Jornal Nº16 Out/Nov/Dez 2013

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Jornal Trimestral da AORP - Associao de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal. A comunicao ser eventualmente o poder mais forte que a AORP tem nas suas mos para mostrar o que to bem a nossa ourivesaria faz. Por ano so publicadas 4 edies do Jornal, distribudas trimestralmente via postal a 2000 empresas e/ou agentes ligados ao setor da ourivesaria escolas de ourivesaria, cmaras municipais e entidades parceiras da AORP, como Serralves, ESAD, Engenho & Arte, Contacto de Autor, Soares dos Reis, Alquimia-Lab entre outras.

TRANSCRIPT

  • IV JORNADAS DE OURIVESARIA

    Comunicar OurivesariaAgir Global

    COMPETEMarca Portuguese

    Jewellery em Destaque

    .12

    .20

    ENTREVISTA A EUGNIO CAMPOS

    Percurso e Estratgia

    Empresarial

    .14

  • Esta pulseira em forma de estrela, com cristais de um verde luminoso e brilhante e com acabamento de metal duro banhado a ouro, impressiona-nos com o seu brilho nico. A silhueta triangular uma tendncia e ideal tanto para o dia como para a noite. Um mecanismo de fecho feito por medida garante um ajuste confortvel. Zaldy j um artista de renome mundial e desta vez aparece em parceria com a Swarovski.

    PULSEIRA AtELIER SwARovSkI by ZALdy

    A forma perfeita para este Natal

  • CAROS COLEGAS,

    No final do ano as palavras que temos so de elogio para o nosso setor. Estamos mais fortes e fazemos melhor. Com dedicao e esforo, as nossas empresas afirmam-se e ultrapassam as dificuldades que so enormes em toda a nossa economia.

    O mundo mudou, e a Ourivesaria tambm. Estar na ourivesaria nunca foi tarefa fcil, mas sente-se agora, mais do que nunca, que a tarefa ter que nos dignificar. Os nossos empresri-os tm que dominar todo um conjunto de conhecimentos, desde as oscilaes do mercado das matrias primas, s ligas, at ao trabalho da banca, s soldas, e aos acabamentos, s formas de venda, ao marketing, e s dificuldades com a contrastarias, passando pelos jogos com a banca, chegando s decises de exportar e como o fazer, definir mercados e estratgias, aliar-se a parceiros ou decidir trabalhar a solo, e no final do dia ter vencido e manter a equipa motivada! exigente e interminvel esta profisso.

    Reclamam-se apoios para a nossa Ourivesaria. A AORP encabea este esforo, e dedica-se com trabalho na construo das melhores condies para as empresas seguirem os caminhos mais adequados ao negcio. Abrimos mercados, proporcionamos parcerias estratgicas, e acompanhamos na viagem por feiras internacioanais, promovemos a Ourivesaria Portuguesa, mostramos e elogiamos as peas portuguesas feitas pelas nossas empresas, incitamos a dis-cusso de novas temticas no setor, inovamos nos projetos que executamos, promovemos o emprego e estimulamos o ensino. Uma palavra para o futuro Parque Tecnolgico de Negcios de Ourivesaria de Gondomar, um espao que em breve servir os interesses do nosso setor e que as nossas empresas tero que aproveitar.

    Nesta ltima edio do ano do Jornal, quisemos mostrar muito do que estamos a fazer, e dar o enfoque na temtica da Comunicao na Ourivesaria e na necessidade de o fazer de forma Global. Este o tema da quarta edio das Jornadas de Ourivesaria, o palco que criamos, e onde anualmente so discutidas e partilhadas questes que afetam de forma crtica os neg-cios da ourivesaria na atualidade. O objetivo final, para alm de comunicar experincias, consiste em abrir novas perspectivas na gesto empresarial e pessoal.

    pois com sentimento de dever cumprido, que em jeito de balano, posso afirmar que apesar da difcil conjuntura que impe uma luta constante pela sobrevivncia, possvel verificar si-nais de um certo dinamismo na ourivesaria portuguesa. A situao de imobilismo, e at de um algum isolamento que se fazia sentir j pertence ao passado. O clima geral que se transmite e se comunica de dentro para fora o de abertura, de movimento e aproximao corrente dominante do setor fora de portas.

    E com esta nota de boas notcias, que aproveito para em nome da Direo da nossa asso-ciao desejar Boas Festas, com nimo e confiana para 2014! Que o Santo Eloy nos proteja a todos!

