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  • LABORATRIOS REMOTOS

    NA REA DE REFRIGERAO

    Jesu Graciliano da Silva

    Instituto Superior de Engenharia do Porto

    2018

  • Este relatrio apresenta os resultados do intercmbio

    realizado no perodo de 22 de julho a 20 de agosto de 2018

    Orientao Tcnica: Gustavo Alves, gca@isep.ipp.pt

    Instituto Superior de Engenharia do Porto

    20 de agosto de 2018

  • 3

    A experincia pode ser comparada a uma conversa com a

    natureza. O experimentador pergunta e a natureza responde.

    O mais complicado formular uma pergunta til e, acima de

    tudo, interpretar a resposta. A nica maneira de aprender a

    linguagem da natureza realizar muitos experimentos em

    laboratrios que podem ser prticos ou remotos

    Ingvar Gustavsson (1943 2017)

  • 4

    AGRADECIMENTOS

    Ao IFSC Cmpus So Jos pela liberao da licena capacitao e

    em especial aos colegas da rea Tcnica de Refrigerao e de Cultura

    Geral por viabilizarem minha substituio durante esse perodo.

    Ao Instituto Superior de Engenharia do Porto por proporcionar a

    estrutura de trabalho necessria para a execuo dessa atividade e em

    especial ao prof. Dr. Gustavo Ribeiro Alves do LABORIS / CIETI pela

    orientao e superviso das atividades.

    Aos amigos Arnaldo Joo da Cruz, Helena Pinto da Fonseca e

    Alexandre Gonalves pela convivncia agradvel durante a estadia na

    cidade do Porto.

    minha esposa Sulayre pelo suporte familiar necessrio para tal

    empreendimento.

    A todos os amigos de alguma forma contriburam para a viabilizao

    dessa capacitao: Juarez Bento, Lus Schlichting, Ederson Torresini,

    Joaquim Manoel, Andr Coelho, Carlos Boabaid, Letcia Coelho, Clayrton,

    Ktia Cordeiro, Sabrina Covalski, Vitor Borba, Judite Manes, Anastcio

    Silva Jnior e Marco Antnio Garcia.

  • 5

    SUMRIO:

    1- Introduo........................................................................................7

    2- Conceitos Tericos...........................................................................9

    3- Laboratrios Remotos em Refrigerao...........................................21

    3.1 Aplicao do VISIR no Curso de Refrigerao ...................31

    4- Consideraes Finais.......................................................................41

    5- Apndices........................................................................................43

    6- Referncias......................................................................................61

  • 6

  • 7

    1- Introduo

    O estgio realizado no Instituto Superior de Engenharia do Porto

    (ISEP) entre os dias 22 de julho e 20 de agosto de 2018 teve por objetivo a

    ampliao dos conhecimentos necessrios para a implementao de

    Laboratrios Remotos na rea de refrigerao e climatizao.

    O Instituto Superior de Engenharia do Porto foi criado em 1852,

    inicialmente como Escola Industrial do Porto. Tendo tradio de mais de

    um sculo e meio na educao tecnolgica, seu lema Saber Fazer. No

    final da dcada de 1980 foi integrado ao Instituto Politcnico do Porto,

    composto atualmente por trs campus.

    O ISEP dividido em nove departamentos e conta com,

    aproximadamente, 500 docentes e mais de 6 mil estudantes matriculados

    em seus 12 cursos de graduao (1. ciclos - licenciaturas) e 11 cursos de

    ps-graduao (2. ciclo - mestrado), todos enquadrados no Processo de

    Bolonha.

    No presente relatrio so descritas as atividades desenvolvidas no

    LABORIS - Laboratrio de Investigao em Sistemas de Testes.

    Inicialmente ser apresentada uma breve reviso bibliogrfica sobre Novas

    Tecnologias Aplicadas Educao, tendo como prioridade os Laboratrios

    Remotos. Tambm sero relatados os resultados das visitas tcnicas

    (Universidade de Lisboa e CESI - La Rochelle) e algumas consideraes

    sobre a implantao dos laboratrios remotos no Curso Tcnico de

    Refrigerao.

  • 8

  • 9

    2- Conceitos Tericos

    Os Laboratrios Remotos, em conjunto com os simuladores,

    laboratrios de realidade virtual, laboratrios tradicionais e outras

    tecnologias, integram uma ampla gama de ferramentas pedaggicas

    existentes. A maioria delas s se tornou vivel recentemente em

    decorrncia da ampliao da velocidade de internet.

    H autores que afirmam que o impacto da internet pode ser

    comparado ao papel desempenhado pela imprensa. Ao alemo Johann

    Gensfleish Gutenberg (1397-1468), atribuda historicamente a inveno

    da imprensa. A imprensa foi utilizada por Martinho Lutero com o objetivo

    de disseminar a leitura da Bblia. Lutero traduziu a Bblia para o idioma

    alemo e professou que todas as crianas deviam ser ensinadas a ler as

    escrituras sagradas, independentemente de sua classe social. Mesmo que

    esse no fosse seu objetivo original, a tecnologia desenvolvida por

    Gutenberg contribuiu para que a educao bsica fosse universalizada na

    Alemanha.

