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  • PRESBITRIO DE CERES - PCRS

    A DOUTRINA DA JUSTIFICAO PELA F

    GOINIA

    Dezembro/2000

  • PRESBITRIO DE CERES - PCRS

    Teologando: Kemil Khalil Ghannoum

    A DOUTRINA DA JUSTIFICAO PELA F

    ORIENTADOR: Rev. Hlio de Oliveira Silva.

    Monografia para cumprimento de

    exigncia do Presbitrio para

    Licenciatura e Ordenao ao

    Sagrado Ministrio, conforme cap.

    VII Seo 4a art. 120 b do

    C.I.P.B.

    Goinia

    Dezembro/2000

  • T E R M O D E A P R O V A O

    Assunto: Justificao

    Ttulo: A Doutrina da Justificao pela F

    Autor: Teologando: Kemil Khalil Ghannoum

    O Presbitrio Ceres - PCRS, aps examinar o trabalho apresentado pelo Teologando:

    Kemil Khalil Ghannoum

    Resolve:....................................................................................................................................

    ..................................................................................................................................................

    ..................................................................................................................................................

    ..................................................................................................................................................

    ...................................................................................................................

    Goinia, de de 2000

    Examinador Examinador

    Examinador Examinador

  • DEDICATRIA

    Dedico esta monografia a minha querida e

    amada famlia que tem sido para mim

    motivo de grande alegria e incentivo ao

    ministrio. Quero dizer que amo a minha

    esposa Marilda Teixeira Lcio Ghannaum e a

    milha filha Madiha Lcio Ghannaum.

  • AGRADECIMENTOS

    Agradeo a Deus primeiramente que

    me justificou e tem sido meu refgio e

    Fortaleza, que me concedeu graa e

    misericrdia para que pudesse vencer mais

    uma etapa da minha vida. Ao Roberto

    Branquinho que com empenho tem sido o

    melhor amigo e tem me apoiado nos meus

    estudos e financeiramente sem o qual seria

    impossvel o termino do curso.

    Ao presbitrio de Ceres. Ao meu

    Orientador Rev. Hlio de Oliveira Silva. Ao

    meu colega Antnio Mendes de Pinto Neto

    pela amizade e carinho que tem nos

    assistido. A dona Antnio e famlia que foi

    sustento espiritual. Aos meus professores ,

    irmos, amigos que de uma forma ou de outra

    tem contribudo para minha formao

    acadmica e pastoral,

    Agradeo a Igreja Vila Nova pela

    oportunidade do trabalho no qual tive a

    oportunidade de crescer espiritualmente

    junto com a congregao do Jardim das

    Oliveira.

    Aos meus pais que mesmo distantes

    torceram para que essa batalha chegasse ao

    fim. Muito obrigado.

  • SUMRIO

    INTRODUO 08

    I JUSTIFICAO NO PERODO DA REFORMA 10

    1.1 Martinho Lutero 10

    1.2 Joo Calvino 13

    1.3 Conclio de Trento 16

    1.4 Documentos Confessionais 18

    1.4.1 Confisso de Augsburgo 18

    1.4.2 Catecismo de Heideberg 20

    1.4.3 Catecismo Belga 21

    1.4.4 Confisso de F de Westminster 22

    II DEFINIES DOS TERMOS E DIFERENCIAO DE JUSTIFICAO

    E OS DEMAIS TERMOS DA ORDEM DA SALVAO

    25

    2.1 Definio de Termos 25

    2.2 Diferenas entre Justificao, Regenerao, Santificao, Adoo,

    Arrependimento, Converso e F.

