jornal amador nº 43

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jornal escolar do Colégio dinis de Melo - Leiria ano letivo 2011-2012, 2º período

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  • D i re tor Fernando Cruz Coordenao Ana R i ta Duar te Ed io gr f ica C laud ina Quin t ino Rev i so de t ex tos Ana R i ta Duar te Digitalizao e Fotografia Claudina Quintino Tiragem 1000 exemplares Impresso OFFSETLIS Periodicidade Trimestral Distribuio Gratuita Colgio Dinis de Melo Rua da Marinheira, n 350, 2400-792 Amor Contactos - Tel.: 244 861 139 / Fax: 244 861 340/ E-mail: geral@cl-dinis-melo.pt

  • 02 ornal J mador A

    Editorial

    F. C.

    O Colgio aderiu, desde o incio do lana-mento dos chamados Testes Intermdios, a este tipo de instrumento de avaliao, considerando positivo para os alunos a realizao de um teste concebido pelos servios do ministrio da educao, para aplica-o em todo o territrio nacional. Desta forma, preten-dia-se treinar os alunos para um tipo de teste escrito que, eventualmente, teria semelhanas com os prprios exames a que, mais tarde ou mais cedo, eles seriam sujeitos.

    Durante os anos em que aplicmos este teste de conhecimentos, temo-nos deparado, de uns anos para os outros, com graus de dificuldade muito diversos que, em nosso entender, s se explicam pela variao das equipas ministeriais e das suas respetivas polticas. Estas polticas tero refletido o maior ou menor peso que os estudos internacionais sobre os conhecimentos e com-petncias que os nossos alunos revelam comparativa-mente com os de outros pases (ex.: PISA*) e cujos resultados no tm sido muito lisonjeiros na maior parte dos itens observados.

    Veja-se este ano. Dos vrios testes realizados a diferentes disciplinas, houve uma linha condutora que se concretiza num grau de dificuldade superior m-dia, o que tem tido efeitos arrasadores nos resultados alcanados pelos alunos, apanhados de surpresa.

    O ministro que nos tutela, tornou-se conhecido pelas suas posies muito crticas quanto quilo que ele designava por eduqus, o que, enfim, consubs-tanciava tudo aquilo que maquilha(va) os verdadeiros propsitos da escola e do sistema de ensino. O seu pensamento , por sua vez, criticado, por, aparente-mente, pouco mais pretender do que aplicar o velho princpio (salazarista) do ler, escrever e contar, esque-cendo muitas outras competncias que fazem parte de uma escolaridade completa. De notar, no entanto, que sem os alunos saberem LER bem e interpretarem ade-quadamente o que leem, sem saberem ESCREVER bem, conseguindo transmitir corretamente as suas ideias e sem saberem CONTAR, no sentido de domi-narem as operaes matemticas, no conseguiro adquirir, de forma sustentada, os restantes conheci-mentos e competncias fundamentais para prosseguir estudos e evolurem na sua preparao.

    Como demonstrao cabal da correo do pen-samento ministerial, podero apresentar-se os resulta-dos alcanados pela maioria dos alunos portugueses a estes testes intermdios. Mas

    Mas ser que estes alunos, inseridos neste sistema de ensino com as caractersticas que lhe conhecemos, habituados desde o 1 ano a um determinado grau de exigncia e rigor, devem ser postos prova deste modo to diferente daquele para que foram treinados? Deixo ao critrio de cada um responder a esta questo, pois se podemos concordar com um sistema de ensino focado nas aprendizagens essenciais, de modo a permitir que os alunos construam o seu edifcio do conhecimento com bases slidas, capazes de sustentar o peso de aprendizagens muito mais complexas, pode-

    mos tambm considerar que sujeit-los a estas novas e surpreendentes regras, trata-los como eternas cobaias de um sistema educativo errtico e desmotivador.

    De pequenino que se torce o pepino, diz a sabedoria popular. Ser sempre desde o primeiro ano de entrada para o sistema de ensino que as nossas crianas tm de iniciar a sua aprendizagem baseada no tal rigor e exigncia de que tanto se fala, mas que os resultados desmentem. Para tal, urge preparar no s o pessoal docente, mas principalmente toda a sociedade portuguesa, na qual esto inseridos, para alm dos agentes de ensino, tambm os pais dos nossos estudantes.

    A imprensa, a rdio e a televiso deviam desem-penhar um papel fulcral nesta revoluo de mentalida-des que imperativo realizar e nada melhor que uma altura de crise para se avanar. Todavia, aquilo a que assistimos exatamente o contrrio. Isto , os media, na sua generalidade, so os principais responsveis pela divulgao de uma meia dzia de ideias-feitas que, cretinamente, tm feito carreira na cabea de muitos dos nossos concidados, incluindo-se neles, claro est, pais e encarregados de educao e at professores.

