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    www.rffadvogados.pt Praa Marqus de Pombal, 16 5 (Recepo)/6

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    contacto@rffadvogados.pt

    TAX & BUSINESS

    A presente Informao Fiscal destina-se a ser distribuda entre Clientes e Colegas e a informao nela contida prestada de forma geral e abstracta. No deve servir de base para qualquer tomada de deciso sem assistncia profissional qualificada e dirigida ao caso concreto. O contedo desta Informao Fiscal no pode ser reproduzido, no seu todo ou em parte, sem a expressa autorizao do editor. Caso deseje obter esclarecimentos adicionais sobre este assunto contacte contacto@rffadvogados.pt.

    ***

    Esta Informao Fiscal enviada nos termos dos artigos 22. e 23. do Decreto-Lei n. 7/2004, de 7 de Janeiro, relativa ao envio de correio electrnico no solicitado. Caso pretenda ser removido da nossa base de dados e evitar futuras comunicaes semelhantes, por favor envie um email com Remover para o endereo emailnewsletter@rffadvogados.com.

    01

    J U R I S P R U D N C I A F I S C A L A R B I T R A L ( 2 . T R I M E S T R E D E 2 0 1 4 )

    Best Lawyers - "Tax Lawyer of the Year" 2014 Legal 500 Band 1 Tax Portuguese Law Firm 2013 International Tax Review "Best European Newcomer" (shortlisted) 2013 Chambers & Partners Band 1 RFF Leading Individual 2013 Whos Who Legal RFF Corporate Tax Adviser of the Year 2013 IBFD Tax Correspondents Portugal, Angola and Mozambique

    Pretende-se, com a presente Informao, apresentar uma sntese, trimestral, das principais decises proferidas pelos tribunais arbitrais em matria tributria semelhana do que fazemos tambm em relao s decises do Tribunal de Justia da Unio Europeia e do Tribunal de Contas.

    A presente Informao relativa ao segundo trimestre de 2014.

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    NMERONMERONMERONMERO DODODODO PROCESSOPROCESSOPROCESSOPROCESSO: 146/2013-T DATA:DATA:DATA:DATA: 15 de Abril de 2014 ASSUNTOASSUNTOASSUNTOASSUNTO: IRC Aceitao de royalties como custo fiscal preos de transferncia FactosFactosFactosFactos A Requerente Sociedade A - solicitou a constituio de Tribunal arbitral peticionando a declarao de ilegalidade do acto de liquidao adicional de IRC, referente ao exerccio de 2008, do qual resultou, aps compensao, o saldo a pagar de 1.795.200,80, e peticionou, tambm, o reconhecimento do direito a indemnizao por garantia indevidamente prestada e, bem assim, a anulao do Despacho proferido pelo Subdiretor-Geral, que determinou o indeferimento do recurso hierrquico apresentado pela Requerente. A sociedade A, aqui Requerente, uma sociedade holding residente em territrio nacional de um grupo de sociedades, relativamente ao qual optou pela aplicao do Regime Especial de Tributao dos Grupos de Sociedades (RETGS). A sociedade A detinha, no ano de 2008, 100% da sociedade B e, era detida a 100% pela sociedade C., com sede nas Ilhas Canal. As ilegalidades invocadas em relao ao acto tributrio de liquidao adicional contestado e aos actos de segundo grau subsequentemente praticados pela Autoridade Tributria e Aduaneira (ATA), concernem correco ao resultado fiscal do Grupo, de que a Requerente a sociedade dominante, consistente no acrscimo, no valor de 2.361.813,99, ao lucro tributvel individual declarado pela sociedade participada B e tributao autnoma, no montante de 465.191,85. Anlise do tribunal:Anlise do tribunal:Anlise do tribunal:Anlise do tribunal: O Tribunal arbitral identificou as seguintes questes a apreciar e decidir: i) no aceitao, como custo fiscal, dos pagamentos de royalties referentes a marcas, com o fundamento de montante exagerado; ii) no aceitao, como custo fiscal, dos pagamentos de royalties referentes a marcas, com o fundamento de no corresponderem a operaes realizadas; iii) violao do princpio de plena concorrncia e, iv) direito a indemnizao pela prestao indevida de garantia. Na apreciao das duas primeiras questes decidendas o Tribunal esclarece que o artigo 59. do Cdigo do IRC, que ento regulamentava os pagamentos a entidades no residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado, se trata de uma norma especial anti abuso dirigida a contrariar uma