    27

    2.2.1 Regenerao 27

    2.2.2 Santificao 28

    2.2.3 Adoo 29

    2.2.4 Arrependimento 30

    2.2.5 Converso 31

    2.2.6 F 32

  • 2.2.7 Obras 33

    III O CONCEITO REFORMADO DA DOUTRINA DA JUSTIFICAO

    PELA F

    38

    3.1 A Justificao pela f 38

    3.2 A Imputao da Justificao 41

    3.3 A Base para Justificao 43

    3.3.1 Negativamente 43

    3.3.2 Positivamente 44

    3.4 A Justificao e a Unio com Cristo 45

    3.5 A Justificao Forense 48

    3.6 A Justificao pela F Escatolgica 50

    3.7 Justificao Ativa 53

    3.8 Justificao Passiva 54

    3.8.1 Definio sobre Justificao pela f no Pensamento dos Telogos

    Reformados e suas nfases

    56

    CONCLUSO 61

    BIBLIOGRAFIA 62

  • INTRODUO

    De conformidade com as Sagradas Escrituras e a Confisso de F de

    Westminster, a Justificao pela f um fato real no qual toda Igreja de Jesus deve viver e

    pregar.

    A justificao pela f a afirmao da doutrina pela qual a Igreja e o

    indivduo se mantm ou cai. Estas afirmaes tiveram grandes repercusses no perodo da

    Reforma Protestante.

    Lutero foi o grande reformador que empunhou a bandeira da Justificao pela

    f somente. Mostrando o valor dessa teologia, ele morreu defendendo e mostrando que

    ningum poderia ser salvo pelas obras e sim por causa do sacrifcio de Jesus na cruz .

    Quando Lutero leu Rm. 1:17, ele passou a ter uma nova dimenso do amor

    de Deus e vido em mostrar isso a todos, passou ento ensinar e mostrar os grandes

    valores da descoberta bblica. Encontrou muita resistncia por parte da Igreja Catlica

    Apostlica Romana no qual fazia parte.

    No primeiro captulo veremos como que os reformadores se posicionaram

    com a doutrina da justificao em resposta ao catolicismo.

    Mostraremos qual foi o pensamento de Lutero e Calvino a respeito da

    justificao pela f.

    Queremos entender qual foi a motivao para tanto senso de justia e

    pregao, motivada por tamanha certeza de salvao que estes reformadores ousaram a

    pregar em nome de Jesus Cristo, mostrando assim qual foi a base bblia slida e

    consistente que usaram em defesa do mais puro evangelho

  • Assim depois de falarmos desses dois grandes reformadores nos

    empenharemos em mostrar quais foram os pensamentos, dos telogos nos documentos

    confessionais como no Conclio de Trento (Catlico Romano); Confisso de Augsburg,

    Confisso de Heidelberg; Confisso Belga e Confisso de F de Westminster.

    O Conclio de Trento (1545-1563) foi um Conclio Contra Reforma veio

    como uma tentativa de dar respostas, onde podemos ver claramente o erro teolgico

    cometido por aqueles telogos.

    Os demais documentos confessionais apoiam a doutrina da Justificao onde

    com base bblica ressaltam seriamente a posio reformada, no qual tem muitas

    citaes atuais desses documentos.

    A Confisso de F de Westminster mostra com palavras elucidativas a

    respeito da justificao pela f que imputada ao crente.

    Logo aps a definio dos termos teolgicos mostraremos as diferenas de

    justificao e regenerao, santificao, adoo, arrependimento, converso, f e obras.

    Mostraremos a posio reformada quando forem mostradas tais diferenas, julgamos

    necessrio para o esclarecimento bblico teolgico para o leitor.

    Falaremos tambm sobre a doutrina da justificao pela f na viso dos

    telogos reformados contemporneos, nos dando uma viso da discusso atual e as

    vrias nfases de seus autores. Essas colocaes dos atuais telogos mostram com

    profundidade bblica a exposio do nosso tema.

    Esperamos que o leitor seja esclarecido e aprofundado ao ler este trabalho, e

    que ao ler possa ser ricamente abenoado por Deus e possa ter ainda mais a

    confirmao da justificao pela f que Jesus Cristo o nosso Senhor e Salvador alcanou

    por ns na cruz do calvrio. Que Deus nos abenoa.

  • I - JUSTIFICAO NO PERODO DA REFORMA

    1.1. Martinho Lutero

    A doutrina da Justificao pela f somente ganhou forma na pessoa de Lutero,

    e essa doutrina foi a pedra de toque da Reforma Protestante.

