Jornal cidadão (edição 30)

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<ul><li> 1. Jornal-laboratrio produzido pelos alunos de Jornalismo da Universidade Cruzeiro do Sul - Ano IX - Nmero 30 - Abril de 2008EcoUrbis DivulgaoAssociao culturalbusca voluntariadoCriada em 2007, por iniciativa de pro- fessores, a Associao Casa de Cultura Sa- popemba objetiva incentivar estudos e ati- vidades culturais na regio onde vivem cer- ca de 500 mil pessoas. A entidade atua sem fins lucrativos e busca a participao de voluntrios. Para a lder comunitria da Fa- zenda da Juta, Maria Bezerra de Menezes, falta conscientizao dos moradores quando o assunto cultura.Pginas 4 e 5 Lojistas e ambulantesdisputam caladas O comrcio informal prolifera ao longo da Avenida e no entorno da Sapopemba.Mau cheiro de aterro A calada virou territrio disputado por lo- jistas regularizados e ambulantes vidos preocupa moradores para armar ali suas bancas. O consumidor potencial aquele que passa e gosta de pe-O Aterro So Joo, localizado no km 33 da Estrada de Sapopemba, em So Mateus, recebe chinchar. Segundo dados do IBGE, emdiariamente cerca de 7 mil toneladas de resduos. quase a metade do que a cidade de So 2004 a regio tinha cerca de 5 mil estabe- Paulo produz a cada 24 horas. O depsito de resduos gera polmica desde sua criao, em lecimentos. A estimativa que gerem 401992. Moradores da regio reclamam do mau cheiro, da contaminao do solo e do crrego mil empregos, direta ou indiretamente. que passa prximo rea. Segundo a concessionria EcoUrbis, que opera o aterro desde Pgina 22004, a situao tornou-se crtica aps deslizamento de uma camada de lixo em agosto de2007, o que provocou intenso vazamento de gases. Pgina 7 Sandro Nunes A linha dePara fugirnibus mais da crise,longa e o pontoMercadode txi mais quer resgatar antigo consumidorA linha de nibusO Mercado Municipal3141, que liga os terminais Antnio Gomes, o Mer-Parque Dom Pedro e Socado, antigo Sacolo doMateus, percorre a Aveni- Trabalhador, em Sapo-da Sapopemba entre os pemba, tenta novas estra-nmeros 200 e 15.000. A tgias para enfrentar o es-convivncia diria gera vaziamento provocadoamizade entre motorista,pela concorrncia dos su-cobrador e passageiros. Jpermercados. A adminis-na altura do nmero tradora, Ana Aparecida8.900, est o ponto de txi Azevedo de Sousa, querJardim Grimaldi, onde osensinar os consumidores achoferes tm idade mdiaeconomizar e aproveitarde 60 anos e boas hist-as frutas de poca, maisrias para contar. Pgina 6baratas. Pgina 3</li></ul><p> 2. PGINA 2 - ABRIL DE 2008 ECONOMIAComrcio informal predomina na regioEDITORIALSubprefeitura quer implantar projeto para regulamentar a atividade de ambulantes Universo Dayane Tedesco Sapopemba Jferson Roz Karina PaulonNas pginas que seguem, con-templamos as histrias e a identi- O comrcio de bairro tradicio- dade de uma das vias pblicas maisnal em So Paulo. Na maior Aveni- extensas da Amrica do Sul: ada da Amrica Latina tambm no Avenida Sapopemba e seus quasepoderia ser diferente. A compra e 45 km de asfalto, numa ponta (ex-venda de produtos e a intensa cir-tremo leste de So Paulo), ou deculao de consumidores acontecem terra batida, na outra (divisa comdiariamente em larga escala e sem o municpio de Ribeiro Pires).qualquer tipo de interrupo. A origem do nome Sapopemba A Avenida Sapopemba fre- indgena e foi adaptado para aqentada, em sua maioria, por linguagem popular. Sapopema,moradores da prpria regio. Com- de fato, como os indgenas bati-preendida em cerca de 45 km dazavam o conjunto de razes desen-Zona Leste, sendo a maior da cida-volvidas em muitas rvores, forman-de por sua extenso. Exemplo des- do em torno delas partes achata-ta grandiosidade o nmero dedas. As plantas se espalhavam pelaimveis que ultrapassa os 16 mil. regio