

    I - comprovar a propriedade dos bens, mediante documentao hbil; e

  • II - baixar os bens doados na declarao de bens e direitos, quando se tratar de pessoa fsica, e na escriturao, no caso de pessoa jurdica.

    Art. 29. O proponente deve emitir recibo em favor do doador ou co-patrocinador incentivados, assinado por pessoa competente, conforme instrues da Secretaria da Receita Federal do Brasil.

    Art. 30. Os contribuintes pessoas fsicas ou pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real podero deduzir do imposto sobre a renda devido quarenta por cento, sessenta por cento ou oitenta por cento dos valores despendidos a ttulo de co-patrocnio incentivado.

    1o O percentual de deduo do imposto sobre a renda ser definido em razo da pontuao obtida pelo projeto no processo de avaliao previsto nos arts. 7o a 10, conforme regulamento.

    2o Os projetos culturais que tiverem em seu nome a marca do co-patrocinador somente podero obter deduo do imposto de renda devido de quarenta por cento dos valores despendidos.

    3o Ser vedado o aporte de recursos pblicos em projetos que se caracterizem exclusivamente como peas promocionais e institucionais de empresa patrocinadora.

    Art. 31. No ser superior a dez por cento do limite de renncia anual o montante utilizado para o incentivo a projetos culturais apresentados com o objetivo de financiar:

    I - a manuteno de equipamentos culturais pertencentes ao Poder Pblico;

    II - aes empreendidas pelo Poder Pblico, de acordo com as suas finalidades institucionais; e

    III - aes executadas por organizaes do terceiro setor que administram equipamentos culturais, programas e aes oriundos da administrao pblica.

    Art. 32. So vedados a doao e o co-patrocnio incentivados a pessoa ou instituio vinculada ao co-patrocinador ou doador.

    1o Consideram-se vinculados ao co-patrocinador ou doador:

    I - a pessoa jurdica da qual o co-patrocinador ou o doador seja titular, administrador, gerente, acionista ou scio, na data da operao ou nos doze meses anteriores;

    II - o cnjuge, os parentes at o terceiro grau, inclusive os afins, e os dependentes do co-patrocinador, do doador ou dos titulares, administradores, acionistas ou scios de pessoa jurdica vinculada ao co-patrocinador ou ao doador, nos termos do inciso I; e

    III - a pessoa jurdica coligada, controladora ou controlada, ou que tenha como titulares, administradores, acionistas ou scios alguma das pessoas a que se refere o inciso II.

    2o No se aplica a vedao prevista neste artigo s pessoas jurdicas de direito privado sem fins lucrativos e com finalidade cultural criadas pelo co-patrocinador, desde que formalmente constitudas, na forma da legislao em vigor e com planos anuais de atividades aprovados pelo Ministrio da Cultura.

    3o No ser superior a dez por cento do limite de renncia anual o montante utilizado para o incentivo a projetos apresentados pelas instituies vinculadas ao co-patrocinador excepcionadas pelo 2o.

    Art. 33. Os projetos culturais que buscam co-patrocnio incentivado podero acolher despesas de elaborao e administrao, nos termos do regulamento.

    Pargrafo nico. A soma dessas despesas no poder superar dez por cento do total do projeto.

  • Art. 34. A renncia autorizada a um proponente, individualmente considerado, no ser superior a meio por cento do limite de renncia fiscal previsto anualmente, excetuando-se:

    I - projetos culturais de preservao do patrimnio cultural material; e

    II - planos anuais de instituies que realizem seleo pblica na escolha de projetos.

    Art. 35. Para que faa jus deduo prevista no art. 24 e com vistas a promover sua responsabilidade social, o co-patrocinador dever:

    I - oferecer servio direto e automatizado de atendimento ao proponente;

    II - divulgar os critrios pelos quais os projetos culturais sero selecionados e os prazos para ingresso na seleo; e

    III - divulgar os projetos culturais que forem selecionados e o percentual de deduo permitido em razo do co-patrocnio.

    CAPTULO V

    DO ACOMPANHAMENTO E GESTO DOS RECURSOS DO Procultura

    Art. 36. Os recursos aportados pelo Procultura em projetos culturais por meio dos mecanismos previstos no art. 2o, incisos I e II, devero ser depositados e movimentados em conta bancria especfica, aberta em instituio financeira federal credenciada pelo Ministrio da Cultura, devendo a respectiva prestao de contas ser apresentada nos termos do regulamento.

    Art. 37. A propositura de projetos culturais ou aplicao dos recursos pblicos neles aportados no poder ser feita por meio de qualquer tipo de intermediao.

