jose saramago (revista cult - 17)

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revista Cult homenageia o prêmio nobel de literatura em 1998

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REVISTA BRASILEIRA DE LITERATURA

03 04

Notas

Maurilo Clareto/Companhia das Letras

37 Criao de Seis poemasO escritor Jos Saramago

Antonio Moura

Entrevista

O poeta e ensasta Augusto de Campos fala sobre seu novo livro, Msica de inveno

16

Capa/Entrevista

40 CinemaCia. leva para Amor &

Marllene Bergamo/Folha Imagem

Uma conversa de Jos Saramago, primeiro Nobel da literatura portuguesa, com o poeta Horcio Costa

as telas obra pstuma de Ea de Queiroz

42 Poesia Roldan-Roldan oscila Obra deentre o sagrado e o ertico

24 Em texto indito no Brasil, 28 Capa/Resenha O jornalista Adriano

Capa/Ensaio

Saramago contexta distino entre autor e narrador

43 Dossique so os estudos Saiba oReproduo

culturais, principal tendncia da crtica contempornea

Schwartz analisa Jos Saramago O perodo formativo, de Horcio Costa

O poeta Augusto de Campos

30 Leituras CULT os Os destaques entrelanamentos de livros

12

Biblioteca ImaginriaJoo Alexandre Barbosa analisa o Dirio de um escritor, de Dostoivski

31

Memria em Revista

Um conto de Natal de 1910 publicado na revista Fon-fon

15

Na ponta da lngua

Obra do fotgrafo Eugene Zakusilo, que ilustra a capa do Dossi

O professor Pasquale mostra o emprego indiscriminado do termo voc

Crtica 32 Fortunasobre o new Ensaio

historicism encerra a srie

56 Do Leitore e-mails Cartas, fax

dos leitores de CULTdezembro/98 - CULT 1

O Nobel o mais cobiado e questionado prmio literrio do mundo.REVISTA BRASILEIRA DE LITERATURA NMERO 17 - DEZEMBRO DE 1998

Jornalistas e crticos sempre nos lembram das omisses e dos preconceitos polticos da Academia sueca. Neste ano, curiosamente, as omisses e preconceitos ficaram por conta dos jornalistas e crticos. O Nobel outorgado a Jos Saramago no ltimo ms de outubro deveria ser saudado como o reconhecimento da tradio literria de lngua portuguesa neste e no outro lado do Atlntico. Entretanto, pde-se observar duas reaes. Em primeiro lugar, algumas restries s opes polticas de Saramago (o escritor nunca escondeu o fato de ser comunista), que estariam sendo indiretamente legitimadas. Parece bvio, porm, que a Academia premiou obras, como Memorial do convento e Ensaio sobre a cegueira, e no uma preferncia ideolgica. Se o Nobel tivesse sido dado a Pound ou Cline, algum poderia questionar o acerto literrio de tal escolha pelo fato de Pound ter apoiado o fascismo e Cline ter sido anti-semita e colaboracionista? Considerando que o comunismo parece coisa do passado, o segundo tipo de reao parece hoje ser mais grave: aquela que valoriza em Saramago um purista da lngua, na tica mope de certos poetastros tardo-simbolistas que celebram s avessas a premiao, comemorando o fato de o Nobel no ter sido entregue a outro eterno candidato o poeta Joo Cabral de Melo Neto. Por isso, oportuno publicar a entrevista que Horcio Costa fez com Saramago no incio deste ano: alm de explorar as razes de sua obra (para alm de engajamentos polticos), Horcio extrai dele o depoimento sobre uma potica que vai de um estilo barroquizante para um estilo de pedra, conforme a expresso cabralina do prprio Saramago. Claro que existe uma enorme diferena entre os dois escritores, mas a afirmao de Saramago basta para descartar certas tolices que querem apart-lo de uma pesquisa lingstica herdeira do modernismo e que caracteriza a melhor literatura em lngua portuguesa. C como l.

Diretor Paulo Lemos Gerente-geral Silvana De Angelo Editor e jornalista responsvel Manuel da Costa Pinto MTB 27445 Editor de arte Maurcio Domingues Editor-assistente Bruno Zeni Diagramao e arte Rogrio Richard Jos Henrique Fontelles Adriano Montanholi Yuri Fernandes Eduardo Martim do Nascimento Produo editorial Danielle Biancardini Reviso Claudia Padovani Nilma Guimares Colunistas Cludio Giordano Joo Alexandre Barbosa Pasquale Cipro Neto Colaboradores Adriano Schwartz Antonio Moura Carlos Adriano Charles Bernstein Horcio Costa Jayme Alberto da Costa Pinto Jr. Neusa Barbosa Srgio Medeiros Ral Antelo Rgis Bonvicino Capa Foto de Vidal Cavalcante/Agncia Estado Produo grfica Jos Vicente De Angelo Fotolitos Unigraph Circulao e assinaturas Rosangela Santorsola Arias Camilla Aparecida Lemme Dept. comercial/So Paulo Idelcio D. Patricio (diretor) Valria Silva Elieuza P. Campos Dept. comercial/Rio de Janeiro Milla de Souza (Triunvirato Comunicao, rua Mxico, 31-D, Gr. 1403, tel. 021/533-3121) Distribuio em bancas FERNANDO CHINAGLIA Distrib. S/A Rua Teodoro da Silva, 907 - Rio de Janeiro - RJ CEP 20563-900- Tel/fax (021) 575 7766/6363 e-mail: Contfc@chinaglia.com.br Distribuidor exclusivo para todo o Brasil. Assinaturas e nmeros atrasados Tel. 0800 177899 Departamento financeiro Regiane Mandarino ISSN 1414-7076 CULT Revista Brasileira de Literatura uma publicao mensal da Lemos Editorial e Grficos Ltda. Rua Rui Barbosa, 70, Bela Vista So Paulo, SP, CEP 01326-010 tel./fax: (011) 251-4300 e-mail: lemospl@netpoint.com.br

