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Material about Youth in Brazil.

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  • Julio Jacobo Waiselfisz

    OS JOVENS DO BRASIL

    MAPA DA VIOLNCIA 2014

    VERS

    O PR

    ELIM

    INAR

  • Julio Jacobo Waiselfisz

    Rio de Janeiro. 2014

  • NDICE Prefcio Introduo 1. Notas tcnicas 2. Marco da mortalidade juvenil

    2.1. Questo etria e mortalidade violenta 2.2. Evoluo da mortalidade violenta: 1980/2011

    3. Homicdios 3.1. Evoluo dos homicdios nas Unidades Federadas 3.2. Evoluo dos homicdios nas capitais 3.3. Os homicdios nos municpios 3.4. Os novos padres 3.5. A questo etria 3.6. Homicdios segundo sexo 3.7. Comparaes internacionais

    4. Acidentes de transporte 4.1. Cdigo de Trnsito e acidentes 4.2. Evoluo dos bitos por acidentes de transporte nas UFs 4.3. bitos por acidentes de transporte nas capitais 4.4. As mortes por acidentes de transporte nos municpios 4.5. Mortes por categoria no trnsito 4.6. Frota veicular e mortalidade 4.7. bitos no transporte segundo sexo 4.8. Comparaes internacionais

    5. Suicdios 5.1. Evoluo dos suicdios nas Unidades Federadas 5.2. Evoluo dos suicdios nas capitais 5.3. Os suicdios nos municpios 5.5. Comparaes internacionais 5.6. Sexo dos suicidas

    6. A cor dos homicdios 6.1. Evoluo global 2002 a 2012 6.2. Evoluo nas UFs 6.3. Os homicdios nas capitais 6.4. Os municpios 7. Consideraes finais 7.1. Homicdios

    7.2. Acidentes de transportes 7.3. Suicdios 7.4. A cor dos homicdios

    Referncias

  • INTRODUO

    Estamos voltando s origens. Os primeiros Mapas, divulgados pela Unesco

    entre 1998 e 2005, tinham como foco e subttulo Os Jovens do Brasil. J

    colocvamos no primeiro deles

    no acreditamos que a juventude seja produtora de violncia. As novas

    geraes, mais que fatores determinantes da situao de nossa

    sociedade, so um resultado da mesma, espelho onde a sociedade pode

    descobrir suas esperanas de futuro e tambm seus conflitos, suas

    contradies e, por que no, seus prprios erros1.

    Nos Mapas, pretendamos fazer uma leitura social da mortalidade violenta

    de nossos jovens a partir dos nicos indicadores disponveis nessa poca, os

    oferecidos pelo Sistema de Informaes de Mortalidade (SIM) do Ministrio da

    Sade. Eram as mortes nos acidentes de trnsito, nos homicdios e nos suicdios.

    Passados 16 anos desde esse primeiro Mapa, novos dados recentemente

    divulgados nos levaram a verificar, com grande preocupao, que continuam

    sendo, e de forma mais contundente ainda, os principais fatores a ceifar a vida de

    nossa juventude.

    Constatamos tambm que a crescente utilizao dos Mapas de Violncia

    por parte de diversas instituies da sociedade civil e do Estado tem originando a

    necessidade de ajustes e reformulaes que foram acontecendo ao longo do

    tempo.

    O primeiro dos Mapas acima referidos nasceu como uma ferramenta

    complementar, exclusivamente destinado a subsidiar e uniformizar insumos para

    uma outra srie de pesquisas que vinham sendo desenvolvidas pela Unesco em

    vrios locais do Brasil, todas centradas no tema juventude e violncia2. Mas

    sucessivas atualizaes desse primeiro mapa, realizadas a pedido dessas

    instituies, foram dando autonomia e independncia ao mapeamento, que

    comeou a ser produzido a cada dois anos, como subsdio para a formulao de

    1 WAISELFISZ, J. J. Mapa da violncia. Os jovens do Brasil. Braslia: Ed. Garamond, Unesco, Instituto Ayrton Senna, 1998. 2 Era o Projeto Juventude, Violncia e Cidadania, quatro pesquisas empricas realizadas em Braslia, Rio de Janeiro, Fortaleza e Curitiba, referenciadas na bibliografia.

  • polticas pblicas e/ou julgamento da situao e das estratgias existentes. A

    partir de 2004, sua elaborao virou anual e, em 2012, tambm por demanda,

    comearam a ser produzidos vrios Mapas por ano, diferenciados pela focalizao

    temtica: mulher, criana e adolescente, armas de fogo, trnsito, juventude etc.

    Quando iniciamos esses estudos, no existia uma clara definio do que

    era o ser jovem na sociedade brasileira, no existia balizamento legal ou

    institucional regulando essa fase da vida. Tnhamos, desde 1990, o Estatuto da

    Criana e do Adolescente, que conceituava a criana como a pessoa at 12 anos

    de idade incompletos, e adolescente aquela entre 12 e 18 anos de idade. Mas

    sabamos das largas diferenas pelas suas especificidades fisiolgicas,

    psicolgicas e sociolgicas. Adolescncia constitui um processo

    fundamentalmente biolgico durante o qual se acelera o desenvolvimento

    cognitivo e a estruturao da personalidade. J o conceito juventude resume uma

    categoria essencialmente sociolgica, que remete ao processo de preparao

    para o indivduo assumir o papel de adulto na sociedade, tanto no plano familiar

    quanto no profissional, isto , tanto na produo quanto na reproduo da vida

    humana. Diante desse vazio, adotamos em todos os trabalhos a definio etria

    de juventude das Naes Unidas, como a fase da vida humana que se estende

    dos 15 aos 24 anos de idade.