    Art. 38. A contratao de servios necessrios captao ou obteno de doao, co-patrocnio ou investimento no poder ser includa no projeto cultural.

    Art. 39. O Ministrio da Cultura instituir o Sistema Nacional de Informaes Culturais e o Cadastro Nacional de Proponentes e co-Patrocinadores, que devero reunir, integrar e difundir as informaes relativas ao fomento cultural em todos os entes federados.

    Pargrafo nico. O Poder Executivo, por intermdio do Ministrio da Cultura, implementar sistema de informaes especfico para fins de gesto e operacionalizao de todos os mecanismos e modalidades de execuo de projetos culturais previstos nesta Lei.

    Art. 40. O Ministrio da Cultura publicar anualmente, no Portal da Transparncia do Governo Federal,at 30 de abril, o montante captado pelo Procultura no ano-calendrio anterior, com valores devidamente discriminados por proponente, doador e co-patrocinador, ressaltando os setores e programas por eles incentivados.

    Art. 41. O Ministrio da Cultura publicar anualmente, no Portal da Transparncia do Governo Federal, at 30 de abril, o montante alocado pelo FNC no ano-calendrio anterior, com valores devidamente discriminados por proponente, ressaltando setores e programas.

    Art. 42. Sero fixados, periodicamente, indicadores para o monitoramento e avaliao dos resultados do Procultura com base em critrios de economia, eficincia, eficcia, qualidade e tambm de desempenho dos entes federados.

    Art. 43. O Ministrio da Cultura estabelecer premiao anual com a finalidade de estimular e valorizar as melhores prticas de agentes pblicos e privados dos mecanismos de fomento previstos nesta Lei.

  • CAPTULO VI

    DO ESTMULO S ATIVIDADES CULTURAIS COM POTENCIAL DE RETORNO COMERCIAL

    Art. 44. Os recursos do Procultura, sejam provenientes de incentivos fiscais ou do FNC, sero empregados em projetos culturais com potencial de retorno comercial exclusivamente para:

    I - investimento retornvel, garantida a participao do FNC no retorno comercial do projeto cultural; ou

    II - financiamento no retornvel, condicionado gratuidade ou comprovada reduo nos valores dos produtos ou servios culturais resultantes do projeto cultural, bem como abrangncia da circulao dos produtos ou servios em pelo menos quatro regies do Pas.

    1o Os recursos da modalidade investimento no podero ultrapassar vinte por cento da dotao anual do FNC.

    2o Os lucros obtidos pelo projeto ou bens culturais retornam ao FNC na proporo dos incentivos a ele concedidos.

    3o Os projetos culturais devero ser instrudos com as informaes necessrias para sua anlise econmico-financeira, conforme regulamento.

    Art. 45. Fica autorizada a constituio de Fundos de Investimento Cultural e Artstico - Ficarts, sob a forma de condomnio fechado, sem personalidade jurdica, caracterizando comunho de recursos destinados aplicao em projetos culturais e artsticos, e administrados por instituio financeira autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil.

    1o O patrimnio dos Ficarts ser representado por quotas emitidas sob a forma escritural, alienadas ao pblico com a intermediao da instituio administradora do Fundo.

    2o A administradora ser responsvel por todas as obrigaes do Fundo, inclusive as relativas reteno e ao recolhimento de tributos e outras obrigaes de natureza tributria.

    Art. 46. Compete Comisso de Valores Mobilirios autorizar, disciplinar e fiscalizar a constituio, o funcionamento e a administrao dos Ficarts, observadas as disposies desta Lei e as normas aplicveis aos fundos de investimento.

    Pargrafo nico. A Comisso de Valores Mobilirios comunicar a constituio dos Ficarts, bem como das respectivas administradoras, ao Ministrio da Cultura.

    Art. 47. Os bens e servios culturais a serem financiados pelos Ficarts sero aqueles considerados sustentveis economicamente, baseados na avaliao dos administradores do Fundo.

    1o vedada a aplicao de recursos de Ficart em projetos culturais que tenham participao majoritria de quotista do prprio Fundo.

    2o No sero beneficiadas pelo mecanismo de que trata este Captulo as iniciativas contempladas no Captulo VII da Medida Provisria no 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, alterada pela Lei no 11.437, de 2006.

    Art. 48. As pessoas fsicas e pessoas jurdicas tributadas com base no lucro real podero deduzir do imposto sobre a renda devido os seguintes percentuais do valor despendido para aquisio de quotas dos Ficarts, obedecidos os limites referidos nos arts. 24 e 71 desta Lei, e 22 da Lei no 9.532, de 1997, e o disposto no 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 1995.