    Aps uma batalha interior e uma incansvel luta por descobrir a verdade,

    Lutero em 1512 e incio de 1513, enquanto lia a Epstola aos Romanos, em sua cela,

    encontrou estas palavras: Mas o justo viver pela f.1 Aquelas palavras haviam penetrado

    em seu corao, ele havia encontrado a resposta de suas fustigantes perguntas, ele havia

    compreendido que a salvao lhe pertencia, atravs das justificao adquirida por Cristo

    atravs de sua f.

    Lutero comparou Deus com seus mestres e pais e chegou a confessar que no

    amava a Deus mas sim que o odiava.2 Logo aps a converso Lutero comeou a ver

    Deus como um pai amoroso e no mais como um carrasco que vive em busca do erro para

    corrigir o pecado atravs de castigos.

    A vida de Martinho Lutero foi marcada por uma busca incansvel da verdade,

    insatisfeito com a doutrina que a Igreja Catlica vinha sustentando e atormentado com seus

    1 Robert Hastings Nichols. Histria da Igreja Crist. Cultura Crist, So Paulo, 1997, p 162. 2 Justo L. Gonzales. A Era dos Reformadores. Vol. VI. Vida Nova, So Paulo, 1997, p 48.

  • pecados, e profundo conhecedor das doutrinas catlicas, Lutero sabia que o perdo de

    seus pecados s podia ser alcanado se ele confessasse ao padre, por esse motivo ele vivia

    pedindo perdo pelos mnimos detalhes com medo de ter esquecido algum e Deus castig-

    lo por esse que ele havia esquecido.

    Ele se confessava a Staupitz durante horas, ia embora e depois voltava

    correndo com alguma pequena fraqueza que havia esquecido de

    mencionar. Certa, vez Staupitz, bastante exasperado, disse: Olhe aqui,

    irmo Martinho, se voc vai confessar tanto assim por que no faz

    algo digno de ser confessado? Mate sua me ou seu pai! Cometa

    adultrio! Pare de vir aqui com tais tolices e pecados falsos.3

    Vemos o desespero de Lutero como algum que tem fortes convices do

    pecado.

    Timothy George diz que Lutero cria que a imputao da justia de Cristo

    baseava-se no na cura gradual do pecado, mas na vitria completa de Cristo na cruz, e

    essa imputao foi, creditada, colocada e depositada em nossas vidas, de modo que

    Cristo cumpre por ns toda lei, e somos tido por justos na presena de Deus

    (Rm. 4:5,11), nisto vemos que a Justificao no se prendia em obras como mrito para

    salvao, mas que a pessoa era justificada pela f somente4. Com essa afirmao Lutero

    no colocava as obras como invlidas, mas cria que as obras eram uma confirmao

    daquilo que se cria.

    A doutrina da Justificao pela f defendida por Lutero foi refutada na Igreja

    Catlica. E essa obra vem junto com a justificao. A justificao pela f somente na

    doutrina Catlica Romana sofreu uma estagnao. Lutero disse que toda doutrina catlica

    estava errada e as tradies e os papas erraram tambm Ele dizia que a Justificao pela f

    no era somente um ato de exercer f, mas que o fruto de algum justificado era amor

  • ativo a algum, espontneo e em obedincia a Deus. Com essa doutrina criou-se uma

    revolta muito grande na Igreja Catlica.

    James Buchanan diz que a Igreja Romana encarou a doutrina como sendo

    nova, Lutero responde a essa objeo dizendo que para a Igreja poderia ser nova, pois os

    falsos ensinos da Igreja Catlica haviam encoberto a verdade ensinada pelos apstolos e

    pelos pais da igreja.5

    Lutero defendia a doutrina da Justificao pela f com a mensagem Sola Fide,

    com essa mensagem ele assegurava que as pessoas mediante a f eram justificadas diante

    de Deus segundo a conquista de Jesus na cruz, e que as obras acompanhavam aqueles que

    com f aceitavam a Cristo como nico Salvador de suas vidas. Nada poderia ser

    acrescentado Justia de Cristo. Nenhuma adio humana seria tolerada.6 Realmente,

    uma adio do homem poderia colocar toda a obra de Cristo ao cho, pois as Escrituras

    afirmam que a morte de Cristo pode salvar todo pecador que vier a crer em Cristo.

