jornal lampião - 8ª edição

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O Jornal Lampião é uma publicação laboratorial do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto. Produzido pela turma 2010.1, 8ª Edição - Fevereiro de 2013.

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  • LAMPIOJornal Laboratrio I Comunicao Social - Jornalismo I UFOP I Ano 3 - Edio N 8 - Fevereiro de 2013

    A ltima gota dguapginas 6 e 7

    Desafios para os novos prefeitos - pagina 9

    Precisa ir farmcia? Vai ter que caminhar! - pgina 4

    Falta de estrutura prejudica volta s aulas - pgina 3

    A arte de viver a vida - pgina 11

    Lus fernando BruLio

    lampiao

    @icsa.u

    fop.br

  • 2 Edio: Jssica Romero, Tuanny Ferreira e Yumi InoueArte: Aline Barrera Fevereiro de 2013

    Jornal Laboratrio produzido pelos alunos do 6 perodo de Jornalismo Instituto de Cincias Sociais Aplicadas (ICSA)/ Universidade Federal de Ouro Preto Reitor: Prof. Dr. Marcone Jamilson Freitas Souza Diretor do ICSA: Prof. Dr. Jos Artur dos Santos Ferreira. Chefe de departamento: Profa. Dra. Ednia Oliveira. Presidente do Colegiado de Jornalismo: Prof. Dr. Ricardo Augusto Orlando Professores responsveis: Adriana Bravin (Reportagem), Andr Carvalho (Fotografia) e Priscila Borges (Planejamento Visual) Editor-chefe: Arthur Gomes da Rosa. Subeditora: Isadora Rabello. Editora de fotografia: Isadora Faria. Editora de arte: Lvia Almeida. Editor Multimdia: Fbio Brito. Reportagem: Adriana Souza, Ana Carolina Meirelles, Alexandre Anastacio, Ana Lusa Rodrigues, Ana Luiza Batista, Brbara Costa, Csar Raydan, Cntia Adriana, Filipe Barboza, Joyce Afonso, Las Queiroz, Lorena Costa, Nicole Alves, Patrcia Botaro, Patrcia Souza, Paula Peanha, Rolder Wangler. Fotografia: Bruna Mattos, Isadora Faria, Jssica Clifton, Laura Ralola, Lzaro Borges, Lus Fernando Braulio, Marcelo Sena, Nara Bretas, Rodrigo Pucci, Tamara Martins. Diagramao: Aline Moreira Barrera, Ana Paula Rodarte, Caroline Frana, Isabela Azi, Jamylle Mol, Lusa Carolina Oliveira, Mariana Mendes, Nbia Cunha, Rafa Buscacio. Reviso: Jssica Romero, Tuanny Ferreira, Yumi Inoue. Multimdia: Ramon Cotta, Paulo Victor Fanaia. Monitora: Yasmini Gomes. Colaborao: Lucas Salum, Murilo Amati. Impresso: Sempre Editora. Tiragem: 3.000 exemplares. Endereo: Rua do Catete, n 166, Centro. Mariana - MG. CEP 35420-000.

    A msica Planeta gua, de Guilherme Arantes, ilustra justamente o contrrio do que acon-tece em Mariana. A gua, aquela que se faz necess-ria para tudo, est escas-sa na cidade. Esse tema o que voc ver na es-pecial dessa edio do LAMPIO. Falta gua na casa de gente humilde e de gente abastada, e so-bra indignao. M gesto dos servios pblicos, cai-xas dgua fantasmas e as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia demonstram que esse transtorno est longe de ser solucionado.

    O que fazer com cida-des que no querem falar? So prefeituras que no

    a maior aventura que o cotidiano permite. Por-que atravessar a ponte , de fato, fazer histria. Nin-gum est l apenas por estar.