    I - cem por cento, nos anos-calendrio de 2010 a 2013; e

    II - setenta e cinco por cento, no ano-calendrio de 2014.

  • 1o Somente so dedutveis do imposto devido as quantias aplicadas na aquisio de quotas dos Ficarts:

    I - pela pessoa fsica, no ano-calendrio a que se referir a declarao de ajuste anual; ou

    II - pela pessoa jurdica, no respectivo perodo de apurao de imposto.

    2o A deduo de que trata o 1o incidir sobre o imposto devido:

    I - no trimestre a que se referirem os investimentos, para as pessoas jurdicas que apuram o lucro real trimestral;

    II - no ano-calendrio, para as pessoas jurdicas que, tendo optado pelo recolhimento do imposto por estimativa, apuram o lucro real anual; ou

    III - no ano-calendrio, conforme ajuste em declarao de ajuste anual de rendimentos para a pessoa fsica.

    3o Em qualquer hiptese, no ser dedutvel a perda apurada na alienao das quotas dos Ficarts.

    4o A pessoa jurdica que alienar as quotas dos Ficarts somente poder considerar como custo de aquisio, na determinao do ganho de capital, os valores deduzidos na forma do 2o na hiptese em que a alienao ocorra aps cinco anos da data de sua aquisio.

    Art. 49. A aplicao dos recursos dos Ficarts far-se-, exclusivamente, na:

    I - contratao de pessoas jurdicas com sede no territrio brasileiro, tendo por finalidade exclusiva a execuo de bens e servios culturais;

    II - participao na produo de bens e na execuo de servios culturais realizados por pessoas jurdicas de natureza cultural com sede no territrio brasileiro;

    III - participao na construo, reforma e modernizao de equipamentos culturais no Pas; ou

    IV - aquisio de aes de empresas de natureza cultural pelos Ficarts.

    Art. 50. As quotas dos Ficarts, emitidas sempre sob a forma nominativa ou escritural, constituem valores mobilirios sujeitos ao regime da legislao em vigor.

    1o Considera-se ganho de capital a diferena positiva entre o valor de cesso ou resgate da quota e o custo mdio atualizado da aplicao, observadas as datas de aplicao, resgate ou cesso, nos termos da legislao pertinente, respeitado o disposto no 4o do art. 48.

    2o O ganho de capital ser apurado em relao a cada resgate ou cesso, sendo permitida a compensao do prejuzo havido em uma operao com o lucro obtido em outra, da mesma ou diferente espcie, desde que de renda varivel, dentro do mesmo exerccio fiscal.

    3o Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo, quando auferidos por investidores residentes ou domiciliados no exterior, sujeitam-se tributao pelo imposto sobre a renda, nos termos do art. 81 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995.

    Art. 51. Os rendimentos e ganhos lquidos e de capital auferidos pela carteira de Ficart ficam isentos do imposto sobre a renda.

    Art. 52. Os rendimentos e ganhos de capital distribudos pelos Ficart, sob qualquer forma e qualquer que seja o beneficirio, sujeitam-se incidncia do imposto sobre a renda na fonte alquota de quinze por cento.

  • Art. 53. Os rendimentos auferidos no resgate de quotas quando da liquidao dos Ficarts ficam sujeitos ao imposto sobre a renda na fonte alquota de quinze por cento incidente sobre a diferena positiva entre o valor de resgate e o custo de aquisio das quotas, observado o 3o do art. 48.

    Art. 54. Os ganhos auferidos na alienao de quotas dos Ficarts so tributados alquota de quinze por cento:

    I - como ganho lquido quando auferidos por pessoa fsica em operaes realizadas em bolsa e por pessoa jurdica em operaes realizadas dentro ou fora de bolsa; e

    II - de acordo com as regras aplicveis aos ganhos de capital na alienao de bens ou direitos de qualquer natureza quando auferidos por pessoa fsica em operaes realizadas fora de bolsa.

    1o Considera-se ganho de capital a diferena positiva entre o valor de alienao da quota e o custo de aquisio, observado o 3o do art. 48.

    2o O imposto ser pago at o ltimo dia til do ms subsequente quele em que o ganho de capital foi auferido.

    Art. 55. O imposto pago ou retido nos termos dos arts. 52 a 54 ser:

    I - deduzido do devido no encerramento de cada perodo de apurao ou na data da extino, no caso de pessoa jurdica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; e

    II - definitivo, no caso de pessoa fsica e de pessoa jurdica isenta ou optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadao de Tributos e Contribuies devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES NACIONAL, de que trata a Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006.

