LEBRUN, Gérard - Sobre Kant

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<p>Grard Lebrun</p> <p>BIBLIOTECA PLENPara quem no quer confundir rigor com rigidez, frtil considerar que a filosofia no somente uma exclusividade desse competente e titulado tcnico chamado filsofo. Nem sempre ela se apresentou em pblico revestida de trajes acadmicos, cultivada em viveiros protetores contra o perigo da reflexo: a prpria crtica da razo, de Kant, com todo o seu aparato tecnolgico, visava, declaradamente, libertar os objetos da metafsica do "monoplio das Escolas".</p> <p>SOBREKANT</p> <p>Organizao Rubens Rodrigues Torres Filho Traduo</p> <p>o filosofar, desde a Antiguidade, tem acontecido na forma de fragmentos, poemas, dilogos, cartas, ensaios, confisses, meditaes, pardias, peripatticos passeios, acompanhados de infindvel comentrio, sempre recomeado, e at os modelos mais clssicos de sistema (Espinosa com sua tica, Hegel com sua lgica, Fichte com sua doutrina-da-cincia) so atingidos nesse prprio estatuto sistemtico pelo paradoxo constitutivo que os faz viver. Essa vitalidade da filosofia, em suas mltiplas formas, denominador comum dos livros desta coleo, que no se pretende disciplinarmente filosfica, mas, justamente, portadora desses gros de antidogmatismo que impedem o pensamento de enclausurar-se: um convite liberdade e alegria da reflexo.Rubens Rodrigues Torres Filho</p> <p>Jos Oscar de Almeida MarquesMaria Regina Avelar Coelho da Rocha Rubens Rodrigues Torres Filho</p> <p>ILUMJtt'uRAS</p> <p>Biblioteca Plen Dirigida por Rubens Rodrigucs Torres Filho e Mrcio Suzuki Ttulos originais Humc ct.l'ast.uce de Kant, De I'crreur I'alinat.ion, Le rle de I'cspace dans Ia format.ion de Ia pcnse de Kant., L'appro/ndisSClllcnt. dc Ia Dissertation de 1770 dans Ia Critique de Ia Raison Pure, L' aportiquc de Ia chosc Cll soil, La troisiellle Critique ou Ia thologie retrouvc, La raison pratiquc dans Ia Critique du .fugemem Copyright~) /993 Grard Lcbrun Copyright desta edio Edit.ora Iluminuras LIda. Projeto grfico da coleo e capa F sobre Vnus bleue (1957), pigmcnt.o puro e rcsina sint.tica sobre polist.er [54,2 x 25,5 em], Yves Klein (coleo particular). !'reparao de texto e reviso Celia Cavalheiro Reviso Alexandre J. Silva (Est.e livro segue as novas regras do Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa.)CIP-BRAStL. CATALOGAO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ L498s Lebrun, Grard, 1930-1999 Sobre Kant / Grard Lebrun ; organizao Rubens Rodrigues Torres Filho; traduo Jos Oscar Almeida Marques, Maria Regina Avelar Coelho da Rocha, Rubens Rodrigues Torres Filho. (3.reimpr.]. - So Paulo: Iluminuras, 2010. - (Biblioteca Plen) ISBN 85-85219-52-1 I. Kant, Immanuel, 11.Ttulo. m. Srie. 08-3994. 1724-1804. I. Torres Filho, Rubcus Rodrigues, 1942-</p> <p>SUMRIO</p> <p>Hume e a astcia de Kant, 7 Do erro alienao, 13</p> <p>o papel</p> <p>do espao na elaborao do pensamento kantiano, 23 da Dissertao de /770</p> <p>o aprofundamento</p> <p>na Crtica da Razo Pura, 37</p> <p>A aportica da coisa em si, 53 A terceira crtica ou a teologia reencontrada, 73 A Razo Prtica na Crtica doJUlZO,</p> <p>99</p> <p>CDD: 193 CDU: 1(43) 16.09.08 008736</p> <p>12.09.08</p> <p>,\</p> <p>2010 EDITORA ILUMINURAS LTDA. Rua Incio Pereira da Rocha, 389 - 05432-01 I - So Paulo - SP - Brasil Te!' / Fax: 55113031-6161 iluminuras@i1uminuras.com.br www.iluminuras.com.br</p> <p>HUME E A ASTCIA DE KANT1</p> <p>Era uma vez, em Kbnigsberg, um professor de metafsica que falava a seus alunos da Alma, do Mundo e de Deus. Leu um dia um ctico escocs, David Hume, "o mais engenhoso de todos os cticos" - e essa leitura o levou como hoje se diz, a colocar-se em questo, a questionar-se e interrogar-se a si prprio. Perguntouse se era mesmo uma cincia o que ensinava. Perguntou-se se alguma nfima proposio geral que proferia em suas aulas era verdadeiramente necessria, se enunciava algo cuja falsidade fosse impossvel. "Toda mudana necessita de uma causa", por exemplo. realmente necessria esta proposio? Sim responder-se- - eu no sei, desde sempre, que uma bola de hilhar que se acha em movimento deve ter recebido um impulso? () problema - replicava Hume - que no essa a questo: o que lhe pergunto se a simples noo de "movimento da bola" envolve j a de "impulso" e se, por mero raciocnio, antes de qualquer experincia, voc poderia descobrir esta contida naquela. E considere da mesma maneira qualquer conexo: "solidez" e "peso", "calor" e "chama"... Incansavelmente, Hume nos pergunta: - Diga-me a razo precisa porque voc pensa como inseparveis de direito esses contedos distintos e desligados. Essa conexo de direito - acrescenta - eu o desafio </p>