leste da cidade. Ao percorr-la, diversos bairros A Avenida Sapopemba se cons-se unem e os comrcios formam tri como personagem multifaceta-centros de compras que, somados,da. So muitas as questes da co-representam a economia da regio. munidade a serem discutidas. A co-Segundo dados do IBGE, de 2004, SEM IMPOSTOS - Comerciantes regulares reclamam da concorrncia com os ambulantesmear pelo meio ambiente. Uma dasa atividade econmica na rea chega reportagens desta edio do jornal-a mais de 5 mil estabelecimentos, ao foi o reconhecimento do espa- tos e nada, afirma o ambulante de movimentao de pessoas durante laboratrio Cidado, produzidoformais e informais, como comr- o pblico. Em maio do ano passa- roupas e acessrios Sebastio Perei- todos os dias da semana. O cabelei- por estudantes do curso de Jornalis-cio, indstria e servios, e gera, di- do, foram levantados os nmeros ra, 62 anos. Ele diz ter essa ativida- reiro Adilson Bezerra, 33 anos, que mo da Unicsul, do campus Soreita e indiretamente, mais de 40 mil de camels: so cerca de 300 ambu- de como nica fonte de renda.trabalha h mais de oito anos noMiguel, aborda a atividade do Ater-empregos. Esse movimento atri- lantes, sendo apenas 130 cadastra- Uma das metas da subprefeitu- local, afirma ser consumidor na re- ro So Joo, no Parque So Rafael.budo diversidade de produtos, dos com Termo Permisso de Uso ra a implantao de sistemas mo- gio pela facilidade. bom traba-O lixo vem agredindo o ambiente epraticidade em comprar e preos (TPU). Na segunda ao, trs me- bilirios urbanos, que seriam bo- lhar aqui. Os clientes so bons con- a sade dos moradores vizinhos pormais acessveis. ses depois, o recadastramento acon- xes de alvenaria ou padronizados. sumidores e, com isso, aumentamcausa do mau cheiro. So apresen- Na Avenida,teceu em uma reu- O problema que no temos es- as ofertas. O que precisa mudar notadas informaes que ajudam a re-os consumidores nio. Dos 130 am- paos pblicos disponveis para comrcio da Avenida o trnsitofletir sobre as melhorias que o lixocirculam por su- Segundo dados do bulantes, somente transferir os comerciantes de rua. catico, a falta de estacionamento e trouxe, ou no, desde que foi im-permercados, pa- IBGE, a Avenida65 compareceram Buscamos parcerias com o setor a segurana.plantado em 1992.darias, perfuma- Sapopemba abriga por estarem de privado para utilizar galpes e fa- Em relao aos lojistas, a maio- A falta de lazer na regio rias, lojas de cala-5 mil estabelecimentos acordo. Os outros zermos como ocorreu no Largo da ria no tem reclamaes, a no sersintomtica ao longo da prpriados e roupas e ou- que geram cerca de 65 no foram Concrdia, com os shoppings po- em datas festivas que surgem con-avenida ou nos bairros do entorno.tros tantos estabe-40 mil empregos. subprefeitura mes- pulares, diz Resende, 48 anos.correntes informais que contrariamPor que existem tantas reas co-lecimentos. Hmo tendo o TPU. Os consumidores preferem alguns comerciantes. Os preos so merciais em detrimento de poucosainda residncias A terceira etapa do comprar na Aveni-menores e os came- centros de esportes e lazer ou deque improvisam comrcios ou pres- processo vai incluir a legalizao. Em da Sapopembals fazem a abor-espaos para a expresso cultural?tam servios com o propsito de mdia, segundo o coordenador de pela proximidade,A Prefeitura levantou dagem na rua, ao Falta de mobilizao das comuni-aumentar a renda familiar. Planejamento e Desenvolvimento, preos diferencia-o nmero de camels,contrrio do co- dades? Insensibilidade dos governos Muitos estabelecimentos esto Dagoberto Resende, mais de 170 dos e variedade de cerca de 300, merciante Eufl- de turno?irregulares por falta de alvar da Pre- ambulantes tm atividades irregu- produtos. Alguns dos quais somente nio Juy, 62 anos,O