    (Presidente AORP)

    AORPAssociao

    de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal

    geral@aorp.pt

    Slvia SilvaGabinete

    de Comunicao e Imagem da AORP

    silvia.silva@aorp.pt

    AORPAssociao

    de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal

    Orlando Gonalves

    Colar: Eleuterio JewelsPulseira: Gandras Jewellers

    Anel esq.: MonseoAnel dir.: Looxe

    Brincos e alfinete: Rare Jewellery

  • TENDNCIAS

    04

    ACESSRIOS Inverno 2013/14

    Candeeiro The Black

    Cherry Lamp, Golden

    Edition, na QuartoSala

    DELfINA DELETTREz

    Tal como a IV gerao fendi, fashion e

    criatividade so as palavras de ordem que

    correm nas veias de Delfina Delettrezs.

    Em 2007 lanou a sua coleo de joalharia

    homnima,com influnias Gticas, Surrea-

    listas e imagens da natureza. O seu mundo

    romntico do design combinou matriais

    orgnicos com metais e pedras preciosas

    polidas resultando em impressionantes

    criaes que adicionam drama a qualquer

    outfit. A joalharia de Delfina Delettrez faz

    presentes perfeitos para os destinatrios

    com um estilo distinto, elegante e refinado.

    SWAROVSKIColar em cristais

    Swarovski

    Prata plaqueada

    a ouro com zircnia,

    MINCIAS

    Cool GiftsWITH GOLD TWIST

    Anel em ouro

    e diamantes,

    GANDRAS JEWELLERS

    Anel rainha em ouro branco e

    amrelo com brilhantes,

    MIMATA by JOANA MIEIRO

  • 05DESIGNER INTERNACONAL

    God of the Grove o nome da coleo de esculturas criadas

    por Hedi Xandt. Este artista cria esculturas criativas com

    vrios materiais, inclusivamen-te matrias banhados a ouro e

    mrmore.

    www.hedixandt.com

    Vindo de uma famlia criativa composta por pintores, ilustradores, designers e escritores, bem como artesos, Hedi Xandt cresceu num ambiente de criatividade e ferramentas possibilitando desde cedo uma afeio, no s para a criao de obras de arte, mas tambm um profundo interesse nas tecnologias que so usadas no pro-cesso. Comeou por rabiscar como uma

    criana, at pintar grandes telas como um adolescente e tornou-se um caso de amor srio com todas as coisas digitais.

    Hedi Xandt afirma que difcil encontrar uma definio do seu trabalho, acho que os principais e mais importantes aspetos do meu trabalho so a criatividade e conceito. Estar permanentemente no lado experimen-tal de pensar e criar. Learning-by-doing, este termo muito usado em demasia , aplica-se a este artista, bem como Do-By-Learning.

    Eu no me vejo como designer grfico, nem um artista, escritor ou qualquer outra coisa. Eu sou uma pessoa criativa, a cria-tividade o meu poder ilimitado, afirma o artista.

  • 06A JOALHARIA NA MODA

  • Portuguese Jewellery na vogue gIoIelloDestino Lendrio

    Whats coming next?, o projeto que por estes dias enche as mos da equipa AORP e cujo objetivo gerar melhores condies para a internacionalizao da ourivesaria portuguesa. Quer-se ir alm dos progressos obtidos com experin-cias anteriores para alargar conhe-cimentos sobre novos mercados e valorizar de uma forma mais abran-gente a oferta nacional. Afigura-se como um novo referencial mais qualificado e capaz de acompanhar as rpidas mutaes que percorrem o setor no contexto internacional.

    Este Whats coming next?, tem como objetivos estratgicos concre-tos, expandir a marca internacional da ourivesaria portuguesa a nvel global, alargar a base geogrfica

    dos potenciais mercados e dotar o setor de uma maior capacidade exportadora. As atividades propostas incidem na criao de conhecimento adaptado base empresarial e na valorizao da imagem internacional e das produes da ourivesaria nacional no estrangeiro. Na globalidade, contribui para o progresso das condies de competitividade no mercado global.

    Neste contexto, a AORP preparou nestes ltimos meses de 2013 o lanamento de uma campanha da marca PORTUGUESE JEWEL-LERY * SHAPED WITH LOVE no espao internacional. A campanha sair na edio de janeiro da Vogue Gioiello.