    Talvez o que mais se parea com a ponte escon-dida no cantinho da cidade seja um jornal. No na es-trutura, para alvio dos c-ticos. Um madeira, prego, ferro e concreto, combina-dos a fim de seguir a plan-ta elaborada por um en-genheiro ousado, a mando de um prefeito sedento por placas de inaugurao. O outro papel, palavra, tin-ta, imagens e um punhado de ideologia, combinados para seguir a pauta elabo-rada por um reprter ousa-do, com uma mente seden-ta pela vontade de mudar o mundo.

    A ponte escondida no cantinho da cidade s tem sentido se algum passar por l. Se no fosse por ela, o maquinista da Ma-ria Fumaa jamais conhe-ceria as paredes que os anos destruram. Da mes-ma forma, o cachorro en-costado na porta da casa invadida pelo tempo nun-ca saberia que o trem car-rega pessoas de um lugar para outro. Um jornal es-condido num cantinho da cidade s tem sentido se algum abrir suas pgi-nas e se render ao charme das manchetes. Se no fos-se por ele, as pessoas ja-mais conheceriam os per-sonagens que constroem a

    A partir de agora, quem acessar o endereo

    www.jornalismo.ufop.br/lampiao ter em primei-ra mo o material extra de todo contedo do jor-nal impresso. Bastidores, cobertura das reportagens e entrevistas com os en-volvidos na produo so as novidades que esperam por voc. Dessa forma, o LAMPIO torna pblico o seu processo de apurao das notcias, alm de for-necer uma ferramenta que

    aumente a relao entre seus leitores e a produo laboratorial do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.Como todo jornal possui um espao limitado de tex-to e foto, o site ser til tanto para publicar mais reportagens quanto para acrescentar galerias de im-agens e vdeos, ilustran-do ainda mais a informa-o que est na verso im-pressa. Para a edio do site, o LAMPIO possui agora uma equipe multimdia des-

    De um lado, na casa da esquina, trs portas e uma janela se equilibram na pa-rede em runas. Do outro, o trilho da Maria Fumaa d a certeza de que esta-mos em Minas Gerais. O cho de madeira esconde a gua turva que o rio leva em seu constante passeio pela cidade. Enquanto isso, de cima, uma cruz de pe-dra cercada de flores aben-oa as tbuas largas, com uma f colorida que pare-ce contradizer a frieza do seu concreto. nesse ce-nrio, no centro de Maria-na, que a primeira ponte de Minas Gerais repousa, no auge dos seus 300 anos de histria.

    Alphonsus de Guima-raens ou Manoel Ramos, ponte de tbua ou de ma-deira. A diversidade de no-mes s no maior que o nmero de passos que j caminharam por l: ps fir-mes dos bandeirantes com seus ouros falsos e sorri-sos contidos, andar tranqui-lo das freiras em dia de missa, a criana que lar-gou a mo da me para seguir a retreta da banda e o menino que equilibra os pneus da bicicleta entre um suspiro e outro. Todos eles, cada qual em um mo-mento, atravessaram a pon-te. E atravessar fazer his-tria, comear em um canto e desafinar em ou-tro. Para muitos, estar so-bre essas madeiras combi-nadas no interior da cidade

    histria. Da mesma forma, os personagens sequer ima-ginariam que h histrias para serem criadas.

    Quem atravessa a pon-te v alm do que est em uma das margens do rio. Quem l um jornal enxer-ga mais longe do que o seu prprio quintal. A pon-te est na rua. O jornal, para ter sentido, tambm deve estar. A ponte serve ao povo e, por isso, no faz distino entre os pas-sos descalos do morador de rua e os sapatos engra-xados de quem no anda de nibus. O jornal? Ora, o jornal tambm est a ser-vio de todos os passos, embora, s vezes, se es-quea disso e meta os ps pelas mos. A cada dia, a ponte se renova. Ainda que sejam as mesmas madeiras e os mesmos pregos, o rio que corre l embaixo j outro e as pessoas que ca-minham so diversas. Em toda manh, o jornal se reinventa. Embora sejam o mesmo papel e as mesmas letras, as vidas que preen-chem os textos so outras e o mundo est diferente do dia anterior.

