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Jornal Atenção - 15ª Edição

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  • www.jornalatencao.org.br

    Dezembro de 2011Edio N 15

    Desapropriao j! HORA DE DESAPROPRIAR POR TERRA, TRABALHO

    E MORADIA! HORA DE OCUPAR AS TERRAS, CAMPO E TERRENOS NAS CIDADES, AS FBRICAS

    FECHADAS E FALIDAS.

    ATO DIA 08 DE DEZEMBRO S 9 HORAS, NO MASP, NA AV. PAULISTA (SO PAULO)

    S 15 HORAS: LANAMENTO DA CAMPANHA SEM TETO COM VIDA, NA ALESP

    Fotos: Joo Zinclar e Cristina Beskow

    ESPECIAL

  • 02 /desapropriao j!

    Ns, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), da fbrica sob o controle dos trabalhado-res Flask e militantes sem terra de Campinas, rea-lizamos no dia 12 de no-vembro um encontro no qual discutimos a necessi-dade de nos articularmos e organizarmos nossa luta conjunta dirigida ao go-verno federal no sentido de apontar as desapropria-es como medidas urgen-tes de nossa pauta de luta.

    A fbrica ocupada Flask est ocupada h 8 anos e os trabalhadores lutam para manter seus empregos. Tm sofrido diversos ataques por par-te do Governo e da Justi-a em funo das dvidas deixadas pelos antigos patres. Os trabalhado-res tm mantido a fbrica aberta e em funcionamen-to, mas sob ataques cada dia maiores. Por isso necessrio que o Gover-no desaproprie a fbrica e a coloque sob o contro-le dos trabalhadores. necessrio que o gover-no desaproprie o terreno onde se construiu a Vila Operria regularizando as moradias. necessrio

    HORA DE DESAPROPRIAR POR TERRA, TRABALHO E MORADIA! HORA DE OCUPAR AS TERRAS, CAMPO E TERRENOS NAS CIDADES, AS FBRICAS FECHADAS E FALIDAS.

    Desapropriao j!que o governo desaproprie os galpes da Fbrica de Cultura e Esporte consoli-dando um verdadeiro cen-tro cultural pblico e sob o controle dos trabalha-dores da arte e cultura. A desapropriao a forma de reaver o que os patres no pagaram, garantido os empregos, as moradias e a cultura.

    Nas cidades, as ocupa-es Zumbi e Dandara do MTST mostram a disposi-o de luta dos trabalha-dores por suas moradias, mas esbarram na falta de terrenos. hora de acabar com a especulao imobi-liria desapropriando ter-renos para construo das moradias para as famlias. No campo necessrio de-sapropriar as terras para a Reforma Agrria popular e sob o controle dos traba-lhadores.

    Tarefas urgentes esto colocadas para os traba-lhadores da cidade e do campo:

    No campo o governo no deu nenhum passo para a mnima aplicao da constituio, desapro-priando as terras para a Reforma Agrria, e entrar

    para a histria como no tendo realizado nenhum assentamento no primeiro ano de governo.

    Nas cidades as fam-lias no tm onde morar e pouco se fez no sentido de aplicar as leis, como o estatuto da cidade, que prev a desapropriao de terras para a moradia de interesse social.

    Na fbrica ocupada Flask os ataques se am-pliam por parte do go-verno e nenhuma medida concreta adota no senti-do de salvar os empregos.

    Nas fbricas prosse-gue o processo de ataques aos direitos dos trabalha-dores, com terceirizaes e fechamento de unidades produtivas, como resulta-do a internacionalizao das empresas para os pa-tres ganharem bilhes, tudo com dinheiro pbli-co do BNDES.

    A criminalizao dos trabalhadores na cidade e no campo a cada dia maior. No podemos acei-tar as ameaas aos mili-tantes, os processos crimi-nais e mais do que isso os

    assassinatos que prosse-guem.

    Por isso, e sabendo que necessrio construir a unidade na luta, decidimos organizar um ato unitrio no dia 08 de dezembro no MASP em So Paulo para apresentarmos nossa pauta de reivindicaes.

    LOCAL: MASPDATA: 08 DE DEZEMBRO s 9 horasAs 15 horas: Lanamento da Campanha Sem Teto Com vida, na ALESP (Assemblia Legis-lativa de So Paulo).

    Movimento das Fbricas OcupadasMovimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST - Regional Campinas)

    - Desapropriao j da fbrica ocupada Flask!- Desapropriao j pelas moradias dos acampamentos Dandara e Zumbi!- Desapropriao j por reforma agrria da rea do Stio Boa Vista em Americana SP!- No criminalizao dos Movimentos Sociais.

  • 03/trabalho

    A Flask uma fbri-ca de transformao de plstico. Produz vrios modelos de embalagens industriais, chamados de tambores ou bombonas. Tem cerca de 71 traba-lhadores atualmente, mas chegou a ter 600 em seu auge. Foi fundada no final dos anos 70 e per-tencia Corporao Hol-ding do Brasil (CHB).

    A CHB tambm era dona das marcas Cipla e Interfibra e integrou o Grupo Hansen Indus-trial S.A. at 1992, ano da partilha de bens familiar ocasionada pela morte de Joo Hansen Jnior (scio fundador). Lus Batschauer (que era casa-do com Eliseth Hansen) e seu irmo Anselmo as-sumem a CHB, mas per-dem a massa de capital do Grupo Hansen neces-sria para a moderniza-o tecnolgica.

