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Laurissilva, Terceira, Aores. Foto: Paulo Borges.

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As 100 espcies seleccionadas como prioritrias para a gesto na Macaronsia euro-peia (i.e., Aores, Madeira, Selvagens e Canrias) so maioritariamente das Canrias (51 taxa), em segundo lugar do arquiplago da Madeira (26 taxa) e em terceiro lugar do ar-quiplago dos Aores (23 taxa). Esta distribuio apenas mais ou menos concordante com a riqueza relativa das trs regies, j que esto registadas apenas 420 espcies endmicas para os Aores (Borges et al., 2005, 2008a), 1284 espcies endmicas para os arquiplagos da Madeira e Selvagens (Borges et al., 2008b) e 3572 espcies endmicas para as ilhas Canrias (Martn et al., 2005).

A lista Top 100 inclui taxa da flora e da fauna dos trs arquiplagos macaronsicos aci-ma referidos. O grupo dominante, ao nvel do filo ou da diviso, o das fanerogmicas ou plantas com flor, no qual se incluem 66 taxa, seguido dos artrpodes, representados por 17 taxa. A distribuio por arquiplagos desigual, e embora este padro global se repita entre as espcies da Madeira e das Canrias, no caso dos Aores isso no sucede: o grupo mais numeroso de longe o dos artrpodes, que compreende 12 dos 23 taxaseleccionados (Quadro I).

A perspectiva macaronsica

Jos Luis Martn1, Manuel Arechavaleta1, Paulo A. V. Borges2 & Bernardo Faria3

1Servicio de Biodiversidad, Consejera de Medio Ambiente y Ordenacin Territorial, Gobierno de Canarias. Centro de Planificacin Ambiental, La Laguna, Santa Cruz de Tenerife, Espaa. e-mail: jmaresq@gobiernodecanarias.org; mareher@gobiernodecanarias.org.

2Universidade dos Aores, Dep. de Cincias Agrrias CITA-A (Azorean Biodiversity Group), Terra-Ch, 9700-851 Angra do Herosmo, Terceira, Aores, Portugal. e-mail: pborges@uac.pt

3Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais - Direco Regional do Ambiente Rua Dr. Pestana Jnior n 6 3 Dto 9064-506, Funchal, Madeira, Portugal. e-mail: bernardofaria.sra@gov-madeira.pt

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Quadro I. Distribuio por grupos e arquiplagos das 100 espcies ameaadas prioritria de gesto.

Aores Madeira Canrias Total

Fanerogmicas (Div. Spermatophyta)

7 17 42 66

Conferas (Div. Pinophyta)

1 1 - 2

Fetos (Div. Pteridophyta)

1 2 - 3

Brifitos (Div. Bryophyta)

1 - - 1

Vertebrados (Filo Chordata)

1 2 5 8

Artrpodes (Filo Arthropoda)

12 2 3 17

Moluscos (Filo Mollusca)

- 2 1 3

Todas as espcies includas na lista Top 100 vivem no meio terrestre, excepo de duas que habitam o meio marinho, a saber: a foca monge, Monachus monachus, que vive nas guas costeiras das ilhas Desertas (Madeira), e o crustceo cirrpede, Mega-balanus azoricus, que ocupa as zonas de mar e a zona infralitoral de todas as ilhas do arquiplago dos Aores.

excepo da mencionada foca monge, que tem uma distribuio atlntico-mediter-rnica, o resto das espcies so exclusivas de algum dos trs arquiplagos. Por sua vez, das 99 espcies endmicas, 86 so endemismos insulares com distribuio restrita a uma nica ilha (15 dos Aores, 22 da Madeira e 49 das Canrias). Por outro lado, 15 des-tes taxa fazem parte de gneros que so exclusivos de algum dos arquiplagos, sendo que 5 destes so monotpicos, o que lhes confere uma maior singularidade gentica.

ANLISE DOS CRITRIOS PARA A SELECO DE ESPCIES DE GESTO PRIORITRIA

Tanto ao conjunto dos critrios utilizados para dar prioridade proteco como ao conjunto dos critrios seguidos para avaliar as possibilidades de gesto foi atribudo um valor mximo de 100, de modo a que ambos tivessem uma importncia equivalen-te. No obstante, a nvel individual, nem os critrios que compem cada uma destas

391ptCap. II A perspectiva macaronsica

sries nem os subcritrios que compem cada critrio tiveram um peso similar dentro

do seu prprio conjunto, j que isso dependeu da avaliao relativa dos mesmos reali-

zada pelos gestores especialistas participantes no projecto (ver Quadro II).

Quadro II. Pesos relativos dos critrios e subcritrios estabelecidos para dar prioridade proteco e s possibilidades de gesto.

CRITRIO/SUBCRITRIO PESO

PRIORIDADES DE PROTECO 100%

Valor ecolgico

Papel ecolgico 22,93%

Singularidade

Raridade em termos de distribuio 16,01%

Raridade em termos de abundncia 12,60%

Singularidade gentica 11,28%

Responsabilidade de tutela

Ocorrncia 12,90%

Declnio 15,46%

Valor social

Valor social 8,80%

PRIORIDADES DE GESTO 100%

Ameaa

Conhecimento da ameaa 19,83%

Capacidade de controlo da ameaa 22,16%

Sinergias extrnsecas

Financiamento e custos 16,85%

Apoio da comunidade 11,50%

Proteco territorial 12,33%

Biologia

Tempo de duplicao 17,42%

No momento de pontuar cada taxon, em alguns destes os valores somados obtidos com

base nos critrios e subcritrios para dar prioridade proteco foram superiores aos

valores somados com base no conjunto de critrios e subcritrios para dar prioridade s

possibilidade de gesto, mas para a maior parte dos taxa as pontuaes foram superio-

res para os critrios de gesto (Fig. 1). No entanto, o valor de ambos os conjuntos esteve

mais equilibrado quando se considera apenas o grupo das espcies da lista Top 100.