    Ponte e jornal: embo-ra estticos, so passagem. Instrumentos que unem, eles levam, juntam, reve-lam. A ponte transforma o cenrio de quem anda. O jornal faz com que as pes-soas caminhem para alte-rar seus prprios cenrios. Ambos so sempre um meio, no um fim.

    ignada para as publicaes online. A produo envolve grficos interativos, matri-as especiais e produtos au-diovisuais.Voc nosso convidado especial. Boa leitura!

    Escreva:lampiao@icsa.ufop.br

    Compartilhe:Twitter: @JornalLampiao

    Curta:facebook.com/jornallampiao

    TravessiaJamylle mol

    EDITORIAL

    CHARGE

    EDIO ONLINE

    CRNICAJssica clifton

    mostram suas metas, em-presa que no cobra pelo consumo da gua, mas tambm no a fornece a toda populao. So esses alguns dos problemas pe-los quais a nossa equipe se deparou enquanto bus-cava um direito dos cida-dos, alm de enfrentar a dificuldade de acesso a in-formaes pblicas.

    Essa edio trata tam-bm de temas polmi-cos, como a problemtica das drogas em Mariana e Ouro Preto, onde os ndi-ces de consumo cresceram 20% e 43%, respectiva-mente, em 2012. Crack: a mais nova epidemia nacio-nal. Como ele afeta o cor-po e a mente do usurio,

    como a experincia de quem est no incio do tra-tamento e a de quem con-seguiu se livrar da droga.

    A redao do Jornal LAMPIO registra o seu mais profundo pesar e to-tal solidariedade s vtimas da tragdia que se abateu sobre a cidade de Santa Maria (RS), com o incn-dio na boate Kiss, no lti-mo dia 27 de janeiro. Nesta hora difcil e de sofrimen-to, o nosso pensamento est em particular com as famlias enlutadas e com os demais jovens que, as-sim como ns, fazem par-te de uma vida universi-tria repleta de projees. Que sejamos mais cautelo-sos com nossas vidas.

    guas que banham aldeias, e matam a sede da populao...

    Aparentemente, o eleitorado de Maria-na e de Ouro Preto escolheu a experincia para assumir suas administraes munici-pais. Adriano Cerqueira, professor da Ufop, coordenador do Neaspoc - Pg. 8

    A rede municipal de ensino se encontra desgastada, no por falta de verba, mas sim por falta de investimento. Elizabeth Cota, secretria de Educao de Mariana - Pg. 3

    No podemos deixar morrer essa tradio. L-cio da Silva Andr (Tio), vice-presidente da Esco-la de Samba Acadmicos de So Cristvo - Pg. 9

    O momento mais difcil saber que voc dependen-te qumico. Depois disso, vm as perdas: famlia, esposa, fi-lhos, carter e identidade. Raimundo Pimenta, dependente em recuperao - Pg. 5

  • 3Edio: Adriana Souza, Alexandre Anastcio e Rodrigo PucciArte: Ana Paula RodarteFevereiro 2013

    Falta de estrutura nas escolas atrasaincio das aulas em MarianaInstabilidade governamental deixa projetos polticos em aberto e prejudica o desempenho dos alunos

    Na escola Dom Oscar de Oliveira, no Bairro Prainha, faltam livros de literatura na biblioteca

    AlexAndre AnAstcioDas 21 escolas da rede

    municipal de ensino, 13 es-to sem as condies estru-turais mnimas para recebe-rem os alunos nesse incio de ano. A estrutura fsi-ca de algumas delas est em pssimo estado. H lo-cais, como a Escola Muni-cipal Dom Oscar de Oli-veira, onde salas de aula ficam inundados quando chove. Obras esto sendo feitas para contornar os ca-sos mais crticos, ma