    Lutero entendeu o que se passava na mente de Paulo quando disse o Justo

    viver pela f, no era a justia primitiva dos pecados, antes era a justia que Deus

    ofertava ao pecador necessitado, e que esse pecador aceitava pela f.7 Aquele homem que

    vivia atormentado agora encontrou a paz, havia entendido o quanto Deus o amava, ele

    entendeu que Cristo morreu, o justo pelos injustos ( I Pe 3:18) para trazer vida eterna ao

    pecador arrependido, de uma vida marcada pela dor e pelo sofrimento, agora Lutero

    experimenta a maior de todas as alegrais, a de saber que o justo viver pela f e no mais

    por seus esforos.

    3 Timothy George. Teologia dos Reformadores. Vida Nova, So Paulo, 1994, p 66. 4 Timothy George, Op. cit. pp. 72-74. 5 James Buchanan. Declarado Inocente. PES, So Paulo, 1994, p 48. 6 Hber Carlos de Campos , A Justificao pela f nas tradies Luterana e Reformada In: Fides Reformata -

    Um Ensaio em Teologia Comparativa. Vol. I, n. 02, Julho-Dezembro, Seminrio JMC., So Paulo, 1996, p

    32.

  • 1.2. Joo Calvino

    A nica maneira de vivermos na presena de Deus por meio da justia.

    Portanto, segue-se que a nossa justia depende da f.8

    Joo Calvino como sabemos, foi tambm um defensor da Justificao pela f.

    Ele cria que o relacionamento entre Deus e os homens s poderia acontecer mediante a

    Justificao, e que esse ato de Justificao dependia do exerccio de nossa f nos mritos

    de Cristo na cruz.

    Calvino tambm falou da Justificao mediante a f em detrimento das obras

    como ato meritrio para a salvao, mas colocou as obras como conseqncia daquele que

    com certeza tem o amor de Deus em sua vida.

    Joo Calvino, legou-nos uma profunda compreenso da doutrina da justificao

    pela f. Podemos ver algumas concepes de justificao falada pelo reformador francs.

    A primeira delas diz: O homem se diz justificado vista de Deus quando, no julgamento

    divino, tido ou aceito como justo por causa dessa justificao.9 No desenrolar do seu

    ensino, ele explica que o veredicto deve vir do julgamento divino, e que o homem

    enquanto pecador no pode achar graa diante de Deus, mas a partir do momento em que

    ele justificado, ele no mais considerado pecador, mas justo, livre, portanto, diante do

    tribunal de Deus.10

    Calvino desconsiderava a hiptese da Justificao pelas obras como ato

    meritrio para salvao, e dizia que o homem poderia ser considerado justo diante de

    7 Anthony Hoekema. Salvos Pela Graa. Cultura Crist, Cambuci, SP, 1997, p 159. 8 Joo Calvino. Exposio de Romanos. Paracletos, So Paulo, 1997, p 61. 9. Joo Calvino. Vida, Influncia e Teologia. Luz Para o Caminho. Campinas SP, p 301.

  • Deus a partir das obras quando o homem fosse perfeito e satisfizesse plenamente a

    vontade de Deus.11 Ora Calvino via nesta doutrina a impossibilidade de algum ser

    justificado a partir de obras, porque ele cria que todo homem era pecador e como tal no

    poderia receber de Deus o ato judicial de ser justo uma vez que essa pessoa era pecadora.

    Joo Calvino falava da Justia de Cristo imputada a ns.12 Ele mostra que no

    texto de Rm 5:19, pela obedincia de Cristo lei de Deus, sua justia foi imputada a ns

    como nosso representante. A justia de Cristo foi imputada a ns, da podemos afirmar que

    pelos mritos de Cristo que somos justificados, e que pelos mritos do homem se torna

    impossvel a entrada na vida eterna por esse caminho. Segue-se disto que aquela justia...