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Figura 1. Representao dos resultados (ponderados a 100) das pontuaes de cada taxon a partir dos vrios critrios e subcritrios para dar prioridade proteco e do conjunto de critrios e subcritrios para dar priorida-de s possibilidades de gesto. Apresentam-se todos os taxa focais avaliados e em colorao mais escura os taxa

seleccionados para a lista Top 100.

393ptCap. II A perspectiva macaronsica

Critrios e subcritrios para dar prioridade protecoValor ecolgico

O peso deste critrio mede-se pela importncia do nico subcritrio que o compe, 1.1 Papel ecolgico, que foi de 22,93% na distribuio de pesos entre os sete subcri-trios utilizados para estabelecer prioridades de proteco.

A maior parte das espcies seleccionadas partilham o seu papel no ecossistema com mais de duas espcies do seu grupo taxonmico (62%), embora sejam mais as que partilham com trs a cinco espcies (41%) do que aquelas com mais de cinco espcies (25%). As restantes espcies podem ser nicas e constituir taxa chave ou estruturantes (19%) ou partilhar o seu papel ecolgico com uma ou duas espcies do seu grupo ta-xonmico (19%) (Quadro III).

Quadro III. Papel ecolgico: contribuio do taxon nas interaces ecolgicas.

4. Taxon chave

ou estruturante

(superpredador, agente

dispersor ou polinizador

importante, hospedeiro de

espcies endmicas, etc.).

3. Taxon com um papel

significativo no ecossistema,

podendo partilhar esse

papel com uma ou duas

espcies do seu grupo

taxonmico.

2. O papel ecolgico no

ecossistema partilhado

por outras 3, 4 ou 5 espcies

do seu grupo taxonmico.

1. O papel ecolgico no

ecossistema partilhado

por mais de 5 espcies do

seu grupo taxonmico.

Aores 15 78,9% 6 31,6% 2 4,9% 0 -

Madeira 3 15,8% 7 36,8% 14 34,2% 2 9,5%

Canrias 1 5,3% 6 31,6% 25 60,9% 19 90,5%

Total 19 100% 19 100% 41 100% 21 100%

A maioria das espcies que partilham o seu papel ecolgico com trs ou mais espcies so taxa das Canrias, mas quando se trata de espcies com duas ou menos espcies partilhando um papel ecolgico semelhante, dominam os taxa dos Aores e da Madeira. A maior parte dos taxa chave ou estruturantes que desempenham esse papel de forma exclusiva so dos Aores (15), sendo poucos os da Madeira (3) ou das Canrias (1) (Qua-dro III). Tal facto est relacionado com as espcies caverncolas troglbias dos Aores, que possuem um papel ecolgico nico e no compartilhado. No obstante, as espcies da Madeira so mais (7) quando se trata de taxa que partilham o seu papel ecolgico com uma ou duas espcies do seu prprio grupo, mas com uma diferena muito peque-na em relao aos Aores (6) ou s Canrias (6). Neste caso trata-se principalmente de plantas, sobretudo na Madeira, e umas poucas espcies de vertebrados, sobretudo nas Canrias. Entre estas ltimas esto includas algumas das espcies mais ameaadas do dito grupo, como o caso dos rpteis Gallotia bravoana ou G. simonyi e das aves Pyrrhula murina, Neophron percnopterus majorensis ou Fringilla teydea polatzeki.

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De facto, vrias das espcies dos Aores que so chave ou estruturantes exclusivas nos seus ecossistemas so artrpodes caverncolas, como a Macharorchiestia martini, o Tre-chus oromii ou o Cixius cavazoricus, ocorrendo o mesmo com o nico representante das Canrias, Maiorerus randoi. Destaca-se tambm o escaravelho dos Aores Gietella faia-lensis, prprio dos habitats costeiros aerolianos de correntes de lava vulcnica solidifi-cada e ainda no colonizadas por vegetao. H tambm meia dzia de plantas repar-tidas por todos os arquiplagos, um brifito dos Aores (Cheilolejeunea cedercreutzii) e dois vertebrados da Madeira: a foca monge (Monachus monachus) e o pombo-trocaz (Columba trocaz).

Singularidade

O peso deste critrio foi de 39,89% do total dos critrios utilizados para estabelecer prioridades de proteco, e resulta da soma dos pesos de cada um dos trs subcritrios que o compem, ou seja, 16,01% do subcritrio 2.1. Raridade em termos de distri-buio, 12,6% do subcritrio 2.2. Raridade em termos de abundncia e 11,28% do subcritrio 2.3, Singularidade gentica.

Raridade em termos de distribuio

A distribuio das espcies neste critrio reflecte fielmente uma das caractersticas dos biota dos arquiplagos: a sua distribuio restrita. De fa

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