    A campanha incide nas caracters-ticas diferenciais e reconhecveis a

    nvel internacional da ourivesaria portuguesa, tendo sido realizada uma seleo de empresas/peas mais representativas para a pro-moo da ourivesaria portuguesa.

    Com a cobertura da Vogue Gioiello pretende-se assegurar uma pro-moo efetiva de abrangncia internacional e global. A revista Vogue Gioiello (e Vogue Acessory) a nica especializada no setor com abrangncia mundial estando presente nos principais certames e eventos da Europa, no Mdio Oriente, nos Estados Unidos e no Oriente Asitico. Conta com uma tiragem de 75.000 cpias. Tem distribuio direta de mais de 5.000 exemplares em feiras e eventos setoriais: Vicenza First, Charme, Choice Editions, Sihh de Ginebra, Bangkok Gems and Jew-ellery fair, Hong Kong Internac-ional Jewellery show, OroArezzo,

    Baselworld em Basilea (Suiza), JCK nas Vegas, Valenza Gioielli (Itlia), Jewellery Arabia (Bahrain), International Jewellery (Dubai), International Gold Jewellery and Gem Fair (Abu Dhabi), Tar em Napoles (Itlia), International Jewellery em Londres e Istanbul Jewelry Show (Turquia). A revista tem 4 nmeros anuais, com edies em Maro, Junho, Setembro e Dezembro.

    Revelamos aqui um pequeno vu, do que poder espreitar na revista e nos meios digitais da AORP em breve. No vai poder perder esta produo! Esteja atento.

    vIdeo:Portuguese Jewellery for Vogue Gioiello 2014 - Vimeo

    A MARCA PoRtUGUESE JEwELLERy No ESPAo INtERNACIoNAL Legendary Destination

    NOTCIAS SETOR

    07

  • 08ARTIGO OPINIO

  • ARTIGO

    Os ltimos tempos tm assistido proliferao de notcias pblicas (ou-tras nem tanto) que indicam a sada e venda no estrangeiro de numerosas obras de arte portuguesas, muitas delas de inegvel valor histrico, artstico e patrimonial.

    Os ensinamentos da Histria reve-lam-nos que o patrimnio mvel portugus pertencente a acervos privados foi, por diversas vezes, ao longo do seu percurso, alvo da cobia de colecionadores de vrias partes do mundo. A riqueza da vivncia secular e religiosa em Portugal, a importncia dos recursos existentes em determi-nadas fases e a disperso de bens dos conventos, muitos deles passados para propriedade das elites do regime, justificam-no sobremaneira.

    Tal sucedeu no sculo XIX, numa dimenso ainda por determinar, em que os acervos da grande nobreza da Corte foram devidamente visitados por antiqurios estrangeiros de re-nome. Mais tarde, j depois de 1974, aquando da instabilidade vivida aps a Revoluo, peas muito relevantes foram mais ou menos secretamente feitas sair do Pas, para a Europa e Brasil. E, mais recentemente, depois

    UM PAS vENdA! vo-SE oS ANIS

    09

    de uma poca de aparente xito e fausto, eis que a crise econmica parece incitar novamente viagem dos objetos, alguns dos quais pos-svel tivessem at reentrado em Por-tugal nos anos 80 e 90 do sculo XX.

    Se peas de maior relevncia h que saem do Pas, mas em que at possvel possam um dia regressar, muito provvel que tal no suceda com o ouro, joias e objetos de pra-taria vendidos nas milhares de lojas de compra e penhor de metais preci-osos que, nessa magnfica expresso do portugus do Brasil, pipocam de norte a sul de Portugal continental e ilhas.

    Temos chamado a ateno, por diversas vezes, para a necessidade de haver uma anlise cautelosa do destino a dar pelos referidos estabe-lecimentos aos objetos que adquirem, testemunhos da nossa rica histria da ourivesaria. O controlo do que fundido deveria exigir, por parte das autoridades ligadas Economia e Cultura, um encontro de posies que salvaguardasse ambas as ver-tentes, que no so necessariamente antagnicas.