    As crianas sul-coreanas, desde a mais tenra idade, so mentalizadas para a compensao que o trabalho realizado com afinco e persistncia traz. Elas sabem, ainda antes de entrarem para a escola (diria eufemisticamente que o bebem no leite materno), que s com muito trabalho conseguiro um bom futuro e realizao pessoal e profissional. Toda a sociedade desenvolve e encoraja esta atitude, explicando-se assim que os 75% de analfabetos que existiam nos anos cinquenta do sculo passado (a seguir guerra em que se deu a diviso entre o norte e o sul) deram lugar, nos dias de hoje, a uma sociedade no s totalmente alfabetizada como tendo tambm um dos mais eleva-dos ndices de frequncia e preparao universitria. Em que o acesso s melhores universidades disputa-do custa de um programa impiedoso de aulas extra dirias e pagas (para alm daquelas que so ministra-das nas escolas pblicas), em que o horrio semanal de trabalho de qualquer aluno ronda as setenta horas semanais, no dormindo mais do que cinco horas por noite. Isto explica, no s a capacidade industrial deste pas e a sua poderosa economia, como o posiciona-mento dos estudantes sul-coreanos nos lugares de topo do PISA, ocupando o 1 lugar na resoluo de proble-mas matemticos, por exemplo.

    E Portugal? E os estudantes portugueses? neces-srio um sistema deste gnero para que melhoremos as nossas capacidades? Certamente que muitos dos que me leem tero ficado chocados com a brutalidade de um regime educacional como este da Coreia. Ns somos portugueses, europeus do sul, no somos asiticos. Cada povo possui uma cultura, uma idiossincrasia que nos distingue uns dos outros. Por isso, no vamos copiar o que os outros fazem, sem critrio, importando maneiras de ser que no temos.

    Mas podemos convencer os alunos que, quando esto numa aula, esto l exclusivamente para apren-der! Que aprender constitui a nica razo pela qual vo escola e devem fazer tudo o que est ao seu alcance para atingirem este objetivo fundamental da sua vida! Toda a sociedade trabalha para lhes propor-cionar um direito que eles devem assumir como um dever. Qualquer atitude reiterada de desleixo, preguia e m educao constitui-se como um ato irresponsvel de roubo e desprezo pelo esforo dos outros portugue-ses que pagam impostos para eles poderem usufruir de professores, de escolas, transportes, refeies e muito mais, tudo ou quase tudo grtis!

    Este avano civilizacional custou muito s geraes que nos precederam e devamos ter respeito pelo que fizeram por ns, pelos sacrifcios que passaram. Estas ideias deviam ser incutidas aos mais novos, explicando-lhes os motivos por que devem ter este comportamento e responsabilizando-os por isso. E no se pense que essa tarefa cabe apenas aos professores, no! Pertence aos professores, mas tambm aos pais e a toda a sociedade, atuando como um todo, harmonioso, coeso, como uma nao que prepara o futuro, respei-tando o seu passado, a sua Histria comum. No en-tanto, a que assistimos? J no sei o que lhe hei de fazer!, dizem cada vez mais pais e mes, encarre-gados de educao de alunos cada vez mais novos (dez anos!). Algo est profundamente mal na educao que ministrada ou no s nossas crianas e jovens. Alguns pais apenas comparecem na escola (e nessa circunstncia so rapidssimos) quando o(a) filho(a) lhes diz que lhe foi retirado o telemvel, embora anteriormente, o diretor de turma j os tivesse convoca-do seis, sete vezes ou mais, sem obter qualquer respos-ta. Apenas se privilegiam os aspetos materiais da vida, tentando compensar a sua total ausncia da vida (espiritual, afetiva, intelectual e ldica) dos filhos. Muitas crianas e jovens vo crescendo sem controle, sem uma orientao, uma palavra de estmulo, uma repri-menda, um olhar atento, uma carcia. Levantam-se de manh e vo. E regressam noite. E dormem (?). E acordam, levantam-se e vo.

    Nas sociedades asiticas, o sucesso ou o fracasso dos jovens so o fracasso ou o sucesso da famlia. A alegria ou a tristeza. O orgulho ou a vergonha de toda a famlia. Porque a famlia assume-se como respons-vel pela EDUCAO daquela criana ou jovem.

    Isto podamos reaprender com as sociedades asiticas. Enquanto isto no suceder, muito dificilmente mudaremos alguma coisa, mas temos de tentar. Espe-ramos que este ministro uma vez por todas consiga fazer vingar um sistema de ensino devidamente estrutu-rado, para que no mude logo que o ocupante da cadeira ministerial mude. Alguma coisa coerente, simples, clara e duradoura, que permita aos agentes de ensino, alunos e pais, organizarem o seu trabalho de modo profcuo, sem sobressaltos, visando a eficcia dos resultados, construindo um pas mais inteligente e capaz, como europeus e portugueses.

    *PISA Programme for International Student Assessment Este programa visa avaliar a capacidade dos jovens de 15 anos no uso dos seus conhecimentos, de forma a enfrentarem os desafios da vida real, em vez de simplesmente avaliar o domnio que detm sobre os contedos do seu currculo escolar especfico. O Programa Internacional de Avaliao de Alunos aplicado a alunos dos pases que integram a Organiz. p/ o Desenvolv.to e Cooperao Econmica (OCDE).

  • 03 mador ornal J A

    Escola em Ao !

    DEP. de PORT

    Simo Pereira

    Daniela Duarte 9B

    Ser que eles estiveram altura da misso que lhes foi designada? Claro que sim! A fim de promover e melhorar os hbitos de leitura do pblico juvenil, a P