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    espcie particular de operaes evasivas, ou mesmo fraudulentas, que assenta na realizao de pagamentos a favor de entidades estabelecidas em territrios de fiscalidade privilegiada de modo a localizar rendimentos produzidos e tributveis em Portugal em jurisdies de regime fiscal mais favorvel, com tributao reduzida ou nula, tirando igualmente proveito da limitada ou ausente colaborao das autoridades fiscais destas jurisdies para a prestao de informaes fiscais. Sustenta o Tribunal que relativamente estatuio, a determinao imediata que resulta desta norma consiste no estabelecimento de um princpio de no-dedutibilidade fiscal dos encargos que estejam envolvidos em pagamentos efectuados para com entidades estabelecidas em territrios de tributao privilegiada e com a inverso do nus da prova em detrimento do sujeito passivo, j que, segundo este dispositivo, para que os montantes pagos ou devidos a pessoas singulares ou colectivas residentes fora do territrio portugus e a submetidas a um regime fiscal claramente mais favorvel sejam admissveis como gastos dedutveis para efeitos de determinao do lucro tributvel, indispensvel que o sujeito passivo devedor faa prova de que tais gastos correspondem a operaes reais e que no possuem um carcter anormal ou um montante exagerado. Esta dupla prova implicar, ento, para o sujeito passivo o seguinte: i) em primeiro lugar, o contribuinte tem de demonstrar que os gastos em questo correspondem a operaes reais, dotadas de existncia jurdica e material, e ii) em segundo lugar, o contribuinte tem de provar que esses gastos no possuem carcter anormal ou excessivo, para o que se lhe impe, via de regra, referir-se a situaes comparveis no mercado, definindo o padro normal do mercado. Caso esta justificao e demonstrao no seja feita, segue-se a no dedutibilidade dos custos em causa, com a consequente reintegrao dos respectivos montantes contabilsticos no lucro tributvel do sujeito passivo. Avana, ainda, o Tribunal que a realizao desta prova tem lugar directa e imediatamente em face da ATA, ou seja, cabe ao contribuinte apresentar ATA os meios de prova pertinentes para demonstrar a realidade das operaes relativas aos gastos incorridos e o seu carcter normal e montante no exagerado, competindo, depois, ATA a devida apreciao destes meios de prova em ordem formao do juzo administrativo sobre a realidade e normalidade dos pagamentos efectuados. Quando a ATA considera que a prova fornecida no suficiente est vinculada a fornecer a pertinente motivao e fundamentao desse juzo, o que implica proceder ponderao, em termos fctico-valorativos, da consistncia demonstrativa dos elementos invocados, de modo a fundar a convico administrativa da existncia e consistncia ou no das operaes invocadas. Conclui, neste contexto, o Tribunal, que em face da fundamentao da deciso administrativa que cabe apurar os pressupostos que levaram a ATA a considerar que, no obstante a prova fornecida pela Requerente, os encargos em causa no so dedutveis para efeitos fiscais, no cabendo proceder valorao de outras razes de facto ou de direito que no constam

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    da fundamentao conducente ao acto praticado e que no foram enunciadas como seu pressuposto. Ora, passando para a anlise em concreto da primeira questo decidenda - a no aceitao, como custo fiscal, dos pagamentos de royalties referentes a marcas, no montante de 1.123.246,46, com o fundamento de montante exagerado o Tribunal entendeu que estava em causa a aplicao do supra referido regime de pagamentos a entidades no residentes sujeitas a um regime fiscal privilegiado, porquanto a beneficiria dos pagamentos dos royalties a sociedade C - tinha sede nas Ilhas do Canal, territrio constante da lista aprovada por Portaria do Ministro das Finanas, de pases, territrios e regies com regime de tributao privilegiada. Relativamente a estas correces em apreciao, a razo aduzida pela ATA para rejeitar a respectiva dedutibilidade fiscal concerne estritamente ao facto de os royalties serem de montante exagerado, tendo fundado esta concluso nos seguintes elementos: i) no ter sido apresentada cpia do documento da transmisso ou prestada informao sobre os montantes por que foram transaccionadas as marcas pela B; ii) ter sido ao longo dos anos a sociedade D (cindida, incorporada na B) que, junto dos Agentes Oficiais da Propriedade Industrial, solicitou a renovao, inteno de uso e pagamento das taxas correspondentes concesso dos ttulos de propriedade das marcas em causa; iii) as sociedades I, D e E (cindidas em 2002) terem transmitido, conforme documentos individuais de cesso, em 28.11.1996, pela quantia de dois mil escudos por cada marca, as marcas em causa B; iv) a B., no exerccio de 2008, ter contabilizado e considerado fiscalmente custos suportados a ttulo de servios de desenvolvimento e promoo vulgarmente designados por "Advertising and Promotion" (A&P) prestados por entidades residentes e no residentes em territrio nacional no valor de 2.060.695,70, sendo que embora a B. tenha considerado custos fiscais com royalties taxa de 4%, nesse clculo no foi tido em considerao as percentagens dos custos suportados com