comrcio informal s fazfeitura. Os ambulantes tambm lares na Avenida. chegam a cami-130 possuem o Termoque est na Aveni- crescer nos ltimos anos, fenme-compartilham deste espao. EmOs ambulantes da Praa Tor- nhar mais de dezPermisso de Uso. da h mais de 20 no que expe a disputa com os lo-vrios pontos, eles ocupam, de for- quato Plaza, no bairro do Jardim minutos. Venho anos: Pago alu- jistas regularizados por um espaoma irregular, praas, caladas e prin- Grimaldi, por exemplo, tiveram neste mercadoguel do estabeleci-nas caladas. Em tempos de acir-cipalmente prdios pblicos, como suas barracas retiradas pela subpre- porque o preo bom. Comprei mento que chega em torno de R$ rada disputa por oportunidades dehospitais e escolas devido movi- feitura. Foram inmeros os cadas- um pote de maionese, pois perto 2.000, enquanto os camels no pre-trabalho com registro em carteira,mentao do pblico. tros desde a inaugurao, em 1998. da minha casa mais caro, diz o cisam pagar para trabalhar.o problema dos ambulantes tornou- A regional da subprefeitura da Porm, no houve deciso quanto auxiliar administrativo Paulo Ro-O importante para todos quese calejado devido, entre outrosVila Prudente/Sapopemba preten- regularizao. Aguardo at hoje berto, 43 anos, que mora no bairro consomem na Avenida ficar aten- motivos, substituio da mo-de-de regularizar a situao dos comer- minha autorizao. Inscrevi-me em distante do Grimaldi.to aos servios prestados e merca-obra braal pela tecnolgica.ciantes e impedir as vendas de mer- 2000 e depois nas outras duas ve- J os comerciantes gostam de dorias vendidas. Pela quantidade deTambm focamos os transpor-cadorias ilegais (piratas). A primeira zes, com as cpias dos documen- trabalhar na Avenida por causa da pessoas que circulam, h ambulan-tes locais com suas linhas de ni-tes que, com o propsito de con-bus e os taxistas que contam his-quistar clientes, utilizam produtos trias curiosas do cotidiano. Fomosque no lhes caberiam ao seu co-at o Mercado Municipal colhermrcio. H ainda aqueles que ven- relatos de veteranos comerciantes Reitora Jornal-laboratrio do Curso de dem produtos terceirizados, sem que testemunharam o crescimento Sueli Cristina MarquesiComunicao Social (Jornalismo)Pr-reitor de Graduao procedncia legal. Um exemplo o do bairro, para bem e para mal. Eda Universidade Cruzeiro do Sul Carlos Augusto Baptista de AndradeAno IX - Nmero 30 - Abril de 2008 po, que deveria ser feito na pada- levantamos ainda algumas surpre- Pr-reitor de Ps-graduao e PesquisaLuiz Henrique Amaral Tiragem: 5 mil exemplaresria, mas encontrado em estabele-sas relativas Sapopemba, como Telefone para contato: 6137-5706 Pr-reitor de Extenso e Assuntos Comunitrios cimentos sem autorizao ao lon-a existncia de um curioso ossrioJorge Alexandre Onoda PessanhaProfessores-orientadoresgo da Avenida. Fica a reflexo: se onuma igreja. Coordenador do Curso de Comunicao SocialCeclia Luedemann, Dirceu Roque de Sousa, Carlos Barros Monteiro Flvia Serralvo, Luciana Rosa e Valmir Santos.po alimento, torna-se tambm Boa leitura.uma questo de sade pblica. 3. POLTICAS PBLICAS ABRIL DE 2008 - PGINA 3Mercado passar por transformaesAntigo sacolo abriga maior centro de compras e cultiva aproveitamento de cascas ou talos de alimentosAdriana Barbosatamento alimentar. Palestras de exer-o em 1989, dono da peixaria, a Raiz forteA administradora do antigo ccios de relaxamento e tambm palestra sobre DST e bailes para aParada Mercado Municipal de Sapo-pemba uma parada de nibus que O nome Sapo-Sacolo do Trabalhador, cujoterceira idade tambm esto inclu- tambm est no projeto. pemba de origem in- nome agora Mercado Municipalsos, tudo graas a parcerias com alu-O Mercado Municipal de Sapo- dgena e significa raz Antnio Gomes de Sapopemba, nos de nutrio e com