La taylle, yves de o erro na perspectiva piagetiana

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<ul><li> 1. Yves de La Taille : O erro na perspectiva piagetiana (Resumo elaborado por Joslia Gomes Neves) Fonte: www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigos.asp? Para LA TAILLE (1997), a teoria piagetiana da inteligncia humana reorganizou o enfoque sobre o erro, considerando vrios aspectos, de pecado capital da aprendizagem, o erro ganhou certa nobreza, foram demonstradas sua funo e utilidade (p.25). O erro, portanto, passa a ter um novo status dentro do enfoque pedaggico e nos leva a pensar que ao invs de fechar portas pode contribuir para abri-las. O autor discute o tema erro construtivo relacionando-o aos conceitos de Piaget, atravs da organizao das categorias: o conhecimento como interpretao, o conhecimento como construo, o conhecimento e a socializao, conhecimento e a motivao. Levando em conta esta sistematizao, apresentaremos as suas consideraes a respeito do assunto. Ao desenvolver a questo do conhecimento como interpretao, o autor destaca o conceito assimilao expresso retirada da biologia por Piaget que significa converter em substncia prpria, ou seja, toda e qualquer forma de interao entre o organismo e seu meio, um processo em que o esquema se desenvolve. Como o ato de conhecer sempre um ato de interpretar, da a relao com a assimilao, forma de incorporar elementos do meio as estruturas do pensamento, um modo de atribuir sentido, resultando em um trabalho efetivo realizado pelo sujeito. Ao responder as questes do cotidiano, num esforo de compreender o mundo, pode achar, por exemplo, que o pensamento a boca que pensa, as idias esto no crebro e pode-se conferir, abrindo a cabea de algum. Essa reao interpretada por Piaget como realismo representao egocntrica que a criana produz em seu ambiente conforme ela pensa que este ambiente , sem levar outras explicaes em conta. Outra questo considerar que tudo que se move tem vida (animismo), da sustentar a idia de que possvel ser seguido pela lua, ou seja, o movimento dos astros se d em funo de sua intencionalidade. Ao produzir este tipo de encaminhamento ou respostas, o aprendiz na viso de Piaget utiliza recursos baseados no que ele denominou animismo concepes infantis que correspondem a um determinado estgio de desenvolvimento. Tanto o realismo como o animismo, manifestam o egocentrismo infantil, isso porque ainda muito frgil barreira da fronteira entre a criana e o ambiente. Nesse processo de conhecimento, o sujeito elabora representaes - um recurso que demonstra que a inteligncia no apenas reproduz, mas, sobretudo confere um sentido, segundo os elementos que dispe no momento. Ao produzir estas representaes, corre o risco de errar. H o reconhecimento da importncia do erro no processo da aprendizagem, entretanto, Yves La Taille denuncia que algumas interpretaes a respeito do construtivismo vm de certa forma sacralizando o erro, colocando-o na categoria de intocvel afastando ento a idia da correo. Entende que o erro deve merecer uma ateno pedaggica e no simplesmente reduzir-se a uma condenao sumria, ou tornar relativo seu valor como produo dos alunos (25). Nesta perspectiva h uma definio muito clara sobre erro, conforme segue: Chamaremos de erro tanto as idias infantis que contradizem os conhecimentos solidamente estabelecidos pela humanidade (por exemplo, a terra gira em torno do sol ou que os astros se movem em razo de leis fsicas e no em decorrncia de alguma forma de intencionalidade) quanto quelas que as prprias crianas, quando mais velhas, abandonaro definitivamente (por exemplo, que a lua as segue ou que os sonhos tm materialidade). (LA TAILLE, 1997, p. 25). O estudioso em pauta classifica os erros infantis em duas formas: a negativa e a positiva. A negativa refere-se diferena entre o conhecimento considerado correto e o conhecimento incorreto. Utilizando a ilustrao anterior, quando a criana acha que as coisas se movem porque tm uma conscincia, ou seja, se move de forma deliberada e intencional, manifesta um conhecimento errado a respeito do funcionamento do universo. Ressalta que a presena dos erros deve ser entendida como um diagnstico a respeito do nvel de desenvolvimento da inteligncia do sujeito. </li></ul><p> 2. 2 J a forma positiva de se produzir tais erros, constitui-se numa demonstrao que do da atividade da inteligncia infantil - as concepes animistas e realistas, por exemplo, so as provas de que a criana constri explicaes sobre o funcionamento do mundo, ou seja, pensa o mundo. Pode-se afirmar que prefervel a presena destas teorias mesmo que erradas que a ausncia delas. A esse respeito, constatamos com Emlia Ferreiro que demonstrou atravs da Psicognese da Lngua Escrita, que muito mais significativo para um (a) aluno (a), num certo momento de sua aprendizagem acredite que as slabas representam uma letra apenas, do que no possuir nenhuma hiptese sobre a escrita. Afirma ainda que a condenao pura e simples do erro pode demonstrar um desconhecimento sobre o