    Art. 56. O tratamento fiscal previsto nos arts. 52 a 54 somente incide sobre os rendimentos decorrentes de aplicaes em Ficart que atendam a todos os requisitos previstos nesta Lei e na respectiva regulamentao a ser baixada pela Comisso de Valores Mobilirios.

    Pargrafo nico. Na hiptese de o Ficart deixar de atender aos requisitos de que trata o caput, os rendimentos e ganhos auferidos pelo cotista sujeitar-se-o incidncia de imposto sobe a renda alquota de vinte e dois inteiros e cinco dcimos por cento.

    CAPTULO VII

    DAS INFRAES E PENALIDAES

    Seo I

    Das Infraes

    Art. 57. Constitui infrao aos dispositivos desta Lei:

    I - auferir o co-patrocinador incentivado, o doador incentivado ou o proponente vantagem financeira ou material indevida em decorrncia do co-patrocnio ou da doao incentivados;

    II - agir o co-patrocinador incentivado, o doador incentivado ou o proponente de projeto com dolo, fraude ou simulao na utilizao dos incentivos nela previstos;

    III - desviar para finalidade diversa da fixada nos respectivos projetos, os recursos, bens, valores ou benefcios obtidos com base nesta Lei;

    IV - adiar, antecipar ou cancelar, sem autorizao do Ministrio da Cultura, projeto beneficiado pelos incentivos previstos nesta Lei; e

  • V - deixar o co-patrocinador incentivado ou o proponente do projeto de utilizar as logomarcas do Ministrio da Cultura e dos mecanismos de financiamento previstos nesta Lei, ou faz-lo de forma diversa da estabelecida.

    Seo II

    Das Penalidades

    Art. 58. As infraes aos dispositivos desta Lei, sem prejuzo das demais sanes cabveis, sujeitaro:

    I - o doador ou o co-patrocinador incentivados ao pagamento do valor atualizado do imposto sobre a renda no recolhido, alm das penalidades e demais acrscimos previstos na legislao tributria;

    II - o infrator ao pagamento de multa de at duas vezes o valor da vantagem auferida indevidamente, revertida para o FNC;

    III - o infrator perda ou suspenso de participao em linhas de financiamento em estabelecimentos oficiais de crdito;

    IV - o infrator proibio de contratar com a administrao pblica pelo perodo de at dois anos; ou

    V - o infrator suspenso ou proibio de fruir de benefcios fiscais institudos por esta Lei pelo perodo de at dois anos.

    Pargrafo nico. O proponente do projeto, por culpa ou dolo, solidariamente responsvel pelo pagamento do valor previsto no inciso I do caput.

    Art. 59. As sanes previstas no art. 58 sero graduadas de acordo com a gravidade da infrao e aplicadas isolada ou cumulativamente pela autoridade administrativa competente.

    CAPTULO VIII

    DAS DISPOSIES FINAIS

    Art. 60. Sero destinados ao FNC pelo menos quarenta por cento das dotaes do Ministrio da Cultura, quando da elaborao da proposta oramentria.

    Art. 61. So impenhorveis os recursos recebidos por instituies privadas para aplicao nos projetos culturais de que trata esta Lei.

    Pargrafo nico. A impenhorabilidade prevista no caput no oponvel aos crditos da Unio.

    Art. 62. A aprovao dos projetos culturais de que trata esta Lei fica condicionada comprovao, pelo proponente, da regularidade quanto quitao de tributos federais e demais crditos inscritos em dvida ativa da Unio.

    Art. 63. A Unio poder exigir, como condio para aprovao de projetos financiados com o mnimo de sessenta por cento de recursos incentivados, que lhe sejam licenciados, em carter no-exclusivo e de forma no-onerosa, determinados direitos sobre as obras intelectuais resultantes da implementao de tais projetos, conforme dispuser o regulamento.

    1o A licena prevista neste artigo no caracteriza transferncia de titularidade dos direitos e ter eficcia aps prazo no inferior a trs anos do encerramento do projeto, conforme disposto no regulamento, exclusivamente para fins no-comerciais, e estritamente educacionais, culturais e informativos.

    2o Reputa-se onerosa a exibio e execuo pblicas das obras e a utilizao de contedo pelas redes de televiso pblicas que possuam anunciantes comerciais.

  • Art. 64. As atividades previstas no 2o do art. 9o da Lei no 11.483, de 31 de maio de 2007, sero financiadas, entre outras formas, por meio de recursos captados e canalizados pelo Procultura.