a colabora-pemba aposta em seu diferencial forte. A rvore Sapo- Ana Aparecida Azevedo de Sou- o de uma fisioterapeuta. para atrair antigos e novos consu- pemba originria de sa, 39 anos, tem novos projetos Esto em construo mais trsmidores. O nosso diferencial o uma espcie que co- para o mercado. Ela exerce a fun-novos espaos para melhor atenderpreo, qualidade e o bom atendi- mum na Amaznia e o h pouco mais de seis meses e o consumidor. O cliente no ape-mento, diz a administradora. que desenvolve razes em sua programao j conta com nas mais um, ele mais um ami-O mercado precisa de reformas, de at dois metros de eventos que comearam em no-go, diz Ana. At mesmo um so- pois sofre danos por infiltrao e altura ao redor de seuvembro. nho antigo de um dos permissio-goteiras. De acordo com Ana, o tronco. Devido chegada de novos su- nrios (permisso de uso junto subprefeito Felipe Sartori j dispo- A rvore verdadei-permercados na regio, o Mercadoprefeitura), o senhor Pedro que est nibilizou mais verbas para acabar ra no existe mais, po- de Sapopemba estava esvaziando, no mercado desde a sua inaugura- com o problema. rm, a frondosa Pai-sendo assim algo precisava ser fei- Fotos Dayane Tedesco neira foi adotada to. Com a chegada de Ana na admi- como Sapopemba enistrao e tambm com a liberao hoje ocupa seu lugarde mais verbas pelo subprefeito de destaque no Merca- Paineira foi adotada como Sapopemba Felipe Sartori, os projetos comea- do Municipal de Sapo- ram a se concretizar. pemba. de 1989 e reinaugurado em 1 deEntre os projetos esto a cozi- O nome do mercado no veio julho de 2000 como Mercado Mu- nha experimental, com cursos que somente da rvore, mas tambm nicipal Antnio Gomes Sapo- iro ensinar os consumidores a eco- de um lder da regio que lutou pemba.nomizar e aproveitar as frutas de muito pela comunidade. QuandoO projeto inicial do mercado poca que so mais baratas, pensan- morreu, a assemblia decidiu ho- previa a derrubada da rvore, masdo nas festas de fim de ano. Tam- menage-lo dando o seu nome ao uma manifestao da populaobm haver cursos de multmistura antigo Sacolo do Trabalhador, que local refez o plano e a rvore per-voltados para alimentos que joga- foi inaugurado em 5 de outubro maneceu. (AB)mos fora, como a casca da melancia, o talo da couve-flor, um reaprovei- FEIRA COBERTA - Bancas de verduras e legumes no Mercado Relao entre comerciante e Nome homenageia lder comunitriocliente vai alm dos negcios Sandro Nunes picos do nordeste, produtos natu-mercado. Quem compra sou eu,A relao entre comerciantes e rais para diabticos, conservas e pra- quem vende sou eu, e quem olhaclientes vai alm. O tratamento de Localizado em frente a uma cen- ticamente tudo que se usa no dia-a-sou eu, afirma o comerciante.grande amizade. Muitos freqenta-tenria paineira, adotada para sim- dia, com exceo de produtos fres-Para ele, ser proprietrio de umdores do mercado passaram partebolizar a rvore Sapopemba (que cos e de limpeza.box significa uma vitria, pois co-da vida no bairro. Por isso, co- d nome ao bairro), o Mercado Mu-O mercado municipal muitomeou a vida trabalhando em ummum comerciantes como Pedro enicipal de Sapopemba foi inaugu-importante para o abastecimento da balco de peixaria, no mercado mu-Silas, pioneiros no local, atenderem rado em 5 de outubro de 1989. A regio. As condies de exposio, nicipal de So Paulo. Um dia, umpessoas que conhecem desde quan- princpio, sua funcionalidade seria as visitas constantes dos mdicostio decidiu ajud-lo, injetando di-do eram crianas.apenas como sacolo do trabalha-sanitrios e a prpria administrao nheiro para que pudesse melhorarPara Silas, os freqentadores nodor, mas com o tempo foi ganhan-do mercado fiscalizam diariamentesuas condies, conseguindo per-podem ser apenas mais um cl...</p>