carter interpretativo da inteligncia infantil, j que o erro no pode ser avaliado apenas dentro da alternativa do certo, alm de que pode significar um desrespeito inteligncia do aprendiz, a demonstrao explcita de descaso para com estes esforos e estas produes. O importante compreender que os erros dos (as) alunos (as) podem fornecer pistas importantes sobre suas reais capacidades de assimilao. O trabalho docente pode ser em parte comprometido: (...) quando assim se desprezam os erros presentes nas concepes infantis, no somente o adulto rebaixa a auto-estima das crianas, levando as a abandonar seus esforos espontneos de reflexo, como ele se priva de importante base para as suas preenses educativas (LA TAILLE, 1997, p. 26). Entretanto o autor adverte para a tarefa de sabermos distinguir a qualidade de um erro, o que requer conhecimentos a respeito da Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo, isto como a inteligncia se estrutura, para que este diagnstico possa ser acompanhado de intervenes adequadas, que ajude efetivamente o (a) aluno (a) a avanar. Ora, conforme LA TAILLE h erros e erros, como por exemplo, aqueles que provm do esquecimento, de dificuldades de manuseio da linguagem, ou mesmo ignorncia sobre determinado assunto. Alm do que nem sempre os erros dos (as) alunos (as) tm a ver com uma atividade intelectual espontnea, da a importncia de um suporte terico que contribua nesta avaliao cuidadosa acerca da qualidade do erro. Temos claro que o (a) aprendiz, em sua trajetria do conhecimento, comete erros, mas que no interpretam, eles (as) mesmos, como erro. Ento indagamos: como eles (as) superam esses erros? O erro somente ter validade como fonte de enriquecimento e possibilidade de avano, se for observvel pelo aluno, o que no significa apenas mostrar ao aluno (a) que ele (a) errou, pelo contrrio preciso que tenha acesso qualidade do seu erro, os elementos necessrios para avaliar esta qualidade. O que mais aflige um professor ou professora que j compreendeu o erro construtivo, a questo: como ajudar os alunos a superar o erro? Sobre essa questo, LA TAILLE, desenvolve a categoria - o conhecimento como construo, onde apresenta o conceito piagetiano de acomodao a atividade cognitiva que envolve a modificao de estruturas mentais para ajustarem-se ao mundo, ou seja, uma forma de forar o sujeito a mudar seus esquemas para acomodar os novos estmulos, que acontecem em funo de suas particularidades, mas sem perder de vista sua continuidade, os poderes anteriores da assimilao. O conceito de acomodao situa-se na perspectiva construtivista, esta entendida como: um conjunto de teorias que afirmam que a evoluo da inteligncia fruto da interao do sujeito com seu meio, interao na qual, por meio de um trabalho ativo de ao e reflexo, ele cria ferramentas mais complexas para conhecer o universo (p. 27). Por fim, o conceito de equilibrao que enseja o carter dinmico da relao entre assimilao e acomodao, o processo que assegura a evoluo da inteligncia e da construo de conhecimentos. De acordo com o autor, a viso construtivista, nega que a inteligncia seja uma pgina em branco defesa da teoria empirista e nega a idia que sustenta que o conhecimento segue um programa gentico, onde novas estruturas podem aflorar ao longo do tempo, ou seja, a teoria inatista. Para Yves de La Taille, a evoluo da inteligncia e do conhecimento tem como principal referncia regulao oriunda de uma situao perturbadora, o erro. 3. 3 Da inferir a sua importncia na aprendizagem, onde o erro pode se constituir num importante motivo para a modificao dos esquemas. Para isso acontecer, necessrio torn-lo num observvel para o aprendiz, isto , possibilitar situaes em que ele tenha conscincia deste erro, verificar o seu nvel de desenvolvimento e a relao entre erro e regulao. A reflexo entre o erro e a regulao, sugere que em algumas situaes o (a) professor (a) pode at criar situaes de aprendizagem consideradas timas, aquelas em que os (as) alunos (as) tm bons problemas para resolver seus conhecimentos e hipteses se revelam contraditrios com os fatos, mas tambm onde se revelam insuficientes, lacunares. Para ele, o no saber to promovedor de desenvolvimento quanto o saber errado ou o acreditar que se sabe. Ento no se trata apenas de criar situaes de aprendizagem, mas, sobretudo, verificar lacunas que impossibilitam o progresso na aprendizagem. Adverte que embora o erro possa ser considerado como uma rica fonte de aprendizagem e desenvolvimento, no a nica. O erro s tem valor no processo de construo do conhecimento cuja perspectiva que se persegue o acerto. Estimular as inteligentes tentativas dos (as) alunos (as), uma das tarefas fundamentais do (a) professor (a), valorizando erros oriundos de um processo legtimo de reflexo, sem deixar de dizer o que voc fez muito interessante, mas ainda no o correto. Seno correremos o risco de no ajudarmos os (as) alunos (as) e ainda fortalecermos a idia relativista de que todas as idias tm o mesmo valor. Ao desenvolver os conceitos piagetianos de assimilao, acomodao, equilibrao