    Art. 65. Fica mantida a Ordem do Mrito Cultural, instituda pelo art. 34 da Lei no 8.313, de 1991, sendo que as distines sero concedidas pelo Presidente da Repblica, em ato solene, a personalidades, grupos artsticos, iniciativas e instituies que se destacaram por suas contribuies cultura brasileira.

    Art. 66. Fica institudo o Programa Prmio Teatro Brasileiro, a ser definido em regulamento, para fomentar:

    I - ncleos artsticos teatrais com trabalho continuado;

    II - produo de espetculos teatrais; e

    III - circulao de espetculos ou atividades teatrais.

    Art. 67. O Ministrio da Cultura disciplinar a comunicao e uso de marcas do Procultura.

    Pargrafo nico. Nas aes de co-patrocnio incentivado haver relao direta entre a participao com recursos no-incentivados do agente privado e sua visibilidade na ao co-patrocinada.

    Art. 68. Os recursos recebidos para execuo de projeto cultural aprovado pelo Ministrio da Cultura no sero computados na base de clculo do imposto sobre a renda, da Contribuio Social sobre o Lucro Lquido - CSLL, e das contribuies para o Programa de Integrao Social - PIS e a Contribuio para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, desde que tenham sido efetivamente utilizados na execuo dos referidos projetos.

    Pargrafo nico. A aplicao de recursos de que trata o caput no constituir despesa ou custo para fins de apurao do imposto sobre a renda e da CSLL e no dar direito a crdito de PIS e de COFINS.

    Art. 69. O Fundo Setorial do Audiovisual, categoria especfica do FNC, rege-se pela Lei no 11.437, de 2006, e, subsidiariamente, por esta Lei.

    Art. 70. O Fundo Setorial de Incentivo Inovao do Audiovisual, categoria especfica do FNC, rege-se nos termos desta Lei.

    Art. 71. A soma das dedues de que tratam o inciso II do 1o do art. 24, os arts. 26 e 48, e das dedues de que tratam os arts. 1o e 1o-A da Lei no 8.685, de 20 de julho de 1993, e os arts. 44 e 45 da Medida Provisria no 2.228-1, de 2001, no poder exceder a quatro por cento do imposto sobre a renda devido, obedecidos os limites especficos de deduo de que tratam esta Lei e o disposto no 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 1995.

    Art. 72. O valor total mximo, em termos absolutos, das dedues de que trata esta Lei ser fixado anualmente na Lei de Diretrizes Oramentrias, com base nos percentuais de deduo do imposto sobre a renda devido pelas pessoas fsicas e jurdicas, de que tratam os arts. 24, 26 e 48, inclusive com as estimativas de renncia decorrentes da aplicao do benefcio previsto no art. 24, 5o.

    Pargrafo nico. Enquanto a Lei de Diretrizes Oramentrias no contiver previso especfica, ao Procultura sero aplicveis as previses de gastos tributrios do Programa Nacional de Apoio Cultura - Pronac.

    Art. 73. O art. 12 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redao:

    Art. 12.

    II - as doaes e co-patrocnios efetivamente realizados em favor de projetos culturais, aprovados pelo Ministrio da Cultura e quantias aplicadas na aquisio de quotas de Fundos de Investimento Cultural e Artstico - Ficarts, no mbito do Programa Nacional de Fomento e Incentivo Cultura - Procultura;

  • Art. 74. O Poder Executivo, no prazo de cento e vinte dias, a contar da data de sua publicao, regulamentar esta Lei.

    Art. 75. Esta Lei entra em vigor cento e oitenta dias contados de sua publicao.

    Art. 76. Revogam-se:

    I - a Lei no 8.313, de 23 de dezembro de 1991;

    II - o art. 6o da Lei no 8.849, de 28 de janeiro de 1994;

    III - o art. 2o da Lei no 9.064, de 20 de junho de 1995, na parte em que altera o art. 6o da Lei no 8.849, de 28 de janeiro de 1994;

    IV - o art. 14 da Lei no 9.065, de 20 de junho de 1995;

    V - a Lei no 9.312, de 5 de novembro de 1996;

    VI - o inciso II do art. 6o da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997;

    VII - o art. 1o da Lei no 9.874, de 23 de novembro de 1999;

    VIII - a Lei no 9.999, de 30 de agosto de 2000;

    IX - a Lei no 11.646, de 10 de maro de 2008;

    X - o art. 10 da Medida Provisria no 2.189-49, de 23 de agosto de 2001, na parte em que altera o inciso II do art. 6o da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; e

    XI - os arts. 52 e 53 da Medida Provisria no 2.228-1, de 6 de setembro de 2001.