jose goncalves salvador-arminianismo_e_metodismo (3)

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  • 1. ARMINIANISMOEMETODISMOSubsdios para o estudo dahistria das doutrinas cristsJos Gonalves SalvadorJunta Geral de Educao CristDAIGREJA METODISTA DO BRASILSO PAULO

2. N D I C EPREFCIOINTRODUOCAPTULO I - Como se constri uma grande nao- A situao poltica- O fator poltico religiosoCAPTULO II - Tiago Armnio no cenrio de sua ptria- Os primeiros anos- O preparo escolar- Armnio no exerccio do pastorado- O mestre e o polemista- O fim da jornadaCAPTULO III - As doutrinas arminianas- A respeito de Deus- A predestinao- O homem no conceito de Armnio- O problema do pecado- O decreto eterno de Deus- A obra de Cristo- O lugar da graa na salvao do homem- A perseverana cristCAPTULO IV - Organizao e difuso do arminianismo- O arminianismo nos Pases-Baixos- Introduo e desenvolvimento na Inglaterra- O impacto sobre o calvinismo francs- O arminianismo na Alemanha e outros pases- A influncia do arminianismo na Filosofia, no Direito, na Poltica e nasMisses EvanglicasCAPTULO V - A gnese do arminianismo wesleyano- A situao da Igreja Anglicana- A influncia do casal Samuel e Susana Wesley- O valor da dedicao pessoal- A contribuio de Aldersgate- A controvrsia predestinista- O contato com as idias de Tiago ArmnioCAPTULO VI - Arminianismo e Metodismo- O esprito do metodismo- Distines doutrinrias:a) O pecado original 3. b) A predestinaoc) A certeza da salvaod) A justificaoe) A regeneraof) A santificaog) O conceito de DeusCONCLUSOBIBLIOGRAFIA 4. PREFCIOBispo Csar da Corso FilhoLi, com prazer, os originais deste livrinho. Por diversos motivos. Primeiro,porque escritos por um companheiro de ministrio, cujo curriculum vitae, vencidoat aqui, venho acompanhando desde o princpio. Depois, porque fruto de esforoscom que ele sempre vence nos empreendimentos que toma a peito, e da piedadesincera e profunda que, como apangio de seus dias, ele cultiva em termosestritamente evanglicos. Enfim, porque campo cultural de suma importncia parans, quando nos confrontamos com o dilema do sim ou no, em face do conviteque o Filho de Deus nos faz, tocante redeno - campo cultural que ele lavra commuita prudncia e circunspeco.Abrangem muitos mbitos que se prendem ao magno problema - e, na Terra,somos ou no livres para aceitar a chamada de Jesus Cristo para o Reino de Deus,ou se, na Terra, estamos ou no sujeitos a predeterminismo, com referncia salvao eterna.A base que se vale, em grande extenso, o autor, a pessoa de Armnio e acontrovrsia a que ela deu causa. Para isso, ele se foi Geografia, Histria, aosimperativos da lgica e aos lampejos das armas teradas nas arenas da Teologia.Contudo, seu trabalho muito sucinto para matria to extensa e muito simplespara tema to complicado.O autor foi, no meu entender, feliz em ressaltar que ns, metodistas,avanamos mais na doutrina do livre arbtrio, que o prprio pastor Neerlands. Defato precisamos distinguir Wesley de Armnio.No podemos jamais negar que Deus predestinou muitas coisas para certasesferas da vida humana, sobretudo no curso das coisas materiais. Assim, quem nocomer e beber, h de sucumbir, e quem, de grande altura, se lanar no espaodesarmado de praquedas, h de morrer ao tocar o solo. Isso, para no referir inalterabilidade dos grandes fenmenos fsicos das estaes, das luas, das chuvas,dos raios, em que quase no podemos interferir, seno para nosso resguardo deseus efeitos. Assim, deu Deus seu Filho Unignito, para que todo o que nele cr,no perea, mas tenha a vida eterna. At a vai a predestinao de Deus. Todavia,comer e beber, como lanar-nos, de grande altura, ao espao e, ainda, crer no FilhoUnignito, atitude que depende de ns. E aqui que est nosso livre arbtrio,nossa liberdade, seguidos de nossos deveres e conseqentes responsabilidades.Mas o que deduzimos da Bblia, da lgica e da experincia, de acordo com oque acabo de declarar, que, no campo propriamente moral e espiritual (religioso),somos soberanamente livres. Para isso a Providncia nos dotou de inteligncia,razo e conscincia, que nos conduzem ao senso de nossos deveres e conseqentesresponsabilidades, to vivo em todos ns. Sem dvida, s at onde chega nosso 5. entendimento e compreenso das coisas, e no do que no entendemos e nocompreendemos, podemos dar conta, mxime a uma justia perfeita.Fato que leva algumas pessoas a se embaralharem e se confundirem naconsiderao das determinaes divinas (melhor do que predestinao divina), no distinguirem, prescincia de predestinao. Na prescincia divina de futurasdeliberaes humanas existe, apenas, previso e no existe qualquer influnciasobre elas, ao passo que na predestinao divina haveria compulso sobre elas.Finalmente, certo que, pela inteligncia, razo e conscincia, sentimosnossos deveres e responsabilidade. Por tais caminhos Deus nos ajuda com maioriluminao de seu Esprito. Entretanto, no nos fora a qualquer deciso. Dadecorre que, passando dos limites da convico para o terreno do ser ou no ser,ns nos encontramos, por efeito de uma lei incoercvel, na dependncia de nsmesmos, isto , na necessidade de praticar nossas prprias volies. De mais amais, sabemos, de sobejo, que, se tal condio no fosse a do ser humano, nohaveria para ele nenhum sentido na dor da culpa, na alegria do bem que fez, como,de resto, nas declaraes da justia.Agradeo ao Rev. Jos Gonalves Salvador o privilgio de fazer este breveexrdio a seu trabalho. Com ele muito me congratulo vista da contribuio quetraz, com seu livrinho, literatura religiosa em portugus. 