    Na atualidade, quando se pensa no impacto das novas tecnologias na

    educao se observa que a internet tornou acessvel um extraordinrio

    volume de informaes. A necessria transformao de informao em

    conhecimento vai de encontro com a ideia de que a internet substituiria os

    professores e as instituies de ensino. Os professores so essenciais como

    mediadores.

    As tecnologias de comunicao no substituem o professor, mas

    modificam algumas das suas funes. A tarefa de passar informaes

    pode ser deixada aos bancos de dados, livros, vdeos, programas em

    CD. O professor se transforma agora no estimulador da curiosidade do

    aluno por querer conhecer, por pesquisar, por buscar a informao

    mais relevante. Num segundo momento, coordena o processo de

    apresentao dos resultados pelos alunos. Depois, questiona alguns

  • 10

    dos dados apresentados, contextualiza os resultados, os adapta

    realidade dos alunos. Transforma informao em conhecimento e

    conhecimento em saber, em vida, em sabedoria o conhecimento com

    tica. (MORAN, 2011)

    As universidades, que detm o monoplio da concesso de ttulos

    acadmicos, h dcadas vm se reinventando e se adaptando s novas

    tecnologias, muito antes da criao da internet.

    A Open University do Reino Unido (UK), por exemplo, foi criada

    em 1969, com a misso de ser aberta a pessoas, lugares, mtodos e

    ideias.

    O objetivo da UKOU era abrir a educao para pessoas excludas por

    no terem as qualificaes para ingressar no Ensino Superior, ou

    porque seu estilo de vida e compromissos no favoreciam o

    comprometimento com a educao em tempo integral. A abordagem

    da universidade visava eliminar essas barreiras por meio da oferta de

    uma educao em tempo parcial, a distncia, com apoio e acesso

    aberto. (WELLER, 2018)

    O exemplo da Open University inspirou centenas de instituies em

    todo mundo. Mais recentemente, dois cientistas de Stanford (Sebastian

    Thrum e Peter Norvig) ofereceram uma disciplina de Introduo

    Inteligncia Artificial sem custos pela internet e tiveram 160 mil inscritos

    de 190 diferentes pases. Essa iniciativa deu origem s plataformas de

    cursos conhecidos como MOOCs - Massive Open Online

    Courses: Coursera, Udacity, Veduca, eDX entre outras.

    As novas tecnologias da informao e da comunicao deram novo

    impulso para a educao a distncia. No entanto, sua aplicao no ensino

    presencial parece no estar avanando no mesmo ritmo. Enquanto h pases

    que alcanaram um computador por aluno, o Brasil tem, em mdia, sete

    computadores por escola. O desafio imenso quando confrontado com o

    total de 50 milhes de matrculas na educao bsica (INEP, 2015).

    https://abmes.org.br/noticias/detalhe/2127https://abmes.org.br/noticias/detalhe/2127https://pt.coursera.org/https://br.udacity.com/https://veduca.org/courseshttps://www.edx.org/http://portal.inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-da-educacao-basica

  • 11

    Tabela 1- Distribuio de laboratrios no Brasil Fonte: INEP (2015).

    Infraestrutura Brasil Santa Catarina

    Internet 59% 85%

    Laboratrio de Informtica 45% 51%

    Laboratrio de Cincias 9% 10%

    Computadores por escola 7,3% 9,3%

    Por meio da Portaria n 4.059/2004 (BRASIL, 2004) tornou-se

    possvel o uso de EAD em disciplinas ou contedos que correspondam a

    20% da carga horria dos cursos de graduao, devidamente reconhecidos,

    no ensino superior federal e privado. Trata-se de um importante incentivo

    legal para disseminao das novas tecnologias da EAD no ensino

    presencial e uma oportunidade para o uso dos Ambientes Virtuais de

    Aprendizagem (AVAs), dos Laboratrios Remotos e Virtuais.

    Segundo Gonalves et al. (2018), as simulaes por computador tm

    como principal vantagem sobre os laboratrios prticos a possibilidade de

    os estudantes exercitarem com eles a qualquer momento sem risco de

    danificar os equipamentos.

    Os alunos podem usar simulaes para evoluir no seu prprio ritmo.

    Por outro lado, durante as simulaes os alunos tm que entender que

    esto lidando com modelos e no com a realidade. No entanto, h

    estudos que indicam que uma simulao por computador contribui

    mais para o desenvolvimento do raciocnio abstrato do que os

    laboratrios tradicionais. (GONALVES, et al., 2018)

    Na Figura 1 tem-se a ilustrao de um simulador de circuitos

    eltricos e eletrnicos utilizado em cursos de Engenharia.