    Recentemente, vrios fatos do incio superao dessa omisso. Em

    primeiro lugar, a aprovao da Proposta de Emenda Constitucional n 65,

    conhecida como PEC da Juventude, em julho de 2010, depois de uma longa

    tramitao. Essa PEC incorpora o termo "jovem" no captulo dos Direitos e

    Garantias Fundamentais da Constituio Federal, dando existncia corprea a

    uma entidade praticamente inexistente nas polticas pblicas.

    Tambm a realizao da 1 Conferncia Nacional de Juventude, em 2008 e

    da 2 Conferncia Nacional de Juventude em 2011 constituem momentos

    importantes nessa trilha. Por ltimo, e mais significativo, a aprovao em agosto

    de 2013 da Lei n 12.852, que institui o Estatuto da Juventude e dispe sobre os

    direitos dos jovens. J em seu art. 1, 1 estabelece que so considerados

    jovens as pessoas entre 15 e 29 anos de idade.

    Essa sequncia positiva de instrumentos nos obriga a reformular nossa

    definio anterior. Se pretendamos ser coerentes com a postura assumida j

  • desde esse primeiro Mapa, a de ser instrumento e subsdio para a formulao de

    polticas pblicas de juventude, deveramos reformular nosso entendimento inicial.

    Existiam problemas, deveramos nos dar a tarefa de reconstruir extensas sries

    histricas elaboradas ao longo de 16 anos de produo de Mapas da Violncia.

    Sries histricas que abrangem dados desde 1980 at nossos dias. Mas julgamos

    que valia a pena a empreitada, e esta constitui a primeira entrega sob a nova

    conceituao etria de juventude: de 15 a 29 anos de idade.

    A recente divulgao das bases de dados correspondentes ao ano de 2012

    pelo SIM e a crescente utilizao das informaes dos Mapas por parte do

    programa federal Juventude Viva oportunizaram a realizao das reformulaes

    expostas:

    Ampliar nosso entendimento de juventude, que era o das Naes Unidas,

    de 15 a 24 anos de idade, para as definies do Pas: 15 a 29 anos de

    idade, o que originou a necessidade de reprocessar todas as sries

    histricas.

    Incorporar, na sistemtica dos Jovens do Brasil, alm dos trs captulos

    tradicionais: homicdios, suicdios e trnsito, um quarto, referido s

    questes de raa/cor, tema que era tratado de forma independente.

    Por ltimo, cabe o alerta formulado em mapas anteriores. No pretendemos

    aqui realizar um diagnstico da violncia letal no Pas. Mais que realizar um

    acurado exame, nossa inteno fornecer subsdios para que as diversas

    instncias da sociedade civil e do aparelho governamental aprofundem sua leitura

    de uma realidade que, como os prprios dados evidenciam, altamente

    preocupante.

  • 1. NOTAS TCNICAS

    A partir do ano de 1979, o Ministrio da Sade (MS) passou a divulgar as

    informaes do Subsistema de Informao sobre Mortalidade (SIM), cujas bases

    foram utilizadas para a elaborao do presente relatrio.

    Pela legislao vigente no Brasil (Lei n 015, de 31 de dezembro de 1973,

    com as alteraes introduzidas pela Lei n 6.216, de 30 de junho de 1975),

    nenhum sepultamento pode ser feito sem a certido de registro de bito

    correspondente. Esse registro deve ser feito vista de Declarao de bito (DO)

    ou, na falta de mdico na localidade, por duas pessoas qualificadas que tenham

    presenciado ou constatado a morte.

    As DOs so preenchidas pelas unidades notificantes do bito3

    (habitualmente no local de ocorrncia do bito) e recolhidas, regularmente, pelas

    Secretarias Municipais de Sade, onde so digitadas, processadas, criticadas,

    consolidadas e transferidas para o setor SIM das Secretarias Estaduais de Sade

    que agregam os diversos municpios, e enviam para o MS. Em seguida, os dados

    informados pelos municpios sobre mortalidade no nvel local so transferidos

    base de dados do nvel estadual, que os agrega e os envia ao nvel federal. No

    nvel federal, a gestora do SIM a Secretaria de Vigilncia em Sade (SVS).

    A DO, normalmente, fornece dados relativos a idade, sexo, estado civil,

    profisso, naturalidade e local de residncia. Determina igualmente a legislao

    que o registro do bito seja sempre feito no lugar do falecimento. Visando ao

    interesse de isolar reas ou locais de "produo" de violncia, utilizou-se no

    presente trabalho este ltimo dado, o do local de ocorrncia, para a localizao

    espacial dos bitos. Isto, porm, no deixa de trazer alguns problemas que, no

    formato atual da certido de registro, no tm soluo. o caso das situaes

    onde o lugar em que aconteceu o incidente que le