    Assim, enquanto as outras empresas do gru-po cresciam, a CHB co-mea a definhar as fbri-cas sob seu comando. No entanto, os trabalhadores da Flask no assistem a tudo isso passivamente. H registros de greves

    Histria da Fbrica Ocupada Flask

    em 1994 e 1997 contra a jornada de at 12 ho-ras, baixos salrios e no cumprimento de acordos trabalhistas. Porm, uma mudana significativa na fbrica s foi possvel aps a ocupao e o esta-belecimento do controle operrio.

    Em outubro de 2002, aps uma greve de ocu-pao, os trabalhadores da Cipla e Interfibra, em Joinville/SC, conse-guiram uma liminar na justia e retomaram a produo sob gesto dos trabalhadores. Desde en-to, impulsionaram a luta pela estatizao sob con-trole operrio, a partir da perspectiva de garantir os quase 1.000 postos de trabalho de forma du-radoura, e mostrando que a fbrica no pode-ria fechar. Sem ter uma apropriao privada da riqueza, a gesto oper-ria conseguiu impor as conquistas histricas da classe, como a reduo da jornada de trabalho sem reduo de salrios, de 44 para 40 e depois para 30 horas semanais 6 horas dirias. Os trabalhadores deram um exemplo de

    que no precisam de pa-tres, e mais, passaram a mostrar que se possvel fazer isso em uma fbri-ca quebrada, por que precisamos de capitalis-tas na sociedade como um todo? Junto com a Flask, o Movimento das Fbricas Ocupadas atuou em mais de 35 fbricas, lutando pelo direito ao trabalho, direito digni-dade, dizendo que a cul-pa da fbrica fechar no

    so dos trabalhadores e que podemos fazer uma gesto democrtica ope-rria.

    No entanto, a burgue-sia no poderia permitir tais avanos. De vrias formas, sempre buscou conter este exemplo de luta e clara perspectiva de construo do socia-lismo. Por isso, em 31 de maio de 2007, a burguesia aplicou uma ao crimi-nosa nas fbricas de Join-

    ville, sob a fachada de um processo judicial e com 150 membros da Polcia Federal, a mando do mi-nistro do Trabalho Luis Marinho, nomeia-se um interventor, acabando com o controle operrio e as histricas conquistas sociais que haviam sido realizadas. Como disse o Juiz que mandou acabar com a gesto dos traba-lhadores, imagine se a moda pega?. O brutal

    golpe contra o Movimen-to das Fbricas Ocupadas no foi suficiente para destruir a perspectiva histrica da estatizao sob con trole dos traba-lhadores. A trincheira da Flask, em Sumar/SP, aponta o caminho da re-sistncia e da perspectiva socialista, mostrando que sem patro, os trabalha-dores conseguem realizar uma nova forma de ges-to da produo, onde

    Foto: Natasha Mota

  • /trabalho04

    a prioridade so as con-quistas sociais da classe e no o lucro e a proprieda-de privada, bases do capi-talismo.

    Em 12 de junho com-pletam 8 anos da ocupa-o e controle operrio na fbrica Flask. Diante da crise capitalista, e a deciso dos patres de fechar a fbrica, os oper-rios levantaram a cabea e organizaram-se para manter a fbrica funcio-nando na luta em defesa dos empregos. Ocupan-do a fbrica e tomando seu controle.

    Sem o patro e a par-tir do controle operrio, da democracia operria, foi reduzida a jornada de trabalho para 30 ho-ras semanais, sem redu-o nos salrios. Sem o patro, os operrios, em conjunto com famlias da regio, organizaram a ocupao do terreno da Fbrica e constroem hoje a Vila Operria e Popular com moradia para mais de 560 famlias. Sem o

    patro, os operrios rea-tivaram um galpo aban-donado e iniciaram o projeto Fbrica de Cul-tura e Esporte, com tea-tro, cinema, futebol, bal, dana, curso de desenhos e aulas de violo.

    Desde o incio os ope-rrios defenderam a es-tatizao da fbrica sob controle dos trabalhado-res diante das dvidas dos patres com o estado. Desde o inicio os oper-rios e operrias se soma-ram a luta do conjunto da classe trabalhadora. Defendendo a reforma agrria junto com os trabalhadores do cam-po, defendendo a luta pelas moradias com os operrios na cidade, de-fendendo os direitos e a luta contra os patres em dezenas e dezenas de fbricas. Defenden-do os servios pblicos como sade e educao junto ao povo e aos tra-balhadores do setor pu-blico.

    Lutaram desde o ini-

    cio pela reestatizao das ferrovias junto aos ferrovirios, pela rees-tatizao da Vale do Rio Doce e da Embraer, por uma Petrobrs 100% estatal. Os operrios da Flask organizaram, junto ao Movimento das Fbricas Ocupadas em conjunto com os oper-rios da Cipla e Interfibra 8 caravanas a Braslia para exigir a estatizao da fbrica.

    Os operrios orga-nizam conferencias, se-minrios, encontros na-cionais e internacionais, alm de manifestaes por todo o Brasil sem-pre discutindo com sua classe os caminhos da luta. Hoje desenvolvem a Campanha para que a prefeitura Declare a F-brica e toda a sua rea de Interesse Social, dando um passo no caminho da desapropriao das propriedades do patro para a sua definitiva es-tatizao sob o controle dos trabalhadores.

    A Vila OperriaA luta na fbrica ocupada Flask comeou, como em todas as fbricas,

    como uma luta por melhores condies de trabalho e por salrio. Foi as-sim que ocorreram vrias greves principalmente na dcada de 1990. J no comeo dos anos 2000, frente a uma grande crise mundial, os patres, mudaram a