6. INTRODUOJos Gonalves SalvadorEste livrinho, antes de tudo, uma satisfao a pedidos que amigos medirigiram h tempos, solicitando para escrever alguma coisa a respeito das relaesentre a Igreja Metodista e o arminianismo. Em suas missivas lamentavam eleshaver em nosso meio desconhecimento quase total da histria e das doutrinas dosistema teolgico originado com Tiago Armnio, na Holanda, em fins do sculo XVIe, de igual forma, das afinidades do metodismo wesleyano com o mesmo, a pontode se atribuir a ambos afirmaes que no lhes so peculiares.Pus-me, ento, a observar. Conversei com dezenas de pessoas, arroladasnuma poro de denominaes evanglicas, e tambm li jornais e revistas. Emdeterminado artigo chegava-se a dizer que o metodismo no d importncia graade Deus, que o arminianismo episcopal, e sendo a Igreja Metodista episcopal earminiana, ipso fato, um sistema papal.Ora, tais declaraes no condizem com a verdade e s revelam lamentvelignorncia. A doutrina da graa fundamental em todo o metodismo. E quanto aopretendido episcopalismo, basta esclarecer que o metodismo ingls, fruto direto deJoo Wesley, no episcopal. Devo lembrar, ainda, que o arminianismo holandsadotou como forma de governo eclesistico o sistema presbiteriano.Minhas observaes acabaram por dar razo aos meus amigos missivistas,levando-me a escrever as notas que ides ler. Trata-se de trabalho simples, sempropsitos de erudio; coisa que nem de leve possuo. Quis torn-lo acessvel aomaior nmero de pessoas, para, assim, prestar melhor servio. Limitei-me a meiadzia de pginas sobre cada captulo, ou pouco mais, quando poderia escrevercentenas. Se me aprofundasse no estudo, faria obra volumosa, de maior custo e deinteresse, talvez, s para uma pequena elite. Em todo caso, as picadas ficamabertas.Fao, no primeiro captulo, uma breve anlise das condies geogrficas,econmicas, sociais, polticas e religiosas dos Pases-Baixos no incio dos temposmodernos, pois devemos conhecer o cenrio onde os fatos se processam e onde osatores desempenham seus papis. impossvel a Histria sem a Geografia. AHolanda, por exemplo, no se explica independentemente do Mar do Norte.Mesmo as idias sociais, polticas e religiosas tm notvel relao com o habitat, ouseja, o ambiente no seu mais amplo sentido. E isto tambm explica porque oarminianismo germinou onde o calvinismo j se havia radicado. A poca exigiamaior compreenso do homem. A Renascena, os seguidores de Duns Scotus,franciscanos em sua maioria, os arminianos e outros, todos pugnavam por suavalorizao. 7. No segundo captulo aparece o vulto inconfundvel de Armnio, que figuracentral no estudo em apreo, para, ento, no captulo seguinte, verificarmos quaisas causas de suas idias e quais as suas concepes doutrinrias.J o captulo IV um elo na cadeia da exposio estabelecendo uma ponteentre o arminianismo e o metodismo, e nele se dir da organizao e expanso doarminianismo. Convm observar, a, a influncia que aquele exerceu nopensamento da poca, primeiro na Europa e, depois, na Amrica do Norte.Os dois ltimos captulos so dedicados ao metodismo. Atravs delesprocurarei mostrar como o arminianismo wesleyano se originou e se desenvolveu,sem contacto direto com o arminianismo do telogo holands, e mais, que emmuitos pontos se diferencia do mesmo e se lhe avantaja. Certas doutrinas, de que oarminianismo nem sequer cogitou e, se o fez, deixou-as em plano secundrio,ocupam lugar saliente no metodismo.Os prezados leitores iriam admirar-se, com certeza, das referncias que, acada passo, surgiro ao calvinismo. Mas desde j os prevenimos. Seria difcilmostrar a gnese do arminianismo holands e a sua natureza sem recorrer aosistema que lhe deu causa. Enfatizava-se tanto a soberania absoluta e irrestrita deDeus, em completa negligncia do homem, que a reao teria de surgir. Como diriaHegel, a tese originou a anttese e, de ambas, resultou a sntese. No meu entender,o metodismo representa a sntese, porque soube valer-se das mais justas emelhores concepes, quer do calvinismo quer do arminianismo. Entretanto, no uma coisa e nem outra. O metodismo tem a sua prpria individualidade. Da mesmasorte, quaisquer referncias ao pelagianismo e ao catolicismo romano, visamesclarecer as questes em estudo. Ningum, por isso, julgue que pretendo fazerpolmica. Meu objetivo o de tornar melhor conhecido o arminianismo e revelar asafinidades e distines do metodismo com ele. Espero conseguir isto. 8. CAPTULO ICOMO SE CONSTRI UMA GRANDE NAO1. OS PASES-BAIXOS, CONDIES GEOGRFICAS.A Holanda e Blgica, mais conhecidas outrora por Pases-Baixos, ocupavamuma faixa de terras ao lon