    A pergunta incmoda reside, precisa-mente, no desconhecimento do que tem estado e estar a ser fundido, sem passar por nenhum crivo que acautele a dimenso patrimonial dos objetos. Acresce a este facto a ideia de que se, numa primeira fase, eram apenas as peas de adorno em ouro a ter esse fatal destino, a valorizao do metal argnteo, tempos atrs, fez arrastar para o cadinho da fundio uma grande quantidade de peas de prataria, essencialmente de uso domstico, encorpando milhares de lingotes de metais preciosos, referen-ciados, ainda por cima, como trofu do aumento das nossas exportaes.

    Algum dispe de meios para avaliar a verdadeira dimenso da catstrofe patrimonial em causa? Um dia Portu-gal h-de acordar e, como em tantas vertentes da sua vida cultural, depa-rar-se- com a realidade de que uma parte significativa do seu patrimnio estar, por incria, necessidade ou falta de ponderada regulao, irreme-diavelmente comprometida.

    in Pblico09.12.2013

    PROfESSOR GONALO VASCONCELOS

    dIrector do dePartamento de arte e restauro da unIversIdade catlIca Portuguesa, no Porto

    ARTIGO

  • 10ARTIGO

    YAAKOV ALMOR

    conselheIro e consultor InternacIonal de marketIng estratgIco na IndstrIa de dIamantes, Pedras PrecIosas e

    JIas e comrcIo.

    ARTIGO

    H uns dias atrs, li uma coluna es-crita por um cliente e amigo meu, que considerado um perito mun-dial em pedras preciosas coloridas. Quando eu era novo umas boas d-cadas atrs, e tinha acabado de entrar no negcio das peas preciosas, tinha a certeza de que em breve tempo eu seria um perito na matria. Mal eu sabia que quanto mais tempo estamos neste negcio, mais compreendemos quo pouco sabemos, e quo muito h para aprender, escreveu ele.O meu amigo est obviamente cor-recto e as suas observaes so uma verdade universal. Mas eu gostei identifiquei-me ainda mais da observao seguinte Todos os dias aprendo algo de novo e continuo a gostar do que fao.Obviamente, ele no se sente sempre assim. Todos ns conhecemos a sensao. Alguns dias, passamos o tempo a queixar-nos, resmungando em voz baixa de que mais do que tempo para sair deste negcio E deveremos e teremos que sair se realmente no GOSTAMOS do que estamos a fazer profissionalmente.

    Sou um especialista de comunicao em marketing h vrias dcadas e, tambm h dias em que penso o que que eu ainda no sei? A verdade que, especialmente em marketing e, especialmente, na indstria das pe-dras preciosas e ourivesaria, as coisas esto a mudar a um ritmo vertiginoso. Por isso, a base para o sucesso de marketing na nossa indstria so: dar o corao, aceitar a mudana e des-frutar da viagem. Afinal, trata-se de manter os olhos no horizonte, as suas

    mos e ps nos comandos, sentindo o veculo, controlando a velocidade e compreendendo quem est a tentar ultrapassar-nos e/ou atirar-nos para fora da estrada.Os outros veculos na nossa estrada tornaram-se numerosos. O trnsito na estrada do consumo de luxo muito mais intenso hoje do que h 10 anos. Uma mala de couro de luxo da Cartier de 25.000 concorre feroz-mente com uma joia de diamante do mesmo preo e, frequentemente, pode ganhar a corrida, sempre que uma mulher de hoje, que compre as suas coisas, se sinta muito mais atrada ou emancipada pela mala de couro de luxo do que pela jia.

    O que significa isto?Para recapturar o seu papel de emancipao, a ourivesaria precisa de apelar Gerao do Milnio. Curiosamente levou-nos demasiado tempo, mas agora claro: h uma gerao de consumidores a ama-durecer e a crescer que olha de modo completamente diferente para o luxo do que qualquer outra gerao antes dela.A gerao criada pelos baby boomers (a gerao de consumidores de elevados rendimentos nascida entre os anos 50 e 70) tem uma forma de ver com-pletamente diferente sobre o luxo. Trs em quatro jovens no tm nem querem! um relgio de pulso. Para qu, tenho o meu smartphone para isso!Falamos-lhes de ouro, diamantes ou pedras preciosas e eles perguntam--nos se algum destes produtos esto a prejudicar o ambiente, causar sofri-

    mento humano, provm de minas que utilizam trabalho infantil ou se estar a dar algum benefcio s economias e populaes locais, nas zonas onde os materiais so extrados. Uau, e este o mercado que precisa-mos de conquistar?Sim, com este mercado que a nossa indstria precisa de comunicar e...