e regulao, Yves de La Taille, explicita como a atividade da inteligncia em seu processo de interao com o meio onde se localiza a aprendizagem. Mas embora o enfoque tenha considerado e privilegiado o sujeito da aprendizagem, enfatizam que o ser humano um ser social, da a necessidade de levar em conta as interaes realizadas com este e as outras pessoas. Entretanto ao longo da vida so variadas as interaes vividas pelo sujeito, classificadas como coao e cooperao. A coao diz respeito ao processo de interao social caracterizado pela unilateralidade, onde um dos plos da relao, em funo da hierarquia que possui, detm poder de mando e ao outro cabe apenas a obedincia. J a cooperao baseia-se na reciprocidade caracteriza-se pela relao de dilogo e debate, com nfase na participao dos dois lados. Relaes sociais apoiadas na coao, de acordo com o autor, solidificam o egocentrismo j a cooperao ajuda na descentrao, na medida em que exige a construo do pensamento operatrio capaz de demonstrar afirmaes. Uma das construes resultantes deste conhecimento o estmulo interao criana-criana, pois ausente de uma estrutura hierrquica h uma disposio maior para o estabelecimento de relaes horizontais, com base na cooperao. A vinculao do erro construtivo interao social se d em funo de que, se o processo de interao estiver baseado na coao, o erro pode ser apontado partindo do lugar de quem sabe, ou seja, houve um erro, e a resposta certa esta, para que seja reproduzida ou uma nova chance dada para o aprendiz. Verifica-se que a regulao foi superficial, no garantindo, portanto, que o erro seja revisto, repensado numa perspectiva de superao pelo aprendiz. Na cooperao, o encaminhamento outro, o erro no s apontado como so explicitadas suas causas. A regulao adequada, pois ajuda o aprendiz a torn-lo observvel. Embora o professor ou professora esteja no lugar de quem sabe, procuram compreender como o que est aprendendo pensou: colocando argumentos que ajudam o aluno a ter conscincia do erro, mostrar o erro, fazer demonstraes do convencional e no sonegar de forma alguma as informaes que contribuem no acmulo de dados do repertrio dos alunos e alunas. E para concluir o autor trabalha a relao entre conhecimento e motivao. Explicita que ela fundamental, pois tem a ver com o querer do aprendiz, a sua permisso, reafirmando nas palavras do prprio Piaget, que: Toda conduta seja ela exterior (ao realizada sobre o meio), seja ela interna (pensamento), apresenta-se sempre como uma adaptao, ou melhor, readaptao. O indivduo somente age se ele sentir a necessidade de 4. 4 faz-lo, isto , se o equilbrio for momentaneamente rompido entre o meio e o organismo, e a ao tende a restabelecer o equilbrio, a readaptar o organismo. (PIAGET, 1967, p. 10 citado por LA TAILLE, 1997, p. 37). Se a atividade do sujeito da aprendizagem possibilitada pela motivao, em se tratando do erro muitas posturas podem ser observadas, tais como: quando h motivao, o sujeito se interessa pela resoluo do problema, investe na regulao, procura super-lo este estgio considerado ideal para a aprendizagem e o desenvolvimento; o sujeito percebe que no consegue resolver determinada questo, porque suas idias so erradas ou mesmo porque tem lacunas no seu conhecimento, o que faz com que abandone a atividade, seus interesses so outros; o sujeito sabe que cometeu erro, mas de imediato, nega esses erros; o sujeito sequer se dar conta de que errou j que est to convicto de suas idias. Portanto, vrias situaes podem decorrer diante de um sujeito sem motivao frente ao erro. O que se espera que o desejo de saber e a deciso de aprender por parte do aluno ou aluna, possa ser construdo com a participao efetiva do professor ou professora quando da seleo e organizao de assuntos que partam da realidade do aprendiz, daquilo que faz sentido para ele (a) e que sejam sobretudo situaes de aprendizagem desafiadoras e alcanveis. Embora o erro possa ser considerado como uma rica fonte de aprendizagem e desenvolvimento, no a nica. O erro s tem valor no processo de construo do conhecimento cuja perspectiva que se persegue o acerto. Estimular as inteligentes tentativas dos (as) alunos (as), uma das tarefas fundamentais do (a) professor (a), valorizando erros oriundos de um processo legtimo de reflexo, sem deixar de dizer o que voc fez muito interessante, mas ainda no o correto. Seno correremos o risco de no ajudarmos os (as) alunos (as) e ainda fortalecermos a idia relativista de que todas as idias tm o mesmo valor (LA TAILLE). Embora o erro possa ser considerado como uma rica fonte de aprendizagem e desenvolvimento, no a nica. O erro s tem valor no processo de construo do conhecimento cuja perspectiva que se persegue o acerto. Estimular as inteligentes tentativas dos (as) alunos (as), uma das tarefas fundamentais do (a) professor (a), valorizando erros oriundos de um processo legtimo de reflexo, sem deixar de dizer o que voc fez muito interessante, mas ainda no o correto. Seno correremos o risco de no ajudarmos os (as) alunos (as) e ainda forta...</p>