AO L E I TORManuel da Costa Pinto

2

CULT - dezembro/98

Reproduo

Blaise Cendrars

Poesia

O poeta franco-suo Blaise Cendrars

Acaba de sair na Frana o livro Brsil LUtopialand de Blaise Cendrars (editora L Harmattan), que rene textos apresentados em colquio sobre o poeta francosuo. Organizados por Maria Teresa de Freitas e Claude Leroy, os ensaios reconstituem a experincia de Cendrars no Brasil, desde seu contato com nossos modernistas (que foram influenciados por sua potica futurista), suas relaes com Paulo Prado e Tarsila do Amaral, seu fascnio pela obra do escultor Aleijadinho e sua atrao por figuras que povoam o imaginrio popular, como o cangaceiro Lampio e o criminoso Febrnio. O volume inclui textos inditos e fotografias de Cendrars.Livros na Internet

A Nankin Editorial lana no prximo dia 8 de dezembro dois novos ttulos da coleo Janela do Caos, que vem publicando diversos livros de poesia brasileira: Lio de casa & poemas anteriores, de Carlos Felipe Moiss, e Risco, de Eunice Arruda. O lanamento acontece a partir das 19h30 na Casa de Minas, rua So Carlos do Pinhal, 87, So Paulo. Informaes pelos telefones 011/31067567 e 3667-3486.Imigrantes

Reproduo

Est no ar o site Weblivros!, inteiramente dedicado literatura e aos livros em geral. Criado pelo jornalista Reynaldo Damazio (colaborador da revista CULT) e pelo editor de arte Ricardo Botelho, o site traz ensaios sobre temas literrios, notcias sobre os ltimos lanamentos do mundo editorial, com resenhas sobre obras de fico (romances, contos, infanto-juvenis), no-fico (filosofia, crtica literria, antropologia, histria, biografias etc.) e poesia. O Weblivros! possui tambm um espao de criao literria para novos autores. O endereo do site www.weblivros.com.br.Macunama em Portugal

As socilogas e pesquisadoras Marina Heck e Rosa Belluzzo lanam neste ms de dezembro o livro Cozinha dos imigrantes Memrias & Receitas (DBA/Melhoramentos). Com projeto do artista grfico de J. Pequeno, a edio traz mais de 30 depoimentos de imigrantes residentes em So Paulo e vindos de pases como Portugal, Itlia, Japo, Sria, Lbano, Bessarbia, Hungria, Polnia e Rssia. Os textos destacam o papel da culinria como expresso antropolgica do encontro entre culturas diferentes e como espao de preservao da memria das etnias que compem o cenrio multicultural da cidade. Alm das entrevistas, realizadas pelas autoras do livro, Cozinha dos imigrantes tem 150 receitas que compem um retrato etnolgico-gastronmico de culinrias tradicionais e das modificaes que estas sofrem ao serem aclimatadas no Brasil.Correo

N O T A S

Mrio de Andrade, autor de Macunama

Macunama, a rapsdia modernista lanada por Mrio de Andrade em 1928, acaba de ser publicado pela primeira vez em Portugal pela editora Antgona. O livro conta com introduo, notas e glossrio de Jorge Henrique Bastos (jornalista brasileiro radicado em Portugal e colaborador do semanrio Expresso e da revista Ler), alm de um hors-texte que reproduz a nota Liminar, de Darcy Ribeiro (includa anteriormente na edio crtica de Macunama coordenada por Tel Porto Ancona Lopez, Editora da UFSC, 1988), e fotografias de Mrio de Andrade.

Devido a um erro de edio, os ttulos de trs obras de Mallarm foram grafados incorretamente no Dossi da CULT n 16 dedicado ao poeta francs: os ensaios Crayonn au thtre (de 1887), La musique et les lettres (1894) e Variations sur un sujet (1895) so obras diferentes, e no um nico ensaio, conforme consta em texto da pgina 58 da referida edio. Na pg. 55 do mesmo Dossi, os ttulos de Blanchot, Derrida, Valry e Julia Kristeva citadas na bibliografia de livros sobre Mallarm no so exclusivamente sobre o poeta, embora contenham captulos ou ensaios sobre sua obra.novembro/98 3

ASSINATURAS

CULT DISQUE CULT 0800.177899

4

CULT - dezembro/98

Eduardo

Knapp/Folha

Imagem

entrevista

AUGUSTO DE

CAMPOS

O poeta, tradutor e ensasta Augusto de Campos est lanando Msica de inveno, coletnea com mais de 30 textos escolhidos e recolhidos de diversas e esparsas publicaes ao longo dos ltimos 40 anos. Nesta entrevista, o autor comenta suas relaes com um amplo espectro musical e como alguns aspectos da esfera sonora imantam e inspiram sua prpria produo. Um dos fundadores da Poesia Concreta, com Dcio Pignatari e Haroldo de Campos, Augusto aborda tambm os processos de dilatao dos pressupostos tradutrios como fonte e pauta para outros solos da criao. Augusto de Campos fala ainda sobre seu trabalho potico mais recente, voltado para a interface com outros meios e suportes. Aps os poemas coloridos de Poetamenos, os poemas tridimensionais de Poembiles, as oralizaes audiovisuais de Poesia risco e as animaes digitais